José Peseiro não poderia ter uma tarefa mais atribulada na preparação para o seu primeiro clássico. Começou por não ter nenhum reforço no mês de janeiro e agora, de um momento para o outro, ficou sem dois dos três centrais do plantel principal; já teve que lidar com problemas no balneário, que o próprio não teve problemas em citar na conferência de imprensa; vem de uma pesadíssima derrota frente ao Arouca; e vai jogar na Luz, contra um Benfica que atravessa um grande momento.
Coisas do futebol. Se o Benfica tivesse perdido em Braga, à 11ª jornada, Rui Vitória teria sido despedido. Mas a equipa aguentou-se e foi um ponto de viragem. O Benfica tornou-se uma equipa de golo fácil, mais eficaz do que o FC Porto. É isso que faz a diferença: eficácia. Não é o futebol praticado, nem sequer o número de ocasiões de golo criadas.
Nas primeira 20 jornadas, o Benfica acumulou 121 remates à baliza, apenas mais 5 do que o FC Porto. Aqui, a estatística é quase ela por ela. Mas a eficácia faz a diferença: o FC Porto desperdiçou 37 ocasiões de golo flagrante, contra apenas 18 do Benfica. Jonas foi o achado que sustenta quase tudo isto. Basta dizer que, sozinho, tem 23 golos. Tantos como Aboubakar (10), Corona (7), Brahimi (4), Osvaldo (1) e Varela (1), os nossos cinco avançados que marcaram no campeonato, juntos.
Ora, enquanto o Benfica atravessa um grande momento ofensivo, o FC Porto tem problemas na defesa. Não é apenas os problemas na transição defensiva, mas sim as próprias opções para formar o quarteto defensivo.
Para José Peseiro, o mais fácil será fazer recuar Danilo para junto de Indi. Qualquer treinador do mundo sente mais segurança em readaptar um jogador da equipa A do que em recorrer a um miúdo dos sub-19 ou da equipa B. Por exemplo, frente ao Arouca talvez fosse uma boa oportunidade para meter Víctor García à direita, e assim só se fazia uma alteração. Mas fez-se duas, e a derrota do FC Porto começou pelo flanco esquerdo, numa questão de segundos. Se Danilo recua, é também uma alteração a mais na equipa. E o meio-campo ficará enfraquecido, certamente.
Por outro lado, Chidozie é absolutamente inexperiente. Os mais otimistas recordarão que Fernando e Rolando também se estrearam a frio na Luz. Mas há uma diferença: ambos já tinham experiência de primeira liga. Chidozie não a tem, de todo. E contra uma equipa que está a fazer imensos golos e que vai jogar em casa, mais difícil será.
E embora ainda não seja altura de pensar em Dortmund: com Danilo e Maxi Pereira castigados, Maicon e Marcano lesionados (?) e Chidozie fora dos inscritos na UEFA, como é que tencionam formar o quarteto defensivo para a Liga Europa? O FC Porto não tem, de todo, o melhor plantel. As limitações estão à vista. Não se pode pedir a José Peseiro mais do que o plantel pode dar. As carências eram facilmente identificadas por qualquer adepto, mas a resposta da SAD no mercado de inverno limitou-se a José Sá, Suk e Marega. O plantel já não era o melhor, mas não só não foi reforçado como ainda saiu de janeiro enfraquecido.
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Se o FC Porto quiser tentar transferi-lo para a China está no seu direito, mediante uma boa proposta. Mas esqueçam lutar por títulos sem ter defesas-centrais para o que sobra da época. É a dura realidade, mas é assim. Mas Maicon não pode pagar a fatura de todos os problemas do FC Porto no último mês.
Ele errou, e deve ser punido com base no erro que cometeu. Pode ser com multa, pode ser não jogando durante X jogos, por até ser com a despromoção na hierarquia de capitães. Maicon tinha que assumir o erro, e já assumiu, perante colegas e equipa técnica. Tem que sofrer as consequências do seu erro, que é o que está a acontecer. Mas depois não pode ficar sozinho a pagar pelos erros todos que outros cometeram e em relação aos quais passaram ilesos.
Maicon foi, durante quase 7 anos, sempre um profissional exemplar. Nunca teve problemas com nenhum treinador, nunca entrou em conflitos com colegas no balneário. Já se sacrificou pelo FC Porto anteriormente. Contra o Arouca teve o ponto baixo da sua carreira, ao não honrar a história e a mística do FC Porto. Mas é só Maicon quem não tem feito isso? Então por que só Maicon é réu nesta história?
Uma perguntinha: se Maicon fosse um futebolista que tivesse parte do seu passe na Doyen ou noutro fundo de investimento, será que alguém pensaria em algum momento em afastar o jogador? Pois, mas como foi uma contratação barata, e tendo a SAD 100% do seu passe (aliás, em 2013-14 tinha, em 2014-15 não declarou o passe de Maicon no R&C), talvez se torne mais fácil prescindir dele.
Até os maiores símbolos do portismo cometeram, um dia, erros. Jorge Costa também atrou a braçadeira de capitão ao chão, e André uma vez também deixou um jogo a meio, queixando-se de uma lesão, no campeonato de 1991-1992, contra o Marítimo. Obviamente que as circunstâncias foram diferentes. Tanto Jorge Costa como André André foram, e são, jogadores sempre respeitados pelos adeptos, enquanto Maicon é um eterno mal-amado. E nenhum deles alegou uma lesão logo após cometer um erro que deu um golo ao adversário. Mas há poucos jogadores que passaram pelo FC Porto sem terem cometido erros. Maicon é mais um deles. Um erro em sete anos. Um jogador a cometer um erro num clube onde tantos têm sido cometidos, sobretudo nos últimos anos, sem consequências algumas.
A perspetiva de José Peseiro também deveria ser importante. O treinador deve ter a primeira e última palavra sobre a situação de Maicon, porque a SAD não lhe deu nenhum central no mercado de inverno. Se José Peseiro acha que Maicon teve uma situação imperdoável no contexto do seu grupo de trabalho, e se considera que tem centrais suficientes para cumprir os objetivos a que se propôs, então boa sorte. Mas se quer a reintegração de Maicon como opção normal no plantel, só tem que ser respeitado nessa decisão.
Que Maicon assuma todas as responsabilidades que lhe caibam (as dele, não as dos outros), cumpra o castigo que lhe for imposto e seja reintegrado no grupo de trabalho, é o desejo que fica.
Quanto ao resto, só se pode pedir a José Peseiro um pouco mais do que em 2014-15. Na última visita à Luz, com Lopetegui, o FC Porto não foi inferior ao Benfica, mas não era o Benfica quem precisava de ganhar, e o FC Porto não fez o suficiente para merecer ganhar; agora fica esse desejo - deixar claro que o FC Porto fez tudo o que estava ao seu alcance pelo melhor resultado possível. Não será nunca por perder um jogo na Luz que se perde o título de campeão. Mas quem perde 11 ou 14 pontos em relação ao rival em pouco mais de um mês não pode pensar no título. Não há pressão, apenas responsabilidade e honra.
PS: O absurdo aconteceu com o mercado já fechado. Gudiño foi emprestado ao União da Madeira. Que significa isto? Que Gudiño já não irá contar como jogador formado no FC Porto à luz dos regulamentos da UEFA. Num clube que tem extremas dificuldades em completar a lista A de inscritos na Champions, estes

















