sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O clássico e Maicon

José Peseiro não poderia ter uma tarefa mais atribulada na preparação para o seu primeiro clássico. Começou por não ter nenhum reforço no mês de janeiro e agora, de um momento para o outro, ficou sem dois dos três centrais do plantel principal; já teve que lidar com problemas no balneário, que o próprio não teve problemas em citar na conferência de imprensa; vem de uma pesadíssima derrota frente ao Arouca; e vai jogar na Luz, contra um Benfica que atravessa um grande momento.

Coisas do futebol. Se o Benfica tivesse perdido em Braga, à 11ª jornada, Rui Vitória teria sido despedido. Mas a equipa aguentou-se e foi um ponto de viragem. O Benfica tornou-se uma equipa de golo fácil, mais eficaz do que o FC Porto. É isso que faz a diferença: eficácia. Não é o futebol praticado, nem sequer o número de ocasiões de golo criadas. 

Nas primeira 20 jornadas, o Benfica acumulou 121 remates à baliza, apenas mais 5 do que o FC Porto. Aqui, a estatística é quase ela por ela. Mas a eficácia faz a diferença: o FC Porto desperdiçou 37 ocasiões de golo flagrante, contra apenas 18 do Benfica. Jonas foi o achado que sustenta quase tudo isto. Basta dizer que, sozinho, tem 23 golos. Tantos como Aboubakar (10), Corona (7), Brahimi (4), Osvaldo (1) e Varela (1), os nossos cinco avançados que marcaram no campeonato, juntos.

Ora, enquanto o Benfica atravessa um grande momento ofensivo, o FC Porto tem problemas na defesa. Não é apenas os problemas na transição defensiva, mas sim as próprias opções para formar o quarteto defensivo. 

Para José Peseiro, o mais fácil será fazer recuar Danilo para junto de Indi. Qualquer treinador do mundo sente mais segurança em readaptar um jogador da equipa A do que em recorrer a um miúdo dos sub-19 ou da equipa B. Por exemplo, frente ao Arouca talvez fosse uma boa oportunidade para meter Víctor García à direita, e assim só se fazia uma alteração. Mas fez-se duas, e a derrota do FC Porto começou pelo flanco esquerdo, numa questão de segundos. Se Danilo recua, é também uma alteração a mais na equipa. E o meio-campo ficará enfraquecido, certamente. 

Por outro lado, Chidozie é absolutamente inexperiente. Os mais otimistas recordarão  que Fernando e Rolando também se estrearam a frio na Luz. Mas há uma diferença: ambos já tinham experiência de primeira liga. Chidozie não a tem, de todo. E contra uma equipa que está a fazer imensos golos e que vai jogar em casa, mais difícil será.

E embora ainda não seja altura de pensar em Dortmund: com Danilo e Maxi Pereira castigados, Maicon e Marcano lesionados (?) e Chidozie fora dos inscritos na UEFA, como é que tencionam formar o quarteto defensivo para a Liga Europa? O FC Porto não tem, de todo, o melhor plantel. As limitações estão à vista. Não se pode pedir a José Peseiro mais do que o plantel pode dar. As carências eram facilmente identificadas por qualquer adepto, mas a resposta da SAD no mercado de inverno limitou-se a José Sá, Suk e Marega. O plantel já não era o melhor, mas não só não foi reforçado como ainda saiu de janeiro enfraquecido.

Ouvir a palavra de Peseiro
Agora, com a janela fechada, de nada vale lamentar. José Peseiro tem que trabalhar com o que tem. O FC Porto tem que lutar com os que tem. E entre esses jogadores há que incluir Maicon.

Se o FC Porto quiser tentar transferi-lo para a China está no seu direito, mediante uma boa proposta. Mas esqueçam lutar por títulos sem ter defesas-centrais para o que sobra da época. É a dura realidade, mas é assim. Mas Maicon não pode pagar a fatura de todos os problemas do FC Porto no último mês.

Ele errou, e deve ser punido com base no erro que cometeu. Pode ser com multa, pode ser não jogando durante X jogos, por até ser com a despromoção na hierarquia de capitães. Maicon tinha que assumir o erro, e já assumiu, perante colegas e equipa técnica. Tem que sofrer as consequências do seu erro, que é o que está a acontecer. Mas depois não pode ficar sozinho a pagar pelos erros todos que outros cometeram e em relação aos quais passaram ilesos.

Maicon foi, durante quase 7 anos, sempre um profissional exemplar. Nunca teve problemas com nenhum treinador, nunca entrou em conflitos com colegas no balneário. Já se sacrificou pelo FC Porto anteriormente. Contra o Arouca teve o ponto baixo da sua carreira, ao não honrar a história e a mística do FC Porto. Mas é só Maicon quem não tem feito isso? Então por que só Maicon é réu nesta história?

Uma perguntinha: se Maicon fosse um futebolista que tivesse parte do seu passe na Doyen ou noutro fundo de investimento, será que alguém pensaria em algum momento em afastar o jogador? Pois, mas como foi uma contratação barata, e tendo a SAD 100% do seu passe (aliás, em 2013-14 tinha, em 2014-15 não declarou o passe de Maicon no R&C), talvez se torne mais fácil prescindir dele. 

Até os maiores símbolos do portismo cometeram, um dia, erros. Jorge Costa também atrou a braçadeira de capitão ao chão, e André uma vez também deixou um jogo a meio, queixando-se de uma lesão, no campeonato de 1991-1992, contra o Marítimo. Obviamente que as circunstâncias foram diferentes. Tanto Jorge Costa como André André foram, e são, jogadores sempre respeitados pelos adeptos, enquanto Maicon é um eterno mal-amado. E nenhum deles alegou uma lesão logo após cometer um erro que deu um golo ao adversário. Mas há poucos jogadores que passaram pelo FC Porto sem terem cometido erros. Maicon é mais um deles. Um erro em sete anos. Um jogador a cometer um erro num clube onde tantos têm sido cometidos, sobretudo nos últimos anos, sem consequências algumas.

A perspetiva de José Peseiro também deveria ser importante. O treinador deve ter a primeira e última palavra sobre a situação de Maicon, porque a SAD não lhe deu nenhum central no mercado de inverno. Se José Peseiro acha que Maicon teve uma situação imperdoável no contexto do seu grupo de trabalho, e se considera que tem centrais suficientes para cumprir os objetivos a que se propôs, então boa sorte. Mas se quer a reintegração de Maicon como opção normal no plantel, só tem que ser respeitado nessa decisão. 

Que Maicon assuma todas as responsabilidades que lhe caibam (as dele, não as dos outros), cumpra o castigo que lhe for imposto e seja reintegrado no grupo de trabalho, é o desejo que fica.

Quanto ao resto, só se pode pedir a José Peseiro um pouco mais do que em 2014-15. Na última visita à Luz, com Lopetegui, o FC Porto não foi inferior ao Benfica, mas não era o Benfica quem precisava de ganhar, e o FC Porto não fez o suficiente para merecer ganhar; agora fica esse desejo - deixar claro que o FC Porto fez tudo o que estava ao seu alcance pelo melhor resultado possível. Não será nunca por perder um jogo na Luz que se perde o título de campeão. Mas quem perde 11 ou 14 pontos em relação ao rival em pouco mais de um mês não pode pensar no título. Não há pressão, apenas responsabilidade e honra.


PS: O absurdo aconteceu com o mercado já fechado. Gudiño foi emprestado ao União da Madeira. Que significa isto? Que Gudiño já não irá contar como jogador formado no FC Porto à luz dos regulamentos da UEFA. Num clube que tem extremas dificuldades em completar a lista A de inscritos na Champions, estes pequenos grandes pormenores fazem toda a diferença. Ou a SAD ignorou por completo esta questão, ou entendeu que era mais vantajoso Gudiño ter quatro meses de experiência na primeira liga (se não for titular será ridículo, a SAD tem que ter garantir de que vai ser) do que ser formado no FC Porto. Ou então tinha que se arranjar algum espaço para José Sá não passar meia época sentado na tribuna do Dragão, e então sacrifica-se o mais promissor e caro guarda-redes do FC Porto. Boa sorte, Gudiño.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Tudo gente séria

O Tribunal do Dragão expôs, há um mês, «A Robertada», tema que nenhuma imprensa portuguesa se mostrou interessada em aprofundar. E na altura apresentámos Agapito Iglesias, o homem por trás do BE Plan e das negociações com Benfica e Saragoça para a transferência de Roberto. Ora e não é que este honestíssimo senhor, o mentor da Robertada, acaba de ser condenado a quatro anos de prisão em Espanha? É tudo gente séria. Quem teve a sorte de o Apito Dourado ter acabado em Leiria deve estar a rezar para que este caso não ultrapasse a fronteira.

Elefantes na sala da família

A FIFA deu razão ao FC Porto no caso Caballero. Foi um advogado do jogador, Fernando Villa, a revelar o desfecho do processo. E fê-lo com uma frase que desperta algumas questões.

«En la mañana de hoy recibimos la notificación de la FIFA. La demanda de Libertad fue rechazada, Maurito Caballero con el Oporto como jugador libre».

Ora segundo o advogado, Caballero chegou ao FC Porto livre de contrato com qualquer outro clube. E é aqui que começam as questões. Se Caballero era um jogador livre, por que é que a SAD pagou 1,53 milhões de euros, na época desportiva 2012/13, à sociedade MHD, S.A.? Curiosamente, esta era praticamente a quantia que o Libertad exigia ao FC Porto pela transferência de Caballero.


Mas outro dos advogados de Caballero disse, há 3 anos, que o FC Porto só teria a pagar 365 mil euros por direitos de formação. Então, porquê estes 1,53M€ pagos a outra daquelas empresas? - o Google ajuda como pode e diz-nos que a MHD é provavelmente um escritório situado em Chardonne, na Suíça.

Um jogador «livre»
De facto, poderia dar-se o caso do Libertad ter apenas em sua posse os direitos desportivos (o direito de inscrição, que só um clube pode ter) e os direitos económicos pertencerem a terceiros. Mas o Libertad alegava que não era o caso, que Caballero era jogador deles. O Libertad não poderia alegar o direito a receber dinheiro pela transferência se não tivesse direitos económicos do jovem paraguaio, que foi despachado para o Liechtenstein.

Assim sendo, e repetindo, se a FIFA diz que o Caballero era um jogador livre, por que é que se pagou 1,53M€ por ele a uma empresa da qual nada se sabe? Faz lembrar o caso de Kayembé, que tinha acabado contrato com o Standard Liège e cujo custo já vai em 3,165M€. Demagogia, dirão alguns, mas estes 4,7M€ pagos por dois miúdos que estavam livres já davam para comprar um central jeitosito...

Curiosamente, o Football Leaks chegou a divulgar um contrato de acordo entre o FC Porto e Ricardo Rivera, de janeiro de 2013, que trazia informações diversas sobre o negócio. Mas o mesmo não foi analisado, pois faltavam as assinaturas que validariam o documento, que também não estava timbrado. 

Entre as diversas cláusulas que estavam previstas: o FC Porto pagaria 30% da mais-valia futura de Caballero acima de 2M€ ao seu agente; o FC Porto inicialmente não ficaria com 100% do passe, mas teria opções de compra progressivas, por valores assustadores: mais 10% por 2M€; se Caballero fizesse 20 jogos pela equipa A, mais 10% por 2M€; por mais 20 jogos, mais 2M€ por 10%. Ou seja, só por 30% do passe, Caballero custaria 6M€. Felizmente, até onde se sabe, não se seguiu por esta via. Das duas, uma: ou o agente era louco por apresentar uma proposta assim ao FC Porto, ou então achava que havia duas pessoas loucas o suficiente para assinar este acordo na SAD do FC Porto.

Mas este documento mostrou também o envolvimento da Northfields Sports BV, uma empresa que se sabe ser ligada a Marcelo Simonian, empresário próximo de Antero Henrique para diversos negócios na América do Sul, desde Lucho González a Víctor García. Empresa essa que está diretamente associada a uma novidade que hoje se conhece. 



O R&C do primeiro trimestre mostrou que o FC Porto pagou uma mais-valia sobre Jackson Martínez à Northfields Sports BV, cerca de 2M€, sem se perceber porquê. A SAD sempre declarou ter 100% dos direitos económicos de Jackson Martínez, até que depois de Jackson ter renovado a SAD atribuiu 5% da futura transferência ao felizardo Henrique Pompeo - que depois andou a ameaçar publicamente o FC Porto pelo impasse nas negociações com o Atlético.

Mas o Football Leaks mostrou hoje uma carta enviada por um representante da Northfields Sports à SAD, a 14 de julho de 2015, a notificar o FC Porto para o pagar de 10% da mais-valia acima de 9,57M€ (Jackson Martínez tinha custado, no total, 9,63M€ - 8,887M€ por 100% do passe e 750 mil euros de encargos). E na carta é dito que este acordo foi celebrado a 15 de julho de... 2012. Ou seja, uma semana depois de Jackson Martínez ter sido contratado ao Jaguares. Se o negócio com o Jaguares foi fechado a 7 de julho, porquê a celebração deste acordo para cedência de uma mais-valia de 10% uma semana depois? Os documentos também mostram o que se suspeitava: o Atlético não bateu a cláusula de rescisão de Jackson; pagou, isso sim, os 35M€ numa só tranche. São coisas diferentes, pois se o Atlético tivesse batido a cláusula o FC Porto não teria que pagar mecanismos de solidariedade, nem comissões à Gestifute (aliás, note-se que o FC Porto, aquando da venda de Jackson, pagou comissões a pelo menos 3 entidades diferentes: Pompeo, Gestifute e Northfields Sports. Que trabalheira!).

Entretanto, foi também divulgada a situação da partilha de passes de uma série de atletas do FC Porto na data de encerramento do relatório e contas semestral de 2014-15. Há muitos casos que merecem análise, mas um acima de todos: Rúben Neves. Já tinha sido noticiado, aquando da sua renovação de contrato, que José Caldeira tinha tido intervenção na assinatura do novo acordo. Mas não nos termos que o Football Leaks dá a conhecer - e que o FC Porto está, desde o primeiro dia, à vontade para desmentir.

A renovação de Rúben Neves
A SAD cedeu 5% do passe de Rúben Neves a José Caldeira pela renovação de contrato. O curioso é que na altura foi noticiado que foi a Unifoot a surgir no papel de intermediária, mas não, terá sido outra empresa ligada a Caldeira, a Prestige Sports. E aqui se levantam questões: porquê ceder 5% do passe do nosso maior valor da formação numa renovação de contrato?

Alguém imagina que foi Rúben Neves a sentar-se à mesa na SAD e a fazer a seguinte exigência: «Ora bem eu concordo em renovar contrato, mas quero que o José Caldeira, irmão do administrador da SAD Adelino Caldeira, seja compensado e bem compensado»?. Isto não é uma transferência internacional. Não envolve conversações entre clubes, nem com fundos, nem sequer com partilhas de passes ou múltiplos empresários. Rúben Neves era um atleta da formação do FC Porto, que nem tinha empresário quando assinou o seu primeiro contrato profissional. Então porquê meter José Caldeira no papel de intermediário, se as coisas seriam facilmente resolvidas entre atleta e clube?

5% podem parecer réstias, mas não são. Rúben Neves continua a ser um dos jovens de 18 anos mais promissores do planeta, e não será difícil imaginá-lo a ver ser transferido por 40M€ a médio prazo. Ora 5% de 40M€ são 2 milhões de euros. Dar potenciais 2M€ a um empresário numa renovação de contrato de um jovem de 17 anos é coisa que se calhar nem o Real Madrid ou o Barcelona fazem. É uma renovação, não uma contratação.


Isto já para não falar do eterno possível conflito de interesses. José Caldeira é irmão de Adelino Caldeira, administrador da SAD. Ninguém pode ficar chocado só por este negócio, pois não é um caso isolado. Alexandre Pinto da Costa intermedeia vários negócios do FC Porto, mesmo sem ser o empresário dos jogadores em causa. Afzal, aqui descrito como o ex-cunhado de Antero Henrique, também já fez muitos negócios como intermediário para o FC Porto. E até o genro de Pinto da Costa já foi associado a negociações em nome do FC Porto.

José Peseiro disse hoje que o caso de Maicon vai ser tratado «dentro da família». Ironicamente, parece mesmo que há muitas coisas a ser tratadas em família no FC Porto. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O que mudou em quatro meses, Maicon?

Maicon já fez 190 jogos ao serviço do FC Porto, nos quais fez 13 golos, um deles absolutamente decisivo no ciclo do último tricampeonato. Fez uma grande primeira época com Vítor Pereira, mas desde então esteve sempre num limbo de exibições em que não raras vezes complicava o mais fácil e comprometia.

Chegou a capitão porque o nomearam para tal. Nunca nenhum treinador teve queixas de Maicon enquanto profissional. Está na sétima época como jogador do FC Porto e nunca deu problemas.

Mas o que se passou frente ao Arouca foi demasiado grave. Em pleno Dragão, com a braçadeira no braço, virar as costas ao jogo e render-se a uma suposta lesão é grave.

Maicon deve explicações. Por algo muito simples: é exatamente o mesmo jogador que, há quatro meses, aguentou o jogo todo frente ao Chelsea quando tinha um tornozelo que mais parecia uma batata. Aguentou as dores, secou o Diego Costa, fez o golo da vitória e varreu tudo até ao último segundo. Para quem não se recorda, no fim do jogo, já após ter feito gelo (o que ajuda a reduzir o inchaço), estava com o pé neste estado.


Há quatro meses, o jogo de Maicon frente ao Chelsea foi um exemplo perfeito do que é ser capitão do FC Porto. Frente ao Arouca, deu o exemplo contrário. Porquê? Maicon deve explicações. Aos colegas, ao treinador e aos adeptos. Deve explicações porque é o mesmo jogador que era há quatro meses, quando acabou o jogo contra o Chelsea com o pé esquerdo completamente rebentado.

Na altura, já andava com os problemas físicos de que agora a sua família (está na moda, não é?) se queixou. Mas o FC Porto tem um bom departamento médico. Não há nada que não possa ser detetável ou ultrapassável. Muito menos quando nem se foi ao mercado buscar um central. Se Maicon tinha algum tipo de problema crónico de que havia conhecimento, é demasiado grave.

Maicon é um jogador que já teve vários problemas fora dos relvados, em particular por motivos de saúde da filha. Há um novo problema de ordem pessoal? Foi uma recaída física? Foi uma consequência de voltar a complicar na defesa? Ou foi simplesmente um sucumbir perante toda a pressão daquele momento?

É preciso respostas, Maicon. Ou assume o erro e sofre as consequências, ou tem que ter uma justificação muito boa para o que aconteceu. E antes de riscar um capitão do FC Porto, é essencial ouvi-lo. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Culpas e responsabilidades

Não há adepto do FC Porto que perdoe um jogador que não dá tudo. Se não mete o pé ou não puxa mais um bocado no sprint, não é perdoado. Porque todos os adeptos exigem que cada jogador faça o que está ao seu alcance para ajudar o FC Porto a vencer. Se fazemos essa exigência aos jogadores, não era de esperar menos face à exigência perante a administração da SAD.

Começando por aqui: o caso das prendas ilegais do Benfica às equipas de arbitragem. Este caso foi descaradamente arquivado pela Liga, mesmo quando os regulamentos estão chapados e aos olhos de qualquer pessoa. Mas a lavagem pública que foi feita levou muita gente, inclusive portistas, a aceitar este desfecho com naturalidade. 

Culpas e responsabilidades
Inaceitável. Veja-se lá que a comissão de inquérito foi perguntar aos árbitros se eles se sentiam pressionados ou coagidos. Isto é um gozo! Nos regulamentos, o que é punível não é o sentimento dos árbitros: é a oferta de prendas de valor comercial. Não interessa o sentimento do árbitro, o que é ilegal foi a prática do Benfica - que aparentemente deixou de entregar os seus kits (se não havia nada incriminatório, por que deixar de os entregar?). Vítor Pereira mentiu, em defesa do seu clube (por seu, entenda-se o único clube que o segura na instância da arbitragem), e o Benfica só teve que esperar que o caso chegasse a este desfecho.

Que fez o FC Porto perante tudo isto? Nada. Ficou calado, sem uma única reação. Mas porquê? Ficar em silêncio perante isto é a mesma coisa que o Maicon parar de correr, que o Herrera falhar um passe e o Varela perder a bola: é uma gestão que não faz tudo o que está ao seu alcance para ganhar. Indiferença? Reféns de alguma coisa? Ou estratégia? Nada o justifica.

Na perspetiva de um dirigente do FC Porto, não pode haver maior vergonha de que esta: Bruno de Carvalho, indiretamente, fez mais pela defesa do FC Porto neste processo do que todos os dirigentes do FC Porto juntos (o FC Porto é que foi 2º classificado em 2014-15, não foi o Sporting, logo, sem o colinho descarado, o campeão seria o FC Porto) . Não há como aceitar isto.

Sabe-se lá porquê, alguns portistas meteram na cabeça, e cultivaram essa ideia, que o FC Porto tinha que ganhar 34 jogos em 34 jornadas. Como se isso existisse, como se isso fosse possível. Todas as equipas perdem pontos todos os anos, e perdem sempre em jogos teoricamente mais acessíveis; o que não foi normal foi o camião de pontos que o Benfica garantiu à boleia de erros de arbitragens sempre em prejuízo dos seus adversários. 

E perante isto, que fez o FC Porto? Nada. Aliás, despediu a única pessoa, por mais ou menos valias que tenha tido, a contestar todo o desenrolar da última época.

E com isto chegamos ao jogo com o Arouca. Uma equipa que perde em casa com o Arouca não pode ser campeã, como é natural. Não se sabe bem porquê (ou talvez sim), mas gerou-se por aqui um mini-motim nos últimos dias na caixa de comentários. Porque o FC Porto tinha ganho ao Estoril e ao Gil Vicente, e tinha contratado Peseiro, Marega e Suk no mercado de inverno, logo não se podia criticar nada de nada. Ora foda-se. Que FC Porto é este que acha que os seus problemas foram resolvidos por ganhar dois jogos ao Estoril e ao Gil Vicente!?

O erro do auxiliar de Rui Costa (e não é que o FC Porto não mete nome ao sujeito!?) prejudicou gravemente o FC Porto. O problema é que este não é um erro de arbitragem isolado. Acontece na jornada que antecede a visita do FC Porto à Luz. Vamos a seis pontos, podemos sair de lá a nove. A luta pelo título já está longe para o FC Porto, mas até o acesso à Liga dos Campeões já está em causa (e que grande rombo financeiro será falhar o apuramento). E este erro de arbitragem é apenas mais um dos muitos que se acumularam nos últimos tempos, sem que o FC Porto o combatesse declaradamente. 

Todos gozam com o circo que o Sporting montou. Protestam sem razão, preparam comentadores para os espaços televisivos, montaram uma máquina de propaganda similar à célebre do Benfica e fazem o papel de eternos coitadinhos e vítimas. E sabem o que é que também estão a fazer? Tudo o que está ao seu alcance para serem campeões! E a verdade é que podem, à 21ª jornada, ficar já com praticamente irrecuperáveis 8 pontos de avanço sobre o FC Porto, e vergonhosos 11 na jornada seguinte. O Sporting, porra! O Sporting!

Veja-se lá que até meteram Cosme Machado a admitir publicamente um erro de arbitragem, violando a alínea G, do artigo 19 do do subtítulo II do regulamento de arbitragem. Alguém acredita que agora vamos ver o árbitro auxiliar (vá, metam nome ao sujeito) dar uma entrevista a assumir que prejudicou o FC Porto? Veja-se a diferença de tratamento que será feita.

E agora, voltamos a fazer uma piadinha no Dragões Diário e depois volta tudo a esperar que José Peseiro faça o milagre? Esta reação do Dragões Diário é novamente de um amadorismo que não tem descrição. Por acaso viram o árbitro Rui Costa a levantar a bandeirinha quando Brahimi marcou? Não? Pois não, pois quem assinala os fora-de-jogo não é o árbitro principal, é o auxiliar. E o FC Porto achou que o interessante era realçar o parentesco entre Rui Costa e Paulo Costa, nem sequer metendo nome ao responsável pela perda de pontos do FC Porto. Volvidos quase dois anos, tempo de fazer um balanço: que anda Manuel Tavares a fazer no clube? Que política de comunicação é esta levado a cabo desde a sua chegada ao FC Porto? Mudanças, para ontem!

Quanto a José Peseiro, não vale a pena tecer críticas ao jogo de ontem. Se tiver sucesso no FC Porto, é um herói. Se não tiver, quem assumiu a aposta nele só tem que se responsabilizar pelo sucedido. Porque quem, através da análise feita nos últimos 10 anos, julgou que encontrou em José Peseiro o homem para esta «missão impossível» no FC Porto só pode ter uma justificação muito boa.

Culpas e responsabilidades
Além de trazermos um treinador sem o hábito de lutar por títulos (atravessamos uma fase em que é necessário um treinador que faça do FC Porto campeão, não um treinador que venha para o FC Porto para ser campeão - são coisas diferentes), o FC Porto consegue a proeza de sair do mercado de inverno mais fragilizado do que quando começou o mês de janeiro. Todos sabem que as equipas de José Peseiro mostravam-se muito frágeis no momento de transição defensiva. Ok, alguém achou que era no FC Porto que isso ia mudar. Mas além disso saem do mercado de inverno sem uma única tentativa de reforço do setor.

José Peseiro também não tem culpa que Ángel comece o jogo a dormir, que Casillas não saia da baliza, que Indi não ganhe uma bola de cabeça e que Maicon tenha tido mais uma paragem cerebral. É um treinador que sempre teve dificuldades em preparar as suas equipas defensivamente, mas que culpa pode ter um treinador perante estes erros individuais? E que culpa tem o treinador que vê a sua equipa ter um golo mal anulado? Discutam o que quiserem, mas não será por Peseiro que o FC Porto deixará de ser campeão; tal como, cruel realidade, dificilmente será com ele que algum dia o será. Pelo menos não esta época, onde não houve tempo para preparar uma equipa com pré-temporada e devido reforço do plantel.

O FC Porto manteve a aposta assumida de que ia lutar para ser campeão e sai do mercado de inverno com Suk e Marega. Não vale a pena continuar a criticar as contratações, porque já estão feitas e são estes que sobram para ir à luta, mas sinceramente que esperavam? Quem achou que era com Peseiro, Suk e Marega que o FC Porto ia passar do 3º lugar para o título?

E se o FC Porto não conseguir um bom resultado na Luz e for eliminado pelo Dortmund? Também se faz o funeral a José Peseiro ou começa-se, finalmente, a perceber que o problema vai muito além do treinador? Não tarda e o cemitério de treinadores, que ficava mais a sul, muda-se de vez para norte.

Considerem-se estes os «Machados» a atribuir pelo jogo de ontem. «Bonés» nem um, nem sequer um chapéuzito. Podemos alegar que o FC Porto construiu oportunidades de golo, atacou, tentou, e teve um golo mal anulado que mudou toda a história do jogo. Mas de que nos podemos verdadeiramente queixar se Bracalli acaba o jogo com menos defesas do que Casillas?

Esta administração vai ser reeleita dentro de dois meses (Pinto da Costa, na última entrevista que deu, nem sabia ao certo quando eram as eleições), e para um mandato de 4 anos inédito da história do FC Porto. Mas em vésperas de eleições, desejava-se uma postura bem diferente para esta fase débil do FC Porto. Em vésperas de eleições, o máximo que esta administração conseguiu garantir para lutar pelo título foi contratar José Peseiro (isto não é uma crítica ao treinador, é simplesmente questionar o que fez nos últimos 10 anos para merecer receber um telefonema de Pinto da Costa logo após o empate com  Rio Ave...), o 13º guarda-redes com contrato profissional, tornar Marega o jogador mais caro da história de um clube português insular e contratar Suk.

Culpas e responsabilidades
Uma vez mais: Pinto da Costa vai ser reeleito, mantendo a atual administração. E é exatamente por isso que esta exigência é aqui clamada. É por isso que há críticas sempre de sentido construtivo. É por isso que se questionam negócios ou apresentam-se sugestões: porque esta administração vai ficar veiculada ao FC Porto durante mais 4 anos. E de certeza que nenhum adepto do FC Porto quer que os próximos 4 anos sejam um filme dos últimos três. É por isso que este espaço não é de luas, de achar que quando se ganha ao Gil Vicente está tudo bem e que quando se perde com o Arouca está tudo mal. Mas quando se perde com o Arouca, podem ter a certeza de que há muita coisa que está mal. 

Pinto da Costa tem uma remuneração fixa de 520 mil euros. Reinaldo Teles, Adelino Caldeira e Fernando Gomes de 287 mil euros (o salário de Antero Henrique não é conhecido, por não ser administrador). Todo o portista tem o direito de exigir que, perante as condições de que usufruem, os dirigentes lutem cada dia, cada segundo pela defesa dos interesses do FC Porto. Não é ficar calado à espera de encontrar um treinador que engate e que camufle os problemas da equipa.

Não podemos viver de memórias de há 25 anos atrás. Não podemos desculpar o presente com base na gratidão pelo passado. O passado é grandioso, intocável, eterno. Mas chega um dia em que o passado já não é mais do que... passado. Se o presidente dos últimos 3 anos se chamasse Joaquim, de certeza que os sócios pensariam duas vezes antes de elegê-lo para os próximos quatro anos, pois é impossível ficar satisfeito com o desenrolar das últimas três épocas. Temos que pensar nos próximos 4 anos, não nos últimos 30, pois o FC Porto é um clube de futuro, não de passado.

Pinto da Costa, Antero Henrique e Fernando Gomes, sem esquecer a restante administração, são e continuarão a ser os dirigentes que carregam as expetativas de centenas de milhares de adeptos, muitos deles que continuam a confiar cegamente nesta administração e a achar que a culpa é sempre ou do treinador, ou do jogador, ou do árbitro. Precisamos de uma administração que mereça ficar no FC Porto pelo que faz no presente e pelo que planeia para o futuro, não pelo que fez no passado.

Queremos mais e melhor. Isto não é pedir uma nova administração: é exigir mais de quem cá está e de quem cá vai continuar independentemente do que faça!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Negócios da China (e de Inglaterra)

No dia em que o FC Porto volta ao Dragão, para defrontar o Arouca, o jornal O Jogo revelou que o FC Porto recusou uma proposta de 25 milhões de euros por Aboubakar, que terá sido apresentada a Pinto da Costa por Jorge Mendes - uma prova de que, apesar das críticas feitas publicamente ao caso Adrián, o empresário e o FC Porto não deixarão nunca de procurar negócios que sirvam mutuamente os seus interesses.

Abortado: e bem
Pinto da Costa fez, obviamente, bem ao recusar a proposta. 25 milhões de euros é uma avaliação bem razoável para o futebolista que Aboubakar é atualmente, mas é bom lembrar que a SAD tem apenas 30% do avançado (a SAD já tem direito a comprar mais 40%). Ou seja, o FC Porto receberia apenas 7,5M€, sem deduzir as habituais despesas com a transferência.

Além disso, o mercado está fechado, e não há por aí nenhum Jonas livre de contrato para assinar. Logo, não faria sentido vender o avançado titular neste momento. Entre os seus altos e baixos, Aboubakar não deixa de ser o melhor ponta-de-lança do FC Porto. E tem 24 anos e muito ainda para evoluir.

Mas o que importa aqui é realçar o papel que o futebol chinês vai passar a ter. O FC Porto está, oficialmente, no radar de clubes chineses com muito dinheiro para investir. E quem faz a ponte é Jorge Mendes, que já antecipava este fenómeno. 

É de lembrar que Jorge Mendes fez uma parceria com Guo Guangchang, do Grupo Fosun, que chegou a estar bem colocado para patrocinar o FC Porto antes do ataque das operadoras televisivas (e agora, no início do mês, acabou por ser o Benfica a ficar com uma parceria para a construção de academias, que envolvia a Gestifute e a Fosun e que inicialmente era um projeto pensado para o FC Porto...). Além disso, certamente seria interessante fazer a ligação entre os 42M€ pagos por Jackson Martínez e os 45M€ com que Wang Jialin comprou 20% do Atlético. E no último verão já Jorge Mendes andava a acenar com propostas chinesas para o Benfica (Jonas e Lima). Ou seja, os seus dois clubes de eleição para negociar já estavam, antes do boom deste mercado, no radar chinês.

Para uma SAD com elevadas dependências de mais-valias, o boom do mercado chinês é uma excelente notícia - até porque na China não há regras da UEFA para o fair-play financeiro. Olhando para a listas das 15 maiores transferências do mercado de inverno, o padrão fica claro:

Fonte: Transfermarkt, transferências de inverno 2015/16
Tirando Gerson, que foi para a AS Roma para substituir Gervinho (que saiu para a China), todos os clubes que fizeram negócios foram chineses ou ingleses. E entre os clubes ingleses, há a curiosidade de nenhum deles ser um dos grandes da Premier League. 

Isto é desde já a consequência do grande contrato de diretos televisivos que se assinou em Inglaterra, que vai permitir aos clubes mais pequenos fazer grandes investimentos em jogadores. O maior exemplo, até ao momento, foi Imbula, a contratação mais cara da história do Stoke. E isto é só o início. Depois dos tempos em que um Tenerife e um Sp. Gijón tinha dinheiro para os melhores jogadores do FC Porto, vamos passar a viver numa realidade em que o Middlesbrough e o Bournemouth também vão ter poderio financeiro (não necessariamente desportivo) para isso.

China de um lado, clubes de segunda linha do futebol inglês do outro. O FC Porto necessita de reduzir a extrema necessidade de mais-valias (a venda de Imbula não muda nada face às necessidades da SAD para esta época, pois ele cumpriu apenas meio ano de contrato, logo cerca de 18M€ serão deduzidos para a amortização do valor do passe - ou seja, a mais-valia será residual), mas não pode deixar de ficar atento a estas portas que se abriram. E já agora, Jorge Mendes está a dever-nos uma por Adrián López...

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A saúde de Sebá

Sebá foi apresentado como reforço para a equipa B do FC Porto na pré-época de 2012/13. Mas a sua contratação foi efetuada muito antes, na altura envolvida no empréstimo de Walter ao Cruzeiro. A 6 de janeiro de 2012 já Sebá tinha contrato assinado com o FC Porto. 

O Cruzeiro emprestou o jogador a custo zero, ou seja, o FC Porto ficou apenas encarregado dos seus salários. E já não era coisa pouca: 12,8 mil euros/mês. De notar que estamos a falar de um jovem que só tinha feito um jogo a titular no Cruzeiro, e que ainda tinha três viagens ao Brasil pagas e o subsídio de renda (mil euros).

São dados que ajudam a explicar por que é que, antes da recuperação da equipa B, o FC Porto teve gastos com pessoal de 48,59M€ em 2011/12. Para esta época são projetados gastos de 68,89M€, uma subida de 41,77% desde a criação da equipa B. É natural que a criação de mais um plantel, todos com contrato profissional, implique subidas na folha salarial; mas isso deveria reduzir a massa salarial da equipa A e, em compensação, acabar com os plantéis completos de jogadores emprestados - há 30 atletas emprestados a outros clubes.

Por outro lado, o salário de Sebá - que não tem culpa, os jogadores só recebem o que lhes oferecem - levanta questões quando comparado com o vencimento de muitos dos jovens que saem da formação do FC Porto, que no seu primeiro contrato profissional recebem o salário mínimo, ou pouco mais do que isso, para um jogador de segunda liga. Um desses casos foi apenas e só a maior promessa do futebol português para a posição 9. E quando são negociações lideradas pelo mesmo interveniente, dá que pensar.

Na altura foi noticiado que havia uma opção de compra de 5M€. O FC Porto não ficou, e bem, com Sebá, que não justificava o investimento. Mas a estrutura de pagamento era diferente: 2,5M€ por 50% do passe; 1,5M€ por mais 25%; e 1,75% pelo resto. Nada se justificava, apesar de Sebá ter sido habitual titular na equipa B e de ter feito alguns jogos na A. Curiosamente o Sporting em 2013 também esteve interessado em contratá-lo, mas o Estoril/Traffic oferecia melhores condições financeiras. E não necessariamente apenas ao jogador.

Mas a principal revelação do empréstimo de Sebá é esta:


O FC Porto teve que fazer um seguro de 2,5M€ para contratar Sebá. O valor, por si só, já roça aquilo a que chamamos preço pornográfico. Mas além dos 2,5M€ altamente questionáveis, deixar o Cruzeiro como único beneficiário deste dinheiro não faz sentido na perspetiva de FC Porto e atleta.

O FC Porto é que ia pagar o salário a Sebá todos os meses, e teria que continuar a fazê-lo mesmo que Sebá se lesionasse. Quando por exemplo Izmaylov esteve afastado dos relvados em 2013-14, o FC Porto contou com uma seguradora para pagar os salários e outras despesas, que é normal nos contratos dos jogadores. O que não é normal é fazer um seguro de 2,5M€ para Sebá segundo o qual o Cruzeiro receberia tudo.

Podem realçar que se tratava de um empréstimo a custo zero, mas é bom lembrar que a contratação de Sebá era uma contrapartida da ida de Walter para o Cruzeiro. Logo, nada justifica este valor. 2,5M€ não é dinheiro para fazer um seguro de um jogador de uma equipa B: é dinheiro suficiente para construir um plantel inteiro para a segunda liga. Fica a reflexão.

Sem contexto para evoluir
De realçar o empréstimo de Kelvin ao São Paulo. Uma vez mais, o maior erro não é cometer um erro: é repetir um erro. Depois do fracasso que foi o empréstimo ao Palmeiras (não se esperava outra coisa), o FC Porto mantém um ativo de 3M€ no Brasil. Já lá vão quase 3 anos desde o minuto 92, e ninguém se preocupou em encontrar um meio para Kelvin evoluir no sentido de se afirmar no FC Porto. Em 2013-14 ficou no plantel só para inaugurarem o espaço K; seguiu-se o empréstimo absurdo ao Palmeiras. E agora fica no São Paulo.

Edgardo Bauza tem feito excelentes trabalhos no futebol sul-americano, sem dúvida, mas trata-se de um técnico que também nunca treinou na Europa. Kelvin não parte com perspetivas de titularidade no São Paulo, que não paga nada pelo empréstimo do jogador, segundo a imprensa brasileira. Discutiu-se a possibilidade de contratar um jogador sub-20 do São Paulo, mas nem Inácio, nem compensação pelo empréstimo. 

Kelvin renovou até 2018 antes de ir para o Brasil. Este empréstimo sugere claramente que o FC Porto já não pensa em integrá-lo nos seus quadros, nem mesmo quando se avizinha uma renovação de extremos (Tello não ficou, Varela é trintão e será uma surpresa - espera-se que boa - se Marega ficar no plantel para 2016-17). Kelvin vai tentar mostrar-se no Brasil até que alguém se chegue à frente com propostas. Para trás fica o minuto 92... e um investimento de 3M€ em 90% do passe, que entretanto passou a 75%.