Na despedida do Dragão na época 2014-15, os Colectivo mostraram uma tarja que falava por si: «Vão de férias? Parecia que já estavam!». Há uma grande diferença entre jogar mal e jogar sem esforço, sem empenho, sem compromisso. Quem representa o FC Porto pode jogar mal - acontece a todos -, mas nunca pode deixar de jogar sem comer a relva e dar tudo em campo. Ora este FC Porto nunca veria aquela tarja. Esta equipa esforça-se, luta, quer ganhar. Mas não joga suficientemente bem.
Não há nada a apontar ao compromisso dos jogadores com a tentativa de vencer. Uma defesa de patinhos feitos que dá segurança. Um meio-campo de pesos-leves que se esfola a pressionar e a correr. Avançados jovens que se desgastam a si próprios e ao adversário ao máximo. Estes jogadores empenham-se, quiseram ganhar em Copenhaga, quiseram garantir já o apuramento.
Por isso, quando vemos que os jogadores se empenham, lutam, transpiram espírito coletivo, e que ainda assim a equipa não consegue ganhar e/ou jogar suficientemente bem, então há algo que está a faltar. Quiçá alguém dentro das quatro linhas, ou alguém fora delas.
O apuramento para os 1/8 continua perfeitamente ao alcance do FC Porto, desde que meta na cabeça que o Leicester é uma equipa inferior e não é nenhum bicho papão. Alguém se lembra de temer um supremo Boavista em 2001-02? Não, porque sabiam que aquele título tinha sido episódico, coisa de uma vez na vida. Mas há que ter em atenção que esforço, luta e empenho não estão a chegar.

Felipe e Marcano (+) - Quando as vitórias não apareceram, há coisas boas que ficam ofuscadas. Esta não pode ser uma delas: estamos com uma senhora dupla de centrais. Para os mais esquecidos, nos últimos 570 minutos (6 jogos), o FC Porto só sofreu um golo, e todos se recordarão de qual - e como - foi. E nos últimos 9 jogos, o FC Porto sofreu apenas mais um golo, em Brugge. Os centrais têm que ser destacados por esta eficácia defensiva.
Marcano e Felipe não são uma das melhores duplas de centrais da história do FC Porto, e provavelmente nunca serão mencionados para um top 10. Mas são eficazes. Não inventam, jogam simples, mostram sintonia, controlam muito bem a profundidade, poucas vezes perdem lances pelo ar e têm sido impecáveis na marcação. Também cometem erros (Felipe falhou ontem 16 passes, uma quantidade anormal de falhas na saída de bola), mas naquilo que é a sua função principal - defender e não sofrer golos -, era difícil pedir mais. Claramente que o facto de a equipa não sofrer golos tem que ser destacado por todos os protagonistas da defesa, desde Casillas até Danilo, mas Felipe e Marcano merecem este destaque.
Outros destaques (+) - Não foi capaz de manter a consistência, mas objetivamente foi dos mais perigosos e trabalhadores em campo. Otávio criou, sozinho, mais situações de finalização do que todos os colegas e voltou a estar em evidência nas ações defensivas, ao recuperar 5 bolas e fazer 6 desarmes. Além disso, para um jogador da sua baixa estatura, ganhar 3 lances de cabeça é sempre assinalável.
Óliver não esteve tão bem no passe, mas não se cansa de procurar soluções à sua volta, procurando manter sempre a equipa a rodar e a circular a bola. Procura sempre dar largura à equipa e impor critério na distribuição de bola, embora não esteja a ser influente no último terço (um golo e nenhuma assistência em 14 jogos).
Por fim, Corona em bom nível na segunda parte: procurou o desequilíbrio, fez dois pares de bons cruzamentos, procurou movimentos de ruptura e só lhe faltou ter capacidade de remate (apenas uma tentativa). Tem que ter mais golo.
Por fim, Corona em bom nível na segunda parte: procurou o desequilíbrio, fez dois pares de bons cruzamentos, procurou movimentos de ruptura e só lhe faltou ter capacidade de remate (apenas uma tentativa). Tem que ter mais golo.

Uma parte de avanço (-) - Chega o intervalo e o FC Porto não fez um único remate à baliza. Nem um. Isto diz tudo sobre a qualidade da exibição na primeira parte. Antes do jogo em Belém, talvez fosse boa ideia Nuno Espírito Santo dizer duas coisas aos jogadores: antes do jogo, o que disse antes do jogo com o Benfica; ao intervalo, o que disse antes desta segunda parte em Copenhaga. A equipa revelou caras diferentes, melhorou na segunda parte, mas quem faz 45 minutos deploráveis como estes não pode dizer que entrou em campo com o objetivo de marcar cedo e sufocar o Copenhaga. Ou então não passou do plano à prática.
Zero no ataque (-) - A improdutividade do FC Porto no ataque começa fora de campo. Nos últimos 5 jogos, apenas 2 golos. Mau, muito mau. Para começar, o principal criativo do FC Porto (não na perspetiva da equipa, mas do lance individual), Brahimi, não conta. Depois, Depoitre, um disparate de contratação (na medida em que pouco joga - pior do que vermos um jogador caro a jogar mal, é nem sequer vê-lo jogar) quando o FC Porto necessitava, aos olhos de todos, de uma alternativa/complemento a André Silva, não conta para um jogo onde o FC Porto conseguiu fazer 28 cruzamentos. E atenção, pois as contas trimestrais vão ser apresentadas antes do final do mês e então poderá ser possível confirmar se o 2º ponta-de-lança mais caro da história do FC Porto só serve para jogar uns minutos contra Gafanha e Chaves.
Brahimi, que devia ser um match-winner, nem ao banco vai. E Depoitre, que tinha que ser o ponta-de-lança que resolveria os jogos quando faltasse André Silva, não saiu do banco em 9 dos últimos 11 jogos. Quem decide que Brahimi não joga neste FC Porto e que Depoitre era o ponta-de-lança ideal para ser contratado esta época deve ter muito em que pensar.
Dentro de campo, por maior que fosse o esforço de André Silva e Diogo Jota, faltou novamente o killer instinct . Faltou presença na grande área, numa noite de muita desinspiração. André Silva foi o mais rematador (5 vezes), mas sempre sem eficácia. Diogo Jota terá feito a sua pior exibição no FC Porto: perdeu 11 lances e foram poucas as vezes em que criou perigo. Carregar tudo sobre os ombros de uma dupla de avançados sub-21, sobretudo num nível de exigência de Champions, é demasiado. Um abre-latas e um ponta-de-lança mais forte fisicamente poderiam ter dado outros argumentos para resolver o jogo na segunda parte. Pois...
Nota negativa para a exibição de Maxi Pereira, longe da melhor forma depois da lesão. Se em boas condições já seria difícil justificar a titularidade em detrimento de Layún (que, apesar de ser mais forte à esquerda, mostrou qualidade também à direita), assim muito menos.
Ah. E desta vez, não ficou a sensação de que ficámos a perder alguma coisa por culpa do árbitro. Não senhor, nem foi por causa da qualidade do Copenhaga, que na segunda parte não fez um único remate à baliza. Não ganhámos por culpa própria. O Leicester vai ao Dragão relaxado, já com o primeiro lugar garantido, quiçá até com suplentes (defronta o City 3 dias depois), enquanto o FC Porto precisa de vencer para se apurar (livrem-se de meter um ouvido que seja em Brugge). Não há desculpas. Fazer 2 pontos em 6 contra o Copenhaga já foi mau o suficiente. Têm mais uma oportunidade. E será a última.























