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| Jornal A Bola, 04-04-2015 |
Quando o jornal A Bola é, aparentemente, o único a relatar um pouco do que aconteceu no dia 3 de Abril em Alvalade, algo de errado por aí vai. O FC Porto ganhou por 2x1 em Alvalade, com dois golos de Leonardo Ruiz. Até aqui tudo normal, dentro do relvado houve um mínimo de fair-play, mesmo tendo o FC Porto dado a volta ao marcador já perto do final. Lamentável foi o que passou nas bancadas.
Os adeptos do FC Porto em Alvalade, na sua maioria familiares e amigos próximos dos jogadores, celebraram normalmente o segundo golo de Leonardo e entoaram cânticos de apoio à equipa. Reparem que eram maioritariamente pais, familiares, namoradas e amigos próximos dos jogadores. Não era uma claque, onde há sempre trocas de bocas e cânticos.
Mas do lado do Sporting havia claque, cerca de 2500 adeptos. E assim que Leonardo faz o 2x1, resolveram começar a preparar o cerco aos adeptos do FC Porto - apenas 30, diz A Bola. A claque oficialmente reconhecida pelo Sporting, que dá guerrilhas entre skins, casuals, extrema-direita e etc., começou a provocar as poucas dezenas de portistas, que não fizeram outra coisa em todo o jogo que não apoiar a equipa, excepção feita a pelo menos um portista que de facto reagiu a provocações. E a polícia que estava na zona é testemunha disso mesmo.
Uma rapariga adepta do FC Porto teve um ataque de asma e foi de imediato assistida. Julgava-se que os delinquentes iriam se afastar. Mas não, continuaram a fechar o cerco. Ameaças de agressões e tentativas de roubo, desde telemóveis a sacos com adereços do FC Porto.
Até que a mãe de um dos jogadores do FC Porto foi agredida, pelo simples facto de ter um cachecol do FC Porto ao pescoço. Segundo os selvagens lá da casa, isso não era admissível. Então um grupo de adeptos de Lisboa tentou defender a senhora, mas a única coisa que aconteceu foi também apanhar e um deles, segundo o próprio, ficar sem um telemóvel de elevado valor.
| Tantos títulos quanto coerência |
De certeza que a maioria dos adeptos do Sporting não se revê no que aconteceu, e o mesmo se aplicaria se fosse o contrário. Se há algo que não se deve fazer é confundir adeptos com clubes, porque a cor clubística não cria ou inibe um arruaceiro. Que pode ajudar, pode, sobretudo quando os próprios dirigentes contribuem com achas para a fogueira. Mas fica forçosamente a questão: porque é que provavelmente a maioria dos adeptos não ouviu falar do que se passou em Alvalade?
Em Outubro de 2013, um grupo de adeptos casuals do Sporting varreram a Alameda das Antas, semeando o pânico entre crianças, idosos e demais adeptos. Como ali havia elementos de uma claque do FC Porto, já tiveram a resposta. O MP acusou 87 arguidos, 81 dos quais pertencentes ao tal grupo de casuals delinquentes, que não merecem outro nome. Mas aquilo que um dos jornais portugueses mais vendidos, no caso o Record, conseguiu ver acima de tudo foi que o líder dos Super Dragões estava lá pelo meio.
Agora, sobre o ataque a familiares e adeptos do FC Porto, que não são elementos de claques nem participaram em guerrilhas com adeptos do Sporting, nem uma palavra. Depois do ataque à Alameda das Antas, o Sporting, numa resposta ilustrativa do carácter do seu presidente (a voz que diz representar o clube, não é?), decidiu deturpar o que se passou e acusou os adeptos do FC Porto de agredirem sportinguistas.
A saber: «Ao invés do clube da casa repudiar totalmente estas atitudes, como esta Direção já o fez em situações similares, começou a circular um rumor de que um grupo de sportinguistas teria provocado desacatos, facto ainda não confirmado, que “justificaria” tais atitudes bárbaras e inqualificáveis.»
Ora o MP acusou formalmente 81 arguidos que, não tendo adereços do Sporting à vista, possuíam tatuagens que denunciavam a preferência clubística, entre outros objectos e confissão dos mesmos. Mas o que Bruno de Carvalho viu foram os coitadinhos dos bandidos a serem agredidos. E agora, Bruno de Carvalho? Que tem a dizer sobre o que se passou em sua casa? Ou será que não se pode tocar na Juve Leo? Vocês sabem lá... Sabemos, sabemos. A coisa não está fácil. Tanto mistério e milhas acumuladas para encontrar um investidor e a resposta chama-se... Novo Banco, que recrutou um reforço de peso, chamado José Eduardo Bettencourt. Que original, mas é tema para depois.
Ora o MP acusou formalmente 81 arguidos que, não tendo adereços do Sporting à vista, possuíam tatuagens que denunciavam a preferência clubística, entre outros objectos e confissão dos mesmos. Mas o que Bruno de Carvalho viu foram os coitadinhos dos bandidos a serem agredidos. E agora, Bruno de Carvalho? Que tem a dizer sobre o que se passou em sua casa? Ou será que não se pode tocar na Juve Leo? Vocês sabem lá... Sabemos, sabemos. A coisa não está fácil. Tanto mistério e milhas acumuladas para encontrar um investidor e a resposta chama-se... Novo Banco, que recrutou um reforço de peso, chamado José Eduardo Bettencourt. Que original, mas é tema para depois.
Onde está o inquérito/processo disciplinar ao que se passou em Alvalade, num jogo da formação que se considera a melhor da Europa? É que o regulamento é bem claro.
Este braqueamento que está a ser feito - e O Tribunal do Dragão agradece desde já a contribuição de quem pôde testemunhar o que se passou - é sim um dos mais graves e vergonhosos casos dos últimos anos do futebol português. Não houve uma guerra de claques, entre adeptos que se odeiam mutuamente. Houve um ataque a familiares de jogadores do FC Porto.
E por isso fica a pergunta: onde está a resposta do FC Porto a isto? Onde está o clube a reivindicar o direito (e dever!) de exigir que a claque e o próprio Sporting, que assobia para o lado pela vergonha que se passou em sua casa, ser castigado? Já houve comunicados/declarações a reagir a jornais, a cascar pela enésima vez na FPF, até mesmo a compilar um manual de boas maneiras para viscondes que muitos elementos da Juve Leo se esqueceram aparentemente de ler. Mas nem uma palavra sobre isto!?
São familiares de jogadores do FC Porto, os jogadores do futuro do FC Porto, que estão em causa! Agredidos, ameaçados, atacados em casa de um rival, num clube com um presidente que tem estado à margem de todas as tentativas de consenso no futebol português, que cortou unilateralmente relações com os dois maiores clubes portugueses e se tem dedicado a ataques institucionais e pessoais ao FC Porto.
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| Uma direção não pode ignorar a defesa do seu bem mais precioso |
Mas o que será mais grave? A Liga, a FPF, o Sporting e as próprias autoridades ignorarem o caso? Ou o FC Porto nada fazer para defender os familiares dos seus profissionais? Este é, infelizmente, um reflexo perfeito do que tem sido a Liga Aliança. Temos todas as razões de queixas, mas pouco temos feito na defesa dos superiores interesses do FC Porto (e falar na primeira pessoal do plural não faz justiça a todos). Só que neste caso não está em causa apenas mais um campeonato. Está em causa a segurança de pessoas apaixonadas pelo FC Porto. Títulos ganham-se e perdem-se todos os anos. Adeptos ficam para sempre. Mesmo quando o clube nada faz para os defender.
Um muito obrigado aos adeptos que foram a Alvalade e apoiaram de forma mais uma vez determinante os sub-19 do FC Porto, que são líderes isolados na fase final do campeonato. Mereciam muito mais que isenções de quotas.
PS: Fernando Gomes, presidente da FPF, foi à Assembleia da República. Um dos temas da audição foi a credibilidade do futebol português. Estão pasmem-me com a resposta que Fernando Gomes deu à Liga Aliança: ah, não deu resposta, pois também ninguém lhe perguntou nada. Como é possível que numa audição para atestar a credibilidade do futebol português ninguém fale sobre a manipulação de resultados proposta pelo presidente do clube com mais adeptos/contribuintes em Portugal? Mas uma vez mais, aqui sim o FC Porto tinha razões de sobra para questionar Fernando Gomes, a FPF e até a AR. Não o fez, então será que nos podemos mesmo queixar?














