quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sporting e Alvalade têm oito letras. Vergonha também

Jornal A Bola, 04-04-2015
Quando o jornal A Bola é, aparentemente, o único a relatar um pouco do que aconteceu no dia 3 de Abril em Alvalade, algo de errado por aí vai. O FC Porto ganhou por 2x1 em Alvalade, com dois golos de Leonardo Ruiz. Até aqui tudo normal, dentro do relvado houve um mínimo de fair-play, mesmo tendo o FC Porto dado a volta ao marcador já perto do final. Lamentável foi o que passou nas bancadas.

Os adeptos do FC Porto em Alvalade, na sua maioria familiares e amigos próximos dos jogadores, celebraram normalmente o segundo golo de Leonardo e entoaram cânticos de apoio à equipa. Reparem que eram maioritariamente pais, familiares, namoradas e amigos próximos dos jogadores. Não era uma claque, onde há sempre trocas de bocas e cânticos.

Mas do lado do Sporting havia claque, cerca de 2500 adeptos. E assim que Leonardo faz o 2x1, resolveram começar a preparar o cerco aos adeptos do FC Porto - apenas 30, diz A Bola. A claque oficialmente reconhecida pelo Sporting, que dá guerrilhas entre skins, casuals, extrema-direita e etc., começou a provocar as poucas dezenas de portistas, que não fizeram outra coisa em todo o jogo que não apoiar a equipa, excepção feita a pelo menos um portista que de facto reagiu a provocações. E a polícia que estava na zona é testemunha disso mesmo.

Uma rapariga adepta do FC Porto teve um ataque de asma e foi de imediato assistida. Julgava-se que os delinquentes iriam se afastar. Mas não, continuaram a fechar o cerco. Ameaças de agressões e tentativas de roubo, desde telemóveis a sacos com adereços do FC Porto.

Até que a mãe de um dos jogadores do FC Porto foi agredida, pelo simples facto de ter um cachecol do FC Porto ao pescoço. Segundo os selvagens lá da casa, isso não era admissível. Então um grupo de adeptos de Lisboa tentou defender a senhora, mas a única coisa que aconteceu foi também apanhar e um deles, segundo o próprio, ficar sem um telemóvel de elevado valor.

Tantos títulos quanto coerência
Durou cerca de 45 minutos o cerco aos adeptos do FC Porto e foi necessário pedir reforço policial para que pudessem sair do estádio. Mais: a mulher e o filho do treinador de sub-19 do FC Porto tiveram que ser escoltados até ao hotel. Não fosse a intervenção policial e o que aconteceu poderia ter tido outras dimensões.

De certeza que a maioria dos adeptos do Sporting não se revê no que aconteceu, e o mesmo se aplicaria se fosse o contrário. Se há algo que não se deve fazer é confundir adeptos com clubes, porque a cor clubística não cria ou inibe um arruaceiro. Que pode ajudar, pode, sobretudo quando os próprios dirigentes contribuem com achas para a fogueira. Mas fica forçosamente a questão: porque é que provavelmente a maioria dos adeptos não ouviu falar do que se passou em Alvalade?

Em Outubro de 2013, um grupo de adeptos casuals do Sporting varreram a Alameda das Antas, semeando o pânico entre crianças, idosos e demais adeptos. Como ali havia elementos de uma claque do FC Porto, já tiveram a resposta. O MP acusou 87 arguidos, 81 dos quais pertencentes ao tal grupo de casuals delinquentes, que não merecem outro nome. Mas aquilo que um dos jornais portugueses mais vendidos, no caso o Record, conseguiu ver acima de tudo foi que o líder dos Super Dragões estava lá pelo meio.


Agora, sobre o ataque a familiares e adeptos do FC Porto, que não são elementos de claques nem participaram em guerrilhas com adeptos do Sporting, nem uma palavra. Depois do ataque à Alameda das Antas, o Sporting, numa resposta ilustrativa do carácter do seu presidente (a voz que diz representar o clube, não é?), decidiu deturpar o que se passou e acusou os adeptos do FC Porto de agredirem sportinguistas.

A saber: «Ao invés do clube da casa repudiar totalmente estas atitudes, como esta Direção já o fez em situações similares, começou a circular um rumor de que um grupo de sportinguistas teria provocado desacatos, facto ainda não confirmado, que “justificaria” tais atitudes bárbaras e inqualificáveis.»

Ora o MP acusou formalmente 81 arguidos que, não tendo adereços do Sporting à vista, possuíam tatuagens que denunciavam a preferência clubística, entre outros objectos e confissão dos mesmos. Mas o que Bruno de Carvalho viu foram os coitadinhos dos bandidos a serem agredidos. E agora, Bruno de Carvalho? Que tem a dizer sobre o que se passou em sua casa? Ou será que não se pode tocar na Juve Leo? Vocês sabem lá... Sabemos, sabemos. A coisa não está fácil. Tanto mistério e milhas acumuladas para encontrar um investidor e a resposta chama-se... Novo Banco, que recrutou um reforço de peso, chamado José Eduardo Bettencourt. Que original, mas é tema para depois.

Onde está o inquérito/processo disciplinar ao que se passou em Alvalade, num jogo da formação que se considera a melhor da Europa? É que o regulamento é bem claro.


Este braqueamento que está a ser feito - e O Tribunal do Dragão agradece desde já a contribuição de quem pôde testemunhar o que se passou - é sim um dos mais graves e vergonhosos casos dos últimos anos do futebol português. Não houve uma guerra de claques, entre adeptos que se odeiam mutuamente. Houve um ataque a familiares de jogadores do FC Porto.

E por isso fica a pergunta: onde está a resposta do FC Porto a isto? Onde está o clube a reivindicar o direito (e dever!) de exigir que a claque e o próprio Sporting, que assobia para o lado pela vergonha que se passou em sua casa, ser castigado? Já houve comunicados/declarações a reagir a jornais, a cascar pela enésima vez na FPF, até mesmo a compilar um manual de boas maneiras para viscondes que muitos elementos da Juve Leo se esqueceram aparentemente de ler. Mas nem uma palavra sobre isto!?

São familiares de jogadores do FC Porto, os jogadores do futuro do FC Porto, que estão em causa! Agredidos, ameaçados, atacados em casa de um rival, num clube com um presidente que tem estado à margem de todas as tentativas de consenso no futebol português, que cortou unilateralmente relações com os dois maiores clubes portugueses e se tem dedicado a ataques institucionais e pessoais ao FC Porto.

Uma direção não pode ignorar a
defesa do seu bem mais precioso
Como se justifica que ninguém da direção do clube ou da SAD tenha reagido publicamente ao que se passou!? Isto é um caso sem paralelo no futebol português nos últimos anos, e está simplesmente a ser abafado/ignorado. Bruno de Carvalho cortou relações com o Benfica por causa de uma tarja (de muito mau gosto, diga-se). Uma tarja. Então que faz ele perante este incidente imensamente mais grave? Nada. Rende-se à sua hipocrisia.

Mas o que será mais grave? A Liga, a FPF, o Sporting e as próprias autoridades ignorarem o caso? Ou o FC Porto nada fazer para defender os familiares dos seus profissionais? Este é, infelizmente, um reflexo perfeito do que tem sido a Liga Aliança. Temos todas as razões de queixas, mas pouco temos feito na defesa dos superiores interesses do FC Porto (e falar na primeira pessoal do plural não faz justiça a todos). Só que neste caso não está em causa apenas mais um campeonato. Está em causa a segurança de pessoas apaixonadas pelo FC Porto. Títulos ganham-se e perdem-se todos os anos. Adeptos ficam para sempre. Mesmo quando o clube nada faz para os defender.

Um muito obrigado aos adeptos que foram a Alvalade e apoiaram de forma mais uma vez determinante os sub-19 do FC Porto, que são líderes isolados na fase final do campeonato. Mereciam muito mais que isenções de quotas.

PS: Fernando Gomes, presidente da FPF, foi à Assembleia da República. Um dos temas da audição foi a credibilidade do futebol português. Estão pasmem-me com a resposta que Fernando Gomes deu à Liga Aliança: ah, não deu resposta, pois também ninguém lhe perguntou nada. Como é possível que numa audição para atestar a credibilidade do futebol português ninguém fale sobre a manipulação de resultados proposta pelo presidente do clube com mais adeptos/contribuintes em Portugal? Mas uma vez mais, aqui sim o FC Porto tinha razões de sobra para questionar Fernando Gomes, a FPF e até a AR. Não o fez, então será que nos podemos mesmo queixar?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Em 2015-16 não pode haver versão BETA

Entre os jogadores dos 4 maiores campeonatos europeus, o único que o FC Porto tem possibilidades de contratar e que já tenha atingido a barreira dos 15 golos chama-se Alberto Bueno. Por si só, isto já é relevante. Mas tratando-se de um jogador que tem escola, já é um conhecido do treinador do FC Porto e que pode chegar a «custo zero», então tudo se conjuga para uma rara e boa possibilidade de negócio.

O que fazer com Bueno?
Sobra a questão: para que precisa o FC Porto de Bueno? Para que precisa o FC Porto de um segundo avançado num 4x4x2, se a tentativa de encaixar Ádrian López nesse esquema não funcionou e se os melhores resultados com Lopetegui saíram do 4x3x3?

Bueno, ele próprio o reconhece, rende como segundo avançado. Tem um excelente toque de bola, é ágil, remata muito bem dentro e fora da grande área, razoavelmente rápido, bom no drible curto, que sabe ir buscar jogo atrás e aos flancos. Se o FC Porto pode ir buscar tudo isto a «custo zero», num jogador já formado, trata-se de facto de uma boa oportunidade de negócio, pois o risco da contratação falhar é reduzido. Mas existe, claro.

Imaginando um contrato de 4 anos e que contará sempre com a inflação de outros clubes interessados (dois milhões brutos/ano já seria mais do que bueno, pois daria 100 mil euros líquidos mensais - os jogadores em Portugal por norma ganham a 10 meses/ano -, salário que só quem é titular de valia do FC Porto devia ter), restando ainda saber como fica a questão das novas normas da FIFA para as transferências (3% do contrato?), Bueno teria que chegar e render, pois no final da segunda época já terá 28 anos. O FC Porto não está obrigado a ter só jogadores para valorizar e vender, conforme já aqui foi explicado, até porque raramente tem mais que 5/6 no plantel para esse efeito. Mas os que não são para valorizar e vender têm que ser para render na equipa. Bueno, em segundo ano de contrato, nunca poderia ser um suplente à procura de afirmação. Não temos espaço para isso nessas circunstâncias.

Não ganharia nunca mais do que Ádrian e não há o peso de 11M€ nas costas. Logo, como sucessor de Ádrian, seria uma boa contratação. A questão é que o FC Porto não precisa de sucessores para jogadores que não são titulares. Antes de pensar em Bueno, o FC Porto teria que pensar no que fazer com Ádrian. A não ser que o carro seja para devolver ao stand... ou que Lopetegui tenha outros planos para a próxima época.

No 4x3x3 de Lopetegui, Jackson é um jogador nuclear. Não há muitos outros pontas-de-lança que consigam fazer o que Jackson faz em termos tácticos - se há, se calhar o FC Porto não os pode pagar. Bueno até tem algumas características que Jackson usa, mas não tem a capacidade de aguentar a bola e a dimensão física de Jackson.

Ninguém faz o que faz
Jackson Martínez
Por outro lado, há Aboubakar, que tem sido moldado para ser o 9 da próxima época, e Gonçalo Paciência, cujas características se aproximam mais de Jackson do que Aboubakar. Ghilas é vítima de si próprio (se calhar, por isto já se percebe porque é que foi dispensado por Lopetegui e pouco jogava com Paulo Fonseca - mas é sempre mais fácil bater no treinador), Kléber tem características físicas e técnicas interessantes mas está muito desgastado na sua ligação ao FC Porto (a um ano do fim de contrato, ou sai ou fica no plantel - renovar para emprestar seria questionável), Walter é um fardo pesado e Caballero precisa de futebol de primeira liga antes de sonhar sequer em ser opção no FC Porto. Leonardo terá a sua primeira época na B e a André Silva faria bem rodar noutro lado, pois não vão ter espaço na equipa A. E sobra, claro, Ádrian López, que deve ser o primeiro caso a resolver e esclarecer.

Sabendo-se que Bueno não pode jogar sozinho num 4x3x3 (se pode, não é por já ter mostrado serviço nessa posição, logo seria apenas uma ideia de Lopetegui - e isso aumenta os riscos da aposta) e que já há Aboubakar e Gonçalo Paciência, que estão a trabalhar nesses moldes desde o início da época, irá Lopetegui pensar no 4x4x2 para a próxima época? Ter um plano B é útil. Mas na próxima época não há margem absolutamente nenhuma para Lopetegui testar ou inventar a meio da época.

A ideia de manter Lopetegui para 2015-16, independentemente de ganhar ou não títulos esta época, pressupõe que assim seja dada continuidade e estabilidade ao plantel. Se mudássemos de táctica, essa continuidade já estaria comprometida. Ter plano B tudo bem, ir para a segunda época ainda a pensar em experiências seria um risco demasiado grande. 

Tudo isto para defender que a contratação de Alberto Bueno tem que obedecer a uma ideia clara, que é o plano jogo de Lopetegui para 2015-16. Plano esse que desta vez não poderá estar em fase experimental, e não se deve cometer o erro cometido com Ádrian López - criar uma táctica para encaixar um jogador. Bueno é um bom jogador que tem tudo para ser uma boa contratação. Mas tem que vir para ocupar um lugar, não para que se crie um lugar para ele.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Nota 10

Últimos jogos do FC Porto no Dragão | Fonte: zerozero.pt 
Décima vitória consecutiva no Dragão desde a derrota com o Benfica. Nesse período, 33 golos marcados, a uma média de 3,3 golos por jogo, exibições agradáveis, vitórias confortáveis, apenas 2 golos sofridos e ambos na Taça da Liga. É isto que todos queremos: o factor casa a prevalecer, equipas que poucas vezes conseguem atacar no Dragão (o Estoril não fez um único remate em 90 minutos), um FC Porto que faz golos com frequência e alguma arte, que ganha os seus jogos.

O FC Porto conseguiu igualar o Benfica na diferença de golos, sendo que este critério só interessará se ganharmos por 2x0 na Luz - coisa muito improvável de acontecer, tendo que conta que o SLB de JJ marca sempre em casa no campeonato. Mas é importante que esgotemos e aproveitemos todas as possibilidades que temos para ainda chegar ao título. Saber que neste momento, vencendo por 2x0 na Luz, conseguiríamos uma vantagem virtual de 4 golos é importante.

Para já, o importante é pensar no dificílimo teste em casa do Rio Ave. Depois tentaremos a 11ª vitória consecutiva no Dragão, a 12ª e teremos os dois jogos fora de casa mais complicados e importantes da temporada. É para estes momentos que todos nos preparamos. Continuamos na luta pelas duas mais importantes competições, coisa de que pouquíssimos clubes se podem orgulhar. Até onde essa luta nos levará, não importa. Para já, importa o Rio Ave.


Melhor exibição da época
Fórmula Quaresma (+) - Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Bola no Quaresma, cruzamento. Na primeira parte, Quaresma fez 14 cruzamentos (há-de ser um recorde esta época). Mas ele só cruza?, perguntávamos. Mas a ideia era essa: cruzar, cruzar e cruzar. Com Jackson Martínez, o FC Porto pode dar-se ao luxo de jogar com um ponta-de-lança recuado, em apoio. Com Aboubakar, não lhe podemos pedir o mesmo. E assim o FC Porto procurou mais vezes Aboubakar na grande área, como no 2x0. Muitas vezes, Quaresma cruzava e não havia mais ninguém. Não significava um mau cruzamento, significava que não estávamos a conseguir povoar a grande área o suficiente. Mas o próprio Quaresma precisava de saber qual a altura certa para cruzar, esperar que chegasse gente suficiente à grande área.  Quando conseguimos meter quatro jogadores na grande área, chegou o 1x0. Bravo, mister. Bravíssimo, Quaresma, com duas assistências e dois golos, na melhor exibição desde que regressou ao FC Porto.

Danilo, do FC Porto (+) - Ah e tal, o Danilo já assinou pelo Real Madrid, agora não vai meter o pé. Mas em campo não estava o jogador do Real Madrid. Estava o capitão do FC Porto. A forma como aos 37min vai com tudo recuperar uma bola e lançar a melhor jogada do FC Porto na primeira parte diz tudo. Faz um excelente golo numa brilhante jogada colectiva, e mostra que a braçadeira lhe assenta bem: é uma inspiração para os colegas, não só pelo empenho e rendimento, mas até pela transferência para o Real Madrid. Se trabalharem como ele, talvez um dia também joguem no Real Madrid (depois de ganharem títulos no FC Porto, claro).

Aboubakar (+) - Um golo oportuno, com uma movimentação inteligentíssima, e uma assistência de grande classe. Correu, trabalhou, pressionou, deu linhas de passe e fez o que qualquer jogador do FC Porto deve fazer: pode ter um jogo mau (como na Madeira), mas deve dar a resposta no jogo seguinte. Aboubakar fê-lo e bem. Nunca fará o papel de Jackson, mas em termos de média de golos nunca estará muito atrás do colombiano. Isto significa que não é Aboubakar que tem que aprender a jogar como Jackson - é o FC Porto que terá que usar o seu ponta-de-lança de forma diferente. Hoje funcionou muito bem.

Outros destaques (+) - Belo jogo da dupla Marcano-Indi, competentíssima e que não permitiu que o ataque do Estoril criasse um único lance de perigo. Casemiro, um ou outro passe errado, mas desta vez bem na saída de bola, no posicionamento e na pressão. Óliver Torres, sempre inteligente e pertinente nas movimentações, e também a aparecer em zonas de finalização. Brahimi esteve em 4 ou 5 lances de grande perigo na primeira parte, arranca o penalty e mostrou a espaços os pés de veludo a que nos habituou. Mas se está cercado por 3 jogadores, por vezes um passe é a melhor finta que pode fazer.


Hipocrisia (-) - Queremos jogadores à Porto! Queremos mística! Queremos aposta na formação! Então que vamos fazer? Vamos assobiar um rapaz portista, que pertence a esta casa desde os 12 anos, que foi o melhor jogador da equipa B nos últimos 2 anos, que tem o sonho de se afirmar no FC Porto e que na sua carreira nunca fez nada que não fosse ser um bom profissional. Pela lógica à lá Tozé, devem andar por aí portistas que se virem o FC Porto contra Barcelona, Real Madrid ou Atlético na Champions vão querer que o Tello, o Casemiro e o Óliver desatem a marcar autogolos. Afinal, primeiro está o clube-mãe, não é assim gente portista?

Problema ou solução?
Outra vez (-) - 9 cantos batidos para a grande área, nenhum onde aparecesse alguém a cabecear à baliza. Os optimistas dirão, não precisávamos de cantos para ganhar por 5x0. Mas aqui diz o realista: há-de haver um dia em que vamos precisar de um canto para ganhar um jogo. Globalmente, hoje o banco não acrescentou muito ao FC Porto (apesar do bom trabalho de Hernâni no 4x0), mas Quintero uma vez mais entrou dando a impressão que nunca chegou de facto a fazê-lo. Queres um bom exemplo? Vê o lance do 5x0: Quaresma, que em tempos não teve um feitio tão diferente do teu, já era o MVP, com 2 assistências e um golo, e ainda assim entra a matar para pressionar o adversário e fazer mais um golo. É com esta atitude que vedetas conseguem ter sucesso no FC Porto. Vais a tempo de mudar, Quintero, mas pouco ou nada tens feito por isso. E se Lopetegui ajudou Quaresma a tornar-se num dos melhores profissionais do FC Porto (opinião de quem vê, exterior à relação jogador-adepto), então aqui o problema não é da estrutura (que investiu mais dinheiro em ti), nem do treinador (que puxa por todos, por pior feitio e tiques que possam ter), nem dos adeptos (que continuam a aplaudir-te sempre que vestes o colete para aquecer e há quem religiosamente te peça a titular todas as semanas): és tu. Boas notícias: ser solução depende de ti.

sábado, 4 de abril de 2015

Danilo: se...

Será estritamente necessário esperar pelo relatório intercalar à CMVM para conhecer melhor os contornos da transferência de Danilo para o Real Madrid. Sobretudo porque não há versão que conheça consenso. Por exemplo, a história do negócio com variáveis poder chegar aos 35M€. Se assim fosse, não teria a SAD total interesse em dar a conhecer ao mercado que fechou um negócio com o potencial de 35M€ com o Real Madrid? De Álvaro Pereira a Falcao, vão ver que se o FC Porto fechou um negócio com variáveis, então informa a CMVM.
As, 03-04-2015

Hoje de Espanha surge mais uma versão, que se se confirmar torna um negócio que já era bom num negócio extraordinário. Diz o As que o Real Madrid vai pagar, na verdade, 39M€. Uma comissão de 12,7% (4M€), mecanismo de solidariedade (Danilo chegou com 20 anos, logo nunca poderá ser os 5% em que continuam a insistir), e ainda a mais-valia (e não lucro) para o Santos. O As diz que o Real Madrid paga tudo. Potencialmente, estaríamos a falar de um negócio de 39M€, por um jogador a 9 meses de poder assinar a custo zero por outro clube (coisa que nunca faria) e que tantos, não necessariamente apenas críticos e rivais, quiseram rotular de flop.

Se (a palavra chave) se confirmar esta operação, Danilo vai gerar uma mais-valia de cerca de 28M€, pois basicamente só será necessário deduzir o valor do último ano de contrato. Parece bom de mais para ser verdade, apesar do Real Madrid não ser o mais habilidoso comprador do futebol internacional. Se tivermos em conta que Hulk gerou uma mais-valia de 23,9M€ em 2012 (normal, tendo em conta que acabou por ser mais caro que Danilo e o contrato era mais longo), podemos constatar que se trata de um dos melhores negócios da história do FC Porto. Se...

Há quem diga que o FC Porto errou ao vender Danilo já em Março, pois podia valorizar-se ainda mais. Como exactamente? A partir do momento em que surge uma possibilidade de negócio de mais-valia de 28M€ (se!), por um jogador perto do fim de contrato, e que abre portas para mais negócios com o Real Madrid, o dirigente do FC Porto que recusasse esta conjuntura só poderia ter endoidecido. Não brinquemos: foi construído um orçamento altíssimo e perder esta oportunidade podia comprometer o futuro do clube no curto prazo.

Lucro =/= mais-valias
Danilo já é um dos três laterais direitos mais caros de sempre. Não havia mais compradores para leilão. Que haveria o FC Porto de fazer perante esta proposta do Real Madrid? É óbvio que tinha que aceitar. Naquilo que tem sido o plano assumido pela SAD nos últimos 15 anos, não havia outra hipótese. Não podem questionar um negócio sem questionar a política. E se Danilo for campeão e partir o Bayern? Aqui voltamos à palavra chave: se. E se o final de época corresse mal a Danilo e ao FC Porto? Podia não haver segundas oportunidades. E com o futuro do FC Porto (esta época é consequência de uma série de erros e loucuras de gestão nos últimos quatro anos) não se brinca.

Ainda sobre a questão das mais-valias, um conceito que ainda faz confusão a muita gente. Em termos orçamentais, o que interessa não é o lucro, mas sim a mais-valia. Danilo já está pago. Foi contratado em 2011 e a sua contratação foi paga com receitas provenientes de diversas fontes. Por isso, para 2014-15 não interessa ao FC Porto avaliar o lucro considerando o que Danilo custou em 2011, mas sim a mais-valia (verba excluindo comissões, amortizações, prémios e cláusulas) que gera para o orçamento desta época. O FC Porto não precisa de lucro para duplicar um investimento feito em 2011; precisa sim de mais-valias para pagar despesas correntes e cumprir o orçamento de 2014-15.

Resta esperar pelos números oficiais do R&C, pois só aí se verificará que mais-valia Danilo de facto gerou. E nessa altura também já avaliaremos se o negócio foi ainda melhor - para isso não é preciso que o Real Madrid ofereça mais dinheiro; é preciso que o FC Porto se supere na luta pelo título. 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Objetivo falhado

«O FC Porto nunca ganhou a Taça da Liga? Esperamos que seja este ano. Pela equipa que temos e pela forma como estamos a jogar, esperamos consegui-lo», Reinaldo Teles, 10-12-2014.

Defendo, desde o início, que a Taça da Liga deve ser destinada ao lançamento de jovens por parte do FC Porto. Que o que se passou em Braga deu uma vontade enorme de ganhar esta competição, deu. Mas foi antes assumido, pela própria direção do FC Porto, que a Taça da Liga, a competição que um dia Pinto da Costa disse que o Benfica podia «ganhar todas», era um objectivo para 2014-15. As opções de Lopetegui, desde a vitória em Vila do Conde, também evidenciaram que apesar de haver espaço para lançar um ou outro jovem, iria priorizar os resultados. Por isso, a participação do FC Porto nesta Taça da Liga foi declaradamente um objetivo falhado.

Urge então perceber o que correu mal e assumir o porquê do falhanço nesta competição. Os adeptos, talvez, até aceitariam falhar a final da Taça da Liga se fosse uma competição para lançar jovens e trabalhar o futuro. Não podem é aceitar exibições como a de hoje. Pois o símbolo que os jogadores ostentam na Liga dos Campeões e na Taça da Liga é o mesmo.





O destaque possível (+/-) - Maicon não acerta um passe longo. Chega a ser desesperante. Apesar de tudo, conseguiu ser o jogador mais perigoso do FC Porto na segunda parte e o único a entrar duas vezes na grande área adversária com a bola dominada. Óliver tentou mexer com o jogo e foi dos poucos a abrir (quase) sempre linhas de passe, mesmo hoje sem o menor entendimento com Evandro. E Hernâni, apesar de ter uma recepção de bola sofrível e continuar a achar que será preciso uma surpresa enorme para justificar a sua contratação em Janeiro, contudo esteve em alguns dos poucos lances de perigo do FC Porto, mesmo quase nunca lhes tendo dado boa sequência. 





O problema não foi a atitude (-) - Normalmente, quando o FC Porto perde os adeptos questionam sempre o mesmo: falta mística, falta raça. Hoje pode-se voltar a repetir isso, mas não foi esse o problema: o problema é que os jogadores não sabiam o que fazer em campo. Zero. Em termos técnicos e tácticos, o FC Porto apresentou-se em campo extremamente mal preparado, sem ideias e na segunda parte, tirando um remate frouxo de Aboubakar, não consegue criar um único lance de perigo contra um Marítimo que nunca mais atacou. Lopetegui mexeu em todos os sectores, mas se há semanas defendeu que a rotatividade tinha ajudado o FC Porto a conseguir uma série de importantes vitórias sem vários titulares, então é necessário questionar porque é que a equipa hoje parecia 11 jogadores que nunca se tinham visto na vida. Variações de flancos a roçar o amadorismo, sem jogo interior, uma equipa que vê que os corredores estão barrados e que continua a correr contra a parede e a incapacidade em criar situações de golo. Hoje tudo foi mau, inclusive nas inacreditáveis declarações de Lopetegui pós-jogo, poucos dias depois de o ter defendido aqui na questão das arbitragens. Passar de bons jogos a maus jogos é normal. Passar de uma equipa organizada e preparada para isto, não é.

Contratem um novo técnico (-) - ... para a equipa técnica. Repete-se o apelo: a equipa técnica de Lopetegui precisa de algo ou alguém para trabalhar as bolas paradas, simplesmente porque somos fracos nesse aspecto. O golo de Evandro nasce de um canto, tudo bem, mas é um canto mal marcado (mais um) e a bola sobra para um ressalto, onde o remate é feito sem oposição. Mas depois, três (!!!) jogadores do Marítimo conseguem jogar a bola de primeira, na grande área, sem que nenhum jogador do FC Porto consiga tirar dali a bola. Absolutamente sofrível. Muitos dizem que o FC Porto de Lopetegui já foi capaz do melhor e do pior. É verdade, mas nas bolas paradas só foi capaz do pior até hoje. Isto tem urgentemente que mudar. É inadmissível ter uma equipa que não sabe atacar nem defender nas bolas paradas, e não é por agora termos 3 ou 4 bons marcadores de livres que nos devemos esquecer da miséria que são os pontapés de canto. 

Sem rendimento (-) - Ricardo tem um problema. Como é português, jovem e foi uma contratação relativamente barata, não há risco e pressão, e assim olhando para a exibição dele o mais fácil será reafirmar que é preciso ir ao mercado. Se fosse uma aposta estrangeira, seria preciso tempo. Critérios. Hoje fez o seu pior jogo esta época, mas o FC Porto colectivamente provavelmente também o fez. O meio-campo, sem Herrera, andou perdido entre perceber quem devia pressionar, quem devia abrir e quem devia ir receber atrás. Dos flancos nada se aproveitou, com Quaresma sem metade da pedalada que mostra quando sai do banco. Aboubakar não é Jackson. Não significa que não é um excelente avançado, de grande potencial. Significa que não lhe podem pedir para fazer o que faz Jackson. E isso não se resolve com uma ida ao mercado, pois se há mais pontas-de-lança com o perfil de Jackson o FC Porto provavelmente não os pode pagar. Do banco nada saiu que mudasse ou melhorasse o jogo.

É melhor ir de barco (-) - Ou de kayak, ou mota de água, se calhar até a nado. Mas vejam lá se há algum problema nos aviões durante as viagens para a Madeira. Três jogos na ilha, três más exibições. E já na época passada perdemos lá os 2 jogos do Campeonato. Dou por mim a torcer para que o União da Madeira não suba à Primeira Liga. Não metam o Alberto João Jardim no Parlamento, que esta porra pode ser contagiosa.

No domingo celebra-se o dia em que dizem que Cristo ressuscitou. Rapaziada, vejam lá se na segunda-feira, contra o Estoril, ressuscitam o futebol que nos satisfez e entusiasmou até às duas últimas viagens à Madeira. Esse FC Porto pode e vai continuar a lutar pelo Campeonato e a materializar o sonho da Champions. O de hoje não. E vocês valem muito mais do que mostraram hoje. Treinador e jogadores.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

O negócio Danilo

A maior venda de um lateral da história do futebol português e um dos três laterais-direitos mais caros da história do futebol mundial. Danilo, o miúdo brasileiro que chegou ao FC Porto a um custo altamente inflacionado e sem sequer se saber em que posição ia jogar, sai no fim da época para o Real Madrid, como titularíssimo da seleção brasileira, um dos melhores do mundo na sua posição e envolvido em mais um excelente negócio - o balanço em plenitude só pode ser feito no fim da época, pois o FC Porto ainda conta com Danilo para lutar em 3 frentes (e o objectivo do FC Porto ainda é o sucesso desportivo, não as grandes vendas, pois as grandes vendas só fazem sentido se ajudarem a chegar ao tal sucesso desportivo).

31,5M€ por 100%
O timing da venda é... curioso. O negócio estava alinhavado há semanas, era uma questão de saber quando seria oficializado. Acabou por ser a 31 de Março, o último dia do terceiro trimestre (já minimizará o prejuízo intercalar)... e o último dia em que não há restrições nas comissões para empresários. A partir de hoje, 1 de Abril, o novo regulamento para intermediários da FIFA diz que um agente só pode receber 3% da transferência ou 3% dos salários totais do contrato do jogador.

Tendo em conta que Danilo foi contratado em 2011 com uma comissão de 23,8% (3,1M€) do preço da compra (13M€) e agora só seria admissível 3% (945 mil euros) de uma transferência de 31,5M€... O melhor mesmo é aguardar pela confirmação dos números oficiais, mas a partir do momento em que o FC Porto tem em mãos o lateral-direito mais cobiçado da Europa não pode pagar comissões pornográficas, pois mercado para venda era coisa que não faltava.

De realçar a importância do negócio ter sido concretizado sem rodeios. A venda é oficializada a 15 meses do final de contrato de Danilo, que assim acaba por não renovar e poupa-se umas valentes pratas em comissões - ou será que o que se poupou na não-renovação reflectir-se-á na saída? Aguardemos os números. Que a poupança da renovação de Danilo fosse aplicada em Alex Sandro, era o ideal...

O Barcelona é um clube com quem o FC Porto historicamente e institucionalmente tem boas relações, mas não temos culpa que tenham contratado jogadores ilegalmente e que a FIFA os tenha punido. Apareceu o Real Madrid, a proposta por Danilo foi muito boa (embora se desconheça se é o caso, neste tido de compras antecipadas muitas vezes o clube comprador assume os salários que sobram do seu futuro jogador) e uma vez mais se comprova as boas relações entre os clubes. É normal que assim seja. A partir do momento em que o Benfica consegue golpear um clube que «deu» (a bom custo) Garay, Javi Garcia e Rodrigo, os dois últimos saíndo por 50M€ brutos para outros clubes, é normal que o Real Madrid corte confianças e ganhe maior proximidade com o FC Porto, não só no empréstimo de Casemiro e na compra de Danilo como em negócios futuros.

O facto da compra já estar oficializada não é problemático. Danilo já sabia que ia para o Real Madrid, a diferença é que agora os adeptos também o sabem. E em termos não só contabilísticos como em questões de tesouraria a venda torna-se importante para o FC Porto. Sabendo-se que Jackson Martínez também vai sair, neste caso desconhecendo-se em absoluto qual o possível destino, o orçamento 2014-15 será cumprido. Cumprido para nunca mais ter que o repetir.

Em relação aos números de Danilo (custou 13M€, mais 1,739M€ de prémio de assinatura - um valor tão alto devia estar reservado para jogadores já consagrados - e 3,1M€ de serviços de intermediação), altura de calcular a mais-valia. 

Serão excluídos cerca de 3,5M€ para amortização contabilística do último ano de contrato. O mecanismo de solidariedade é inferior aos 5%, que seriam de 1,575M€, pois Danilo chegou ao FC Porto muito antes dos 23 anos (quem paga? Real Madrid ou FC Porto?). Quanto à parte do Santos, há dúvidas sobre se tem direito a 10% da futura venda ou 10% da mais-valia. Mas como o jornal O Jogo dizia, há semanas, que o FC Porto tinha 90% do passe sob controlo (algo que não é verdade, a SAD teve sempre 100%), depreende-se que possa ser 10% da transferência. Na pior das hipóteses, saltam 3,15M€. Depois há as comissões. Se a transferência fosse tratada hoje seriam de 3% (isto segundo as normas da FIFA implementadas de que ninguém fala), como foi ontem desconhece-se. Mas como o valor referência é por norma 10% (ainda que a compra de Danilo não tenha tido nada de «norma»)... Assim, mesmo nas piores hipóteses, Danilo vai gerar uma mais-valia que estará sempre acima dos 20M€. Negócio bastante positivo, mas que será ainda melhor se Danilo em três anos e meio ao serviço do FC Porto tiver saído com três títulos de campeão nacional. 

E porque se vai pegar em tudo o que estiver à mão para tentar minimizar o facto do FC Porto ter feito mais um excelente negócio, antecipe-se já que não há nada que indique que Danilo servirá para pagar no imediato ao Novo Banco. Agora, em termos de objectivos financeiros ao FC Porto resta vender Jackson Martínez (sempre gerando uma mais-valia acima dos 20M€) até 30 de Junho, recuperando do desastre que foi a gestão financeira da SAD em 2013-14. De resto cabe a Danilo, Jackson e aos restantes jogadores do plantel focarem-se no mais importante objectivo até ao final da época: lutar com tudo em todas as frentes. Porque só faz sentido alimentar e cumprir orçamentos de três dígitos se isso resultar na conquista de títulos. Se perguntarem aos adeptos o que preferem (ser o clube que melhor vende na Europa ou ser o clube com mais títulos do séc. XXI), todos vão responder o mesmo. Quem der resposta contrária, é adepto da SAD, não do clube.

A despedida a Danilo, essa, será feita no final da época. Merece despedir-se do FC Porto como campeão nacional. Que continue a trabalhar para isso até ao último dia em que vestir esta camisola. Uma honra mútua. 

terça-feira, 31 de março de 2015

No te calles nunca, Lopetegui

O rescaldo que iria ser feito à boa entrevista de Julen Lopetegui ao Porto Canal (em boa hora, pois notem que o treinador bicampeão Vítor Pereira saiu do FC Porto sem dar uma única entrevista - e este tipo de conversas são essenciais para criar a empatia treinador-adepto e explicar várias questões) tem forçosamente que mudar de ângulo de abordagem. Isto depois das inacreditáveis declarações de José Fontelas Gomes, que com as afirmações que presta hoje acaba de mostrar que não tem o mínimo de competência para presidir à APAF.

Lopetegui e as arbitragens, as arbitragens e Lopetegui. Criou-se a ideia que o treinador do FC Porto fala muito sobre os árbitros. E Lopetegui deu na entrevista ao Porto Canal uma categórica resposta a isso mesmo. Lopetegui não ataca arbitragens; limita-se a responder a questões que lhe colocam.

Isto é atacar os árbitros
Reparem: em todas as conferências de imprensa, aparecem jornalistas (a maioria de títulos lisboetas) a perguntar pelas arbitragens. Querem saber se o treinador do FC Porto acha que tem sido prejudicado e se o Benfica tem tido mais sorte com as arbitragens. Ele diz o que qualquer crítico que não um assumido benfiquista concorda: sim, o Benfica tem sido mais feliz nas arbitragens. Prova disso é que é o único clube do campeonato que não perdeu um único ponto com erros de arbitragem.

Ora agora uma perguntinha aos iluminados: porque é que nunca perguntaram a Jorge Jesus se ele acha que o Benfica tem sido mais prejudicado e o FC Porto beneficiado? Nem A Bola, nem sequer o CM fizeram esta pergunta ao treinador do Benfica. Contrariamente, já a fizeram diversas vezes a Lopetegui. E porquê? Porque todos sabem como este campeão tem sido forjado e sabem que o Benfica tem sido beneficiado - com ou sem intenção, a balança tomba para o lado encarnado. Como não querem admitir isso, «puxam» por Lopetegui para lhe meter palavras na boca.

Mas há uma verdade incontornável: Lopetegui nunca disse que um árbitro quis prejudicar o FC Porto, nem disse que quis beneficiar o Benfica. Não fez o que fez João Gabriel, que acusou numa entrevista os árbitros de incompetência e de fazerem do FC Porto campeão (onde estava a APAF quando estas declarações foram feitas?). Ah, veio o Gustavo Sousa dizer que estavam a «analisar as declarações». Punições? Nada. Limitaram-se a «analisá-las». Já sobre Lopetegui, que não fez nenhuma acusação, a APAF diz que tem que ter «pena pesada». Sr. José Fontelas Gomes, nem que bata à porta de todas as farmácias, encontre lá um bocadinho de vergonha.

Lopetegui sempre se apoiou em factos. Muitas vezes até de forma algo falaciosa (o número de expulsões a favorecer o Benfica não interessa, o que interessa é se foram bem ou mal aplicadas), mas a verdade é que nunca deixou o campo dos factos. De resto, falou em «sorte e azar» com as arbitragens. Nunca fez uma declaração a atacar os árbitros por iniciativa própria. Ao contrário, por exemplo, do que Jorge Jesus de forma hilariante fez com Luisão, um jogador bem expulso no último jogo do Benfica, como toda a gente viu. Aquilo que Lopetegui faz, e sempre fez, foi responder a perguntas que lhe colocam. Se lhe colocam estas perguntas, por alguma razão há-de ser.

Lopetegui diz que os árbitros não podem decidir campeonatos. Claro que não podem. Mas o sr. João Gabriel acha que sim, pois acusou os árbitros de fazerem do FC Porto campeão. E reparem que Lopetegui diz que não acredita que os árbitros tenham alguma vez prejudicado o FC Porto ou beneficiado o Benfica com intenção. Nunca disse isso, ao contrário do sr. João Gabriel ou do sr. Rui Gomes da Silva, só para citar as duas personagens que mais gostam de falar no universo encarnado.

Julen Lopetegui tem sido justo, coerente e cordial desde o primeiro dia. Quer mais competência das arbitragens, como querem todos os adeptos do futebol português - todos menos uma boa dose de benfiquistas, que este ano estão satisfeitos. Lopetegui nunca condenou um árbitro publicamente. Nunca disse «este árbitro quis prejudicar-nos». Nunca disse «se o Benfica for campeão será um tributo dos árbitros».

Esta reação da APAF é um novo ataque ao treinador do FC Porto, que tem sido alvo semanalmente. E mais uma vez, é Julen Lopetegui quem vem a público defender o FC Porto, apelar à verdade de uma competição comprometida com a Liga Aliança (a APAF não tem nada a dizer sobre isto? É que dizem que dá para alternar campeonatos numa competição que é arbitrada pelos vossos...) e desejar que todos os agentes do futebol português sejam competentes.

Se Lopetegui trabalha todos os dias para ser um treinador mais competente e fazer do FC Porto uma melhor equipa, tem o direito de o exigir a todos os agentes. Mais: em maio de 2012, Jorge Jesus disse que «se não fossem as arbitragens, o Benfica teria sido campeão». Não se apoiou em números factuais, como Lopetegui o faz. Aliás, mesmo no que toca às expulsões, Lopetegui nunca disse que o Benfica beneficiou de expulsões erradas. Só se limitou a dizer que jogam mais vezes em superioridade numérica do que os outros. É verdade.

O FC Porto tem o direito e o dever de reagir oficialmente a mais um ataque ao seu treinador. Lopetegui tem defendido esta casa desde o primeiro dia. Reparem na diferença entre a entrevista de Lopetegui ao Porto Canal e as duas últimas entrevistas do próprio presidente, que foram quase dedicadas a atacar Fernando Gomes (foi na entrevista de Janeiro, a acusá-lo de matar a liga, foi no editorial da Dragões, volta a ser na entrevista dos 33 anos da sua obra - quantas mais vezes vamos continuar nisto?). 

Lopetegui tem-se fartado de defender o FC Porto. É hora do FC Porto também defender Lopetegui.