Mostrar mensagens com a etiqueta Liga Aliança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Liga Aliança. Mostrar todas as mensagens

domingo, 3 de junho de 2018

O ponta-de-lança invisível

Por motivos já por demais conhecidos, o Marítimo x Benfica de 2015-16 tornou-se o jogo mais comentado do momento. A reportagem da SIC, com testemunhos em discurso direto sobre as abordagens/subornos que foram apresentados a jogadores do Marítimo antes da partida, é matéria sólida nas suspeitas face à forma como o Benfica construiu e concluiu o seu ciclo de tetracampeão. Muito se tem comentado sobre este caso, mas houve uma pequena discussão que merece particular atenção.

Protagonistas: Manuel Queiroz e Rui Pedro Brás. O primeiro começou por referir que achou estranho que Fransérgio tivesse jogado a ponta-de-lança frente ao Benfica. Rui Pedro Brás mostrou-se prontamente indignado, acusando-o de estar a «insinuar qualquer coisa».


O programa avançou e, mais de 15 minutos depois, Rui Pedro Brás voltou ao tema e afirmou que o ponta-de-lança do Marítimo frente ao Benfica foi Djoussé, acusando o colega de painel de querer enganar os telespectadores e defendendo aguerridamente o clube da Luz.

Pois bem. Afinal, quem foi o ponta-de-lança frente ao Benfica? Fransérgio ou Djoussé? A resposta é... nenhum. Recuamos a 2015-16 e vamos observar as áreas de ação dos dois jogadores do Marítimo frente ao Benfica.


Primeiras impressões? Nem um, nem outro jogaram perto do eixo do ataque do Marítimo. Fransérgio jogou sobretudo atrás da linha de meio-campo do Marítimo, com algumas aproximações ao meio-campo adversário pela meia direita (a ação na grande área trata-se do posicionamento nas bolas paradas). No caso de Djoussé, jogou claramente encostado ao flanco direito.

Nem Fransérgio, nem Djoussé. E como curiosidade, vamos ver o posicionamento de outras unidades do Marítimo do meio-campo para a frente.



Que conclusões podemos tirar? O Marítimo não teve um único jogador que se aproximasse do eixo defensivo do Benfica. Zero. Nada parecido com um ponta-de-lança, nada parecido com um avançado. Não houve um único jogador que encostasse perto de Jardel ou Lindelof. Todo o espaço à entrada da grande área do Benfica não existiu para o Marítimo, que fez apenas um remate enquadrado durante todo o jogo.

O posicionamento de Damien é claro: jogou como médio-defensivo e praticamente não passou da linha do meio-campo. Éber Bessa também teve uma exibição com grande raio de ação no meio-campo. Mas depois observamos as zonas de ação de Alex Soares e Edgar Costa e ficamos com a impressão de que estiveram em campo 6 ou 7 minutos e foram ao banho. 

63 minutos de Alex Soares
A exibição de Alex Soares, que já veio a público afirmar que o Benfica ganhou com justiça e que o Marítimo não fez o suficiente para vencer, foi qualquer coisa de atípico. Em 63 minutos em campo, a sua presença foi praticamente inofensiva. Acertou 5 passes enquanto esteve em campo, só foi a uma bola dividida (estamos a falar do meio-campo, do centro do terreno, onde à partida há mais ação) e, como dá para avaliar pelo heat map, jogou com uma falta de intensidade notória.

Depois temos Edgar Costa, jogador que é representado pela GIC England (empresa que tem como CEO César Boaventura), que jogou pelo lado esquerdo. E repare-se desde logo que o Marítimo não jogou com ponta-de-lança, não jogou com ninguém no eixo central. Quando isso acontece, não é natural os extremos fazerem movimentos interiores e irem eles à grande área? Não é isso que o posicionamento de Edgar Costa e Djoussé sugere. Temos dois extremos que não puxam para dentro e que, se forem à linha, não têm ninguém na grande área para cruzar, pois o Marítimo não avançava no terreno, mesmo em superioridade numérica.

É deveras atípico, restando saber se foi ideia dos jogadores, má execução tática ou simplesmente o plano de Nelo Vingada, um treinador com décadas de futebol português e que, certamente, não terá prazer nenhum em acompanhar as investigações ao desfecho desta partida. Até porque já viu o seu nome ser associado à rede de manipulação de resultados que envolveu o Atlético e cujo relatório da Federbet foi publicado há um ano.

Curiosamente, esta semana Alex Soares comentou, em declarações ao jornal Record, o momento em que o Benfica fez o 1x0, por Mitroglou, no arranque da segunda parte.


Não sabemos se foi iniciativa de Alex Soares comentar este lance ou se se limitou a responder a uma questão da imprensa, mas é deveras curioso que fale do sucedido. E parece que o posicionamento dos jogadores do Marítimo causou mesmo muita confusão pela imprensa desportiva, pois o Record até diz que Alex Soares é «defesa». Dito isto, importa passar um olhar ao lance do 1x0. Resumo completo do jogo aqui.

Mitroglou foge a Patrick; Alex Soares corta a bola e isola o grego
O que aconteceu? Há uma primeira tentativa de remate de Mitroglou. A bola bate em Patrick e sobra para a entrada da grande área, onde apareceu André Almeida. É aqui que aparece Alex Soares, que vai à disputa de bola e acaba por ser o jogador do Marítimo, com um ligeiro toque, a colocar Mitroglou na cara do golo. 

Mas houve mais detalhes neste lance. Primeiro, Patrick faz o corte. A bola sobra para o ressalto. Mitroglou foge para o lado esquerdo e Patrick, ao invés de acompanhar o grego, vai para dentro e aproxima-se da zona de disputa da bola, embora veja que Mitroglou vai ficar isolado. Quem sobra? Edgar Costa. O extremo é um autêntico espectador em todo o lance. Vê que Mitroglou vai isolar-se entre ele e a linha defensiva do Marítimo, mas não se mexe até Mitroglou fazer o golo.

Edgar Costa, afastado do lance, vê Mitroglou a entrar pela esquerda
Como é claro, ninguém pode acusar os jogadores do Marítimo de errarem deliberadamente neste lance, pois estamos a falar de apenas um dos 63 golos que sofreram ao longo da época. Certamente que sofreram golos mais estranhos que este, com fífias maiores. Mas o jogo sobre o qual recaem suspeitas é este. Logo, há que ouvir a defesa dos intervenientes e apurar todas as circunstâncias. Ninguém está a dizer que erraram de propósito, mas num jogo em que há suspeitas de corrupção, são os próprios jogadores que terão interesse em virem a público defender a sua inocência e bom nome.

Mas recordemos o testemunho de um jogador do Marítimo na SIC, quando este afirmou que o Benfica lhe apresentaria um contrato vantajoso caso o jogo corresse bem. Sejamos francos. Como é que o Benfica justificaria esse tipo de negócio? Como é que se compra um jogador que podia até nem ser dos melhores do Marítimo? Não faria sentido nenhum comprar um atleta assim. Mas talvez não fosse preciso comprar.

Para todos os efeitos, houve um ex-jogador do Marítimo que assinou posteriormente pelo Benfica. Mas não foi comprado: foi contratado em final de contrato. Precisamente Patrick, um dos jogadores que surge associado às investigações da PJ face aos atletas do Marítimo que terão sido contactados por César Boaventura.


O Benfica nem se deu ao trabalho de apresentar Patrick aos associados, pois o brasileiro seguiu por empréstimo para o Vitória de Setúbal. Na lista de intermediários publicada pela FPF, é informado que a chegada de Patrick ao Benfica foi feita por intermédio de uma empresa chamada «FOOTBALL ASSESSORIA SERVIÇOS DESPORTIVOS, LDA». Não foi possível encontrar nenhum tipo de informação disponível online com uma empresa com este nome. É primeira vez que aparece no papel de intermediária nas listas publicadas pela FPF.

Mas o mais curioso é ler este trecho do jornal brasileiro Gazeta Online, que fala em duas empresas intermediárias completamente diferentes. O que levanta a questão: que empresa é esta, a Football Assessoria Serviços Desportivos, de nome tão genérico e sobre a qual não há informações online? Terá sido uma empresa criada com o propósito de meter Patrick no Benfica? Ou são tão low profile que nem disponibilizam informação online?


Voltando ao princípio. Fransérgio. Acabou por ser expulso já perto do final, por acumulação de cartões, na tal exibição em que o suposto ponta-de-lança jogou a maioria do tempo atrás da linha de meio-campo. Mas aparentemente o Benfica gostou da exibição, a avaliar por esta capa do jornal Record...

Falta saber do que gostou mais do Benfica: se do rendimento de unidades como Patrick ou Fransérgio, ou da grande exibição do ponta-de-lança invisível. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Deixa-me só dar um jeitinho à casa

Já lá vão uns bons meses desde que Francisco Marques começou a divulgar e-mails de conteúdo comprometedor a envolver o Benfica, a arbitragem e os bastidores do futebol português. Até à data, as consequências práticas das divulgações semanais foram zero. Nada mudou, não houve punições, o Benfica segue impune. A única valia, até à data, foi a exposição do modus operandi que fez do Benfica tetracampeão e um eventual condicionamento para as épocas que se seguem.

Desde então, todos os que pretendem esclarecimentos sobre este caso - o FC Porto nunca acusou diretamente o Benfica de corrupção; o que fez foi expor matéria e apelar a sucessivas investigações - aguardam tomadas de posição públicas por parte das instâncias competentes. Passaram-se semanas sem haver uma única busca por parte da Polícia Judiciária. 

No verão, o MP e a PJ terão tentado levar a cabo buscas ao Benfica, mas o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa não cedeu as procurações. E segundo a revista Sábado, tal foi obra do juiz Jorge Marques Antunes, no seu último dia de serviço na instrução criminal, antes de ser transferido para outro tribunal. Foi o único esboço de uma tentativa de uma busca ao Benfica nos últimos meses.

Até que segunda-feira, no início desta semana, tivemos a confirmação de que as buscas ao Estádio da Luz estavam para breve. Como? Através desta declaração de João Correia, porta-voz da equipa de advogados do Benfica.

É absolutamente essencial que o Ministério Público e a Polícia Judiciária venham aqui a esta casa e verifiquem se aquilo que é divulgado pelo Porto Canal corresponde ou não à realidade.” Frase publicada no site oficial do Benfica há três dias. 


Portanto. Estão há meses, na praça pública, conteúdos que urgem ser alvo de investigação. E por milagre das coincidências, só hoje, três dias após este comunicado do Benfica, é que a PJ se apresenta no Estádio da Luz para começar a fazer buscas no caso dos e-mails!?

Isto faz lembrar aquela dona de casa muito preocupada com a forma como vai receber os convidados, que pede ao marido para empatar um pouco as visitas no hall de entrada enquanto dá um último jeitinho à sala. Então, enfim, tem a certeza que a sala está um brinquinho, pronta para receber as pessoas.

Como é claro, a partir do momento em que o Benfica incentiva a PJ a comparecer no Estádio da Luz, já tem a garantia de que a sala está bem arrumadinha. A PJ não vai encontrar absolutamente nada. Já estão a ver onde isto vai redondar: caso arquivado por falta de provas nas buscas. 

Isto faz lembrar todo o caso dos vouchers, em que também havia matéria para punir o Benfica por práticas ilícitas, em todo o dossier da Liga Aliança

Bruno de Carvalho revelou, no início de outubro de 2015, as ofertas ilegais que o Benfica fazia a equipas de arbitragem de todos os seus jogos. Só um ano depois é que foram feitas buscas no Estádio da Luz. Um ano depois! E qual foi a reação do Benfica a essas buscas? O Benfica emitiu um comunicado a afirmar que foi a própria SAD a convidar a PJ a fazer buscas na Luz. 

Ora, precisamente o mesmo que acontece agora no caso dos e-mails. Não é surpresa que, poucas horas após as buscas da PJ, o Benfica já tenha emitido um comunicado a realçar que foi o próprio clube a apelar à investigação: «Desde o primeiro momento [o Benfica] requereu e disponibilizou-se a fornecer toda a informação necessária a um cabal esclarecimento de toda esta situação». A papel químico. 

Este passo faz parte da lavagem já orquestrada e cujo desfecho já se antevê. A PJ não vai encontrar provas. Os cartilheiros virão a público, de peito cheio, afirmar que não houve provas nenhumas, que o clube colaborou com a investigação, que abriu a sua casa e que ninguém conseguiu encontrar nada. Tudo isto até ao passo final: caso arquivado. 

O FC Porto prometeu, no final de julho, que «o melhor ainda está para vir». É caso para se prepararem para expor «o melhor», porque se depender destas buscas da PJ, o Benfica sairá do caso dos e-mails da mesma forma que saiu dos vouchers: a rir-se e de forma livre e impune. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A mãozinha por trás de um padrão

Estão cumpridos os clássicos da primeira volta. O Benfica ganhou 4 pontos, um deles sacado no Dragão nos descontos, o Sporting conseguiu 3 pontos e o FC Porto teve um empate com sabor a derrota. Destacam-se duas conclusões: o Benfica, sendo inferior nos dois clássicos, teve os melhores resultados; e as decisões consideradas difíceis, polémicas ou duvidosas dos árbitros favoreceram todas o Benfica. 

Seguem seis lances que envolvem situações de bola na mão vs. mão na bola na grande área, todos eles ocorridos nos clássicos desta época. Nenhum deles é absolutamente conclusivo: todos geram dúvidas. E todos eles foram arbitrados em constante prejuízo do FC Porto e benefício do Benfica. 

Primeiro caso, a envolver Gelson Martins no momento anterior ao golo do empate do Sporting frente ao FC Porto. Tiago Martins mandou jogar.


Mesmo jogo, nova situação de braço na bola na grande área, desta vez com Bryan Ruiz. O Sporting virou para 2-1 na sequência do lance e o FC Porto perdeu em Alvalade.


FC Porto-Benfica. Mitroglou joga a bola com o braço na grande área do Benfica. Artur Soares Dias nada assinala. 


Exatamente no mesmo lance, a bola ressalta para o braço de Felipe. Aqui, Soares Dias assinala falta do defesa do FC Porto, que tinha acabado de assistir André Silva para o que seria o 1x0 na primeira parte. 


Mais recentemente, o Benfica-Sporting. Pizzi joga a bola com o braço na grande área, sem oposição de qualquer adversário, e lança o contra-ataque que o Benfica transformou no 1-0.


No mesmo jogo, novo lance a envolver um braço, a bola e a grande área. Sem oposição, Nelson Semedo joga a bola com o braço. Jorge Sousa nada assinalou.


São, todos eles, lances que suscitam dúvidas. Não são unânimes, e neste caso são lances que vão além do clubismo, pois diferentes pessoas de diferentes clubes podem ter diferentes opiniões. O que só mostra que o vídeo-árbitro, neste caso, não vai servir absolutamente para nada, pois só vai adensar polémicas e dúvidas - qualquer benfiquista defende que estes lances são legais, enquanto qualquer sportinguista/portista vai considerar que houve infrações. Imaginem quando um árbitro tomar decisões através das mesmas imagens que qualquer adepto vê...

Mas o que está em causa é isto: em todos estes lances, o FC Porto foi sempre a equipa prejudicada, seja contra Benfica, seja contra o Sporting. Quando chegou a vez do Benfica-Sporting, foi o Sporting a ser o prejudicado. O que se conclui? O FC Porto, em caso de dúvida, foi desfavorecido em todos os lances que envolvem mão, bola e a grande área; o Benfica foi favorecido em todos; e o Sporting foi beneficiado contra o FC Porto e prejudicado contra o Benfica. 

Mas não há-de ser mais do que um punhado de coincidências. Daquelas que valem campeonatos. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Pontapé de saída

Quem não se lembra do colinho que até atropelou os regulamentos da FIFA? Tiago Martins e Fábio Veríssimo foram promovidos a árbitros internacionais contra as diretrizes da FIFA, que indicam que os árbitros «devem ter arbitrado regularmente na principal divisão do seu país durante pelo menos dois anos».

Tiago Martins foi promovido quando tinha dois jogos de Primeira Liga, enquanto Fábio Veríssimo, no espaço de um mês, passou de árbitro na distrital a árbitro internacional.

Entretanto, mudou a mosca, mas o resto permaneceu intacto. Saiu Vítor Pereira, entrou José Fontelas Gomes. Mas não sem em novembro último Vítor Pereira pisar, uma última vez, as recomendações da FIFA. João Pinheiro, então com 27 anos e apenas dois jogos de Primeira Liga, foi promovido a internacional, juntamente com Sérgio Piscarreta, que em 2015 passou do C2N3 para a primeira categoria. E que bem correu.


Piscarreta foi despromovido no ano seguinte não só à sua promoção à primeira categoria mas também no seu ano de estreia como árbitro internacional. Isto no ano seguinte à histórica descida de Marco Ferreira, que logo depois abandonou a arbitragem e revelou o que passava nos bastidores. Nunca será de mais lembrar. 


O Conselho de Arbitragem não só promove árbitros contra as diretrizes da FIFA como é capaz de, no ano seguinte, despromover o mesmo árbitro. É histórico para Piscarreta. Nenhum outro campeonato na Europa tem um caso idêntico. 

E agora vemos a ascensão de João Pinheiro, um jovem árbitro, agora de 28 anos, que foi promovido a árbitro internacional em novembro de 2015 - um mês após ter apitado pela primeira vez um jogo grande, no caso um jogo do Benfica na Taça de Portugal. Tirando isso, tal como Tiago Martins, tinha apenas 2 jogos de Primeira Liga na carreira. 

João Pinheiro foi um de 11 árbitros a declarar apoio a José Fontelas Gomes na corrida à presidência do Conselho de Arbitragem, num elenco de luxo que contava com nomes como João Capela, Carlos Xistra, Bruno Paixão, Jorge Ferreira e Manuel Mota. E agora, na primeira época completa que terá Fontelas Gomes como presidente do CA, o jovem árbitro vai estrear-se num jogo grande da Primeira Liga.

Qual? O Tondela - Benfica. Oxalá o jogo corra bem, pois seria tramado um jovem e promissor árbitro, internacional aos 27 anos, ficar desde logo manchado pela histórica dificuldade do Benfica em começar os campeonatos a vencer.


Está dado o pontapé de saída para a carreira de Fontelas Gomes à frente do CA, na mesma jornada em que Fábio Veríssimo, outro internacional precoce, vai arbitrar o FC Porto, enquanto Carlos Xistra vai dirigir o Sporting. Sporting esse que merecerá todo o interesse em ser seguido durante a época 2016-17, em particular a sua equipa de juvenis, que contratou o talentoso Alexandre Gomes. Que só por mera e impertinente coincidência é filho de José Fontelas Gomes. Aquela perguntinha que irrita: o que se diria se fosse o FC Porto?

PS: Já foi dito praticamente tudo sobre o caso Depoitre. Ninguém sabia que o jogador não podia ser inscrito para o playoff da Champions. Mas a quem gere os destinos do FC Porto é sempre exigível muito mais. E nem é exigir assim tanto, basta saber os regulamentos das provas em que o clube está inscrito. O presidente confirmou que o assunto foi tratado com máxima celeridade, enquanto estava a acompanhar a Volta, e Depoitre chegou ao Porto na companhia de D'Onofrio às 2 da manhã. Pinto da Costa diz que foi inscrito com o objetivo de estar disponível para a Champions. Ou seja, não houve nenhuma reserva ou cautela assumida, pois a verdade é que o FC Porto julgava que o jogador podia jogar. Não podia, até porque o regulamento não permite diferentes interpretações. Felizmente o «esclarecimento» publicado pelo FC Porto não é assinado pelo Conselho de Administração, senão a vergonha seria ainda maior. Ou então é maior ainda por não ser diretamente assumido, e por ter que ser Nuno Espírito Santo (já começa!) quem teve que responder às questões sobre esse tema.

Depoitre vs. pré-época
Mas de facto, é confusa a questão de contar com Depoitre já para o playoff da Champions. Conforme foi defendido no post anterior, o FC Porto passou toda a pré-época a treinar e a trabalhar um esquema no qual Depoitre não encaixa (pelo menos nunca tão bem como André Silva). E era com uma semana de trabalho que ia já ser opção contra a Roma? As caraterísticas de Depoitre são mais importantes do que os mais de 50 treinos que Nuno fez com o plantel? É verdade que meter um ponta-de-lança forte na grande área para o chuveirinho não é a tática mais complicada de se trabalhar, mas o FC Porto teve quase 2 meses para preparar uma dinâmica de jogo forte, em que se assuma e possa confiar em André Silva. Se Depoitre iria fazer falta, tinha que ser contratado muito antes, não em cima do fecho das inscrições. A demora tem uma palavra, a mais utilizada nos últimos três dias: amadorismo. Um erro que não víamos em Portugal desde que o Sporting, de Godinho Lopes, tentou inscrever Marius Niculae (com as devidas diferenças, de bem maior gravidade pendente para o FC Porto). Bater no fundo não é perder com o Tondela, é ter um ato de gestão só à altura do Sporting de Godinho Lopes. 

Embora Depoitre tenha sido contratado com o objetivo de estar já disponível contra a Roma, não foi contratado para jogar apenas o playoff. A época será longa e oxalá consiga revelar utilidade em jogos futuros. De preferência antes do final do mês. Porque se acham que já seria útil com uma semana de treinos, então isso só pode deixar água no boca para quando tiver um mês de trabalho.

O FC Porto começa amanhã um campeonato para o qual não é favorito. Não, o FC Porto não é favorito para ser campeão em 2016-17. E o que é isso de ser favorito? Basicamente, aquilo que o Bayern Munique era na final da Taça dos Campeões Europeus de 87, ou aquilo que o Manchester United era nos oitavos de 2004, ou aquilo que a França era no Euro 2016. O padrão está bem claro: o favoritismo cai quando se depara contra uma equipa onde todos remam para o mesmo lado, em prol do bem comum e maior. O problema existe quando acham que isto tem que começar pelos internautas, e não pelos superiores. A Nuno Espírito Santo e ao plantel uma mensagem de força e incentivo. Enquanto lutarem pelo FC Porto, os portistas lutarão com vocês.

PS2: Só para lembrar. O International Board aprovou uma série de alterações nas leis de jogo para esta época, que o FC Porto vai estrear em Vila do Conde. Era só mesmo para lembrar. Não vá alguém esquecer-se dos regulamentos. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Cuidem da dieta dos delegados

Todo o cuidado é pouco. É tempo de supervisionar e controlar a dieta de todos os delegados que vão votar nas eleições para o novo presidente do Conselho de Arbitragem, após o anúncio da saída de Vítor Pereira. Não há-de algum deles sofrer de uma grande indisposição no dia das votações.

Isto para recordar a forma como Vítor Pereira foi eleito presidente do CA, há quatro anos. Vítor Pereira venceu contra Luís Guilherme por 42-41. Houve um voto nulo e um dos delegados faltou à votação. Tratava-se de José Albano Domingues, delegado de Viana do Castelo, que não ia votar em Vítor Pereira, mas que a meio da viagem para a sede da FPF sofreu um ataque de diarreia e faltou à reunião.

Faça-se a devida homenagem a Bocage: foi graças à merda que Vítor Pereira conseguiu fazer um trabalho de merda nos últimos quatro anos. É quase poético. Mas não há motivos para festejar a saída de Vítor Pereira, sobretudo face aos dois nomes que estão a ser lançados à sucessão: o ex-árbitro Duarte Gomes e o presidente da APAF, José Fontelas Gomes. Começando por avaliar Duarte Gomes.


Duarte Gomes é um assumido benfiquista, ainda que a competência não tenha clube. Foi, por exemplo, o único árbitro dos últimos anos a admitir ter errado num jogo contra o FC Porto (e já lá vão mais de 4 anos desde que o fez, por causa de um penalty por marcar contra o Marítimo). Na altura, causou enorme celeuma no CA, com Vítor Pereira a ficar chocado e revoltado por um dos seus árbitros vir a público admitir que errou contra o FC Porto. Desde então, mais nenhum árbitro se atreveu a fazê-lo.

Duarte Gomes esteve também em destaque na última grande aparição pública de Antero Henrique em defesa do FC Porto: quando, juntamente com Rui Cerqueira, o FC Porto apresentou 15 erros cometidos por Duarte Gomes no clássico frente ao Benfica. É de realçar que, nesse jogo, o FC Porto foi campeão na Luz, mas não deixou de se insurgir contra a má arbitragem; nos últimos tempos, em que não ganha títulos mas tem tantas ou mais queixas face à arbitragem, o FC Porto quase não reage. As pessoas são as mesmas, o clube é diferente.


O historial de Duarte Gomes, o árbitro que assinalou três penaltys em 10 minutos a favor do Benfica em 2011 (e dos quais só um não deixou quaisquer dúvidas), não fica por aqui...





Mas a última entrevista de Pinto da Costa, há um mês, abriu novas perspetivas sobre Duarte Gomes, que decidiu abandonar a arbitragem há um mês. «Duarte Gomes vai abandonar a arbitragem provavelmente a pretexto de uma lesão, mas eu creio que o Duarte Gomes, um indivíduo de grande formação, licenciado em Direito, percebeu como as coisas funcionam, e para não ser amanhã um novo Marco Ferreira decidiu abandonar a arbitragem». Desconhecíamos, no universo FC Porto, tamanha consideração por Duarte Gomes.

Curioso que Duarte Gomes tenha terminado a carreira em janeiro e que já esteja a ser associado à presidência do Conselho de Arbitragem. Faz lembrar Pedro Proença, que também saiu da arbitragem mais cedo para, meio ano depois, ser eleito presidente da Liga. Duarte Gomes já deu uma entrevista ao Expresso este mês, na qual garante que não ambiciona, para já, ser presidente do CA. Mas depois lá diz que está disponível para ceder os seus conhecimentos à arbitragem no futuro.

Curiosamente, Duarte Gomes até já fez as pazes com o... Sporting. Em fevereiro de 2014 o Jornal do Sporting escrevia que recusava este árbitro, por ser um «reconhecido benfiquista que prejudica sistematicamente os seus rivais» (a APAF estava a nanar quando um dos seus árbitros - na verdade, quatro deles - foi difamado desta maneira?). O Sporting foi sempre um clube que protestava perante Duarte Gomes, que nos últimos anos só agradava ao Benfica e a Jorge Jesus.





Mas nada é eterno: curiosamente as pazes, aparentemente, foram feitas na semana passada: 


Mais curioso ainda é que Fontelas Gomes e Duarte Gomes, apontados como os dois nomes candidatos ao CA, tenham estado juntos na mesma visita ao Sporting. Mas é de esperar que o futuro da arbitragem passe por ambos. Em 2011, Luís Guilherme e Lucílio Baptista estavam na lista concorrente contra Vítor Pereira, que foi o eleito. Então, Lucílio Baptista e Luís Guilherme acabaram por passar para a comissão de nomeações, sobre a qual nunca se pronunciam - logo, os supostos rivais de Vítor Pereira foram eleitos para um cargo no qual se abstêm de tudo o que Vítor Pereira possa decidir. Será curioso ver se Bruno de Carvalho também vai falar desta vez em «aliança».

Sobre Fontelas Gomes, foi eleito para a APAF em 2013, em lista única. Foi um árbitro da terceira categoria, mas trabalhou durante vários anos na TAP e tem negócios na restauração (está na moda, portanto). No início de novembro foi protagonista da Palhaçada Fresquinha, na qual, como tantos outros, invocou regulamentos que não se aplicavam ao caso para justificar as ofertas ilegais do Benfica aos árbitros. E José Fontelas Gomes sempre se insurgiu contra o sorteio dos árbitros: ou seja, com ele tudo continuará igual, árbitros escolhidos a dedo. 

De recordar o seu papel na época 2014-15. Quando Lopetegui, o único elemento do FC Porto a contestar as arbitragens, se atreveu a dizer que não podiam ser o árbitros a decidir o campeonato, José Fontelas Gomes ficou ofendido. Curiosamente, a APAF nunca ficou ofendida com nenhuma das afirmações de Jorge Jesus ao longo dos últimos anos, nem quando João Gabriel falou de um campeonato que era «um tributo aos árbitros».

Nos últimos anos nenhum treinador do FC Porto acusou diretamente um árbitro de errar deliberadamente, de querer prejudicar o FC Porto ou beneficiar o Benfica. Jorge Jesus, não raras vezes, proferiu declarações bem mais graves em torno das arbitragens. Mas nunca mereceu nenhum reparo. Limpinho. Descubra as diferenças:



É este o cartão de visita de Fontelas Gomes, que segundo O Jogo e o DN tem apoio do FC Porto para o cargo. É uma piada? Todas as intervenções de José Fontelas Gomes enquanto presidente da APAF foram para atacar o FC Porto, sempre que havia críticas à arbitragem, e defender sempre o Benfica. E se há um ano o FC Porto lutava pelo regresso do sorteio dos árbitros, agora vai apoiar um sujeito que é contra o sorteio!? De realçar que Vítor Pereira disse isto: «Colinho e manto protetor? Estamos habituados a ser bode expiatório dos insucessos». Fontelas Gomes está na mesma linha de discurso: quando o Benfica critica as arbitragens, não reage; quando o FC Porto o faz, tenta logo silenciar o clube e culpa ou o seu treinador ou os seus jogadores.

Duarte Gomes ou José Fontelas Gomes. Um é um ex-árbitro que durante anos não mereceu nada mais do que críticas por parte do FC Porto; outro, enquanto líder da APAF nos últimos dois anos (antes tinha estado no cargo interinamente), legitimou tudo o que aconteceu no passado recente e condenou sempre toda e qualquer crítica do FC Porto.

Se o FC Porto não se demarca destas duas hipóteses, o futuro não trará nada de bom. E quem se conformar com uma destas escolhas não terá moral para contestar qualquer tipo de nomeação nas arbitragens nos próximos anos.

PS: Vários leitores discordaram por completo de que para o FC Porto fosse mais fácil ganhar em casa ao Dortmund do que ao Chelsea em Londres. No seu direito, claro, mas a história do FC Porto diz isso mesmo: em casa contra equipas alemãs, o FC Porto ganhou 10 jogos, empatou 3 e perdeu 4. Em Inglaterra, perdeu 16 e empatou 2. Claramente podem alegar que o plantel do FC Porto estava desfalcado. Mas repare-se que o Dragões Diário diz que o FC Porto jogou com «muitos remendos por causa das lesões». Não, não foi, pois o único titular lesionado era Martins Indi. O problema não eram as lesões, era sim a falta de opções num plantel mal construído e que não foi reforçado em janeiro. E José Peseiro não tem culpa da falta de peças que tem - só pode ser responsabilizado pela forma como estrutura as peças que tem, mas nunca pela falta de qualidade das mesmas. Mas tal como Paulo Fonseca em 2013-14, não tem o melhor plantel à disposição, mas podia ter tentado fazer melhor com o que tinha, pois pouco tinha a perder. 

Ninguém está em condições de exigir títulos a José Peseiro: só se exige que faça o melhor possível. Ninguém pode acreditar que contra o Dortmund tenha sido feito o melhor possível para ganhar pelo menos esse jogo, já que virar a eliminatória era uma utopia. De qualquer forma, o patamar de exigência não pode recuar ao ponto de acharmos que é pedir muito que o FC Porto tente fazer - pelo menos tentar - o que o PAOK e o Krasnodar fizeram este ano: ganharam ao Dortmund na Liga Europa. Esperemos que também não seja pedir muito ganhar ao Belenenses, que também trocou de treinador e apostou numa nova filosofia, e não repetir a vergonhosa exibição da época passada no Restelo.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Jonas tem que ser suspenso e a SAD tem que reagir

Estamos habituados a muita coisa no futebol português, como violar os regulamentos do CA para proteger o Benfica e contrariar todas as normas da FIFA para promover determinados árbitros escolhidos a dedo. O denominador comum tem sido sempre um: o benefício ao Benfica.

Mas uma vez mais, não pode haver margem para dúvidas: Jonas, o melhor marcador do Benfica, tem que ser suspenso. Quem o diz são os próprios regulamentos da Liga. Todos sabem qual é o lance em causa: a simulação de Jonas frente ao Paços de Ferreira.

Tribunal O JOGO, 21-02-2016
A Comissão Disciplinar é muito clara no que toca a simulações para penaltys:

Artigo 154 do Regulamento Disciplinar da Liga
Ora então segundo os regulamentos, quem simula penalty e interfere no marcador (na altura o Benfica fez o 2x1 em cima do intervalo) deve ser suspenso. Mais, Jonas pode ser suspenso até três jogos. Mas adivinhem lá quem foi o único jogador, em toda a história do futebol português, a ser suspenso pela simulação de uma falta? Lisandro López, num jogo frente ao Benfica, em 2009.


A diferença de tratamento é gritante. Por norma, as instâncias disciplinares defendem a perspetiva dos árbitros. Mas Pedro Proença escreveu no relatório de jogo que assinalou penalty devido a «uma rasteira sobre adversário», no lance entre Yebda e Lisandro. Será fácil de deduzir que Jorge Ferreira também escreveu que houve uma rasteira sobre Jonas. Mas segundo o precedente aberto com Lisandro, isso não interessa. Não interessa se os árbitros foram induzidos em erro, o que interessa é o que se vê nas imagens televisivas. Logo, Jonas tem que ser suspenso e pode falhar até três jogos. E se ainda há dúvidas, basta ouvir as palavras de um responsável do Benfica: os regulamentos são para cumprir.
Na altura, sabem quem foi que denunciou Lisandro e fez uma participação? O próprio Benfica, parte interessada em que o FC Porto ficasse sem o seu melhor avançado. Não é então de esperar outra coisa que não uma participação formal do FC Porto, caso contrário os seus responsáveis mostram que não estão minimamente empenhados na luta pelo título de campeão e revelam absoluta indiferença em que o Benfica possa eventualmente chegar ao tricampeonato. Não é aceitável, muito menos a menos de dois meses de recondução - não vale a pena falar em «eleições» - para um novo mandato de quatro anos.

Tal como não é aceitável que Jonas não seja suspenso, pois os regulamentos são claros, é igualmente inaceitável que os responsáveis do FC Porto não reajam prontamente a este caso. Não é uma pitadinha de ironia no Dragões Diário: é uma participação formal ao Conselho de Disciplina.

E que mais se pode dizer do árbitro Jorge Ferreira, aqui na foto ao lado num jantar num restaurante com uma decoração sugestiva? Há um ano, abriu um novo capítulo na Liga Aliança, ao tornar-se no primeiro árbitro em Portugal a expulsar um jogador por protestos, ele que já tem um longo historial de jogos arbitrados de onde o Benfica saiu beneficiado. Além disso, este trata-se do árbitro sobre o qual Jorge Jesus sabe «muita coisa do ano passado», além de há um mês ter feito uma arbitragem habilidosa no Dragão.

Ou o FC Porto continua à espera que José Peseiro e o plantel façam milagres, ou os seus responsáveis começam finalmente a agir como alguém que esteja, de facto, empenhado no sucesso do FC Porto e em luta declarada pelo regresso do clube aos títulos. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Salto à Segunda Circular

«Constatou-se que é fácil prejudicar o Sporting num jogo de futebol… Só é possível desejar que a visão do Artur Soares Dias melhore na próxima época. Sinto que o Sporting foi prejudicado, como sentem todos que viram o jogo. São lances que nem merecem discussão», Carlos Freitas, diretor-desportivo

«No jogo do passado domingo no Porto, quer os adeptos presentes, quer a equipa de futebol profissional não foram respeitados. Estamos a proceder à averiguação dos acontecimentos e iremos agir em conformidade», Godinho Lopes, presidente

«Os árbitros têm de perceber que se não estão em condições de exercer a sua profissão, vão para a pesca mas não podem dirigir jogos deste gabarito. A dois metros do sítio não vêem um penálti tão claro… O que é preciso é haver pessoas competentes a apitar. Isto tem de acabar de uma vez por todas. Como? Com processos, processos-crime», Carlos Barbosa, vice-presidente

«Escorregou? Devia ser penalty»
Três dirigentes do Sporting a queixarem-se da arbitragem por causa do mesmo lance. A saber, por causa de um lance num FC Porto x Sporting de 2011. Aconteceu já no tempo de descontos: Rolando escorregou e, posteriormente, acabou por dar uma braçada na bola. Soltou-se uma imensa indignação por causa deste suposto penalty por marcar. Não era para menos. Ao perder por 3x2 no Dragão, o Sporting ficava a 35 pontos do primeiro lugar e a 16 do 2º, isto à 27ª jornada. Aquele penalty mudaria a história toda do campeonato, claramente.

Na altura, ficámos a saber que a partir do momento em que um jogador escorrega não tem desculpa para nada. Rolando desequilibrou-se por completo quando escorregou e foi por isso que deu com o braço na bola. Mas não teve desculpa na praça pública. Escorregou, fez falta, então era penalty. Foi assim há 4 anos. Agora as regras mudaram.

O que vimos em Arouca foi muito, muito pior do que fez Rolando. Naldo escorrega, projeta-se para a frente, sem qualquer hipótese de jogar a bola, e vira ao contrário um jogador do Arouca que estava pronto para rematar sem oposição. Num só lance seria penalty, expulsão e golo para 1x0. Mas agora, ao contrário do que se passava há quatro anos, descobrimos que quando um jogador escorrega torna-se inocente de tudo o que possa acontecer a seguir. 

«Escorregou? Toca a levantar, que escorregadelas não dão penalty»
O que está em causa é, simplesmente, o critério. Por exemplo, Pedro Henriques, na sua coluna no jornal O Jogo, diz que este lance de Naldo não é penalty, tal como disse que há quatro anos não havia penalty de Rolando. Nos demais, o critério parece que mudou subitamente. Poderão dizer, claro, que estes três dirigentes acima citados já não estão ligadas ao Sporting. É verdade, mas o clube é o mesmo. Quem tanto se orgulha da sua fundação não pode ignorar que a história do Sporting começou - e desde então é contínua - em 1906, não foi a 24 de março de 2013.

Curiosamente, não se vê ninguém na praça pública a realçar que se tratava de um penalty. Já há 4 anos, tanto A Bola como o Record não hesitaram em afirmar, na sua capa, que era falta para grande penalidade. Quatro anos depois, shiu, ninguém viu. Já sabíamos que o Sporting está na frente do campeonato graças aos penaltys. A novidade é que não está apenas devido aos penaltys marcados, mas também àqueles que ficaram por marcar. 

Ainda a propósito do jogo em Arouca, João Mário diz algo extremamente acertado: «Até onde sei os treinadores não podem entrar dentro de campo». Tem toda a razão, mas o clube que tem Jorge Jesus como treinador é o último a poder queixar-se disto.

Peça de valor comercial
A rematar, do outro lado da Segunda Circular, soube-se hoje que os árbitros já prestaram esclarecimentos (por e-mail, que isto de pedir testemunhos on the record é coisa pré-histórica) sobre as prendas do Benfica. E os títulos que se vão lendo na imprensa desportiva é algo assim: «Árbitros confirmam prendas do Benfica dentro dos limites autorizados».

Mais poeira para o ar. Mas quais limites, se os regulamentos da FPF não falam em limites alguns? Os 200 francos são fixados pela UEFA para as competições europeias, não é para a liga portuguesa. O que os regulamentos da FPF dizem é que os árbitros não podem aceitar presentes com valor comercial. Como por exemplo, uma camisola histórica de Eusébio à venda no seu site por 59,90€, além das refeições pagas para dias posteriores aos dos jogos do Benfica. Libertem quanta poeira quiserem, mas qualquer regulamento que seja invocado só confirma o que já se sabe: Benfica fez ofertas ilegais a árbitros

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A queda de mais um mito

Não há portista (e benfiquista) que não se lembre. Na pré-época de 2014-15, o FC Porto fazia um «investimento sem igual», tinha «o plantel mais caro da história do futebol português» e estava a fazer uma aposta de extremo risco para tentar recuperar o título. Já o Benfica, se bem se recordam, era um coitadinho, que perdeu meia dúzia de titulares, vendeu muitos dos seus bons jogadores e estava muito poupadinho comparativamente ao FC Porto. Era o pânico desprovido de coerência.

E agora vamos ao fim do mito. Em 2014-15, foi campeão quem mais investiu. Quem? O Benfica. O coitadinho Benfica, que estava nas lonas, gastou mais do que o FC Porto, que supostamente seria a equipa mais cara da história do futebol português. Não é uma surpresa, pois isso já tinha sido assinalado neste espaço, mas agora temos a confirmação dos números da SAD do Benfica. E uma vez mais constatamos a dualidade de critérios na praça pública: o Benfica era quem mais gastava, mas aos olhos de muitos era o coitadinho poupadinho que não chegava aos calcanhares do FC Porto; já o FC Porto tinha que ser campeão porque, basicamente, era quem mais estava a investir. Não foi.

No exercício de 2014-15, o FC Porto teve gastos totais de 166,8M€. E o Benfica teve gastos de... 178,9M€. Por norma, no futebol português é campeão quem mais investe. É extremamente raro haver uma exceção a esta regra. Isso não quer dizer que o FC Porto tem que gastar mais todos os anos para ser campeão. Largos dias têm cem anos, e o FC Porto ainda tem muitos dias pela frente. Não queremos uma época de descontrolo total para recuperar um título se isso compromete a estabilidade do clube a curto/médio prazo. Nunca. O FC Porto nunca se esgotará numa época. 

Como é lógico, não faltará quem se aproveite da tal questão semântica já aqui debatida para discutir os números. Mas o facto é este: quem mais gastou foi o Benfica, o coitadinho Benfica que estava em poupança de custos. No futebol português, já é normal ser campeão quem mais investe. Se aliarmos isto ao que o Benfica investiu noutros setores, leia-se colinho, assim se explica como se conquista um bicampeonato. O FC Porto tinha um orçamento alto o suficiente para lutar pelo título até ao fim, claro - e lutou. E todos sabem o que desequilibrou a balança. Mais: o Benfica, com um orçamento de quase 180M€, não conseguiu passar a fase de grupos da Champions e nem à Liga Europa foi.

Se o investimento do FC Porto era de desespero, como disse este sujeito, então o que era o investimento do Benfica, que foi ainda maior?


No balanço operacional, como tem sido hábito, o Benfica apresenta melhores resultados do que o FC Porto: 4,5 milhões negativos contra 16,7M€ negativos do FC Porto. Este défice operacional já vem sendo corrente nas contas da SAD. Mas depois entramos no campo das mais-valias, e aí a balança inverte a favor do FC Porto. O Benfica teve 78,8M€ de proveitos com atletas (num verão em que varreu meio plantel), enquanto o FC Porto gerou 90M€. O Benfica ficou, assim, com um saldo positivo de 34,9M€ com atletas, enquanto o do FC Porto superou os 50M€.

Podem alegar que o aumento de custos do Benfica (43,9M€ em amortizações e despesas com transferências, contra 38,9M€ do FC Porto - lá está, até em contratações/transferências gastaram mais) se deve ao fim do fundo do clube, mas é uma despesa como as outras. É investir em jogadores, é despesa com o plantel. 

Além disso, no fim da época o FC Porto acabou com um resultado líquido de 20M€, contra os 7,1M€ do Benfica. E sem milhões da treta. A título de curiosidade, o orçamento de 25M€ anunciado por Bruno de Carvalho foi, na verdade, de 81,2M€. Ou seja, as despesas totais do poupadinho Sporting aumentaram 43,7% num ano. Vamos ver como será em 2015-16, já com Jorge Jesus e contratações para o topo da folha salarial do clube. 

Até seria interessante comparar os orçamentos dos três clubes para 2015-16, mas o FC Porto, uma vez mais, foi o único a detalhar a sua proposta de orçamento à CMVM. Podem conferi-la aqui. Por isso, podem contar com uma coisa na praça pública: Benfica e Sporting são uns poupadinhos, que gastam muito pouquinho e por isso a nada estão obrigados, e o FC Porto é que está obrigado a ganhar tudo, pois é quem mais gasta. Vale tudo para sacudir a pressão.

Já agora, a propósito ainda da vitória em Israel. É preciso ser-se de uma ignorância profunda e triste para não perceber o quão difícil é, sob qualquer circunstância, ganhar um jogo fora de casa na Europa. Seja em Haifa, seja em Barcelona. Já citamos o exemplo de Jorge Jesus (3 vitórias em toda a carreira fora de casa na Champions - e quer ele ir à final), mas reparem só no Sporting: 4 anos, 17 jogos, sem ganhar fora de casa na Europa. Estamos a falar de um clube sobretudo habituado à Liga Europa, mas isso só dá razão ao quão difícil é ganhar fora de casa na UEFA. É que o FC Porto, na Champions, trava-se com as melhores equipas da Europa. A Liga Europa tem um nível competitivo abaixo. E aí, veja-se que o Sporting foi a estádios como os do Vaslui, Legia, Videoton, Genk e Skenderbeu e não foi capaz de ganhar um único jogo.

Não podemos comparar o FC Porto ao Sporting, claro que não, pois não se mistura quem ganha na Champions com quem não ganha na Liga Europa. Mas é apenas mais um exemplo do facciosismo quando debatem sobre os objetivos e obrigações do FC Porto. Parece fácil. Não é. Tudo pressiona a equipa, com falsidades como ser fácil ganhar um jogo fora de casa na UEFA ou ter o plantel mais caro da história do futebol português. Cabe a cada portista combater os mitos. Não há mito que resista a factos e números, mas muitos continuarão a esconder factos e números para alimentar mitos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Olha a palhaçada fresquinha!

Para os que não estarão recordados, esta foi a reação do presidente da APAF, Fontelas Gomes, quando veio a público a história das ofertas do Benfica. «Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA. O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.» 

Diferença de tratamento
Ora o presidente da APAF veio logo a público fundamentar uma defesa para a prática do Benfica. Com falácia e mentiras, pois todos sabem que as diretrizes da UEFA, nomeadamente no artigo dos tais 200 francos, dizem apenas referência às competições europeias, não ao campeonato português. De qualquer forma, notou-se bem cedo o pânico da APAF em tentar fundamentar uma defesa do Benfica, que não existe nem nunca existiu, motivo pelo qual o Benfica permanece desde o primeiro instante calado.

Como não pode desmentir as acusações de que é alvo, é hora de desviar as atenções para outro lado, sobretudo após a derrota com o Sporting. O Benfica precisa mais do que nunca de Vítor Pereira e de passar entre os pingos da chuva, motivo pelo qual usa hoje o CM para atacar por duas vias: primeiro, os roupões que o FC Porto colocou à disposição de Soares Dias. Os clubes colocam toalhas e material de banho à disposição dos árbitros no balneário (se calhar o Benfica deixa-os passearem-se nus no balneário, não sabemos), não há espanto absolutamente nenhum - se personalizam o roupão, é normal, pois todas as camisolas e peças de vestuário do FC Porto são personalizadas; o FC Porto personaliza material para utilizar nas instalações do clube, no dia de jogo, não distribui cupões para irem jantar fora quando quiserem ou cede presentes que não têm referência absolutamente nenhuma ao jogo que o árbitro apitou. Mas se o CM descobre que o FC Porto cede água quente aos árbitros, aí sim o escândalo rebenta. Depois, uma bicada a Pedro Proença, candidato à liga apoiado por FC Porto e Sporting. O Benfica queria Luís Duque.

Então, agora reparem bem na reação de Fontelas Gomes, da APAF, à notícia sobre o FC Porto. «Nem sei se isso é um brinde, se o árbitro o tem, mas espero que se faça tudo de forma clara, que a Liga e a federação digam o que é ou não permitido, que se faça tudo de forma clara para não se andar neste clima». Eis a diferença: quando se soube das práticas ilícitas do Benfica, Fontelas Gomes deu-se ao trabalho de fundamentar uma desculpa, recorrendo a informações falsas; agora, em relação ao FC Porto, onde se desconhece toda e qualquer ilegalidade, desafia a Liga e a Federação a investigarem o tema. Uma diferença de tratamento que devia voltar a envergonhar uma das instâncias do futebol português, neste caso a APAF e quem a preside.

Continuando. Depois do apelo aqui feito, as palavras de Jorge Jesus no Sporting x Estoril já estão, pelo menos, na ordem do dia. E que grande eficiência a do Conselho de Arbitragem, que foi extremamente rápido a reagir. Quando comparado com o tratamento a toda a Liga Aliança que fez do Benfica bicampeão, é para rir. E para rir foi também a suposta reação do Sporting citada pelo CM.

A impunidade acabou
«Todos nós sabemos coisas do passado, mas este vídeo só está a ser valorizado para esconder o escândalo dos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol e do Ministério Público não terem feito o que quer que seja para esclarecer os 112 jantares dos ‘vouchers’ que o Benfica ofereceu aos árbitros. É preciso também não esquecer as acusações feitas pelo ex-árbitro Marco Ferreira sobre os telefonemas de Vítor Pereira [presidente do Conselho de Arbitragem da FPF] antes dos jogos do Benfica. Estas situações é que são graves». Não sabemos de que boca, se antes ou depois de almoço, saiu esta reação. Mas é de facto hilariante. Então estão a querer «esconder o escândalo» com algo que, pelo contrário, até contribui para o próprio escândalo!? Francamente, Sporting (?).

Estas declarações de Jorge Jesus não desviam atenções das suspeitas sobre o Benfica. Pelo contrário, aumentam! Depois de tudo aquilo que já se sabe, agora Jorge Jesus diz que «sabe de coisas do ano passado». O Sporting apressou-se a demarcar-se disso porque sabe que agora o seu treinador também incorre em risco de suspensão. Afinal Jorge Jesus está a incorrer na violação do artigo 66º do Regulamento Disciplinar, ao pressionar um árbitro com coisas que ele sabe. Se aconteceram ou não no Benfica, neste caso é irrelevante, pois Jorge Jesus está a usá-las para pressionar um árbitro na condição de treinador do Sporting.

Ainda assim o mais grave é a suspeita que se verifica sobre o passado recente do Benfica, que tocou tanto na ferida que numa tentativa desesperada lá se atiraram aos roupões, a Soares Dias e a Pedro Proença. Mas Jorge Jesus - que tem que ser chamado a dar explicações nas instâncias oficiais - voltou a tocar na ferida, mostrando que não tem problemas tocar nos podres dos últimos 6 anos para ajudá-lo a ganhar este ano. Mesmo sabendo que quanto mais falar, mais desvaloriza o seu trabalho, a sua competência e magoa o seu ego, ele que acredita que foi mesmo sobretudo graças a si que o Benfica ganhou 3 campeonatos em 6 anos - Jesualdo Ferreira fez 3 em 3 no FC Porto, indo sempre aos 1/8 da Champions. No big deal

Mas como estamos a falar de Jorge Ferreira, vamos recordar o que se escreveu aqui desse árbitro em fevereiro, depois do Moreirense x Benfica.
Jorge Ferreira merece atenção, o cidadão que expulsou Maicon no Dragão. Que tenha um critério disciplinar apertadíssimo, tudo bem, está no seu direito. Desde que o siga e aplique a todos os clubes, nenhum problema. Na verdade é o árbitro que mais jogadores expulsa em Portugal: são já 20. Mas no meio desses cartões todos, o único que expulsou na primeira parte por uma falta a meio-campo foi Maicon e o único por protestos foi André Simões. O Benfica é denominador comum quanto ao benefício.
E agora vamos a uma coincidência maravilhosa: em jogos arbitrados por Jorge Ferreira, o Benfica ganhou sempre. E nos últimos 3 jogos, acabou todos a jogar contra 10 e ganha com erros graves em todos. 
Na época passada, num Belenenses x Benfica, Fredy é expulso e o Belenenses perdeu 1x0. Aconteceu isto:

E já esta época, Marinho foi expulso contra a Académica já com o jogo decidido, mas antes acontece isto em Coimbra:
Como não se pode atribuir o (de)mérito todo a Jorge Ferreira, os auxiliares Inácio Pereira e Jorge Oliveira em caso de duvida não tiveram dúvidas: beneficiar a equipa que ataca o Benfica. Mas para a história fica que o Benfica venceu 100% dos jogos arbitrados por Jorge Ferreira, enquanto o FC Porto só venceu metade deles. Cada jogo é um jogo, mas no que toca ao rival cada jogo tem tido muito em comum.
Agora o FC Porto está em Israel para lutar por mais 3 pontos e abrir a porta dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Que Lopetegui e os jogadores consigam superar-se, pois uma vez mais não vemos o FC Porto, a nível diretivo, muito interessado em pressionar as instâncias do futebol português a reagir a todas estas suspeitas, exigindo justiça pela forma como nos afastaram do título em 2014-15. Mas vá, culpam-se os pontos que o FC Porto perdeu na Madeira e nos clássicos em vez da quinzena de pontos que o rival ganhou de forma ilícita. A Liga Aliança agradece esse pensamento. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Amor de Vítor Pereira

Se Shakespeare existisse hoje não escreveria sobre Beatrice e Benedick, Romeu e Julieta ou Hermina e Lysander. Escreveria sobre Vítor Pereira e o Benfica. É uma bonita história de amor, que resiste a todas as adversidades e consegue florescer mesmo (ou sobretudo) em campos ilícitos. 

Um amor que resiste a tudo
Comecemos por saudar João Gabriel, que está bem de saúde. Chegámos a temer o pior. Da história dos vouchers, das prendas e de uma prática que não tem defesa nem na FPF, nem na UEFA, não ouvimos nem uma única palavra. João Gabriel nada disse para defender o seu Benfica nesta história. Não que tivesse defesa possível, que não tem - daí o previsível silêncio, na esperança de que tudo fique esquecido -, mas todos estranhámos a ausência de uma reação celestial.

Mas quando alguém ousou tocar na honra de Vítor Pereira, João Gabriel saiu em defesa do mais fiel escudeiro do Benfica. Disse ele que a entrevista de Marco Ferreira ao As foi um frete a Lopetegui. Claro que foi. Da mesma forma que o L'Équipe a citou para fazer um frete ao Imbula, o Récord mexicano fez um frete ao Herrera, o Buteur fez um frete ao Brahimi e a generalidade da imprensa nacional que citou a entrevista fez um frete ao André André. Faz todo o sentido, mas quando isto vem da mente que tão bem conhece a Rua Luciana Stegagno Picchio e a Travessa Queimada, falar em fretes é só mesmo uma prova da falência de caráter e vergonha no sujeito.

Voltando a Vítor Pereira. O mais hilariante, incompetente e surreal dirigente que o futebol português já teve disse que não sabia das ofertas ao Benfica. Vítor Pereira decidiu desmentir esta notícia... 12 depois depois de ter feito manchete no jornal O Jogo. 12 dias, foi o tempo de que precisou para decidir abrir a boca. E foi também o tempo de que necessitou para se enterrar ainda mais.

Ao dizer que desconhecia as ofertas do Benfica, Vítor Pereira esteve a sujeitar-se a uma de duas coisas: ou é mentiroso, ou é incompetente. Na verdade é as duas, mas reparem no surreal que é o responsável máximo da arbitragem nem sequer ler os relatórios. Sim, porque os árbitros têm que declarar todos os itens que são oferecidos pelos clubes à FPF. Isso consta do mesmo comunicado em que a FPF esclarece que os árbitros só podem aceitar «emblemas, galhardetes, miniaturas de camisolas, medalhas comemorativas ou lembranças regionais». A FPF nunca falou em 200 francos nenhuns para as provas nacionais, esse valor é destinado apenas às competições europeias e apenas está nas diretrizes da UEFA. O desespero de encontrar defesa é tanto que se insiste em mentiras.

Se Vítor Pereira diz que não sabia das ofertas, então diz que é incompetente, por não acompanhar sequer a atividade dos seus árbitros. Mas como, segundo Marco Ferreira, só se preocupava em ligar aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não surpreende. Como todos sabem que Vítor Pereira, tão familiarizado com pequenos-almoços no Seixal (terá direito a voucher?), sabia perfeitamente das prendas, não diz apenas que é incompetente. 

O Dragões Diário de hoje escreve de forma tão subtil como pertinente que foi Vítor Pereira, e não o Conselho de Arbitragem, a nomear Bruno Paixão (o «joker» que só servia para apitar o Benfica) para o União da Madeira x FC Porto. É a primeira vez, em quase 4 anos, que Bruno Paixão é chamado para arbitrar o FC Porto, logo na psicologicamente difícil deslocação à Madeira, depois do escândalo que foi a arbitragem no jogo da única derrota de Vítor Pereira no Campeonato, em Barcelos. Pior só quando Bruno Paixão, nos seus promissores 25 anos, deixou Jardel bater o recorde de penaltys sofridos por assinalar contra o Campomaiorense.

Já era uma promessa da arbitragem, sem dúvida. E por falar em promessas, eis o wonderboy Fábio Veríssimo chamado para arbitrar o Benfica pela primeira vez. Como os tempos mudam: tempos houve em que um árbitro só chegava a internacional se agradasse nos jogos do Benfica. Hoje em dia, chegam primeiro a internacionais para depois ver se agradam. É esta a herança que nos deixa Vítor Pereira. 

O Benfica não é a maior ameaça na luta pelo título, mas Vítor Pereira continua a ser uma das maiores ameaças ao FC Porto (e ao Sporting) e um dos maiores aliados do Benfica.