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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Fernando «abre» o mercado. E dava para comprar quantos Garays?

Sobre o negócio Fernando já aqui tínhamos falado. Não há muito mais a acrescentar. Apenas expectativa para confirmar qual o encaixe líquido com a transferência, algo que só descobriremos em outubro, quando forem apresentadas as contas 2013-14.
Até sempre, campeão

De Fernando não há muito mais a dizer. Excelente jogador e profissional, que dentro de campo personificava como poucos aquilo que é ser um jogador à Porto. Merece a oportunidade de ter algo novo que corresponda às suas ambições desportivas e financeiras. Boa sorte, Fernando!

O negócio com o Manchester City, como já tinha sido aqui escrito, não podia incluir Mangala nas negociações. Essa é uma questão à parte... e concreta. Como alguma imprensa já noticiou, o City apresentou, de facto, uma proposta de 40 milhões de euros por Mangala, o mesmo jogador que há um mês dizia preferir um convite do Chelsea. E não da boca para fora.

Jogadores como Mangala podem e devem ser premiados pelos seu profissionalismo, mas os interesses do FC Porto estão primeiro lugar... Sabendo-se que daqui a 2 anos Mangala termina o contrato. Se o Chelsea pode ou irá competir com os números do Manchester City, esperemos para ver.

Sobre Jackson Martínez, que fez dois belíssimos golos no Brasil, será uma questão de ver até onde a corda estica. Na perspectiva do Valência, o jornal Superdeporte tem valido a pena cada leitura e ainda hoje escreveu que as próximas 48 horas serão decisivas...  Pelo acordo com a Fundação Valência e Peter Lim. O acordo com a banca será necessário para começar a investir. 

A barreira mínima dos 30 milhões de euros, que o Atlético de Madrid disponibilizou-se a bater aquando das conversações por Oliver Torres, parece estar garantida. Mais cláusula, menos cláusula, mais milhão, menos milhão, a boa forma no Mundial pode ajudar ao negócio. Resta saber se a menos de uma semana do final do mês a SAD vai tentar um acordo relâmpago - o mesmo se aplica a Mangala - para minimizar o buraco de 2013-14 ou se vai apostar já em 2014-15. O sucessor de Jackson, esse, é uma incógnita. Até porque Pinto da Costa ou está mesmo determinado a puxar a corda até ao limite, ou não está mesmo interessado em vender.

Em caso de saída, o desejo de Lopetegui para esta posição específica pode ser caro, mas Jackson foi o abono de família nos últimos dois anos. Um investimento forte para esta posição deve ser prioritário, sobretudo com Tello perto de ser reforço por empréstimo, restando apenas que o FC Porto se decida a arcar com os salários do jogador, que não acredito serem insuportáveis. Ghilas, que também está perto de ter companhia para ir à mesquita, não está preparado para ficar com a posição 9. E a voz do treinador merece ser ouvida neste capítulo. Sobretudo quando 3 centrais que estão no Mundial e no topo dos referenciados para reforçar a defesas custam todos acima de sete, oito milhões de euros.

Recuando a Mangala, tocar no tema é inevitável: o encaixe dá para comprar quantos Garays? Sete? Oito? Tomo a liberdade de recuperar o comentário como resposta a um leitor, com duvidas sobre a transferência é de 6 ou 15 milhões de euros.

Não há absolutamente nada de errado. Simplesmente o Benfica é um clube especial.
O que é que as SAD têm que fazer quando há transferências? Declarar o valor TOTAL da transferência e só depois, no relatório e contas, é que detalham a distribuição pela(s) terceira(s) parte(s).

Vão ler os comunicados de André Gomes, Rodrigo, Ramires, Di Maria... O que vão ver é muito simples: vão ver o valor TOTAL da operação. Nos comunicados do FC Porto, desde Iturbe a João Moutinho ou James Rodríguez, vão ver o valor TOTAL da operação. E até no Sporting, se quiserem ver os comunicados de venda de Ilori, Bruma ou Wolfswinkel, vão ver o valor TOTAL da operação.

À CMVM é sempre declarado o valor TOTAL do negócio. Logo, ao lerem o comunicado sobre o Garay, tirem as vossas próprias conclusões.

O trânsito entre Lisboa e São Petersburgo ainda não acabou.

Se a matemática não me falha, e seguindo o eterno conselho do Cherne, fazendo as contas Garay (que considero ter sido o melhor central em Portugal do último ano, honestamente) dá prejuízo ao Benfica. Mas tendo em conta que este negócio é apenas parte e não o todo, aguardemos para ver como se reforça o rival, que em 2014 entre empréstimos bancários e obrigacionistas tem a pagar ou cobrir 174,215 milhões de euros. Libras boas, há quem diga. Rublos bons, agradecem eles.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O negócio Fernando

Um adeus anunciado. Fernando, contratualmente ligado ao FC Porto desde 2007 e titular indiscutível desde 2008, ao longo de seis épocas, vai deixar o Dragão, casa onde cresceu e que ajudou a crescer (esteve em 14 títulos, entre eles uma Liga Europa e quatro campeonatos).

Fernando custou
2,92 milhões de euros.
Aos 26 anos, é um dos melhores trincos do mundo. Polvo? Não, kraken, craque, e uma baixa de peso no Mundial 2014 - por um lado queimado pelas restrições absurdas da FIFA, tão óbvias que ninguém foi capaz de antecipar, por outro por Scolari, que nunca chamou jogadores do FC Porto para jogar no Brasil (e o burro sou eu?).

Ainda no relvado do Aviva Stadium, em Dublin, admitia que era uma boa altura para dizer adeus. Já em 2012, após um clássico com o Sporting, dançou quando foi expulso, por acreditar estar a pisar o relvado do Dragão pela última vez. Acabou por ficar até agora, 2014, e vai cumprir a regra que se verificou ao longo de todos estes anos: é jogador para render no campo, não na SAD.

Ao longo destes sete anos, o FC Porto oficializou apenas duas vezes a renovação: em 2008, até 2013, e em 2009, na altura juntamente com Rolando. Desde então, foi apenas anunciada, através das redes sociais, a extensão do contrato até 2017. No entanto não é necessário oficializar uma renovação de contrato para os jogadores serem premiados com melhores salários, o que no caso de Fernando ocorreu três vezes.

No mercado de inverno, a SAD propôs a Fernando ser o jogador mais bem pago da história do futebol português, cinco milhões de euros brutos por época. Para um jogador que nunca teve propostas superiores a 15 milhões de euros para sair (nem o multimilionário Mónaco aceitou, em 2013, ir além dos 10 milhões), era uma proposta louca, irrecusável. Mas a ambição de Fernando era desportiva, não financeira, até porque já era muito bem pago no FC Porto. Por isso o desejo de ir para Inglaterra manteve-se.

«Estão salvaguardados os interesses de todos com um acordo feito com o empresário e o jogador», anunciou o presidente, numa entrevista ao Porto Canal em janeiro, altura em que o acordo para que Fernando não saísse a custo zero ficou alinhavado. Na imprensa 15 milhões de euros tem sido o número mais falado, mas o Tribunal do Dragão ouviu que o encaixe não chegará nem perto disso. A SAD vai pagar impostos pelo bolo total da transferência, do qual terá direito a apenas metade, cabendo o resto a Fernando e ao empresário António Araújo, que foi quem descobriu Fernando no Brasil e quem o trouxe para Portugal, adquirindo direitos sobre o jogador antes disso.

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Em 6 anos, Fernando esteve na
conquista de 14 título
s
O FC Porto pagou 720 mil euros por 50% de Fernando, em junho de 2006,  e depois comprou mais 30% ao agente, no terceiro trimestre de 2009/10, a troco de 2,2 milhões de euros. Fernando custou, no total, 2,92 milhões de euros por 80% do passe.

Antes da transferência para Inglaterra, resta saber se a SAD entrega parte dos direitos económicos de Fernando ao jogador e ao empresário ou se mantém os 80% e distribui a receita dos 15 milhões de euros, que consoante a definição de cláusulas por objectivos pode subir até 20 milhões. Pela particularidade do acordo, a hipótese de incluir Fernando num pacote com Mangala e Jackson Martínez só foi uma realidade para alguns jornais. A tripartição do passe do jogador impede esse acordo.

O FC Porto despede-se de um dos seus. Não pela forma como saiu, mas pela forma como se comportou em campo ao longo dos últimos seis anos. Rendeu sempre dentro do campo e, dentro dos possíveis, acaba por render financeiramente, embora nada que se aproxime do seu verdadeiro valor. Boa sorte, Fernando.