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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

De Osvaldo a Suk e um salto a Carregosa

Osvaldo foi uma grande jogada de risco na tentativa de ganhar uma solução. Correu mal. Só não sabemos o quão mal correu, pois o FC Porto nunca clarificou o moldes da transferência de Osvaldo.

Vai e não voltes
A única coisa que se soube foi que Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica, afirmou em direto na SIC Notícias que Osvaldo custou 4M€. O FC Porto nunca o desmentiu, e no R&C do primeiro trimestre apresentou despesas não discriminadas com outros jogadores de 8,62M€. Para quem se deu ao trabalho de desmentir os números da transferência do Hernâni, há um ano, numa diferença pouca, e não o faz quando Osvaldo é falado por 4M€, deixa a desejar a nível de coerência.

Osvaldo foi um erro, um playboy que estava mais interessado nas portuenses e no Porto do que no FC Porto. O Tribunal do Dragão escreveu na altura que Osvaldo nunca foi um goleador na carreira, mas havia a expetativa de que conseguisse pelo menos lutar pela titularidade com Aboubakar. Não resultou. E Osvaldo estava a ganhar o dobro de Aboubakar. Não deixa saudades e sai na linha de Pizzi.

Chega então Suk, uma opção muito longe de reunir consenso. Não é melhor do que Aboubakar neste momento e a médio prazo não promete mais do que André Silva. São jogadores diferentes, mas isso não é necessariamente bom.

Já estava contratado antes de Lopetegui ser despedido e entretanto vai chegar um novo treinador (que salvo um volte-face será Sérgio Conceição), o que deixará sempre Suk pendente face à sua integração nos planos do futuro técnico. Mas a maior incógnita prende-se com as caraterísticas de Suk, desadequadas ao modelo que o FC Porto teve nos últimos anos.

Suk é um avançado que faz a diferença quando tem 40 metros à sua frente, quando está num modelo de jogo que lhe permite ter profundidade. Nunca jogou numa equipa como o FC Porto, de posse, que joga com o avançado como apoio e não como referência para o passe longo. Vai acontecer o mesmo que a Hernâni há um ano (com a diferença de que Suk é mais jogador e tem mais provas dadas): ou o seu futebol sofre uma formatação ou vai ter dificuldades em entrar na equipa.

Ainda não sabemos que uso o futuro treinador do FC Porto quererá dar ao ponta-de-lança, mas não será difícil imaginar que manterá o 4x3x3. Suk jogava num esquema e modelo diferente em Setúbal, e é difícil encaixar este tipo de jogadores no mercado de inverno.

Suk até 2020
Suk gosta de tentar a meia distância e de assumir o um para um, mas não está habituado a jogar sem espaço, que é o que vai acontecer no FC Porto. Algo que pode não parecer importante, mas que é, é o facto de Suk ser... sul-coreano. Os futebolistas asiáticos, salvo algumas exceções, são por norma muito humildes, disciplinados, respeitadores, com muita vontade de aprender e trabalhar. São pontos a favor de Suk, pois não têm cá faltado pontas-de-lança com qualidades, que tinham que mudar/evoluir, mas não tiveram humildade para o reconhecer, exemplos vão desde Walter ou Ghilas a Osvaldo.

Suk, que terá custado um pouco mais do que os 1,7M€ noticiados (só se saberá no R&C - e também falta confirmar que foi Alexandre Pinto da Costa, uma vez mais, a lucrar num negócio do FC Porto), não é de todo a solução ideal, mas é ele quem já cá está. Resta desejar boa sorte ao sul-coreano, esperar que lhe deem espaço competitivo já na Taça da Liga e que consiga fazer dois pares de golos importantes na segunda metade da época. E oxalá que no verão não esteja já na lista de emprestáveis.

E por falar em empréstimos. O FC Porto sempre falou dos fundos como sendo importantes para chegar a jogadores mais caros. Tudo bem. Mas os leaks desta sexta-feira mostram que os fundos já servem outro propósito para a SAD, bem mais preocupante.

Conforme O Tribunal do Dragão aqui analisou na altura, o 3º trimestre foi particularmente difícil em termos financeiros para o FC Porto, que teve que recorrer a múltiplas formas de financiamento para pagar todas as despesas correntes (um crédito de 3M€, a 2 meses, com o Banco Carregosa, mais 1,5M€ com o Montepio e um financiamento de 5M€ da - não vale a pena googlarem - For Gool Co Ltd, que tem Herrera como garantia e retorno em caso de transferência). 

É normal para uma SAD, cujas receitas não constantes, ter que recorrer a créditos ao longo do ano para pagar todas as despesas. O que não é normal é ter que ser a Doyen a pedir um empréstimo para o FC Porto.

Com patrocínio da Doyen
Segundo os documentos leakados, o FC Porto começou por pedir um empréstimo de 3M€ à Doyen, que disse não ter fundos para isso. Então a Doyen assegurou as garantias sobre 80% do valor pedido pelo FC Porto ao Banco Carregosa, com a Doyen a entrar em contacto com o banco para que o empréstimo fosse feito. Contratamos jogadores da Doyen, com a Doyen, pagamos relatórios de jogadores, de scouting e de preferência sobre atletas à Doyen, e agora também usamos os connects da Doyen para ter dinheiro líquido.

Isto já não é depender dos fundos para contratar jogadores mais caros. É depender de fundos para conseguir financiamento para pagar salários e despesas correntes. Isto supera o limite do admissível na ligação aos fundos. Mais do que dependência, já começa a ser uma questão de sobrevivência para o FC Porto. Não queremos mais quatro anos disto.

PS: Suk é natural de um país asiático, com quase 50 milhões de habitantes, que tem uma das 15 economias mais ricas do mundo e poucos jogadores nacionais a jogar num clube do calibre do do FC Porto. E ainda assim, a sério que apresentam o rapaz com uma camisola sem patrocinador? Há muita gente a dormir.

PS2: Até domingo Rui Barros será o treinador do FC Porto e é com ele que vamos tentar buscar três pontos a Guimarães. A partir de segunda-feira será tempo de falar do seu sucessor.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Seriedade, parte 2

Depois da forma como a equipa foi eliminada precocemente na temporada passada, o FC Porto poupa no entusiasmo o que ganhou em seriedade na Taça de Portugal. Resolveu cedo e não sentiu necessidade de fazer muito mais.

Se é verdade que do outro lado estavam amadores, estavam amadores a fazer o jogo das suas vidas. Do lado do FC Porto, 11 sem rotinas e estímulo competitivo baixo, a jogar contra 11 jogadores atrás da linha da bola, sem espaço, num mau relvado. Jogos que têm tudo para correr mal se não houver seriedade. 

De notar que entre as equipas da primeira liga, além do FC Porto, a única que se apurou sem ganhar pela margem mínima foi o Nacional. De resto ou é nos penáltis, ou no prolongamento, ou por um golo. Uma competição que é decidida nos detalhes, seja num dérbi, seja num jogo de David contra Golias. Que seja esta a imagem de marca a manter: seriedade.





Bueno (+) - Lopetegui dizia dele que era um avançado disfarçado de médio. Contra o Angrense foi um extremo disfarçado de finalizador. Não tem velocidade para rasgar a partir da ala, mas foi interessante vê-lo nesta nova função: jogar atento ao espaço interior, dar o corredor a Ángel e aparecer mais vezes na grande área (algo que tem faltado muito ao FC Porto quando se usa e abusa de Aboubakar em zonas recuadas). Resultado: duas vezes na grande área, dois golos à ponta-de-lança. Se é difícil encaixá-lo no meio-campo, Lopetegui ganhou mais uma solução para encaixar Bueno na equipa.


Ángel (+) - Não tendo nada para fazer defensivamente (que, basicamente, é o que acontece com Layún e Maxi na maioria dos jogos do campeonato), tinha que dar nas vistas no ataque. E fê-lo. Sempre a dar profundidade, a decidir com maior precisão e rapidez e a cruzar para o 1x0. Foi contra o Angrense, pois foi, mas a confiança tinha que começar a ser ganha em algum lugar. E não ia ser na Champions, de certeza. Uma palavra para Imbula, confortável na posição 6 e mais rápido e prático a decidir, embora o Angrense não oferecesse pressão nenhuma.





É preciso mais (-) - Esperava - e espero - muito mais de Varela no FC Porto de Lopetegui. Excessivamente lento e preso de movimentos desde que começou a partida. Notou-se a falta de entendimento com o lateral, normal para um 11 com poucas rotinas, mas não foi objetivo, não fez bons cruzamentos e não ultrapassou nenhum defesa em velocidade. Muito, muito pouco. O mesmo para Osvaldo. Fez a assistência para o 2x0 e nota-se a vontade de trabalhar fora da grande área, mas não está a conseguir ser incisivo e muitas vezes decide mal. Nunca foi um goleador, o FC Porto saberia isso desde que o contratou, mas temos que esperar mais dele. Sobretudo nas próximas semanas, pois o mercado de janeiro está aí à porta.

Terça-feira é dia de alcançar o segundo maior objetivo da época: a qualificação para os oitavos-de-final da Champions. De preferência invicto, com mais uma vitória, e logo se verá se com o estatuto de cabeça de série para os 1/8. Lopetegui pode ser o primeiro treinador de um grande português a ir duas vezes aos 1/8 da Champions nas últimas 6 épocas. Se fosse fácil, não era para nós.

domingo, 18 de outubro de 2015

Seriedade e segundas linhas de primeira

Mais do que exuberante ou brilhante, o FC Porto foi acima de tudo sério. Foi essa seriedade que lhe permitiu superar o Varzim e continuar na Taça de Portugal. Julen Lopetegui mexeu imenso na equipa (9 mudanças, 10 se contarmos com a troca de posição de Layún), o que significou um decréscimo nas rotinas e sintonia da equipa, mas serviu para ganhar ou reforçar soluções no plano individual.

Tello, o melhor na Póvoa
Lichnovsky estreou-se ao pé de um bem mais seguro Indi, Layún ganhou rotinas para substituir Maxi Pereira, Evandro disse presente junto a um Imbula mais confiante, Bueno reclamou mais protagonismo, Tello acordou e Osvaldo, mesmo sem pontaria, mostrou que se pode contar com muito trabalho e entrega por parte dele, que até era a maior incógnita em seu redor. 

Todos gostariam que a Taça de Portugal fosse sinónimo de oportunidades para um ou outro jovem, inclusive da equipa B, mas essa deveria ser a função da Taça da Liga. Na Taça de Portugal, pelo historial da competição e até pela desilusão que foi a participação em 2014-15, faz todo o sentimento que Lopetegui privilegie as chamadas segundas linhas do plantel principal. Até porque, como se viu em alguns casos, só não jogam mais porque o nível competitivo e qualitativo do plantel é de facto muito elevado.

Seguem-se dois testes importantíssimos em casa: receção ao Maccabi, que poderá muito bem valer a liderança isolado do grupo da Champions, rumo aos 1/8, e jogo contra o competente e fortalecido SC Braga, numa jornada em que há dérbi em Lisboa. Depois será tempo de matar a maldição na ilha da Madeira. Um passo de cada vez, três passos onde não poderemos falhar.





Reabilitação (+) - Ao encontro do 2.º parágrafo. A Taça de Portugal é uma oportunidade para as segundas linhas, que não deixam de ter qualidade para jogar regularmente no 11, aparecerem. Indi (que será titular nos próximos jogos), Evandro e Bueno são perfeitos exemplos disso mesmo, sobretudo este último. As caraterísticas de Bueno oferecem, simultaneamente, capacidade para ser 3º médio e 2º avançado, muito útil contra autocarros. Percebe-se o meio-campo de combate de Lopetegui nos maiores testes, mas no campeonato português Bueno arrisca-se a ser útil em qualquer jogo. Evandro está tapado por André André, que está a travessar a melhor fase da sua carreira, mas tudo o que faz faz bem, com naturalidade, critério e qualidade. Pode perfeitamente saltar para o 11 a qualquer momento, não esquecendo a sua importância aquando da lesão de Óliver há um ano. Indi esteve muito melhor na ocupação do espaço e no jogo aéreo, afirmando-se como o patrão ao lado de um jogador ainda inexperiente.

Osvaldo, bem e mal
Cristian Tello (+) - Acordou. É o verbo que melhor se aplica à sua exibição. Rápido, aguerrido, excelente na progressão orientada para a baliza, preciso nos cruzamentos. Jogou como só o sabe fazer - depressa - e como ainda não o tinha feito esta temporada - bem. Está num ano decisivo da sua carreira. Será difícil para o FC Porto mantê-lo nos seus quadros, mas se não brilhar no FC Porto também não voltará ao Barcelona. A concorrência de Brahimi e Corona (ontem pouco se viu de Varela) vai obrigá-lo a ser o Tello que vimos ontem.

Trabalho de Osvaldo (+/-) - Osvaldo nunca foi conhecido por ser um goleador. Quase a fazer 30 anos, ainda não atingiu a centena de golos na carreira e no seu percurso sénior só por uma vez superou a barreira dos 15 golos e apenas em quatro chegou à dezena. A maior incógnita em relação à sua contratação não era saber se ia fazer 25 golos, era saber que tipo de profissional íamos ter. Dentro de campo, sobretudo ontem, nada a apontar a não ser coisas boas: lutador, aguerrido, sempre a pressionar e a pedir bola. A atitude a manter é esta, mas como é claro isto não chega, e falhou três ocasiões que um matador não pode perdoar. Castigo duro, pois aos 6 minutos já tinha feito um golo limpo, invalidado sem qualquer razão. Depois, a cada oportunidade falhada sentia que se afastava mais da titularidade. Quanto a mim, somou pontos: o ponta-de-lança do FC Porto tem que se distinguir, acima de tudo, pelo trabalho e empenho. Os golos serão sempre consequência disso. Mas não falhando três golos cantados por jogo.





Pouco caudal (-) - A vitória não mereceu contestação e o FC Porto teve oportunidades para golear, mas a equipa não fez assim tanto em termos ofensivos. Apenas 8 remates, só mais 2 do que o Varzim. Sem proveito nas bolas paradas ofensivas (3 cantos), só duas tentativas de remate de meia distância e o guarda-redes do Varzim acabou por não ser assim tantas vezes solicitado. Um pouco consequência da falta de rotinas da equipa, claro, mas era possível fazer bem mais. Apontamento negativo para as exibições de Cissokho e Varela, que não aproveitaram para reclamar mais tempo de jogo.



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Oportunidades

Pablo Osvaldo é oficialmente reforço, mesmo com uma ambiguidade que soa a José Régio. «Não sabemos de onde vem, sabemos que vem para aqui.» No momento do R&C do 1º trimestre poderemos avaliar com maior rigor a transferência, esperemos, mas para já importa destacar que o contrato defende o investimento da SAD. Um ano de contrato, dois de opção. Boa decisão.

Se o FC Porto for campeão e Osvaldo fizer uma boa dose de golos, ninguém se importará com os meios, nem com quanto custaram os meios. Só não queiramos comprar a história cor de rosa de que o Uruguai é agora uma forma de fugir aos impostos numa contratação. Interessante, é tão vantajoso que só se lembraram de o fazer com Osvaldo? Porque não, só para citar outro jogador contratado a custo zero, com Maxi Pereira, que até é uruguaio? Na duração do contrato, o FC Porto defendeu-se bem. Esperemos que também o tenha feito nos valores e meios praticados para contratar Osvaldo.

Com golos tudo se resolve
Ao jogador, exigimos o mesmo que a outro qualquer: empenho e respeito. Osvaldo não será julgado pelo que fez no passado. Será julgado pelo que fizer ao serviço do FC Porto. «Enquanto formos bons rapazes somos sempre comidos». Este de bom rapaz não tem nada. Mas aquilo em que estamos mais interessados é em ter um bom profissional, um bom goleador e boa concorrência para Aboubakar.

Entretanto, Cissokho regressou a casa e fica com o seu 28. Uma contratação interessante, na medida em que se trata de um jogador de qualidade, que conhece os cantos à casa, e a verdade é que desde que deixou o FC Porto foi sempre titular com regularidade em grandes equipas ou grandes ligas, por maiores ou menores críticas que recebesse. E era um negócio de ocasião, daqueles que se aproveita no momento ou pode-se lamentar mais tarde.

Será uma boa alternativa a Alex Sandro, que não pode sair do FC Porto. Primeiro, por Pinto da Costa ter dado a renovação como garantida. Segundo, porque se já foram rejeitados 25 milhões limpos (isto para não referir os 30M€ comentados por Pinto da Costa na entrevista a O Jogo), ou estamos à espera que algum clube perca a cabeça por um jogador quase em fim de contrato ou não é mesmo para vender. Não é para vender, mas já o sabem: o FC Porto não está obrigado a vender jogadores até ao final de Agosto, mas se não o fizer terá que o fazer entre Janeiro e Junho de 2016, possivelmente até com negócios de antecipação como foram Otamendi e Danilo. Nada que a SAD já não saiba.

Assim, abre-se a porta para José Ángel rodar e ser titular noutras paragens. Desenganem-se, Ángel foi uma boa contratação, na medida em que obedecia a uma lógica: jogador com escola, experiente, titular em bons clubes e bons campeonatos. Além disso, chegou ao FC Porto sem encargos no imediato. Foi uma boa contratação. Foi uma boa alternativa a Alex Sandro na última época, mas se em 2015-16 não voltaria a ser titular e não havia confiança para lhe entregar a titularidade em caso de saída de Alex Sandro, procurar uma solução no mercado é uma decisão que se compreende.

A terminar, uma curiosidade: Cissokho em dois pares de meses no FC Porto ganhou tantos títulos como Dani Osvaldo em toda a carreira. Sim, Osvaldo, é assim que as coisas funcionam por cá.