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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Análise 2017-18: os centrais

Saiu a custo zero
Iván Marcano - Um exemplo de sobriedade e maturidade em toda a sua estadia no FC Porto. Chegou com low profile, rapidamente agarrou e justificou o lugar no 11, chegou ao grupo de capitães e despediu-se como campeão, marcando inclusive o último golo da época 2017-18 (na qual fez sete golos e uma assistência). O FC Porto não conseguiu renovar com o espanhol atempadamente e, naturalmente, Marcano tornou-se um alvo cada vez mais apetecível no mercado, a ponto de ter ofertas muito superiores às do FC Porto para prosseguir a carreira. Perto dos 31 anos, seguiu o caminho lógico, mudando-se para Itália e deixando o FC Porto órfão daquele que foi o melhor central da I Liga na última época. Com o aproximar do final do contrato, logicamente que passou a ser cada vez mais «caro» renovar com Marcano. O tempo dirá se a compra de novos centrais para 2018-19 se revelará mais ou menos dispendiosa do que teria sido renovar com Marcano, que faria perfeitamente mais duas épocas de bom nível. Para já despedimo-nos de um profissional exemplar e de um dos bons jogadores do FC Porto da última década.

Contrato até 2021
Felipe - Abençoada a hora em que Sérgio Conceição decidiu mandar o brasileiro para o banco durante uns jogos. Na primeira parte da época, chegou a ser sofrível ver Felipe em alguns momentos. Desconcentrado, desleixado, ultrapassando muitas vezes os limites da agressividade e cometendo uma enxurrada de faltas desnecessárias e em posições comprometedoras. Quando voltou à equipa, em janeiro, surgiu renovado, apesar da comprometedora exibição no Restelo, e partiu para uma série de boas exibições, tendo ainda conseguido tornar-se o 2º central com mais interceções na Liga (80) e o 2º defesa com mais duelos aéreos ganhos (134) - dois dados notáveis quando temos em consideração que o FC Porto foi a equipa que menos teve que defender na Liga. Na próxima época, sem Marcano, Felipe terá que assumir o papel de «patrão» da defesa e a sua responsabilidade será redobrada, tendo em conta que o setor defensivo será o que terá mais alterações na equipa. O Felipe da segunda metade da época tem tudo para dar conta do recado. 

Final de contrato
Diego Reyes - O central mexicano foi comprado ainda em 2012. Nas duas primeiras épocas jogou mais pela equipa B do que pela A, seguiram-se dois empréstimos para Espanha e regressou ao Dragão para ter a sua época de maior utilização, mas ainda assim insuficiente para agarrar-se ao 11. Reyes entrou bem na equipa quando Felipe saiu do 11, teve uma sequência de boas exibições que justificavam a continuidade, mas depois da eliminatória com o Liverpool o central deixou de ser aposta. Reyes chegou ao final de contrato e o seu futuro passa pela saída do FC Porto, numa operação que pode revelar-se particularmente complexa - não esquecer que o passe de Reyes, ainda antes do jogador chegar ao Dragão, foi alienado ao fundo Gol Football Luxembourg, uma offshore de Pini Zahavi, e neste tipo de acordos os fundos nunca perdem dinheiro. Embora tenha conseguido algumas boas exibições na última época, Reyes teve diferentes treinadores, diferentes (pré-)épocas no FC Porto e, ainda assim, nunca conseguiu ter o estofo necessário para se fixar na equipa. Foi um investimento caro da SAD, mas apesar de ter feito a sua melhor época pelo FC Porto, mesmo com a saída de Marcano o clube prefere recrutar novos centrais no mercado do que tentar a renovação com Reyes. Ficará sempre a impressão de que Reyes poderia ter dado mais, mas foram cinco épocas à espera que se afirmasse - e como dar-lhe a sexta oportunidade implicaria um contrato prolongado, percebe-se que os seus agentes estejam a procurar uma solução longe do Dragão e que a SAD já prepare o futuro nesse sentido.

Contrato até 2022
Osorio - Fez apenas um jogo pelo FC Porto - derrota no Restelo. Não mais voltou a jogar... e foi campeão. Apesar de a contratação de Osorio não ter trazido quaisquer benefícios para 2017-18, no momento do seu empréstimo por parte do Tondela já estava prevista a sua permanência a título definitivo no Dragão. Osorio tem caraterísticas físicas e atléticas muito interessantes, mas no Tondela não mostrou nenhum potencial fora do comum - revelou até muitas dificuldades no jogo aéreo e em aspetos básicos de um central. Fica a dúvida se fica no clube por causa da cláusula de compra obrigatória, ou se Sérgio Conceição acredita de facto no seu valor. Osorio tem tudo o que se pode desejar a nível físico e atlético num central, mas tem basicamente que evoluir em todos os aspectos - marcação, posicionamento, timing de entrada sobre a bola, jogo aéreo. Para já ganhou uma pré-época para mostrar serviço, sabendo que, com as saídas de Marcano e Reyes, é a par de Felipe o único central a transitar de uma época para a outra. Será preciso muito, muito trabalho por parte do venezuelano. 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Um belo 31

Imaginar, no início da época, que no início de novembro o único central suplente já teria que jogar a médio-defensivo, perante a falta de alternativas de raiz no plantel, e que já haveria jogadores a acusar uma quantidade preocupante de desgaste seria coisa para motivar e justificar todo o tipo de preocupações.


Mas o saldo é este: líder à 11ª jornada, com 31 pontos, com a 2ª melhor marca da história do clube e com 4 pontos de vantagem sobre o 2º classificado; melhor ataque; melhor defesa; e uma demonstração de força e estofo mesmo quando a equipa não consegue jogar da melhor forma. No início da época perspetivava-se um campeonato muito equilibrado, com as equipas teoricamente mais pequenas a tirar pontos várias vezes aos candidatos ao título, mas o FC Porto ainda não conheceu nenhum mau resultado nesta Liga - o que não deixa de atestar as dificuldades presentes na Liga, tanto que o 2º classificado deste Campeonato já foi buscar 8 a 10 pontos (com VAR à mistura) nos minutos finais. 

Já o FC Porto, com exceção do clássico em Alvalade, nunca chegou à última meia hora sem já conhecer a vantagem no marcador. O coração agradece, ainda que na mais recente vitória só em cima do minuto 90 foi possível respirar de vez de alívio. 




Héctor Herrera (+) - Está definitivamente a atravessar a sua terceira vida no FC Porto. Quando chegou ao Dragão, Paulo Fonseca não viu nele um sucessor à altura de João Moutinho e Herrera teve uma utilização intermitente; na segunda época, brilhou com Lopetegui, mas na temporada seguinte caiu em desgraça na primeira metade da época; depois da chegada de José Peseiro, recuperou a forma e foi possivelmente o melhor jogador portista da segunda volta; com NES voltou a ser uma unidade de subrendimento, mas agora com Sérgio Conceição está novamente a recuperar o seu espaço.

Está a jogar à Costinha nas bolas paradas, escondido ao segundo poste, e foi daí que nasceu o primeiro golo; depois, já quando faltavam pernas, serviu Aboubakar para o 2x0 após uma corrida de 40 metros. Muito antes, destacou-se no passe (91% de eficácia) e na distribuição de jogo, além de ter criado 4 situações de finalização (tantas quanto Brahimi, Hernâni, Aboubakar, Corona e Galeno juntos). Falhou algumas ações defensivas, mas foi no meio-campo adversário que foi capaz de ser a diferença. Há poucas coisas que possam justificar o desaparecimento de Óliver das opções; esta exibição de Herrera é uma delas.



Diego Reyes (+) - Nota bastante positiva a jogar numa posição que é relativamente nova para si. Foi o jogador mais solicitado em campo, esteve no lance do 1x0 e não se inibiu de subir até aos últimos 30 metros, procurando empurrar a equipa para a frente. Não foi tão eficaz nos duelos individuais como Danilo (perdeu um terço das jogadas pelo ar e pelo chão), mas mostrou ser uma solução válida - se é que é possível que o 3º central seja também o 2º médio-defensivo num plantel que ambiciona lutar por todas as frentes.

Outros destaques (+) - Frieza e classe no golo de Aboubakar, que passou grande parte do jogo longe da grande área, muitas vezes descaído sobre a meia direita, a tentar abrir espaços e a arrastar os centrais. Teve apenas duas oportunidades para rematar, mas numa delas acabou com o jogo. Nota também positiva para Alex Telles, que voltou a jogar sobretudo no meio-campo adversário, criou duas ocasiões de golo e voltou a ser o jogador com mais quilómetros nas pernas. 




A bola nas costas da defesa (-) - Um novo meio-campo, o regresso ao esquema com um avançado, um Hernâni que se enquadrava bem na grande área mas depois parecia ter medo de aleijar a bola a rematar. Ingredientes difíceis para o ataque do FC Porto, mas o problema esteve na forma como a bola (não) lá chegava. Invariavelmente, a equipa abusou da tentativa de bater a bola para as costas da defesa, mesmo que o Belenenses não tivesse a equipa particularmente avançada. A tentativa de apanhar Aboubakar nas costas pelo lado direito, ou de tentar aproveitar logo a profundidade de Alex Telles, deu poucas vezes resultado. Houve dificuldades em criar e encontrar espaço e os sucessivos pontapés longos para a linha da frente não foram solução.

Mais cabeça (-) - A linha que separa os centrais agressivos, duros e impetuosos daqueles que podem deitar tudo a perder numa única entrada mal calculada é ténue. Felipe sabe, ou deve saber, que se pôs a jeito. A dificuldade na abordagem aos lances tem-se acentuado nos últimos jogos, com Felipe a expor-se demasiadas vezes ao risco - e com ele a equipa. Desta vez, ganhou apenas um terço dos lances de cabeça que disputou e foram poucas as vezes que recuperou a bola e soube sair a jogar - os lances em que mais se destacou foi quando, na grande área, não inventou e chutou para longe. Felipe já conquistou titularidade e estatuto no FC Porto, por isso são erros que se poderiam esperar quando chegou do Brasil, não agora que já tem experiência de futebol europeu. É preciso mais cabeça, até porque não nos podemos dar ao luxo de ter Felipe e/ou Marcano em má forma.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Como disse?

A imprensa é um eterno universo de preocupação para muitos adeptos. Não é surpresa para ninguém que determinados títulos têm maior proximidade com alguns clubes. Que existe compadrio - uma palavra provavelmente até elegante de mais para o caso - entre A Bola e o Benfica, não é novidade. E que o jornal O Jogo é, historicamente, o jornal que maior apreço recebe por parte do FC Porto, também não. Mas a notícia trazida hoje à capa é grave.

Cada adepto pode escolher o que lhe ocupa o topo das preocupações: ou o facto de Luís Filipe Vieira, o leitor, dar entrevistas à Bola que não o são; ou uma manchete d'O Jogo acusar basicamente a SAD de amadorismo. 

Em causa estão duas pequenas frases. 


«Última reunião foi na época passada» e «negociações com os jogadores em risco vão começar agora». É brincadeira, certo?

O FC Porto está em plena época 2017-18, em que para já tudo tem corrido bem. Teve dificuldades na venda e colocação de jogadores no último defeso, ficou com um caso bicudo por resolver (Bueno), e entre os excedentários/dispensáveis só Depoitre saiu por um valor acima do que seria expectável no mercado (quase 4M€). Ainda assim, há expectativa em ver se a folha salarial conseguirá descer um pouco (a previsão para a última época foi de 69,5M€ - um aumento de 28% em relação ao último campeonato conquistado).

E perante a ausência de reforços, transmitiu-se a ideia de que reforços eram os que ficavam. Mas então agora a SAD do FC Porto é acusada de ter iniciado a época sem antes ter assegurado a continuidade de ativos que estão em final de contrato?

Iván Marcano é um dos capitães do FC Porto e um jogador essencial no plantel. «Última reunião foi na época passada». A sério que o FC Porto começaria uma época sem assegurar, dentro do possível, que Iván Marcano era para continuar? Sem haver contactos diretos nesse sentido? E as negociações «com os jogadores em risco, vão começar agora»? Apenas agora, a menos de 4 meses de poderem assinar por outro clube a custo zero?

A SAD basicamente não comprou ninguém no último defeso. Houve muito menos trabalho para fazer a nível de mercado. E com isto, não houve tempo para encaminhar as renovações de contrato antes da época começar? 

É sabido que Iván Marcano quer ficar no FC Porto. E vai ficar, seguramente, porque estamos a falar de um capitão e de um profissional exemplar. Mas num mundo tão volátil como o futebol, em que as intenções e lealdade mudam ao ritmo do cifrão e de um dia para o outro, esta acusação de uma gestão de puro amadorismo é demasiado grave. 

Tomemos como exemplo a situação de Vincent Aboubakar. Fabrice Picot, o empresário do avançado, disse em julho que Aboubakar queria «jogar e ajudar» o FC Porto, mas que «a renovação não está nos planos». Por norma, um jogador que se recusa a renovar não volta a jogar. Neste caso, que alternativa poderá ter o FC Porto?

Não há alternativas no ataque. O FC Porto depende de Aboubakar pelo menos até janeiro. Tem que jogar, não há alternativa. E sabemos que o camaronês tem um empresário que não hesitou em afirmar que não havia planos para renovar. Quem garante que Aboubakar estará a ter o melhor tipo de aconselhamento nesta fase?

«Escuta, Vincent, já deu para ver que o FC Porto não pode prescindir de ti. O mercado está fechado e não podem jogar até janeiro só com Marega e Soares, por isso tens lugar quase sempre garantido. Fazemos assim: continua a jogar bem, a fazer golos, e depois em janeiro já podes assinar por outro clube a custo zero. E como não têm nada a pagar ao FC Porto, até pagam uma comissão e um prémio de assinatura bem mais altos». Claro, isto é meramente ficcional e extremamente pessimista. Mas estamos no futebol. 

O próprio Diego Reyes, único central suplente na equipa principal, está em final de contrato. Assim como Maxi Pereira, que dificilmente ficará para a próxima temporada. E na véspera, O Jogo trouxe-nos também à capa uma notícia de que Reyes mostrava serviço como alternativa a Danilo Pereira. 

Já não há uma alternativa de raiz a Danilo no plantel. Sugerem Reyes, que é então simultaneamente único central suplente e alternativa à posição 6. Está em final de contrato. 

Não passa pela cabeça de ninguém perder Iván Marcano e Aboubakar. Se tal acontecesse, Reyes entrava no 11, deixava de haver central suplente e a tal alternativa sugerida a Danilo; se Aboubakar deixasse de ser opção, Marega e Soares tinham que durar os 90 minutos semana após semana, ou então Sérgio Conceição teria que passar a jogar em 4x3x3. O pior que podia acontecer: o treinador ser forçado a mudar a sua tática por não ter opções suficientes no plantel. 

E já existem consequências disso. Perante a incerteza em torno de Corona, especula-se que Ricardo Pereira pode jogar a extremo. Tudo bem, tem qualidade para isso, e Maxi Pereira dá garantias de qualidade. Mas isso implica que, perante a ausência de um único jogador, Sérgio Conceição tem que mexer em dois setores; e mexe em dois setores apesar de ter Hernâni no plantel. Não é o maior atestado de confiança e de profundidade no plantel, diga-se.

Já que não foram capazes de dar um único reforço ao treinador, o mínimo que se pede é que Iván Marcano, Diego Reyes e Aboubakar tenham o seu futuro totalmente assegurado e comprometido com o FC Porto o quanto antes. Infelizmente, já temos variados exemplos de que no futebol a palavra não chega.

Ou então O Jogo está simplesmente mal informado e está tudo tratado, a tempo e horas. Isso. 

PS: Uma declaração de Petr Cech, guarda-redes do Arsenal, que vale a pena afixar. «Quando José Mourinho chegou ao Chelsea proveniente do FC Porto, ele trouxe com ele uma coisa essencial: veio de um clube onde não era aceitável para ele terminar o Campeonato em segundo lugar. Ele trouxe o mesmo espírito para o Chelsea». 

O Chelsea, um dos clubes mais poderosos do futebol atual, tomou como exemplo para crescer o FC Porto. Não é necessário acrescentar mais nada. 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A contratação e os reforços

Já lá vai mês e meio desde a contratação de Sérgio Conceição, mais três semanas de trabalho de pré-temporada, com o ciclo habitual - muita motivação, sede vencer e uma pressa descomunal em querer ver algo de diferente em relação à última época (os treinadores anteriores também passaram por isso - e neste caso, pegou a imagem de um FC Porto mais rematador e incisivo na proximidade da grande área, algo impossível de concluir após dois jogos particulares numa digressão pelo México). Irrelevante, como em muito do que se possa passar durante uma pré-temporada - o ideal, nesta fase e por mais irónico que possa ser, é expor tantas fragilidades quanto possível, de modo a que não deixem dúvidas de que necessitam de ser colmatas (seja com mais tempo de trabalho, seja com recurso ao mercado). Só conta a partir do dia 9 de agosto. 

Porém, a amostra nos primeiros 45 minutos em Guimarães já revelou um FC Porto muito, muito próximo do que se poderá idealizar para a época 2017-18. Maior facilidade para jogar ao primeiro toque e procurar a tabela perto da grande área; maior movimentação e versatilidade no último terço; capacidade de colocar mais gente na frente sem que isso implique a perda de equilíbrio no momento do contra-ataque; e uma dinâmica forte e funcional na tentativa de assegurar, simultaneamente, a profundidade através da subida dos laterais e presença no jogo interior. 

Muito positivo, restando apenas acrescentar um detalhe que pode fazer a diferença ao longo da época: quando há uma presença forte no ataque, os golos podem acabar por surgir em lances isolados, e não necessariamente através do que se construiu. Foi o caso dos golos de Aboubakar e Soares, que não nascem das melhores jogadas que o FC Porto fez na partida, mas que revelam o oportunismo que vai ser necessário muitas vezes para somar pontos - forçar o erro do adversário ao invés de tentar seguir o plano de construção da própria equipa. Sem dúvida, uma exibição que aguça a vontade de todos em ver mais deste FC Porto, apesar da expulsão de André André ter tornado a segunda parte atípica. 

Enquanto isso, o mercado. Até ver, o FC Porto fez uma contratação e ainda não foi buscar reforços ao mercado, mas já os tem. Vamos por partes.

Vaná foi o único jogador comprado pelo FC Porto até ao momento, um nome que não garante nada além de mais uma alternativa a Iker Casillas para a época 2017-18. Foi contratado para ser suplente de Peçanha no Feirense, mas saltou para a titularidade à 8ª jornada e foi um nome determinante para que o Feirense se aguentasse na primeira liga. 

Fez portanto uma época interessante, como é habitual vermos muitos outros guarda-redes da Primeira Liga o fazerem - foi isso que fez com que guarda-redes como Fabiano ou Bracalli saltassem para o FC Porto. Se garante alguma coisa para o FC Porto na época 2017-18, não garante, pois Iker Casillas tem a titularidade assegurada, salvo alguma eventual lesão.

Contrato até 2021
Quem não se lembra do muito criticado Fabiano, que foi só e apenas o guarda-redes menos batido das Ligas europeias na época 2014-15, e ainda assim não faltou quem lhe passasse o atestado de insuficiência para as balizas do FC Porto? O que Vaná fez no Feirense Fabiano fez no Olhanense, por exemplo. Agora, ser o guarda-redes menos batido das Ligas europeias (algo que se torna sempre mais fácil de alcançar quando há uma grande defesa à frente), isso já não é algo que se testemunhe frequentemente. 

Vaná é portanto uma contratação, não um reforço. E foi precisamente esta a premissa do post Contratações ou Reforços, feito há ano e meio que centrava outro nome implicado nesta contratação de Vaná: José Sá.

Conforme perspetivado, José Sá tem passado a sua estadia no FC Porto a conviver mais com o banco do que com a hipótese de jogar. Neste caso, não interessa o nome ser José, Miguel ou Artur: enquanto Iker Casillas estiver no FC Porto, o lugar será dele. E embora José Sá nunca tenha evidenciado ser um guarda-redes particularmente acima da média na sua geração, só terá hipóteses de evoluir jogando regularmente na próxima época. No FC Porto não o conseguirá, logo, a entrada de Vaná convida à sua saída, apesar de Sérgio Conceição não ter aberto o jogo quanto a isso. 

A baliza, no entanto, estará no fundo da lista de preocupações. Se Casillas renova por mais um ano, é para assegurar a titularidade ao longo da temporada. Há sempre o risco de uma lesão, mas já o havia o ano passado. Dentro de um ano a sucessão será provavelmente um tema de grande preocupação, mas para já o FC Porto volta a ter um nome que, desportivamente, dá garantias. 

Temos então a primeira e única contratação até ao momento, mas não é o mesmo que dizer que não há reforços. Há, e apesar de Vaná ser a única compra, o plantel não está de todo mais fragilizado do que o da temporada passada, que é o que por norma acontece quando o FC Porto começa a vender jogadores.

Entre os jogadores que caberiam nos planos para 2017-18 sem margem para dúvidas, destacam-se obviamente as saídas de Rúben Neves e André Silva. Rúben Neves, cuja operação já foi aqui descrita à melhor maneira de um prós e contras (que os há, sem dúvida), é um dos maiores talentos à escala mundial, mas dificilmente emergiria como primeira escolha para 2017-18, essencialmente devido à permanência de Danilo Pereira. Ainda que não haja uma alternativa ao nível de Rúben Neves, não é por aqui que o FC Porto, para o curto prazo, ficou fragilizado.

Quanto a André Silva, a venda ao AC Milan, por 38 milhões de euros, só é má se tivermos em conta que Pinto da Costa garantiu aos sócios que tinha rejeitado uma proposta de 60 milhões por ele. Se não fosse isso, seria uma venda bastante boa, próxima dos valores pelos quais foram saindo grandes avançados do FC Porto, como Falcao ou Jackson. André Silva poderia, sem dúvida, evoluir e render mais após mais uma época no FC Porto, mas dificilmente um jogador do futebol português se valoriza além da fasquia dos 40/45 milhões de euros. 

Desportivamente, e apesar de ter sido uma boa venda, o FC Porto perdeu um jogador importante, muitas vezes mais pelo trabalho que desenvolvia do que pelos golos que marcava. Mas objetivamente, André Silva fez 11 golos de bola corrida em 2016-17 no Campeonato. Ora, são números que um Aboubakar de cabeça limpa ultrapassa com facilidade. E se é certo que André Silva dava outras coisas ao FC Porto, Aboubakar também tem caraterísticas únicas no futebol português. 

Dois reforços sem ir ao mercado
Todos se recordarão que Aboubakar disse que não queria voltar ao FC Porto. São declarações que ninguém gosta de ouvir, mas que têm um contexto. Inicialmente, era suposto o Besiktas ficar com Aboubakar - só não o fez por causa do Fair-Play Financeiro da UEFA. Assim, o que tinha sido prometido ao jogador era que seria comprado no final do empréstimo. Não foi isso que aconteceu.

Além disso, é bom recordar que Aboubakar foi afastado do plantel do FC Porto por causa de um tal de Laurent Depoitre. Aboubakar ficou fora da lista da Champions de um dia para o outro, para que pudesse ser inscrito Depoitre. Então imaginem o ridículo quando se conclui que, na verdade, Depoitre nem sequer poderia ser inscrito para o play-off com a Roma. 

Aboubakar tem tudo para ser um reforço em toda a linha, mas há uma situação contratual para resolver o quanto antes. Nenhum jogador sub-30 do plantel principal deve iniciar uma época em final de contrato, sob pena de o ver assinar em janeiro por outro clube. Aboubakar é um jogador com mercado e potencial, tornando-se ainda mais apetecível por não haver CAN em 2018 a atrapalhar. Pelo dinheiro que renderia numa eventual transferência, o FC Porto não só dificilmente recuperaria o que já investiu em Aboubakar como não teria garantia nenhuma de ir buscar um avançado melhor ao mesmo preço.

Outro reforço, a todos os níveis, é também Ricardo Pereira, que torna Maxi Pereira num pequeno grande problema. No plantel, Maxi é um dos poucos jogadores que sabe o que é ser campeão, ainda que o tenha sido pelo rival. O seu espírito competitivo deixa-o em condições de fazer mais uma época, sem dificuldades, mas há que lembrar o quão raro e difícil é vermos um lateral de 33 anos no FC Porto. 

A um ano do final de contrato, que presente para Maxi Pereira? Ricardo dá todas as garantias para jogar a lateral-direito (tem a margem de progressão e a disponiblidade física para recuperar no corredor que Maxi já não tem), embora Sérgio Conceição já tenha deixado claro que tem também algumas expetativas sobre Ricardo numa zona mais adiantada. Seja qual o for o problema, ainda assim, Ricardo será parte da solução. 

Rafa vai ter mais dificuldades em jogar em 2017-18, tendo em conta que há várias opções para as laterais, mas é interessante traçar o paralelismo com os investimentos de 2011-12, quando o FC Porto investiu mais de 25 milhões de euros em Danilo e Alex Sandro; neste caso, já há dois laterais de presente e futuro que não implicaram nenhuma loucura.

Ainda na defesa, há Diego Reyes e Martins Indi, mas provavelmente só um ficará no FC Porto. Jogaram com regularidade na última época, mas aproximam-se do final de contrato, implicaram investimentos caros (no caso de Reyes, há ainda o problema de o seu passe ter sido partilhado, desde o início, com uma offshore de Pini Zahavi) e por isso quem ficar tem que renovar. Em cada um deles há um problema no seu perfil enquanto central: Diego Reyes, sendo ectomorfo, continua a ter dificuldades na dimensão física, mas continua a ter um punhado de caraterísticas que podem fazer dele um belíssimo central; no caso de Martins Indi, tem um grande problema no jogo aéreo, a única coisa a limitá-lo enquanto central. Cabe a Sérgio Conceição e às oportunidades de mercado decidir quem fica. 

Entre os recuperados para o plantel principal, destaque ainda para três nomes: Sérgio Oliveira, Mikel Agu e Hernâni. Sérgio Oliveira foi treinado por Sérgio Conceição no Nantes, mas não foi uma única vez titular com ele, tendo jogado apenas 109 minutos na Liga francesa, apesar de só não ter sido convocado para 3 jornadas. Se Sérgio Conceição não viu grande espaço para Sérgio Oliveira no Nantes, dificilmente acontecerá no FC Porto, tornando-o um forte candidato a ser vítima da sobrelotação do meio-campo. 

Mikel anda a trabalhar perto do plantel principal do FC Porto desde os tempos de Jesualdo Ferreira e é um dos jogadores oriundos da formação que mais oportunidades - e contratos - tem tido (melhor só mesmo Abdoulaye, emprestado pela 8ª vez - mais 7 ou 8 empréstimos e fica no ponto para ser opção no FC Porto). Após uma má experiência na Bélgica, jogou com regularidade em Setúbal, a médio defensivo, ele que curiosamente fez os seus melhores jogos pelo FC Porto B quando jogou a central. Veremos se ficará no plantel, embora pouco leve a crer que possa ser mais do que a sombra de Danilo e que encontre algum espaço nas Taças. A seu favor, o facto de poder ser inscrito na lista A da UEFA como jogador da formação. 

Sobra Hernâni, que nunca revelou créditos para ser opção no FC Porto, para além do trunfo que é a sua velocidade. Fez uma boa época em Guimarães, mas não é jogador para ultrapassar o campo da rotatividade e da utilidade em alguns jogos no FC Porto; sem ter estofo para ser opção regular no 11 inicial, cabe ao FC Porto estudar uma solução de mercado que garanta dois jogadores - um extremo com qualidade para entrar no 11 e «puxar» o melhor de Corona, Brahimi ou até Otávio e mais um ponta-de-lança, sobretudo se o 4x4x2 for para manter. Dois jogadores que hão-de chegar, de preferência dentro das próximas duas jornadas, pois a sua necessidade é clara. Tanto quanto o facto de nem valer a pena andarmos a tentar enganar alguém com Marega.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Um salto ao México

É muito difícil encontrar jogadores mexicanos que se afirmem em grandes clubes europeus. Há sempre algum fogo de vista, com exemplos que vão de Chicharito a Giovani dos Santos, mas são poucos os jogadores mexicanos na Europa que têm conseguido manter um nível alto ano após ano.

No FC Porto, Héctor Herrera tem sido por vezes um exemplo de alguma inconsistência, apesar de na época 2014-15 ter sido dos melhores jogadores da equipa e de estar agora, em 2016, a recuperar a boa forma e a influência na equipa. Diego Reyes não se conseguiu afirmar no FC Porto nas duas primeiras épocas. Agora está na Real Sociedad, onde recuperou a titularidade perdida no final de 2015. Jesús Corona está a ter as dificuldades de adaptação típicas de um primeiro ano no FC Porto, com troca de treinadores e modelo de jogo pelo meio. Já Layún tem sido provavelmente o jogador mexicano em melhor forma na Europa em 2015-16, talvez a par de Chicharito.

É difícil o jogador mexicano brilhar ao mais alto nível na Europa, mas o FC Porto acredita muito no seu potencial. E isso está refletido nos investimentos que foram feitos nos últimos anos. E após terem sido leakados mais pormenores do contrato de Reyes (que não eram novidade, antes confirmação) e das suspeitas (independentemente de alheias ao FC Porto) lançadas no México, oportunidade para (re)ver as condições contratuais que trouxeram os últimos mexicanos para o FC Porto.

Herrera e Reyes foram contratados no exercício de 2012-13, apesar de só terem sido reforços para 2013-14. Herrera, por 80% do passe, custou 8M€, mais 1M€ de encargos; Reyes, por 95% do passe, custou 7M€, mais 2,092M€ de encargos; a SAD procedeu de imediato à alienação de 47,5% do passe por 3,5M€ à Gol Football Luxembourg, uma offshore de Pini Zahavi (que ganhou 6,2M€ com a compra e revenda de 35% do passe de James Rodríguez em 2013 - inicialmente o FC Porto tinha gastado 5,1M€ em 70% do passe e a GFL tinha comprado 35% por 2,55M€).

Isto é, por Reyes e Herrera existiram encargos de 3,092M€. Estes encargos podem incluir diversas coisas, como prémio de assinatura, direitos de imagem ou comissões. As quantias não são discriminadas, mas a SAD, no R&C de 2013-14, acrescentou esta informação:


Com a divulgação dos contratos de Reyes e Herrera, há vários pormenores que constituem novidade. 

O negócio Herrera
Em 2013-14, Herrera fez o número de jogos suficiente para que a SAD fosse obrigada a comprar mais 10% do seu passe ao Pachuca por 1,5M€; a SAD continuou a ter 80% de Herrera. Em 2014-15, Herrera fez o número de jogos suficiente para a SAD fosse obrigada a comprar mais 10% por mais 1,5M€. Ou seja, a totalidade do passe de Herrera ficaria por 11M€. Mas a SAD continua a declarar deter 80%.

Numa carta complementar ao negócio com o Pachuca, as partes acordaram que «20M€ seria um excelente preço para considerar uma venda futura», sendo que a cláusula de rescisão de Herrera era de 30M€. E aqui já é referido que a compra dos restantes 20% em relação ao Pachuca não eram obrigatórios, mas sim uma opção. O acordo terá mudado, com uma condição: se o FC Porto rejeitasse mais de 20M€ por Herrera, o FC Porto teria que pagar o valor proporcional pelos restantes 20%. Neste caso, esta mudança foi vantajosa para o FC Porto.

As comissões para a transferência de Herrera terão sido surpreendentemente baixas. Há apenas referência a um pagamento de 300 mil euros (a 4 prestações) a Nicholas Blair, tendo como referência 10% da remuneração anual de Herrera. A FIFA passou ter como referência 3% da remuneração líquida como comissão, mas nenhum clube está a seguir esta prática - que tecnicamente seria uma regra, não uma recomendação, mas a FIFA parece ter criado a regra para a meter na gaveta. 

Em outubro último, aí sim, grandes novidades sobre Herrera, com o pedido de empréstimo de 5M€ à For Gool, uma empresa de Teodoro Fonseca (que controla o Portimonense e detém o passe de Gleison, que convenientemente já está a ser chamado de novo Hulk antes de o FC Porto comprar o seu passe - já tinham feito o mesmo com Ismael Díaz, e no site oficial do FC Porto está escrito que Marega «tem caraterísticas físicas e técnicas que fazem lembrar Hulk»; padrão interessante para valorizar os jogadores).

O acordo era complexo. Se Herrera, o que acabou por acontecer, ficasse no clube, a taxa de reembolso era de 5%. Bem aceitável. Se Herrera fosse vendido à margem da For Gool, subia para 9%; e se fosse a For Gool a tratar da saída, a percentagem seria de 10% da venda. Ou seja, na eventualidade de Herrera sair por 30M€ (o valor da procuração para vender o jogador), a For Goal recebia 3M€ - 60% do valor que emprestou ao FC Porto. Ter uma proposta de 30M€ por Herrera seria de facto muito bom, certamente. Jorge Mendes também cobra comissões de 10% como referência. Mas isto não é uma mera comissão: é uma taxa de empréstimo. E seria de 60%. Tendo em conta que o FC Porto paga uma taxa de juro média anual de 5,02%...

Um negócio em dupla
Depois de Herrera, Reyes, que esteve em destaque nos últimos dias por causa das ligações que foram feitas a um cartel mexicano. É um assunto que pode não ser afeto diretamente ao FC Porto, mas Matías Bunge, representante do Grupo Comercializador Cónclave (ligado ao cartel de Juárez), já se identificou na imprensa com sendo empresário de Diego Reyes, Héctor Herrera e Jesús Corona. Confirmando-se quaisquer tipo de irregularidades, o FC Porto não pode voltar a negociar com este agente, nem com quaisquer parceiros afetos ao tema. Um clube só é tão transparente quanto os parceiros que escolhe para negociar. À mulher de César não basta ser...

No caso de Corona, já tinha sido noticiado que custou 1,25M€ em comissões: 500 mil euros para a Northfields Sports (ligada a Marcelo Simonian) e 750 mil euros, a três tranches, para a «Cantera Latina». O que é a Cantera Latina? Precisamente uma empresa de Matías Bunge, em Barcelona, registada junto da Federação Espanhola. 

No caso de Reyes, a imprensa pegou nas informações do Football Leaks e falou numa comissão de 700 mil euros a Matías Bunge, ou seja, os 10% dos 7M€ por 95% do passe. Mas é bom lembrar que o FC Porto alienou 47,5% do passe. Entretanto Matías Bunge pode ganhar mais 200 mil euros, em caso de renovação de contrato, e mais 300 mil pela transferência para outro clube. Dá 1,2M€ no total.

Mas curiosamente, no documento de 12 de dezembro de 2012 que tinha sido divulgado, estas condições já estavam todas pré-definidas, mas estava ainda prevista uma mais-valia de 10% para o agente. Não se sabe se a mesma continua aplicável ou se terá sido rejeitada. 

O mais curioso é que o Football Leaks tenha divulgado agora os pormenores relacionados com a Conclave, quando em 2015 já o tinha feito, na altura mostrando ainda um contrato com o empresário Ricardo Rivera (em representação da Northfields Sports) que carecia de assinaturas. O mesmo previa uma comissão de 500 mil euros e uma mais-valia de 10% acima dos 8M€. 

Curiosamente, 500 mil euros já tinha sido quanto a Northfields Sports lucrou por Corona. E é difícil crer que a SAD se tenha disponibilizado a pagar duas comissões aos mesmos protagonistas por dois jogadores diferentes. Os tempos em que só se pagava comissões no momento da venda já vão distantes, mas pagar comissões a dobrar num só ato de compra (uma no contrato do jogador, outra no contrato entre os clubes) é um ato de audaz modernismo.

Com as suspeitas a envolver os mencionados intervenientes num esquema de lavagem de dinheiro no México, nada mais é de esperar que o FC Porto apure toda a transparência dos envolvidos. Sobretudo quando o presidente do FC Porto afirmou, em outubro, que quer continuar a apostar no mercado mexicano. E de preferência, reservar as comissões altas para o momento em que os empresários oferecem boas propostas de venda ao FC Porto, não no momento da compra, na qual qualquer sujeito pode surgir no papel de intermediário; já para arranjar propostas para vender jogadores por 30M€ ou mais, não é qualquer um que o faz. Prova disso é que ainda não vimos nenhuma boa proposta trazida por estes agentes, mas para a intermediação no momento da compra receberam confiança redobrada. É caso para dizer: têm que ser mesmo bons empresários, que vão dar muito dinheiro ao FC Porto.


PS: O Dragões Diário, o órgão independente do FC Porto que só escreve o que os superiores do FC Porto mandam (foram os próprios a admiti-lo, por mais confuso que possa parecer), deu-nos a conhecer que Vítor Baía errou numa das suas análises, ao dizer que Bruno Alves e Meireles tinham saído após Dublin. É a segunda gafe de Vítor Baía, um dos muitos comentadores em espaço televisivo, e o Dragões Diário, entre todas as Guerras que poderia comprar, escolheu Vítor Baía. Ao segundo erro, não perdoaram, mais parecendo que Vítor Baía era tratado não como alguém que cometeu uma gralha, mas sim como um inimigo.

O rigor e os factos são importantes, e Vítor Baía errou. Que tem isso a ver com o FC Porto? Nada. Está no seu programa a título pessoal, e de certeza que não está no topo daqueles que mais disparates sobre o FC Porto dizem. Mas ao errar no espaço de um ano (Bruno Alves e Meireles saíram em 2010, não em 2011), Vítor Baía teve honras de críticas oficiais do FC Porto. É caso para dizer: cuidado, José Peseiro, que ao próximo erro estás completamente tramado. Peseiro disse que Herrera, capitão do FC Porto, está «há ano e meio no clube». Na verdade está há dois e meio, quase três. E como para o Dragões Diário não é admissível falhar num espaço temporal de um ano, à próxima falha Peseiro pode muito bem ser o próximo visado.

Felizmente, a maioria dos portistas já não se está está a rever neste registo, e são cada vez mais os que cancelam a subscrição do Dragões Diário, o que devia ser um alerta para reverem o serviço que prestam. Vai aparentando que há mais pessoas a precisar do Dragões Diário do que o FC Porto. O Dragões Diário já cometeu imensas gralhas, muito mais graves do que as de Vítor Baía; a diferença é que Baía faz o que quer a título pessoal, não está em representação oficial do FC Porto. Provavelmente nunca exercerá um cargo de grande importância no FC Porto, pois, opinião, nunca aparentou ter o perfil para isso (se quiser que prove o contrário). Mas é isso que mais surpreende: se um Vítor Baía (por mais ou menos gralhas que cometa, por melhor ou pior gestor que seja, ninguém duvida que só quer o melhor para o FC Porto e que o clube retome o rumo das vitórias) já causa tanta comichão, então há demasiada inquietação e falta de confiança no FC Porto.

PS2: A propósito dos jogadores mexicanos e da desejada compra de Layún, refira-se que o FC Porto tem até 30 de junho para comprar Layún, pagando 3M€ no momento em que exerce a opção de compra e mais 3M€ a 31 de julho. Se deixar passar estes prazos, terá que negociar a compra com o Watford, leia-se, com Giampaolo Pozzo. O FC Porto pagou 500 mil euros pelo empréstimo de um ano. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Análise 2014-15: os centrais

Foi porventura um dos sectores mais criticados e instáveis da época. O que mostra o quão estranho pode ser o futebol. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, com uma forma de comunicar com a linha defensiva completamente diferente da de Helton. E mesmo sob todas estas condicionantes, acabou a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias, com apenas 13 golos sofridos.

Quando ser o melhor não
chega para (con)vencer
Houve vários erros defensivos ao longo da época? Sim. Mas era possível fazer melhor? Talvez até fosse, mas a estatística diz que ninguém foi melhor do que nós. Mas houve de facto um problema, que não tem que ver necessariamente com a forma de defender, mas com a forma de atacar com a defesa.

E regressamos ao ponto mais criticado da época: às bolas paradas. Só fizemos 3 ou 4 golos, em toda a época, de bola batida para a grande área, num livre ou num canto, e alguém a cabecear ou desviar para golo. Se repararmos nos números ofensivos da nossa defesa, Danilo está acima de tudo, com 7 golos. Mas Alex Sandro, em 40 jogos, só fez um golo. Martins Indi, em 37, fez dois. E Maicon (39 jogos) e Marcano (32) não fizeram nenhum golo em toda a época. Como é claro, não podemos culpar nenhuma perda de pontos por um defesa não marcar golos. Mas talvez fosse isso que faltava para não perder alguns pontos decisivos. Se compararmos com o rival, Maxi fez 5 golos e Luisão, Jardel e Eliseu fizeram 4 cada um. 

Em termos defensivos, a equipa foi do melhor que há na Europa. Mas a nossa defesa fez poucos golos. Mesmo contando com o número acima da média de Danilo, em 2014-15 os nossos defesas só fizeram 10 golos. A última vez que tivemos uma defesa a marcar tão pouco foi em 2007-08, mas provavelmente nunca ganhámos um título com tão fraca concorrência como nesse ano. Por isso, Lopetegui e a sua equipa técnica (que pode perfeitamente subtrair e somar para melhorar) têm que fazer com que o FC Porto melhore nas bolas paradas. Defensivamente, é impossível pedir mais, pois já somos os melhores da Europa. Mas há muito por melhorar no sector, não só nas bolas paradas ofensivas, mas como no envolvimento dos centrais na construção de jogo. Vamos à análise, um por um.

Maicon - É o segundo mais antigo do plantel, perfeitamente identificado com o FC Porto. Foi o central mais utilizado por Lopetegui e, tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, é um elemento de valor. Não está ao nível dos grandes centrais projetados pelo FC Porto em vendas milionárias, nem voltou a atingir o nível a que jogou com Vítor Pereira, mas justifica a presença e continuidade no plantel. Mas há um problema: apenas mais dois anos de contrato. Como deixar um jogador a um ano de fim de contrato dá quase sempre mau resultado, sobretudo um com 26/27 anos, a sua situação contratual/negocial deve ser revista, isto sempre tendo em conta os planos que Lopetegui tenha para 2015-16.

Indi - À partida, no início da época, era visto como o melhor central do FC Porto. Experiência internacional, cotação no mercado, mas não a melhor das escolas (a Holanda não é propriamente a mais rica em defesas-centrais). Mas nunca podemos pensar apenas num central. Temos que pensar numa dupla. O facto de ser esquerdino não é problema nenhum, pois se dois destros podem jogar juntos, dois canhotos também. É tudo uma questão de rotinas. Mas de facto Maicon e Marcano, a determinada fase da época, complementavam-se muito melhor. Indi é agressivo, forte, rápido, competente no primeiro passe, mas no jogo aéreo deixa a desejar. Tem tudo para melhorar. É para manter, não esquecendo que há um investimento alto a rentabilizar.

Iván Marcano - Uma das melhores surpresas da época. Face à lamentável saída de Rolando, que teria sido muito útil ao FC Porto esta época, foi uma solução interessantíssima. Alto, forte no jogo aéreo, bom na antecipação, bom na construção e leitura de jogo, inteligente e seguro. Não mostra os dentes (é que nem os da frente), poucas vezes sorri, mas é um profissional sério e exemplar, e um elemento que merece entrar em 2015-16 como titular, depois de uma primeira época de adaptação a uma realidade diferente. Ri-te, Marcano, porque gostamos de ti. 

Diego Reyes - Ainda não tinha chegado e já tinha metade do passe alienado. uma vez que foi uma aposta da SAD e não um pedido do treinador (no caso Vítor Pereira) para entrar a curto/médio prazo na equipa. Que tinha potencial, tinha, e tem. Para valer 7€, seguramente não. Sobretudo porque não podemos potenciar/aproveitar a qualidade técnica/tática de um jogador que ainda nem sequer está formado fisicamente (é impossível vingar a nível europeu sendo tão magro). Tal como há 2 anos se dizia, precisa de ganhar massa muscular e precisa de jogar com regularidade. 2014-15 foi uma época deitada fora na sua evolução. Dificilmente vai entrar em 2015-16 como titular ou sequer primeira alternativa, logo deve ser emprestado para que a sua evolução prossiga (ou comece, finalmente). Ter um central de 7M€ que, na sua segunda época, jogou mais na equipa B do que na A é um sinal de que a coisa não está a correr como devia. Reyes é bom miúdo, com vontade de trabalhar e singrar no FC Porto, mas vai precisar forçosamente de jogar com muita regularidade na próxima época. E de ferro, muito ferro! Não esquecendo que, havendo ainda Reyes por evoluir/rentabilizar, a SAD terá que ponderar muito bem no momento de contratar mais um jovem central, com o reconhecimento do treinador.

Os bês - O passe de Lichnovsky já foi reduzido a 55%, o que significa que alguém acredita muito no seu potencial. E tem razões para isso. Já está perfeitamente preparado para ser titular numa equipa de primeira liga, com toda a naturalidade, e faz todo o sentido que assim o seja, embora haja alguma falta de centrais nos nossos quadros. Zé António devia sair, pois não faz o menor sentido ter um homem de 38 anos a jogar numa equipa B e a tapar lugar para um jovem. Diego Carlos, mesmo sendo ainda jovem, foi mostrando por que é que o Estoril não o queria. De Siemann pouco ou nada se viu. Para a próxima época Malthe e Verdasca já terão idade senior e podem e devem ser opção regular na B. Poderíamos falar de Podstawski, mas a maioria concordará que a 6 será melhor.

Pergunta(s): Qual deve ser a dupla titular no início da próxima época? Que papel para Reyes em 2015-16? Há necessidade de contratar um novo central? Quem?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Trânsito nos dois sentidos

Já lá vão três semanas de mercado. Opare (Besiktas) e Kelvin (Palmeiras) já saíram. Ricardo, o guarda-redes, vai pelo mesmo sentido. Da equipa B Candé, Djim (Freamunde), Tiago Rodrigues (Nacional) e Kayembe (Arouca) também foram à procura de tempo de jogo noutros patamares. Janeiro vinha sendo aproveitado para emagrecer o plantel, mas o trânsito vai acabar por surgir nos dois sentidos.

O FC Porto já perdeu 4 das soluções que tinha para jogar nas alas. Como? Óliver Torres afirmou-se no miolo. Ricardo Pereira passa de vez a lateral com o empréstimo de Opare. Kelvin saiu por empréstimo. E Ádrian López vai estar afastado dos relvados pelo menos até Março.

Ádrian só em Março
Brahimi e Aboubakar vão estar na CAN até ao início de Fevereiro, na melhor das hipóteses. Quem sobra para as alas? Cristian Tello e Quaresma. Há Quintero, que pode jogar a partir dessa posição (a partir de, não em, que são coisas diferentes), e Otávio é uma aposta de futuro da SAD e dificilmente de presente para Lopetegui.

Sobra a equipa B. Ivo Rodrigues e Gonçalo Paciência já deram um primeiro passo para subir de patamar. E Gonçalo é mesmo, neste momento, a única alternativa a Jackson Martínez. Da mesma forma que Ivo, que até está lesionado, é a única alternativa de raiz a Tello e Quaresma nesta altura. A alternativa chama-se Ricardo Pereira, motivo pelo qual Victor Garcia passou a trabalhar com o plantel principal, para ser alternativa a Danilo e soltar Ricardo no corredor.

A lesão de Ádrian López foi um revés. Não pelo que o jogador era, mas por aquilo que poderia passar a ser. Com a paragem até Março, Ricardo Pereira, Ivo Rodrigues e Gonçalo Paciência (há André Silva, mas precisa da titularidade na B primeiro), além de Quintero, são forçosamente as alternativas ao 11. Não é de todo uma coisa má, pelo contrário. Um misto de circunstâncias desfavoráveis, mas que permitem e bem que jovens valores se revelem. De qualquer forma, abriu-se a porta para a SAD contratar mais um atacante no mercado até ao fim do mês.

Tendo em conta que no mercado de Inverno a ideia é melhorar de imediato a equipa, não faz sentido apostar na contratação de jovens valores que necessitam de tempo de adaptação e evolução. Um Adriano, um Janko, até mesmo um Izmaylov (sem problemas físicos), jogadores que possem chegar e jogar. A dicotomia é perceber se será possível encontrar um nome que possa, simultaneamente, acrescentar qualidade no curto prazo à equipa e que possa dar algo mais do que os jovens que estão na sombra. O princípio básico da equipa B devia ser ocupar as vagas da equipa A.

Mas importa lembrar que os bês vão ter mais 23 jornadas da segunda liga, com vários jogos à quarta-feira, além da International Cup. Seria bom apostar na promoção dos Sub-19, mas com o início da segunda fase faz sentido que Folha mantenha os melhores jogadores às suas ordens, ainda de olho num brilharete na Champions de juniores. O cobertor fica curto.

Apela-se por isso ao tal toque de midas nesta janela de mercado, onde além da contratação de um atacante há mais uma incógnita para resolver: a situação de Reyes. Em Braga tinha a oportunidade para ganhar o lugar, mas mais rapidamente assinou a dispensa.
Não será Reyes a
ser substituído

De recordar que Reyes foi contratado em Dezembro de 2012, dois meses depois de anunciado um prejuízo de 35,7 milhões de euros na época anterior. Negociar com um euro no bolso é uma arte, empurrar com a barriga nem tanto. No caso de Reyes houve uma grande aposta de futuro por parte da SAD, até porque na altura tínhamos como centrais Maicon, Otamendi, Mangala, Rolando e até Abdoulaye e Sereno. Não havia carência nos quadros.

Foi uma jogada de antecipação, tanto que antes de vir já estava alienado, com 47,5% à muito falada e pouco conhecida Gol Football Luxembourg, por 3,5 milhões de euros. Metade do preço de Reyes, que custou 7 milhões de euros por 95% (se quiserem dizer 9, então passem a incluir as comissões/encargos/prémios de assinaturas em todos os jogadores, para não haver incoerência). Como a partilha de risco é um mito e caso os negócios corram mal os fundos têm que ser indemnizados, não há apenas pressão desportiva sobre Reyes. Há também financeira.

Continuo a confiar no potencial do jogador. A questão é que nos últimos 18 meses pouco ou nada evoluiu, mas também porque poucas oportunidades teve para ter continuidade no 11. Mas há o paradoxo: Reyes comete erros porque não joga mais ou não joga mais porque comete erros? O empréstimo é a solução ideal para o jogador.

Então chegando à altura de empresar Reyes, é necessário ir ao mercado contratar um central? Se é por causa de Reyes... não. Ao emprestar Reyes, o FC Porto estará a ceder o seu 4º central. Então continuaria a ter Maicon, Indi e Marcano, além de Lichnovsky promovido a 4º central. O problema estava resolvido, não fosse a equipa B ficar com carência entre os seus centrais. Por outro lado, são poucas as oportunidades em que o 4º central tem oportunidade de jogar (Reyes que o diga), por isso Lich continuaria maioritariamente a jogar pela B.

Por isso, se a possível saída de Reyes implica uma ida ao mercado, não significa que Lopetegui está insatisfeito com Reyes. Significa sim que não está satisfeito com o rendimento de Maicon e/ou Marcano nas duplas com Martins Indi e que prefere melhorar já a dupla de centrais titulares. Mas então surge de imediato o problema anterior: haverá possibilidades no mercado para contratar um central para chegar e pegar logo na equipa, quando o central de 7 milhões ainda não serve?

O mercado fecha a 2 de Fevereiro. E como manda a tradição, tem tudo para começarmos a estar atentos ao F5. Falta saber com que necessidade e a que preço.