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| (Em)préstimos de grande valia |
Em relação à última época, Herrera e Quintero foram os únicos médios que se mantiveram no plantel. Para uma equipa que sofre tão profundas alterações no coração da equipa, é necessário tempo. Tempo para os novos jogadores se adaptarem, para conhecerem mutuamente as respetivas caraterísticas, para assimilarem o modelo de jogo. Manteve-se o que vem sendo tradicional: o FC Porto tem sempre a equipa com maior percentagem de posse de bola e maior acerto no passe (média de top5 na Liga dos Campeões), mas todos repararam que, a nível interno, faltou alguma verticalidade. Por outras palavras, fazer em 12 passes ou 15 segundos o que muitas vezes fazemos em 25 passes ou 40 segundos.
Somos uma equipa de ataque planeado, de posse, há vários anos. Vamos continuar a ser. Mas há que ter a capacidade e compreensão de que muitas vezes, no campeonato português, será necessário um pouco mais de pulmão e velocidade e um pouco menos de cabeça e calma. Lopetegui, ao ficar no FC Porto, tem que ter aprendido isto. Destacar o 3º médio para um papel mais criativo e desequilibrador e evitar que o 2º médio tenha que baixar para a primeira linha de construção são alguns dos pontos a rever. Mas como este setor ainda vai sofrer várias alterações, para já avaliemos o que foi 2014-15.
Rúben Neves - A grande vitória de Lopetegui. Fazer de um juvenil titular na equipa A do FC Porto mostra que em termos de aproveitamento de talentos nos sub-19 e na equipa B há muita gente a dormir (até Paulo Fonseca já tinha chamado Rúben Neves a treinar com a equipa A - coisa que ninguém nos juniores ou na B foi capaz de fazer). É presente e futuro para o FC Porto. Deverá renovar em breve, pois até completar os 18 anos não podia assinar um contrato de longa duração. Temos em mãos um dos jogadores mais promissores à escala mundial. E portista dos pés à cabeça. Pés com muito talento, cabeça com muito juízo, e coração com grande dedicação. Um digno Dragão de Ouro para esta época.
Casemiro - Foi do 8 ao 80. Começou a época com exibições penosas, mas continuou a merecer a confiança de Lopetegui e sempre teve boa imprensa, não só por cá como em Espanha. Chegava a ser desesperante vê-lo a falhar o mais simples dos passes. Na segunda metade da época, tornou-se simplesmente imprescindível. Qualidade, profissionalismo e dedicação em doses certas. Ajudou a fazer uma boa campanha na Champions, valorizou-se e ainda permitiu ao FC Porto fazer um grande encaixe financeiro, num negócio que motiva todos os elogios à SAD. Afinal, também é possível tirar proveitos financeiros, e não apenas desportivos, com jogadores emprestados. Não deve haver muitos exemplos de um clube que lucrou mais de 6M€ com um jogador que esteve emprestado.
Evandro - Chega com um ano de atraso, pois Paulo Fonseca já o tinha pedido (e que jeito teria dado enquanto ninguém se entendia entre Defour, Herrera e Carlos Eduardo há um ano). Investimento significativo para a idade (afinal vai fazer já 29 anos), mas que valeu a pena. Comparação claramente ousada, mas a fazer lembrar o papel de Alenichev, o de um 12º jogador de luxo. É preciso velocidade? Mete o Evandro. É preciso manter a bola? Mete o Evandro. É preciso reorganizar a equipa? Mete o Evandro. Médio completo e apto para todas as funções. Justifica a continuidade no plantel.
Campaña - Não era primeira, nem segunda, nem terceira escolhas. Lopetegui quis Clasie, quis Ñíguez, quis Darder, e não foi possível chegar a nenhum. Em cima do gongo apareceu Campaña, por empréstimo. Quando o vimos em campo, raramente desgostámos. Aquele olhar de serial killer mete qualquer adversário em sentido. Tem escola, sabe tratar a bola, é agressivo, mas não conseguiu ter grande relevância e espaço no plantel. Resta saber se por culpa da concorrência, se por insatisfação de Lopetegui ou também por culpa do jogador. Negociar a compra só faz sentido se for para ter um papel mais ativo na próxima época. Para só fazer 2 jogos no campeonato, não vale a pena.
Herrera - Casemiro foi do 8 ou 80 a meio da época. Herrera vai do 8 ao 80 de um jogo para o outro, mas ao longo da época foram bem mais os 80s do que o resto. Melhorou muito na precisão do passe, embora continue a nem sempre tomar as melhores decisões (momento de soltar a bola, passe de primeira), mas é sempre o jogador que mais corre, deixa sempre tudo em campo, fez alguns golos importantes e valorizou-se para um patamar acima do que o que o FC Porto investiu nele. Tem mais dois anos de contrato, o que para um jogador caro leva a que a sua situação seja revista. Serve de garantia num empréstimo com a célebre e quase obscura (na medida em que pouco se conhece) For Cool Co Ltd (envolvida em negócios com Walter e Hulk, mas de quem quase nada se sabe publicamente), com um método de reembolso que não é esclarecido pela SAD. Significa que interessará manter Herrera com uma valorização alta, com vista a uma transferência, nunca abaixo dos 20M€. Ficando no plantel, é natural que se mantenha como primeira escolha para o meio-campo.
Óliver - O menino que ninguém queria e que agora todos querem de volta. Como Deco, não corre, desliza pelo campo. Foi a sua primeira época como titular numa grande equipa, e o início não podia ter sido mais promissor. O regresso ao FC Porto será sempre uma porta entreaberta, que dependerá da avaliação que Simeone fizer dele. Ter um jogador assim melhora qualquer equipa, e em 2015-16 fá-lo-ia muito mais. Óliver Torres mostrou, também, que nem só 10 anos de casa fazem um jogador à Porto: às vezes a mística já nasce com eles. Só precisa do sítio certa para se revelar. Serás sempre um dos nossos, Óliver.
Quintero - O caso mais discutido ao longo da época. Quando a bola lhe chega ao pé, ganha olhos e constroem-se mil possibilidades. Fora disso, Quintero ao fim de 30 minutos já está rebentado, é lento e não sabe jogar sem bola. Num 4x3x3, não há médio assim que se safe num clube de topo. Ao fim de 2 anos, pouco ou nada evoluiu. E a SAD assumiu o investimento de mais 4,5M€ no seu passe, mesmo sem que Quintero fosse um indiscutível para Lopetegui. O natural seria Quintero entrar na próxima época como titular, mas pouco fez para justificar isso. Ter talento não chega e Quintero tem sido a maior prova disso. Ou se assume como opção para 2015-16 (e isso depende mais do próprio Quintero do que de Lopetegui) ou é tempo de recuperar o investimento.Os bês - É difícil avaliar em pleno o rendimento de uma equipa B quando não há treinador que a saiba potenciar/fazer evoluir. A insistência de Luís Castro em formar um trio de meio-campo com 3 jogadores de características mais defensivas em simultâneo prejudicou equipa e jogadores. Mas tentemos. Mikel não jogou esta época, por lesão, mas muito dificilmente entraria nas opções de Lopetegui, pelo que um empréstimo a um clube de primeira liga é o ideal. Chico Ramos, já com contrato renovado, faz uma boa época, tornando-se já um indiscutível na B no seu primeiro ano de sénior. Tomás Podstawski, melhor a 6 do que a central, também tem um bom primeiro ano de sénior. Para segurar, obviamente. João Graça demorou a entrar na equipa e teve pouco espaço, mas mais por culpa do meio-campo altamente conservador de Luís Castro do que por falta de talento. O mesmo podemos dizer de Pité, a um nível baixo face ao que prometia no Beira-Mar, mas também algo lento e ainda com pouca intensidade (precisa de mais tempo de jogo). Já Pavlovski tornou-se um mistério: todos sabem que é bom jogador, mas Luís Castro raramente lhe deu continuidade. O FC Porto deveria comprá-lo, mas sem loucuras à Kayembé. E há ainda Leandro Silva, que foi subindo na formação como uma espécie de 12º jogador, mas já tem longo percurso nas seleções e assumiu-se como o patrão do meio-campo. O ideal seria rodar numa primeira liga, sobretudo aproveitando a projeção que teve em Inglaterra.
Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios da época? Que futuro para Campaña e Quintero? Herrera deve continuar ou ser negociado - por que preço? Qual seria o trio ideal para 2015-16 (com potencial contratação à mistura)?









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