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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Análise 2014-15: os médios

(Em)préstimos de grande valia
Em relação à última época, Herrera e Quintero foram os únicos médios que se mantiveram no plantel. Para uma equipa que sofre tão profundas alterações no coração da equipa, é necessário tempo. Tempo para os novos jogadores se adaptarem, para conhecerem mutuamente as respetivas caraterísticas, para assimilarem o modelo de jogo. Manteve-se o que vem sendo tradicional: o FC Porto tem sempre a equipa com maior percentagem de posse de bola e maior acerto no passe (média de top5 na Liga dos Campeões), mas todos repararam que, a nível interno, faltou alguma verticalidade. Por outras palavras, fazer em 12 passes ou 15 segundos o que muitas vezes fazemos em 25 passes ou 40 segundos. 

Somos uma equipa de ataque planeado, de posse, há vários anos. Vamos continuar a ser. Mas há que ter a capacidade e compreensão de que muitas vezes, no campeonato português, será necessário um pouco mais de pulmão e velocidade e um pouco menos de cabeça e calma. Lopetegui, ao ficar no FC Porto, tem que ter aprendido isto. Destacar o 3º médio para um papel mais criativo e desequilibrador e evitar que o 2º médio tenha que baixar para a primeira linha de construção são alguns dos pontos a rever. Mas como este setor ainda vai sofrer várias alterações, para já avaliemos o que foi 2014-15.

Rúben Neves - A grande vitória de Lopetegui. Fazer de um juvenil titular na equipa A do FC Porto mostra que em termos de aproveitamento de talentos nos sub-19 e na equipa B há muita gente a dormir (até Paulo Fonseca já tinha chamado Rúben Neves a treinar com a equipa A - coisa que ninguém nos juniores ou na B foi capaz de fazer). É presente e futuro para o FC Porto. Deverá renovar em breve, pois até completar os 18 anos não podia assinar um contrato de longa duração. Temos em mãos um dos jogadores mais promissores à escala mundial. E portista dos pés à cabeça. Pés com muito talento, cabeça com muito juízo, e coração com grande dedicação. Um digno Dragão de Ouro para esta época.

Casemiro - Foi do 8 ao 80. Começou a época com exibições penosas, mas continuou a merecer a confiança de Lopetegui e sempre teve boa imprensa, não só por cá como em Espanha. Chegava a ser desesperante vê-lo a falhar o mais simples dos passes. Na segunda metade da época, tornou-se simplesmente imprescindível. Qualidade, profissionalismo e dedicação em doses certas. Ajudou a fazer uma boa campanha na Champions, valorizou-se e ainda permitiu ao FC Porto fazer um grande encaixe financeiro, num negócio que motiva todos os elogios à SAD. Afinal, também é possível tirar proveitos financeiros, e não apenas desportivos, com jogadores emprestados. Não deve haver muitos exemplos de um clube que lucrou mais de 6M€ com um jogador que esteve emprestado. 

Evandro - Chega com um ano de atraso, pois Paulo Fonseca já o tinha pedido (e que jeito teria dado enquanto ninguém se entendia entre Defour, Herrera e Carlos Eduardo há um ano). Investimento significativo para a idade (afinal vai fazer já 29 anos), mas que valeu a pena. Comparação claramente ousada, mas a fazer lembrar o papel de Alenichev, o de um 12º jogador de luxo. É preciso velocidade? Mete o Evandro. É preciso manter a bola? Mete o Evandro. É preciso reorganizar a equipa? Mete o Evandro. Médio completo e apto para todas as funções. Justifica a continuidade no plantel. 

Campaña - Não era primeira, nem segunda, nem terceira escolhas. Lopetegui quis Clasie, quis Ñíguez, quis Darder, e não foi possível chegar a nenhum. Em cima do gongo apareceu Campaña, por empréstimo. Quando o vimos em campo, raramente desgostámos. Aquele olhar de serial killer mete qualquer adversário em sentido. Tem escola, sabe tratar a bola, é agressivo, mas não conseguiu ter grande relevância e espaço no plantel. Resta saber se por culpa da concorrência, se por insatisfação de Lopetegui ou também por culpa do jogador. Negociar a compra só faz sentido se for para ter um papel mais ativo na próxima época. Para só fazer 2 jogos no campeonato, não vale a pena.

Herrera - Casemiro foi do 8 ou 80 a meio da época. Herrera vai do 8 ao 80 de um jogo para o outro, mas ao longo da época foram bem mais os 80s do que o resto. Melhorou muito na precisão do passe, embora continue a nem sempre tomar as melhores decisões (momento de soltar a bola, passe de primeira), mas é sempre o jogador que mais corre, deixa sempre tudo em campo, fez alguns golos importantes e valorizou-se para um patamar acima do que o que o FC Porto investiu nele. Tem mais dois anos de contrato, o que para um jogador caro leva a que a sua situação seja revista. Serve de garantia num empréstimo com a célebre e quase obscura (na medida em que pouco se conhece) For Cool Co Ltd (envolvida em negócios com Walter e Hulk, mas de quem quase nada se sabe publicamente), com um método de reembolso que não é esclarecido pela SAD. Significa que interessará manter Herrera com uma valorização alta, com vista a uma transferência, nunca abaixo dos 20M€. Ficando no plantel, é natural que se mantenha como primeira escolha para o meio-campo. 

Óliver - O menino que ninguém queria e que agora todos querem de volta. Como Deco, não corre, desliza pelo campo. Foi a sua primeira época como titular numa grande equipa, e o início não podia ter sido mais promissor. O regresso ao FC Porto será sempre uma porta entreaberta, que dependerá da avaliação que Simeone fizer dele. Ter um jogador assim melhora qualquer equipa, e em 2015-16 fá-lo-ia muito mais. Óliver Torres mostrou, também, que nem só 10 anos de casa fazem um jogador à Porto: às vezes a mística já nasce com eles. Só precisa do sítio certa para se revelar. Serás sempre um dos nossos, Óliver.

Quintero - O caso mais discutido ao longo da época. Quando a bola lhe chega ao pé, ganha olhos e constroem-se mil possibilidades. Fora disso, Quintero ao fim de 30 minutos já está rebentado, é lento e não sabe jogar sem bola. Num 4x3x3, não há médio assim que se safe num clube de topo. Ao fim de 2 anos, pouco ou nada evoluiu. E a SAD assumiu o investimento de mais 4,5M€ no seu passe, mesmo sem que Quintero fosse um indiscutível para Lopetegui. O natural seria Quintero entrar na próxima época como titular, mas pouco fez para justificar isso. Ter talento não chega e Quintero tem sido a maior prova disso. Ou se assume como opção para 2015-16 (e isso depende mais do próprio Quintero do que de Lopetegui) ou é tempo de recuperar o investimento.

Os bês - É difícil avaliar em pleno o rendimento de uma equipa B quando não há treinador que a saiba potenciar/fazer evoluir. A insistência de Luís Castro em formar um trio de meio-campo com 3 jogadores de características mais defensivas em simultâneo prejudicou equipa e jogadores.  Mas tentemos. Mikel não jogou esta época, por lesão, mas muito dificilmente entraria nas opções de Lopetegui, pelo que um empréstimo a um clube de primeira liga é o ideal. Chico Ramos, já com contrato renovado, faz uma boa época, tornando-se já um indiscutível na B no seu primeiro ano de sénior. Tomás Podstawski, melhor a 6 do que a central, também tem um bom primeiro ano de sénior. Para segurar, obviamente. João Graça demorou a entrar na equipa e teve pouco espaço, mas mais por culpa do meio-campo altamente conservador de Luís Castro do que por falta de talento. O mesmo podemos dizer de Pité, a um nível baixo face ao que prometia no Beira-Mar, mas também algo lento e ainda com pouca intensidade (precisa de mais tempo de jogo). Já Pavlovski tornou-se um mistério: todos sabem que é bom jogador, mas Luís Castro raramente lhe deu continuidade. O FC Porto deveria comprá-lo, mas sem loucuras à Kayembé. E há ainda Leandro Silva, que foi subindo na formação como uma espécie de 12º jogador, mas já tem longo percurso nas seleções e assumiu-se como o patrão do meio-campo. O ideal seria rodar numa primeira liga, sobretudo aproveitando a projeção que teve em Inglaterra.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios da época? Que futuro para Campaña e Quintero? Herrera deve continuar ou ser negociado - por que preço? Qual seria o trio ideal para 2015-16 (com potencial contratação à mistura)?

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Colheita eficaz, com alguma parra a mais

Há trabalho a fazer
Aproximam-se as férias, há transferências e renovações de contrato para tratar, o FC Porto deitou fora a última possibilidade que tinha de passar para a frente do campeonato e ainda temos que disputar 3 jornadas com a amargura de saber que de pouco ou nada valerá. Mas ainda há um acesso directo à Liga dos Campeões para confirmar, jogadores que querem e têm que acabar a época em bom plano e o símbolo que ostentam nesta fase da época é o mesmo que utilizariam numa final da Liga dos Campeões.

Este plantel sabe que podia e pode render muito mais. E o melhor exemplo disso é o festejo de Brahimi no 1x0, ele que após levar nas orelhas de Lopetegui pela sua recente forma, que teve a última gota na Luz, não hesitou em festejar com o treinador, reconhecendo e aceitando as críticas.

É importante acabar a época com uma sequência de vitórias. Em 2009-10 fizemos um campeonato pior, onde não houve colinho mas houve túnel e acabámos a 8 pontos do Benfica, mas fechámos a época com uma série de 8 vitórias consecutivas (mãe das coincidências, desde que os castigos do túnel foram reduzidos) e começámos a lançar a época dourada de 2010-11. A temporada de 2015-16 começa já a ser preparada, até porque não podemos - nem vamos - voltar a ter um plantel com 15 jogadores novos, mas alguns estão a jogar o seu futuro nestas últimas semanas.





Laterais (+) - Um dos melhores jogos de Ricardo pelo FC Porto. Deu imensa profundidade e velocidade ao flanco, está a cruzar melhor e não cometeu nenhuma falha defensivamente. Não é forte como Danilo nos movimentos interiores, mas a estratégia de meter Quaresma a dar-lhe o corredor funciona bem. Alex Sandro foi quem mais vezes cruzou e esteve igualmente bastante activo, neste caso melhor no espaço interior, e entendeu-se bem com Brahimi, embora por vezes não tome as melhores decisões (já não é a primeira vez que o bracinho, na grande área, pode dar problemas). Renovação para ontem!
Um remate, um golo

Casemiro (+) - Continua a senda de boas exibições. O facto de ter Herrera ou Óliver sempre perto dele no início de construção melhorou a equipa. Mantém sempre a equipa equilibrada, dá a dimensão física que mais ninguém o consegue fazer no meio-campo e tem reduzido o número de faltas que faz de jogo para jogo, melhorando imenso no timing das entradas.

Virtude no meio (+) - O Brahimi dos 3 primeiros meses da temporada apareceu ontem no Bonfim. Mais objetivo, mais confiante e a funcionar muito bem nas costas de Jackson na primeira parte, deixando o corredor aberto para o lateral. A equipa esteve irrepreensível na circulação de bola na primeira parte e, depois, contou com o virtuosismo de Brahimi para desfazer a última linha do Setúbal. 13 golos e 10 assistências em época de estreia. Não fosse a ausência na CAN e a má forma que já arrastava desde Dezembro e teria números muito superiores. Com consistência poderá explodir em 2015-16. Palavra para Jackson, com participação nos dois golos. Oportuno e eficaz.





E chutar? (-) - Lopetegui diz que o FC Porto podia e devia ter matado o jogo logo na primeira parte, por ter tido oportunidades para isso. Na verdade, não teve. Não podemos confundir o caudal ofensivo, a boa circulação de bola e o domínio absoluto com oportunidades de golos. Se cumprirmos os 3 primeiros pontos, estamos mais perto do quarto. Mas a verdade é que Helton faz 4 defesas, enquanto o guarda-redes do Setúbal só faz uma em todo o jogo. O FC Porto, tal como na Luz, procura muito pouco a baliza. Desta vez, tivemos a felicidade de Brahimi e Jackson aproveitarem as suas oportunidades. Mas fizemos muito pouco para matar o jogo e construir uma vitória mais folgada.

Apatia pós-balneário (-) - Diz quem conhece o balneário do FC Porto que Lopetegui fica sem ar nos pulmões quando dá as palestras ao intervalo. O próprio treinador talvez tenha que aprender que a linha que separa o discurso aguerrido que motiva os jogadores e o que os deixa nervosos é ténue. Os jogadores regressam dos balneários nervosos, lentos, com pouca disposição para pressionar. Percebe-se que Lopetegui tem também a intenção de deixar que o adversário suba um bocado para explorar as transições rápidas, mas fazer isso com 1x0, num contexto de liga portuguesa, é demasiado arriscado. Temos muito trabalho a fazer neste capítulo. De lamentar a lesão de Iván Marcano.

sábado, 28 de março de 2015

A incubadora que todos querem

Pausa para as Selecções, buraco para preencher com especulações e antevisões sobre o mercado. Dois nomes lançados, Lucas Lima e Lucas Silva, exactamente pelos mesmos motivos. Não por manifestas pretensões do FC Porto, mas sim pelo desejo de terceiras partes em aproveitar aquilo em que o FC Porto se distingue: desenvolver jogadores.

Casemiro, parte II
Os clubes habituaram-se a comprar qualidade no FC Porto. Mas conforme já aqui foi explicado, com as restrições do fair-play financeiro vai tornar-se cada vez mais difícil, até para os clubes mais poderosos financeiramente, chegar e bater propostas acima dos 30M€ num clube português. Mas o que é que Atlético, Barcelona e Real Madrid descobriram esta época? Que há outra forma que aproveitar o quanto o FC Porto valoriza jogadores: colocando-os cá a rodar.

A evolução com Casemiro é notória. Por isso é normal que o Real Madrid queira fazer o mesmo com Lucas Silva. Daí a ser um jogador cobiçado por Lopetegui (que já pediu Sérgio Oliveira para a posição 6) e que o FC Porto tenha condições para receber e manter, vai uma grande distância. 

Os empréstimos não são problema desde que se obedeça a um plano lógico e coerente. Não é coincidência nenhuma que só Óliver Torres tenha começado cedo a render desde o início da época: era o único que já conhecia Lopetegui. Campaña chegou tarde, Casemiro e Tello demoraram muito até começarem a render a bom nível. Por isso, o FC Porto só pode ter jogadores emprestados assumindo um plano de continuidade do treinador. 

Podem chegar emprestados se forem peças para encaixar na equipa. Se chegam jogadores não para reforçar uma equipa, mas sim para ajudar a formar uma equipa, não funciona. Na segunda época com Lopetegui, o FC Porto já terá uma base definida. E a partir daí não devem chegar peças para fazer um puzzle, mas sim para encaixar e reforçar alguns sectores. 

(Des)vantagens
Já aqui foi desmistificado que os empréstimos são um problema. Problema são os camiões de jogadores que chegam com contratos de 4 anos e que ao fim do primeiro ano já são para despachar. O FC Porto raramente tem mais do que 5/6 jogadores no plantel candidatos às tais vendas milionárias que permitem à SAD continuar a operar num patamar financeiro superior. Antes de pensar em empréstimos para 2015-16, é preciso definir se o FC Porto terá esse punhado de jogadores para valorizar em 2015-16.

Depois, há o problema dos vencimentos. Não, Tello não ganha 240 mil euros por mês, e bastava o Record informar-se minimamente sobre como funciona o Barcelona para não escrever essa asneira. No Barça os contratos são atribuídos em função de cinco escalões. Tello, quando renovou até 2018, não era titular no Barcelona, logo assinou um contrato de Categoria Base, colocando-o a par de jogadores como Bartra, Montoya ou Rafinha quanto aos vencimentos, na casa dos 3M€ brutos por ano. 

Mas o FC Porto está a investir mensalmente em jogadores que não vão dar retorno financeiro. Podem dar desportivamente, mas assim terá que haver outros jogadores, que o FC Porto controle a 100% na SAD, que o possam fazer (este ano, por exemplo, Danilo e Jackson resolveram esse problema; e no próximo?). Além disso, os empréstimos não deixam de ser despesas (Casemiro, por exemplo, vai custar 600 mil euros no segundo semestre e Cristian Tello 1,5M€). O FC Porto vai ter que reduzir drasticamente os custos com pessoal na próxima época, e a SAD sabe disso, logo não há espaço para grandes aventuras. Quem chegar por empréstimo, que seja para encaixar na máquina de Lopetegui. A época de adaptação e reestruturação é/era esta.

Assim, não
Mas não só o Real Madrid sabe que o FC Porto valoriza jogadores como ninguém. Fundos como a Doyen Sports, que ganhou o jackpot com Mangala e viu o FC Porto valorizar Brahimi em flecha, terão todo o interesse em continuar a recorrer a esta barriga de aluguer. Daí a usar o FC Porto como cartão de visita com números absolutamente pornográficos, fica-se pela tentativa. Uma avaliação de 13M€ por um jogador que não é internacional, não tem percurso nas camadas jovens e que tem um ano de primeira liga brasileira não merece mais do que assinalar a boa disposição. Não estamos em tempo de mais excepções.

Com o anunciado fim da partilha de passes, já a partir de Maio, fundos como a Doyen não poderão voltar a ter percentagens de passes. Logo ou passam a operar como instituições financeiras, com financiamento e direito a percentagens de futuras vendas, ou inventam novos Rentistas que mantenham a totalidade dos passes dos jogadores e depois vendam. O FC Porto jamais poderá ser uma barriga de aluguer nesse sentido. Por isso urge perceber onde começa a parceria, como foi com Brahimi, e onde começa a rentistização. Nem por metade poderíamos ou deveríamos aceitar Lucas Lima. Sobretudo porque já não poderá haver o modelo Brahimi (isto é, o FC Porto ficar com uma percentagem do passe e ficar com opção de comprar mais posteriormente). Agora a Doyen e demais fundos vão querer livrar-se de toda a percentagem e vender directamente tudo. Isto o FC Porto não pode aceitar. Se nem com Lucho González, Lisandro López ou Brahimi o fez, não será com Lucas que isso pode acontecer. No dia em que o FC Porto tiver capacidade para comprar 100% do passe a um fundo, então deixa de precisar dos fundos e pode voltar a negociar apenas com clubes.

Vai sendo tempo de deixar de lamentar o problema (o fim da partilha de passes) e começar a pensar em alternativas. Sobretudo quando já nem jogadores do mercado nacional, que custam pouco acima de meio milhão, estão livres de chegar ao FC Porto sem antes alguém meter a mão...

domingo, 15 de março de 2015

Uma rasteira que não fez o Dragão tombar

Sétima jornada consecutiva a vencer, sempre sem sofrer golos. Enorme pressão pela distância em relação ao Benfica, lesões, castigos, jogadores naturalmente a sonhar e pensar na Champions, dualidades de critérios cada vez mais gritantes e uma balança que Lopetegui já percebeu que não vai equilibrar. Mas o FC Porto não vacila. Na adversidade se forjam os campeões.

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Com 10, sem sofrer
A expulsão de Fabiano no limite aceita-se (com relutância, pois Claro domina a bola sob a pressão do Ricardo, não sozinho). O que não se aceita é um árbitro que consegue avaliar esse lance mas que não vê uma patada na cara na grande área. Mas se estamos perante um árbitro que subiu à primeira categoria há 4 anos e que só agora serviu para arbitrar um jogo do FC Porto no campeonato, nada que espante.

E agora podemos perguntar ao senhor Vítor Pereira: porque é que só ao fim de 4 anos é que decidiu chamar Jorge Tavares para arbitrar o FC Porto no campeonato? Estamos a falar do terceiro pior árbitro da última época, que acabou com média negativa, abaixo de 3,5 valores. Numa jornada em que o Benfica ia encontrar o seu carrasco anterior, parece uma extrema coincidência. Mais uma prova da falência moral e de competência do Conselho de Arbitragem. Aliás, competência tem havido muita, mas não é para servir a integridade do futebol português.

Até quando Lopetegui e os jogadores conseguirão aguentar isto? Pior: acham mesmo que Lopetegui e os jogadores vão combater isto sozinhos? Não é preciso adicionar destinatários à pergunta, mas a memória depois não será curta.





O patrão da defesa (+) - O nosso engenheiro está cada vez melhor. Foi o nome sugerido por Lopetegui assim que Rolando saiu do plantel. Bendita a hora. Chega a ser irónico que muitos tenham suspirado por Manolas há um ano, quando na verdade a solução, bem mais barata e madura, estava no seu colega de defesa. Iván Marcano não fez uma única falta em todo o jogo, é o central que melhor constrói e não perde um lance de um para um. Com Maicon, Indi ou Casemiro ao lado, já não restam dúvidas: está no topo da hierarquia.

Tampão (+) - Percebe-se as alterações de Lopetegui ao intervalo. Casemiro não podia estar dividido entre a defesa e o meio-campo. Tinha que estar no lugar dele, à frente da defesa, para interceptar lances, impor a sua presença física e manter o meio-campo seguro e equilibrado. Mais um bom jogo de Casemiro. A bola começa a não queimar tanto no pé e mais uma vez sofre mais faltas do que aquelas que comete.

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Decisivo
Defeitos e virtude (+) - Irritei-me com Quaresma uma, duas, três vezes. Adornava, perdia tempo quando devia cruzar de primeira, não era capaz de devolver a bola ao primeiro toque. Mas tira 3 cruzamentos excelentes, faz a assistência para golo, os lances de perigo são quase todos dele e depois dele sair o FC Porto não voltou a criar perigo. No meio de todos os defeitos, foi a principal virtude do FC Porto. Objectivamente, criou mais perigo que Brahimi.

Picar o ponto (+) - Aboubakar, o jogador que mais correu hoje. Desde que Jackson se lesionou, assistiu para a vitória em Braga, marcou na Champions e hoje fez o golo que deu 3 pontos. Lesionou-se o jogador mais influente, então Aboubakar assumiu-se como decisivo. Pareceu-me extremamente arriscado não levar Gonçalo para o banco, mas Aboubakar voltou a dar conta do recado. Vai evoluir muito mais.

Outros destaques (+) - Alex Sandro, outra vez a um grande nível. Hoje deu razão aos elogios à sua condição física. Não tem o jogo interior de Danilo e muitas vezes demora a soltar a bola e perde a oportunidade de tabelas rápidas no flanco, mas vê-mo-lo raçudo, empenhado e em alto rendimento. Helton, seguríssimo e tranquilo. Não parecia que não jogava no campeonato há um ano. O problema não foi a expulsão de Fabiano, foi passar a jogar com 10, pois Helton fará sempre parte da solução. Indi e Herrera cumprem bem mesmo fora das posições de origem. Óliver Torres deu o seu toque de classe e inteligência ao meio-campo, mas naturalmente ainda longe da melhor forma.





CANTOS! CANTOS! CANTOS! (-) - Já não há paciência. Já não bastava o FC Porto estar muito mal no aproveitamento dos pontapés de canto esta época. Agora, um canto a nosso favor consegue terminar na expulsão do nosso guarda-redes. O erro é de Fabiano na saída, mas a equipa está completamente desposicionada e não está preparada para o contra-ataque do Arouca. Inadmissível. Esta é a maior, senão única, crítica ao FC Porto de Lopetegui. A equipa não evoluiu nada nestes lances desde o início da época. Fazemos golos de livres como já não se via desde os tempos de Deco, mas isso não é trabalho colectivo, é fruto da capacidade técnica individual dos jogadores. Nos pontapés de canto estamos mal, mal, mal, e este lance foi o cúmulo. Pior que não criar perigo nos cantos, é esses lances serem ainda mais perigosos contra nós.

Num jogo com estas circunstâncias, pós-Champions, tudo o que termine com a conquista dos três pontos é positivo. Mais um teste superado. Faltam 9 finais, 27 pontos. Temos mais 12 pontos do que o ano passado, onde demos uma péssima imagem na Choupana. Sábado é tempo de a corrigir. E já agora, um bocadinho mais de competência na arbitragem, pois não nos esquecemos que há um ano João Capela validou erradamente um golo ao Nacional e invalidou mal um do FC Porto. E citando uma célebre capa do jornal A Bola, decidiu o que estava decidido. Continuaremos a lutar contra o que querem voltar a decidir e que já estaria decidido não fosse a resistência de Lopetegui e dos jogadores.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A semente, os frutos e a colheita

Alegria, orgulho e gozo. Muito gozo. Dá gozo ver este FC Porto crescer. Há não mais que um ano víamos o FC Porto atravessar a sua pior época desportiva em muitos anos. Caótico, de rastos, com pouco ou nada que se relacionasse com os pergaminhos do clube.

Hoje vimos um FC Porto que faz 10 jogos consecutivos na Liga dos Campeões invicto. Um FC Porto que goleia e dá espectáculo, que satisfaz os adeptos e impressiona por essa Europa fora. Um FC Porto que tem vários jogadores de classe mundial e cobiçados a essa escala. Um FC Porto que fez da qualidade e da garra amigas íntimas.

10 jogos, 0 derrotas
Dá gozo. Dá gosto ver o crescimento do FC Porto de Lopetegui que muitos, inclusive portistas, condenavam ao insucesso. Ainda não ganhámos nada, não. Superámos as expectativas financeiras e desportivas na Champions, mas ainda não ganhámos nada e ninguém se dá por satisfeito.

Há quem julgue que ter «cultura de exigência» é o mesmo que ter que vencer obrigatoriamente todas as épocas. Essa é uma realidade à parte à qual ninguém corresponde mais do que o FC Porto. Cultura de exigência não significa obrigatoriadade de vencer. Significa a obrigatoriedade de lutar por todas as vitórias e de crescer e evoluir no sentido de chegar a essas vitórias. E agora temos garantias nesse sentido.

O FC Porto está entre as 8 melhores equipas da Europa. Não vale a pena dizer muito mais sobre a Champions. Quando o adversário for sorteado, certamente que a equipa técnica de Lopetegui vai estudar a melhor solução para o FC Porto potenciar as suas qualidades e inibir as do rival. Em relação ao campeonato, está difícil. Vamos lutar pelos 30 pontos que restam sem as garantias de que seja suficiente. Mas com ou sem título, o FC Porto tem a melhor defesa europeia, pratica um futebol ao alcance de poucos, desenvolveu um punhado de jogadores para a nata financeira do futebol europeu e volta a afirmar-se como grande clube europeu.

Conseguir tudo isto numa época com nova equipa técnica, novo plantel e logo após uma das piores épocas das últimas décadas... É de facto necessária uma «cultura de exigência» especial para não se perceber a importância e a magnitude do que o FC Porto de Lopetegui está a construir.

Este apuramento é fruto do que foi plantado no início da época. E a colheita não se vai limitar à época 2014-15.





O futebol de Lopetegui (+) - Lembram-se do FC Porto que mastigava o jogo em trocas entre os centrais e Casemiro e que dependia da profundidade dos corredores? A evolução desta equipa em todos os seus processos é notória. Fortíssimos na transição defensiva, organizados e objectivos na construção, quase perfeitos na pressão e na recuperação (quase sem fazer faltas!). Quando um grande clube espanhol precisar de um treinador, de certeza que o nome de Lopetegui não vai faltar na imprensa espanhola.
Futebol de equipa grande

Defesa (+) - O próximo a dizer que o Martins Indi tem que jogar merece levar com um balázio do Casemiro no nariz. A dupla Maicon-Marcano merece crédito absoluto. Há não muito tempo opinava-se que o FC Porto precisava de um grande central para fazer dupla com Indi. E de repente, zás, temos uma grande dupla. Martins Indi é um enorme central (e vai ter que jogar nos 1/4), mas quando temos uma dupla de centrais a render a este nível não há discussão possível. Alex Sandro está em grande forma e vem de uma sequência de enormes exibições. Hoje foi competentíssimo na direita. Indi também mostrou que é alternativa caso acontecessa alguma coisa a Alex Sandro na Europa. 

Casemiro (+) - Comparar o jogo do Casemiro em Basel com o jogo no Dragão é comparar realidades paralelas. Tem sido dos jogadores mais elogiados aqui nas últimas semanas e volta a merecer total destaque. Não é forte no início de construção, mas tendo o apoio de Evandro ou Herrera fica tudo mais simples. Defensivamente está um muro, é fortíssimo no desarme (faz cada vez menos falta e melhorou imenso no timing das entradas), dá dimensão física ao meio-campo do FC Porto e até teve o seu momento Hugo Almeida na Champions. Isto não é um bom momento. É evolução.

Controlo e equilíbrio
Herrera e Evandro (+) - Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. Óliver estava no banco. É preciso repetir, porque a forma como Evandro e Herrera jogaram e se completaram hoje fez parecer que tínhamos dois Ólivers em campo. Herrera volta a aparecer num nível muito superior. Forte no transporte, no apoio a Casemiro e aos extremos, na ocupação dos espaços e na pressão. E depois há Evandro, um equilibrador perfeito, forte nas transições (por incrível que pareça, sobretudo na defensiva), oferece sempre soluções e linhas de passe, também pressiona e recupera bem. Como é que só aos 28 anos chegou à Champions? Já agora: com Evandro em campo, o FC Porto nunca perdeu. Acreditem em coincidências.

Brahimi (+) - Bons olhos te vejam, Yacine! Já sentíamos saudades daquela rotação, da maneira como desafia o seu centro de gravidade e torce os rins aos adversários, daquele serpentear estonteante. Em época de estreia na Champions, são já 5 golos e 3 assistências. É provavelmente o extremo mais produtivo da história do FC Porto numa só UCL.

5 golos, 3 assistências
Evolução à frente (+) - Tello, mesmo não tendo marcado hoje, faz sobretudo duas coisas que me deixam satisfeito. A primeira é logo no primeiro minuto fazer um sprint de 30 metros para ir tentar ganhar uma bola. A segunda é já nos descontos fazer um sprint de 30 metros para tentar ganhar uma bola. É isto que faltava ao futebol de Tello, o inconformismo, a capacidade de pressionar, usar a velocidade nos momentos defensivos e de pressão. O resto vem por acréscimo. E como foi bom ver Aboubakar. Aboubakar, quando chega ao FC Porto, é um jogador que encosta no último central e fica sempre de pé à frente, à espera de poder correr e jogar direto para a baliza. Hoje o que vimos foi Aboubakar durante 90 minutos a tentar fazer o papel de Jackson, a ir receber a bola nos lançamentos laterais e a jogar de costas para a baliza. Lopetegui está a fazer um excelente trabalho com ele (e Gonçalo vai pelo mesmo caminho). E no meio de tudo isto, ainda faz um golo Àbombakar. Não olha para o lado, não levanta a cabeça. Aquele momento era dele, e merecia-o. Três golos na Champions para um avançado suplente não está nada mal.





Quem se esqueceu de falar? (-) - Quando goleamos por 4x0 na Champions e reduzimos o adversário a pó não é possível apontar grande coisa. Mas porque é a saúde de um dos nossos que estava em causa, é preciso ser rigoroso na avaliação do lance: a pancada de Fabiano a Danilo nasce de uma falha de comunicação na defesa. Pior que custar um golo, é custar a saúde de um dos nossos. Felizmente Danilo está bem, mas isto começa numa falha de comunicação que não pode acontecer na Champions, nem no campeonato, nem sequer num treino.

E agora já todos queremos que chegue rapidamente ao dia 15, para vermos novamente o FC Porto de Lopetegui. É esta ânsia de querer que o próximo jogo chegue rapidamente que nos dá as certezas de que estamos no caminho certo.

sábado, 7 de março de 2015

«Agora gostam do nosso futebol»

Pinto da Costa disse-o e nós concordamos. Tem sido um regalo acompanhar o FC Porto. Uma equipa que luta do primeiro ao último minuto, que sabe o que fazer em cada momento do jogo, que se dedica de corpo e alma a uma luta que sabe que não depende de si própria para vencer. 

2 jogos, 4 golos, 6 pontos
Ao Braga aconteceu o mesmo que ao Sporting: não conseguiu cheirar porque o FC Porto não deixou. O Braga é a equipa mais forte em Portugal nas transições rápidas, mas não conseguiu criar um único lance de perigo. Mérito absoluto para Lopetegui e para os jogadores. O FC Porto age e reage, domina e aniquila. O projecto idealizado no início da época ganha forma.

O FC Porto continua a crescer, mesmo em circunstâncias adversas e que não pode controlar. Percebe-se o receio dos caça-tachos, que são anti-Vieira, pró-Moniz e pró-Rangel até se tornarem vieiristas convictos pelo lugar no poleiro, e do único director de comunicação de um clube a fazer capa de um jornal a choramingar pela arbitragem (numa época em que a única derrota do FC Porto foi, unanimemente, reconhecida como um  roubo em Barcelos, tanto que Bruno Paixão não voltou a apitar o FC Porto - já lá vão mais de 3 anos). E que agora também se torna o único a comprar espaço num jornal estrangeiro para plantar um artigo de (des)opinião. Não tremam, estimados rivais. O Arouca é um docinho (experimentem o pão-de-ló lá do sítio) e está tudo nas vossas mãos. E quanto mais suarem, mais a coisa escorrega.





Casemiro (+) - O melhor jogo pelo FC Porto. Foi perfeito para aquilo que era necessário hoje: alguém que desse dimensão física ao meio-campo, que matasse todos os ataques do Braga pela zona central, que fosse agressivo (no bom sentido) à reacção à perda da bola. No início de construção tem sempre dificuldades (demasiadas, até), mas para destruir o FC Porto não tem como ele no plantel. Volta a sofrer mais faltas do que aquelas que cometeu (sofreu 7, cometeu 2) e foi o jogador com mais recuperações de bola. Às vezes não é preciso um jogador que faça tudo bem, é preciso sim alguém que faça o que é preciso. Feito.

Patrão Marcano
Marcano-Maicon (+) - Um senhor jogador, Iván Marcano. Desde que Lopetegui apostou nesta dupla, o FC Porto não sofreu um único golo (já lá vão 6 jogos), e melhor que isso, quase não permite ocasiões de golo aos adversários. Além das valias defensivas (antecipação, jogo aéreo, velocidade), é o central que melhor constrói e que mais consegue acelerar o jogo. Maicon por vezes (ok, muitas vezes) quer adornar, mas tem estado muito bem. Uma dupla que reclama todo o mérito.

Agir e reagir (+) - Lopetegui deu ao jogo aquilo que o jogo pedia. Começa por arriscar ao retirar Evandro e meter Brahimi a 10. Chega ao golo, então reorganiza a casa, com a entrada de Rúben Neves (excelente entrada). Incansável nas instruções para o posicionamento dos jogadores. Não é alguém que espera que as coisas aconteçam, mas sim que tenta conduzi-las nesse sentido. De repetir os elogios das últimas semanas: o FC Porto é fortíssimo na reacção à perda da bola, na ocupação dos espaços e na pressão. A equipa está top neste capítulo.

Tomou-lhe o gosto (+) - Duas assistências no Bessa, 3 golos ao Sporting e agora mais um golo decisivo. Para um tipo que define mal, isto nos últimos 3 jogos está bastante razoável. Excelente momento de Tello, finalmente numa dinâmica que potencia as suas características (ponta-de-lança a baixar para depois meter a bola entre-linhas).

Outros destaques (+) - Mais um bom jogo de Alex Sandro. Começou por cruzar mal, uma, duas, três vezes, mas subiu de rendimento no decorrer da partida e acaba o jogo com um pulmão impressionante. Herrera tem um papel importante em termos de pressão e equilíbrio no meio-campo, mas revelou muito desacerto no passe e hesita demasiado na hora de rematar. Brahimi bastante melhor após o intervalo, boa entrada de Aboubakar (não se limitou a substituir Jackson - fez o papel dele. Uma coisa não implica a outra, mas felizmente assim foi). Confiança máxima para o Basel.





Bolas paradas, outra vez (-) - Mais uma dezena de cantos onde a equipa não consegue sequer ganhar um lance de cabeça e rematar à baliza. É a maior crítica ao FC Porto de Lopetegui, porque isto é algo que se trabalha e no qual não se vê evolução desde o início da época. Mesmo tendo 4 jogadores fortes no jogo aéreo, um canto raramente tem sido sinal de perigo.

A rever (-) - Percebe-se algum nervosismo inicial (o FC Porto tinha de perceber se o Braga ia pressionar alto ou não, se ia subir a linha defensiva, se ia jogar com o triângulo invertido no meio-campo, etc. - demora sempre algum tempo a encaixar), mas a quantidade de passes falhados nos primeiros 15/20 minutos foi comprometedora. A partir daqui foi sempre a crescer, mas nunca podemos subestimar a importância de marcar cedo (coisa que não tem sido fácil de fazer). Brahimi, na primeira parte, e Quaresma demasiado inconsequentes. É básico, e eles sabem-lo: se estão rodeados por 2 ou 3, não é para fintar, é para passar, porque se estão a arrastar marcações é sinal que têm colegas soltos. Colocar mais gente nas zonas de finalização e ser mais assertivo nos remates não fazia mal nenhum (em boa verdade, Matheus só fez uma ou duas defesas).

Se perdemos um soldado (Jackson), outro se erguerá (Aboubakar), pois a guerra continua. 10 finais, 30 pontos. Até ao fim.

PS: Os portistas sabem que ninguém tem pior perder que Sérgio Conceição. Sempre foi assim. Não é defeito, é feitio. Estamos a falar de alguém que se chateou por não ter sido titular no jogo de homenagem ao Deco. Mas essa «certeza absoluta que é penalty claro» precisa de ser revista. Jorge Sousa, que já tinha feito uma arbitragem quase perfeita no último FC Porto x Benfica, confirma que é provavelmente o melhor árbitro português no activo.

O Jogo, 07-03-2015

segunda-feira, 2 de março de 2015

Tello e outro «calcanhar vagabundo»

Uma noite que a equipa e Lopetegui mereciam e precisavam. O Sporting, parecendo que não, era a equipa com menos derrotas no Campeonato. Não perdeu nenhum dos clássicos anteriores. Hoje foi reduzido a pó, não criou uma única ocasião de perigo e o 3x0 acabou por ser um resultado simpático para o rival. O Sporting nunca foi candidato ao título, mas pode sempre baralhar estas contas, tanto que até aqui tinha tirado pontos em todos os jogos com os rivais. Hoje era essencial vencer, para continuar na luta, mas de pouco valerá se não ganharmos em Braga já na sexta-feira. Cada jornada é uma final e há mais 11 para disputar. 

Red3nção
Planeamento perfeito de Lopetegui (no pós-jogo é sempre engraçado ver o drama que é saber que vai jogar Marcano em vez de Indi, Casemiro em vez de Rúben Neves ou Tello em vez de Quaresma - mas só um tem que tomar decisões e viver com as consequências, sejam boas ou más, e esse alguém é o treinador), atitude e empenho máximo dos jogadores, capacidade para corrigir os erros dentro do próprio jogo, evolução, espectáculo e Tello em dose tripla, como já não se via desde os tempos de António Oliveira. 

Em Braga haverá máxima dificuldade, pois estamos a falar de uma equipa que ganhou 2 vezes ao Benfica e que já só está a um ponto do 3º lugar, por isso também vai encarar o jogo como uma final, na medida em que vão lutar pela Champions. Tem o plantel praticamente na máxima força, pois de quatro titulares que tinha em risco para esta jornada não perdeu nenhum. Sorte diferente teve o Arouca, que ficou de uma só vez com 4 jogadores suspensos, todos por acumulação de cartões, para a recepção ao Benfica. Há sorte e há azar, já o dizia Lopetegui. Mas a pedido de alguns portistas, na próxima semana voltaremos com maior profundidade a esta questão.





Tello (+) - Incontornável. Três vezes perfeito na desmarcação, na frieza e na eficácia. Objectivo, rápido, dinâmico, com bom entendimento com Herrera e Danilo e com a vontade que não tínhamos visto muitas vezes. Os últimos 5 golos do FC Porto, que valeram 6 pontos que nos mantiveram na luta, passaram todos por ele. Quando se faz 3 golos num clássico, todo o louvor nunca é de mais. Este Tello, em Braga, na Luz e na Champions, será um ás de trunfo.
O único leão que rugiu

Óliver Evandro (+) - Colocar Brahimi no meio-campo, de início, era um suicídio e não havia a menor justificação para isso. O FC Porto precisava de disciplina, consistência, critério e capacidade de manter a bola no meio-campo, e ganha tudo isso com Evandro. Brahimi a 10 só contra autocarros ou em situações de emergência. Evandro é um médio completo, no verdadeiro sentido da palavra, que acrescenta na mesma medida visão de jogo e capacidade na transição defensiva. Sem Óliver, é o substituto ideal e liberta Herrera para aparecer no ataque. Evandro sabe jogar ao primeiro toque, Brahimi enrola-se demasiado à bola, o que é um risco para um médio na zona central.

Jackson (+) - O facto de Jackson jogar distante na grande área é, muitas vezes, um problema para o FC Porto. Isto porque Brahimi e Quaresma não são extremos que consigam ganhar a bola em velocidade nas costas da defesa. Quando Jackson baixa e tenta fazer o último passe, poucas vezes o FC Porto aproveita esses lances. A solução era Tello, que consegue ganhar esse espaço, mas não raras vezes definia mal. Hoje saiu tudo bem a Tello a finalizar, por isso Jackson conseguiu fazer duas excelentes assistências (aquele calcanhar é mágico) e tirar o melhor proveito possível do seu afastamento da grande área. Contra equipas que jogam com a linha defensiva subida, é algo que faz todo o sentido. Na maioria dos jogos da primeira liga, Jackson tem que estar mais próximo da grande área. Em Braga, na Luz ou na Champions, é uma fórmula para explorar.

Alguém viu Montero
e Slimani?
Muralha (+/-) - Desde que Martins Indi passou para o banco, Maicon e Marcano fizeram 5 jogos na primeira liga. E o FC Porto não sofreu nenhum golo. Para isso também muito contribuiu... Casemiro. Maicon e Marcano revelam grande entendimento, jogam bem com a linha defensiva subida e complementam-se nas dobras. Casemiro foi absolutamente essencial na segunda parte. É sofrível no início de construção e falha o mais simples dos passes, mas na marcação, na recuperação (é o jogador com mais recuperações de bola no campeonato), na agressividade que é necessária em jogos desta categoria e na dimensão física que Rúben Neves ainda não consegue dar foi essencial. Infelizmente, sobra um problema: Casemiro não funciona na saída de bola, Maicon só sabe recorrer ao pontapé longo e hoje Marcano, sobretudo nos primeiros 20/25 minutos, quando era pressionado cometia falhas. Não havendo Óliver para pegar no jogo mais atrás, há que melhorar o entendimento entre Evandro e Herrera nesta dinâmica, sobretudo porque contra equipas que jogam recuadas não podemos ter os 2 centrais e mais 2 médios recuados na saída de bola. Mas defensivamente, Casemiro tornou-se importante no FC Porto.

Outros destaques (+) - Tivemos o melhor Alex Sandro. Contra Nani ou Carrillo, esteve sempre impecável a defender e apoiou sempre bem o ataque, criando também desequilíbrios (mesmo tendo Brahimi apagado no flanco). Danilo com maiores preocupações defensivas, mas seguro. Herrera acompanhou o mau início da equipa, mas na segunda parte foi um monstro. Encheu o meio-campo e foi essencial para que o FC Porto fizesse 45 minutos de alta rotação e intensidade. E mais uma vez, a capacidade que o FC Porto de Lopetegui tem para recuperar a bola no momento de início de transição do adversário, criando desde logo um lance de perigo nos últimos 30 metros, é do melhor que vemos no futebol europeu. Jogão.





20/25 minutos (-) - Um pouco ao encontro da crítica que foi feita no início de construção. Casemiro é essencial defensivamente, mas na saída de bola, nos primeiros 20/25 minutos, o FC Porto chegou a ter momentos de amadorismo. Não havia soluções. O FC Porto tinha 3 jogadores para sair (Marcano, Maicon, Casemiro) e nenhum o conseguia fazer. Passes à queima para os laterais, dificuldades em fazer chegar a bola ao meio-campo e com isso Evandro e Herrera tinham que recuar, até ao momento em que o FC Porto jogava num espaço de 40/50 metros, e quando a bola chegava finalmente a um dos médios interiores já só havia Jackson para dar apoio na zona central; a alternativa era o balão à procura de Tello. A rever, pois nem sempre haverá um calcanhar mágico a desatar o que está a ser difícil. Uma nota para Brahimi, que mais uma vez tem que aprender a conjugar o seu virtuosismo com o sentido colectivo da equipa. Sobretudo quando as coisas individualmente não estão a correr bem.

Julgo que todos os portistas saem deliciados com este excelente triunfo. Mas como muita gente tem expectativas ainda mais altas, esperamos ter correspondido a todos os apelos.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

O jogo das diferenças

Porque falar da luta pelo título é falar de FC Porto e Benfica, a análise à vitória de hoje começa com uma citação do treinador do rival. «Foi o melhor jogo no estádio da Luz», Jorge Jesus, depois do Benfica vencer o Guimarães por 3x0. A estatística diz sempre muito pouco. Ou, por vezes, o suficiente. No quadro abaixo, vemos os números do Benfica na sua vitória contra o Guimarães. No segundo quadro, os números do FC Porto.

Benfica - Guimarães (3x0)
FC Porto - Guimarães (1x0)
Os chatos dos números muitas vezes não passam disso: números. E o futebol é sempre mais do que 2+2=4, é sempre mais do que um quadrado com três vértices. Mas neste caso particular, o que dizem os números é que o FC Porto de «serviços mínimos» consegue ter mais posse de bola, mais remates e apenas menos uma ocasião de golo do que o melhor Benfica da época no estádio da Luz. O dado mais importante: o melhor Benfica da época deixou que o Guimarães rematasse 12 vezes na Luz e que criasse 4 oportunidades de golo. Já o FC Porto que venceu pela margem mínima não deixou o Guimarães criar uma única oportunidade de golo no Dragão.

Tudo isto para dizer para que não há resignação possível. O Benfica versão 2014-15 não é melhor do que o FC Porto. Não joga melhor futebol. Está numa situação confortável na luta pelo título, e sabemos que teremos que sofrer até ao fim, mas não digam que não é possível. Ninguém. O FC Porto também está na situação em que está por alguns erros cometidos no passado. Mas esses erros estão a ser corrigidos, por Lopetegui e pelos jogadores. A nossa luta não se esgota num campeonato, mas a luta por este campeonato está longe de estar esgotada. Podemos não ter tudo para ser campeões, mas temos que dar tudo para o ser. Se fizermos a segunda parte, a primeira torna-se mais fácil.





Iván Marcano (+) - Lopetegui explicou que 6 jogadores estiveram a antibióticos a meio da semana, um deles Indi. Em Basel é normal que Indi regresse, mas temos cada vez mais razões para estar satisfeitos com Marcano. É provavelmente o melhor central no início de construção (rápido, de cabeça levantada e forte no passe longo (mete a bola 4  vezes nos extremos com passes de 40 metros)), raramente faz faltas, é forte na marcação e tem tudo o que um central de equipa grande deve ter. Uma grande valia desportiva para o FC Porto.

Casemiro (+) - O caceteiro foi o jogador que mais faltas sofreu hoje. Sim, comete muitos excessos, mas pela 2ª jornada consecutiva é dos melhores. Com Herrera e Óliver em constante movimento, foi ele a segurar o meio-campo, a dar linha de apoio mais atrás, foi muito agressivo na reacção à perda de bola e após a entrada de Rúben Neves vimo-lo em zonas ainda mais adiantas a pressionar. Já se nota evolução e já tem algo com que justificar a titularidade. 

Óliver Torres (+) - Nada de novo: divinal. Mete a bola onde quer, quando Lopetegui quer, como a equipa precisa. Se o Barcelona tiver um olheiro em condições, em vez que entregar o relatório sobre o Danilo entrega um sobre o Óliver, com pena nossa. É um predestinado e é difícil acreditar que tenha feito 20 anos há pouco tempo e que ainda haja quem ache que não serve para determinados modelos de jogo. Óliver é bom em qualquer modelo de jogo. Se não é, o problema é do modelo, pois este pirralho faz sempre parte da solução.

Evolução (+) - Aquilo que faz do tiki-taka um sistema quase infalível não é apenas a capacidade imensa de fazer 50 passes seguidos, mas sim a forma como a equipa se posiciona de modo a reagir logo à perda da bola. O FC Porto de Lopetegui está fortíssimo neste segundo ponto, na reacção à perda da bola. É a nota de maior evolução até aqui. O FC Porto ganha várias bolas no meio-campo do adversário, muitas vezes logo na primeira linha de pressão, feita pelos avançados. Havia um problema no início da época, que era a forma como isso deixava as costas da defesa expostas. Problema corrigido.

Palavra de mister (+) - O treinador pode pensar no jogo seguinte. Os jogadores não. E muitas vezes para obrigar os jogadores a não pensarem no jogo seguinte, o próprio treinador vê-se forçado a não o fazer. Foi isso que Lopetegui fez. Lopetegui não pensou uma única vez nem em Basel, nem no Sporting. Lopetegui esteve quase 10 minutos a tentar corrigir o posicionamento de Herrera. Fartou-se e tirou-o. No mesmo minuto tira Brahimi, depois de este ter perdido uma bola que deu origem a um contra-ataque do Guimarães. Não poupou ninguém. Depois, há os 3 cartões a Danilo, Alex Sandro e Casemiro. Nenhum deles provocou o cartão e pensar o contrário só ao alcance de iluminados na carequinha. Depois, Lopetegui novamente forte no discurso na conferência de imprensa. Lopetegui está a adaptar-se cada vez melhor à realidade do FC Porto e, muito importante, à realidade do futebol português.

Outros destaques (+) - O Herrera da primeira parte é essencial e rasgou o meio-campo do Guimarães. Danilo e Alex Sandro estiveram bem no apoio ao ataque, embora muitas vezes faltasse a combinação com o extremo. Brahimi, por ironia, fez o golo que lhe foi anulado na primeira volta. Quaresma não consegue ultrapassar um único lateral em velocidade no 1 para 1 junto ao flanco, mas quando vem para zona interior ou procura logo o cruzamento mostra a sua utilidade neste contexto. Jackson hoje não marcou, mas fez o que sempre faz: trabalho incansável e um farol para o resto da equipa. A entrada de Ruben Neves voltou a ser essencial para dar tranquilidade à equipa.





Quem não mata ... (-) - A intenção de Lopetegui depois do intervalo era compreensível: descansar com bola, construir de forma mais lenta, obrigar o Guimarães a abrir e a subir para depois meter o 2-0. O FC Porto deixou de fazer a pressão que fez na 1ª parte. E isso podia ter custado caro. Fazer isso com apenas 1-0 no marcador é arriscado. Basta uma bola perdida na grande área para custar um golo. O FC Porto teve oportunidades para fazer o 2-0 na primeira parte, mas não o fez. Antes de descansar, é preciso matar o adversário. Fará parte da evolução da equipa controlar o jogo de forma mais pautada, mas hoje houve um risco, apesar de nunca ter perdido o controlo.

Bolas paradas (-) - Houve ali uma tentativa de formar uma barreira atrás de uma barreira, um lance estudado, num livre do Casemiro. Mas de resto mantêm-se as críticas de sempre. O FC Porto aproveita mal os pontapés de canto e os livres cruzados para a grande área. Na Champions, as bolas paradas podem fazer a diferença. Nota-se pouco trabalho de casa da equipa neste aspecto.

Readaptar (+/-) - É verdade que temos um Quaresma mais maduro, mais forte tacticamente e que, diz-se, é dos jogadores mais empenhados nos treinos e cresceu muito psicologicamente com Lopetegui. Hoje foi dos jogadores que mais vezes procurou desequilibrar e cruzar, mas há algo que urge rever: a tentativa de ultrapassar o lateral no 1 para 1 junto ao flanco. Quaresma não ganha um lance em velocidade aos laterais do campeonato português. Já tem 31 anos e são pouquíssimos os extremos do futebol mundial que ainda têm o pico que se pede no 1 para 1 com esta idade. Quaresma não é excepção. Quando vem para zona interior e aposta no drible mais curto, torna-se um jogador importante. Evoluiu muito no futebol de primeiro toque e no apoio ao meio-campo, mas tem que deixar de tentar rasgar no 1 para 1 pelo flanco, pois não tem velocidade para ultrapassar os laterais. Readaptar é necessário.


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Só faltou uns alfinetes

Campo pequeno, adversário desmembrado mas organizado, pressão de não poder falhar (o que não constitui novidade) e um frio de rachar. Paciência e eficácia, o que se pedia. E chegou em doses mais do que suficientes. Lopetegui, o mister chato que está sempre a rodar a equipa e que nunca repete 11s (ou não, isso era antes, agora é porque definiu uma base), e a equipa passam com distinção um teste que podia tornar-se muito difícil. Fica para a posterioridade que há quem vá deixar ali pontinhos na segunda volta. Vale a pena dizer de Miguel Leal aquilo que Pinto da Costa disse um dia de Leonardo Jardim, quando estava no Beira-Mar, e de Vítor Pereira, quando ainda era adjunto de Vilas-Boas. 





Alex Sandro e a defesa (+) - Já lá vamos às assistências de Herrera. Ou começemos já por aqui: é Alex Sandro quem começa as jogadas dos 2 golos, com duas incursões pela zona central. Maicon fez o melhor jogo em muito tempo, mas Marcano deu mais uma amostra de que está no 11 para ficar. Danilo sempre bem no apoio ao extremo e na profundidade, mas hoje uns furos abaixo de Alex Sandro e algo perdulário na definição.

Assim, sim
Casemiro (+) - Hoje não houve Miro, houve Casemiro. Tirando um lance de contra-ataque do Moreirense onde é o último (!!!) jogador a recuperar posição e só chega à sua zona já depois do Arsénio ter rematado, esteve bem. Soltou Herrera e Óliver, esteve bem nas dobras, posicionou-se sempre bem e esteve certinho no passe.

Herrera (+) - Cá vai a heresia: em termos de golos/assistências, tem números melhores esta época do que a média do João Moutinho no FC Porto. Isto porque é cada vez mais desequilibrador além do papel de equilibrador no meio-campo. Um pormenor a melhorar: muitas vezes quando desce no meio-campo em recuperação, acaba por ser em velocidade e depois aborda os lances com muita impetuosidade, a quente (foi o jogador que mais faltas fez). É preciso mais calma e contenção nestas abordagem.

Um novo papel (+) - Depois do grande golo ao Paços, já se sabia o que Quaresma ia fazer. Uma, duas, três, quatro trivelas, tudo lances que saíram mal. Dito isto, hoje Lopetegui adapta-o à única posição que Quaresma, nos próximos meses, vai poder jogar no FC Porto. Já não tem velocidade para romper e ganhar nas costas da defesa, por isso tem que jogar cada vez mais em zona interior, apoiado no flanco por um lateral bastante ofensivo. E só pode fazer isso se o próprio Quaresma souber fechar o corredor. Hoje fê-lo muito bem. Tacticamete, das melhores exibições que já fez.

5000 (+) - Tinha que ser ele. Jackson Martínez picou o ponto e entrou na história do FC Porto. Continua a um nível altíssimo, a todos os níveis, e jornada após jornada vai simplificando o que muitas vezes corre o risco de se tornar difícil. Nota para a maneira como a equipa pressiona, cada vez melhor, embora o modelo de Lopetegui continue com o mesmo problema: se nos barram os corredores, isto pode correr muito mal. Que bom é ter Jackson...





Um acessório para o Tello
Contra-pé (-) - As bolas paradas, nomeadamente os cantos, são mesmo o calcanhar de aquiles deste FC Porto. Não só ofensivamente (precisamos de uma média de 70 a 80 cantos para fazer um golo), mas também defensivamente: a equipa nunca está preparada para o contra-golpe. O Moreirense aproveita 3 lances de transição rápida que podiam ter dado problemas. Querendo colocar 5 jogadores na grande área há sempre esse risco, mas o FC Porto está excessivamente permeável nestes lances.

Falta de uns alfinetes (-) - Ao contrário do que já se lê e ouve por aí, não houve egoísmo do Tello naquele lance. Não houve egoísmo simplesmente porque ele não tirou os olhos do chão. Houve sim uma deficiência técnica na visão de jogo, num produto de uma escola onde se joga de cabecinha levantada. Estás a ver esta foto aqui ao lado, Tello? É isto que fazem na polícia militar chinesa. Experimenta fazer um treino assim, que de certeza que te vai fazer bem. 

PS: Com Maicon e Quaresma em campo, Danilo foi o sub-capitão. Por falar em Danilo, arranja lá maneira de ver um cartão na próxima jornada, onde não haverá a menor desculpa para não ganhar.