quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os outros reforços

Óliver Torres - 5M€
Boly - 3,76M€
Imbula - 4,8M€
Jesús Corona - 4,475M€
Felipe - 4M€
Alex Telles - 3,412M€
Brahimi - 3,332M€
Miguel Layún - 3M€
Depoitre - 3M€
José Sá/Marega - 2,425M€
Danilo Pereira - 3,165M€
Omar Govea - 1M€
Víctor García - 1,7M€
Otávio - 1,1M€
Kayembé/Djim(s) - 1,3M€
Danilo - 0,85M€
Outros - 6,2M€

Confusos? A explicação é simples. O FC Porto tem previsto até ao final de dezembro de 2017, no corrente ano civil, o pagamento de 52,5 milhões de euros por jogadores já existentes no seu plantel. Isto sem considerar os 25 milhões de euros que terão que ser «pagos», ou renegociados, por estes quatro jogadores em prazo não corrente (isto é, para lá do final de 2017): Óliver, Boly, Inácio e Govea.


Qualquer portista concordará: são necessários reforços e Sérgio Conceição disse que vinha para ensinar, não para aprender, mas também não disse que vinha para fazer milagres. São necessárias soluções, particularmente do meio-campo para a frente, mas antes de pensar em quanto vai custar o extremo Y e o ponta-de-lança X, há a considerar quanto ainda vai custar quem cá está.

Há, logicamente, algo que equilibra um pouco a balança, que são os cerca que 32M€ a receber por parte de outros clubes entre o segundo semestre de 2016/17 e o primeiro de 2017/18, em grande parte graças às vendas de Alex Sandro e Imbula. Dinheiro já com destinatário, por certo, mas é um exercício que nesta altura da época ajuda a arrefecer as expetativas quanto à urgência de reforços.

Só pela lista acima referida, note-se que o FC Porto tinha, na apresentação do R&C do primeiro semestre, previsto o pagamento de cerca de 20M€ por parte de jogadores que já não fazem parte do plantel ou que não serão opção para Sérgio Conceição. Esses mesmos 20M€ talvez serviriam para o treinador preencher todas as lacunas que identifica no plantel, mas é um problema com o qual todos os treinadores, infelizmente, lidam: com as réstias de apostas falhadas de antigos treinadores ou, sobretudo, por parte da SAD.

Por isso, o contexto convida precisamente àquilo que Sérgio Conceição está a fazer: espremer, ao máximo, a matéria prima que já tem à disposição. No Olival, há neste momento quase um «11» de jogadores que não estavam no plantel na época passada e que, noutras circunstâncias, talvez não teriam em vista perspetivas de fazer parte do plantel.

Sérgio Conceição ainda não sabe quando vai ter reforços no mercado. Por isso, faz aquilo ao qual convidam as circunstâncias: vai tentar descobrir reforços naquilo a que muitos chamariam lista de dispensas.

Podendo começar por aqui: por 4 milhões de euros, que é quanto ele renderia numa saída, dificilmente se arranja um ponta-de-lança melhor do que um Aboubakar de cabeça limpa; e se em tempos tivemos que pagar mais de 25 milhões de euros por dois excelentes laterais (Danilo e Alex Sandro), neste caso temos aqui à disposição uma dupla que já não vai mexer com os cofres - Ricardo Pereira e Rafa. Três exemplos de reforços ideais: qualidade, baixo ou nulo custo e já à disposição do treinador. 

Suficiente? Talvez não. Mas é um exemplo que já deveria ter sido seguido muito antes, e não apenas pelos treinadores: antes de pensar em ir lá fora, vamos tentar aproveitar tudo o que está cá dentro.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Uma conversa entre Mística e Cifrão

Mística - Um dia triste para o Futebol Clube do Porto...

Cifrão - Calma, Mística, que eu tenho uma coisa para te animar: vendemos um suplente por cerca de 18 milhões de euros! Não é incrível?

Mística - Essa é a tua alegria, Cifrão? O menino que deliciava os adeptos aos 17 anos, que carregou a braçadeira de capitão aos 18 e que foi apresentado pelo próprio presidente como o sucessor de João Pinto, é descrito por ti como o «suplente»? Isso leva-me a pensar em todos os outros grandes negócios que perdemos por não termos vendido suplentes como João Pinto, Jaime Magalhães ou Domingos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. O Rúben Neves estava há 3 anos a trabalhar com o plantel principal. Só se revelou com Lopetegui, e mesmo assim, assim que Casemiro esteve pronto, Lopetegui não mais prescindiu dele. De resto, Rúben Neves nunca esteve perto de ser um titular indiscutível...

Mística - É esse o problema dos talentos precoces. Tu, Cifrão, e tantos outros esquecem-se que esta foi a primeira época de sénior de Rúben Neves. A primeira!

Cifrão - E então? Diz-me lá: achas que Rúben Neves foi mais importante na posição 6 do que foram Paredes, Costinha, Paulo Assunção ou Fernando? Não brinques, Mística, há que ser pragmático: o Rúben Neves sai por mais dinheiro do que todos estes juntos, sem ter feito um terço do que esses fizeram!

Mística - Curioso que fales desses nomes, Cifrão. Rúben Neves tem 20 anos feitos em março. A mesma idade com a qual Paredes era suplente do Olimpia e Paulo Assunção do Palmeiras. Costinha estava no Oriental. Fernando chegava do Brasil para ser emprestado ao Estrela da Amadora. Por alguma razão, muitos esperavam que Rúben Neves fizesse o que poucos fizeram no FC Porto: ser titularíssimo aos 20 anos. 

Cifrão - Percebe uma coisa, Mística. Com a saída do Rúben Neves, é possível segurar o Danilo Pereira! E tens que concordar que, neste momento, o Danilo não só é o melhor 6 do futebol português como assenta que nem uma luva na descrição de jogador à Porto! O que é melhor: sair o Rúben ou o Danilo?

Mística - É aí que erras, Cifrão. Noutros tempos, o FC Porto pensaria no Rúben Neves como o sucessor de Danilo, em vez de estar a pensar em vender o Rúben Neves para segurar o Danilo. O que vemos é Rúben Neves a pagar a fatura dos erros da administração da SAD do FC Porto, cujo responsável financeiro dá passadas largas para meter os tempos áureos do Sporting de Godinho Lopes no bolso. 

Cifrão - Sê realista, isto é negócio! Imagina que o Rúben passava mais uns meses no banco, ou que se lesionava? Já não havia negócio para ninguém!

Mística - Bem, nesse caso é melhor vender já todo o plantel, não vá alguém lesionar-se na pré-temporada. Após tanto termos condenado a teia da qual a formação do Benfica e Jorge Mendes fazem parte, queres rejubilar com esta venda do Rúben Neves, que sai por pouco mais do que um tal de Hélder Costa?

Cifrão - E então? Imagina lá o que devem preferir os benfiquistas: ter um plantel com Bernardo Silva, João Cancelo e Hélder Costa ou serem tetracampeões? Queremos jogadores ou títulos?

Mística - Não é uma questão de jogadores vs. títulos, pois estás a comparar meios com fins. Rúben Neves é o tipo de jogador que ajudaria o FC Porto a ganhar troféus. Neste caso, sai muito antes de poder meter as mãos num caneco. Outrora, os jogadores cumpriam o ciclo de valorização, que coincidia com a conquista de títulos, antes da saída; agora saem antes de conquistar títulos e muito antes de atingirem o seu pico de valorização. Não é por acaso que o FC Porto nunca se preocupou em vender Fernando, Paulo Assunção ou Costinha num pico de valorização: eram jogadores que interessavam mais desportivamente do que financeiramente.

Cifrão - Mas talvez nunca nenhum desses jogadores tenha tido a proposta que teve Rúben Neves, senão também teriam saído. Insisto, o Rúben Neves está a sair por mais dinheiro que todos os grandes médios defensivos que tivemos, e não teve metade da importância que cada um desses teve! Como pode isto ser um mau negócio?

Mística - É um mau negócio não pelo rendimento que Rúben Neves teve na equipa principal, mas por aquele que já não o vão deixar ter. Não estamos a falar de um jogador com talento que podia resultar ou não, de um sul-americano que precisa de um longo período de adaptação ou de um jogador a precisar de evoluir taticamente. Rúben Neves estava pronto e preparado para render mais. Poderia até haver compatibilidade com Danilo no meio-campo.

Cifrão - E quem deixava de jogar? Temos variadas opções para o meio-campo, desde Óliver a Herrera...

Mística - O mesmo Herrera por quem rejeitaram 30 milhões de euros para agora estar a vender Rúben Neves por pouco mais de metade? Questiono esta lógica de gestão. Rejeitam 60 milhões por André Silva para depois o vender por 38. Rejeitam 30 pelo Herrera para depois vender Rúben Neves por cerca de 18. 

Cifrão - Sabes, o FC Porto não comanda todo o mercado... Pode haver uns meses em que uns clubes estão a oferecer mais, outros em que oferece menos. Infelizmente, a SAD tem que decidir no momento, enquanto os adeptos têm a facilidade de poderem mudar de opinião de um mês para o outro, dependendo do momento de forma de cada jogador. 

Mística - Mas o que decide a SAD? Até agora, a única coisa que se viu foi Jorge Mendes a levar dois dos seus jogadores, Rúben Neves e André Silva, e Sérgio Conceição com zero reforços. Que fez a SAD no meio destas operações? Já sei. Deu 10% do passe de André Silva (ou 10% da mais-valia - os jogadores da formação geram sempre mais valias mais elevadas, por não haver direitos de formação a pagar a outros clubes) a António Teixeira, quando a Promosport nem o representava. E sobre Rúben Neves? Deu 5% ao irmão de Adelino Caldeira, além de lhe ter pago 225 mil euros só pela renovação e uma soma de 100 mil euros por 20 jogos disputados. Sendo que José Caldeira podia ganhar mais 5% dependendo da concretização de uma proposta. A isto junta agora as comissões que Jorge Mendes vai receber das duas vendas. De facto, isto tem sido uma trabalheira para a SAD. 

Cifrão - Eh pah, outra vez a falar nisso? Preocupa-te é com os e-mails e com os esquemas de corrupção a envolver o Benfica. Temos que apontar as armas para fora, não é para dentro!

Mística - Sabes, Cifrão, por mais graves que as práticas do Benfica sejam, isso não vai resolver os problemas do FC Porto internamente. Continuamos a ter graves problemas financeiros, continuamos a ter o fair-play financeiro à perna, continuamos com problemas na gestão de ativos do plantel. Nada, nada dos problemas internos do FC Porto mudou com a divulgação dos e-mails. A não ser que a Gmail seja apresentada como reforço e que garanta 30 golos esta época, desportivamente, não te iludas: isto não muda nada no FC Porto, apenas condiciona o modus operandi do Benfica dos últimos 4 anos. Se acham que a única forma de fortalecer o FC Porto é enfraquecendo o Benfica, isso constata que se preocupam mais com a casa dos outros do que com a nossa. Não me parece o caminho correto.

Cifrão - Inacreditável. Repara, com as saídas de André Silva e Rúben Neves, devemos garantir uma mais-valia acima dos 40/45 milhões de euros com dois jogadores que não estavam a ser, sequer, titulares indiscutíveis! Num passado bem recente, era normal o FC Porto vender dois ou até três titulares por época. E a máquina funcionava! Já vendemos melhores por bem menos! Neste caso, não sai nenhum titular verdadeiramente indiscutível, e ainda assim queixam-se?

Mística - Sim, pois estas vendas são consequências de erros gravíssimos de questão. A forma como têm relativizado o falhanço do fair-play financeiro é altamente preocupante. Eu ainda me lembro de ouvir Fernando Gomes dizer, no início de 2016, que o contrato com a PT ia permitir «gerir o FC Porto de outra forma». É esta a forma de que falavam? Desde então, o que fizeram? Apresentaram o maior prejuízo da história da SAD, de quase 60 milhões de euros; falharam o FPF; venderam Rúben Neves e André Silva em saldos (atenção, não digo que os 38 milhões tenham sido maus, não foram - mas se o presidente diz que antes rejeitou 60 milhões por ele, então não foi o melhor negócio possível), e já cometeram a proeza de antecipar 57 milhões de euros do contrato com a PT, que só devia começar em junho de 2018. São pelo menos 12,5% já utilizados de um contrato que só arrancava dentro de um ano. Os treinadores vão saltando e os responsáveis por este caos seguem imaculados. 

Cifrão - Não te desvies do essencial, Mística. Para a história, fica que vendemos um suplente por 18 milhões de euros. O mais próximo disso ter acontecido foram as vendas do Imbula e do Iturbe, que não permitiram grandes mais-valias mas cujo bolo total foi bem apetecível. A venda de Rúben Neves foi ainda melhor. Concluo, o FC Porto está mais rico.

Mística - Não, Cifrão. O portismo está mais pobre. 

sábado, 1 de julho de 2017

Lembrete






«Espero que ele fique muitos anos no FC Porto. O Rúben tem contrato até 2019 e não até 2017, como por vezes vejo escrito, e nós gostaríamos de o manter no clube, como uma espécie de João Pinto. Ou seja, que ele fosse um símbolo da transmissão da mística por várias gerações. Nunca quererei que saia do FC Porto». Pinto da Costa dixit

Com uma mera e pequena nota a acrescentar: imaginem que João Pinto, no seu 2º ano de futebolista sénior, tinha sido posto a andar do FC Porto. Não haveria João Pinto a levar pedrada no Jamor; não haveria João Pinto agarrado à orelhuda em Viena; não haveria João Pinto a jogar, às escondidas, com um dedo do pé partido; não haveria João Pinto para levantar a Intercontinental e a Supertaça Europeia; não haveria o histórico e marcante capitão que ganhou 9 campeonatos, que se tornou recordista de jogos e que meteu as mãos em 24 troféus ao serviço do FC Porto. Imaginem. 

Poderia, algum dia, Rúben Neves ter um percurso idêntico ao de João Pinto? Podemos nunca vir a saber. Tudo dependerá de quanto (ainda) vale a palavra de Pinto da Costa.