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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Análise 2014-15: os médios

(Em)préstimos de grande valia
Em relação à última época, Herrera e Quintero foram os únicos médios que se mantiveram no plantel. Para uma equipa que sofre tão profundas alterações no coração da equipa, é necessário tempo. Tempo para os novos jogadores se adaptarem, para conhecerem mutuamente as respetivas caraterísticas, para assimilarem o modelo de jogo. Manteve-se o que vem sendo tradicional: o FC Porto tem sempre a equipa com maior percentagem de posse de bola e maior acerto no passe (média de top5 na Liga dos Campeões), mas todos repararam que, a nível interno, faltou alguma verticalidade. Por outras palavras, fazer em 12 passes ou 15 segundos o que muitas vezes fazemos em 25 passes ou 40 segundos. 

Somos uma equipa de ataque planeado, de posse, há vários anos. Vamos continuar a ser. Mas há que ter a capacidade e compreensão de que muitas vezes, no campeonato português, será necessário um pouco mais de pulmão e velocidade e um pouco menos de cabeça e calma. Lopetegui, ao ficar no FC Porto, tem que ter aprendido isto. Destacar o 3º médio para um papel mais criativo e desequilibrador e evitar que o 2º médio tenha que baixar para a primeira linha de construção são alguns dos pontos a rever. Mas como este setor ainda vai sofrer várias alterações, para já avaliemos o que foi 2014-15.

Rúben Neves - A grande vitória de Lopetegui. Fazer de um juvenil titular na equipa A do FC Porto mostra que em termos de aproveitamento de talentos nos sub-19 e na equipa B há muita gente a dormir (até Paulo Fonseca já tinha chamado Rúben Neves a treinar com a equipa A - coisa que ninguém nos juniores ou na B foi capaz de fazer). É presente e futuro para o FC Porto. Deverá renovar em breve, pois até completar os 18 anos não podia assinar um contrato de longa duração. Temos em mãos um dos jogadores mais promissores à escala mundial. E portista dos pés à cabeça. Pés com muito talento, cabeça com muito juízo, e coração com grande dedicação. Um digno Dragão de Ouro para esta época.

Casemiro - Foi do 8 ao 80. Começou a época com exibições penosas, mas continuou a merecer a confiança de Lopetegui e sempre teve boa imprensa, não só por cá como em Espanha. Chegava a ser desesperante vê-lo a falhar o mais simples dos passes. Na segunda metade da época, tornou-se simplesmente imprescindível. Qualidade, profissionalismo e dedicação em doses certas. Ajudou a fazer uma boa campanha na Champions, valorizou-se e ainda permitiu ao FC Porto fazer um grande encaixe financeiro, num negócio que motiva todos os elogios à SAD. Afinal, também é possível tirar proveitos financeiros, e não apenas desportivos, com jogadores emprestados. Não deve haver muitos exemplos de um clube que lucrou mais de 6M€ com um jogador que esteve emprestado. 

Evandro - Chega com um ano de atraso, pois Paulo Fonseca já o tinha pedido (e que jeito teria dado enquanto ninguém se entendia entre Defour, Herrera e Carlos Eduardo há um ano). Investimento significativo para a idade (afinal vai fazer já 29 anos), mas que valeu a pena. Comparação claramente ousada, mas a fazer lembrar o papel de Alenichev, o de um 12º jogador de luxo. É preciso velocidade? Mete o Evandro. É preciso manter a bola? Mete o Evandro. É preciso reorganizar a equipa? Mete o Evandro. Médio completo e apto para todas as funções. Justifica a continuidade no plantel. 

Campaña - Não era primeira, nem segunda, nem terceira escolhas. Lopetegui quis Clasie, quis Ñíguez, quis Darder, e não foi possível chegar a nenhum. Em cima do gongo apareceu Campaña, por empréstimo. Quando o vimos em campo, raramente desgostámos. Aquele olhar de serial killer mete qualquer adversário em sentido. Tem escola, sabe tratar a bola, é agressivo, mas não conseguiu ter grande relevância e espaço no plantel. Resta saber se por culpa da concorrência, se por insatisfação de Lopetegui ou também por culpa do jogador. Negociar a compra só faz sentido se for para ter um papel mais ativo na próxima época. Para só fazer 2 jogos no campeonato, não vale a pena.

Herrera - Casemiro foi do 8 ou 80 a meio da época. Herrera vai do 8 ao 80 de um jogo para o outro, mas ao longo da época foram bem mais os 80s do que o resto. Melhorou muito na precisão do passe, embora continue a nem sempre tomar as melhores decisões (momento de soltar a bola, passe de primeira), mas é sempre o jogador que mais corre, deixa sempre tudo em campo, fez alguns golos importantes e valorizou-se para um patamar acima do que o que o FC Porto investiu nele. Tem mais dois anos de contrato, o que para um jogador caro leva a que a sua situação seja revista. Serve de garantia num empréstimo com a célebre e quase obscura (na medida em que pouco se conhece) For Cool Co Ltd (envolvida em negócios com Walter e Hulk, mas de quem quase nada se sabe publicamente), com um método de reembolso que não é esclarecido pela SAD. Significa que interessará manter Herrera com uma valorização alta, com vista a uma transferência, nunca abaixo dos 20M€. Ficando no plantel, é natural que se mantenha como primeira escolha para o meio-campo. 

Óliver - O menino que ninguém queria e que agora todos querem de volta. Como Deco, não corre, desliza pelo campo. Foi a sua primeira época como titular numa grande equipa, e o início não podia ter sido mais promissor. O regresso ao FC Porto será sempre uma porta entreaberta, que dependerá da avaliação que Simeone fizer dele. Ter um jogador assim melhora qualquer equipa, e em 2015-16 fá-lo-ia muito mais. Óliver Torres mostrou, também, que nem só 10 anos de casa fazem um jogador à Porto: às vezes a mística já nasce com eles. Só precisa do sítio certa para se revelar. Serás sempre um dos nossos, Óliver.

Quintero - O caso mais discutido ao longo da época. Quando a bola lhe chega ao pé, ganha olhos e constroem-se mil possibilidades. Fora disso, Quintero ao fim de 30 minutos já está rebentado, é lento e não sabe jogar sem bola. Num 4x3x3, não há médio assim que se safe num clube de topo. Ao fim de 2 anos, pouco ou nada evoluiu. E a SAD assumiu o investimento de mais 4,5M€ no seu passe, mesmo sem que Quintero fosse um indiscutível para Lopetegui. O natural seria Quintero entrar na próxima época como titular, mas pouco fez para justificar isso. Ter talento não chega e Quintero tem sido a maior prova disso. Ou se assume como opção para 2015-16 (e isso depende mais do próprio Quintero do que de Lopetegui) ou é tempo de recuperar o investimento.

Os bês - É difícil avaliar em pleno o rendimento de uma equipa B quando não há treinador que a saiba potenciar/fazer evoluir. A insistência de Luís Castro em formar um trio de meio-campo com 3 jogadores de características mais defensivas em simultâneo prejudicou equipa e jogadores.  Mas tentemos. Mikel não jogou esta época, por lesão, mas muito dificilmente entraria nas opções de Lopetegui, pelo que um empréstimo a um clube de primeira liga é o ideal. Chico Ramos, já com contrato renovado, faz uma boa época, tornando-se já um indiscutível na B no seu primeiro ano de sénior. Tomás Podstawski, melhor a 6 do que a central, também tem um bom primeiro ano de sénior. Para segurar, obviamente. João Graça demorou a entrar na equipa e teve pouco espaço, mas mais por culpa do meio-campo altamente conservador de Luís Castro do que por falta de talento. O mesmo podemos dizer de Pité, a um nível baixo face ao que prometia no Beira-Mar, mas também algo lento e ainda com pouca intensidade (precisa de mais tempo de jogo). Já Pavlovski tornou-se um mistério: todos sabem que é bom jogador, mas Luís Castro raramente lhe deu continuidade. O FC Porto deveria comprá-lo, mas sem loucuras à Kayembé. E há ainda Leandro Silva, que foi subindo na formação como uma espécie de 12º jogador, mas já tem longo percurso nas seleções e assumiu-se como o patrão do meio-campo. O ideal seria rodar numa primeira liga, sobretudo aproveitando a projeção que teve em Inglaterra.

Pergunta(s): Qual foi o melhor trio de médios da época? Que futuro para Campaña e Quintero? Herrera deve continuar ou ser negociado - por que preço? Qual seria o trio ideal para 2015-16 (com potencial contratação à mistura)?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Hoje o orgulho, amanhã a revolta

Imbuídos de um espírito Ulrichiano: ai aguenta, aguenta! Aguentou tanto que no final rebentou. Treinador, jogador e dirigentes do FC Porto só tinham uma palavra no final: orgulho. Orgulho é o que devemos sentir hoje. Revolta é o que devemos sentir até ao fim da época.

Fotos: Catarina Morais
Digo há anos que devíamos deixar a Taça da Liga para a equipa B (antes disso, para os sub-19, como chegou a fazer Jesualdo Ferreira) e as segundas linhas. Reafirmeio-o no início da época, outra vez após ganhar ao Rio Ave, novamente depois de ganhar ao União. E hoje pela primeira vez digo o contrário: eu quero aquele pedaço de chapa que mais parece uma peça de ludo no museu. Eu quero a Taça da Liga. Esta Taça da Liga.

Quero a Taça da Liga no museu, para que possamos olhar para ela e recordar este dia em Braga. Como nos recordamos do Derlei, completamente rebentado, a fazer sprints nos prolongamentos contra o Celtic e o Panathinaikos; como recordamos o Pedro Emanuel, com uma cãibra, a entrar pela baliza do Baía dentro para evitar mais um golo do Inter; o João Pinto, acompanhado pelo Baía, o Secretário e (quem diria) o Rui Jorge, a levarem com garrafas no Jamor; o Lisandro Lopéz a correr 70 metros para ir roubar uma bola ao Rodríguez quando o Benfica, de Chalana, ficou contente por perder apenas por 2-0; o Fernando com tentáculos que mais pareciam oriundos de um filme de porno japonês contra o Zenit; o Pedro Mendes a gritar, aos 91 minutos em Gelsenkirchen, para o Jorge Costa: «Oh bicho, eu nem acredito!».

Tantos momentos que simbolizam a mística portista. Hoje temos mais uns quantos. O Helton a fazer a vénia aos adeptos enquanto bate com a mão no peito; o Rúben Neves completamente rebentado ao fim de 90 minutos, após lesão; o Campaña com olhos esbugalhados de serial killer; o Ángel numa corrida que já não se via desde o sprint do Cissokho em Braga; o Marcano a levar à frente um, dois, três e a recuperar com mais um sprint à maluca. Raça de dragão como há muito não víamos, como pensávamos que não veríamos num plantel com tanta gente nova.

Falta de mística o tanas. Vimos empenho, garra, esforço mútuo, inconformismo e vontade insaciável de vencer. Se isto não é ser Porto, o que será? Um jogo à Porto, que pode muito bem marcar um ponto de viragem. Mas temos que ser nós a inverter a situação, e não esperar que ela mude por si mesma. Porque todas as ameaças aqui ontem enumeradas mantêm-se. O orgulho não chega. Não se não tiver a revolta como amiga íntima.

Quero esta Taça para que olhemos para ela e nos recordemos de Cosme Machado. Isso mesmo. Para que nos recordemos que nem assim nos conseguiram tirá-la. Quero esta, este ano. E quero o campeonato pelas mesmas razões.





Helton (+) - Mea culpa, Helton. Fui um dos primeiros a lamentar que após a lesão dificilmente o veríamos ao mais alto nível outra vez. Como estava errado. Na mesma exibição consegue parecer guarda-redes de futebol, andebol e hóquei em patins. Um gigante, como tinha sido Fabiano em Nápoles, como Andrés ainda não pôde ser, como Ricardo nunca poderá ser. Se isto não lhe dá a titularidade, nada dará. Como merece jogar nos Barreiros.

Rúben Neves e Campaña (+) - Pensar que Rúben Neves podia estar por esta altura a cumprir o primeiro ano de júnior é assustador. Deixem de perseguir os Minalas desta vida, pois os 17 anos de Rúben Neves é que merecem todas as suspeitas. Um patrão no meio-campo, mesmo a coxear, certinho no passe mesmo faltando 2 jogadores em campo e com uma raça interminável. E que grande parceria fez com Campaña. Na primeira parte temi que não acabasse o jogo, mas não só acabou como fez 45 minutos de altíssimo nível. Uma bela resposta à contratação de Sérgio Oliveira.

José Ángel (+) - Alex Sandro tem um problema. A 18 meses do final de contrato, continua a ser um grande lateral esquerdo, de craveira internacional e com grande potencial. Mas não consegue uma regularidade que leve a oferecer um salário dos mais altos do plantel, como Danilo já (quase) pode reclamar, nem que faça um clube europeu perder a cabeça por ele. Não sabemos como a SAD decidirá, mas estou descansado: Ángel tem tudo para ser titular no FC Porto. Fartou-se de fazer cortes, anular jogadas de dois para um e ainda foi desequilibrar no ataque. Exibição que pede mais jogos. Nota para Ricardo, também em bom plano.

Adeptos (+) - Absolutamente irrepreensíveis, em especial na segunda parte, e a contagiar a equipa como nunca. As atitudes de Lopetegui e Pinto da Costa no final do jogo foram mais do que merecidas. O comportamento dos ultras hoje merece todo o reconhecimento pela forma como empurraram uma equipa que, ao fim da primeira parte, estava destinada a uma derrota. Mudaram o jogo.

Outros destaques (+) - Sou fã de Herrera e este é um dos jogos que mostram porquê. Entra com uma imensa disponibilidade, agressividade, verticalidade e sem nunca deixar que o Braga ganhasse espaço na rectaguarda. Ricardo fez um bom jogo defensivamente, o que se pedia, Marcano fica mal na foto nos descontos mas Helton safou-o e passa com nota positiva. E por fim, Gonçalo Paciência. Tal como Ivo, teve uma estreia ingrata. Mas enquanto esteve em campo lutou no corpo-a-corpo, baixou, ficou perto do golo, arrancou um penalty e ainda foi fechar o corredor esquerdo. Para um avançado em estreia que funciona numa equipa que assume a posse de bola e que hoje teve tudo menos isso, foi bom. Com Ádrian lesionado, dos convocados já ninguém te tira. E ainda bem.





Anjinhos (-) - Reyes faz estes disparates porque não joga mais ou não joga mais porque faz estes disparates? O empréstimo só lhe fará bem. O problema é a dicotomia de emprestar um central de 7 milhões para ir investir noutro que, supostamente, tem que ser melhor do que os que já cá estão. Precisa de jogar, com regularidade, e de preferência que seja emprestado a uma equipa que assume predominante o jogo e que joga com a linha defensiva subida; se for para emprestá-lo a uma equipa de linha defensiva recuada não vale a pena. E Evandro, Evandro... Com a equipa reduzida a 10, é preciso evitar expor-se a situações de risco. Foi o que aconteceu e podia ter custado um jogo. Lembro-me de 2 expulsões no Estoril que também foram um disparate. Que a lição tenha sido aprendida.

À 3.ª tem que entrar (-) - Achei que se tínhamos alguma hipótese de ganhar o jogo era com uma bola para a corrida do Tello. E assim foi, a oportunidade apareceu, mas faltou força para finalizar bem e a pressão do Tiago Gomes (o tal que já devia ter sido expulso antes) impediu-o de rematar como devia ser. Dito isto, recuso-me a acreditar que um jogador com esta capacidade de explosão não aprenda a ser mais incisivo, ter mais critério a definir no último terço e a saber jogar em espaço mais curto. Em Alvalade falhou, hoje também. Na próxima tem que entrar. Vai entrar.

Cosme (-) - Havia uma razão muito forte para eu chamar a esta secção os «Machados». Agora há duas.

PS: O Helton merece um espacinho no mesmo corredor que o Guttmann. Afinal, já conseguiu fazer aquilo que outros tentam fazer há mais de 50 anos sem o treinador húngaro: meter as mãos numa taça europeia. Por isso, vamos lá ser solidários com esta causa. A votação MVP, como já repararam, está aldrabada. Mas quem não concordar que é o MVP é que seria o maior aldrabão.

PS1: Lopetegui e Pinto da Costa, impecáveis na reacção a um momento de orgulho nos jogadores e nos adeptos. Após o jogo era um momento para sentir orgulho. A partir do treino de amanhã será um momento para sentir revolta. E ainda aguardemos para conhecer os castigos que Evandro e Antero Henrique vão ter.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Goleada, mas a virtude não esteve no meio

Se perguntarem a qualquer treinador que tenha passado pelo FC Porto qual é a pior fase da época, todos vão dizer o mesmo: «Antes do Natal». Todos os anos é o mesmo. Os jogadores têm sempre pressa em ir ver as famílias, sobretudo os Sul-americanos, há sempre grande insistência para marcar as férias atempadamente e nesta época a concentração e condição física (depois das festas) baixa sempre. E cá estaremos para ver a disposição com que vão jogar na Taça da Liga na véspera do Réveillon (daí que seja essencial dar a Taça da Liga a quem verdadeiramente pode tirar proveitos dela).

Notou-se isso hoje. Desculpa, Domingos, mas o teu Setúbal é mau. Muito mau. Tão mau que este 4x0 diz mais das fragilidades do Setúbal do que da exibição do FC Porto, que esteve longe de ser brilhante. Se todos os jogos fossem assim, óptimo. Se a jogar pouco ganhamos 4x0, maravilha. Mas todos sabem que para haver hipóteses de recuperar terreno para o Benfica e ser competitivo na Champions vai ser preciso muito mais.

10 bons minutos na primeira parte, uma ponta final forte ao ritmo de Quintero. O Setúbal nunca arranhou, o Fabiano não deve ter tocado na bola uma única vez, mas os índices anímicos reforçam-se com garra, velocidade, intensidade, com maior vontade em marcar o 2º golo do que o 1º. O FC Porto goleou sem nunca precisar disso, mas acreditem, em 2015 não serão felizes sem estas coisas. O Setúbal, se marcasse um golo, acabávamos o jogo a sofrer. E isso dá uma mensagem a todas as outras equipas do campeonato: «Mesmo a perder 2-0 no Dragão, ainda é possível lutar por um ponto».





Óliver (+) - Qual foi a ideia de desviar da posição o jogador que estava a ser o melhor em campo, mister? Não se percebeu. A dinâmica do meio-campo não foi boa (não faz sentido ter que ser o jogador mais criativo a ter que baixar para junto dos centrais para pegar na bola), mas Óliver esteve mais uma vez impecável. Elegante, sempre de cabeça levantada, com a bolinha colada ao pé e a distribuir pouco como todos. Merecia o golo.

Campaña e Quintero (+) - O Setúbal não foi teste para ninguém (até o Mikel, lesionado, podia ter jogado hoje), mas Campaña cumpriu na estreia e mostrou que pode lutar pelo lugar no 11... e no plantel. De destacar a entrada de Quintero, voltou a ser a solução para a dificuldade que o FC Porto tem no jogo interior. A titularidade será sempre um problema difícil de resolver, mas merecia mais tempo de jogo, pois sabe posicionar entre-linhas e é excelente no último passe. Palavra para o quarteto defensivo, que esteve bem (não se admitia outra coisa contra este adversário).





Não há virtude no meio (-) - Vítor Pereira era fortíssimo no jogo interior. E fartava-se de ouvir críticas por não explorar os corredores. Queriam que fizesse o quê, exactamente? Em 2011-12, teve que jogar com o melhor extremo a 9 (Hulk). E em 2012-13, o melhor extremo do FC Porto era mais forte em zona interior (James). Vítor Pereira foi excelente a lidar com as limitações nos dois plantéis. Agora, no FC Porto de Lopetegui, não se vê jogo interior. E não há desculpas para isso. O penalty veio resolver aquilo que foram 20 minutos a bater contra a parede. Uma equipa grande, que assume o jogo, tem que ter soluções em zona central. Se Quintero não joga porque Herrera e Óliver são homens essenciais nas respectivas funções, então há um problema para resolver, porque um deles tem que ir buscar a bola em zona interior e não esperar que a solução saia sempre do corredor. Um pouco de alergia à linha não fazia mal nenhum.

Tudo a pensar nas rabanadas (-) - Ou seja lá o que for os doces típicos em casa de cada um. 10 bons minutos na primeira parte, uma ponta final forte. O FC Porto, sem exagero, dava hoje 8 secos ao Setúbal. Bastava querer. Todos viram Lopetegui a berrar, a pedir intensidade, velocidade na circulação. E os jogadores mesmo assim passaram quase toda a segunda parte a passo. Não percebem a mensagem ou não a querem perceber? Felizmente, Campaña esteve bem e a defesa não cometeu nenhum erro, senão a atitude naquela segunda parte podia ter custado caro. E não há margem para um único lapso.

Um Bom Natal a todos. Em 2015 há 20 finais para disputar e 60 pontos para ganhar. E provar que o apuramento para os oitavos da Champions não foi nenhum acidente, mas um atestado de qualidade e potencial da equipa.


sábado, 6 de setembro de 2014

O negócio José Campaña

Numa altura em que os jogos oficiais estão parados por causa das selecções, a questão do momento no universo portista prende-se com a situação contratual de José Campaña. Afinal, há ou não há cláusula de compra? Começamos por recordar o comunicado da Sampdoria no dia da transferência.

Notícia do Record
«José Ángel Gómez Campaña está de malas feitas, destino FC Porto. O jovem médio sevilhano - no qual a Sampdoria investiu e em que acredita fortemente - transfere-se sob a forma de empréstimo para Portugal, para explorar todo o seu talento numa sociedade de nível internacional e concluir - na companhia de Julen Lopetegui, ex-selecionador dos sub espanhóis e seu grande admirador - o seu percurso de crescimento técnico-táctico. A José sinceros votos de boa sorte e um até já a Génova».

Não há qualquer referência a cláusula de compra e a Sampdoria leva a crer, neste comunicado, que Campaña saiu com um "V" de Volta. 

Entretanto, a imprensa desportiva contraria o que tinha sido noticiado a 1 de Setembro, dizendo que Campaña tem opção de compra. Chegou a ser dito que foi confirmada pela Sampdoria, mas tanto nos jornais italianos como no site do clube não há nenhuma afirmação oficial de que exista cláusula.

Entretanto, o jornal Record avança com a informação de que há uma cláusula de compra de 3 milhões de euros. O jornal Record contactou o director desportivo da Sampdoria (ler recorte ao lado)... que não confirmou a veracidade da informação, limitando-se a dizer que acredita muito no jogador e que no final da época logo se verá o que acontece.

Do lado da Sampdoria, não há confirmação oficial. Do lado do FC Porto... também não. Tudo leva a crer que não existe nenhuma opção de compra, na verdade.

Vejamos os exemplos anteriores. Quando o FC Porto anunciou Tello, disse que havia cláusula de compra (ler aqui). Quando anunciou Casemiro, disse que havia opção de compra (ler aqui). Quando anunciou Óliver... nada disse. E o mesmo se passou com Campaña, onde não há qualquer referência a uma cláusula de compra. 

Campaña: preocupação é render
A cláusula de compra, salvo uma confirmação oficial que diga o contrário, não existe. O que não quer dizer que não haja já um acordo alinhavado para uma compra a título definitivo no final da época. Recordamos que o FC Porto estava limitado nos investimentos para esta época, por causa das regras do fair-play financeiro (ler aqui), por isso alguns investimentos foram «adiados» (não só os empréstimos, mas também as alienações de Brahimi e Aboubakar), e daí que alguns clubes europeus tenham contratado jogadores por empréstimo e não a título definitivo (caso de Falcao em Manchester).

Lopetegui já deu sinais de que quer ver Rúben Neves mais adiantado no meio-campo e Casemiro, para já, é a opção mais natural para a posição 6. Mas o Real Madrid, em janeiro, pode fazer regressar o jogador, ainda que para isso tenha que indemnizar o FC Porto e essa situação só seja possível caso algum dos seus médios se lesione com gravidade. Então, Campaña pode vir a assumir um papel importante no FC Porto, desde que abdique da ideia de uma carreira de globetrotter e perceba o mais rapidamente possível o que é representar uma instituição com esta dimensão e nível de exigência. Festas, nesta casa, só em maio, compreendes muchacho?

A Sampdoria não é um clube que venda propriamente muito caro (quase todas as grandes vendas do clube foram feitas na década de 90) e as relações institucionais entre os 2 clubes são boas (foram o adversário convidado para o jogo de apresentação da época que rendeu o inédito póker em Portugal ao FC Porto de Villas-Boas). Portanto, com ou sem cláusula, a preocupação imediata é que Campaña comece a render. O resto será fácil de resolver.

PS: A propósito do tema, excelente reconhecimento por parte de Campaña nestas declarações feitas ao jornal Marca. «É uma loucura ter estado em tantos países em tão pouco tempo. Como já disse uma vez, não devemos culpar sempre os treinadores. Quando isto sucede, como me tem sucedido, devemos olhar para nós próprios e deixar de pensar que a culpa é sempre dos outros. Pode ser que não esteja a trabalhar como deveria (...) Há que ser realista e não culpar sempre os outros. Se isto tem sucedido com tantos treinadores terá certamente uma explicação. Mas, também sou jovem e posso dar a volta às coisas». A postura é esta, rapaz!