Três semanas após o último post, as contas do plantel do FC Porto só tiveram subtrações. Desde a confirmação da compra de Alex Telles, Nuno Espírito Santo tem passado as semanas e jogos de pré-época a riscar quem considera que não serve, quem realmente não serve, a treinar quem no dia seguinte poderá já não estar no clube e à espera de reforços seus.
Não surpreende, na medida em que era facílimo prever, através do orçamento projetado para a última época e do R&C do terceiro trimestre, que não haveria compras significativas no FC Porto enquanto não houvesse vendas (desde a saída de Alex Sandro que o FC Porto não gera uma mais-valia considerável). É normal que os adeptos questionem, então, como é que Alex Telles e Felipe chegam por mais de 12M€. Simples, negócios com condições específicas, só possíveis através de determinado parceiro. E esperamos que, com a chegada de Alex, a defesa do FC Porto não se torne numa escola de samba, como dizia Pedroto.
De certa forma, até também por ser tratar de uma operação ligada ao BMG (em forma nesta pré-temporada), fazem lembrar o caso de Otávio, um dos jogadores que mais têm agradado na pré-temporada. Otávio assinou contrato no final de agosto de 2014, mas no seu primeiro ano não custou um cêntimo ao FC Porto. Assinou não porque a SAD tivesse disponibilidade para investir no jogador naquele momento (até porque não era um pedido do treinador), mas porque permitia assegurar desde logo um miúdo com talento, sem grandes implicações financeiras no ano que se seguia (algo que por vezes pode correr mal, como foi o caso com Adrián López, mas estava em causa um valor bem mais reduzido), e negociando com parceiros habituais.
Entretanto, no segundo trimestre de 2015-16, a SAD pagou os 2,5M€ (correspondentes a 33% do passe - a SAD tem agora 32,5%) ao Coimbra Esporte Clube, clube usado pelo BMG para transferir jogadores. Otávio não deixará nunca de ser um jogador caro (os 2,5M€ por 33% do passe não significam que o jogador estava avaliado em 7,5M€ - era ainda mais caro, pois a opção de compra de mais 35% do passe é de 5M€), mas foi um exemplo de um negócio sem custos imediatos, conseguido só através de determinada parceria.
Além de Felipe e Alex Telles, só Miguel Layún foi comprado para a nova época (João Carlos Teixeira, uma aposta interessante, chegou a custo zero e Zé Manuel, o dono da velocidade vertiginosa, foi uma contratação que só pode envergonhar quem o levou para o FC Porto). A opção de compra por Layún previa que o FC Porto teria que pagar 3M€ agora e mais 3M€ até o final de 2016-17. Valia bem o investimento, tendo em conta que o FC Porto já poderia ter lucrado com Layún (numa espécie de Iturbe-Hellas-Roma). Se não o fez, é porque tem bons planos para o jogador.
De resto, ainda não houve compras, mas houve saídas de jogadores que haviam sido anunciados como reforços. Depois de Rafa, foi a vez de Josué e Hernâni receberem guia de marcha, deixando assim Otávio como o único jogador prometido por Pinto da Costa que vai, de facto, integrar o plantel principal. E não deixa de ser (pausa para encontrar a palavra mais apropriada)... Discutível como é que, da equipa do FC Porto B que ganhou a Segunda Liga, não há nenhum jogador promovido definitivamente à equipa A (Chidozie e André Silva foram promovidos a meio da última época).
Mas as dispensas mais recentes - Josué, Hernâni e Quintero - merecem uma análise mais profunda. Começando por Hernâni, jogador cuja contratação ao Guimarães foi na altura avaliada negativamente pel'O Tribunal do Dragão, por considerar que Hernâni estava para aquele Guimarães como Licá estava para o Estoril. Assim foi, sem surpresa, pois Hernâni nunca revelou ter caraterísticas para jogar no FC Porto, nem para valer o investimento de mais de 3M€. Há muitos portistas que tinham/têm algum apreço por Hernâni, mas talvez por de facto nunca ter tido assim tantas oportunidades. Ainda assim, não é surpresa nenhuma que esteja desde já condenado a empréstimos sucessivos. O FC Porto, em alguns casos, tem-se deixado entusiasmar muito por pouco com alguns jogadores em Guimarães. Assim foi com Tiago Rodrigues, assim foi com Hernâni. Que não se volte a cometer o mesmo erro já neste mercado.
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| Contrato até 2017 |
Veja-se o exemplo de Mikel, que já tem mais renovações de contrato do que jogos na equipa A. Ou Abdoulaye, que anda desde 2010 a ser emprestado e que voltou a renovar contrato para continuar a rodar por outros clubes. Lá para 2024 deve estar no ponto para resolver os problemas na defesa.
Josué está no seu direito de não querer renovar. Vai fazer 26 anos, já fez três empréstimos, já fez parte do plantel principal e, neste caso, ouviu da boca de Pinto da Costa que iria fazer parte do plantel. Quem tem que decidir quem faz parte do plantel é o treinador, não é o presidente, mas Josué cresceu num FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa sempre foi sagrada e suprema. Se ouve o presidente garantir-lhe um lugar no plantel e acaba dispensado, é normal que não sinta motivação em renovar. Josué, provavelmente, nunca conheceu um FC Porto em que a palavra de Pinto da Costa não fosse cumprida.
Se marcou na final da Taça, a culpa foi de quem o deixou ir para Braga, pois um jogador, quando está em campo, defende a camisola que tem vestida, não o clube que tem o seu passe. Josué poderia ser útil ao plantel, embora dificilmente tivesse espaço cativo na equipa titular. Resta tentar garantir o melhor encaixe possível com uma venda imediata - eventualmente garantindo uma parte significativa de uma futura transferência, pois é um jogador que se pode valorizar, e estando a um ano do final do contrato nenhum clube vai querer pagar muito por ele.
E com isto chegamos a Quintero, com vontade de bofetear uma cabeça que não faz jus aos pés que tem. Nuno Espírito Santo tentou, mas Quintero não quer saber. Sobra a questão: como é que, desde 2013, houve tanta incapacidade em antecipar que Quintero era um caso perdido e o porquê de tanto investimento progressivo num jogador que não correspondia?
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| Contrato até 2021 |
E agora? O que se faz a um jogador com contrato por mais 5 anos que desperdiçou todas as oportunidades que lhe foram dadas no FC Porto? Dá para garantir royalties com todos os CDs de reggaeton que lançar até 2021? Já se recuperava uma parte do investimento. Neste caso, neste momento não resta mais do que tentar recuperar tanto quanto possível o investimento feito em Quintero. Até lá, metam-lo a dar voltas ao Olival e liguem o sistema de rega. Pode ser que a cabeça refresque.
Pergunta(s): Concordam com o afastamento de Quintero, Josué e Hernâni? Que temas gostariam de ver serem abordados nos próximos posts?








