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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Como disse?

A imprensa é um eterno universo de preocupação para muitos adeptos. Não é surpresa para ninguém que determinados títulos têm maior proximidade com alguns clubes. Que existe compadrio - uma palavra provavelmente até elegante de mais para o caso - entre A Bola e o Benfica, não é novidade. E que o jornal O Jogo é, historicamente, o jornal que maior apreço recebe por parte do FC Porto, também não. Mas a notícia trazida hoje à capa é grave.

Cada adepto pode escolher o que lhe ocupa o topo das preocupações: ou o facto de Luís Filipe Vieira, o leitor, dar entrevistas à Bola que não o são; ou uma manchete d'O Jogo acusar basicamente a SAD de amadorismo. 

Em causa estão duas pequenas frases. 


«Última reunião foi na época passada» e «negociações com os jogadores em risco vão começar agora». É brincadeira, certo?

O FC Porto está em plena época 2017-18, em que para já tudo tem corrido bem. Teve dificuldades na venda e colocação de jogadores no último defeso, ficou com um caso bicudo por resolver (Bueno), e entre os excedentários/dispensáveis só Depoitre saiu por um valor acima do que seria expectável no mercado (quase 4M€). Ainda assim, há expectativa em ver se a folha salarial conseguirá descer um pouco (a previsão para a última época foi de 69,5M€ - um aumento de 28% em relação ao último campeonato conquistado).

E perante a ausência de reforços, transmitiu-se a ideia de que reforços eram os que ficavam. Mas então agora a SAD do FC Porto é acusada de ter iniciado a época sem antes ter assegurado a continuidade de ativos que estão em final de contrato?

Iván Marcano é um dos capitães do FC Porto e um jogador essencial no plantel. «Última reunião foi na época passada». A sério que o FC Porto começaria uma época sem assegurar, dentro do possível, que Iván Marcano era para continuar? Sem haver contactos diretos nesse sentido? E as negociações «com os jogadores em risco, vão começar agora»? Apenas agora, a menos de 4 meses de poderem assinar por outro clube a custo zero?

A SAD basicamente não comprou ninguém no último defeso. Houve muito menos trabalho para fazer a nível de mercado. E com isto, não houve tempo para encaminhar as renovações de contrato antes da época começar? 

É sabido que Iván Marcano quer ficar no FC Porto. E vai ficar, seguramente, porque estamos a falar de um capitão e de um profissional exemplar. Mas num mundo tão volátil como o futebol, em que as intenções e lealdade mudam ao ritmo do cifrão e de um dia para o outro, esta acusação de uma gestão de puro amadorismo é demasiado grave. 

Tomemos como exemplo a situação de Vincent Aboubakar. Fabrice Picot, o empresário do avançado, disse em julho que Aboubakar queria «jogar e ajudar» o FC Porto, mas que «a renovação não está nos planos». Por norma, um jogador que se recusa a renovar não volta a jogar. Neste caso, que alternativa poderá ter o FC Porto?

Não há alternativas no ataque. O FC Porto depende de Aboubakar pelo menos até janeiro. Tem que jogar, não há alternativa. E sabemos que o camaronês tem um empresário que não hesitou em afirmar que não havia planos para renovar. Quem garante que Aboubakar estará a ter o melhor tipo de aconselhamento nesta fase?

«Escuta, Vincent, já deu para ver que o FC Porto não pode prescindir de ti. O mercado está fechado e não podem jogar até janeiro só com Marega e Soares, por isso tens lugar quase sempre garantido. Fazemos assim: continua a jogar bem, a fazer golos, e depois em janeiro já podes assinar por outro clube a custo zero. E como não têm nada a pagar ao FC Porto, até pagam uma comissão e um prémio de assinatura bem mais altos». Claro, isto é meramente ficcional e extremamente pessimista. Mas estamos no futebol. 

O próprio Diego Reyes, único central suplente na equipa principal, está em final de contrato. Assim como Maxi Pereira, que dificilmente ficará para a próxima temporada. E na véspera, O Jogo trouxe-nos também à capa uma notícia de que Reyes mostrava serviço como alternativa a Danilo Pereira. 

Já não há uma alternativa de raiz a Danilo no plantel. Sugerem Reyes, que é então simultaneamente único central suplente e alternativa à posição 6. Está em final de contrato. 

Não passa pela cabeça de ninguém perder Iván Marcano e Aboubakar. Se tal acontecesse, Reyes entrava no 11, deixava de haver central suplente e a tal alternativa sugerida a Danilo; se Aboubakar deixasse de ser opção, Marega e Soares tinham que durar os 90 minutos semana após semana, ou então Sérgio Conceição teria que passar a jogar em 4x3x3. O pior que podia acontecer: o treinador ser forçado a mudar a sua tática por não ter opções suficientes no plantel. 

E já existem consequências disso. Perante a incerteza em torno de Corona, especula-se que Ricardo Pereira pode jogar a extremo. Tudo bem, tem qualidade para isso, e Maxi Pereira dá garantias de qualidade. Mas isso implica que, perante a ausência de um único jogador, Sérgio Conceição tem que mexer em dois setores; e mexe em dois setores apesar de ter Hernâni no plantel. Não é o maior atestado de confiança e de profundidade no plantel, diga-se.

Já que não foram capazes de dar um único reforço ao treinador, o mínimo que se pede é que Iván Marcano, Diego Reyes e Aboubakar tenham o seu futuro totalmente assegurado e comprometido com o FC Porto o quanto antes. Infelizmente, já temos variados exemplos de que no futebol a palavra não chega.

Ou então O Jogo está simplesmente mal informado e está tudo tratado, a tempo e horas. Isso. 

PS: Uma declaração de Petr Cech, guarda-redes do Arsenal, que vale a pena afixar. «Quando José Mourinho chegou ao Chelsea proveniente do FC Porto, ele trouxe com ele uma coisa essencial: veio de um clube onde não era aceitável para ele terminar o Campeonato em segundo lugar. Ele trouxe o mesmo espírito para o Chelsea». 

O Chelsea, um dos clubes mais poderosos do futebol atual, tomou como exemplo para crescer o FC Porto. Não é necessário acrescentar mais nada. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O quadro de NES e o quadro de AVB


Este era o quadro de André Villas-Boas. Os portistas não souberam que ele existiu até à altura em que foi, orgulhosamente, exposto no Museu do clube. 

André Villas-Boas podia ter puxado deste quadro a qualquer altura da época. Depois dos 5x0 no Dragão, a festa bem regada e às escuras na Luz, a reviravolta na Taça de Portugal. Podia tê-lo feito quando o FC Porto se apurou para Dublin, quando de lá chegou, ou quando foi ao Jamor bater uma chapa 6. Nunca o fez.

Villas-Boas tinha o seu quadro. E só tinha interesse em mostrá-lo a um determinado grupo de pessoas: os seus jogadores. Eles é que tinham que perceber o seus objetivos. Villas-Boas não estava preocupado se os adeptos ou a imprensa percebiam o que ele idealizada. Preocupava-se com o essencial: os jogadores.

O quadro de Villas-Boas não vem saído de um manual de auto-ajuda, de um livro de teoria de futebol ou de uma palestra de Luís Campos. O quadro de Villas-Boas é algo que podia ter sido escrito por Pedroto. Objetivos traçados de forma simples e objetiva.

Uma frase do rival, neste caso de Coentrão, a provocar; lembrar a revolta das injustiças sofridas por Hulk e Sapunaru; «envergonhar quem nos fode todos os dias». Uma oportunidade histórica, ser campeão na Luz, bater recordes, e um compromisso mais forte do que nunca. Isto, meus senhores, é algo para ser exposto com orgulho, pois espelha o compromisso entre Villas-Boas e os jogadores nunca época dourada.

Depois temos o quadro de Nuno Espírito Santo. Villas-Boas nunca se sentiu inseguro. Nunca precisou de tentar explicar à imprensa o que ele queria. Não, pois a mensagem passava para os jogadores, e era o suficiente. Villas-Boas não se preocupou em debitar teorias, em inventar regras de três C's, em desenhar árvorezinhas. Foi cru. Em suma, vamos foder o Benfica. E fodemos.

Passámos de um quadro que lançava o mote para envergonhar o Benfica para um quadro que envergonha os adeptos do FC Porto. Nuno Espírito Santo ainda não percebeu o lugar que ocupa. Ao contrário de Villas-Boas, que manteve o seu quadro entre os jogadores e o treinador, NES mostra-o orgulhosamente. E parece mais preocupado em explicar teorias à imprensa e aos adeptos do que em meter a sua equipa a jogar futebol.

É verdadeiramente absurdo. NES não devia precisar do selo de aprovação da imprensa ou dos adeptos para aplicar os seus princípios. Um bom treinador, um verdadeiro líder, confia nas suas ideias, não sente necessidade de as explicar. Só precisa de as transmitir aos jogadores, e é o suficiente. Devia assumir que por alguma razão ele é que é o treinador do FC Porto, enquanto que outros são treinadores de bancada. A não ser que admita que chegou ao FC Porto pelas mesmas razões que chegou ao Rio Ave. Outros rosários.

Estas apresentações de NES revelam, acima de tudo, a insegurança do treinador no cargo que ocupa. NES sente-se incompreendido e inseguro. Daí que seja, provavelmente, o único treinador da atualidade que se espalha no ridículo de explicar, publicamente, os princípios táticos que quer implementar na sua equipa.

Benfica, Sporting e demais adversários podem poupar o trabalho de enviar olheiros: NES explica-vos tudo o que precisam de saber. Nuno Espírito Santo está a explicar aos adversários como é que o FC Porto joga, ou como é que pretende que jogue. Em parte nenhuma do planeta encontram um treinador que explica aos adversários como é que ele vai jogar. Ah, esperem, Sá Pinto fez isso uma vez. No Sporting. De Godinho Lopes. Que bem correu. 

NES parece estar mais preocupado em fazer prevalecer a sua imagem de tipo sereno, politicamente correto, afável e que reúna simpatia por parte de imprensa e adversários do que em efetivamente vencer pelo FC Porto. Uma dica: nunca nenhum treinador do FC Porto teve sucesso a ser simpático e politicamente correto. Nem com teorias acima da competência prática. Não serás o primeiro, Nuno.

Sábado, 20h30, Estádio do Dragão. Deixa o quadro no balneário e mete a prática no relvado. Sentes-te inseguro? Ganha ao Braga. A confiança ganha-se com vitórias e resultados, não com teorias ou com quadros. As únicas aulas que tens que dar não é à imprensa, nem aos adeptos, mas sim aos jogadores. Se de facto tiveres algo para lhes ensinar.

sexta-feira, 18 de março de 2016

O valor da palavra

Jornal de Notícias
Pode muito bem ser entendido como uma crítica a Vítor Baía, que foi a única personalidade ligada ao FC Porto a admitir publicamente uma futura candidatura à presidência do clube, mas que se ficou pela afirmação de que «varria tudo». Ou quiçá seria mesmo uma vontade do presidente. Pinto da Costa disse que «se tivesse entrado uma candidatura credível, não seria candidato». Por mais nobres ou provocatórias (na medida em que ninguém acabou por avançar com uma candidatura) que fossem as intenções de Pinto da Costa por trás desta frase, não são as palavras mais motivadoras para avançar para o 14º mandato.

Por outras palavras, os associados do FC Porto podem votar em Pinto da Costa por acreditarem que é a melhor hipótese; mas Pinto da Costa só se apresenta a votos por não haver outra hipótese (melhor). Os sócios confiam mais em Pinto da Costa do que o próprio Pinto da Costa?

Para responder a estes últimos 3 anos de péssima memória, é preciso um excelente programa para o 14º mandato. Assim sendo, se Pinto da Costa não decidisse avançar, ia deixar de lado o seu programa para o 14º mandato? Ou não há ainda sequer programa? Pinto da Costa, aliás, disse que só na terça-feira deu luz verde a Fernando Cerqueira para avançar. 

Em 2011-12 Pinto da Costa disse ao L'Équipe que ia deixar o FC Porto num prazo máximo de 5 anos. Esse quinto ano seria a época que se avizinha. Mas como é óbvio, nenhum associado quererá votar num mandato de 4 anos para, ao fim da primeira época, haver logo mudança de presidente. Por isso só temos que assumir que Pinto da Costa quer e vai cumprir os 4 anos que tem pela frente.

Aliás, se houvesse de facto intenção de Pinto da Costa em passar a pasta, então não se teria alterado os estatutos. É muito simples: o artigo 89 dos estatutos do FC Porto previa o seguinte. «Na hipótese de os Presidentes da Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal manifestarem até ao dia 20 de Março do final do triénio, das suas disponibilidades para continuarem em exercício de funções e não surgir qualquer candidatura até 15 Abril, haver-se-à o seu mandato prolongado por mais 1 ano.»

Tendo em conta que não houve candidatos, a atual direção não precisaria de se candidatar para o 14º mandato: bastava avançar para o ano extra em causa e, quiçá, dar tempo a eventuais interessados para avançarem (se bem que provavelmente só o farão quando Pinto da Costa se retirar, pois ninguém quererá ficar sob a pressão de ter antecipado, oficialmente, o fim da era Pinto da Costa). Mas face à mudança de estatutos, então só se pode admitir um compromisso absoluto com o clube para os próximos 4 anos. Muito provavelmente será o último mandato de Pinto da Costa, mas que pelo menos seja apresentada a base para os próximos 4 anos; os associados querem saber em que estão a votar. E não querem votar num presidente que se retire ao fim 1 ou 2 anos de mandato.

Uma curta nota pelo meio, a propósito de alguns comentários que têm surgido, com uma analogia política que se fará entender: para se ter o direito a ter uma voz crítica sobre o governo, não é preciso formar um partido, nem fazer carreira de político; da mesma forma que ter algumas opiniões populares e fundamentas sobre o governo não qualifica ninguém para o substituir ou para ser político. Para bom entendedor...

Adiante, estas foram as palavras de Pinto da Costa à imprensa. Não sabemos, pode ter sido uma mera bicada aos candidatos, um toque de ironia. Mas uma coisa é o que Pinto da Costa diz à imprensa. Outra é o que diz aos associados, ou, como já disseram, entre família. Isto claro, a propósito do que disse Vítor Serpa, que confirmou que falou com Pinto da Costa durante 15 minutos na Gala dos Dragões de Ouro e que foi o próprio presidente a convidá-lo. Pedro Marques Lopes, um dos portistas mais notáveis da nossa praça, confirmou que esteve à conversa com os dois na Gala.

Ou Vítor Serpa e Pedro Marques Lopes mentiram, ou Pinto da Costa mentiu. E nenhum adepto pode ser inocente ao ponto de não reconhecer para que lado está a pender a balança. Como não há registos audiovisuais da intervenção do presidente na AG, há quem já fale em más interpretações: uns dizem que Pinto da Costa garantiu que não convidou, nem sequer viu Vítor Serpa na Gala; outros dizem que Pinto da Costa só disse desconhecer quem convidou Vítor Serpa, e que não terá falado com ele. 

Jornal A Bola, a outra «versão»
Seja como for, algo falhou aqui. Poderão dizer que isto é uma coisa insignificante - e até é, quando comparado com tantas outras coisas dos últimos anos. Mas o problema está mesmo aí: mentir numa questão tão insignificante quanto esta, não à imprensa, mas a sócios que o olharam nos olhos? Porquê? Para quê?

Nenhum erro poderá ser tão grave quanto não admiti-lo. Se aconteceu como com Suk, em que o homem lhe caiu ali nos braços, tudo bem, há que ser politicamente correto, educado, cordial. Mas mentir, nunca. Até podiam convidar Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho: nada seria tão grave quanto mentir nesta questão. E alguém mentiu. Depois, só há duas coisas piores do que a mentira: fingir que nada aconteceu ou insistir na mesma.

Na questão de Casillas, é de destacar que não foi proposta propriamente uma renovação: simplesmente o FC Porto quer ativar o ano de opção que tem no contrato. A única novidade é que, a partir de 2017, o Real Madrid deixa de contribuir no salário de Casillas. Logo, ou Casillas reduz para quase um terço o seu salário em 2017-18, ou terá que ser o FC Porto a suportá-lo (na verdade não será, pois é impossível fazê-lo, portanto só uma grande redução salarial de Casillas viabilizará a sua continuidade no FC Porto). 

Não é necessária grande pressa para renovar contrato com um jogador que terá 36 anos e não terá mercado quando o contrato com o FC Porto terminar (terá 37 no ano de opção), mas percebe-se que Pinto da Costa tenha optado por deixar uma mensagem forte depois da encomenda publicada no El Confidencial. E nisso fê-lo bem. Depois do Euro 2016, Casillas possivelmente perderá a titularidade na seleção espanhola e veremos em que medida o futebol europeu ainda o motiva, sobretudo com a MLS a chamar por ele. Nada que não se resolva à mesa para benefício de todas as partes. Com o valor da palavra presente, de preferência.

PS: A título de curiosidade...

quarta-feira, 16 de março de 2016

Pinto da Costa fala e janta com os mortos

É uma questão de tempo até este assunto ser amplamente difundido pela comunicação social portuguesa, portanto importa já antecipá-lo. Esta história nasce do El Confidencial, um jornal espanhol que faz qualquer jornalista do Correio da Manhã sentir-se digno de um Pulitzer, e é assinado por José Manuel García, que responde no Twitter pelo nick @butacondelgarci.


Este jornal imputa ao presidente do FC Porto afirmações gravíssimas, acusando-o de apunhalar Casillas pelas costas. O El Confidencial diz que Pinto da Costa afirmou o seguinte em privado: «El fichaje de Casillas ha sido un absoluto fiasco. Iker no sólo no ha cumplido ninguna de las expectativas que teníamos, sino que nos ha costado partidos, la Liga y nuestra eliminación prematura en Champions (...) Su sueldo es inasumible para el club. Si se va a EEUU, porque me han dicho que el New York City lo quiere, será la mejor operación que hayamos hecho.»


Versão original da notícia
Mas esta é a frase chave do El Confidencial, que temos que reter: «De cara al público, Pinto da Costa aparece como un padrino para Casillas, pero el presidente del Oporto, famoso por sus vehemencias, lleva tiempo desabrochando su lengua y cargando contra el ex madridista. Sucedió en los primeros días del mes en curso, durante una cena en el domicilio de José Manuel de Mello, magnate de los negocios en Portugal y simpatizante del Oporto.»

Como seria de esperar, este assunto já se está a espalhar por todo o lado. Já chegou à Catalunha, ao Mundo Deportivo, que diz isto: «Pinto da Costa pronunció estas frases en una cena celebrada a principios de mes en el domicilio del empresario portugués José Manuel de Mello».


Também já chegou ao Brasil, onde a ESPN escreveu isto: «Jorge Nuno Pinto da Costa criticou severamente Casillas, 34 anos, durante um jantar com o magnata José Manuel de Mello, torcedor dos Dragões, no começo de março».

Já é viral, portanto. Mas estão a desviar-se do mais importante deste tema. O El Confidencial diz que Pinto da Costa fez estas afirmações sobre Casillas durante um jantar com José Manuel de Mello. Então está tudo a ignorar a verdadeira notícia aqui. Não é Iker Casillas: é a capacidade de Pinto da Costa em comunicar com os mortos:



José Manuel de Mello, empresário português e fundador do Grupo José Mello, faleceu em 2009. Mas segundo o El Confidencial, foi o confidente de Pinto da Costa durante um jantar no início deste mês, onde o presidente do FC Porto criticou imensamente Casillas. Imaginem as portas que se acabaram de abrir: Pinto da Costa é capaz de comunicar com os mortos! Os ensinamentos do Mestre Pedroto podem todos ser recuperados, pois é só Pinto da Costa sentar-se à mesa para um jantar e absorver o conhecimento do mundo do além. Ou então José Manuel de Mello passou os últimos sete anos na mesma ilha que o Elvis.

PS: Entretanto, o El Confidencial alterou a notícia duas vezes. Primeiro, omitiu por completo que tenha havido um jantar. Depois, voltou a incluir a parte do jantar, mas desta vez dizendo que o suposto jantar foi em casa «da família Guimarães de Mello» (conhecida por ser uma família de sportinguistas, não de portistas, já agora). Independentemente de isto ser sujeito a uma quarta alteração, colocar e reafirmar estas afirmações graves na boca do presidente do FC Porto requer uma reação a nível oficial. O jornalista em questão até já começou a justificar-se no Twitter: primeiro disse que se enganou no apelido; depois diz que afinal estava a falar do filho; depois diz que se enganou ao dizer que era uma família de portistas. Não tarda e estava era a falar do Helton, não do Casillas. Isto já não é uma especulação ou rumor: é um ataque à palavra do presidente do FC Porto sobre um profissional que sempre respeitou e se fez respeitar desde que assinou pelo clube.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

¿Por qué te callas? A Robertada

O Football Leaks foi vítima do seu próprio mediatismo: começou a divulgar tantos documentos, alguns que nada acrescentavam, que a determinada altura as notícias que envolviam os leaks começavam a ser recebidas com alguma indiferença.

A imprensa portuguesa também ajudou, ao deixar de publicitar este blogue - quase todos os meios de comunicação desistiram, de um momento para o outro, de o fazer, exceção feita ao jornal Record. Quando foi para divulgar coisas como o contrato de Jorge Jesus e algumas transferências do FC Porto, até espaço em debates televisivos tiveram. Agora, fez-se silêncio.

A determinada altura muitos questionavam por que é que não apareciam informações sobre os negócios mais obscuros do Benfica, em particular o caso Roberto. Pois bem, apareceram informações bastante curiosas sobre o negócio Roberto. Viram-las em algum jornal ou meio de comunicação?

Houve apenas um jornal a escrever sobre isso: o Record, através do jornalista António Varela. Pois bem, mas acontece que o Record decidiu voltar atrás e apagou a notícia (o link original era este) que havia escrito sobre Roberto. Infelizmente para eles, ainda está disponível em cache. Passando a reproduzi-la abaixo:



Que se passou, Record? A notícia deixou de ter pertinência informativa de um momento para o outro? Ou será que a sua publicação chateou alguém? Por qué te callas, Record? Vá, para que o Record não esteja sozinho nesta guerra, vamos falar um pouco da transferência de Roberto.

A ver se ninguém se perde pelo caminho: Roberto foi transferido para o Saragoça em 2011, por anunciados 8,6M€, dos quais o clube na verdade só pagou 1%, ou seja, 86 mil euros.

Duas épocas depois, o Benfica, num brilhante ato de gestão desportiva, voltou a contratar/recuperar Roberto, alegando que o fez porque o BE Plan, a entidade que deveria ser responsável por 99% do pagamento, não o fez. Como todos saberiam, à partida, que não o faria, daí a expressão «milhões da treta» usada de pronto por Pinto da Costa.

O Saragoça estava falido, com uma dívida superior a 100 milhões de euros, e devia mais de 15 milhões a ex-jogadores. Não poderia nunca comprar um jogador por 8,6 milhões. Entrou então em cena a BE Plan, que incluía três sociedades comerciais: a BE Plan Energia 1, a BE Plan Energia 2 e a BE Plan Energia 3. Todas elas tinham como representante Agapito Iglesias, que, tal como Luís Filipe Vieira, se trata de um empresário da construção civil.

Ora, isso é ilegal, pois os dirigentes de clubes não podem ter participações em negócios de jogadores. Era claramente o caso de Agapito Iglesias em relação a esta transferência de Roberto.

De volta à cronologia da Robertada, o Benfica tinha informado a CMVM, em 2013, que recuperou o passe de Roberto devido a incumprimento do Saragoça. Mas a tal notícia apagada pelo Record, com base nos documentos da Football Leaks, mostra que o Benfica pagou 86 mil euros para voltar a ter os direitos federativos de Roberto.

«São milhões da treta». E eram!
E então Roberto assinou um novo contrato com o Benfica, válido até 2017. O Benfica não informou o mercado regulador sobre esta pertinente informação. O guarda-redes foi então emprestado ao Olympiacos, em 2013/14, após acabar a época no Saragoça. Até que a 4 de fevereiro de 2014 Roberto rescindiu com o Benfica; depois assinou pelo Atlético; e um dia depois estava a ser anunciado a título definitivo no Olympiacos.

Ora Saragoça, Atlético, Benfica, Olympiacos... Qual é o limite de inscrições por ano admitida pela FIFA? Por quantos clubes pode alinhar um jogador? Quais são as consequências em caso de incumprimento das regras? Podem perguntar ao Meyong e ao Belenenses, eles explicam.

O dinheiro de Roberto, que nunca entrou no Benfica, ficou então pendurado até fazerem de Pizzi o jogador mais caro da história do clube (14M€) e de terem avaliado Raúl Jiménez em 18M€ após uma época em que se só fez um golo em Espanha.

Todo este processo mostra como é fácil fornecer informação que não corresponde na íntegra à verdade. O Benfica não forneceu, como ordena a CMVM, informação de máximo grau de fiabilidade ao mercado durante o caso Roberto - até porque logo o primeiro comunicado anuncia um acordo com o Saragoça, e não com o BE Plan, por 8,6M€. Este tipo de negócios podem fazer as ações disparar e iludir os investidores. Que fez a CMVM? Estava muito ocupada, certamente.

Mas o mais curioso é que o Benfica vendeu Roberto a uma entidade que nada tinha a ver com futebol. A BE Plan foi criada em 2009, na altura no âmbito da construção de um parque eólico. A empresa de Agapito Iglesias estava registada no BORME como sendo uma entidade de «promoção e construção de todo o tipo de edifícios». Até que em setembro de 2011 decidiu mudar...


... Dois meses depois da transferência de Roberto, a BE Plan decidiu mudar e informou que passou a ser uma empresa «dedicada à representação de desportistas». Posteriormente, descobriu-se em Espanha que Agapito esteve envolvido, também com Jorge Mendes, em transferências de jogadores que nunca pertenciam efetivamente ao Saragoça, como foram exemplos Juan Carlos (Braga) e Tales (Sporting).

Sabemos que há alguns espaços na blogosfera que já debateram bastante a tendência/coincidência para o Benfica, que é presidido por um empresário da construção civil, adorar negociar com clubes que estão a construir novos estádios ou infraestruturas. Até onde se sabe, o facto de tanto Luís Filipe Vieira como Agapito serem empresários da construção civil e terem estado envolvidos nesta Robertada não é mais do que uma coincidência. Tal como foi coincidência que, depois da Robertada, Luís Filipe Vieira, na condição de empresário, tenha ido a Espanha fechar um negócio para um Complexo Turístico.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A(s) mentira(s) do Record


Quando o assunto é a transferência de Carlos Eduardo do FC Porto para o Al-Hilal o Record não consegue definitivamente dar uma para a caixa. Depois de em outubro já ter dado uma informação falsa, agora o Record diz que a informação falsa que deu... era falsa. Ver para crer.

O Tribunal do Dragão analisou o tema logo assim que o R&C de 2014-15 saiu: a dupla Carlos Eduardo e Célestin Djim.  O FC Porto vendeu estes dois jogadores, em pacote, para as Arábias. Era para ser Carlos Eduardo e Kayembé, mas acabou por ser outro jogador do mapa de Liège a seguir no negócio. 

Mas a verdade é que o FC Porto nunca anunciou a venda de Carlos Eduardo ao Al-Hilal. Nunca. Por isso, o Record mente quando escreve o seguinte: «O portal Football Leaks revela esta quarta-feira que o FC Porto apenas recebeu 2 milhões de euros pela transferência de Carlos Eduardo para o Al Hilal, ao contrário dos 5,5 milhões que comunicou à CMVM no Relatório e Contas Consolidado relativo à temporada 2014/15

Mente porque o FC Porto nunca disse que vendeu Carlos Eduardo por 5,5M€. Só o Record é que disse isso mesmo, e erradamente:


A única coisa que o FC Porto anunciou é que o Al-Hilal tinha uma dívida de 5,5M€. Não referiu a que jogadores se deviam essa dívida. Nem sequer referiu que tinha transferido Carlos Eduardo para esse clube. A verdade, e como O Tribunal do Dragão na altura revelou, é que Carlos Eduardo e Djim tinham sido vendidos em pacote. E o Record ignorou, ou desconhece(u), por completo a integração de Célestin Djim no negócio.

É grave, pois o Record está a acusar o FC Porto de mentir a nível de informação oficial. E está a acusar o FC Porto de mentir com base numa mentira lançada pelo próprio Record. Carlos Eduardo saiu por 2M€ (o FC Porto ficou com 50% dos direitos). Os restantes 3,5M€ foram para a avaliação de Djim, o documento que convenientemente não foi divulgado pelo Football Leaks - fica para depois ou será que o objetivo era mesmo tentar acusar o FC Porto de mentir no fornecimento de informação oficial? Não é a primeira vez que o Football Leaks semeia mentiras. Não por fornecer documentos falsos, mas por fornecer apenas partes de um todo, ou documentos que nunca passaram do planeamento à concretização.

Correu mal, correu mal, Record. Ainda hoje mantêm online a mentira de que Carlos Eduardo saiu por 5,5M€. Vão finalmente corrigir o erro ou alimentá-lo com uma segunda mentira?

Por outro lado, era algo evitável se o FC Porto se tivesse dado ao trabalho de, pelo menos, dar uma mínima informação sobre a transferência de Djim e de Carlos Eduardo (que Pinto da Costa disse que faria parte do plantel de Lopetegui) para as Arábias. Para um clube que gosta de ser conhecido pelos seus grandes negócios, até admira que não tenham dado atenção à obra que foi vender Djim por 3,5 milhões. Caraças, valeu mais do que o Garay!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Dá cá uma ajuda, Sherlock

«Segundo informações recolhidas pelo zerozero.pt, o médio vai sair do AS Monaco a custo zero, uma vez que os monegascos ainda devem 25 milhões de euros aos dragões pela primeira transação.»

Ok, não devemos ter a quarta temporada de Sherlock antes de 2017, mas dava um jeitaço ter a ajuda do detetive. A missão é esta: tentar descobrir onde é que o Mónaco deve 25 milhões de euros ao FC Porto.

O zerozero, se quiser, pode acompanhar os seguintes passos: ir à CMVM, abrir o Relatório e Contas do primeiro semestre da última época, e ver a rubrica clientes (isto é, quanto dinheiro cada clube devia ao FC Porto no final de 2014).


Pois... não. Nem um cêntimo, Sherlock. De recordar que James e Moutinho saíram, em Maio de 2013, por um valor global de 70 milhões de euros, que geraram mais valia de 25,7 e 15 milhões de euros (de notar que só 15M€, não incluídos na mais-valia, foram deduzidos pela amortização do valor contabilístico do passe), um dos melhores negócios da história da SAD do FC Porto.

Vamos então abrir o primeiro R&C desde que Moutinho e James saíram, precisamente as contas anuais de 2012-13.

Ora então James e Moutinho foram vendidos em Maio. Em Junho, o Mónaco já só tinha a pagar 3,5 milhões dos 70 milhões que movimentaram a transferência. E pagou essa tranche mínima logo de seguida, como se pode constatar pelo R&C que se seguiu.

Elementar, meu caro zerozero. O FC Porto recebeu tudo o que tinha a receber de João Moutinho. Logo, um possível regresso ao FC Porto não é porque o Mónaco deve dinheiro à SAD, mas sim porque o jogador quer regressar a casa, demonstrando ainda o seu portismo ao admitir abdicar de grande parte do salário. O resto é um jogo de paciência que só deve mesmo merecer prognósticos no final, como disse João Pinto e citou Villas-Boas. Impossível era ver Casillas no FC Porto. Mas se Roy Sullivan levou com sete raios, podemos sonhar que um raio caia duas vezes no mesmo sítio.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Perdão às senhoras: a puta da vergonha ultrapassou os limites

Estamos em vésperas de um importantíssimo jogo da Liga dos Campeões. Neste momento nada mais deve interessar a Lopetegui e aos jogadores do que ganhar ao Basel. Mas não é aos jogadores e ao treinador que cabe reagir com a veemência que se impõe ao recente escândalo da Liga Aliança. Sobretudo quando a imprensa desportiva e o jornal mais vendido do País, a saber o Correio da Manhã, alinham numa estratégia sem escrúpulos, que renuncia a todo o tipo de valores éticos e de procura pela verdade com o único objectivo de não deixar que o escândalo seja tratado nas instâncias devidas.
CM, 17-02-2015

A Liga Aliança visava implementar uma rede de manipulação de verdade desportiva para que só Benfica e Sporting fossem campeões nacionais. Então qual é o melhor remédio para afastar este fantasma que paira sobre Lisboa? Atacar o futebol do Norte. Como é que o CM faz isso? Trazendo à manchete do seu jornal uma notícia de... 2013!!!

E agora vamos mergulhar num mar de maravilhosas coincidências. Esta notícia é de Setembro de 2013 (ler aqui). Quatro gestores do BPN, nomeadamente Oscar Silva e três ex-administradores da linha de crédito automóvel, foram acusados de burla e abuso de confiança pelo Ministério Público. A saber, além de Oscar Silva, foram acusados Mário Martins, Jorge Humberto Costa e Alfredo Miguel Viera Machado.

Basicamente, as linhas de crédito eram atribuídas para comprar automóveis, mas os automóveis não chegavam a ser adquiridos. Foram identificados 10 beneficiários, que tiveram os empréstimos com baixíssimas taxas de juro e sem garantias adequadas. Acabaram, segundo o JN, por pagar tudo o que deviam e celebraram novos acordos com o BPN. Isto em Setembro de 2013.

Quando é que o CM achou pertinente publicar esta notícia? A 12 de Janeiro de 2014. Adivinhem lá em que dia: num dia de um BenficaxFC Porto, onde se o Benfica ganhasse isolava-se na liderança. Mas que belo dia para associar actividades ilícitas ao futebol do norte.

E agora, meus senhores, por obra do Espírito Santo (ou será do anjo Gabriel?), o CM decide publicar hoje exactamente a mesma notícia que já tinha saído em 2013 e que foi repetida em Janeiro de 2014. Então porquê? Porque podem meter na capa que houve dirigentes do Leça, do Salgueiros e do FC Porto entre os beneficiários da linha de crédito de 23M€. Que têm estes 3 clubes em comum? São do Norte. E porquê tentar que voltem a associar-se actividades ilícitas ao futebol do norte? Para que não se fale da Liga Aliança a Sul e que se esqueça o perdãozinho da CM de Lisboa às taxas urbanísticas do Benfica. Bravo, arcanjo, bravo!

CM, 12-01-2014
Este é um assunto mais do que sabido e que remonta a 2013. Mas todos vão querer recordar que Reinaldo Teles, juntamente com o irmão, foi um dos 10 beneficiários do esquema, no valor de 780 mil euros. Que tem o FC Porto a ver com isto? Absolutamente nada. Se Reinaldo Teles arranjou quem lhe concedesse uma linha de crédito com juros baixos e sem garantias, maravilha para ele. Em relação ao FC Porto, não há nada a apontar. Se houvesse, bastava seguir a linha de raciocínio praticada para os lados de Alvalade: «Um vice-presidente depositou dinheiro na conta de um árbitro, mas o clube não tem nada a ver com isso».

Claro que o CM vai falar dos ex-presidentes do Leça, do Tirsense, do Famalicão e de Reinaldo Teles. Dá jeito associar isto aos clubes do norte. Mas sabem quem foi o maior beneficiário deste esquema? Nélson Almeida, em 6,43M€. Para quem não sabe, é um empresário com jogadores nos 3 grandes. Mas vamos lá em mais uma viagenzinha ao passado.

Para que usou Nélson Almeida a sua linha de crédito? Recordando o que diz o JN em 2013, usou para negócios particulares, entre eles comprar um clube chamado Corinthians Alagoano. Que clube especial é este? Um clube que celebrou, por exemplo, um protocolo com o Benfica para despejar um camião de jogadores entre o clube e o satélite Alverca, na altura de Luís Filipe Vieira. Com quantos jogadores desse protocolo ficou o Benfica? Zero. Mas tem que haver aqui um agradecimento, porque um desses jogadores chamava-se Anderson Luiz de Souza.

E este clube especial, o Corinthians Alagoano, que fez no último verão? Transferiu Djavan para o Benfica, jogador que passado 2 meses já estava em Braga. Quem tratou do negócio? O caríssimo Nélson Almeida, beneficiário da linha de crédito do BPN. Mas dá mais jeito falar no Leça, no Tirsense e no Reinaldo, não é CM?

E porque recuperar uma notícia de 2013 não chega, agora Somos Todos Patrício. Podem brincar com o catolicismo, com o islamismo e mais o resto, mas não brinquem com a maior religião de todas: o clubismo. Não, não sai um discurso charlieziano, porque a piada da Sagres foi de facto mau gosto, na medida em que se trata do guarda-redes da Selecção Nacional, que a própria Sagres patrocina.

Só seria bom que dessem um terço do tempo de antena que estão a dar a um anúncio publicitário à Liga Aliança. O frango do Patrício enche manchetes, vai a telejornais, chega a debates televisivos. E a denúncia de uma rede de manipulação de verdade desportiva no futebol português? Zero. Ninguém fala, excepção feita ao Porto Canal. Mas quando fazemos comunicados para desmentir o preço do Hernâni e optamos por não reagir a isto, que fazer?

E agora mais uma coisa giríssima. O mínimo que se pode exigir nas declarações de Bruno de Carvalho é investigar. Se for verdade, que o Benfica seja devidamente punido. Se for mentira, então que Bruno de Carvalho seja julgado pela difamação e descredibilização do futebol português. Por isso, o mínimo que se espera é que a Liga abra o inquérito.

Então adivinhem lá qual é a notícia saída ontem: a Liga quer fechar a Comissão de Instrução de Inquéritos!! Numa altura em que a mais grave afirmação que envolve o futebol português nos últimos anos merece uma investigação profunda, a Liga entende que é hora de fechar a CII. E de forma a tentar evitar somar 2+2=4, o CM avança com a informação altamente pertinente: «O FC Porto esteve sempre contra a CII». Claro, o problema é o FC Porto não querer a CII aberta, não é que ela sirva para abrir a investigação às afirmações de Bruno de Carvalho e desmascarar a Liga Aliança. Brilhante, CM, brilhante.

Pinto da Costa bem dizia que a vergonha não se vende nas farmácias. Mas se se vendesse, o stock estaria esgotado para muita gente.