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quarta-feira, 16 de março de 2016

Pinto da Costa fala e janta com os mortos

É uma questão de tempo até este assunto ser amplamente difundido pela comunicação social portuguesa, portanto importa já antecipá-lo. Esta história nasce do El Confidencial, um jornal espanhol que faz qualquer jornalista do Correio da Manhã sentir-se digno de um Pulitzer, e é assinado por José Manuel García, que responde no Twitter pelo nick @butacondelgarci.


Este jornal imputa ao presidente do FC Porto afirmações gravíssimas, acusando-o de apunhalar Casillas pelas costas. O El Confidencial diz que Pinto da Costa afirmou o seguinte em privado: «El fichaje de Casillas ha sido un absoluto fiasco. Iker no sólo no ha cumplido ninguna de las expectativas que teníamos, sino que nos ha costado partidos, la Liga y nuestra eliminación prematura en Champions (...) Su sueldo es inasumible para el club. Si se va a EEUU, porque me han dicho que el New York City lo quiere, será la mejor operación que hayamos hecho.»


Versão original da notícia
Mas esta é a frase chave do El Confidencial, que temos que reter: «De cara al público, Pinto da Costa aparece como un padrino para Casillas, pero el presidente del Oporto, famoso por sus vehemencias, lleva tiempo desabrochando su lengua y cargando contra el ex madridista. Sucedió en los primeros días del mes en curso, durante una cena en el domicilio de José Manuel de Mello, magnate de los negocios en Portugal y simpatizante del Oporto.»

Como seria de esperar, este assunto já se está a espalhar por todo o lado. Já chegou à Catalunha, ao Mundo Deportivo, que diz isto: «Pinto da Costa pronunció estas frases en una cena celebrada a principios de mes en el domicilio del empresario portugués José Manuel de Mello».


Também já chegou ao Brasil, onde a ESPN escreveu isto: «Jorge Nuno Pinto da Costa criticou severamente Casillas, 34 anos, durante um jantar com o magnata José Manuel de Mello, torcedor dos Dragões, no começo de março».

Já é viral, portanto. Mas estão a desviar-se do mais importante deste tema. O El Confidencial diz que Pinto da Costa fez estas afirmações sobre Casillas durante um jantar com José Manuel de Mello. Então está tudo a ignorar a verdadeira notícia aqui. Não é Iker Casillas: é a capacidade de Pinto da Costa em comunicar com os mortos:



José Manuel de Mello, empresário português e fundador do Grupo José Mello, faleceu em 2009. Mas segundo o El Confidencial, foi o confidente de Pinto da Costa durante um jantar no início deste mês, onde o presidente do FC Porto criticou imensamente Casillas. Imaginem as portas que se acabaram de abrir: Pinto da Costa é capaz de comunicar com os mortos! Os ensinamentos do Mestre Pedroto podem todos ser recuperados, pois é só Pinto da Costa sentar-se à mesa para um jantar e absorver o conhecimento do mundo do além. Ou então José Manuel de Mello passou os últimos sete anos na mesma ilha que o Elvis.

PS: Entretanto, o El Confidencial alterou a notícia duas vezes. Primeiro, omitiu por completo que tenha havido um jantar. Depois, voltou a incluir a parte do jantar, mas desta vez dizendo que o suposto jantar foi em casa «da família Guimarães de Mello» (conhecida por ser uma família de sportinguistas, não de portistas, já agora). Independentemente de isto ser sujeito a uma quarta alteração, colocar e reafirmar estas afirmações graves na boca do presidente do FC Porto requer uma reação a nível oficial. O jornalista em questão até já começou a justificar-se no Twitter: primeiro disse que se enganou no apelido; depois diz que afinal estava a falar do filho; depois diz que se enganou ao dizer que era uma família de portistas. Não tarda e estava era a falar do Helton, não do Casillas. Isto já não é uma especulação ou rumor: é um ataque à palavra do presidente do FC Porto sobre um profissional que sempre respeitou e se fez respeitar desde que assinou pelo clube.

quarta-feira, 2 de março de 2016

As mais-valias e a Champions

As análises aos R&C das SAD feitas pela nossa imprensa são sempre, no mínimo, criativas. As contas semestrais do FC Porto não são exceção. Escreve O Jogo que o prejuízo de 17,6M€ do primeiro semestre tornou a entrada direta na Liga dos Campeões 2016-17 «quase obrigatória». Não, não tornou. Já é obrigatória desde o início da época.

Angelino Ferreira, O Jogo
Quando a SAD apresentou a sua proposta de orçamento, estava previsto um encaixe de 27,437M€ com receitas da UEFA. Isto já implicava o apuramento direto para a Liga dos Campeões. No primeiro semestre, a SAD ganhou 11,698M€ em receitas da UEFA. Se entrar diretamente na Champions, recebe mais 12M€. Contas feitas são já 23,698M€ «garantidos». Tendo em conta os pozinhos que vão entrar no 3.º trimestre pela participação na Liga Europa, a SAD fica perto dos 27,437M€ a que se propôs no início da época. Não chega a atingir essa marca, pois falhou o apuramento para os 1/8, mas não é esta diferença que pode justificar a saída de mais um titular no final da época.

Posto isto, O Jogo escreve que falhar a Champions pode implicar um acréscimo de venda de jogadores no final da época. Óbvio. Mas a necessidade de mais-valias já é há muito conhecida. 

A SAD informou no orçamento que vai necessitar de 72,591M€ com mais-valias de jogadores no final da época. Entretanto, a saída de Alex Sandro fez com que este valor baixasse para 51,2M€. Saiu Imbula, mas os 24M€ da sua venda pouco servirão para reduzir esta necessidade. Imbula esteve menos de meio ano no FC Porto, o que significa que cerca de 18M€ não entrarão na amortização do passe. Se contarmos com as esperadas comissões do negócio (o R&C do 3º trimestre já deve esclarecer os papéis que a Doyen e Luciano D'Onofrio terão tido nesta transferência), será difícil imaginar que Imbula possa gerar uma mais-valia superior a - ou perto de - 5M€. 

Angelino Ferreira
A necessidade de mais-valias continuará sempre a implicar a saída de pelo menos 2 titulares no final da época. Resta saber quem. A SAD só tem 50% do passe de Brahimi, que vai sair. Há Herrera. Há Rúben Neves, cuja saída no fim da época seria um insulto ao portismo e à mística do clube. E de resto só há jogadores recém-contratados. Não há mais ninguém em condições de, no curto prazo, ser transferido por muitos milhões. Há vários excedentários que poderiam ser transferidos, mas são poucas as vezes em que a SAD lucra com emprestados. Além disso, a necessidade é de mais-valias, não de lucro. Seria necessário propostas muito boas para Brahimi e eventualmente Herrera chegarem sequer perto dos 30/35M€, quanto mais dos 50M€.

Se, além desta necessidade de mais-valias, admitirmos a hipótese de falhar o acesso direto à Liga dos Campeões... Inaceitável. Regra geral, no futebol português é campeã a equipa que investe mais. Quem tem o maior orçamento é, por norma, o campeão. O Benfica foi mais um exemplo disso em 2014-15. Mas o FC Porto arrisca tornar-se uma rara exceção em 2015-16. Ainda estamos na luta, matematicamente é possível. Mas face ao novo contrato de direitos televisivos, enaltecido pela SAD, é tempo de começar a pensar em orçamentos sem dar tantas receitas extraordinárias por garantidas.

O Sporting está em 1º. Coincidência ou não, está em primeiro após ter feito disparar as suas despesas salariais: 23,5M€ em seis meses, despesas ainda maiores do que com Godinho Lopes. O Benfica gastou mais 3M€ do que o Sporting. E o FC Porto gastou 36,8M€ em salários no primeiro semestre. Isto mostra que o investimento do FC Porto foi grande mas a matéria-prima não tem, em alguns casos, a qualidade desejada e exigida. E ainda assim, a SAD não admite outro cenário que não o acesso direto à Champions. Por que não estabelecer um teto salarial no plantel - o que até seria dispensável se passassem a pagar 3% de comissões a empresários?

E se o FC Porto falhar a Champions? Nenhum adepto, treinador ou jogador pode admitir isto. Mas um dirigente, na altura da elaboração do orçamento, tem que o fazer, com ceticismo e calculismo. É preciso um plano B, pois falhar a Champions em 2015-16 implica que a SAD tenha que vender um jogador que provavelmente nem tem. E face à necessidade de voltar a investir significativamente no plantel para 2016-17, torna-se insustentável continuar a pensar que o ovo estará sempre no sítio.

Angelino Ferreira
Há três grandes em Portugal, três equipas a jogar por duas vagas. A equipa que fique em 3º lugar fica com um grande problema financeiro para resolver. O FC Porto dependerá sempre de si próprio para, pelo menos, ir diretamente à Champions. E tem que se agarrar a essa obrigação. Mas na perspetiva da gestão da SAD, importa apostar cada vez mais em gerar receitas operacionais. 

As maiores fatias das receitas globais da SAD vão sempre para a venda de jogadores e para a entrada na Liga dos Campeões. É assim há anos, isto não é novidade. Mas repare-se que as receitas operacionais do FC Porto foram de 42,7M€. As do Sporting foram de 37,5. Isto tem que servir de alerta para a SAD para o 14º mandato: o FC Porto, clube mais vitorioso do século XXI e um habitué da Liga dos Campeões, (re)conhecido em todo o mundo, só consegue gerar mais 5M€ do que o Sporting, um clube pouco habituado à conquista de títulos, sem grande projeção na Champions e que saiu recentemente de uma situação de pré-falência. Ainda que o R&C semestral seja circunstancial, é o suficiente para merecer as nossas preocupações. 

É preciso ir à Liga dos Campeões, mas não é pelos resultados do primeiro semestre - é por aquilo que está definido desde o início da época. E com ou sem Champions, tudo se encaminha para uma revolução no plantel no final da época, restando saber se a UEFA implicará a saída ou manutenção de um jogador valioso (mas quem?). Até lá, há uma Taça de Portugal para ganhar e 10 finais no campeonato.

PS: Se o FC Porto terminar a época 2015-16 com um prejuízo superior a 8,65M€, arrisca falhar o fair play financeiro da UEFA, que acabou de excluir o Galatasaray da Liga dos Campeões. Se alguém pensa em fazer negócios à Mangala (só entrou no exercício de 2014-15, o que agravou o prejuízo de 2013-14), bem pode esquecê-lo: o FC Porto terá que garantir a Champions e as mais-valias necessárias até 30 de junho, não em julho ou agosto. A alternativa? Tudo aponta para isto: vai o resto do estádio. No pressure...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Desmistificando: Otávio

É uma daquelas imprecisões prontas a lançar confusão: «Otávio chegou gratuitamente ao FC Porto», diz o Record. «Otávio chegou livre aos dragões», escreve A Bola. Como é lógico, não é verdade. Trata-se da eterna confusão (sim, aparenta ser mais ignorância do que má-fé) entre direitos económicos e direitos federativos.

A saber: direitos económicos são o passe do jogador, cujos 100% podem ser repartidos por diversas entidades (entretanto a FIFA proibiu a partilha do passe por terceiros). Já os direitos federativos são meramente os direitos de inscrição do jogador. Neste caso, não se podem partilhar. Não é possível inscrever 50% de um jogador na FPF, como é lógico. Logo, quando se lê coisas como «o clube tem 100% dos direitos desportivos do jogador», é absurdo, pois não é possível ter um jogador de outra forma.

67,5% por 7,5M€
Neste caso, o «custo zero» que associam a Otávio é nada mais, nada menos do que a transferência dos direitos federativos do Internacional para o FC Porto. Os direitos federativos não movimentam dinheiro, o que movimenta dinheiro é o passe do jogador. Neste caso, o Internacional já não tinha qualquer percentagem do passe de Otávio quando este foi transferido para o FC Porto, pois antes o Internacional vendeu a maioria do seu passe ao BMG.

Assim sendo, em 2014 o FC Porto comprou 33% do passe de Otávio, por 2,5M€, não ao Internacional mas sim ao Coimbra Esporte Clube, que é o clube do BMG, destinado a ponte como transação para outros clubes. É utilizado para inscrever e posteriormente passar jogadores para vários clubes do Brasileirão, entre eles o Internacional. Entretanto a SAD passou a ter apenas 32,5% de Otávio, pois cedeu 0,5%, não se sabe publicamente por quanto ou a quem.

Depois disso, o passe de Otávio ficou assim repartido: 33% continuam no Coimbra Esporte Clube; 20% pertencem a uma empresa registada em 2012 com o nome G. E. Assessoria Desportiva; e os restantes 15% ficaram na posse do pai de Otávio.

Durante a época 2014-15, Otávio não custou nada ao FC Porto na transação, pois a dívida de 2,5M€ ao clube do BMG manteve-se inalterável. Estava previsto a SAD fazer esse pagamento ao longo desta época.

A SAD ficou com direito de comprar mais 35% do passe de Otávio, podendo então ficar com até 67,5% do seu passe. Mas não pode comprar a parte do Coimbra Esporte Clube: pode comprar apenas a parte do pai de Otávio e da referida empresa de assessoria. E não será nada barato: comprar estes restantes 35% custa 5 milhões de euros.

Conforme foi opinado aquando da sua contratação, Otávio foi uma contratação cara e inflacionada, mas que tinha o que não têm os Samis da gestão da SAD: sentido desportivo. Tratava-se, e trata-se, de um jogador que mostra grande potencial e qualidade técnica. Demorou, mas está finalmente a mostrá-lo em Guimarães, com uma sequência de jogos que já lhe devem valer pelo menos um lugar na próxima pré-época.

Foi positivo para ele ficar em Guimarães. É bom não esquecer que só começou a ser titular em dezembro. No momento em que regressasse ao FC Porto, o mais provável era passar mais tempo no banco ou na bancada. No meio-campo de Lopetegui não caberia (o mais provável era ser desviado para a ala). Com Peseiro talvez tivesse mais espaço, mas o treinador terá entendido ter melhores soluções para o curto prazo. E não faria muito sentido tirar Otávio de Guimarães quando ele tinha acabado de lá conquistar a titularidade. Poderia ter sido um caso Hélder Barbosa v2.0.

Desde que começou a ser titular em Guimaães, Otávio já fez 6 golos e 6 assistências. Além disso, está finalmente a ter condição física para aguentar 90 minutos (coisa que por exemplo Quintero nunca conseguiu), algo que pode fazer toda a diferença com vista ao regresso ao FC Porto. Joga e faz jogar, tem tudo para ser uma opção válida para o médio prazo do FC Porto.

Isto para concluir: não chegou a custo zero, não, e até foi/será bem caro, pois em 2014 o FC Porto pagou por potencial, não por qualidade imediata - prova disso é que só a partir da 3ª época poderá ganhar um lugar no plantel. Mas a qualidade, felizmente, está toda lá. E a avaliar pela sua postura em Guimarães, o mais importante também: trabalhar a qualidade que tem. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

¿Por qué te callas? A Robertada

O Football Leaks foi vítima do seu próprio mediatismo: começou a divulgar tantos documentos, alguns que nada acrescentavam, que a determinada altura as notícias que envolviam os leaks começavam a ser recebidas com alguma indiferença.

A imprensa portuguesa também ajudou, ao deixar de publicitar este blogue - quase todos os meios de comunicação desistiram, de um momento para o outro, de o fazer, exceção feita ao jornal Record. Quando foi para divulgar coisas como o contrato de Jorge Jesus e algumas transferências do FC Porto, até espaço em debates televisivos tiveram. Agora, fez-se silêncio.

A determinada altura muitos questionavam por que é que não apareciam informações sobre os negócios mais obscuros do Benfica, em particular o caso Roberto. Pois bem, apareceram informações bastante curiosas sobre o negócio Roberto. Viram-las em algum jornal ou meio de comunicação?

Houve apenas um jornal a escrever sobre isso: o Record, através do jornalista António Varela. Pois bem, mas acontece que o Record decidiu voltar atrás e apagou a notícia (o link original era este) que havia escrito sobre Roberto. Infelizmente para eles, ainda está disponível em cache. Passando a reproduzi-la abaixo:



Que se passou, Record? A notícia deixou de ter pertinência informativa de um momento para o outro? Ou será que a sua publicação chateou alguém? Por qué te callas, Record? Vá, para que o Record não esteja sozinho nesta guerra, vamos falar um pouco da transferência de Roberto.

A ver se ninguém se perde pelo caminho: Roberto foi transferido para o Saragoça em 2011, por anunciados 8,6M€, dos quais o clube na verdade só pagou 1%, ou seja, 86 mil euros.

Duas épocas depois, o Benfica, num brilhante ato de gestão desportiva, voltou a contratar/recuperar Roberto, alegando que o fez porque o BE Plan, a entidade que deveria ser responsável por 99% do pagamento, não o fez. Como todos saberiam, à partida, que não o faria, daí a expressão «milhões da treta» usada de pronto por Pinto da Costa.

O Saragoça estava falido, com uma dívida superior a 100 milhões de euros, e devia mais de 15 milhões a ex-jogadores. Não poderia nunca comprar um jogador por 8,6 milhões. Entrou então em cena a BE Plan, que incluía três sociedades comerciais: a BE Plan Energia 1, a BE Plan Energia 2 e a BE Plan Energia 3. Todas elas tinham como representante Agapito Iglesias, que, tal como Luís Filipe Vieira, se trata de um empresário da construção civil.

Ora, isso é ilegal, pois os dirigentes de clubes não podem ter participações em negócios de jogadores. Era claramente o caso de Agapito Iglesias em relação a esta transferência de Roberto.

De volta à cronologia da Robertada, o Benfica tinha informado a CMVM, em 2013, que recuperou o passe de Roberto devido a incumprimento do Saragoça. Mas a tal notícia apagada pelo Record, com base nos documentos da Football Leaks, mostra que o Benfica pagou 86 mil euros para voltar a ter os direitos federativos de Roberto.

«São milhões da treta». E eram!
E então Roberto assinou um novo contrato com o Benfica, válido até 2017. O Benfica não informou o mercado regulador sobre esta pertinente informação. O guarda-redes foi então emprestado ao Olympiacos, em 2013/14, após acabar a época no Saragoça. Até que a 4 de fevereiro de 2014 Roberto rescindiu com o Benfica; depois assinou pelo Atlético; e um dia depois estava a ser anunciado a título definitivo no Olympiacos.

Ora Saragoça, Atlético, Benfica, Olympiacos... Qual é o limite de inscrições por ano admitida pela FIFA? Por quantos clubes pode alinhar um jogador? Quais são as consequências em caso de incumprimento das regras? Podem perguntar ao Meyong e ao Belenenses, eles explicam.

O dinheiro de Roberto, que nunca entrou no Benfica, ficou então pendurado até fazerem de Pizzi o jogador mais caro da história do clube (14M€) e de terem avaliado Raúl Jiménez em 18M€ após uma época em que se só fez um golo em Espanha.

Todo este processo mostra como é fácil fornecer informação que não corresponde na íntegra à verdade. O Benfica não forneceu, como ordena a CMVM, informação de máximo grau de fiabilidade ao mercado durante o caso Roberto - até porque logo o primeiro comunicado anuncia um acordo com o Saragoça, e não com o BE Plan, por 8,6M€. Este tipo de negócios podem fazer as ações disparar e iludir os investidores. Que fez a CMVM? Estava muito ocupada, certamente.

Mas o mais curioso é que o Benfica vendeu Roberto a uma entidade que nada tinha a ver com futebol. A BE Plan foi criada em 2009, na altura no âmbito da construção de um parque eólico. A empresa de Agapito Iglesias estava registada no BORME como sendo uma entidade de «promoção e construção de todo o tipo de edifícios». Até que em setembro de 2011 decidiu mudar...


... Dois meses depois da transferência de Roberto, a BE Plan decidiu mudar e informou que passou a ser uma empresa «dedicada à representação de desportistas». Posteriormente, descobriu-se em Espanha que Agapito esteve envolvido, também com Jorge Mendes, em transferências de jogadores que nunca pertenciam efetivamente ao Saragoça, como foram exemplos Juan Carlos (Braga) e Tales (Sporting).

Sabemos que há alguns espaços na blogosfera que já debateram bastante a tendência/coincidência para o Benfica, que é presidido por um empresário da construção civil, adorar negociar com clubes que estão a construir novos estádios ou infraestruturas. Até onde se sabe, o facto de tanto Luís Filipe Vieira como Agapito serem empresários da construção civil e terem estado envolvidos nesta Robertada não é mais do que uma coincidência. Tal como foi coincidência que, depois da Robertada, Luís Filipe Vieira, na condição de empresário, tenha ido a Espanha fechar um negócio para um Complexo Turístico.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desmistificando

Sai uma nova rúbrica: desmistificando. Teorias ou falsidades que alguns plantam e outros colhem. Por outro lado, uma espécie de desmancha-prazeres ao serviço da verdade.

Numa altura em que já conseguiram a proeza de apontar mais treinadores ao FC Porto do que jogadores espanhóis durante a era Lopetegui, nasceu algures a teoria de que Villas-Boas poderia rumar ao FC Porto por via de um acerto com o Zenit face ao pagamento de Hulk.

Como é óbvio, trata-se de uma mentira, pois o Zenit já não deve um único cêntimo por Hulk. O Zenit devia uma última tranche de 10 milhões de euros à entrada para 2014-15, e esta quantia foi direcionada para o pagamento de uma CCC do BES, que venceu em agosto de 2014.

No final do 1.º semestre de 2015-16, os clubes/empresas que deviam dinheiro ao FC Porto eram estas:

Como veem, o Zenit já não integra a lista de clubes devedores. Mas seguindo essa lógica AVB/Hulk/Zenit, vamos então negociar: descontamos uma bocado do Alex Sandro em troca do Allegri; ou o resto do Mangala a troco do Pellegrini. Pena que o Atlético já tenha pago tudo pelo Jackson, senão ainda dávamos um cheirinho no Simeone.

Que Pinto da Costa e Antero Henrique consigam, rapidamente, concretizar a contratação do novo treinador do FC Porto - ou, pelo menos, que já saibam quem é o alvo, o que já nem parece ser pedir muito. Importa resolver rapidamente a questão, não só para acabarem com essa dança de apontar 50 treinadores ao FC Porto (já agora, é suposto, com a saída de Lopetegui, dar um passo em frente - não é um passo atrás nem um passo ao lado), mas sobretudo para bem da equipa.