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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Análise 2015-16: os centrais

O FC Porto terminou esta época da mesma forma que terminou 2014-15: sob um grande clima de suspeita face à qualidade dos seus centrais. Normal, tendo em conta que os 30 golos sofridos foram a 3ª pior marca de sempre num campeonato a 34 jornadas.

Ironicamente, os centrais foram praticamente os mesmos de 2014-15, exceção feita à entrada de Chidozie a meio da época. E na época passada, mesmo entre muitas críticas, Maicon, Marcano e Indi acabaram por integrar a defesa menos batida da Europa.

Não era fácil. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, Fabiano, também ele tantas vezes contestado. E ainda assim, marcar ao FC Porto foi sempre difícil para qualquer clube. 

Mas este ano tudo mudou. O FC Porto contratou um novo guarda-redes, trocou os laterais e optou por não reforçar o centro da defesa. O resto é o que se sabe.

Apesar da troca de treinadores, e de José Peseiro ser um treinador que sempre preparou mal as suas equipas defensivamente, grande parte dos golos sofridos pelo FC Porto não se deviam a exposição na transição defensiva, mas sim por erros individuais dos centrais. Foram muitos, demasiados.

Embora o FC Porto não tenha tido um jogador a garantir golos como Jonas ou Slimani, a equipa deste ano fez mais golos do que o FC Porto de Co Adriaanse ou do que no bicampeonato de José Mourinho. Ofensivamente, não há desculpas para uma equipa que não marca ao Tondela ou ao Paços de Ferreira. Mas foi o mau desempenho defensivo que esteve na base da derrocada que foi esta época. 

É naturalmente um setor a precisar de ser reforçado e há dois nomes na minha da frente, ambos oriundos do mercado sul-americano, Felipe e Gustavo Gómez. Mas como sempre, antes de pensar em que vem, há que decidir quem deve ou não ficar. 

Contrato até 2018
Maicon - Capitão, iniciou a sua sétima época no FC Porto, começou em boa forma e a marcar golos importantes, até que chegou o momento que todos se recordam. Maicon foi riscado do plantel e emprestado ao São Paulo, depois de ter renovado contrato por mais um ano, até 2018. Pinto da Costa já disse que no FC Porto não há «pena de morte» e anunciou que Maicon vai regressar. Não sabemos ainda quais são os planos efetivos para Maicon, pois ou o regresso é mesmo possível, ou pode ser um sinal dado ao mercado de que o jogador não estará em saldos. 

O Tribunal do Dragão concorda com a reintegração do jogador no plantel, se houver predisposição de todas as parte para assumir e ultrapassar o erro que foi cometido por Maicon, jogador que ao longo de 6 anos sempre foi um bom profissional e que não raras vezes se sacrificou em campo pelo FC Porto. Tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, Maicon é um elemento de valia desportiva. Ser ou não titular sempre dependeu da qualidade dos seus parceiros de setor (Bruno Alves, Rolando, Otamendi ou Mangala eram superiores), mas é um elemento de qualidade para se ter no plantel.

Superou as expetativas no São Paulo, sendo um dos centrais do Brasileirão em melhor forma nos últimos meses. Vai fazer 28 anos, e não deixa de ser curioso que o melhor Maicon, no São Paulo, não deva muito - se é que deve algo - ao melhor Felipe do Corinthians. A diferença estará sempre na consistência exibicional, algo que faltou várias vezes a Maicon no FC Porto. 

É um caso em que qualquer decisão poderá ser compreendida. Ou a saída, mediante uma boa proposta, ou a permanência no plantel. É bom lembrar que, até à sua saída, era o central com mais duelos e bolas de cabeça ganhas no FC Porto. Além disso, entre todos os centrais da liga, era o central com melhor média de desarmes no 1x1 e o segundo melhor no jogo aéreo, só atrás de André Pinto, do Braga. Certo é que, com ou sem Maicon, o setor defensivo necessitará de ser reforçado. E o regresso de Maicon não será esse reforço, ainda que ajude à profundidade no plantel.

Contrato até 2018
Martins Indi - Quando o FC Porto comprou Martins Indi em 2014, num investimento de 7,7M€, muitos imaginariam que, passados dois anos, já seria o patrão da defesa do FC Porto, seguindo o exemplo da evolução de Mangala. Infelizmente, não foi o caso, e Indi não conseguiu evoluir como seria de desejar nestes dois anos. 

O problema de Indi está, acima de tudo, no jogo aéreo. Ganha poucas bolas de cabeça (na liga ganhou em média apenas 40% dos duelos aéreos) e não controla bem o espaço na grande área. Coisas que escapavam ao olho nu no Mundial 2014, ao serviço da Holanda. Indi jogava num esquema de três centrais, pelo lado esquerdo. Acontece que neste esquema o central que joga por fora é menos exposto ao jogo aéreo, o que fez com que as debilidades de Indi no jogo aéreo não se notassem tanto.

Jogar a defesa-esquerdo seria então solução? Não numa equipa como o FC Porto. Os laterais do FC Porto têm que jogar em profundidade, precisam de velocidade, saber cruzar, ter capacidade para ir à linha e ser fortes no movimento interior. Tudo caraterísticas que Indi nunca revelou. A grande valia de Martins Indi está no início de construção, na forma como faz o primeiro passe, mas isso não chega ser central de equipa grande.

Tem 24 anos, mais 2 anos de contrato, e está longe de ser um caso perdido. Pode e tem condições para evoluir. O FC Porto já acabou de pagar o seu passe ao Feyenoord, pelo que Nuno terá que decidir se Martins Indi tem capacidade para se assumir como titular no FC Porto. Certo é que não poderá acabar a época 2016/17, a um ano do final de contrato, ainda com dúvidas sobre se terá o estofo necessário para se afirmar no clube. Aliás, não é recomendável que um ativo de 7,7M€ fique a um ano do final de contrato, portanto a sua situação terá que ser resolvida a curto prazo. 

Contrato até 2018
Iván Marcano - Com a saída de Maicon, passou a ser o melhor central do plantel, com a maior percentagem de interseções, desarmes, duelos e duelos aéreos ganhos. É o central low-profile que nunca vai ser o líder de uma defesa, mas que é sempre um elemento útil para se ter no plantel. É o tipo de jogador que não vão ver a dar entrevistas, a violar a hora de recolher e a falhar nos deveres de profissional.

Infelizmente, acabou a época a errar no Jamor, num jogo de circunstâncias difíceis e em que mais 2 erros defensivos provocaram a perda de uma Taça. Era apenas a segunda vez que estava a jogar com Helton e Chidozie (nenhuma equipa que se preze vai a uma final da Taça com uma dupla de centrais + guarda-redes sem rotinas), mas não terá sido por isso que entregou o golo a Josué. 

Custou 2,65M€ por 100% do passe e vai fazer 29 anos. Com a chegada de dois novos centrais, é possível que Marcano, o central que não mostra os dentes, seja dado como negociável pelo FC Porto. Desportivamente é um elemento de valia. Não pode ser o patrão de uma defesa, mas pode ser sempre um bom parceiro de setor (e metam na cabeça que dois centrais canhotos podem jogar juntos, pela mesma razão que dois centrais destros o podem fazer). Uma vez mais, que a palavra de Nuno seja ouvida na composição da sua defesa.

Contrato até 2020
Chidozie - Sub-19, equipa B e equipa A na mesma época. Foi um carrossel de emoções para Chidozie, lançado às feras na Luz. O Tribunal do Dragão foi da opinião de que Diogo Verdasca, tendo o mesmo número de oportunidades que Chidozie, faria igual ou melhor. Opinião que se mantém, mas José Peseiro escolheu confiar em Chidozie, que acusou toda a sua inexperiência ao longo destas semanas.

A grande exibição de Casillas contra o Benfica disfarçou muita coisa. Chidozie comete os erros próprios da idade e da sua inexperiência. Bruno Alves, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho não jogavam no FC Porto aos 19 anos por um motivo. O mesmo que penalizou Chidozie: inexperiência e falta de devida preparação. Repara-se que Chidozie nem sequer teve um parceiro consistente ao lado, o que não ajudou. Não houve jogo em que Chidozie não cometesse erros graves de posicionamento. Mais culpa das circunstâncias do que propriamente do jogador, que fez o que podia, sem a preparação devida.

E agora? Chidozie já fez meia época integrado na equipa A, por isso regressar à equipa B poderia ser encarado como um retrocesso. Empréstimo? É preciso cuidado, pois se Chidozie começar já a ser emprestado corre o risco de deixar de contar como jogador formado no FC Porto (tem época e meia feita). Apesar de a sua aposta, desportivamente e na prática, não ter dado os resultados desejados, continua a ser um jovem com muitas potencialidades e caraterísticas interessantes para o médio prazo. Há que apostar na sua evolução.

Por princípio, o 4º central de um plantel deve ser mais jovem, por isso Chidozie pode enquadrar-se nesse perfil. Treinar sempre com a equipa A, ir jogando ocasionalmente na equipa B. Mas Chidozie não tem 2 anos de FC Porto completos, por isso não pode ser inscrito na lista B da UEFA - e o FC Porto não pode voltar a cometer o erro de não ter 4º central para a Champions/Liga Europa (Verdasca, por exemplo, é elegível). Uma vez mais, tudo dependerá dos planos que o treinador possa ter a médio prazo para Chidozie.

Pergunta(s): Que futuro para Maicon, Chidozie, Indi e Marcano? Que centrais seriam mais-valias como reforços?

quinta-feira, 31 de março de 2016

Pérolas da Nigéria

A notícia da renovação do contrato de Chidozie até 2020 deu, desde logo, uma novidade: o facto de Chidozie já ser efetivamente jogador dos quadros do FC Porto, e não emprestado por outro clube. Uma renovação que se saúda, embora desconhecendo os moldes da mesma e a repartição do passe do atleta na SAD.

Chido até 2020
Chidozie fez uma época algo banal no seu primeiro ano nos sub-19, onde não revelou nenhum potencial por aí além a jogar a médio-defensivo, mas após ter sido adaptado a central as coisas começaram a mudar. Fez algumas boas exibições na equipa B, ganhou a confiança de José Peseiro e foi lançado às feras na equipa A - é certo que só jogou por não haver mais ninguém, mas Peseiro teria sempre outras possíveis soluções em vista, como adaptações. Ainda assim não deixou de confiar em Chidozie.

Chidozie cometeu os erros próprios da sua idade e inexperiência, mas mostrou que tem caraterísticas interessantes para ser um bom central. O contrato até 2020 vai permitir-lhe, se necessário, ter uma época de rodagem noutro clube e dá tempo e condições para trabalhar o seu potencial. Sem dúvida um jogador a merecer um pequeno investimento. Quanto? Boa questão.

Chidozie vem do El-Kanemi, um clube pouco conhecido. Segundo o Transfermarkt, este clube nunca fez dinheiro com transferências - o seu negócio mais mediático foi a venda de Samson Siasia ao Lokeren, isto em 1987. Num clube que nunca fez grandes negócios, vender agora Chidozie por 1 ou 2M€ seria um autêntico jackpot. Pelo que só podemos admitir que o FC Porto conseguiu Chidozie por uma autêntica pechincha. 

Haverá sempre a questão sobre se Chidozie foi contratado diretamente ao El-Kanemi ou se o seu passe foi adquirido já junto de um grupo de investidores/empresários, mas isto será certamente esclarecido a seu tempo pela SAD, tal como a eventualidade de Chidozie ter sido descoberto pelo mesmo grupo de scouting que trouxe Mikel ou Atsu.

É fundamental, para o futuro do FC Porto, que a SAD fique com 100% do passe dos jovens que recruta. Estamos a falar de jogadores muito jovens, que são contratados por quantias baixas. Não há necessidade absolutamente nenhuma de avançar para alienações de passes quanto estamos a falar de transferências tão baixas.

Um terço de talento
Tomemos o exemplo de Chidera Ezeh, outro nigeriano do FC Porto, que está no clube desde 2013 mas teve que esperar pelo 18º aniversário para começar a surgir nos Sub-19, com contrato profissional assinado. Foi uma das revelações do Mundial de Sub-17 e chegou ao FC Porto proveniente do River Lane, da Nigéria.

Em relação a esta operação, o FC Porto informou apenas ter uma dívida de 375 mil euros ao River Lane, que foi paga na época 2014-15. É fácil prever que este pagamento deveu-se a Chidera, mas não é claro que a totalidade do seu passe tenha custado 375 mil euros, pois a SAD pode ter pago algum valor no momento da contratação.

Mas neste momento a SAD já só tem 35% de Chidera Ezeh, pois cedeu 65% à For Gool, entidade ligada a Teodoro Fonseca. Desconhece-se que valor rendeu essa alienação. Mas recuperar 30% do passe custa 600 mil euros (opção até ao fim de 2016-17). Há uma opção de comprar mais 25% enquanto Chidera for jogador do FC Porto, mas essa já custa 1M€. Ou os 100% de Chidera custaram bem mais do que os 375 mil euros que estavam na rúbrica fornecedores, ou o passe do jogador já saiu altamente desvalorizado nesta alienação (feita muito antes de Chidera poder jogar nos Sub-19), com a opção de recuperar 55% a custar 1,6M€

Outro exemplo é Mikel, que está ligado ao FC Porto desde 2009, mas só pôde começar a jogar dois anos depois. Um miúdo que sempre se destacou pela sua capacidade de trabalho - rezam as crónicas que ninguém se aplicava mais do que ele nos treinos, motivo pelo qual todos os treinadores desde Jesualdo o chamavam para treinar na equipa A, mesmo que nunca o convocassem.

Ndubisi Mikel Agu
Mikel, a revelação
Mas Mikel, entrando no campo da opinião, nunca revelou qualidades para ser jogador da equipa A. Curiosamente, passou pelo menos processo que Chidozie: após tantas exibições sofríveis a médio-defensivo, Luís Castro meteu-o o central. Melhorou, embora no FC Porto B seja bem mais fácil jogar a central do que a médio-defensivo (a diferença entre só ter que destruir e ter que construir). Mas Mikel nunca mostrou grande evolução, embora tenha tido o azar de partir a perna logo no primeiro treino com Lopetegui (para quem gosta de alimentar mitos, Rúben Neves estava nesse treino, ou seja, Lopetegui não chamou Rúben Neves só porque Mikel se lesionou).

Mikel foi emprestado ao Club Brugge e tem sido... «uma revelação». Quem o disse foi o jornal A Bola, a 3 de fevereiro: «Grande revelação do campeonato belga», escreveram. O problema é que vamos ver os números de Mikel no Club Brugge e chegamos a uma simples conclusão: ainda só fez 2 jogos pelo clube, ambos em janeiro e contra duas das equipas mais fracas do campeonato. Estamos habituados a que o jornal A Bola considere que um jogador seja uma «grande revelação» ao fim de 2 jogos, mas foi a primeira vez que vimos A Bola fazer isso com um jogador do FC Porto. Simpatia galática

Mikel tem contrato até 2017 e pouco ou nada recomenda a sua renovação - até porque Mikel já chegou a renovar contrato duas vezes na mesma época desportiva, mas não tem mostrado grande evolução. Não fará sentido renovar mais uma vez para o emprestar em 2016-17. Vai fazer 23 anos, não é caso perdido, mas está desde 2009 a treinar perto da equipa A, fez duas épocas na equipa B (três com a da lesão), já renovou várias vezes contrato e vai para o 5º ano de sénior. Se os jovens da formação do FC Porto (isto é, os que começam nas escolinhas, nos iniciados ou nos juvenis) tiverem um terço da paciência e oportunidades que Mikel teve, de certeza que não se desperdiçará um único talento da formação do FC Porto.

Em 2012, a SAD alienou 10% do passe de Mikel, ao SIF, por 101,875 mil euros (a mesma operação que Edu Silva, do Penafiel). Neste momento a SAD terá 55% do seu passe, pois no início de 2014 foram cedidos mais 10% à SIF. Entretanto a Sans Souci ficou com 25% da receita líquida de uma futura venda, à luz de um protocolo, e o clube «Megapp» ficou com 10%. O caso de mais um jovem nigeriano contratado em tenra idade com o seu passe alienado.

A não repetir
Mas em relação a Chidozie, o maior termo de comparação (não em relação à qualidade), não sendo da mesma nacionalidade, será Abdoulaye. O FC Porto também foi buscá-lo a África em tenra idade e está desde 2008 ligado ao FC Porto. Ou seja, quase uma década, e poucos lhe reconhecem capacidade para vir a ser um central de equipa grande (já tem 25 anos e não aproveitou os empréstimos ao Rayo e ao Fenerbahçe para mostrar qualidade). 

Não se sabe quando expira o contrato de Abdoulaye - tinha contrato até 2016, mas por norma o FC Porto não deixa jogadores emprestados ficarem em fim de contrato, pelo que não se sabe se Abdoulaye renovou antes de sair. Se não renovou, também não valerá a pena fazê-lo agora, de todo. Por outro lado, dizia Abdoulaye, em 2012, que o seu empresário lhe tinha comunicado que havia o interesse de Benfica, Liverpool e Dortmund na sua contratação. Assim sendo, não haverá problema em recuperar o investimento no seu passe.

Embora tenha sido contratado enquanto júnior do Senegal, 60% do passe de Abdoulaye eram propriedade da Unifoot, de José Caldeira, segundo o R&C da SAD de 2010-11. Mas no R&C de 2012/13, o FC Porto informou que comprou 60% à Pearl Design, com um custo total de 1,1M€. Estávamos a falar de um júnior oriundo do Senegal. Votos de que seja uma situação bem diferente da de um júnior oriundo da Nigéria. 

Pergunta(s): Que futuro para Abdoulaye, Chidozie, Mikel e Ezeh no FC Porto?