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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Análise 2017-18: os médios

Contrato até 2022
Danilo Pereira - Um dos maiores elogios à época do FC Porto é recordar que a equipa esteve privada durante quase meia época do médio-defensivo, possivelmente o mais importante e valioso jogador no arranque da pré-época. Adaptou-se ao esquema de dois médios de Sérgio Conceição, sem nunca perder a sua preponderância defensiva: nas 19 jornadas em que alinhou na Liga, apenas foi driblado em 5 ocasiões por adversários. Danilo foi também o médio de toda a competição com maior percentagem de duelos ganhos (63%) e de duelos aéreos ganhos (72%). Marcou apenas uma vez na Liga, mas esteve em quatro dos golos do FC Porto na Champions. Estava na calha para a saída no fim da época, mas a lesão obrigou a SAD a rever os seus planos para o médio - e ainda bem para a equipa, que conserva um dos melhores jogadores, profissionais e candidato a integrar o grupo de capitães.

Contrato até 2020
Sérgio Oliveira - A surpreendente escolha de Sérgio Conceição para os jogos grandes estava longe de correr bem, pois entre seis jogos de Champions e clássicos, o FC Porto venceu apenas um com o médio no 11. Mas Sérgio Oliveira acabou por aproveitar o espaço com a lesão de Danilo Pereira para entrar no 11, e por lá se manteve até ao final da época. Esteve a um nível muito elevado em fevereiro, com 3 golos e 2 assistências na Liga, mas apesar da notória evolução esta época continua a faltar a consistência que possa fazer dele um jogador «de época». Ganhou intensidade e já não é apenas o médio que chutava e batia livres, tendo sido o 5º maior criador de ocasiões de golo do FC Porto, mas muitas vezes «desliga-se» do jogo. A continuidade de Danilo e Herrera deve remetê-lo ao papel de alternativa válida para a próxima época, sendo que a sua situação contratual terá que ser revista muito em breve. 

Contrato até 2019
André André - Cumprida a terceira época no FC Porto, é tempo de dizer adeus a André André. Os dois bons meses que realizou com Lopetegui já vão longe e, a caminho dos 29 anos e a uma época do final de contrato, o médio português não apresenta o nível desejado para jogar num FC Porto campeão. Jogou apenas 331 minutos no Campeonato, apenas três vezes como titular, e apesar do apreço mantido pela massa adepta por jogadores portugueses e portistas - sobretudo os não saem nem são vendidos à primeira oportunidade - não faz sentido manter André André no plantel para mais uma época a alternar entre banco, bancada e minutos residuais de jogo. O seu regresso a Guimarães está a ser negociado e resta desejar boa sorte a André André e felicidades futuras, menos nos jogos contra o FC Porto. 

Contrato até 2019
Héctor Herrera - Porquê sempre ele? Foi, por razões óbvias, um dos rostos da conquista do título. Mais do que o golo na Luz, que mudou a história do Campeonato, Herrera distinguiu-se pela forma incansável com que se apresentou jogo após jogo, encaixando na perfeição no papel idealizado por Sérgio Conceição para o meio-campo. No FC Porto, Herrera foi o médio com mais desarmes (83), o 3º principal criador de oportunidades de golo (50) e o médio que mais duelos ganhou (221). Numa época de grande exigência para o mexicano, muitas vezes a ter que trabalhar por dois no meio-campo, destaca-se o facto de ter sido desarmado apenas 22 vezes em 29 jornadas, estatística que contraria a imagem de displicência que tantas vezes lhe foi associada, bem como o facto de ter sido o 3º jogador com mais passes para o meio-campo adversário e o 5º com mais passes no último terço. 

A defender ou a atacar, foi uma época completa e de bom nível de Herrera, que agora levanta questões para o futuro. Aos 28 anos, está a uma época do final de contrato; já atingiu o seu pico de valorização, mas Sérgio Conceição não pode perder meia equipa. Logo, está entre a saída e a possibilidade de passar a ser «mobília», pois dificilmente haverá contexto mais favorável para uma transferência e tão grande estado de graça entre os adeptos. Com Sérgio Conceição, e esta forma de jogar, é essencial que permaneça, mas a grande oportunidade de uma venda pode não voltar a aparecer. 

Contrato até 2021
Óliver Torres - Foi o principal dinamizador do bom futebol praticado pelo FC Porto no início da época, mas deixou de ser opção para Sérgio Conceição, sobretudo quando a aposta em dois médios passou a ser mais declarada. Chegou a ser expectável que pudesse sair em janeiro, a tempo de encontrar uma solução que contornasse a avultada verba que teria que começar a ser paga ao Atlético (a SAD pagou 5 dos 20 milhões de euros no primeiro semestre), mas o espanhol permaneceu na Invicta. Que Óliver tem nos pés futebol e ideias de jogo que não existem em mais nenhum jogador do FC Porto, ninguém pode duvidar; mas que as suas caraterísticas não eram as mais ideais para o meio-campo de Sérgio Conceição, também não. Agora, ou Sérgio Conceição tem um papel ativo para Óliver em 2018-19, ou o seu posicionamento no clube terá que ser revisto. Óliver não pode ser uma mera alternativa, um jogador que vai para o banco ou entra para os 20 minutos finais e que só joga perante a indisponibilidade de um ou dois colegas. Não é um estatuto condizente com o seu custo. Óliver tem que jogar na próxima época, pois um dos maiores investimentos da história do FC Porto não pode estar «parado». As escolhas de Sérgio Conceição não têm que obedecer a durações de contrato ou dinheiro investido, mas o caso de Óliver não pode ser tratado como apenas mais um - de recordar que na informação prestada à CMVM o FC Porto referiu-se à cláusula de compra como sendo opcional, não obrigatória. Óliver tem que jogar na próxima época, seja aqui ou noutro clube, ou pelo menos ser um jogador para o qual Sérgio Conceição terá planos mais ativos, mesmo que isso demore mais alguns meses de trabalho. 

Compra obrigatória
Paulinho - Não conseguiu entrar no «comboio» da equipa e acabou por ter um papel irrelevante na segunda metade da época. Não foi um pedido expresso de Sérgio Conceição, mas tinha caraterísticas que poderiam ter sido úteis ao FC Porto (nomeadamente a forma como coloca bolas em zonas de finalização), sobretudo quando pensamos o quão inconsistentes jogadores como Hernâni, Otávio ou Corona foram sendo. Os três jogadores que chegaram ao FC Porto por empréstimo em janeiro fizeram-lo meramente por contingências no fair-play financeiro, por isso à partida Paulinho fica no FC Porto a título definitivo - a que preço, é a questão, pois é um jogador que tem várias limitações na dimensão física. É demasiado frágil para jogar no miolo do meio-campo, mas não é rápido e explosivo o suficiente para pressionar na frente e dar largura ao jogo do FC Porto. O pior que poderia acontecer é Paulinho ficar no FC Porto não por aquilo que Sérgio Conceição viu nos últimos meses, mas pelo que ficou acordado com o Portimonense em janeiro. Mas tendo em conta que vimos, com Sérgio Oliveira, a grande diferença que pode ser para Sérgio Conceição ter um jogador em janeiro e tê-lo numa pré-época, esperemos que Paulinho se revele reforço e não um fardo

Contrato até 2021
Otávio - Esteve longe da desejada época de afirmação - acabou por ter apenas pouco mais de metade do tempo de utilização da temporada 2016-17. Numa época em que a SAD decidiu reforçar a aposta em Otávio (comprou 15% do seu passe à GE Assessoria, em novembro, por 2,1 milhões de euros - uma verba que se calhar poderia ter desbloqueado uma renovação de contrato bem mais pertinente no plantel...), o brasileiro nunca conseguiu encher as medidas aos olhos do treinador, apesar de ter sido titular na reta final da temporada. Embora não duvidem que Otávio é um jogador de potencial e talento, andou muitas vezes perdido entre a meia direita e a zona central, e acabou por ter mais cartões (5) do que intervenção em golos (3) na Liga. Foi sendo alternativa, curta, num plantel em que a concorrência não deveria ser a mais feroz para o brasileiro. Acabou por fazer melhores jogos em 2016-17 do que nesta temporada. 

É de recordar que Otávio custou inicialmente 2,5 milhões por 33% do passe (a SAD entretanto passou a declarar ter apenas 32,5%). Em outubro de 2016, a SAD comprou mais 20% de Otávio, por 2,9 milhões de euros. E no primeiro semestre comunicou a compra de mais 15%, a troco de 2,1 milhões de euros - e é deveras curioso que a GE Assessoria, uma empresa que tinha apenas 20% do passe de Otávio quando o brasileiro foi negociado para o FC Porto, já conseguiu vender 35% à SAD. Contas feitas, são já 7,5 milhões de euros investidos em Otávio, de quem o FC Porto tem 67,5% do passe, proporção que faz dele um dos ativos mais caros do clube. A aposta em Otávio foi reforçada em época de contenção financeira e de incumprimento do fair-play financeiro, algo que terá que dizer muito da aposta no brasileiro no médio prazo. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Um municiador e uma seta

Depois de uma importante e difícil vitória frente ao Tondela, com um golo que caiu do céu, e da atípica visita ao Estoril, num jogo em que o FC Porto entra em campo com 4 laterais e vê-se forçado a deixar o resultado em suspenso durante cinco semanas, eis que Sérgio Conceição conta finalmente com duas novas unidades no Olival. 

Waris e Paulinho são contratações que despertam diferentes expetativas. Se o médio brasileiro já não é uma novidade - já interessava em maio, bem antes da chegada de Sérgio Conceição, e já era expectável que a SAD recrutasse pelo menos um jogador ao Portimonense -, o avançado ganês é uma surpresa absoluta e que foge por completo ao tipo de contratações levadas a cabo pelo FC Porto nos últimos anos.

Antes de uma breve apreciação aos dois jogadores, uma retrospetiva sobre as contratações de inverno do FC Porto nos últimos anos:

2017 - Soares
2016 - Suk, Marega, José Sá
2015 - Hernâni
2014 - Quaresma
2013 - Liedson e Izmaylov
2012 - Lucho, Janko e Danilo (já previamente contratado)
2011 - 0
2010 - Rúben Micael e David Addy
2009 - Cissokho e Andrés Madrid
2008 - 0
2007 - Lucas Mareque e Rentería.
2006 - Anderson e Adriano.
2005 - Leandro, Léo Lima, Ibson, Leandro Bonfim, Pitbull.
2004 - Sérgio Conceição, Carlos Alberto e Maciel. 

O padrão é claro: em janeiro, o FC Porto tem por hábito contratar apenas jogadores já totalmente familiarizados com o futebol português. Nos últimos 10 anos, excetuando o caso específico de Danilo (que já tinha sido contratado ao Santos, mas a sua chegada ao Dragão foi adiada para janeiro), apenas dois jogadores não tinham experiência de I Liga - Janko, ponta-de-lança que correspondia a um perfil desejado por Vítor Pereira para o ataque, e David Addy, uma contratação que não teve base desportiva. 

Outro pormenor que se destaca é que o FC Porto não tem sido, de facto, feliz nas suas compras de inverno. Nos últimos 5 anos, apenas Quaresma e Soares conseguiram ter impacto como verdadeiros reforços de inverno. José Sá e Marega estão atualmente a ser titulares, mas em 2015-16 não acrescentaram nada ao plantel. 

Porque um reforço de inverno implica isso mesmo: ser capaz de dispensar o período de adaptação e encaixar logo na equipa. Nesse âmbito, Paulinho é uma boa adição ao plantel. Chega ao FC Porto já adaptado à I Liga e com muita rodagem competitiva, restando saber que lugar Sérgio Conceição terá para ele no plantel.


Os melhores jogos de Paulinho no Portimonense foram feitos no miolo, mas o brasileiro pode jogar descaído para os flancos - e deverá ser precisamente por aí, como alternativa a Corona, que Sérgio Conceição pensará no brasileiro, pelo menos para o 4x4x2. É sabido que Sérgio Conceição não dispensa a dimensão física no meio-campo, por isso Paulinho poderá ter dificuldades em fazer o papel de Herrera, mas pode entrar no 4x3x3. 

Paulinho, na apresentação, disse que espera acrescentar algo ao FC Porto no capítulo do último passe. E é precisamente esse o cartão de visita do brasileiro: a capacidade de meter a bola em zonas de finalização. O atleta de 23 anos é o médio que mais ocasiões de golo cria em todo o Campeonato, com 2,3 passes para finalização por jogo e um total de 44 ocasiões criadas. Em toda a Liga, melhor só Alex Telles, com 56.

No entanto, Alex Telles destaca-se sobretudo nas bolas paradas, daí que crie tantas ocasiões de golo. Excluindo as bolas paradas e pensado apenas nos passes curtos no último terço, Paulinho é jogador da Liga que mais ocasiões de golo já criou: 37, à frente de Bruno Fernandes (29), Alex Telles e Brahimi (28). 

Paulinho é, por isso, um jogador que vai «alimentar» os avançados do FC Porto e ajudar a colocar muitas vezes a bola em zonas de perigo. Mas embora não seja um jogador veloz, Paulinho também acrescenta qualidade individual - é o 2º jogador com mais dribles completos na Liga, com 43, só atrás de Brahimi, que já leva 101. Gelson Martins também tem 43 dribles eficazes, mas já falhou 33 tentativas, enquanto Paulinho falhou apenas 16. 

É este o cartão de visita de Paulinho, restando saber quanto custará a sua eventual inclusão a título definitivo no plantel. Tendo em conta que a SAD do Portimonense é controlada por Teodoro Fonseca, e que o clube de Portimão não iria simplesmente emprestar um jogador-chave ao FC Porto sem garantias de nada, resta saber quanto terá o FC Porto, no futuro, que desembolsar por esta operação - e se será (apenas) efetivamente Paulinho a ser contratado. 

Convém recordar que o Portimonense nunca vendeu um jogador por mais de 1 milhão de euros, logo, ouvir falar em valores de 6 a 10 milhões de euros por jogadores como Paulinho ou Nakajima, que têm 20 jogos de I Liga na carreira num clube que está 4 pontos acima da linha de água... Não combina. Contratar qualidade sim, sobrevalorizar na hora da compra não. 

Paulinho é, assim, uma boa adição ao plantel. Já Waris... é uma incógnita, uma surpresa total, um tipo de contratação que não é habitual ver o FC Porto fazer. Waris estava na II liga francesa e praticamente não joga desde o início de novembro - fez apenas 26 minutos desde então. Não é um jogador com o ritmo competitivo recomendável para encaixar já na equipa. 

Waris começou no futebol sueco e estreou-se em 2012 na Europa. Não se adaptou minimamente ao Spartak Moscovo e também teve uma experiência pouco produtiva no Trabzonspor, da Turquia. Só na Liga francesa deu algum ar da sua graça, com 29 golos em 72 partidas. Pode não parecer muito, mas é, por exemplo, uma média de golos muito superior à que Aboubakar trouxe de França (26 golos em 108 partidas). Logo, o registo passado pode significar muito pouco: Waris pode perfeitamente marcar muito mais pelo FC Porto do que marcava pelo Lorient.


Na pré-época, Waris esteve perto de ir para a Premier League, para o Burnley, mas a transferência gorou-se e isso contribuiu para que a sua permanência no Lorient não fosse pacífica, até porque era o jogador mais bem pago do plantel. E como é claro, um jogador que passa da hipótese de ir para a Inglaterra à Segunda Liga francesa não fica particularmente satisfeito. 

Waris faz todas as posições do ataque, polivalência que não existia no plantel do FC Porto, embora em França tenha jogado quase sempre no eixo central. Não tem a dimensão física de Aboubakar e Marega, mas é um avançado bastante veloz, forte nas diagonais e bom a explorar o espaço nas costas da defesa, caraterísticas que são do agrado de Sérgio Conceição. No entanto, taticamente não é um jogador particularmente evoluído e sempre apresentou algumas dificuldades no 1x1, fazendo sobretudo da velocidade a sua principal arma, não tendo a capacidade de Aboubakar ou Marega para segurar a bola. Enquanto Aboubakar e Marega conseguem ganhar metros no choque com os defesas, Waris procurará fugir dos defesas e atacar o espaço. 

É portanto um avançado com caraterísticas diferentes. Neste momento é essencial perceber se Waris está bem fisicamente e com ritmo competitivo para entrar na equipa, além de ter que se adaptar a uma nova realidade - em França, no Lorient, jogava para o pontinho e em contra-ataque; aqui terá que se encaixar numa equipa dominadora, que nem sempre terá o espaço que Waris procura nas costas da defesa adversária. 

Sérgio Conceição diz que conhece Waris da Liga francesa. Posto isto, só podemos mesmo esperar que Conceição conheça e deseje Waris mais do que Nuno Espírito Santo conhecia ou desejava Depoitre.