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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Análise 2015-16: os centrais

O FC Porto terminou esta época da mesma forma que terminou 2014-15: sob um grande clima de suspeita face à qualidade dos seus centrais. Normal, tendo em conta que os 30 golos sofridos foram a 3ª pior marca de sempre num campeonato a 34 jornadas.

Ironicamente, os centrais foram praticamente os mesmos de 2014-15, exceção feita à entrada de Chidozie a meio da época. E na época passada, mesmo entre muitas críticas, Maicon, Marcano e Indi acabaram por integrar a defesa menos batida da Europa.

Não era fácil. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, Fabiano, também ele tantas vezes contestado. E ainda assim, marcar ao FC Porto foi sempre difícil para qualquer clube. 

Mas este ano tudo mudou. O FC Porto contratou um novo guarda-redes, trocou os laterais e optou por não reforçar o centro da defesa. O resto é o que se sabe.

Apesar da troca de treinadores, e de José Peseiro ser um treinador que sempre preparou mal as suas equipas defensivamente, grande parte dos golos sofridos pelo FC Porto não se deviam a exposição na transição defensiva, mas sim por erros individuais dos centrais. Foram muitos, demasiados.

Embora o FC Porto não tenha tido um jogador a garantir golos como Jonas ou Slimani, a equipa deste ano fez mais golos do que o FC Porto de Co Adriaanse ou do que no bicampeonato de José Mourinho. Ofensivamente, não há desculpas para uma equipa que não marca ao Tondela ou ao Paços de Ferreira. Mas foi o mau desempenho defensivo que esteve na base da derrocada que foi esta época. 

É naturalmente um setor a precisar de ser reforçado e há dois nomes na minha da frente, ambos oriundos do mercado sul-americano, Felipe e Gustavo Gómez. Mas como sempre, antes de pensar em que vem, há que decidir quem deve ou não ficar. 

Contrato até 2018
Maicon - Capitão, iniciou a sua sétima época no FC Porto, começou em boa forma e a marcar golos importantes, até que chegou o momento que todos se recordam. Maicon foi riscado do plantel e emprestado ao São Paulo, depois de ter renovado contrato por mais um ano, até 2018. Pinto da Costa já disse que no FC Porto não há «pena de morte» e anunciou que Maicon vai regressar. Não sabemos ainda quais são os planos efetivos para Maicon, pois ou o regresso é mesmo possível, ou pode ser um sinal dado ao mercado de que o jogador não estará em saldos. 

O Tribunal do Dragão concorda com a reintegração do jogador no plantel, se houver predisposição de todas as parte para assumir e ultrapassar o erro que foi cometido por Maicon, jogador que ao longo de 6 anos sempre foi um bom profissional e que não raras vezes se sacrificou em campo pelo FC Porto. Tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, Maicon é um elemento de valia desportiva. Ser ou não titular sempre dependeu da qualidade dos seus parceiros de setor (Bruno Alves, Rolando, Otamendi ou Mangala eram superiores), mas é um elemento de qualidade para se ter no plantel.

Superou as expetativas no São Paulo, sendo um dos centrais do Brasileirão em melhor forma nos últimos meses. Vai fazer 28 anos, e não deixa de ser curioso que o melhor Maicon, no São Paulo, não deva muito - se é que deve algo - ao melhor Felipe do Corinthians. A diferença estará sempre na consistência exibicional, algo que faltou várias vezes a Maicon no FC Porto. 

É um caso em que qualquer decisão poderá ser compreendida. Ou a saída, mediante uma boa proposta, ou a permanência no plantel. É bom lembrar que, até à sua saída, era o central com mais duelos e bolas de cabeça ganhas no FC Porto. Além disso, entre todos os centrais da liga, era o central com melhor média de desarmes no 1x1 e o segundo melhor no jogo aéreo, só atrás de André Pinto, do Braga. Certo é que, com ou sem Maicon, o setor defensivo necessitará de ser reforçado. E o regresso de Maicon não será esse reforço, ainda que ajude à profundidade no plantel.

Contrato até 2018
Martins Indi - Quando o FC Porto comprou Martins Indi em 2014, num investimento de 7,7M€, muitos imaginariam que, passados dois anos, já seria o patrão da defesa do FC Porto, seguindo o exemplo da evolução de Mangala. Infelizmente, não foi o caso, e Indi não conseguiu evoluir como seria de desejar nestes dois anos. 

O problema de Indi está, acima de tudo, no jogo aéreo. Ganha poucas bolas de cabeça (na liga ganhou em média apenas 40% dos duelos aéreos) e não controla bem o espaço na grande área. Coisas que escapavam ao olho nu no Mundial 2014, ao serviço da Holanda. Indi jogava num esquema de três centrais, pelo lado esquerdo. Acontece que neste esquema o central que joga por fora é menos exposto ao jogo aéreo, o que fez com que as debilidades de Indi no jogo aéreo não se notassem tanto.

Jogar a defesa-esquerdo seria então solução? Não numa equipa como o FC Porto. Os laterais do FC Porto têm que jogar em profundidade, precisam de velocidade, saber cruzar, ter capacidade para ir à linha e ser fortes no movimento interior. Tudo caraterísticas que Indi nunca revelou. A grande valia de Martins Indi está no início de construção, na forma como faz o primeiro passe, mas isso não chega ser central de equipa grande.

Tem 24 anos, mais 2 anos de contrato, e está longe de ser um caso perdido. Pode e tem condições para evoluir. O FC Porto já acabou de pagar o seu passe ao Feyenoord, pelo que Nuno terá que decidir se Martins Indi tem capacidade para se assumir como titular no FC Porto. Certo é que não poderá acabar a época 2016/17, a um ano do final de contrato, ainda com dúvidas sobre se terá o estofo necessário para se afirmar no clube. Aliás, não é recomendável que um ativo de 7,7M€ fique a um ano do final de contrato, portanto a sua situação terá que ser resolvida a curto prazo. 

Contrato até 2018
Iván Marcano - Com a saída de Maicon, passou a ser o melhor central do plantel, com a maior percentagem de interseções, desarmes, duelos e duelos aéreos ganhos. É o central low-profile que nunca vai ser o líder de uma defesa, mas que é sempre um elemento útil para se ter no plantel. É o tipo de jogador que não vão ver a dar entrevistas, a violar a hora de recolher e a falhar nos deveres de profissional.

Infelizmente, acabou a época a errar no Jamor, num jogo de circunstâncias difíceis e em que mais 2 erros defensivos provocaram a perda de uma Taça. Era apenas a segunda vez que estava a jogar com Helton e Chidozie (nenhuma equipa que se preze vai a uma final da Taça com uma dupla de centrais + guarda-redes sem rotinas), mas não terá sido por isso que entregou o golo a Josué. 

Custou 2,65M€ por 100% do passe e vai fazer 29 anos. Com a chegada de dois novos centrais, é possível que Marcano, o central que não mostra os dentes, seja dado como negociável pelo FC Porto. Desportivamente é um elemento de valia. Não pode ser o patrão de uma defesa, mas pode ser sempre um bom parceiro de setor (e metam na cabeça que dois centrais canhotos podem jogar juntos, pela mesma razão que dois centrais destros o podem fazer). Uma vez mais, que a palavra de Nuno seja ouvida na composição da sua defesa.

Contrato até 2020
Chidozie - Sub-19, equipa B e equipa A na mesma época. Foi um carrossel de emoções para Chidozie, lançado às feras na Luz. O Tribunal do Dragão foi da opinião de que Diogo Verdasca, tendo o mesmo número de oportunidades que Chidozie, faria igual ou melhor. Opinião que se mantém, mas José Peseiro escolheu confiar em Chidozie, que acusou toda a sua inexperiência ao longo destas semanas.

A grande exibição de Casillas contra o Benfica disfarçou muita coisa. Chidozie comete os erros próprios da idade e da sua inexperiência. Bruno Alves, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho não jogavam no FC Porto aos 19 anos por um motivo. O mesmo que penalizou Chidozie: inexperiência e falta de devida preparação. Repara-se que Chidozie nem sequer teve um parceiro consistente ao lado, o que não ajudou. Não houve jogo em que Chidozie não cometesse erros graves de posicionamento. Mais culpa das circunstâncias do que propriamente do jogador, que fez o que podia, sem a preparação devida.

E agora? Chidozie já fez meia época integrado na equipa A, por isso regressar à equipa B poderia ser encarado como um retrocesso. Empréstimo? É preciso cuidado, pois se Chidozie começar já a ser emprestado corre o risco de deixar de contar como jogador formado no FC Porto (tem época e meia feita). Apesar de a sua aposta, desportivamente e na prática, não ter dado os resultados desejados, continua a ser um jovem com muitas potencialidades e caraterísticas interessantes para o médio prazo. Há que apostar na sua evolução.

Por princípio, o 4º central de um plantel deve ser mais jovem, por isso Chidozie pode enquadrar-se nesse perfil. Treinar sempre com a equipa A, ir jogando ocasionalmente na equipa B. Mas Chidozie não tem 2 anos de FC Porto completos, por isso não pode ser inscrito na lista B da UEFA - e o FC Porto não pode voltar a cometer o erro de não ter 4º central para a Champions/Liga Europa (Verdasca, por exemplo, é elegível). Uma vez mais, tudo dependerá dos planos que o treinador possa ter a médio prazo para Chidozie.

Pergunta(s): Que futuro para Maicon, Chidozie, Indi e Marcano? Que centrais seriam mais-valias como reforços?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O pós-Maicon na defesa

Não é uma situação comparável à de Jorge Costa, mas que acaba com um desfecho idêntico: empréstimo a outro clube. Não concordo com a saída de Maicon, mas entendo, desejando apenas que a palavra de José Peseiro tenha sido essencial na resolução deste processo.

Renovar, sair e... voltar?
É um processo que já é habitual na SAD: renovar com jogadores antes de eles serem emprestados, mesmo sem que isso implique que há planos futuros para os atletas em causa. Izmailov, Kelvin ou Walter são alguns exemplos recentes de jogadores que renovaram antes de serem emprestados. 

Maicon renovou por mais um ano, e desconhece-se se o São Paulo vai assumir a totalidade dos salários do jogador. Sendo um empréstimo válido por apenas quatro meses, Maicon vai basicamente fazer alguns jogos no campeonato paulista, onde só vai ter possibilidades de fazer dois ou três jogos a sério, e deverá participar em alguns jogos na fase de grupos da Libertadores. Basicamente, vai ocupar-se até se decidir, no final da época, o que fazer com o jogador.

Até lá, o FC Porto fica com apenas dois centrais dos que começaram a época, Marcano e Indi. Se em janeiro já todos realçavam que havia carências no eixo defensivo, agora pior ainda. Oxalá não se caia no erro de achar que Chidozie vai ser a solução para todos os problemas. Ainda se trata de um jogador inexperiente, e não é um (bom) jogo que muda isso. Todos são inexperientes antes de começar, mas há uns contextos mais favoráveis do que outros para integrar jovens.

É também um desafio para José Peseiro, que nunca trabalhou com nenhum grande central nem fez evoluir um grande defesa. Os melhores defesas com que trabalhou foram Beto e Polga, o que não é um grande atestado. Além disso, no FC Porto havia a tradição de os centrais habitualmente titulares fazerem um acompanhamento aos jovens que vão sendo lançados. Indi e Marcano dificilmente assumirão esse papel perante Chidozie ou Verdasca.

Verdasca à espreita
Falando em Verdasca, trata-se de um dos poucos sobreviventes do projeto Visão 611. Da equipa de sub-14 que em 2009 foi apresentada, restam também Andorinha, Rui Moreira e Rúben Macedo. Mas Verdasca ainda passou pelo Boavista, antes de regressar para os juvenis. É um central de grande valor e potencial, mas há que compreender os riscos de fazer a estreia frente a um tal de Aubameyang, que passa por qualquer defesa antes que este consiga pronunciar o seu nome.

Chidozie também se estreou a frio na Luz e teve nota bastante positiva. Falhou no lance do golo do Benfica, mas a partir daí não voltou a errar, o que não era fácil. Mas o adversário não deixou de ter oportunidades para complicar a vida ao FC Porto. Há a expetativa de Marcano recuperar a tempo, mas se tiver que jogar Verdasca há que haver tolerância e compreensão para as circunstâncias da sua estreia. O problema não é o miúdo que entra cometer erros: é não ter vindo nenhum reforço para o setor. Felizmente, José Peseiro está a trabalhar com o que tem em vez de lamentar o que não tem - e estaria no seu direito fazê-lo.

Na Alemanha, há que lutar por um resultado que dê perspetivas de apuramento na segunda mão, no Dragão, reconhecendo que o favoritismo está do outro lado - como esteve na maioria das grandes conquistas europeias do FC Porto.

PS: A inútil Comissão de Instrução e Inquérito da Liga, que legitimou quem infringiu os regulamentos, instaurou um processo contra o FC Porto pelo que se escreveu no Dragões Diário após o jogo com o Arouca. De um organismo inútil, não se pode esperar outra coisa senão parvoíces destas. Por outro lado, possivelmente seria evitável se o Dragões Diário, em vez de andar a fazer um joguinho de parentescos e coincidências face ao árbitro, se limitasse a factos. Mas nem isso conseguiram fazer, pois nem sequer foram capazes de reconhecer que o golo anulado a Brahimi era responsabilidade do árbitro auxiliar (que continua sem nome), não de Rui Costa. O Dragões Diário queixa-se que «a Liga de Clubes quer silenciar a livre expressão de opinião», mas o que o Dragões Diário fez também não foi dar opinião, foi enumerar uma série de coincidências familiares em relação a Rui Costa, insinuações sem concretização, quando a única coisa que tinha que fazer era identificar o erro gravíssimo do auxiliar de Rui Costa. Mas nem isso conseguiram fazer, fazendo lembrar a ridícula campanha do Benfica contra Pedro Proença por um erro de Ricardo Santos. Por fim o Dragões Diário diz hoje, pela primeira vez, que é uma espécie de «provedor do sócio». Se é, deixa ainda mais a desejar, pois raramente aborda os temas que realmente inquietam a massa adepta do FC Porto - basta passar os olhos pela bluegosfera. Quando o FC Porto apresentou o Dragões Diário, era descrito como um jornal diário para informar os adeptos do clube. Mas hoje diz-se que afinal é algo para «dar eco ao sentimento dos milhares de adeptos subscritores». Em que ficamos?

PS2: O blogue continua temporariamente sem sondagens para os prémios MVP.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O clássico e Maicon

José Peseiro não poderia ter uma tarefa mais atribulada na preparação para o seu primeiro clássico. Começou por não ter nenhum reforço no mês de janeiro e agora, de um momento para o outro, ficou sem dois dos três centrais do plantel principal; já teve que lidar com problemas no balneário, que o próprio não teve problemas em citar na conferência de imprensa; vem de uma pesadíssima derrota frente ao Arouca; e vai jogar na Luz, contra um Benfica que atravessa um grande momento.

Coisas do futebol. Se o Benfica tivesse perdido em Braga, à 11ª jornada, Rui Vitória teria sido despedido. Mas a equipa aguentou-se e foi um ponto de viragem. O Benfica tornou-se uma equipa de golo fácil, mais eficaz do que o FC Porto. É isso que faz a diferença: eficácia. Não é o futebol praticado, nem sequer o número de ocasiões de golo criadas. 

Nas primeira 20 jornadas, o Benfica acumulou 121 remates à baliza, apenas mais 5 do que o FC Porto. Aqui, a estatística é quase ela por ela. Mas a eficácia faz a diferença: o FC Porto desperdiçou 37 ocasiões de golo flagrante, contra apenas 18 do Benfica. Jonas foi o achado que sustenta quase tudo isto. Basta dizer que, sozinho, tem 23 golos. Tantos como Aboubakar (10), Corona (7), Brahimi (4), Osvaldo (1) e Varela (1), os nossos cinco avançados que marcaram no campeonato, juntos.

Ora, enquanto o Benfica atravessa um grande momento ofensivo, o FC Porto tem problemas na defesa. Não é apenas os problemas na transição defensiva, mas sim as próprias opções para formar o quarteto defensivo. 

Para José Peseiro, o mais fácil será fazer recuar Danilo para junto de Indi. Qualquer treinador do mundo sente mais segurança em readaptar um jogador da equipa A do que em recorrer a um miúdo dos sub-19 ou da equipa B. Por exemplo, frente ao Arouca talvez fosse uma boa oportunidade para meter Víctor García à direita, e assim só se fazia uma alteração. Mas fez-se duas, e a derrota do FC Porto começou pelo flanco esquerdo, numa questão de segundos. Se Danilo recua, é também uma alteração a mais na equipa. E o meio-campo ficará enfraquecido, certamente. 

Por outro lado, Chidozie é absolutamente inexperiente. Os mais otimistas recordarão  que Fernando e Rolando também se estrearam a frio na Luz. Mas há uma diferença: ambos já tinham experiência de primeira liga. Chidozie não a tem, de todo. E contra uma equipa que está a fazer imensos golos e que vai jogar em casa, mais difícil será.

E embora ainda não seja altura de pensar em Dortmund: com Danilo e Maxi Pereira castigados, Maicon e Marcano lesionados (?) e Chidozie fora dos inscritos na UEFA, como é que tencionam formar o quarteto defensivo para a Liga Europa? O FC Porto não tem, de todo, o melhor plantel. As limitações estão à vista. Não se pode pedir a José Peseiro mais do que o plantel pode dar. As carências eram facilmente identificadas por qualquer adepto, mas a resposta da SAD no mercado de inverno limitou-se a José Sá, Suk e Marega. O plantel já não era o melhor, mas não só não foi reforçado como ainda saiu de janeiro enfraquecido.

Ouvir a palavra de Peseiro
Agora, com a janela fechada, de nada vale lamentar. José Peseiro tem que trabalhar com o que tem. O FC Porto tem que lutar com os que tem. E entre esses jogadores há que incluir Maicon.

Se o FC Porto quiser tentar transferi-lo para a China está no seu direito, mediante uma boa proposta. Mas esqueçam lutar por títulos sem ter defesas-centrais para o que sobra da época. É a dura realidade, mas é assim. Mas Maicon não pode pagar a fatura de todos os problemas do FC Porto no último mês.

Ele errou, e deve ser punido com base no erro que cometeu. Pode ser com multa, pode ser não jogando durante X jogos, por até ser com a despromoção na hierarquia de capitães. Maicon tinha que assumir o erro, e já assumiu, perante colegas e equipa técnica. Tem que sofrer as consequências do seu erro, que é o que está a acontecer. Mas depois não pode ficar sozinho a pagar pelos erros todos que outros cometeram e em relação aos quais passaram ilesos.

Maicon foi, durante quase 7 anos, sempre um profissional exemplar. Nunca teve problemas com nenhum treinador, nunca entrou em conflitos com colegas no balneário. Já se sacrificou pelo FC Porto anteriormente. Contra o Arouca teve o ponto baixo da sua carreira, ao não honrar a história e a mística do FC Porto. Mas é só Maicon quem não tem feito isso? Então por que só Maicon é réu nesta história?

Uma perguntinha: se Maicon fosse um futebolista que tivesse parte do seu passe na Doyen ou noutro fundo de investimento, será que alguém pensaria em algum momento em afastar o jogador? Pois, mas como foi uma contratação barata, e tendo a SAD 100% do seu passe (aliás, em 2013-14 tinha, em 2014-15 não declarou o passe de Maicon no R&C), talvez se torne mais fácil prescindir dele. 

Até os maiores símbolos do portismo cometeram, um dia, erros. Jorge Costa também atrou a braçadeira de capitão ao chão, e André uma vez também deixou um jogo a meio, queixando-se de uma lesão, no campeonato de 1991-1992, contra o Marítimo. Obviamente que as circunstâncias foram diferentes. Tanto Jorge Costa como André André foram, e são, jogadores sempre respeitados pelos adeptos, enquanto Maicon é um eterno mal-amado. E nenhum deles alegou uma lesão logo após cometer um erro que deu um golo ao adversário. Mas há poucos jogadores que passaram pelo FC Porto sem terem cometido erros. Maicon é mais um deles. Um erro em sete anos. Um jogador a cometer um erro num clube onde tantos têm sido cometidos, sobretudo nos últimos anos, sem consequências algumas.

A perspetiva de José Peseiro também deveria ser importante. O treinador deve ter a primeira e última palavra sobre a situação de Maicon, porque a SAD não lhe deu nenhum central no mercado de inverno. Se José Peseiro acha que Maicon teve uma situação imperdoável no contexto do seu grupo de trabalho, e se considera que tem centrais suficientes para cumprir os objetivos a que se propôs, então boa sorte. Mas se quer a reintegração de Maicon como opção normal no plantel, só tem que ser respeitado nessa decisão. 

Que Maicon assuma todas as responsabilidades que lhe caibam (as dele, não as dos outros), cumpra o castigo que lhe for imposto e seja reintegrado no grupo de trabalho, é o desejo que fica.

Quanto ao resto, só se pode pedir a José Peseiro um pouco mais do que em 2014-15. Na última visita à Luz, com Lopetegui, o FC Porto não foi inferior ao Benfica, mas não era o Benfica quem precisava de ganhar, e o FC Porto não fez o suficiente para merecer ganhar; agora fica esse desejo - deixar claro que o FC Porto fez tudo o que estava ao seu alcance pelo melhor resultado possível. Não será nunca por perder um jogo na Luz que se perde o título de campeão. Mas quem perde 11 ou 14 pontos em relação ao rival em pouco mais de um mês não pode pensar no título. Não há pressão, apenas responsabilidade e honra.


PS: O absurdo aconteceu com o mercado já fechado. Gudiño foi emprestado ao União da Madeira. Que significa isto? Que Gudiño já não irá contar como jogador formado no FC Porto à luz dos regulamentos da UEFA. Num clube que tem extremas dificuldades em completar a lista A de inscritos na Champions, estes pequenos grandes pormenores fazem toda a diferença. Ou a SAD ignorou por completo esta questão, ou entendeu que era mais vantajoso Gudiño ter quatro meses de experiência na primeira liga (se não for titular será ridículo, a SAD tem que ter garantir de que vai ser) do que ser formado no FC Porto. Ou então tinha que se arranjar algum espaço para José Sá não passar meia época sentado na tribuna do Dragão, e então sacrifica-se o mais promissor e caro guarda-redes do FC Porto. Boa sorte, Gudiño.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O que mudou em quatro meses, Maicon?

Maicon já fez 190 jogos ao serviço do FC Porto, nos quais fez 13 golos, um deles absolutamente decisivo no ciclo do último tricampeonato. Fez uma grande primeira época com Vítor Pereira, mas desde então esteve sempre num limbo de exibições em que não raras vezes complicava o mais fácil e comprometia.

Chegou a capitão porque o nomearam para tal. Nunca nenhum treinador teve queixas de Maicon enquanto profissional. Está na sétima época como jogador do FC Porto e nunca deu problemas.

Mas o que se passou frente ao Arouca foi demasiado grave. Em pleno Dragão, com a braçadeira no braço, virar as costas ao jogo e render-se a uma suposta lesão é grave.

Maicon deve explicações. Por algo muito simples: é exatamente o mesmo jogador que, há quatro meses, aguentou o jogo todo frente ao Chelsea quando tinha um tornozelo que mais parecia uma batata. Aguentou as dores, secou o Diego Costa, fez o golo da vitória e varreu tudo até ao último segundo. Para quem não se recorda, no fim do jogo, já após ter feito gelo (o que ajuda a reduzir o inchaço), estava com o pé neste estado.


Há quatro meses, o jogo de Maicon frente ao Chelsea foi um exemplo perfeito do que é ser capitão do FC Porto. Frente ao Arouca, deu o exemplo contrário. Porquê? Maicon deve explicações. Aos colegas, ao treinador e aos adeptos. Deve explicações porque é o mesmo jogador que era há quatro meses, quando acabou o jogo contra o Chelsea com o pé esquerdo completamente rebentado.

Na altura, já andava com os problemas físicos de que agora a sua família (está na moda, não é?) se queixou. Mas o FC Porto tem um bom departamento médico. Não há nada que não possa ser detetável ou ultrapassável. Muito menos quando nem se foi ao mercado buscar um central. Se Maicon tinha algum tipo de problema crónico de que havia conhecimento, é demasiado grave.

Maicon é um jogador que já teve vários problemas fora dos relvados, em particular por motivos de saúde da filha. Há um novo problema de ordem pessoal? Foi uma recaída física? Foi uma consequência de voltar a complicar na defesa? Ou foi simplesmente um sucumbir perante toda a pressão daquele momento?

É preciso respostas, Maicon. Ou assume o erro e sofre as consequências, ou tem que ter uma justificação muito boa para o que aconteceu. E antes de riscar um capitão do FC Porto, é essencial ouvi-lo. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

As (in)verdades do FC Porto em Kiev

Quando há um ano o FC Porto empatou 2x2 contra o Shakhtar, foi um mau resultado? Não, por fruto das circunstâncias: aos 89 minutos o jogo estava perdido. Este ano provámos o sabor inverso. Em 2008, contra este mesmo Dynamo, foi com um golo de Lucho já para lá dos 90 minutos que ganhámos e reabrimos a luta pelo apuramento. Já em 2015-16, foi aos 89 minutos que o FC Porto deixou fugir a vitória. Há amargura pela forma como aconteceu, mas ainda não sabemos o quão mau ou bom foi este resultado. 

Estes foram apenas 90 de 540 minutos da fase de grupos. Diria que o apuramento se vai decidir na dupla jornada contra o Maccabi e na receção ao Dynamo. Antes disso há uma receção ao Chelsea em que o FC Porto, se vencer, ficará mais perto do objetivo, mas só à 5ª jornada é que poderemos calcular se este 2x2 em Kiev foi assim tão mau. Teoricamente, foi bom. As circunstâncias em que cedemos o 2x2 é que foram más.

Preparação =/- gestão
O jogo teve também a circunstância atípica de ter sido marcado pela ausência de Lopetegui e por ter ficado ao comando da equipa a dupla Rui Barros-Juan Calero. A única coisa que podemos discutir em relação a Lopetegui é o risco de ter apostado numa dinâmica de jogo completamente diferente na Champions. Aqui pagámos o preço de ainda não ter uma base e uma dinâmica consolidadas. Ainda estamos em setembro, mas foi um grande risco. Das substituições não vale a pena falar, por não se saber se partiram de indicações prévias para cada circunstância do jogo ou se foram iniciativa de Calero e Rui Barros. Mas é algo que tem que ser discutido em tons de Machado. 

Ainda assim, é simplesmente ridículo culpar Lopetegui por qualquer alteração no decorrer do jogo, pois ele não comunicou nenhuma vez com o banco. Já que muito se tem falado do DN, Manuel Queiroz, por exemplo, na sua crónica consegue culpar Lopetegui pelo segundo golo do Dynamo Kiev, dizendo que ele devia ter tirado o Danilo (que fez a falta) em vez de depois trocar Aboubakar por Osvaldo. É para rir? Assim se separam os que fazem legítima e sustentada crítica a Lopetegui daqueles que têm uma declarada campanha anti-Lopetegui. E aqui não é nenhum erro de corretor ou gralha, é mesmo um ataque declarado, onde até se bate onde não se tem intervenção. A isto, Dragões Diário, não importa reagir?





Aboubakar (+) - Começamos a olhar para ele com o aperto de quem sabe que Aboubakar, assim, não ficará muito tempo no FC Porto. Dois remates, dois golos. Cinco golos em cinco jogos na Champions. Está confiante, sente que é capaz de fazer tudo e resolver qualquer jogo, mas nunca perde o altruísmo e o sentido coletivo. O lugar é dele. E por este andar não continuará a sê-lo por muito tempo.

Dois remates, dois golos
André André (+/-) - Continua a ser, por vezes, muito lento a decidir e a soltar a bola, como foi exemplo um passe que recebe de Aboubakar, na grande área, em que tinha que rematar de primeira - e até mesmo na demora ao subir no golo que deu o 2x2. Mas voltou a distinguir-se no preenchimento do meio-campo, na pressão ao portador da bola, na condução e ao ganhar faltas em zona perigosas no meio-campo adversário. É ingrato pedir-lhe para ser o médio mais criativo do meio-campo (pode ser o 3º médio, mas apenas com dois extremos criativos nas alas), mas a sua simplicidade de processos, empenho e condução de bola voltam a fazer dele um dos melhores do FC Porto. 

Maicon (+) - Belo passe longo na origem do 1x1. Mas mais do que isso, Maicon secou Júnior Moraes, limpou vários lances de perigo, só fez uma falta em todo o jogo e em compensação sofreu cinco. Comandou a defesa e esteve sempre seguro, mesmo com o cartão amarelo visto precocemente. Está em boa forma.

Segurança (+/-) - Há quem diga que o FC Porto foi demasiado defensivo em Kiev. Vão ter que explicar isso muito bem, pois o FC Porto teve 36 ataques e o Dynamo apenas 26. As duas equipas tiveram 50% de posse de bola. Em remates o FC Porto ficou atrás, com 13-8, mas em remates à baliza a diferença foi mínima (4-3). O Dynamo é que jogava em casa e estava pressionado a ganhar, pois a seguir vai a Israel e terá a dupla jornada com o Chelsea, mas não fez mais por isso do que o FC Porto. Exceção ao lance do 1x0, em que toda a equipa foi varrida, o FC Porto trocou bem a bola em espaços curtos e o meio-campo poucas vezes falhou passes - Herrera teve 97% de eficácia de passe, André André 94% e Rúben Neves 93%. Mas...





... Segurança a mais (-) - O FC Porto preencheu o meio-campo com quatro médios. Sobrou Brahimi. O mais lógico seria um dos médios fazer chegar a bola a Brahimi e deixar que o argelino, em zonas mais próximas da grande área, rasgasse e fosse ele a maior fonte de perigo do FC Porto. Não foi isso que aconteceu. Os médios chegaram poucas vezes a zonas adiantadas (só André André o fez a espaços). E Brahimi, embora tenha segurado muito bem a bola, veio sempre recebê-la a zonas demasiado recuadas, tanto que rodopiava sobre um ou dos adversários, mas nunca ganha mais do que 5 ou 6 metros de terreno. Brahimi esteve mais perto de ser o 5º médio do que o extremo match-winner. Por isso, foi sem surpresa que o FC Porto criou poucos lances de perigo enquanto jogou nestes moldes.

Segurança a mais
Falta de rotina (-/+) - Lopetegui não é responsável pelas alterações nem pela resposta do FC Porto ao desenrolar do jogo. Mas foi um risco demasiado grande apostar neste esquema não podendo estar no banco. Notou-se claramente a falta de rotinas, e o lance do 1x0 é prova disso. Rúben e Danilo, no papel de médios de cobertura, atrapalharam-se mutuamente. Do meio-campo, sobretudo na primeira parte, nunca apareceu ninguém a acrescentar algo no ataque. Herrera esteve excelente no passe, mas quase todos os passes foram feitos num raio de ação curto. Face a todos os riscos e à conjuntura, o 2x2 torna-se um resultado agradável, mas sobretudo graças à dupla pontaria de Aboubakar. É que pelo meio-campo e por Brahimi, que esteve sempre preso e longe da grande área, não teríamos chegado ao golo. Por outro lado, seria intenção de Lopetegui libertar mais os dois laterais. E os dois golos nascem de cruzamentos de Layún e Maxi Pereira...

Os golos (-) - No lance do 1x0, André André, que partia do corredor esquerdo, e Layún estão separados por três metros e os dois no meio-campo do Dynamo. Como Indi vai fazer a dobra a Layún, Maicon fica completamente sozinho a cobrir a zona central. Rúben e Danilo foram meter-se no mesmo raio de ação de Indi, mas foram todos ultrapassados com uma facilidade assustadora (e depois chegaram tarde à grande área). Depois, vai ter que ser Maicon, o único que sobrava ao centro, a fazer a dobra à esquerda. A bola vai para a grande área e sobra Maxi Pereira no meio de dois do Dynamo. Não havia nada a fazer. Tudo esteve errado neste golo. O posicionamento, a abordagem, a resposta. No lance do 2x2, Rúben e André André foram lentos a reagir, demoraram demasiado a subir a linha e Casillas ficou estático, sem reação (podemos discutir o posicionamento de Kravets, mas os auxiliares poucas vezes anulam este tipo de lances - ironicamente, anularam assim um golo ao FC Porto em Basileia...). Foi uma carambola que acontece uma vez em 50 jogos. Mas essa vez em que acontece pode custar 2 pontos e 1 milhão de euros na Liga dos Campeões.

E agora vamos à 17ª vitória consecutiva no Estádio do Dragão, domingo, contra o Benfica.


sábado, 12 de setembro de 2015

Por cima do sinal amarelo

Na linha dos dois posts anteriores: o problema não era jogar em Arouca. O problema era quem lá estava para arbitrar - ou quem lá o pôs. O FC Porto é superior, lidera o campeonato com todo o mérito, fez o que lhe competia antes de um ciclo de jogos importante (não há nenhum que não o seja). Ganhar nunca esteve em causa.

Tranquilidade e competência
Depois de uma pausa para jogos internacionais há sempre alterações na equipa. Lopetegui tomou as suas opções e a equipa cumpriu, sem sobressaltos. Ganhámos mais soluções para renderem a curto prazo na equipa e as chamadas boas dores de cabeça. O FC Porto nunca terá um 11 consensual, pois felizmente tem um grande plantel, e uma vez mais Lopetegui mostrou que para ele não há estatutos nem lugares marcados - tem sido assim desde o primeiro dia. Varela, Tello e Herrera não estavam ao melhor nível, então deu oportunidade a outros. O desafio é que isto não se trata apenas de uma gestão de futebolistas, mas também de homens, egos, ativos e morais. Vai haver espaço para todos esta época, mas há que saber esperar e lutar por essas oportunidades.

Por outro lado, os parabéns a João Capela. Neste jogo, conseguiu mostrar mais cartões ao FC Porto (6) do que aqueles que o Benfica viu no total das 4 primeiras jornadas. Não discutindo a razão para cada cartão, é simplesmente uma média que faz jus ao que esteve na origem da nomeação de João Capela: é quem mais cartões está a mostrar em Portugal. Mas o mais incrível é que o Arouca acabou o jogo com apenas um. O FC Porto deu a resposta adequada: vencer contra adversidades que vão além do adversário.

Para a história fica isto: o FC Porto venceu no batatal de Arouca. Já o Benfica perdeu no muito desejado estádio de Aveiro. O acontece é muito mais importante do que o local onde acontece.





Meio-campo, Rúben e André (+) - De certeza que o próximo meio-campo que Lopetegui escolher não será consensual. É impossível: só jogam 3 de cada vez. Rúben e André André ainda não o tinham feito de início, mas acrescentaram grande qualidade de passe, circulação de bola e verticalidade. Há um FC Porto com e sem Rúben Neves. Danilo Pereira oferece, do ponto de vista defensivo, coisas que Rúben Neves não consegue dar. Mas em termos de construção, varição de flancos e dinâmica na circulação de bola, Rúben Neves é top. O passe antes do 3x0 é fenomenal, sobretudo pela facilidade com que fez aquilo - reparem na reação após soltar a bola, parece que está a passear tranquilamente de mãos nos bolsos. É excelente que André André esteja a ter espaço no FC Porto. Já teve mais oportunidades do que esperaria e está a corresponder a cada uma delas. Por vezes é lento a soltar a bola e a decidir, mas tem a atitude e postura corretas em campo, está sempre envolvido em todas as fases do jogo e sabe encontrar sempre a melhor solução para o passe - só terá que a encontrar mais rápido. Não vai ser fácil ser Lopetegui esta semana, pois ambos justificam manter a titularidade.

Bis na estreia
Corona (+) - Quem faz dois golos na estreia é incontornável tema de destaque. No primeiro combina muito bem com Aboubakar, no segundo foi oportuno. Há jogadores que treinam há meses juntos que não conseguem fazer o que Corona e Aboubakar fizeram no lance do 1x0. Isso também significa que às vezes o entendimento não está no tempo de treino, mas nas caraterísticas dos jogadores. Corona entrou muitíssimo bem na equipa. Não defende, vai ter que evoluir muito neste aspeto, mas ofensivamente criou os desequilíbrios de uma forma que, até ao momento, só Brahimi conseguia fazer no plantel. É reforço.

Aboubakar (+) - Uma jogatana. Foi o jogador que mais correu, ofereceu sempre linha de passe aos médios, fez tabelas, abriu espaço entre-linhas, arrastou marcações, assistiu Corona e ele próprio fez o seu merecido golo. Uma exibição completíssima. Osvaldo, descruza os braços e bate palminhas. Com Aboubakar a jogar assim, vais ter que esperar. Só uma nota: um bocadinho mais de egoísmo e um pouco menos de altruísmo na grande área. Afinal de contas, Aboubakar é o ponta-de-lança da equipa, mesmo que jogue no papel de avançado recuado, e não há matador que não tenha a pontinha de egoísmo.

Maicon (+) - Excelente exibição. Esteve em todas: no jogo aéreo, no corte, nas dobras, na marcação, ao manter a linha defensiva subida e organizada... Hoje foi um verdadeiro patrão na defesa. Marcano também esteve bem, mas um pouco mais encolhido, talvez por ter visto o cartão, e também pois tinha que estar com particular atenção nas dobras a Layún, o que não era fácil. 





A rever (-) - Não há muito a destacar negativamente na exibição do FC Porto. Lopetegui geriu bem o plantel depois do vírus FIFA, embora seja sempre discutível lançar Layún tão cedo - dois treinos e titularidade não é o maior voto de confiança a Cissokho. Por outro lado, Cissokho foi contratado para ser alternativa a Alex Sandro e permitir a Ángel sair para jogar noutro clube. Já Layún foi contratado para substituir Alex Sandro, daí que não surpreenda assim tanto a aposta imediata. O golo é mesmo o maior aspeto negativo (Maxi Pereira permite o movimento interior, a bola passa uma linha defensiva de três unidades e Layún deixa que o avançado finalize nas suas costas). O maior desafio será este: mudar as peças sem comprometer a identidade que o FC Porto apresentou hoje em Arouca.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Análise 2014-15: os centrais

Foi porventura um dos sectores mais criticados e instáveis da época. O que mostra o quão estranho pode ser o futebol. O FC Porto perdeu, no espaço de 6 meses, dois centrais de classe mundial (Otamendi, o melhor em muitos anos, e Mangala) e o melhor amigo de qualquer defesa, Fernando. Teve que se habituar a jogar com um novo guarda-redes, com uma forma de comunicar com a linha defensiva completamente diferente da de Helton. E mesmo sob todas estas condicionantes, acabou a época com a melhor defesa das 25 principais ligas europeias, com apenas 13 golos sofridos.

Quando ser o melhor não
chega para (con)vencer
Houve vários erros defensivos ao longo da época? Sim. Mas era possível fazer melhor? Talvez até fosse, mas a estatística diz que ninguém foi melhor do que nós. Mas houve de facto um problema, que não tem que ver necessariamente com a forma de defender, mas com a forma de atacar com a defesa.

E regressamos ao ponto mais criticado da época: às bolas paradas. Só fizemos 3 ou 4 golos, em toda a época, de bola batida para a grande área, num livre ou num canto, e alguém a cabecear ou desviar para golo. Se repararmos nos números ofensivos da nossa defesa, Danilo está acima de tudo, com 7 golos. Mas Alex Sandro, em 40 jogos, só fez um golo. Martins Indi, em 37, fez dois. E Maicon (39 jogos) e Marcano (32) não fizeram nenhum golo em toda a época. Como é claro, não podemos culpar nenhuma perda de pontos por um defesa não marcar golos. Mas talvez fosse isso que faltava para não perder alguns pontos decisivos. Se compararmos com o rival, Maxi fez 5 golos e Luisão, Jardel e Eliseu fizeram 4 cada um. 

Em termos defensivos, a equipa foi do melhor que há na Europa. Mas a nossa defesa fez poucos golos. Mesmo contando com o número acima da média de Danilo, em 2014-15 os nossos defesas só fizeram 10 golos. A última vez que tivemos uma defesa a marcar tão pouco foi em 2007-08, mas provavelmente nunca ganhámos um título com tão fraca concorrência como nesse ano. Por isso, Lopetegui e a sua equipa técnica (que pode perfeitamente subtrair e somar para melhorar) têm que fazer com que o FC Porto melhore nas bolas paradas. Defensivamente, é impossível pedir mais, pois já somos os melhores da Europa. Mas há muito por melhorar no sector, não só nas bolas paradas ofensivas, mas como no envolvimento dos centrais na construção de jogo. Vamos à análise, um por um.

Maicon - É o segundo mais antigo do plantel, perfeitamente identificado com o FC Porto. Foi o central mais utilizado por Lopetegui e, tirando as charutadas às quais insiste em chamar passes longos e a mania de complicar o que deve ser simplificado, é um elemento de valor. Não está ao nível dos grandes centrais projetados pelo FC Porto em vendas milionárias, nem voltou a atingir o nível a que jogou com Vítor Pereira, mas justifica a presença e continuidade no plantel. Mas há um problema: apenas mais dois anos de contrato. Como deixar um jogador a um ano de fim de contrato dá quase sempre mau resultado, sobretudo um com 26/27 anos, a sua situação contratual/negocial deve ser revista, isto sempre tendo em conta os planos que Lopetegui tenha para 2015-16.

Indi - À partida, no início da época, era visto como o melhor central do FC Porto. Experiência internacional, cotação no mercado, mas não a melhor das escolas (a Holanda não é propriamente a mais rica em defesas-centrais). Mas nunca podemos pensar apenas num central. Temos que pensar numa dupla. O facto de ser esquerdino não é problema nenhum, pois se dois destros podem jogar juntos, dois canhotos também. É tudo uma questão de rotinas. Mas de facto Maicon e Marcano, a determinada fase da época, complementavam-se muito melhor. Indi é agressivo, forte, rápido, competente no primeiro passe, mas no jogo aéreo deixa a desejar. Tem tudo para melhorar. É para manter, não esquecendo que há um investimento alto a rentabilizar.

Iván Marcano - Uma das melhores surpresas da época. Face à lamentável saída de Rolando, que teria sido muito útil ao FC Porto esta época, foi uma solução interessantíssima. Alto, forte no jogo aéreo, bom na antecipação, bom na construção e leitura de jogo, inteligente e seguro. Não mostra os dentes (é que nem os da frente), poucas vezes sorri, mas é um profissional sério e exemplar, e um elemento que merece entrar em 2015-16 como titular, depois de uma primeira época de adaptação a uma realidade diferente. Ri-te, Marcano, porque gostamos de ti. 

Diego Reyes - Ainda não tinha chegado e já tinha metade do passe alienado. uma vez que foi uma aposta da SAD e não um pedido do treinador (no caso Vítor Pereira) para entrar a curto/médio prazo na equipa. Que tinha potencial, tinha, e tem. Para valer 7€, seguramente não. Sobretudo porque não podemos potenciar/aproveitar a qualidade técnica/tática de um jogador que ainda nem sequer está formado fisicamente (é impossível vingar a nível europeu sendo tão magro). Tal como há 2 anos se dizia, precisa de ganhar massa muscular e precisa de jogar com regularidade. 2014-15 foi uma época deitada fora na sua evolução. Dificilmente vai entrar em 2015-16 como titular ou sequer primeira alternativa, logo deve ser emprestado para que a sua evolução prossiga (ou comece, finalmente). Ter um central de 7M€ que, na sua segunda época, jogou mais na equipa B do que na A é um sinal de que a coisa não está a correr como devia. Reyes é bom miúdo, com vontade de trabalhar e singrar no FC Porto, mas vai precisar forçosamente de jogar com muita regularidade na próxima época. E de ferro, muito ferro! Não esquecendo que, havendo ainda Reyes por evoluir/rentabilizar, a SAD terá que ponderar muito bem no momento de contratar mais um jovem central, com o reconhecimento do treinador.

Os bês - O passe de Lichnovsky já foi reduzido a 55%, o que significa que alguém acredita muito no seu potencial. E tem razões para isso. Já está perfeitamente preparado para ser titular numa equipa de primeira liga, com toda a naturalidade, e faz todo o sentido que assim o seja, embora haja alguma falta de centrais nos nossos quadros. Zé António devia sair, pois não faz o menor sentido ter um homem de 38 anos a jogar numa equipa B e a tapar lugar para um jovem. Diego Carlos, mesmo sendo ainda jovem, foi mostrando por que é que o Estoril não o queria. De Siemann pouco ou nada se viu. Para a próxima época Malthe e Verdasca já terão idade senior e podem e devem ser opção regular na B. Poderíamos falar de Podstawski, mas a maioria concordará que a 6 será melhor.

Pergunta(s): Qual deve ser a dupla titular no início da próxima época? Que papel para Reyes em 2015-16? Há necessidade de contratar um novo central? Quem?

sábado, 7 de março de 2015

«Agora gostam do nosso futebol»

Pinto da Costa disse-o e nós concordamos. Tem sido um regalo acompanhar o FC Porto. Uma equipa que luta do primeiro ao último minuto, que sabe o que fazer em cada momento do jogo, que se dedica de corpo e alma a uma luta que sabe que não depende de si própria para vencer. 

2 jogos, 4 golos, 6 pontos
Ao Braga aconteceu o mesmo que ao Sporting: não conseguiu cheirar porque o FC Porto não deixou. O Braga é a equipa mais forte em Portugal nas transições rápidas, mas não conseguiu criar um único lance de perigo. Mérito absoluto para Lopetegui e para os jogadores. O FC Porto age e reage, domina e aniquila. O projecto idealizado no início da época ganha forma.

O FC Porto continua a crescer, mesmo em circunstâncias adversas e que não pode controlar. Percebe-se o receio dos caça-tachos, que são anti-Vieira, pró-Moniz e pró-Rangel até se tornarem vieiristas convictos pelo lugar no poleiro, e do único director de comunicação de um clube a fazer capa de um jornal a choramingar pela arbitragem (numa época em que a única derrota do FC Porto foi, unanimemente, reconhecida como um  roubo em Barcelos, tanto que Bruno Paixão não voltou a apitar o FC Porto - já lá vão mais de 3 anos). E que agora também se torna o único a comprar espaço num jornal estrangeiro para plantar um artigo de (des)opinião. Não tremam, estimados rivais. O Arouca é um docinho (experimentem o pão-de-ló lá do sítio) e está tudo nas vossas mãos. E quanto mais suarem, mais a coisa escorrega.





Casemiro (+) - O melhor jogo pelo FC Porto. Foi perfeito para aquilo que era necessário hoje: alguém que desse dimensão física ao meio-campo, que matasse todos os ataques do Braga pela zona central, que fosse agressivo (no bom sentido) à reacção à perda da bola. No início de construção tem sempre dificuldades (demasiadas, até), mas para destruir o FC Porto não tem como ele no plantel. Volta a sofrer mais faltas do que aquelas que cometeu (sofreu 7, cometeu 2) e foi o jogador com mais recuperações de bola. Às vezes não é preciso um jogador que faça tudo bem, é preciso sim alguém que faça o que é preciso. Feito.

Patrão Marcano
Marcano-Maicon (+) - Um senhor jogador, Iván Marcano. Desde que Lopetegui apostou nesta dupla, o FC Porto não sofreu um único golo (já lá vão 6 jogos), e melhor que isso, quase não permite ocasiões de golo aos adversários. Além das valias defensivas (antecipação, jogo aéreo, velocidade), é o central que melhor constrói e que mais consegue acelerar o jogo. Maicon por vezes (ok, muitas vezes) quer adornar, mas tem estado muito bem. Uma dupla que reclama todo o mérito.

Agir e reagir (+) - Lopetegui deu ao jogo aquilo que o jogo pedia. Começa por arriscar ao retirar Evandro e meter Brahimi a 10. Chega ao golo, então reorganiza a casa, com a entrada de Rúben Neves (excelente entrada). Incansável nas instruções para o posicionamento dos jogadores. Não é alguém que espera que as coisas aconteçam, mas sim que tenta conduzi-las nesse sentido. De repetir os elogios das últimas semanas: o FC Porto é fortíssimo na reacção à perda da bola, na ocupação dos espaços e na pressão. A equipa está top neste capítulo.

Tomou-lhe o gosto (+) - Duas assistências no Bessa, 3 golos ao Sporting e agora mais um golo decisivo. Para um tipo que define mal, isto nos últimos 3 jogos está bastante razoável. Excelente momento de Tello, finalmente numa dinâmica que potencia as suas características (ponta-de-lança a baixar para depois meter a bola entre-linhas).

Outros destaques (+) - Mais um bom jogo de Alex Sandro. Começou por cruzar mal, uma, duas, três vezes, mas subiu de rendimento no decorrer da partida e acaba o jogo com um pulmão impressionante. Herrera tem um papel importante em termos de pressão e equilíbrio no meio-campo, mas revelou muito desacerto no passe e hesita demasiado na hora de rematar. Brahimi bastante melhor após o intervalo, boa entrada de Aboubakar (não se limitou a substituir Jackson - fez o papel dele. Uma coisa não implica a outra, mas felizmente assim foi). Confiança máxima para o Basel.





Bolas paradas, outra vez (-) - Mais uma dezena de cantos onde a equipa não consegue sequer ganhar um lance de cabeça e rematar à baliza. É a maior crítica ao FC Porto de Lopetegui, porque isto é algo que se trabalha e no qual não se vê evolução desde o início da época. Mesmo tendo 4 jogadores fortes no jogo aéreo, um canto raramente tem sido sinal de perigo.

A rever (-) - Percebe-se algum nervosismo inicial (o FC Porto tinha de perceber se o Braga ia pressionar alto ou não, se ia subir a linha defensiva, se ia jogar com o triângulo invertido no meio-campo, etc. - demora sempre algum tempo a encaixar), mas a quantidade de passes falhados nos primeiros 15/20 minutos foi comprometedora. A partir daqui foi sempre a crescer, mas nunca podemos subestimar a importância de marcar cedo (coisa que não tem sido fácil de fazer). Brahimi, na primeira parte, e Quaresma demasiado inconsequentes. É básico, e eles sabem-lo: se estão rodeados por 2 ou 3, não é para fintar, é para passar, porque se estão a arrastar marcações é sinal que têm colegas soltos. Colocar mais gente nas zonas de finalização e ser mais assertivo nos remates não fazia mal nenhum (em boa verdade, Matheus só fez uma ou duas defesas).

Se perdemos um soldado (Jackson), outro se erguerá (Aboubakar), pois a guerra continua. 10 finais, 30 pontos. Até ao fim.

PS: Os portistas sabem que ninguém tem pior perder que Sérgio Conceição. Sempre foi assim. Não é defeito, é feitio. Estamos a falar de alguém que se chateou por não ter sido titular no jogo de homenagem ao Deco. Mas essa «certeza absoluta que é penalty claro» precisa de ser revista. Jorge Sousa, que já tinha feito uma arbitragem quase perfeita no último FC Porto x Benfica, confirma que é provavelmente o melhor árbitro português no activo.

O Jogo, 07-03-2015

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sorrisos e suspiros de alívio

Jackson: 5 jogos, 5 golos
Doce ironia: a mais dilatada vitória da época até agora foi também a mais difícil de alcançar. A maneira como Óliver Torres festejou o primeiro golo da vitória sobre o Moreirense (3x0), já com pouco mais de 20 minutos para jogar, dirigindo-se apenas aos adeptos, disse tudo: foi mais um momento de alívio, de "ALELUIA!", do que propriamente de festa. O jogo acabou animado e com cor, mas não significa que tudo foi bom. Felizmente, o objectivo essencial está cumprido, cinco jogos, cinco vitórias, 9 golos marcados e zero sofridos. Lopetegui já é um treinador de recordes e, mesmo que prefira ganhar por 5x4, é na defesa que o FC Porto se recomenda. E entre 1x0 e 5x4, fico mais satisfeito com o 3x0.

Não se pode ignorar um grande pormenor: o Moreirense de Miguel Leal. Bela equipa. Organizada, coesa, disciplinada. Não vi ninguém com autocarro. Vi uma equipa que entrava a matar quando o FC Porto tentava sair do seu meio-campo, enquanto teve pilhas para isso, e que conseguiu limitar-nos a uma primeira parte francamente negativa. Depois, ocupou sempre bem o espaço no seu meio-campo, claro que cada vez mais à procura do ponto. Ofensivamente pouco ou nada fez, é certo, mas perder o jogador mais influente da frente logo no minuto 1 tem o seu impacto. Gostei deste Moreirense, bem treinado, e candidato a fazer uma época tranquila. Vamos aos destaques.





Danilo e Maicon (+) - Não há jogo em que não tenha elogiado Maicon. E não há jogo em que ele não tenha merecido os elogios. Que bem está! Afirmou-se como líder da defesa, novamente impecável na antecipação e abordagem defensiva, sai cada vez melhor em progressão, embora ainda tenha falhas no lançamento longo (que tentou menos vezes). Ainda assim, hoje ninguém dúvida que o líder da defesa está aqui, ainda que não se possa falar num central sem falar em dupla - Indi continua a encaixar bem. Sobre Danilo, foi o melhor da primeira parte. Se a equipa tivesse estado ao seu nível, teria ido para o intervalo em vantagem. Fecha melhor o flanco, consegue dar profundidade na linha e na zona interior, e não dorme por o seu concorrente directo parecer ser um crónico candidato ao boletim clínico. Está numa das melhores fases no FC Porto.

A diferença que o miúdo faz (+) - Quem diria? Rúben Neves, o miúdo de 17 anos, voltou a ser decisivo. Foi ele quem orientou um meio-campo perdido em grande parte da partida, e só precisou de um par de minutos para o fazer. A forma como descobre Quaresma, que depois soltou Brahimi (dou razão: é mesmo melhor utilizá-lo sem as amarras do meio-campo) entre-linhas e saiu o cruzamento para Óliver, foi brilhante. E finalmente, embora numa fase já quase de tudo-por-tudo, o FC Porto conseguiu meter gente em zona de finalização: estavam 7 (!) jogadores do FC Porto na área no momento do 1-0. O resultado? Lá apareceu alguém para empurrar. Rúben Neves foi a bussola que orientou o FC Porto para a vitória.

Cha Cha Cha (+) - Houve caso Quaresma, ponto. Não com os contornos dramáticos que alguns quiseram antecipar ou provocar, mas está mais do que resolvido: faz parte do plantel, joga quando o treinador entender e perdeu a braçadeira de capitão, agora para Jackson. Gosto de ver a braçadeira em Jackson, embora não esconda que preferisse Maicon. Mas há dois tipos de capitães: o líder por natureza e o capitão-estrela. Jackson, apesar do perfil discreto e tranquilo que o recomenda, está mais próximo do segundo. Transmite uma enorme confiança aos seus colegas, que sabem que ele marca à primeira oportunidade. Os seus 2 golos são verdadeiras obras de arte: o primeiro ao cabecear entre dois centrais, lendo como ninguém o posicionamento e a trajectória da bola; e o segundo revela toda a  sua inteligência: ao invés de correr para a grande área, como viu que tinha 2 colegas na marca de penálti resolveu ocupar outro espaço e rematou com classe. Está pronto para a sua melhor época no FC Porto.





O meio-campo (-) - Quem acompanha este espaço sabe que aqui existe grande apoio e consideração para com Lopetegui. Mas há uma regra de ouro nas grandes equipas: quem não tem meio-campo estável, a funcionar como um relógio, um núcleo, não vence grandes competições. O FC Porto, de um jogo para o outro, transformou os alas em médios (Brahimi e Óliver). É já sabido que Lopetegui é um técnico que joga em função do adversário e que uma das imagens de marca deste FC Porto é a versatilidade e a polivalência. Mas trocas assim podem adiar a estabilização do meio-campo. Depois do mercado fechar Lopetegui pode finalmente fixar o seu núcleo, e oxalá que sim, caso contrário esta dança no miolo poderá tornar-se um problema. Casemiro não esteve bem, Óliver e Brahimi não sabiam o que fazer na primeira parte.

Melhorar na saída (-) - O mesmo problema, que vai ao encontro do ponto anterior: a saída de bola. O FC Porto está a ter 65% a 72% de posse de bola e faz mais de 500 passes por jogo. Mas curiosamente, uma parte muito significativa do tempo com posse é passada dentro do meio-campo do FC Porto. Hoje, a equipa simplesmente não soube sair a jogar pelo meio até à entrada de Rùben Neves (esperava até que Evandro fosse solução de início). Com Ángel trapalhão na primeira parte (esteve bem na segunda), o FC Porto dependeu muito das investidas de Danilo pela direita para desequilibrar. Lopetegui gosta de movimentos interiores, mas o FC Porto fez a diferença precisamente quando Rúben Neves descobriu Quaresma encostado à linha. O FC Porto precisa de largura nos dois flancos, mesmo que o núcleo do seu jogo passe pelo meio. Coisas que vão certamente melhorar.

Reinaldo Teles (-) Sim, o Tio Reinaldo surge em foco negativo. Foi absolutamente inaceitável a sua postura hoje. Estando a ver o jogo mesmo ao lado de João Moutinho, o que tinha a fazer era trancá-lo na tribuna, enfiar-lhe o equipamento pela cabeça abaixo e mandá-lo já aquecer. Francamente, Tio! Ah, e a Lopetegui: mesmo que tenha sido totalmente espontâneo (e foi), a reacção à lesão de Óliver não é o melhor voto de confiança a Evandro e Quintero, sobretudo quando estes já sabem que ainda vai chegar gente para o meio-campo. Não terá sido nada demais, apenas uma reacção normal à lesão de um dos nossos, mas como Lopetegui disse, no FC Porto temos não um 11, mas um plantel de titulares. E o treinador tem que ser o primeiro a acreditar nisso.





- Quero acreditar que vi mal. Muito mal. A transmissão televisiva também não é clara, mas a partir dos 84:30 pareceu ver-se Quintero, muito determinado, tirar as bolas das mãos de Brahimi, com insistência para bater o penalty. Jackson estava lá e Lopetegui é um treinador que deixa que os jogadores decidam quem bate os penaltys, mas o teor da conversa entre os 3 só eles saberão. Felizmente o FC Porto marcou logo de seguida e Quintero redimiu-se... Mas não pode haver indecisão no momento dos penaltys. Jackson, como capitão, tem que definir.

- Os laterais-esquerdos que chegam ao FC Porto, normalmente, tropeçam sempre ao primeiro jogo. Ángel não foi diferente. Na primeira parte não esteve bem, sobretudo ofensivamente, mas na segunda parte ganhou confiança e até assistiu Jackson para um golo. De Adrián López já se viu alguma coisa. As suas características ainda não estão bem enquadrados no plano colectivo, mas já revelou algum entrosamento, como na assistência para Jackson. Precisa de mais tempo de jogo, o golo vai chegar. 

- O mercado fecha hoje à meia-noite. Uma hora mais cedo noutros países. De Otávio ao médio que Lopetegui ainda espera, passando pelos dispensados e por uma ou outra colocação de última hora, dependendo também de quem passar pela porta de entrada, haverá mais de 10 casos para resolver no dia de hoje, ainda com algumas indefinições. A equipa B e os sub-19 também têm porta aberta. Será um dia de especulação, de atirar barro à parede, de nascerem e morrerem possibilidades no espaço de uma hora. Após o fecho será feita uma análise aprofundada sobre quem entrou, quem saiu e quem ficou por entrar. Até lá, divirtam-se a especular. Depois só a partir a Dezembro. Ou Novembro, que isto já é como o Natal: é quando o Homem dizer.