Mostrar mensagens com a etiqueta Aboubakar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aboubakar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A ideia ao serviço do plantel

Sem nenhuma das contratações para a nova época no 11 inicial. Sem Danilo, Marega ou Soares. E sem bicadas para a frente. Foi com uma exibição de enormíssima qualidade que o FC Porto despachou o Desportivo de Chaves e conseguiu os três primeiros pontos da época. Foram 5-0, poderiam ter sido bem mais, tamanha a qualidade de jogo que o FC Porto conseguiu apresentar e a capacidade de criar ocasiões de finalização. 


Exibições de grande qualidade a nível individual e coletivo, futebol que empolgou os adeptos e deu para terminar com a inimaginável dupla de ataque Adrián López-Marius Mouandilmadji a ser aplaudida pelo Dragão. Com esta amostra, dizer que Sérgio Conceição tem que continuar a «rentabilizar» os ativos que tem é o equivalente a dizer a um tipo no topo do Evereste que tem que continuar a escalar. E esse tipo, se se chamasse Sérgio, era capaz de esticar os braços e meter-se em bicos de pés.




Sem bicada, sem balão (+) - Pode ser «birra» cá do burgo, mas há mesmo que começar por aqui: cinco golos, cinco jogadas que dispensam a bola despejada diretamente pelos defesas na linha da frente. E o lance do 2x0 é um exemplo de que não é preciso muito espaço para colocar um jogador nas costas da defesa adversária: basta fazê-lo na altura correta, quando as circunstâncias do jogo a isso o convidam e não como jogada padrão. Num curto passe, Sérgio Oliveira rasga uma linha de 6 jogadores do Chaves e Otávio fica em posição livre para cruzar para três jogadores em zona de finalização. É refrescante e importantíssimo ver o FC Porto e Sérgio Conceição apostarem nestas bases, e é notoriamente mais vantajoso colocar esta matriz de jogo ao serviço do plantel em vez de uma matriz de jogo ao serviço de um único jogador. Depender de uma equipa para desbloquear jogos é sempre melhor do que depender de um jogador. 

Tudo na defesa (+) - Iker Casillas não deve ter sujado as luvas, tamanha que foi a eficácia defensiva da equipa, em especial para Diogo Leite e Felipe no jogo aéreo. O jovem português, no lugar de Marcano, ganhou 7 das 8 bolas disputadas pelo ar no setor defensivo e Felipe só perdeu 2 duelos em todo o jogo, não tendo cometido uma única falta, além de ter criado uma ocasião de golo. Alex Telles esteve muito acima do nível demonstrado na Supertaça, mas Maxi Pereira esteve novamente uns furos acima, ao criar quatro ocasiões de golo num jogo em que quase só teve preocupações ofensivas. 

Sérgio Oliveira (+) - Muito abaixo do nível exigível na Supertaça, Sérgio Oliveira afirmou-se agora como um dos melhores em campo e um dos principais dinamizadores da grande exibição do FC Porto. Descobriu Otávio no lance do 2x0 e esteve no golo de Marius, tendo criado 6 ocasiões de finalização, duas delas flagrantes, entre uma exibição com 93% de eficácia no passe e oito ações defensivas. Curiosamente, desta vez não arriscou no remate e só por uma vez tentou o passe longo. Reduziu a sua amplitude de jogo e jogou mais curto, mas isso não o impediu de estar em todo o lado. Curiosamente, desta vez foi Herrera quem teve a missão de abrir mais o jogo, e acabou por ter sucesso, com 7 de 9 passes longos eficazes e 92% de eficácia no passe, mas desta feita o mexicano não esteve tão forte nas bolas divididas e esteve longe das zonas de finalização, apesar de ter sido o elemento com mais ações com bola (98).

Desequilíbrio (+) - Otávio na assistência para os dois primeiros golos (o 1x0 com uma boa simulação de André Pereira - apesar da inteligência em algumas movimentações e de muita vontade, é porventura o principal candidato a 'cair' do 11 em breve), Brahimi novamente a faturar em lance individual, Corona a entrar e a marcar, Aboubakar a bisar (e a ficar a dever a si próprio bem mais noutras ocasiões), Adrián e Marius a entrarem e a terem ocasiões para marcar. Todas as unidades do setor ofensivo do FC Porto marcaram, deram a marcar ou tiveram oportunidades para o fazer, fosse em jogadas pelo corredor, no espaço interior ou através de lances individuais. 

Quando é criado um volume tão grande de ocasiões, com nove situações em que não havia opositor entre o jogador do FC Porto e o guarda-redes adversário (e falharam sete delas), não há forma de vacilar: mesmo com um punhado de grandes ocasiões desperdiçadas, o FC Porto não deixou de golear. Procurou sempre mais, praticamente dispensou a meia distância (16 dos 19 remates foram obtidos dentro da grande área) e rapidamente assimilou um futebol que resumia tudo a uma questão: a vitória é certa, falta saber por quantos. 

Tópico para reflexão, a entrada de Adrián López. Se tivesse sido Lopetegui a lançar Adrián, talvez fosse a «espanholização». Se fosse Nuno Espírito Santo, talvez fosse «um frete ao amigo Mendes». Mas como foi Sérgio Conceição a lançá-lo, então é porque o treinador se calhar pode recuperar o jogador. Isto diz tudo sobre o crédito que Sérgio Conceição ganhou no clube. E que continua a fazer por merecer. E praticamente com o mesmo plantel do meio-campo para a frente da época passada, tem um exemplo de que afinal é possível jogar bom futebol, com circulação, apoio e momentos de desequilíbrio individual e coletivo, sem que isso implique ter como jogada padrão jogadores a correr e a caírem nas costas da defesa com passes de 40 metros. Sem imprescindíveis, com uma ideia que se sobrepõe à individualidade. Não é um recado para Marega: é para todo o plantel.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (2)

Contrato até 2021
Vincent Aboubakar - No início da época, perspetivava-se que Aboubakar, sendo titular, conseguiria sem problemas superar as contribuições em golos de André Silva na última época. E assim foi, com o camaronês a conseguir 26 golos e 7 assistências. Mas o mais notório é que Aboubakar praticamente fez isso em meia época, o que diz muito do elevado rendimento que teve até janeiro e da grande quebra que sofreu desde então. 

Entre problemas físicos e quebra de rendimento, Aboubakar fez apenas um golo e uma assistência nos últimos quatro meses da época. Até então, os seus golos foram sendo sempre sinónimo de vitórias - o FC Porto venceu 18 dos 19 jogos em que Aboubakar marcou. O camaronês, além dos golos que marcou, criou tantas ocasiões de golo flagrantes como Soares e Marega juntos (13), mas dos três foi aquele que teve menor eficácia em duelos ganhos (41%) e dribles eficazes (53%). Embora grande parte dos golos de Aboubakar pareçam quase sempre obtidos em esforço (há quase sempre um ressalto ou um desvio ao barulho), terminou a época como melhor marcador da equipa, mas a sua época teve claramente um «antes» e «depois». O mesmo é dizer que o Aboubakar da primeira parte da época tem tudo para se manter como referência goleadora da equipa, mas o Aboubakar pós-janeiro não pode carregar as dependências ofensivas da equipa. 

É de recordar que a SAD comprou a totalidade do passe de Aboubakar no decorrer da época, elevando o seu custo total a 11,5 milhões de euros, além da operação de renovação de contrato ter custado 5,1 milhões de euros (verba que inclui prémio de assinatura e comissões, tendo sido uma das renovações contratuais mais caras da história da SAD). É um ativo que tem que continuar a ser rentabilizado, até porque não aparenta haver compradores (pelo menos que agradem a todas as partes) que cubram o investimento em Aboubakar, mas o avançado tem que ser mais do que um jogador de meia época, embora ter tido interferência direta em 33 golos sejam números que muitos avançados não conseguem numa temporada inteira. 

Contrato até 2019
Gonçalo Paciência - Repescado no mercado de inverno, na altura quando a saída de Soares estava a ser negociada, o avançado português acabou por ser remetido a um papel secundário no FC Porto, até porque o brasileiro acabou por ficar no plantel. Foi apenas duas vezes titular, uma contra o Sporting (o único jogo em que conseguiu ter interferência decisiva, no passe para Brahimi), e de resto foi suplente utilizado de forma residual. A segunda metade da época acabou por quebrar o rendimento que estava a ter em Setúbal e, neste momento, parte no último lugar da hierarquia de opções para o ataque e dificilmente o FC Porto terá interesse em ir ao mercado pescar um jogador para ser suplente de Gonçalo Paciência. Ainda assim, face às caraterísticas e talento reconhecido por todos os que já trabalharam com o avançado, a um ano do final de contrato justificar-se-ia a renovação, pois o avançado, mesmo não ficando no plantel, pode perfeitamente ser titular na grande maioria das equipas da I Liga. Tudo dependerá do aval do Sérgio Conceição, sendo certo que ou joga com regularidade em 2018-19, ou arriscar-se-á a carregar o rótulo de eterna promessa. 

Contrato até 2020
Moussa Marega - O inesperado melhor marcador da equipa no Campeonato. Semana após semana, Marega conseguia combinar os mais sofríveis números no contacto com bola com a garantia de que ia fazendo um golo por jornada. Sérgio Conceição encontrou uma forma de encaixar a dimensão física de Marega na equipa e fazer com que o maliano, embora poucas vezes conseguisse acertar uma diagonal ou um cruzamento, tivesse sempre presença no ataque, ajudasse a esticar o jogo e a pressionar a linha defensiva adversária. Não é assim tão comum conseguir 22 golos no Campeonato - o último a fazê-lo foi Jackson, em 2013 -, por isso Marega distingue-se pela média de golos que conseguiu na Liga, uma surpresa que talvez não encontra paralelo desde os tempos de Pena. 

E agora? Agora seria a oportunidade perfeita para conseguir uma grande venda com Marega. Um jogador pelo qual ninguém dava dois tostões (daí que a SAD tenha dado 30% do passe de Marega ao Vitória de Guimarães aquando da contratação de Soares), que só não foi dispensado no início da época porque não sobravam mais opções e que foi reabalitado. O próprio jogador, mesmo sendo aclamado pela massa adepta, não se inibiu de afirmar que gostaria de ir para Inglaterra, mesmo sem saber se haveria propostas: Marega sabe que esta época foi única. Tem 27 anos, dois anos de contrato para cumprir e há que ter em conta o desempenho nos jogos grandes.

Entre Champions, clássicos e até os jogos com o SC Braga, foram 15 partidas em que Marega não só ficou em branco como foi sendo invariavelmente a unidade de menor rendimento na equipa - exceção à exibição no Mónaco, onde fez duas assistências. É certo que a I Liga não tem apenas quatro equipas, por isso Marega pode continuar a ter golo contra a maioria dos adversários, mas é altamente improvável ultrapassar este pico de valorização. O jornal O Jogo já deu conta de uma alegada recusa de 25 milhões de euros por Marega e, sendo verdade, seria apenas e só uma das três melhores (não confundir com maiores) vendas da história do FC Porto. A média de golos é um mérito intocável, mas Marega desperdiçou tantas ocasiões de golo flagrante como Soares e Aboubakar juntos (21 - 9 delas em clássicos), embora dos três o maliano tenha sido o jogador que melhor eficácia de dribles (65%) e duelos ganhos (48%) teve, tendo sido também o mais rematador (96 disparos na Liga, contra 77 de Aboubakar e 53 de Soares). Ainda assim, e apesar da evolução desde o início da época, foi o pior passador do plantel (67%) e o jogador com maior percentagem de perdas de posse nas provas da UEFA. Continuar a apostar num esquema de jogo tão dependente da dimensão física de Marega é uma fórmula que pode não surtir o mesmo sucesso na próxima época. Por isso, sim, se houver propostas, poderá ser a altura ideal para Marega sair... Restando saber se Sérgio Conceição planeia, ou não, continuar a apostar num esquema que privilegie - ou que faça mesmo depender - a presença de Marega.

Contrato até 2021
Tiquinho Soares - Se Aboubakar só durou até janeiro, Soares só durou em fevereiro. Esteve à beira de sair no mercado de inverno, mas o negócio falhou e Soares acabou por permanecer no plantel, tendo de imediato sido puxado para a titularidade por Sérgio Conceição, que recuperou bem o avançado. Soares entrou a matar, com 10 golos em fevereiro, mas desde então não mais voltou a marcar, vítima de uma lesão que lhe tirou um mês de competição numa altura em que estava em excelente forma. O brasileiro já tinha tido o azar de perder a titularidade logo no arranque da época, fruto de nova lesão, e a sua produtividade ofensiva acabou por se revelar curta nas últimas semanas da temporada. Dificilmente terá mercado para sair e tudo aponta para a sua continuidade no FC Porto, com o desafio de ter que melhorar a sua média de golos na Liga (um a cada duas jornadas).

terça-feira, 26 de junho de 2018

Análise 2017-18: os atacantes (1)

Contrato até 2020
Jesús Corona - Muitos esperavam que 2017-18 fosse a época da afirmação, mas a última temporada acabou por ser a pior do extremo mexicano ao serviço do FC Porto. A sua concorrência para a posição eram, basicamente, jogadores que o FC Porto havia dispensado no passado recente, mas a inconsistência acompanhou toda a temporada de Corona, que terminou a época com apenas 3 golos e 4 assistências. Sérgio Conceição bem puxou por Corona, fazendo dele titular no início da época, mas, com exceção ao grande golo em Braga, foi um ano de pouquíssima produtividade para Corona, por certo também afetado por problemas do foro familiar que devem ser tidos em conta. Ainda assim, contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que Corona fez a diferença, e muitas as em que mal se fez notar em campo. O jogador de 25 anos custou 10,5 milhões por 70% do passe e tem apenas mais dois anos de contrato. Ou seja, aproxima-se o momento em que há que decidir se vamos renovar a aposta em Corona ou se o melhor será tentar encontrar uma saída. Tem tudo para ser, a par de Brahimi, o principal desequilibrador no plantel, mas três anos depois continuamos à espera do mesmo: que o potencial se traduza em eficiência. Ter que esperar quatro épocas até ver um match-winner se afirmar não costuma ser bom sinal.  

Contrato até 2019
Yacine Brahimi - O mais virtuoso jogador do plantel e o rei do drible. Com 12 golos e 10 assistências (ficou a uma contribuição da melhor época da carreira), Brahimi foi muitas vezes um oásis de criatividade e imprevisibilidade num futebol limitado, em grande parte da época, a jogo direto e bola na frente. Brahimi acabou a época com o maior número de dribles eficazes da Liga (167 - mais do dobro do segundo melhor da I Liga, Gelson Martins, e apenas superado por Messi nas Ligas europeias) e foi o jogador com mais duelos ganhos no Campeonato, num total de 306. Foi o jogador mais castigado dos três grandes, com 95 faltas sofridas, e teve apenas um factor particularmente negativo no seu rendimento: a ineficácia nos cruzamentos (embora a sua função fosse sempre mais o movimento interior), pois em toda a época teve apenas um cruzamento eficaz no Campeonato. 

E agora? Brahimi está a um ano do final de contrato, por isso ou renova ou sai. A questão é que Brahimi nunca será um jogador que garantirá uma grande venda ao FC Porto, pois a SAD detém apenas 50% do passe, e as opções de compra e revenda estabelecidas com a Doyen expiraram em 2017. E tendo em conta que Brahimi poderá assinar livremente por outro clube a partir de janeiro, é natural que, com o aproximar do próximo ano, fique cada vez mais difícil renovar com o argelino, pois as exigências dos jogadores e dos respetivos representantes sobem sempre a partir do momento em que começam a surgir outros clubes em carteira. Um caso para definir o quanto antes, pois Brahimi na próxima época dificilmente valerá mais do que agora, e desportivamente o FC Porto dificilmente arranja um extremo da sua qualidade pela verba que o argelino eventualmente render. Renovar será caro, muito caro, e difícil, mas desportivamente perder Brahimi seria um golpe rude para Conceição. 

Contrato até 2019
Hernâni - Ficou no plantel meramente perante a falta de alternativas e nada mudou desde que assinou pelo FC Porto: não tem qualidade para jogar a este nível. Foi apenas uma vez titular no Campeonato e foi jogando alguns minutos residuais ao longo da época, tendo contribuído com apenas um golo e uma assistência. A sua grande velocidade é uma caraterística que não é acompanhada por capacidade de decisão, eficácia no 1x1 ou perigo para as balizas adversárias. Tem apenas mais um ano de contrato, logicamente não justifica a renovação e o FC Porto deve procurar uma saída que permita o melhor encaixe financeiro possível - por outras palavras, não vale a pena renovar para andar a emprestar. O que Hernâni produziu na equipa A nesta época um extremo da equipa B não faria pior. 

Compra obrigatória
Majeed Waris - Foi o único jogador escolhido a dedo por Sérgio Conceição como reforço para o FC Porto em 2017-18, mas o ganês não conseguiu ter qualquer impacto na equipa. Além de ter chegado a um clube, país e realidade muito diferentes, Waris não trazia qualquer tipo de ritmo competitivo de França, algo que se refletiu no seu rendimento - ou falta dele. Não voltou a jogar desde que foi lançado na «piscina» de Paços de Ferreira, num jogo totalmente impróprio para as suas caraterísticas (e o treinador seria, certamente, o primeiro a saber isso), e pelo que foi o seu rendimento em 2017-18 não justificaria a continuidade. No entanto, a SAD está obrigada a ficar com Waris a título definitivo, e tudo aponta para que o avançado seja um jogador particularmente explorado por Sérgio Conceição na próxima época. Waris terá a possibilidade de começar a época de raiz, de fazer a pré-época, de trabalhar a vertente física e ser integrado nas ideias do treinador. Se Waris foi o único escolhido a dedo por Sérgio Conceição na última época, seria uma surpresa e até mau sinal se o treinador desistisse da sua aposta tão cedo. Por isso, Waris pode muito bem tornar-se um dos reforços para 2018-19.  Deve.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os Pentas: Dezembro de 2017

Oito vitórias consecutivas em jogos oficiais. Uma sequência que o FC Porto não alcançava desde a época 2010-11, mas que tem sido justificada com uma série de boas exibições, não só a nível coletivo como individual. Esta série de triunfos teve início precisamente em dezembro, o mês que agora avaliamos em retrospetiva, com os cinco jogadores que mais se destacaram ao longo das seis vitórias consecutivas nesse mês, com a importante marca de 22 golos marcados. Foi provavelmente o mês em que mais candidatos houve ao top 5 - assinale-se, desde logo, a injustiça de jogadores como Ricardo ou Alex Telles não figurarem na lista - , mas estas são as escolhas d'O Tribunal do Dragão.

5. Moussa Marega

No que toca a competições internas, Marega continua a ser garantia de um golo por jogo, seja com um remate certeiro ou uma assistência. No último mês, conseguiu cinco golos e um passe decisivo, tendo sido particularmente importante com o bis apontado diante do Marítimo (3x1), que valeu a permanência no primeiro lugar. O maliano continua a falhar muito mais do que acerta, mas continua a acertar o número suficiente de vezes para justificar a continuidade no 11. E a equipa tem ajudado, e muito, Marega a evidenciar as suas potencialidades físicas e a esconder as suas limitações técnicas, fazendo do maliano o 2º jogador que mais vezes recebe a bola na grande área para rematar na Liga.

4. Héctor Herrera

Denominador comum: a melhor fase do FC Porto desta época foi aquela em que Herrera esteve em melhor forma. Um patinho feio habilita-se sempre a que digam: «Herrera está bem porque o FC Porto está bem». Mas o mexicano reafirmou-se mesmo como essencial. Bem na ocupação do espaço, tem sido sempre o elemento com mais ações com bola (média 83/jogo), apoia bem os flancos, farta-se de correr e pressionar e é o 3º principal criador de oportunidades de golo no plantel, apenas atrás de Alex Telles e Brahimi. 

3. Danilo Pereira

Faz a diferença na retaguarda, mas já todos conhecem a sua utilidade na grande área adversária, tendo conseguido um golo e duas assistências em dezembro. Personifica tudo o que os adeptos querem ver num jogador: qualidade, inteligência, capacidade de revolta sem perder a compostura. Considerado o melhor em campo nos jogos contra Benfica e Vit. Guimarães, é o médio com maior percentagem de tackles e bolas aéreas ganhas na Liga e tornou-se o melhor passador do FC Porto na prova, com 88,2% de eficácia de passe, à frente de Herrera. Não só conseguiu adaptar-se ao 4x4x2 de Conceição  - esquema difícil para ele no arranque da época - como se tornou essencial no funcionamento dessa fórmula. 

2. Yacine Brahimi

Curiosamente, não foi eleito o MVP pelos leitores d'O Tribunal do Dragão em nenhum dos jogos disputados em dezembro (algo que influencia Os Pentas), mas ninguém duvidará da sua influência na equipa. Autor de quatro assistências e dois golos no último mês, continua a exibir-se numa dimensão à parte na I Liga, onde já leva 88 dribles eficazes, mais do dobro do segundo melhor driblador do Campeonato. Brahimi desequilibra, cria 2 situações de finalização por jogo, é quem mais bolas recupera no meio-campo adversário e não tem havido jogo em que o brilho de Brahimi se faça sentir. É o génio do plantel e, provavelmente, o mais virtuoso e talentoso jogador do Campeonato. 

1. Vincent Aboubakar

Dez golos: foi esta a modesta contribuição de Vincent Aboubakar no último mês, colaboração que faz dele o melhor jogador de dezembro. Além de ter apontado oito golos, ainda somou duas assistências (sem contar com as faltas que sofreu para grandes penalidades) e demonstra melhorias claras na hora de atirar à baliza - era o jogador com mais ocasiões flagrantes de golo falhadas na Liga, mas em dezembro aproveitou todas as de que dispôs. Aboubakar tem intervenção direta num golo a cada 70 minutos e já ultrapassou, em larga escala, o rendimento de André Silva, o melhor avançado da última época.



O Top 5 mais votado dos leitores d'O Tribunal do Dragão para Dezembro/2017:
1. Yacine Brahimi
2. Danilo Pereira
3. Héctor Herrera
4. Vincent Aboubakar
5. Alex Telles

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Como ele cresceu!

Ainda ninguém sabia o que eram padres, missas e e-mails, mas já se perspetivava um grande futuro a Fábio Veríssimo, o «wonderboy» que, literalmente no espaço de um mês, passou das distritais para o estatuto de árbitro internacional, com apenas um par de jogos de I Liga no currículo e atropelando as diretrizes da FIFA

É caso para dizer: como cresceu o menino! Bruno Paixão, VAR para o Feirense x FC Porto, deve ter ficado orgulhoso com o que testemunhou, recordando os seus célebres desempenhos no Campomaiorense x FC Porto (99/00) ou no Gil Vicente x FC Porto (11/12). Veríssimo honrou a herança de Paixão.

Mas de facto, há que ter a sensibilidade de discutir uma coisa: Fábio Veríssimo fez o que fez por ser um árbitro inqualificado para o cargo?; ou fê-lo por estar condicionado e sob pressão? Tudo bem, à partida, quem está condicionado e sob pressão já não pode ser qualificado para o cargo. Mas estará Fábio Veríssimo refém de que sabem enumerar nomes, moradas, famílias, matrículas e mais detalhes - alguns deles ilícitos - da vida pessoal dos árbitros? É a questão que se impõe, sabendo que o resultado acaba sempre por ser o mesmo: benefício para o Benfica, prejuízo para o FC Porto.

Sérgio Conceição e os jogadores escaparam à rasteira e, de uma jornada de Benfica x Sporting, tiraram o máximo proveito: o regresso à liderança isolada, com os registos que têm acompanhado a equipa - invencibilidade, melhor ataque e melhor defesa. Dizer que foi na raça de pouco vale, porque a raça, por si só, não ganha nada. Mas quando é acompanhada por esta inteligência e qualidade, sim, faz a diferença.

O FC Porto fez, e bem, uma exposição ao Conselho de Arbitragem, mas não pode deixar que esta tenha o mesmo resultado das anteriores. Por exemplo, já poucos se recordarão que o FC Porto fez o mesmo relativamente à arbitragem de Rui Costa na receção ao Arouca, em 2015-16, após erros que envolviam um golo mal anulado e um penálti (com consequente expulsão) perdoados. Mas se calhar a coisa de que muitos mais rapidamente se recordam foi que Maicon escorregou nesse jogo e desistiu de um lance.

Outro exemplo, o FC Porto-Chaves da época passada, que também foi alvo de uma exposição face à arbitragem de Vasco Santos. De que resultou? De nada, pois logo depois houve uma derrota com o Moreirense e empates com Feirense e Paços de Ferreira, e já ninguém quis saber de arbitragem. Aliás, só nessa época, até ao mês de dezembro o FC Porto fez não uma, nem duas, mas sim cinco exposições ao Conselho de Arbitragem. Que efeito tiveram? Zero. Benfica campeão, FC Porto prejudicado, o mesmo filme das últimas épocas. O erro não pode ser repetido. 




Brahimi (+) - Já teve intervenção direta em 16 golos nesta época, o último dos quais o 1x0 nesta visita ao Feirense. Num jogo em que foi difícil para as individualidades «aparecerem», Brahimi voltou a ser denominador comum na criatividade do FC Porto, tendo sido eficaz em todas as tentativas de drible no meio-campo adversário. Teve 65 ações com bola, por exemplo mais do que Aboubakar e Marega juntos, e fez dois dos cinco remates enquadrados do FC Porto.


Aboubakar (+) - O único à frente de Danilo Pereira a conseguir acompanhar o ritmo de Brahimi e a acrescentar coisas à equipa. Abriu o marcador, com o seu 24º golo nesta época, criou mais uma ocasião flagrante de golo e tentou sempre oferecer soluções à equipa, quase sempre longe dos últimos 25 metros. Não esteve tão assertivo no passe como seria desejável, mas acabou por revelar-se novamente decisivo num jogo muito difícil, do qual se destacaram ainda Danilo, Alex Telles e pouco mais - Felipe cometeu vários erros, mas quem acaba por fazer o golo da vitória, no único remate do FC Porto à baliza do Feirense na segunda parte, tem que merecer destaque. 

O regresso de Óliver (+) - Este mês de janeiro vai ser a oportunidade para esclarecer uma coisa: ou Óliver não contava porque o FC Porto já tinha a sua saída alinhavada para este mês, ou porque era uma opção de Sérgio Conceição. Se é opção, é sem dúvida a mais discutível decisão do treinador. Não por Herrera estar mal (pelo contrário), mas por Óliver ser, em qualquer dia da semana, melhor do que André André e Sérgio Oliveira (que, bem vistas as coisas, não conta para o esquema habitual, mas sim para quando é necessário mudar de esquema inicial). Falhou apenas um passe nos últimos 55 metros e deu calma à equipa, sobretudo após o 2x1, além de ter orientado a equipa para o ataque - André André fez apenas cinco passes para a frente no meio-campo adversário. E enquanto Óliver teve 6 ações defensivas, André André teve apenas duas, tendo perdido a maioria das jogadas que disputou. Óliver é melhor. Quem quer ser campeão tem que jogar com os melhores mais vezes. 




Já lá vão 5 dias (-) - Não custa muito lembrar: o mercado está aberto. E podemos continuar com as graçinhas de que não são precisos jogadores se todos estiverem disponíveis, ou que Messi e Ronaldo são muito caros, mas desvalorizar esta questão - coisa que certamente pelo menos Sérgio Conceição não o faz - é abusar da sorte. Para todos os efeitos, apesar das contingências provocadas pelo apito, foi apenas de bola parada que o FC Porto conseguiu rematar à baliza do Feirense na segunda parte. Uma cabeçada de Felipe, um golo. Faltam soluções, e não basta estarem todos disponíveis.

André André, Corona e Marega estavam disponíveis, mas não conseguiram boas exibições. Hernâni estava disponível, mas pouco mais serve do que para fazer número. Layún, que queriam fazer sair, teve que entrar na equipa para ajudar a segurar a vantagem. Soares, que (também prejudicado pela lesão) tem tido dificuldades em fugir à descrição de que é melhor reforço de inverno do que um jogador para médio prazo, é a única alternativa para o ataque neste momento. Não chega. Sérgio Conceição merece melhores condições, merece mais consideração. 

À 11ª jornada o FC Porto tinha 4 pontos de vantagem sobre o Sporting. Passado duas jornadas perdeu a vantagem. Neste momento voltou a isolar-se na liderança, com dois pontos de vantagem. Cabeça. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Aboubashow contra ventos e Coentrões

As circunstâncias prometiam dificuldades que os primeiros 25 minutos confirmaram, desde às condições climatéricas aos efeitos (físicos ou mentais) pós-Champions. Mas isto de trocar o chutão para a frente e as bolas em profundidades nos avançados pela circulação, posse e por uma maior elaboração das jogadas é mesmo coisa para dar tranquilidade, soluções e qualidade à equipa. Um jogo que se podia ter tornado um grande problema resultou numa das melhores exibições das últimas semanas e revelou uma equipa que anda de pontaria afinada, com 10 golos em 4 dias, antes de três jogos consecutivos para três competições diferentes no Dragão no espaço de oito dias. Não há margem para vacilar, mas a jogar assim fica mais fácil. 





Aboubakar (+) - O Professor Bambo e o Mestre Guirrasy podem estar descansados: se depender de Fábio Coentrão, ninguém lhes tira o emprego. Um bom golo de cabeça, um penalty batido de forma defensável mas que matou o jogo (o sexto em seis tentativas na carreira - nunca falhou uma grande penalidade) e uma finalização à ponta-de-lança, antes de voltar a fazer uma assistência de grande qualidade. No espaço de quatro dias, Aboubakar marcou cinco golos e assistiu dois.

É altura de uma pequena retrospetiva. Na época passada, André Silva marcou 21 golos e fez oito assistências, em 44 jogos. Aboubakar, em 22 jogos, já marcou por 20 vezes e fez cinco passes para golo. Ou seja, ainda dezembro não vai a meio e Aboubakar já praticamente pulverizou o registo do seu antecessor (ou deveríamos compará-lo a Depoitre?), tendo desde já batido a sua melhor marca de golos na carreira. 

No Bonfim, curiosamente, não foi feliz nas suas tentativas de 1x1 (exceção ao lance do penálti), mas destacou-se a ir buscar jogo atrás, a tabelar e a abrir espaço para os colegas. E quando chegou aos últimos 20 metros, foi para ser letal: tocou oito vezes na bola na grande área - seis delas foram remates e noutra ganhou um penálti. A melhor maneira de se servirem de Aboubakar é... servindo-o. Já agora, é bom dizê-lo: ainda bem que renovou e que a SAD conseguiu a totalidade do passe antes de janeiro. 


Marega (+) - Deixar de despejar bolas no flanco direito, à espera que Marega apanhe alguma, não só favoreceu a equipa como o próprio jogador. Se no primeiro golo teve a sorte que lhe faltou contra o Benfica, no segundo conseguiu uma finalização perfeita, já depois de ter descoberto sozinho o espaço para assistir Aboubakar para o 4x0 (num lance ao seu estilo, em que quase parece enterrar a bota no relvado antes de conseguir fazer o passe). Marega vai sendo isto, capaz do mau e da utilidade, de falhar com a baliza escancarada e depois fazer um chapéu perfeito ao guarda-redes. Após mês e meio sem intervenção direta em golos da equipa, voltou a colaborar em três e já chegou aos 15 (10 golos, 5 assistências) nesta temporada, números que superam o maior dos otimistas.

Adaptação (+) - Maxi no flanco, Ricardo novamente adiantado, Diego Reyes ao lado de Marcano. Três alterações em diferentes setores, mas tudo funcionou na equipa, curiosamente melhor do lado direito do que do lado esquerdo. Apesar dos calafrios provocados pelo Vitória nos primeiros minutos, a equipa rumou a uma exibição que prova que é possível criar várias ocasiões de golo e chegar com facilidade à grande área sem que isso implique procurar atalhos que não existem no relvado - leia-se, usar e abusar do passe longo. A equipa circulou melhor a bola, Herrera e Danilo seguraram o meio-campo e as oportunidades do Vitória foram escassas. Uma noite descansada.




Que eficiência no VAR? (-) - Aboubakar tentou uma roleta na grande área, sofreu falta, Tiago Martins viu - depois de não ter visto Aboubakar ser agarrado no lance do primeiro golo. Penálti, sem margem para dúvidas. De repente, entra a comunicação do VAR e nasce a confusão. Que indicação recebeu Tiago Martins? De que era penálti? Se era, então porque necessitava Tiago Martins de ir confirmar as imagens, já que a sua decisão inicial era validada pelo VAR? Então o que se passou? Terá Tiago Martins recebido indicações do VAR de que o lance... não era esclarecedor? Ou que não era penálti? Se assim foi, será que o VAR, com recursos a imagens televisivas, conseguiu ver menos do que Tiago Martins no relvado? É verdade, se houve dúvidas, o árbitro foi tirá-las a limpo junto das imagens. Mas se assim é, abre-se o precedente de, doravante, os árbitros irem ver as imagens para confirmarem todas as decisões que tomam? Uma vez mais, o VAR, por cada dúvida que tira, lança outra.

Líder, a depender de si próprio, com o melhor ataque e a melhor defesa da Liga - o FC Porto já não marcava tanto nem sofrida tão pouco, à 14ª jornada, desde a época 1995/96. A duas semanas do natal, isto é rendimento que valha duas ou três prendinhas no sapatinho de Sérgio Conceição. Bem merece.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

E assim se fez a omelete (im)possível

Uma qualificação notável. O FC Porto reforçou o estatuto de mais forte equipa portuguesa no panorama europeu, ao garantir a qualificação para os 1/8 da Liga dos Campeões, com mais pontos e golos marcados do que Benfica e Sporting juntos. Era um objetivo declarado, mesmo sem que alguma vez tenham dado ao treinador as melhores condições para o cumprir, e o FC Porto conseguiu-o com mérito e a pulso, num grupo que era verdadeiramente traiçoeiro.


Na antevisão a esta Champions, foi comentado que neste grupo qualquer equipa era simultâneamente candidata à qualificação e ao último lugar. Ironicamente, o Besiktas, teoricamente a equipa mais frágil, venceu o grupo invicto, enquanto o Mónaco, para muitos a equipa mais forte, sai da Champions sem uma única vitória. Ilustrativo. 

O FC Porto foi inferior ao Besiktas neste agrupamento, foi do 8 ao 80 contra o Leipzig e carimbou a qualificação com duas excelentes exibições frente ao Mónaco. É certo que na última jornada as circunstâncias voltaram a ser favoráveis - à imagem da última época, quando o Leicester se apresentou no Dragão com uma equipa alternativa e também levou cinco -, e não deixa de ser atípico que até este jogo o FC Porto tenha construído a sua pontuação basicamente às custas de bolas paradas e com inconsistência defensiva (só o Sevilha se apurou com mais golos sofridos), mas nas contas finais os objetivos foram cumpridos e merecidos.

A Champions está feita no que às metas financeiras e desportivas dizem respeito. O sorteio dos oitavos-de-final não vai oferecer nenhum adversário simpático, nem diante do qual se possa reclamar favoritismo, mas a pressão já lá vai. Agora é tempo de centrar atenções no Campeonato, no qual até fevereiro muita coisa poderá mudar. Ou então a Champions continua, mas no Bonfim. 




Aboubakar (+) - Importa começar por recordar que o FC Porto não pôde contar com ele na primeira jornada, e que o camaronês terá ferido muitas suscetibilidades por ter ido ao balneário do Besiktas. Mas o que se seguiu foi isto: 5 golos e duas assistências em 5 jogos, com intervenção direta num golo a cada 60 minutos. No que a este aspeto diz respeito, estamos a falar do jogador mais produtivo da história do FC Porto na Champions, superando Rabah Madjer. 

No primeiro golo foi oportuno, no segundo determinado e inteligente a procurar o espaço para a finalização. Mas o melhor veio depois, com um passe absolutamente fantástico para Brahimi matar o jogo. Muito bem a aguentar a bola no eixo central, a vir dar apoio atrás e a distribuir o jogo, num dos seus melhores jogos da temporada. Levou o FC Porto às costas nesta fase de grupos. É caso para afirmar: ainda bem que não há CAN em 2018.


Yacine Brahimi (+) - O segundo melhor driblador da fase de grupos da Liga dos Campeões (só atrás de Neymar), a fechar a fase de grupos com chave de ouro, com mais uma assistência e a estreia a marcar. Foi o jogo em que teve maior influência direta na lista de marcadores, ainda que ao longo da fase de grupos tenha sido o denominador comum na criatividade da equipa. Conseguiu completar mais dribles do que todos os colegas juntos nesta fase de grupos. A prova de uma dimensão à parte e a repetição de um alívio: ainda bem que não há CAN em 2018.

Laterais (+) - Com Danilo e Alex Sandro, o FC Porto tinha uma dupla de laterais de classe europeia. Hoje, só resta dizer que ninguém sente a sua falta, graças a Alex Telles e Ricardo Pereira. Juntos, foram responsáveis por 25 das ocasiões de golo criadas pelo FC Porto nesta fase de grupos e voltaram a ter interferência direta. Alex Telles fez um bonito e merecido golo e Ricardo assistiu Soares com precisão para o 5x2 final. Eficazes a defender, desequilibradores a atacar.

Danilo Pereira (+) - Um daqueles jogos em que a sua presença pode não ter sido muito notada, mas foi decisiva. Fez os passes para os golos de Aboubakar (o segundo) e Alex Telles e empurrou várias vezes a equipa para o meio-campo adversário na saída de bola, tendo falhado apenas um passe no seu meio-campo. Não teve que ter muitas ações defensivas (apenas um tackle, nenhuma bola de cabeça ganha e nenhuma interceção, algo atípico no seu rendimento), mas assegurou sempre o equilíbrio da equipa no momento da perda.

Héctor Herrera (+) - Encheu o meio-campo e fez talvez a sua melhor exibição nesta fase de grupos. Teve um total de 103 ações com bola, mais do que os médios-centro do Mónaco juntos, com 91% de eficácia de passe, criou duas ocasiões de golo e acertou os dois cruzamentos que tentou, além de ter recuperado 15 vezes a posse de bola. E não menos importante, desta vez soube temporizar mais a velocidade do meio-campo, jogar curto e não querer que cada posse de bola fosse uma tentativa de a meter o mais depressa possível na frente. Resultado? O FC Porto teve 65% de posse de bola e esteve quase sempre no controlo do jogo, mesmo com uma unidade a menos no meio-campo. A prova de que não é preciso pressas para golear, mesmo tendo sido sonegadas duas grandes penalidades favoráveis ao FC Porto que, com VAR, seriam certamente assinaladas. Pois, ou então não. 





Deitar o crédito a perder (-) - Não é caso para dizer que Felipe teve meramente um descuido, que cometeu apenas um erro e que tem estado bem nos últimos jogos. Não tem. Podemos recuperar o Machado do jogo com o Aves: «Felipe bem pode agradecer que a dupla com Marcano traga crédito da época passada, e que Reyes não tenha o estofo necessário para entrar no 11, caso contrário já tinha sentado. Começam a ser demasiados erros. O problema não são os passes longos - Marcano e Felipe usam e abusam dos passos longos porque têm instruções para isso. O problema são as constantes hesitações, os maus timings sobre a bola, a falta de sentido prático a cortar os lances.»

Não podemos confundir o que é ter raça e vontade com o cair na ratoeira/tentativa de entrar numa picardia com um adversário e sujeitar-se à expulsão. Felipe não tinha nada que meter as mãos ao adversário ou responder a provocações, sobretudo sabendo que tinha a oportunidade de mostrar serviço para ir à seleção do Brasil. O FC Porto estava a vencer por 2x0, tinha o jogo controlado, mas as circunstâncias da expulsão poderiam ter sido bem mais penalizadoras. Quem não se lembra de outra expulsão disparatada no Dragão, de Herrera, frente ao Zenit, que custou bem mais caro?

Felipe conquistou o seu lugar no 11 com mérito, mesmo nunca estando ao nível de Marcano, mas de há várias semanas para cá tem sido das unidades de menor rendimento na equipa principal, com vários erros de concentração, posicionamento e de abordagem aos lances. O jogo nem estava a correr mal a Felipe, apesar de já ter falhado 5 passes longos, mas um jogador que estivesse concentrado e com a cabeça no sítio não cometeria o erro que Felipe cometeu. Já se penitenciou por isso, mas para já temos a garantia de que teremos que mexer na dupla de centrais e que Diego Reyes provavelmente terá que entrar no 11 nos oitavos-de-final. E será pela expulsão que Sérgio Conceição terá que mexer na dupla de centrais, mas se fosse pelas últimas exibições de Felipe também não poderia deixar ninguém escandalizado.

Acertar os passes longos (-) - Numa retrospetiva a esta fase de grupos, sobra a questão: quantos golos conseguiu o FC Porto através de bolas longas despejadas pelos centrais na frente? Sobretudo durante os primeiros 10 minutos, o FC Porto repetiu a fórmula de meter bolas longas na frente, à espera que Aboubakar ou Marega apanhassem alguma coisa nas costas da defesa. As melhoras jogadas nasceram de circulação de bola, do meio para os flancos, e da procura do espaço para colocar os jogadores em situação de finalização, em vez de bater logo a bola longa na frente. O melhor FC Porto desta época, exceção feita à visita ao Mónaco, foi sempre aquele que quis ter bola e assumir o jogo, em vez de trocar a elaboração da construção de jogo por passes longos de Felipe ou Marcano. Algo a reter para o que aí vem.

Palavra, logicamente, para Sérgio Conceição, que na sua época de estreia na Champions garante o apuramento para os 1/8, sem um único reforço e estando longe de ser consensual em muitas das opções que foi tomando. A verdade é que não falhou na hora H e o FC Porto revelou/reabilitou vários ativos na montra europeia. Não foi a época em que o FC Porto melhor jogou na fase de grupos, mas foi um dos apuramentos obtidos com menos recursos. Uma omelete difícil de cozinhar, mas os ovos foram aproveitados da melhor forma.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Os Pentas: Outubro de 2017

Novembro já deu ao FC Porto duas saborosas vitórias, mas é tempo de análise ao desempenho do plantel em outubro último. Um mês que arrancou com um empate em Alvalade, resultado que manteve o FC Porto na liderança e cuja vantagem foi dobrada na jornada anterior. A primeira etapa da Taça de Portugal foi superada sem problemas, mas a Taça da Liga continua a ser um fenómeno difícil de compreender. A derrota na visita ao Leipzig custou, mas no Campeonato os triunfos dilatados sobre Paços e Boavista reafirmaram uma candidato forte ao título. Em mês de Taças há maior rotatividade de jogadores, o que torna mais difícil definir um top 5, mas estas são as escolhas d'O Tribunal do Dragão. 

5. Ricardo Pereira

Só jogou em três dos seis jogos do FC Porto disputados em outubro, mas curiosamente (ou não) esteve em todas as vitórias do clube. Duas assistências e um golo ao Paços de Ferreira, numa das exibições que foi das melhores a nível individual de todo o plantel esta época, e uma exibição particularmente bem conseguida na visita ao Boavista. Parece ter agarrado de vez a titularidade no lado direito da defesa e aproximou-se do rendimento de Alex Telles, embora o brasileiro continue a ser o rei dos passes para finalização, embora muito graças às bolas paradas. 

4. Moussa Marega

Continua na senda da combinação agridoce de um jogador que lidera várias estatísticas de passes falhados, más receções e bolas perdidas com muita luta, golos importantes e algumas assistências. Voltou a ser útil no Campeonato, no qual conseguiu dois golos e duas assistências no último mês, mantendo a sua contribuição de um golo por jornada. É o mais rematador do plantel (3,8 remates por jogo) e o segundo que mais faltas arranca (atrás de Brahimi), embora na Champions as suas limitações sejam mais evidentes. Na I Liga, no entanto, a sua dimensão física continua a fazer de Marega mais vezes solução do que problema, para surpresa e agrado. Estará ausente ao longo do mês de novembro e será a altura de fazer o balanço: o FC Porto é mais ou menos forte com Marega?

3. Iván Marcano

Voltou a mostrar a sua vocação goleadora, ao marcar dois golos no último mês, um na Taça e um na Champions. Apesar dos três golos sofridos na Alemanha, Marcano continua a somar exibições que combinam autoridade, inteligência e uma enorme capacidade no jogo aéreo. Tirando Maurides, irmão de Maicon e que tem uma capacidade forma do normal para jogar de cabeça, Marcano é o central que mais bolas de cabeça ganha no Campeonato e o que mais tackles ganha, com 73%. Em 11 jornadas disputadas, continua a ser notável a sua forma limpa de jogar (fez apenas 8 faltas, o que lhe dá menos de uma falta cometida a cada 120 minutos). E porque não custa lembrar: pode assinar a custo zero por qualquer clube dentro de menos de dois meses. 

2. Vincent Aboubakar

Voltou a ser o homem-golo do último mês, ao contribuir com cinco remates certeiros e uma assistência. Destacou-se no Bessa, ao inventar e finalizar a jogada do 1x0 depois de uma primeira parte fraca da equipa. Já é o 6º melhor marcador da história do FC Porto na Champions e é o terceiro portista com melhor média de golos na competição, só atrás dos heróis de Viena Madjer e Juary. Já leva intervenção direta em 38% dos golos da equipa, sendo o mais influente nesse capítulo. Na pré-época entendeu-se com Soares, depois com Marega e agora prepara-se para guiar o ataque do FC Porto a solo. Está bem entregue.

1. Yacine Brahimi

Repete a eleição de melhor jogador do mês, sem que possa haver grande surpresa. Três assistências e um golo no último mês, mas todos sabem que a magia de Brahimi não encontra meramente nos golos o melhor espelho. Foi o MVP no Bessa e em Alvalade e trata-se de um desequilibrador de uma dimensão à parte neste campeonato, com já 56 dribles eficazes, mais de metade do segundo melhor - um nome que merece atenção para o mercado de inverno... Gonçalo Paciência, com 24. É também o jogador que mais duelos ganha no Campeonato (96), tendo inclusive a melhor eficácia de 1x1 em toda a Liga - 73% dos lances resultam em jogadas de perigo. À margem da criatividade do ataque, destaca-se cada vez mais nas recuperações de posse e na forma como se envolve na primeira linha de pressão. Tem contrato até 2019, vai fazer 28 anos e o FC Porto dificilmente conseguirá, algum dia, fazer uma venda que faça jus à valia e qualidade de Brahimi. O melhor mesmo é continuar a desfrutar dela dentro de campo. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Três alegres africanos

Na época passada, o FC Porto levava 21 pontos em 30 possíveis, era 3º classificado, estava já a 5 pontos da liderança e tinha 19 golos marcados.

Esta época, depois da vitória no Bessa, o FC Porto chegou aos 28 pontos em 30 possíveis, é líder isolado e Aboubakar, Marega e Brahimi, sozinhos, já marcaram 20 golos só no Campeonato, onde o FC Porto revela a maior produtividade ofensiva desde a longínqua época de 1955/56. 

Tendo em conta que Aboubakar e Marega, por razões distintas, tinham sido dispensados na época passada e Brahimi era suplente há um ano, o contexto atual mostra que qualquer paralelismo com o passado é um atestado de qualidade e de rendimento no presente. Sim, três jogadores que há um ano não contavam já levam mais golos do que toda a equipa na época passada. Mérito do seu próprio esforço e, também, de Sérgio Conceição na sua recuperação. 

Brahimi: há um ano levava apenas um jogo a titular até à 10ª jornada
No Bessa não houve uma grande exibição, mas houve uma grande vitória, com assinatura dos três africanos que simplificaram aquilo que poderia ter sido - aliás, que foi - um triunfo suado e saboroso, como mandam as regras dos dérbis. Seguem-se três jogos consecutivos no Dragão, essenciais vencer por diferentes motivos.







Yacine Brahimi (+) - Pouco se viu dele na primeira parte - e o mesmo pode ser aplicável à grande maioria dos jogadores do FC Porto -, mas após o intervalo despertou com a equipa e a equipa despertou com ele. Serviu Aboubakar de bandeja para o primeiro golo e carimbou a vitória com uma boa finalização, entre uma mão cheia de jogadas em que desequilibrou uma defesa sólida do Boavista, que só rasgou nos últimos 10 minutos. Mas fica uma nota: um jogador com a capacidade de Brahimi em receber a bola do lado esquerdo tem que ter capacidade para atirar cruzado com o pé esquerdo, gesto que poderia render mais golos a Brahimi por época. É algo que lhe falta, mas mais importante: não tem faltado Brahimi ao FC Porto.


Aparecer para resolver (+) - Aboubakar e Marega estiveram muito longe de fazer os melhores jogos pelo FC Porto. Passaram quase todo o jogo longe da bola, falharam vários passes, ganharam poucas situações de 1x1 e foram raros os lances em que conseguiram atacar o espaço. Estiveram perdidos entre o facto de a bola não lhes chegar e de não conseguirem ir buscá-la lá atrás. E no meio de uma exibição em que mostraram pouco, acabaram por... resolver. Primeiro Aboubakar, ao desenhar e concluir a jogada do 1x0, mostrando mais ideias em poucos segundos do que toda a equipa nos primeiros 45 minutos; depois Marega, bem servido por Herrera, a transformar uma bicada na bola num remate perfeito em arco, matando o jogo. Num jogo em que fizeram pouco, os dois avançados fazem dois golos e resolvem o jogo. Pouco talvez não seja a melhor palavra. 

Outros destaques (+) - Exibição particularmente sólida de Ricardo Pereira, muito bem defensivamente, num jogo em que teve muito menos liberdade do que Alex Telles para atacar. Não conseguiu ir nenhuma vez ao último terço, quer para cruzar, quer para tentar o movimento interior, mas tudo o que tinha que fazer no seu meio-campo fez bem. Herrera, entre uma ou duas más decisões (particularmente a falta para cartão e a má finalização antes do 2x0), foi subindo de rendimento ao longo da partida, fez uma assistência e justificou a titularidade. Palavra, também, para o rendimento particularmente bom da equipa no jogo aéreo (apenas uma perda de bola comprometedora, por Felipe) e para a grande quantidade de bola dividas ganhas na raça na segunda parte.







Primeira parte (-) - Pois, os dérbis não se ganham nos primeiros 45 minutos, mas foi muito fraquinha a amostra da equipa no primeiro tempo. O critério da equipa de arbitragem não ajudou a tranquilizar a equipa, mas o FC Porto chegou ao intervalo sem um único remate à baliza (o mais próximo disso foi uma tentativa de Corona) e nenhuma ocasião de golo. Daí a dizer que o Boavista merecia estar a vencer é absolutamente hilariante (fizeram apenas um remate), mas o FC Porto mostrou pouco e regressou aos balneários com a certeza de que, assim, não ganharia o jogo. 

Um pormenor (-) - Sim, um mero pormenor. Mas já toda a gente sabe que nos pontapés de saída o FC Porto bate a bola longa para Marega, do lado direito do ataque, para tentar ganhar de cabeça e devolver para a zona central. Talvez não seja a melhor ideia experimentar isto contra uma equipa com defesas matulões na Champions. Tipo, por exemplo, o Leipzig. É que a bolinha é preciosa e não convém deixá-la à mercê adversário à primeira oportunidade. Saídas alternativas precisam-se. E sim, quando há um Machado meramente dedicado ao pontapé de saída, é sinal que o resto está a correr mais do que bem.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Puxão à terra

Saltemos desde já todos esses exercícios de falência de criatividade que envolvam analogias entre a Red Bull e asas. Muitos concordavam, à partida para este grupo, que se tratava de um lote de equipas extremamente equilibrado, no qual qualquer clube era simultaneamente candidato à qualificação direta e ao último lugar. Mas curiosamente, os jogos têm sido tudo menos equilibrados.

O FC Porto perdeu com o Besiktas porque foi muito inferior; venceu o AS Mónaco porque foi muito superior; e perdeu com o Leipzig pois foi muito inferior. Equilíbrio não tem sido, de todo, algo presente nos jogos do FC Porto na Champions.

Vamos ao elefante na sala, a titularidade de José Sá. José Sá não tem, nunca teve, nunca revelou estofo para a titularidade do FC Porto. E passar de suplente do atual suplente do Sporting à titularidade na Champions, apenas com joguitos de Taça e pouco mais pelo meio, não é coisa que se recomende. É o mesmo que recordar a linhagem que apontava Paulo Ribeiro como sucessor de Baía ou Hugo Ventura como herdeiro de Helton. Ou Mika como futuro guarda-redes da seleção A, só porque fez um bom Mundial de sub-20. Como José Sá fez alguns bons jogos nos sub-21. 

Mas foi por causa de José Sa que o FC Porto perdeu na Alemanha? Não. Perdeu porque o Leipzig foi muito melhor. Porque o Leipzig foi melhor equipa e os seus jogadores, sobretudo do meio-campo para a frente, foram muito superiores aos do FC Porto. A derrota começou num erro de Sá? Sim, como Iker também errou no 2x1 do Besiktas, ou na época passada em Kiev. Mas o maior problema no jogo não esteve nas bolas que foram à baliza, mas em tudo aquilo que o FC Porto não foi capaz de fazer com bola. 




Aboubakar, os golos e pouco mais (+) - Houve algo de admirável na primeira parte: como o FC Porto, jogando tão pouco, ainda assim conseguiu fazer dois golos. Notável, em dois lances de bola parada muito bem trabalhados, nos quais os jogadores posicionam-se bem, ganham na marcação e conseguem trocar a bola sem deixá-la cair, até ao remate final. Aboubakar fez um bom golo e fartou-se de trabalhar, muitas vezes desapoiado e longe das zonas de decisão, tanto que tocou mais vezes na bola no meio-campo defensivo do que nos últimos 30 metros. Iván Marcano (mal no 3x1, mas a redimir-se logo a seguir) e Alex Telles também fizeram jogos razoáveis, numa noite em que quase tudo saiu mal ao FC Porto.




Zero com bola (-) - O futebol tem destas coisas. O FC Porto venceu e brilhou no Mónaco pois soube dar a posse de bola e a iniciativa de jogo ao adversário, mas sem com isso deixar de controlar o jogo. Em Leipzig, provavelmente os planos passavam pela mesma estratégia, mas tudo correu mal: o adversário soube o que fazer com bola, foi agressivo, muito forte entre linhas (Forsberg isola-se para o 2-1 no meio de seis jogadores do FC Porto!), e cedo se percebeu que o facto de o FC Porto não ter bola já não era estratégia: era incapacidade de a ter.

Há algo que ilustra todas estas dificuldades: a quantidade anormal de vezes em que o FC Porto falhou passes no seu próprio meio-campo. Falhou muito mais no seu meio-campo do que no do Leipzig.

Um festival de passes falhados
Outro grande problema foram os cruzamentos: em 19 tentativas, o FC Porto só conseguiu acertar dois, um deles num pontapé de canto e outro já no minuto 90, por Layún. Sem capacidade para ter bola no meio-campo e não sendo capaz de ter profundidade para criar perigo pelas laterais, reuniram-se condições para o FC Porto pouco ou nada conseguir fazer na Alemanha. Não é por acaso que os golos nascem de lances de bola parada: no jogo corrido, o FC Porto teve 90 minutos que roçaram o zero. 

Subrendimento geral (-) - Vamos repeti-lo pela milésima vez: sabemos que o plantel é curto. Mas não encontrar outra alternativa que não ter sucessivamente Marega a cumprir os 90 minutos, mesmo sem dar uma jogada para a caixa, é preocupante e a maior ilustração de falta de alternativas no plantel. Este dado do Goalpoint resume tudo: «Marega é o único jogador da UCL que perde a bola em mais de metade das vezes que a tem». Em 133 ações com bola, perdeu 52,6% das jogadas. Marega acertou 5 passes em todo o jogo. Cinco, três deles no próprio meio-campo. Criou zero jogadas de perigo, falhou os 2 cruzamentos que tentou, falhou o único drible que tentou e falhou seis receções de bola daquelas que se treinam todos os dias nos iniciados. 

No Mónaco foi decisivo, com duas assistências (o que não invalidou que, na maioria das jogadas, foi bola perdida), mas manter no ataque um jogador que em 90 minutos não acerta uma jogada que seja é surreal. Ainda assim, o subrendimento foi praticamente geral.

Brahimi foi dos poucos a ganhar lances de 1x1, mas foi sempre bem marcado pelo Leipzig e não conseguiu criar desequilíbros no último terço. Danilo e Sérgio Oliveira foram engolidos no meio-campo, no qual Herrera não conseguiu ser eficaz na missão de pressionar e dar velocidade ao jogo. Layún deu nas vistas pela quantidade de vezes que perdeu a bola (35, batendo os recordes de Marega), mas em quase todas as suas subidas pelo corredor não encontrava ninguém para tabelar, ninguém para abrir espaço. Layún chegou oito vezes à linha da quina da grande área, mas perante a falta de apoio, não lhe restava solução que não o cruzamento. E do banco, entre Óliver, Corona e Hernâni, não surgiu nada que mudasse o rumo do jogo. Jogou-se muito, muito pouco.

A vitória no Mónaco não abriu as portas do apuramento e a derrota na Alemanha não as fechou. Da mesma forma que o FC Porto perdeu na visita ao Leipzig, pode vencer dentro de 15 dias, no Dragão, e voltar desde logo aos lugares de apuramento para os 1/8. Mas que não vai vencer muitas vezes repetindo exibições destas, é certinho. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Sem espinhas

Seriedade, compromisso e empenho num jogo que convidava a algum relaxamento? Check.
Oportunidade para lançar uma equipa alternativa e alguns jovens? Check.
Golos bonitos e bom futebol? Check. 
Prémio Puskas para Hernâni? Não, porque esse já está reservado para Loures. 

Tudo o que se podia pedir neste contexto de Taça de Portugal foi cumprido com distinção, a poucos dias da deslocação à Alemanha, onde o Leipzig tem como mais recente cartão de visita uma vitória em Dortmund. Promete.

Aboubakar (+) - Os regulamentos que condicionaram a composição do 11 para a partida eram não só desconhecidos por grande parte dos adeptos como pela própria imprensa, mas Sérgio Conceição fez questão de os lembrar. Aboubakar teve que jogar, num jogo em que o FC Porto acabaria sempre por vencer, com menor ou menor dificuldade. Aboubakar, em dois minutos, assegurou que a equipa o faria com menor dificuldade, com duas boas finalizações, em particular o golpe de cabeça.

Diogo Dalot (+) - Este jogo não foi um teste à qualidade de Diogo Dalot, pois a verdade é que qualquer adversário do FC Porto B na Segunda Liga tem mais qualidade do que este Lusitano. Mas na sua estreia oficial pela equipa principal foi desinibido, entendeu-se bem com Brahimi do lado esquerdo (embora tenha feito toda a formação do lado direito) e arrancou um cruzamento perfeito para a cabeça de Aboubakar. Está, há muito, a um nível muito acima do da sua geração e o FC Porto pode ter aquilo um lateral para muitas épocas - embora a SAD não tenha historial de manter os talentos da formação no clube. 



O envolvimento da equipa (+) - Muitos destes jogadores estavam a jogar juntos pela primeira vez, mas foi visível a existência de rotinas e jogadas-padrão. Sérgio Conceição sabe que não tem um plantel vasto, mas não há elemento que não esteja totalmente integrado no colectivo da equipa, o que permite surpresas como ver Sérgio Oliveira saltar para a titularidade sem um minuto de jogo. E entre alguns rasgos de criatividade e minutos em que pareciam ausentes do jogo, Otávio e Hernâni acabaram por mostrar serviço e contribuir com dois bons golos. 

Segue-se a Champions. Entretanto a SAD já divulgou o Relatório e Contas da época passada. A análise habitual d'O Tribunal do Dragão será publicada dentro de alguns dias.

sábado, 30 de setembro de 2017

Os Pentas: Setembro de 2017

Um mês irrepreensível no Campeonato, no qual o FC Porto continua líder invicto e 100% vitorioso, e do inferno ao céu na Champions, prova em que os dragões, depois de uma pálida e insuficiente imagem diante de um Besiktas muito superior, lavaram a cara e brilharam ao mais alto nível no Mónaco. Todos concordarão: o FC Porto termina este mês mais forte, mais confiante e com mais soluções do que há quatro semanas atrás. E para O Tribunal do Dragão, estes foram os cinco melhores de Setembro. 

5. Danilo Pereira

Após ter começado a época longe da melhor forma física e a cometer erros impróprios para um jogador do seu calibre, o rendimento de Danilo disparou nos últimos jogos. Contribuiu ativamente para a vitória em Vila do Conde, com o seu primeiro golo da época, e continua a destacar-se na simplicidade de processos - é o jogador com maior eficácia de passes no 11 (89,6%), mas isso não significa que esteja sempre a jogar curto e para o lado (o seu passe médio é de 20 metros, o que mostra que, apesar de ocupar uma posição específica no meio-campo, não deixa de oferecer amplitude à equipa). A palavra-chave: firme

4. Alex Telles

Repete o lugar no top 5, destacando-se uma vez mais na forma como consegue municiar o ataque. Continua a ser o jogador com mais passes para finalização no Campeonato, com 22 ofertas (uma estatística sempre influenciada por bater as bolas paradas, um pouco à imagem da primeira época de Layún no FC Porto), e dois dos golos marcados neste mês saíram de pontapés de canto batidos pelo brasileiro. Em nenhum dos laterais do FC Porto o seu ponto forte é defender, mas Alex Telles continua regular e fiável nesse aspecto, além de já ter igualado Óliver Torres como melhor assistente da equipa, com quatro passes para golo. Repete-se a palavra-chave: municiador.

3. Moussa Marega

Três golos, três assistências e lugar cativo no onze de Sérgio Conceição, que não prescinde um minuto que seja do maliano no ataque. Se é certo que Marega continua a ter a pior percentagem de passes no plantel (atrás de Casillas) e lidera a lista de perdas de bola e posse, também é verdade que conseguiu três assistências durante Setembro, acrescentando a isso três belíssimas finalizações nas últimas três jornadas, contornando com a palavra-chave deste mês as suas limitações técnicas: eficácia. Marega está a contribuir com um golo por jogo para a equipa, ora na finalização, ora a servir os colegas. Um bom mês para Marega, que mostrou que o futebol nem sempre se faz apenas de artistas. 

2. Vincent Aboubakar

Quatro golos no último mês e uma assistência, apesar de ter falhado a receção ao Besiktas. Aboubakar continua a pecar por vezes na finalização (e está a ser muito bem servido pelos colegas, pois 23 dos 29 remates que leva no Campeonato foram feitos dentro da grande área), mas está para já a cumprir a época mais goleadora da sua carreira e sua influência no ataque é notória, ora a jogar em profundidade, ora em aguentar a posse, ora em criar espaços. A sintonia com Marega e Brahimi acentuou-se no último mês e Aboubakar só não leva o «Penta» do mês para casa pois alguém decidiu roubar o palco nas últimas semanas, mas o percurso de Aboubakar vai-se descrevendo na palavra que os avançados mais gostam de ouvir: goleador

1. Yacine Brahimi

Esteve presente em todos os «Bonés» d'O Tribunal do Dragão em Setembro e foi eleito três vezes o MVP pelos leitores do blogue. E não é coincidência. Brahimi reencontrou-se com o nível que o coloca muito acima do Campeonato português, foi dos poucos a dar luta e a mostrar clarividência diante do Besiktas e partiu a loiça no Mónaco. A sua presença na lista de marcadores pode parecer curta (dois golos e uma assistência no último mês), mas todos sabem que Brahimi é muito mais do que isso.

É com larguíssima distância o melhor driblador da Liga (32 lances eficazes, mais do dobro de Gelson Martins), para já o 2º melhor da Champions (atrás de Neymar) e está a passar melhor a bola, sobretudo no passe longo - no Mónaco ficou na retina a bola para Marega no lance do 2x0, e no Campeonato Brahimi é o portista que menos tem errado nos passes longos. O perfil de individualista também é contrariado por, entre os atacantes dos candidatos ao título, ser aquele que mais passes completa no Campeonato, com 288 em sete jogos. O futebol não se faz apenas de artistas, mas Brahimi não só o é, artista, como reclama todo o palco para ele.


Ainda assim, há algo que continua a faltar nas fichas de Brahimi: aquela grande exibição num clássico (com ele na equipa, o FC Porto venceu apenas 4 de 11 jogos contra Benfica ou Sporting, sem qualquer golo ou ação decisiva do argelino). O arranque de Outubro é uma boa oportunidade para mudar a história e começar a definir os Pentas do próximo mês.