Acompanhei a qualificação da Selecção de Sub-21 para o Europeu, e apesar do resultado excessivamente à holandesa (sofrer 4 golos, mesmo ganhando, é motivo para reflexão), vi com satisfação o apuramento. Mas não foi a única boa notícia do dia: Lopetegui esteve em Paços de Ferreira a ver a partida.
De manhã deu treino no Olival, onde a equipa prepara o clássico da Taça de Portugal, e à tarde foi ver os Sub-21... ou prosseguir essa preparação para sábado? Ruben Neves e Ricardo deram hoje duas excelentes respostas para combater o vírus FIFA, ainda que mesmo com a ausência de vários internacionais haja alternativas de sobra no Olival. Lopetegui tem um dilema para resolver: valorizar os jogadores que ficaram a trabalhar nas duas últimas semanas, ou recorrer a jogadores que entram directamente no 11 só com um treino? A rotatividade é uma faca de dois gumes, mas Lopetegui tem sabido usá-la.
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| Ricardo, um exemplo |
Sobre Ricardo, repetem-se os elogios que já tinham sido feitos aqui. Mas desta vez foi como extremo que Ricardo mostrou serviço, com 2 excelentes golos, além de ter feito 80 minutos quase sempre de grande intensidade. tendo atirado para o banco Ricardo Horta e Carlos Mané. Para o jogador, seria importante que se clarificasse a sua posição dentro do clube, pois é complicado para um jovem evoluir quando é um tapa-buracos. Mas para o FC Porto, é um luxo ter um jovem português competente para jogar a lateral e que no ataque sabe sabe fazer golos, sempre com dedicação e empenho em todos os momentos.
Destaque ainda para Tozé. Fui defensor do seu empréstimo ao Estoril, pois nenhum jogador deve ficar 3 anos consecutivos na equipa B e no FC Porto de Lopetegui não ia ter espaço, por maior que fosse a rotação. Infelizmente, no Estoril está a acontecer o que se temia: o clube prefere valorizar os seus próprios activos em vez de lançar Tozé como um indiscutível. É forte nas bolas paradas, tem um chuto potente e é óptimo nos passes de ruptura... mas não chega. Tozé necessita de evoluir e oxalá continue empenhado. Mais um destaque para Sérgio Oliveira, de quem o FC Porto mantém parte do passe, que está a crescer muito no Paços de Ferreira e é patrão do meio campo da Selecção de Sub-21. Depois de Josué, oxalá que haja nova segunda vida na Mata Real.
E depois disto chegamos à posição 9. Gonçalo Paciência, que se tudo correr bem será o 9 titular no Europeu, está lesionado. Quando se lesionou, Rui Jorge chamou André Silva, a nossa promessa de 18 anos da formação. Mas para o playoff André Silva já não foi chamado, pois não joga no FC Porto B desde Agosto.
Diariamente aparecem leitores a perguntar o que se passa com André Silva - perguntas tão repetitivas, de quem mais nada procura, que cheguei a um ponto de rejeitar todos os «comentários». O jornal A Bola já adiantou que o motivo para não jogar trata-se de uma recusa do jogador em renovar contrato, que acaba no fim da época, por isso em Janeiro pode assinar por outro clube a custo zero.
O alerta já tinha sido dado aqui, há 3 meses, e o caso não conheceu desenvolvimentos desde então. Aliás, segundo o que veio a público, sabe-se: o FC Porto fez a sua parte, ofereceu a renovação, e o jogador é que recusou. Vistas assim as coisas, é fácil condenar o jogador e declará-lo persona non grata. Mas estas histórias têm sempre duas versões.
Sabe-se que o FC Porto ofereceu a proposta de renovação. Então a questão que sobra é simples: será que ofereceu tanto a André Silva como a Quiñones, Abdoulaye ou Caballero (com o devido respeito aos 3 profissionais)? André Silva não tem direito a ser burguês, pois revelou-se no FC Porto nos últimos 3 anos. Mas será que está a ter exigências altas ou será que está simplesmente a pedir que o FC Porto o trate como um dos maiores goleadores do Europeu de Sub-19?
A posição que defendo é simples: André Silva tem o direito de exigir ganhar tanto como Caballero. E o FC Porto tem o dever de lutar tanto por André Silva como lutou por Caballero. É injusto para Caballero que o dê como exemplo, pois é mais um jogador que tem o sonho de se afirmar no FC Porto e que aos 16 anos já fazia golos na Libertadores, mas importa recordar o contexto da sua contratação.
«(...) Mauro Caballero, que em Maio
dizia à RR que tinha confiança e esperança em Lopetegui para chegar à
equipa A. É sabido que Gonçalo Paciência é o único ponta-de-lança para
começar a pré-temporada. Onda está Caballero? Tal como Bolat, nem na
lista apresentada pelo FC Porto se encontra, e no Olival nem sinal dele.
Só para refrescar a memória. Estamos a falar de um jogador que envolveu
um litígio e a FIFA; um jogador que fez capas de jornais a ser
apresentado como alternativa imediata a Jackson; e que mal chegou
relegou logo André Silva e Gonçalo Paciência, os dois mais promissores
avançados portugueses, para segundo plano.
Mais um refresco: em Janeiro de 2013, o advogado Gerardo Acosta garantia que o FC Porto ia pagar 365 mil euros, apenas por direitos de formação. Chegou o Relatório e Contas e o que se viu foi 1,53 milhões de euros pagos à MHD, S.A. »
Se o FC Porto ofereceu tanto a André Silva como a Caballero, fez a sua parte e bem (André Silva é a única promessa da formação em fim de contrato, por isso o trabalho do clube deve ser elogiado nos restantes casos). Se não o fez, então há algo a aprender: ou se acabam os Caballeros, ou tem que estar preparado para que os melhores jogadores da sua formação exijam ganhar tanto como os jovens estrangeiros que chegam ao clube.
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| Com 18 anos, pode ir ao Europeu de Sub-21 |
Não interessa se vai ser um Bock, um goleador da formação que nunca chegou à primeira liga, ou um Fernando Gomes, o maior goleador da história do clube. O que importa é o que o jogador é hoje e o potencial que apresenta. Importa também ouvir Lopetegui: que planos teria ele a médio-prazo para o jogador?
André Silva é um jogador pelo qual o FC Porto deve lutar, tanto quanto luta por um jovem valor sul-americano. E André Silva tem o direito de exigir que seja valorizado na mesma medida que qualquer jovem avançado sul-americano que o FC Porto vá buscar. Desta vez não é uma conquista que está em causa, FC Porto. É algo que já é nosso. E por vezes, o melhor território que podemos conquistar é que aquele que nos pertence.
Como Ruben Neves, oxalá que André Silva ainda possa afirmar que está «orgulhoso por renovar com o meu Porto».
Como Ruben Neves, oxalá que André Silva ainda possa afirmar que está «orgulhoso por renovar com o meu Porto».
PS: Muita gente preocupada com o interesse (nada mais que isso) do Sporting no jogador. É natural, saber que um dos mais promissores avançados europeus está em vias de ficar livre, aliada à possibilidade de dar uma facada no rival, é sempre apetecível. O FC Porto também não deixou de estar atento a Bruma, por exemplo. Mas cá vai um desafio: porque é que um dos melhores jogadores dos juniores do rival do último ano está quase em fim de contrato, encostado e não joga na equipa B? Ups.

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