segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A época de contenção que foi a mais cara de sempre

Diretos à aguardada análise do Relatório e Contas da SAD do FC Porto relativo à época 2017-18. O FC Porto cumpriu o acordo com a UEFA relativo ao fair-play financeiro? Sim. O FC Porto cumpriu o orçamento relativo à época 2017-18? Não. Porque uma coisa não significa a outra e passamos, por isso, à análise das principais alíneas relativas à época financeira 2017-18.

A SAD apresentou um orçamento que previa um prejuízo de 17,277 milhões de euros. A época 2017-18 acabou com um resultado negativo de 28,444 milhões de euros. Então, como se explica esta diferença de mais de 11 milhões de euros nos resultados da época e, simultaneamente, o cumprimento do fair-play financeiro?

Conforme O Tribunal do Dragão explicou em 2014, num post que já alertava para esta realidade iminente na SAD, a UEFA tem em consideração custos justificados com investimentos em futebol juvenil, infraestruturas e amortizações. Isso ditou que, para efeitos do fair-play financeiro, o FC Porto justifica essa diferença de 11 milhões com despesas autorizadas pela UEFA e, assim, não ultrapassa os 20 milhões de euros de prejuízo.

O orçamento da SAD para a época 2017-18, apresentado em novembro
A forma como Fernando Gomes apresentou estes dados faz esta tarefa parecer algo quase hercúleo, e não uma consequência de ser o responsável financeiro da única SAD/clube a ter sido punido pelo incumprimento do fair-play financeiro em toda a Europa em 2016-17, mas há que esclarecer o que foi ou não cumprido. 

E com isto vamos a um dado que pode parecer atípico, mas que é comprovado pelos números finais: a época 2017-18 foi a mais dispendiosa da história da SAD nos custos operacionais. Sim, numa época de assumida (?) contenção financeira, sem reforços para Sérgio Conceição, com um plantel de remendos, os custos operacionais atingiram o recorde de 133,71 milhões de euros, sensivelmente mais 15 milhões de euros do que o que estava orçamentado. A SAD ultrapassou os custos em 5 das 6 alíneas da rúbrica, com destaque para os fornecimentos e serviços externos e os custos com pessoal.

Custos operacionais foram os mais altos da história da SAD
Os FSE ficaram à beira dos 44 milhões de euros e os custos com pessoal atingiram os 78,8 milhões de euros, tornando esta folha salarial a mais cara da história do clube. 

Fernando Gomes começou por explicar esta parte com esta interessantíssima declaração: «Tínhamos previsto reduzir os Custos com Pessoal e eles subiram por uma questão muito simples: como fomos campeões nacionais, tivemos de pagar prémios ao plantel e à equipa técnica. Isso representou um encargo adicional de 6 milhões de euros, mas ainda bem que o tivemos». Ok, não há adepto que se oponha a pagar por ganhar. Mau é pagar e não se ganhar. Mas vamos por partes.

«Tínhamos previsto reduzidos os custos com pessoal». É verdade, tinham. Face ao orçamento da época passada, a SAD previa uma redução que não chegava aos 100 mil euros. E face aos resultados de 2016-17, a proposta de orçamento apontava para uma redução de perto de quatro milhões de euros. No entanto, Fernando Gomes diz que isto derrapou devido aos 6 milhões de euros que tiveram que ser pagos ao plantel em prémios pela conquista de título (uma prática habitual em todos os clubes, diga-se).

Mas... o orçamento apontava para custos salariais de 69,44 milhões de euros. Mesmo com seis milhões de euros de prémios, não chegam aos 78,8 milhões que aparecem nos resultados finais. E ainda que a diferença possa não parecer a mais significativa, resumir tudo isto ao pagamento dos prémios pela conquista do campeonato parece um tanto superficial. Afinal, na época 2016-17 a SAD previa custos de 69,5 milhões e gastou 73,2. Foi por causa dos prémios de campeão? Em 2015-16, a SAD previa custos de 68,8 milhões e gastou 75,79 milhões. Foi por causa dos prémios de campeão? Isto para dizer que o FC Porto vem de épocas consecutivas em que a folha salarial é maior do que o previsto, mesmo sem ter pago prémios pela conquista do Campeonato durante quatro temporadas seguidas.

E para que não restem dúvidas: mesmo que o FC Porto não tivesse pago prémios pela conquista do título, esta seria a época mais cara da história da SAD, pois os custos operacionais, mesmo sem os 6 milhões de euros de prémios referidos por Fernando Gomes, seriam superiores aos 124 milhões de 2015-16. 

Mas há mais. Recapitulando, a SAD propôs uma redução de 74 mil euros em salários face ao orçamento de 2016-17, de 3,822 milhões face aos resultados do ano passado e acabou com um aumento de 9,35 milhões de euros nos custos com pessoal. Falta portanto perceber em que universo se enquadrou esta previsão feita por Fernando Gomes há um ano:


Voltando a citar o site oficial do FC Porto, Fernando Gomes afirmara: «Libertámos 26 jogadores que tinham contrato, o que nos permite já em 2017/18 uma diminuição dos custos com o plantel de 20,8 milhões de euros». Onde é que está a diminuição de 20,8 milhões se a folha salarial atingiu os valores mais altos da história do clube e ficou 9,35 milhões de euros acima do previsto? Foi tudo devido aos 6 milhões de euros que tiveram de pagar em prémios no plantel?

Os Proveitos Operacionais, por sua vez, ficaram acima das expetativas: a SAD previa 98,8 milhões de euros mas atingiu os 105,7 milhões. Quase todas as alíneas tiveram desempenhos positivos, mas a principal diferença vai para a «Publicidade», numa diferenciação que tem marcado os Relatório e Contas das últimas épocas. Acontece que no orçamento o FC Porto apresenta apenas nos proveitos «Publicidade», mas no Relatório e Contas final acrescenta «Sponsorização». Pode parecer idêntico, mas não é. Tanto que o FC Porto tinha apontado para 14,3 milhões e apresentou agora 23,6 milhões. O mesmo exercício da época passada, quando expectava 16,1 milhões e atingiu depois os 22,3 milhões. O porquê exato desta diferenciação é algo que ainda carece de uma explicação mais elaborada do que aquela que um blogue possa apresentar.

Proveitos operacionais tiveram uma evolução positiva e ficaram dentro do orçamentado
Naquele que é sempre o ponto mais delicado da época financeira, a SAD apresentou resultados com transações de passes de 50 milhões de euros, cerca de 5 milhões aquém do que estava previsto. O Tribunal do Dragão publicará posteriormente uma análise mais detalhada sobre os negócios do defeso - coisas curiosas como o porquê de que o FC Porto ter que pagar comissões à Gestifute pela transferência de Boly se o Wolves accionou uma suposta cláusula de compra, ou o porquê de o FC Porto ter comprado (e transferido logo depois) Rafa ao Portimonense por 1,5 milhões de euros depois de o ter cedido em janeiro -, numa altura em que tem sido muito difícil assegurar uma publicação mais regular de conteúdos no blogue, daí o atraso nesta análise e a ausência de algumas crónicas de jogo.

Mas há que destacar esta afirmação de Fernando Gomes face às situações contratuais de Brahimi e Herrera, que se aproximam de uma saída a custo zero (que, no caso de Brahimi, só se for uma sequência de zeros à direita) no final da época. «Para efeitos contabilísticos, é rigorosamente indiferente». Por mais surreal que possa parecer, Fernando Gomes não está a mentir: para efeitos contabilísticos não tem impacto, pois o FC Porto já amortizou as compras dos dois jogadores.

Mas... «Em termos financeiros pode não ser [indiferente], mas isso é outra história». Nesta lógica da batata de Fernando Gomes, todos os jogadores da formação podem sair a custo zero sem problema, pois não há amortização do passe dos jogadores. Em 2019, Danilo Pereira, por exemplo, também poderia sair a custo zero, pois o passe já terá sido amortizado. No ano seguinte Corona já pode sair, e atrás dele podem seguir-se Felipe e Alex Telles, pois o passe já terá sido todo amortizado. É surreal, aliás, um administrador da SAD ignorar que, se não há amortizações de passes, então as mais-valias com vendas de jogadores são maiores!

Tudo o que seja jogadores da formação, contratados a «custo zero» e jogadores com duração contratual já superior àquela prevista no primeiro contrato que assinaram pelo FC Porto podem ir à vida deles, pois em efeitos contabilísticos não faz diferença nenhuma. Agora falta saber como é que o responsável financeiro de uma SAD que depende da concretização de mais-valias para subsistir consegue afirmar isto com cara séria.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Faltou um remate, e tanto mais

Falemos do Benfica-FC Porto. O nervosismo e a ansiedade a sobreporem-se à necessidade de uma ideia de jogo mais clarividente e dominadora. Pouquíssimas chegadas à grande área adversária. O mais próximo de uma ocasião de golo que se viu em toda a segunda parte foi um remate em arco de Brahimi, a passar perto do poste. Um Benfica que pouco incomodou Casillas, mas que também pouco se deve ter sentido incomodado. A última substituição a limitar-se a uma troca de pontas-de-lança. Apenas uma defesa por parte do guarda-redes do Benfica em 90 minutos. Mas, para grande alegria dos adeptos do FC Porto, apareceu o golo de Héctor Herrera, ao cair do pano, a mudar a história do jogo e do Campeonato.

Confusos? É simples: este primeiro parágrafo é uma descrição do Benfica-FC Porto da época passada. Um jogo exatamente (bom, quase) igual ao que testemunhámos nesta tarde de domingo na Luz. A diferença? Desta vez não caiu aquela bola nos pés de Herrera. Desta vez foi o Benfica, numa única ocasião, a conseguir resolver o clássico e a levar para casa os três pontos. Mas o filme do jogo, esse, foi praticamente o mesmo. O que sentimos agora é o mesmo que teríamos sentido se o golo de Herrera não tivesse aparecido em abril - com a pequena diferença de que estar a dois pontos do primeiro lugar à 7ª ou à 30ª jornadas é bem diferente. 


Não são paninhos quentes, nem desculpas, nem conformismo. É a verdade. Este FC Porto não se distingue por ser o mais elegante ou clarividente nos jogos grandes. Isso mesmo ficou patente no seu percurso na Champions na época passada, em que cumpre os seus objetivos muito graças a lances de bola parada - e, pasmem-se, de onde nasceram os 4 pontos já somados na Champions esta época? De um penálti e de um canto. Não é coincidência: é identidade.

Nos clássicos, o FC Porto de Sérgio Conceição foi também isto. Uma equipa que consegue limitar os adversários a pouquíssimas ocasiões de golo. Em 3 clássicos contra o Benfica, foi a primeira vez em que sofreu um golo. E contra o Sporting, em cinco jogos, sofreu apenas dois. O problema é que este FC Porto é tão eficaz a limitar os adversários como a limitar-se a si próprio.

Não há evolução na ideia de jogo do FC Porto. E não houve investimento para isso. Neste momento, a única alternativa que o plantel oferece e que pode garantir melhorias imediatas na equipa é a presença de Óliver Torres, que ainda não foi ao 11 esta época e que deve ser o pior jogador do mundo nos treinos, tamanha a resistência de Sérgio Conceição em enquadrá-lo na equipa. Óliver tem ideias de circulação, de controlo, de variação de flancos, de progressão em posse. Não é só «passar para trás e para o lado».

E isso nem precisa de ser tão necessariamente mau. Olhamos agora sim para o desempenho do FC Porto na Luz, para constatar que a equipa teve uma mísera eficácia de 38% em bolas jogadas para a frente. Quer isto dizer que, nesta média, a cada 100 tentativas do FC Porto em fazer um passe para a frente, entrega a bola ao adversário em 62 ocasiões. Perante esta amostra, será assim tão benéfico limitar o FC Porto a bicadas para a frente? Não é melhor esperar, circular, criar espaço e então sim atacar, em vez de procurar sempre atalhos que não existem?

A verdade é que é este o modelo de Sérgio Conceição. O modelo que funcionou em grande parte da época passada. Mas não foi este modelo que trouxe bons jogos na Champions e nos clássicos. Aí, à margem daquilo que eram e são as bolas paradas, as ideias ofensivas do FC Porto são francamente escassas. Mas lá está: uma bolinha na gaveta no minuto 90 consegue mudar a história de muita coisa.


Sérgio Conceição precisa de ideias novas para a equipa. Não vamos ser campeões a limitarmo-nos a bicadas para a frente, à espera que o Marega atropele 3 defesas de cada vez. Sim, cá vai: «Na época passada também disseram que não éramos campeões com este plantel! O plantel é quase o mesmo!»

Não é. Saiu Ricardo Pereira e a lateral-direita ficou entregue a um lateral que no final de maio estava dispensado. Saiu o melhor central do FC Porto, Marcano, e Felipe voltou à forma horrenda da primeira metade da época passada. Danilo Pereira recupera de lesão, Soares salta de uma para outra, Aboubakar já de rastos também ficou fora de combate. Herrera e Brahimi estão muito longe do nível da época passada e esperemos bem que ninguém tenha o descaramento de os acusarem de traição ou algo do género se saírem a custo zero no verão - a SAD é que permitiu a chegada a esta situação. Alex Telles também uns furos abaixo, Corona a caminho de mais uma época de «para o ano é que é» e Hernâni no plantel. Quando o jogador que mais tem alimentado o ataque do FC Porto se chama Otávio, desculpem, mas algo de errado se passa. Quando saímos de um jogo arbitrado por Fábio Veríssimo no Estádio da Luz e só nos podemos culpar a nós próprios, algo de muito errado se passa

Não passem a Sérgio Conceição faturas que não lhe dizem respeito. Ele deixou claro na pré-época: era preciso subir o nível do plantel. Temos a entrada de Éder Militão, que está a ter impacto imediato, mas de resto não entrou ninguém no 11 do FC Porto. A equipa inicial não foi reforçada. Pelo contrário, foi enfraquecida! Não há jogada individual do Brahimi, o que limita a equipa a pouco mais do que bolas paradas e despejadas no Marega. Foi assim na época passada. Está a ser assim esta época, também com uma diferença notória: Aboubakar teve uma grande série goleadora até dezembro; esta época, não só não engatou como se lesionou gravemente. Falta pensador de jogo, falta desequilibrador, falta homem-golo. Por outras palavras, temos um bólide sem volante, pedais e motor. 

O que pode Sérgio Conceição mudar? Sem dúvida que a entrada de Óliver Torres no 11 é a cartada que ninguém, ou quase ninguém, percebe como permanece no baralho. Óliver não é um Deco nem um Lucho, mas é o único jogador neste plantel que tem ideias diferentes para a equipa. O único que não obriga a equipa a ter alergia à posse de bola, que tem que transformar cada momento de construção numa bicada para Marega. Já o vimos e repito: o melhor futebol do FC Porto de Sérgio Conceição foi o praticado no arranque da época passada, com Óliver no 11.

Agora, cada vez mais as equipas percebem o quão limitado está o FC Porto no seu processo de «construção». É certo que o Benfica não fez um bom jogo, como não o fez o FC Porto. A isso muito se deveu o facto de as duas equipas terem sempre estado mais interessadas em «trancar» os pontos fortes do adversário do que em imporem a sua própria força. 

Tomemos o exemplo do rendimento de Maxi Pereira e Alex Telles, que juntos só conseguiram completar 24 passes em todo o jogo. A cada duas vezes em que tocavam na bola, uma era perdida. O Benfica não os deixou envolverem-se no momento de tabela/profundidade da equipa. Com isso, praticamente secou os corredores da equipa e tirou-lhe toda a largura.

Além disso, o FC Porto quase não existiu na grande área do Benfica. Reparemos no mapa de todas as zonas em que o FC Porto tentou o passe:

Zonas de passe e construção: inexistente nas proximidades da grande área
O FC Porto não existiu nos últimos 20 metros. Exceções? O jogo aéreo de Danilo e Éder Militão, já nos últimos minutos, e pouco mais. Não houve tentativas de último passe, de rasgo, de procurar uma solução entre linhas. Zero. Ou Marega forçava a entrada (ganhou 2 cartões e nada mais pôde/conseguiu fazer), ou Brahimi fazia o movimento individual interior (tirando o remate em arco, não mais esboçou jogadas de perigo), ou esperava-se pelas bolas paradas. Joga-se muito pouco neste FC Porto. 

E se é certo que não deram a Sérgio Conceição condições apropriadas para lutar pelo bicampeonato, depois do milagre de superação e empenho que foi a época passada, o treinador campeão deve a si próprio e aos portistas a certeza de que está a esgotar todos os recursos disponíveis. O futebol da equipa não tem que ser uma manada de sprints: pode ser uma maratona bem gerida, com todos os momentos que isso implica. No final da época, o pior que pode acontecer a Sérgio Conceição é continuar a ser o principal responsável por não estarmos 6 anos a seco. 

E agora? Novamente a correr atrás do prejuízo, e a depender de si próprio. Foram mais os Campeonatos que o FC Porto conquistou do que os jogos em que venceu no Estádio da Luz, por isso uma derrota em casa do Benfica não tira o título a ninguém. Muito menos à 7ª jornada. O Benfica vai perder mais pontos, tal como o Sporting, tal como o Sp. Braga. Mas o FC Porto não pode estar refém dos deslizes dos rivais e deve a si próprio uma reorganização das ideias da equipa e do seu treinador. Afinal, não podemos mesmo contar com mais do que isso. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Um coelho em 23 cajadas: viagens pelo Brasil

O FC Porto B está na sua sétima participação consecutiva na II Liga. Já se sagrou campeão nesse escalão, mas tem estado muito, muito distante daquilo que era idealizado como «viveiro» de jogadores para a equipa A. Uns por falta de oportunidades, outros por falta de qualidade. A determinada altura, por exemplo, era necessário um lateral-esquerdo na equipa principal, estavam a negociar Zakarya com o Belenenses e nessa mesma altura estavam quatro defesas-esquerdos a fazer a pré-temporada na equipa B (Diogo Bessa, Inácio, Oleg e Luís Mata).

André Silva acaba por ser o caso mais bem sucedido desde 2012, na medida em que cumpriu quatro dos cinco patamares que deveriam existir neste processo - a saber, 1) qualidade; 2) promoção; 3) rendimento; 4) êxito coletivo, que acabou por não existir, face à ausência de títulos; 5) transferência/valia financeira.

Mas serve isto como ponto de partida para uma análise diferente, um olhar sobre aquilo que tem sido o FC Porto B desde a sua criação, com particular incidência num mercado que é muito querido ao FC Porto: o Brasil. Desde que a equipa B foi recuperada, já foram recrutados diretamente 23 jogadores a clubes brasileiros. Poderíamos falar de africanos, sul-americanos, portugueses, mas para já vamos analisar apenas uma parcela: o mercado brasileiro com destino à equipa B. 23 jogadores, ou seja, um plantel inteiro. Desses 23 jogadores brasileiros contratados, conseguem adivinhar quantos chegaram a jogadores de equipa A?

...

Um. Otávio. Entre 23 jogadores contratados no Brasil, o FC Porto só acertou num: Otávio, que não foi propriamente um achado, pois já custou 7,5 milhões de euros por 68% do passe (foram cedidos posteriormente 0,5%) e era um jogador sobre o qual havia sentido desportivo em ser aposta. Já tinha  60 jogos de Brasileirão nas pernas e, embora a sua contratação não tivesse passado por um pedido/desejo da equipa técnica da altura, sabíamos que havia ali talento. Caro, mas material para se trabalhar, tanto que com outro treinador poderia até eventualmente ser logo acolhido na equipa A.

Passamos agora um olhar sobre os jogadores que foram contratados a clubes brasileiros nas respetivas épocas:

2012-13: Diogo Mateus, Víctor Luís, Anderson Santos, Guilherme Lopes, Sebá, Dellatorre;
2013-14: -
2014-15: Diego Carlos, Otávio, Roniel, Anderson Dim;
2015-16: Rodrigo Soares, Maurício, Wellington Nascimento, Ronan, Enrick Santos, Gleison;
2016-17: Inácio, Galeno;
2017-18: Luizão, Danúbio, Anderson Canhoto;
2018-19: Diego Landis, Emerson Souza. 

Pergunta: quantos destes jogadores estão, neste momento, a jogar numa I Liga europeia, em clubes minimamente conhecidos ou com presenças nas provas da UEFA? É certo que nem todos estão condenados ao insucesso (Galeno, por exemplo, começou agora a jogar com regularidade no Rio Ave), mas a maioria destes jogadores «desapareceu» do mapa depois de ter representado o FC Porto B.

Otávio contra a maré, à quinta época em Portugal
Otávio é, efetivamente, o único que ficou no plantel principal para ser opção, ao contrário por exemplo de Sebá, que teve um tempo de participação mínimo na equipa A. E o próprio Otávio não só foi uma contratação cara como vai para a quinta época em Portugal, ainda à procura da afirmação. 

Tomemos o exemplo da primeira «fornada». O jogador que mais se destacou, Sebá, acarretava custos completamente injustificados e em boa hora não ficou no FC Porto - está atualmente na China. Dellatorre, que passou a época como titular na posição 9, está agora no APOEL, após ter jogado na Tailândia. Víctor Luís regressou ao Brasil e por lá continua, tendo evoluído ao serviço de Botafogo e Palmeiras. E o que é feito de Diogo Mateus, Anderson Santos e Guilherme Lopes?

O pioneiro de uma saga pouco proveitosa
Anderson Santos, desde que regressou ao Brasil, já esteve dois anos sem clube e está atualmente ao serviço do São Mateus, clube dos escalões inferiores. Diogo Mateus pertence ao Ferroviária, da Série D. E Guilherme Lopes... acabou a carreira. Estamos a falar de um jogador que, ao longo da sua estadia no FC Porto B, jogou o total de... um minuto na II Liga. Um minuto. Regressou ao Brasil e terminou a carreira aos 24 anos.

Mas não foi o único que passa de bom o suficiente para merecer um lugar no FC Porto para tão mau que tem que deixar o futebol. Enrick Santos, contratado em 2015, jogou apenas 23 minutos, na última jornada da época. Na época seguinte não arranjou clube e deixou o futebol aos... 20 anos. Há vidas piores: passam um ano a treinar no FC Porto, com tudo pago, jogam um ou dois jogos e voltam ao Brasil. Não deve haver programas de Erasmus melhores.

Vejamos Anderson Dim, contratado em 2015. Na época seguinte foi logo cedido ao Freamunde. E correu tão bem que ficou sem clube até 2018, ano em que foi contratado pelo Coimbra Esporte Clube. Nada mais, nada menos que o clube ao qual Otávio foi «contratado» e que é controlado pelo bem conhecido BMG. Um talento incompreendido, por certo. Igual exemplo foi o Anderson Canhoto, na época passada. Jogou 20 minutos em toda a época, voltou ao Brasil e está agora no quarto escalão. Ou Ronan, que chegou, jogou dois jogos e está agora no estimável Nova Iguaçu.

É certo que nenhum clube acerta em todas as contratações. O Real Madrid também não vai buscar todos os jogadores ao Castilla, e o Barcelona não dá oportunidades a tudo o que sai de La Masia. Mas isto não é apenas o olhar a dois ou três negócios que correram mal: são 23 jogadores contratados, sete anos de trabalho de scouting/prospeção (?) e dos quais só se aproveita, até hoje, um jogador para a equipa A.

Mas afinal, quem são os responsáveis por tanta importação de jogadores de qualidade duvidosa oriundos do Brasil? Não estamos a falar de jogadores que possamos dizer «olha, tinha talento, mas não se adaptou». Estamos a falar de rapaziada que regressa ao Brasil pela porta pequena, para jogar nos escalões inferiores, e que termina a carreira aos 20s. 

Em Abril de 2016, Pinto da Costa anunciou que estava a dividir a estrutura em seis setores. Passando a citar o presidente do FC Porto: 

«De acordo com os estatutos que foram discutidos e aprovados em Assembleia Geral, e em que eu não interferi em nada, foi decidido que os 14 vice-presidentes passavam a seis e os dez diretores passavam a seis. Nesse sentido, dividi o clube em seis setores: o financeiro, do qual será responsável o dr. Fernando Gomes; o jurídico, que estará a cargo do dr. Adelino Caldeira; o futebol de formação será da responsabilidade do sr. Antero Henrique; o Património será da competência do eng.º Eduardo Valente; as casas, filais e delegações serão da competência do sr. Alípio Jorge. E introduzi um novo setor, que é o do planeamento dos novos projetos e do qual será responsável o professor Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.»

Portanto, seis setores com intervenção da cúpula da SAD: financeiro, jurídico, formação, património, casas/filiais e novos projetos. Alguém notou a falta de alguma coisa? Prospeção? Contratações? Era sabido que Antero Henrique tinha sido designado o responsável pelo «futebol de formação». Entretanto veio Luís Gonçalves, para ocupar o cargo de Antero, mas sem nunca ter sido especificado/esclarecido se assumiria também todo o controlo da formação. 

Nota: Chidozie é o único jogador do plantel campeão da II Liga que está na equipa A
Então, até quando o próprio FC Porto colocará a si próprio a questão: todo este investimento na equipa B e, em concreto, no mercado brasileiro, valeu a pena? Quem está a identificar estes craques incompreendidos? Como são observados jogadores que, em alguns casos, nem jogam no Brasil? 

E a verdade é que, ao observar estes 23 jogadores, podem observar um padrão um tanto dominante que envolve muitas vezes as mesmas entidades. Começamos pelo Algarve. A SAD do Portimonense tem como accionista maioritário Teodoro Fonseca, que saltou para a ribalta como empresário de Hulk e que enriqueceu/cresceu às custas da proximidade com o FC Porto.

Ora, Maurício, Gleison e Inácio são exemplos de jogadores que chegaram ao FC Porto por via do Portimonense, clube com quem o FC Porto fez o negócio mais estranho do defeso: a compra e consequente dispensa de Ewerton, de volta ao ponto de partida. Ewerton, curiosamente, chegou a Portugal após ter deixado o Desportivo Brasil

O Desportivo Brasil foi fundado pela Traffic, empresa que ficou conhecida em Portugal quando assumiu o controlo do Estoril, e em 2014 foi comprada pelo grupo chinês Luneng. Este mesmo clube foi a porta de entrada de Dellatorre ou Diego Carlos para o futebol português e também serviu o propósito de «armazenar» jogadores até transferi-los para a Europa.

E neste Campeonato, ninguém bate o Grêmio Anápolis, um clube controlado pelo empresário António Teixeira (sim, esse), dono da Promosport e que todos os anos distribui vários jogadores do clube brasileiro por equipas portuguesas. Roniel, Wellington (que nem chegou a jogar pelo FC Porto - foi logo cedido ao Leixões), Rodrigo Soares, Galeno e Danúbio (o nome mais sugestivo da história do futebol) chegaram ao FC Porto através do referido clube. 

No último verão, foi a vez de Diego Landis e Emerson Souza assinarem pelo FC Porto. Landis é oriundo do já mencionado Desportivo Brasil, enquanto Emerson jogou um total de 109 minutos de futebol em 2018. Esteve em Israel, ingressou no Rio Branco de Venda Nova e estava sem jogar praticamente desde o início do ano.

Chegou ao FC Porto B como um ilustre desconhecido e já recebeu guia de marcha, tendo sido emprestado ao Fafe. Como exatamente é que avaliaram um jogador que não jogava, fica a questão, mas o site brasileiro Tribuna Online tem uma versão: «O caminho dele até Portugal começou na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017, quando atuou pelo Nacional/SP e foi descoberto pelos empresários portugueses Pedro Silva e Jorge Boas, que prepararam um DVD com lances do jogador.» OK. Não jogou em 2018, mas tem um DVD com os lances de 2017. Bem dizem que a qualidade não tem prazo de validade.

Emerson, o 23º brasileiro na equipa B, chegou, viu e já saiu
Mas o que mais há a destacar de Emerson é a sua franca humildade e sinceridade. Estamos numa era em que todos os jogadores querem ganhar mais, procuram melhores condições financeiras e tentam sempre puxar o salário. Uma ambição normal, não só em qualquer futebolista como em qualquer trabalhador de qualquer área. Mas Emerson não. Emerson é um caso único, citando o próprio jogador:

«"Não esperava ganhar tão bem em tão pouco tempo. Todo mês eu ajudo minha família”, comentou o capixaba, que também elogia a estrutura do clube português: “Eles gostam muito de brasileiros e dão todo o suporte”». Ficamos com grande expetativa em acompanhar a evolução de Emerson, o jovem craque que não esperava ganhar tão bem em tão pouco tempo, e de vê-lo espalhar magia no Municipal de Fafe.

Até lá, sobra a questão: que género de scouting é este no mercado brasileiro que se limita a catálogos de três ou quatro clubes/empresários? Um país tão grande, um viveiro de talentos tão conhecidos, e vêm sempre pela mão dos mesmos? Em 23 contratações, ao longo de sete anos, só acertamos num jogador com vista à equipa A? Como é que há jogadores que têm qualidade para atravessarem o Atlântico e assinarem pelo FC Porto, mas logo a seguir nem clube conseguem arranjar e terminam a carreira? Brasileiros e talentos, sim, são bem vindos. Mas a via que os tem trazido e o proveito do passado recente não combinam com o futuro que todos (?) queremos para o FC Porto.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Reforços ao custo possível

O encerramento do mercado de transferências trouxe duas novas e importantes opções para Sérgio Conceição: um que entra para já como alternativa a Alex Telles, outro que pode dar novas soluções para o meio-campo. Jorge e Bazoer chegam por empréstimo, com opção de compra no final da época, e constituem duas opções de qualidade, que mostram que era possível encontrar boas soluções de baixo custo (pelo menos no médio prazo), mesmo com as prioridades algo trocadas - Jorge só vem porque Zakarya chumbou nos exames médicos e Bazoer chega já depois de Ewerton ter entrado e saído. 

Começamos por Jorge, lateral-esquerdo. Há duas épocas, aos 20 anos, Jorge já era o melhor lateral-esquerdo do Brasileirão, tendo-se destacado ao serviço do Flamengo. Veio para a Europa pela mão de Deco, em parceria com Jorge Mendes, com destino ao AS Mónaco, que se sagrou campeão nessa época. Na temporada passada jogou com uma regularidade interessante, mas uma lesão em janeiro acabou por lhe tirar espaço na segunda metade da época.

Ao contrário do estereótipo comum de lateral brasileiro - melhor a atacar do que defender -, Jorge é um exemplo contrário, destacando-se sobretudo pela solidez defensiva. Na época passada, na Liga francesa, foi o 2º jogador com maior média de interceções por jogo e o oitavo com mais desarmes. Em termos ofensivos, até pela própria estratégia do AS Mónaco, Jorge sempre se revelou bem mais resguardado - embora não nos possamos esquecer que o próprio Alex Telles, aquando da sua chegada ao FC Porto, não era metade do jogador que é neste momento na vertente ofensiva da equipa.

Um «velho» referenciado, melhor a defender do que a atacar
Embora tenha chegado ao FC Porto perto do fecho do mercado, Jorge já é um nome conhecido no Dragão. Já estava referencido quando despontou no Brasil e, inclusive, chegou a ser proposto a título definitivo no início do defeso, mas a um preço incomportável - pediam 12 milhões de euros. Sem colocação, acabou por chegar ao FC Porto por empréstimo e tem um ano para mostrar serviço como alternativa a Alex Telles... e quiçá sucessor, pois no final da época Alex estará certamente na montra para a saída. 

Da mesma forma chegou Bazoer, uma contratação atípica no FC Porto. Não só o FC Porto não costuma apostar em jogadores holandeses (Bruno Martins Indi foi o único até hoje) como é muito raro e difícil contratar na Bundesliga. Mas Bazoer representa um perfil interessantíssimo para o meio-campo, uma vez que é igualmente capaz de encaixar no 4x4x2 e no 4x3x3.

Capaz de jogar a médio-defensivo ou na posição 8 (a ideal para ele neste momento - opinião), Bazoer foi um dos principais talentos a sair das escolas do PSV e do Ajax nos últimos anos e estreou-se na seleção da Holanda quando era ainda sub-19. É um bom distribuidor de jogo, que gosta de jogar em profundidade (como Sérgio Conceição tanto gosta que sirvam os avançados) e que joga com grande amplitude no meio-campo - na Bundesliga, o passe médio de Bazoer é de 19 metros, acima da média habitual de Herrera e Sérgio Oliveira (17 metros no FC Porto). Tem rotinas como médio-defensivo, mas é melhor a distribuir e a avançar do que a proteger meramente a retaguarda. 

Solução para todas as variantes da equipa
É certo que Bazoer não se adaptou da melhor forma à sempre difícil Liga alemã, mas num contexto de campeonato português pode revelar-se uma ótima solução para o meio-campo. Se, tal como Jorge, poderá ser uma opção a título definitivo para lá do fim da época, só o tempo o dirá. 

Certo é que os moldes das contratações de Jorge e Bazoer também acabam por se confirmar o que já se sabia: que não havia disponibilidade financeira imediata na SAD para reforçar o plantel no fecho do mercado. É sempre difícil de compreender como é que há dinheiro para o jogador A e não há para o jogador B, mesmo que a opção B custe menos, mas tem sido algo recorrente nos últimos anos. 

Por exemplo, o FC Porto teve avanços concretos por Daniele Verde e Roger Guedes, opções para o ataque. Mas acabou por não chegar nenhum jogador para a posição de extremo. Certamente que Sérgio Conceição não afirmou «quero o Verde, o Guedes ou então não quero ninguém». O FC Porto negociou estes alvos porque necessitava de soluções para o ataque, mas acabou por não as conseguir - mas lá está, pois não havia condições financeiras para investir, e o Relatório e Contas do primeiro semestre de 2018-19 poderá confirmar que as contas vão ao encontro dos limites traçados pela UEFA e que não havia margem para muito mais. 

O FC Porto também tentou Bissouma e Ntcham, médios na casa dos 10 milhões de euros, mas acabou por ficar com Bazoer. Já a posição de lateral-esquerdo foi sempre sendo secundarizada até perto do fecho do mercado, a ponto de ficarem convencidos com 90 minutos de um lateral de 29 anos recém-contratado pelo Belenenses. 

As continuidades de Herrera e Brahimi, mesmo em final de contrato e com poucas perspetivas de renovação de contrato, acabam também por ser contraproducentes àquilo que eram os planos anteriormente traçados pela SAD. Por exemplo, em outubro de 2018, a SAD terá que pagar 12 milhões de euros ao Novo Banco por um empréstimo que tinha como garantias os passes precisamente de Herrera e Brahimi. A saída do mexicano ou do argelino poderiam gerar uma verba que seria canalizada para o reembolso deste empréstimo, mas ambos continuaram no Dragão, pelo que a SAD terá que gerar receitas por outra via. Mas outubro será mês da SAD publicar o Relatório e Contas de 2017-18 e a proposta de orçamento para a próxima época, oportunidade para uma visão bem mais detalhada e completa sobre o presente e futuro do FC Porto. 

Até lá, boas-vindas a Jorge e Bazoer e oxalá todos estejam a suspirar pela sua continuidade a título definitivo no final da época.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Três pontos e Danilo

O FC Porto iniciou a corrida atrás do prejuízo causado pela 3.ª jornada da única forma possível: com uma vitória, embora muito pouco convidativa a uma Enologia de qualidade. Olhamos para os 13 golos marcados em 4 jornadas e vemos que o FC Porto não fazia tantos golos desde 1951, embora esta época com a vantagem da calendarização pouco habitual que ditou dois jogos consecutivos no Dragão. 


Mas o momento em que vemos a «roda» formar-se na segunda parte, mesmo com a equipa a vencer por 2x0, é demonstrativa de que a equipa sabia que havia muito mais a merecer a preocupação do que o resultado. Na segunda parte, o que aconteceu não foi muito diferente daquilo que antecedeu os golos de Vitória de Guimarães ou Belenenses: a equipa deixou de ter bola, deixou de controlar o jogo e perdeu soluções na saída para o ataque. O Moreirense não aproveitou, também porque Iker não deixou, mas é a terceira jornada consecutiva em que o FC Porto se coloca a jeito quando a vantagem e a sua superioridade já deveriam deixar a vitória encaminhada.

Valeu, sobretudo, o regresso às vitórias e o de Danilo Pereira, elemento essencial para o ciclo de jogos que se iniciará depois da pausa para as seleções. 




Iker Casillas (+) - Terminou o jogo com mais defesas do que o guarda-redes do Moreirense: três. Com um par de boas intervenções na segunda parte, segurou a vantagem do FC Porto e evitou que o fantasma das jornadas anteriores voltasse a assombrar a equipa (o bom trabalho de Felipe, em estreia com Éder Militão como parceiro, também ajudou). Bem, também, na reposição da bola em campo, sendo neste momento o guarda-redes da Liga com melhor aproveitamento neste capítulo.

Héctor Herrera (+) - Mais uma exibição a encher o campo e a ter que jogar por ele e por Sérgio Oliveira (novamente muito distante do nível exigível para o 11). Inaugurou o marcador num lance oportuno, esteve perto de bisar e assumiu-se sempre como o motor do meio-campo, destacando-se ainda o momento em que puxa da braçadeira para dar um abanão à equipa na segunda parte. Sempre disponível no processo defensivo e a ganhar metros no meio-campo.

As zonas de ação de Héctor Herrera
Otávio (+) - Esteve no lance do 2x0 (muito bem trabalhado por Marega, a ganhar a primeira bola de Casillas, e Aboubakar, no toque para Otávio e na corrida para a grande área), e abriu o livro no último lance da segunda parte, ao ultrapassar dois jogadores antes de servir Marega para o 3x0. Foram os pontos altos de uma exibição na qual Otávio tentou sempre «mostrar-se» ao jogo: foi o jogador que mais duelos disputou (16) e o que mais desarmes conseguiu (4). Pecou pela ausência de tentativas de remate e por algumas más decisões no último terço, mas esta época já teve intervenção direta em quatro golos na I Liga. Em toda a época passada, teve apenas três.




Apanha! (-) - Posse de bola. Bicada para a frente. Posse de bola. Bicada para a frente. Posse de bola. Bicada para a frente. Aconteceu, na segunda parte, aquilo que tanto queremos que o FC Porto evite ao máximo. A determinada altura, parecia que a equipa não sabia o que fazer. Cada posse de bola era uma tentativa de passe longo para Marega. Não houve jogo interior, não houve progressão em posse. A equipa percebeu que não estava bem, Sérgio Conceição reforçou o meio-campo, mas não há necessidade absolutamente nenhuma de jogar assim, até porque raramente o FC Porto consegue criar real perigo quando joga desta forma.

O FC Porto já é a equipa com mais foras-de-jogo no Campeonato, 13 em quatro jornadas. Que indica isto? Que está a tentar forçar muito a entrada na linha defensiva com o último passe, mas também que as defesas adversárias estão a saber «apanhar» o FC Porto nesta armadilha. O regresso de Marega ao 11 coincidiu com um abuso desta fórmula (ou melhor, motivou), que certamente terá o momento de (ter que) ser utilizada ao longo da época. Mas em casa? Contra o Moreirense? A ganhar por 2x0? Quando acabamos um jogo com mais foras-de-jogo do que remates enquadrados com a baliza adversária...

Há também um dado deveras curioso. Pensar em Alex Telles e Brahimi é pensar num flanco ofensivo, criativo, capaz de fabricar diversas ocasiões de golo, certo? Mas estatisticamente, o FC Porto é neste momento a equipa que menos usa o flanco esquerdo para atacar em todo o Campeonato. Nas primeiras quatro jornadas, o FC Porto canalizou apenas 31% dos seus ataques por esse corredor. Em contrapartida, é a equipa que mais usa o direito, com 43% de investidas por esse lado. Já vimos bons momentos e combinações por esse lado nesta época, em particular com Maxi e Otávio, mas isto muito se deve à quantidade de vezes que despejaram a bola pelo lado direito à procura da profundidade. 

E o mais irónico é que, uma vez mais, vemos que o FC Porto não precisa de passes de 40 metros para colocar um elemento nas costas da defesa. O lance do 2x0 é um exemplo: Otávio, com um passe curto e na linha da marca de grande penalidade, conseguiu colocar Marega nas costas da defesa. Não é preciso balões e corridas a partir da linha de meio-campo: só é preciso saber decidir e encontrar o espaço certo no último terço.

Sérgio Conceição sabe isso. A equipa sabe isso e, mais importante, sabe fazê-lo. Então, basta fazer. E repetir. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Colheita 2018-19

Perder depois de chegar ao intervalo a vencer por 2x0 é atípico. Há poucas coisas mais invulgares do que um desfecho destes na história do FC Porto. Tanto que, até à noite de sábado, só tinha acontecido duas vezes na I Liga: uma em 1943, contra o Fabril Barreiro, e a outra em 1970, contra a Académica. A juntar a estes dois casos, houve o desaire europeu contra o Artmedia, em 2005. De resto, nunca o FC Porto tinha acabado batido após ir para o intervalo a vencer por 2x0.

Este resultado, por si só, já era uma raridade, mas as circunstâncias que antecederam os golos do Vitória de Guimarães tornam-lo ainda mais incomum. Uma entrada absolutamente desmiolada de Sérgio Oliveira na grande área, Maxi Pereira a não ter pernas para fechar o corredor no 2x2 (num lance em que o FC Porto tem 8 jogadores na grande área no momento do remate de Tozé), e um lance que começa num lançamento de linha lateral e no qual voltam a ser suficientes dois jogadores do Vitória para fazer frente a uma grande área povoada pelo FC Porto. Os sucessivos desperdícios em tempo de compensação acabaram por confirmar o que se testemunhava: era uma noite atípica a todos os níveis.

Brahimi e mais 10... com poucas ideias sem o argelino
Mas o problema não é apenas este jogo. Estamos à 3ª jornada, a um ponto da liderança. Sporting e Benfica vão perder mais pontos, o próprio FC Porto vai perder mais pontos. O drama não está aqui. Está naquilo que já todos (???) estão fartinhos de saber desde a temporada passada: que este plantel é curto e que lhe faltam soluções de maior qualidade. E isso não iliba o facto de o modelo de jogo do FC Porto estar distante daquilo que entendemos ser um futebol de qualidade e que a equipa tão bem chegou a mostrar na jornada inaugural da Liga.

«Pois, já diziam isso na época passada, que o plantel não chegava, e fomos campeões!». Este argumento não faltará ao longo da época. E podem usá-lo até maio, estejam à vontade. É verdade que o FC Porto chegou ao título, com um plantel ao qual eram reconhecidas várias limitações. Mas não nos podemos esquecer que o primeiro a acreditar na época passada - Sérgio Conceição - foi o primeiro a desacreditar após um simples jogo de pré-época com o Portimonense e a reivindicar a necessidade de reforços. É o próprio milagreiro que não quer estar sujeito a um segundo milagre.

O FC Porto teve um ataque bastante produtivo na época passada. E não é justo dizê-lo que tenha deixado de ter, pois a verdade é que fez 10 golos em 3 jornadas - desde 1975 que não arrancava com uma dezena de golos. Mas também sofreu 5 em 3, algo que não sucedia desde 1969. Isto é muito mais do que uma questão golos marcados vs. sofridos. Tem a ver com a qualidade de jogo e com as próprias soluções do plantel.

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Muita luta, poucas pernas
Começando com a defesa, é lógico que vai ser uma época difícil. O FC Porto perdeu o seu melhor central e o lateral-direito, e Maxi Pereira passou da saída à permanência por culpa da transferência de Diogo Dalot. O uruguaio luta muito, apoia bem o ataque e até começou a época com um par de boas exibições, mas aos 60 minutos da 3ª jornada já não conseguia correr. Já não é uma questão de saber se Maxi Pereira aguenta uma época: é saber se aguenta um jogo completo no qual vai ter que correr para defender e não apenas subir para combinar com o extremo no ataque. Maxi é inteligente no relvado, posiciona-se bem, mas quando tem que correr para trás os 34 anos já pesam. E estamos, neste momento, a falar de Chaves, Belenenses ou Vitória. Não estamos a falar de clássicos ou de Champions, com dois jogos por semana. 

Diogo Leite, jovem promissor, entrou na equipa e fê-lo bem. Mas não é por acaso que estamos a falar de um jogador de 19 anos que está a cumprir a primeira época de sénior. O que faz um miúdo dessa idade? Comete erros. De posicionamento, de marcação, de antecipação. Há 30 anos que o FC Porto não tinha um central tão jovem na equipa - o último tinha sido Fernando Couto. E para quem não estiver recordado, Fernando Couto estreou-se mas foi logo depois emprestado por duas vezes. Só depois voltou para se afirmar. 

Diogo Leite foi lançado às feras (ou não, pois ainda não chegámos aos clássicos e à Champions) e ganhou o lugar com mérito. Mas tudo isto começa na lentidão da SAD em assegurar atempadamente e prontamente o sucessor para o eixo da defesa. Já sabiam que Marcano iria sair e que Diego Reyes não ficava. Isto era uma situação que poderia, deveria estar a ser preparada há meses. As negociações por Mbemba (cujo perfil faz lembrar Bruno Martins Indi) demoraram bem mais de um mês, e quando chegou, aí sim, houve o azar inesperado de o central congolês se ter lesionado. Isso pode acontecer, foi um azar. Mas que teve que fazer Sérgio Conceição desde então? Preparar o miúdo para o 11. Foi isso que fez, e manteve logicamente a sua aposta. 

«Poderia ter jogado o Chidozie», dirão. Aqui entramos no campo da opinião, logicamente, mas Chidozie esteve emprestado ao Nantes, equipa onde o melhor central era Diego Carlos, brasileiro que no FC Porto revelou pouco mais do que qualidades medianas. E aqui temos um possível exemplo da saúde financeira que a SAD portista respira neste momento: 

Recorte do jornal O Jogo
Um clube que rejeita 13 milhões de euros por Chidozie é um clube sem urgência em vendas e sem dificuldades financeiras. Só pode, embora esta proposta deva ter estado na mesma mesa onde o West Ham colocou 40 milhões de euros por Marega, com mandatários de Emerald City, Tardis e Valhalla.

Entretanto chegou o também jovem Éder Militão, proveniente do São Paulo, que apesar de rotulado de polivalente vem como opção para o eixo da defesa. E qualquer jovem brasileiro que chega à Europa precisa de tempo até entrar na equipa, muitas vezes só se conseguindo afirmar a partir da segunda época. Basta recordar os casos recentes de Fernando, Danilo ou Alex Sandro. Ainda assim, nota também para o facto de Éder Militão implicar um investimento de cerca de 7 milhões de euros - grande parte para empresários -, apesar de só ter contrato com o São Paulo até 11 de janeiro de 2019. Com tanto dinheiro investido para «antecipar» a transferência alguns meses, só podemos esperar que Éder Militão possa emergir como opção mais depressa do que o previsto, até porque não havia assim tanta concorrência pelo jogador, pelo menos ao nível da imprensa brasileira (que chegou a sugerir que o PSG poderia comprá-lo para emprestá-lo de imediato ao... Vitória de Guimarães).

Falando ainda do setor defensivo, a iminente chegada de Zakarya, do Belenenses, ao FC Porto sugere meramente uma coisa: desnorte completo na construção do plantel. O lateral-esquerdo, que cumpre 30 anos em janeiro, jogou sempre em clubes medianos ao longo da sua carreira e estava no Sochaux, da II Liga francesa. Assinou pelo Belenenses em julho e, segundo o jornal O Jogo, convenceu o FC Porto a avançar para a sua contratação depois do jogo no Jamor.

Portanto. Temos um lateral de 29 anos que estava livre, em julho, e que não seria nem primeira, nem segunda, nem terceira opção para as laterais do FC Porto. E de repente, por causa de um jogo, passa a ser prioridade e alternativa a Alex Telles, um dos jogadores mais importantes na manobra coletiva do FC Porto. Alguém acredita que no relatório de pré-época de Sérgio Conceição, que identificava seis pontos a reforçar no plantel, o nome de Zakarya aparecia por lá?

Tivemos meses e meses para preparar a época. Uma pré-época inteira. Temos um enorme departamento de scouting e prospeção, camadas jovens, equipa B. E no meio de tudo isto, porque fez um bom jogo contra o FC Porto, de repente Zakarya passa a ser a solução. Rúben Lima deve estar a lamentar que o jogo do Moreirense com o FC Porto não seja disputado antes de sexta-feira, caso contrário ainda se habilitava a uma transferência. 

Não é um problema com Zakarya, o jogador: é um problema com o modelo, com a preparação da época, e com uma gestão que nos faz lembrar os tempos em que se descobriam laterais-esquerdos do calibre de Ezequias, Lucas Mareque, Nelson Benítez ou Lino. Todos eles com motivações muito semelhantes. E todos eles campeões pelo FC Porto, mesmo pouco ou nada jogando. Tomara que com Zakarya também seja assim. 

Não há moral/justificação para alegar contingências financeiras (que, diga-se, a SAD nunca assumiu publicamente na construção ou preparação desta época - o máximo que tivemos foi a história da carochinha de que é possível gastar tanto quanto o FC Porto encaixar em transferências) quando já se celebraram os magníficos negócios da compra e consequente dispensa de Janko ou Ewerton. Seria interessantíssimo ouvir a explicação do FC Porto para a motivação por trás destes negócios. E perceber em que universo é que constrangimentos financeiros podem coexistir com negócios com notáveis empresários e homens do futebol como Alexandre Pinto da Costa, Teodoro Fonseca ou Luciano D'Onofrio. 

Do meio-campo para a frente, praticamente não houve alterações no plantel. Jogadores como Bruno Costa, Hernâni ou Adrián só estão no grupo de trabalho por não haver mais ninguém, e os dois últimos porque não têm propostas de compra no mercado. André Pereira acaba por ser um caso também muito ilustrativo: está a jogar porque não há mais soluções. Está certamente a trabalhar para isso, esteve nos dois golos frente ao Vitória de Guimarães (um deles irregular, é certo, mas já houve precedentes de falhas no VAR, nomeadamente num Aves x Benfica), mas certamente que Sérgio Conceição gostaria de ter outras soluções para o seu 4x4x2.

4x4x2 ou 4x3x3?
Embora, aqui, Sérgio Conceição também tenha que dar o braço a torcer e perceber que tem que haver um limite. Porque não dar uma oportunidade ao 4x3x3? Que mais tem Óliver Torres que fazer para entrar no 11? Quantos créditos tem Sérgio Oliveira para se aguentar no 11? Há assim tão pouca confiança em limitar o eixo do ataque a Aboubakar ou outro ponta-de-lança?

Mas aqui entramos naquilo que é a relação direta entre Sérgio Conceição e a administração. Quando renovou, Sérgio Conceição deixou claro que ia trabalhar a época em 4x4x2? A SAD garantiu que iria ter opções para isso? Uma coisa é a flexibilidade do treinador, que terá sempre que ter, por mais fiel que queira ser às suas ideias. Outra é o próprio investimento da SAD no treinador. 

Como tantas vezes foi comentado, o FC Porto da época passada nem sempre se distinguiu por ser uma equipa que jogava um grande futebol. Era uma equipa de guerreiros, lutadores, que teve sem dúvida semanas de bom futebol ao longo da época, mas muitas vezes esteve limitada a duas coisas: bolas diretas na frente, à procura da profundidade dos avançados, e as bolas paradas. Isto além do principal fator de desequilíbrio neste arranque de época: Brahimi, sempre ele. E reparem que não estamos há dois ou três meses a suspirar por uma solução match-winner para as alas, mas sim até antes da chegada de Sérgio Conceição. Mantêm-se Hernâni, pouco mais do que para fazer número, e esperanças de um ano de afirmação para Corona ou Otávio. Muito curto.

Quanto vale Marega?
E Marega? É de facto um dos mistérios deste defeso. Primeiro, há que separar aquilo que é a especulação típica de pré-época na imprensa, sobretudo quando envolve clubes ingleses, e aquilo que chegou realmente à mesa da SAD. Pinto da Costa diz que nunca teve uma proposta concreta e voltou à conversa para boi dormir da cláusula - estamos em 2018, o FC Porto nunca vendeu um jogador pela cláusula de rescisão (não esquecer, para uma cláusula ser ativada, tem que ser uma das partes, entre clube e jogador, a invocar esse direito - tal como o fez André Villas-Boas, por exemplo), e de certeza que Marega não seria o primeiro. 

Não é do domínio público quanto foi ao certo a eventual proposta do West Ham, mas que era intenção de Sérgio Conceição manter Marega. Mas porquê? Por considerar que o maliano era assim tão fulcral na equipa? Ou porque não tinha garantia nenhuma de que, caso Marega saísse, não viria ninguém melhor? Tudo o que fosse acima de 20 milhões de euros - assumindo que alguém chegaria a esses valores - por Marega seria uma das melhores vendas da história do FC Porto. A verdade é que Marega é um jogador tão fulcral que esteve encostado 19 dias a treinar sozinho. Não há memória de isto ter acontecido no FC Porto. Jogadores a pedir para sair ou a forçar transferências é ementa diária no futebol, sobretudo em clubes vendedores como os portugueses. Sérgio Conceição tem que ter tido motivos muitos fortes para encostar Marega desta forma, embora as suas passagens por Marítimo e Guimarães já tenham revelado histórias de mau profissionalismo. 

Marega acabou por ser reintegrado, restando saber agora se vai renovar ou não (antes de ser afastado do grupo, tinha a proposta de renovação nas mãos) e que jogador será em 2018-19. Porque na época passada, Marega era o ex-dispensado. Cada golo que marcava surpreendia, era colocá-lo acima das expetativas. Foi um jogador a garantir duas dezenas de golos em contexto de I Liga. Mas entre um ex-dispensado que só fica no plantel por não haver mais ninguém e um jogador pelo qual se rejeita a saída por números alegadamente muito mais do que generosos... Há uma enorme diferença. 

Quando o FC Porto assume todas as recusas por Marega, só pode esperar que o seu rendimento seja muito superior esta época. Na temporada passada, apesar de sofrível nos clássicos e na Champions, conseguiu garantir a média de um golo por jornada na Liga - falhava mais do que acertava, mas entre os pontas-de-lança do plantel também ninguém acertava mais do que ele. Ou esperamos um Marega a elevar a fasquia esta época, ou passámos ao lado da possibilidade de um grande negócio. Certo é que não podemos contar com mais uma época a tentar ganhar jogos com bolas que dependem da dimensão física de Marega. 

Sérgio Conceição fez milagres na época passada. Não lhe peçam a mesma receita. O treinador não teve sucesso nem ficou por ser um treinador muito evoluído taticamente, pois não foi essa a força do FC Porto na época passada. Foi a união, a superação, o pragmatismo e a sempre essencial sorte (outra vez, bastava não haver o pontapé do Herrera na Luz e poderia ser mais um ano a seco - ou bastava que tivessem validado o golo limpo a Herrera no jogo do Dragão, e aí talvez já não fosse necessário vencer na Luz).

E conforme foi comentado no post da vitória sobre o Belenenses: sempre que o FC Porto vencer, os adeptos vão ver um plantel bem aproveitado; quando os maus resultados aparecerem, afinal é um plantel curto e ao qual falta qualidade. Neste momento, este plantel não foi reforçado, no sentido em que não está mais forte. Sejamos francos, antes dos resultados, pois totobola à segunda-feira nunca deu nada a ninguém: este plantel é curto para uma equipa que ambiciona o bicampeonato e que tem que lutar por um lugar nos 1/8 da Liga dos Campeões. Na pré-época, Sérgio Conceição falou em «meia dúzia de jogadores sem capacidade» para jogar no FC Porto. Neste momento, numa altura em que Danilo e Soares ainda recuperam de lesões, o que apetece mesmo dizer é que falta mais meia dúzia de jogadores com capacidade para jogar no FC Porto. Porque em algo teremos que concordar: seja em 4x3x3 ou 4x4x2, o treinador campeão merece e precisa de melhores soluções.