quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os Pentas: Dezembro de 2017

Oito vitórias consecutivas em jogos oficiais. Uma sequência que o FC Porto não alcançava desde a época 2010-11, mas que tem sido justificada com uma série de boas exibições, não só a nível coletivo como individual. Esta série de triunfos teve início precisamente em dezembro, o mês que agora avaliamos em retrospetiva, com os cinco jogadores que mais se destacaram ao longo das seis vitórias consecutivas nesse mês, com a importante marca de 22 golos marcados. Foi provavelmente o mês em que mais candidatos houve ao top 5 - assinale-se, desde logo, a injustiça de jogadores como Ricardo ou Alex Telles não figurarem na lista - , mas estas são as escolhas d'O Tribunal do Dragão.

5. Moussa Marega

No que toca a competições internas, Marega continua a ser garantia de um golo por jogo, seja com um remate certeiro ou uma assistência. No último mês, conseguiu cinco golos e um passe decisivo, tendo sido particularmente importante com o bis apontado diante do Marítimo (3x1), que valeu a permanência no primeiro lugar. O maliano continua a falhar muito mais do que acerta, mas continua a acertar o número suficiente de vezes para justificar a continuidade no 11. E a equipa tem ajudado, e muito, Marega a evidenciar as suas potencialidades físicas e a esconder as suas limitações técnicas, fazendo do maliano o 2º jogador que mais vezes recebe a bola na grande área para rematar na Liga.

4. Héctor Herrera

Denominador comum: a melhor fase do FC Porto desta época foi aquela em que Herrera esteve em melhor forma. Um patinho feio habilita-se sempre a que digam: «Herrera está bem porque o FC Porto está bem». Mas o mexicano reafirmou-se mesmo como essencial. Bem na ocupação do espaço, tem sido sempre o elemento com mais ações com bola (média 83/jogo), apoia bem os flancos, farta-se de correr e pressionar e é o 3º principal criador de oportunidades de golo no plantel, apenas atrás de Alex Telles e Brahimi. 

3. Danilo Pereira

Faz a diferença na retaguarda, mas já todos conhecem a sua utilidade na grande área adversária, tendo conseguido um golo e duas assistências em dezembro. Personifica tudo o que os adeptos querem ver num jogador: qualidade, inteligência, capacidade de revolta sem perder a compostura. Considerado o melhor em campo nos jogos contra Benfica e Vit. Guimarães, é o médio com maior percentagem de tackles e bolas aéreas ganhas na Liga e tornou-se o melhor passador do FC Porto na prova, com 88,2% de eficácia de passe, à frente de Herrera. Não só conseguiu adaptar-se ao 4x4x2 de Conceição  - esquema difícil para ele no arranque da época - como se tornou essencial no funcionamento dessa fórmula. 

2. Yacine Brahimi

Curiosamente, não foi eleito o MVP pelos leitores d'O Tribunal do Dragão em nenhum dos jogos disputados em dezembro (algo que influencia Os Pentas), mas ninguém duvidará da sua influência na equipa. Autor de quatro assistências e dois golos no último mês, continua a exibir-se numa dimensão à parte na I Liga, onde já leva 88 dribles eficazes, mais do dobro do segundo melhor driblador do Campeonato. Brahimi desequilibra, cria 2 situações de finalização por jogo, é quem mais bolas recupera no meio-campo adversário e não tem havido jogo em que o brilho de Brahimi se faça sentir. É o génio do plantel e, provavelmente, o mais virtuoso e talentoso jogador do Campeonato. 

1. Vincent Aboubakar

Dez golos: foi esta a modesta contribuição de Vincent Aboubakar no último mês, colaboração que faz dele o melhor jogador de dezembro. Além de ter apontado oito golos, ainda somou duas assistências (sem contar com as faltas que sofreu para grandes penalidades) e demonstra melhorias claras na hora de atirar à baliza - era o jogador com mais ocasiões flagrantes de golo falhadas na Liga, mas em dezembro aproveitou todas as de que dispôs. Aboubakar tem intervenção direta num golo a cada 70 minutos e já ultrapassou, em larga escala, o rendimento de André Silva, o melhor avançado da última época.



O Top 5 mais votado dos leitores d'O Tribunal do Dragão para Dezembro/2017:
1. Yacine Brahimi
2. Danilo Pereira
3. Héctor Herrera
4. Vincent Aboubakar
5. Alex Telles

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Novo desafio, nova superação

O FC Porto nunca tinha estado em desvantagem no marcador neste Campeonato. E se a primeira parte também não deu ares de que a reviravolta seria tarefa fácil, Artur Soares Dias voltou a dar um exemplo de que nem com os melhores árbitros deste Campeonato o FC Porto pode estar «descansado». Se o golo do Vitória é perfeitamente aceitável, por ser um lance no limite, há mais duas grandes penalidades por assinalar a juntar ao cardápio e uma expulsão poupada a Rafael Miranda. Lances que, felizmente, não fizeram falta nem colocaram em causa a justiça do desfecho do jogo, fruto de uma grande segunda parte. 

A equipa está ao nível da última época de Vítor Pereira - mesmos pontos e mesma diferença de golos - e distingue-se, neste momento, pela grande facilidade em criar situações de remate e finalização na grande área, sendo inclusive a melhor equipa do Top 6 da UEFA nesse aspecto - 11,9 remates na grande área/jogo, à frente de Bayern, PSG e Real Madrid, as únicas equipas a rematar mais de 10 vezes na grande área por partida. 

E mesmo na vertente defensiva, apesar dos 2 golos sofridos, na Europa só Man. City (6,3) e Nápoles (7,5) permitem menos remates por jogo do que o FC Porto (7,7). Um exemplo de que isto se trata de uma equipa forte a atacar e a defender, madura e equilibrada taticamente, que não ocupa o lugar que ocupa graças a místicas, raças e outros lugares comuns. O FC Porto é líder porque é uma equipa de qualidade, com cunho de Sérgio Conceição, que combina a tal luta com bom futebol.




Brahimi (+) - Se não está no seu melhor nível desde que assinou pelo FC Porto, então anda lá perto. Foi o único a exibir-se a bom nível na primeira parte, com destaque para a forma como inventou uma jogada que ninguém aproveitou aos 44', mas foi no segundo tempo que deslumbrou, ao criar e aproveitar sozinho o espaço para o 2x1, numa jogada de génio. Em toda a Europa, só Neymar e Messi têm mais dribles eficazes do que o argelino, que criou 4 ocasiões de golo, rematou 4 vezes e só falhou uma tentativa de drible. A este nível, e com o 28º aniversário à porta, o mercado pode agitar-se.


Fórmula na 2ª parte (+) - Sérgio Conceição admitiu-o, e bem: o FC Porto teve imensas dificuldades no jogo exterior até ao intervalo. Nada estava a funcionar pelos flancos, tanto que a equipa não acertou nenhum cruzamento na primeira parte. Depois, o FC Porto forçou particularmente as subidas pelo corredor direito e foi desse flanco que nasceu a vitória: três cruzamentos de três jogadores diferentes (Corona, Hernâni e Ricardo), para três boas finalizações de Aboubakar e Marega, que nem estavam a fazer um bom jogo, mas apareceram quando foi preciso para resolver.




A primeira parte (-) - O FC Porto foi a tempo de transformar um Machado num Boné, pela forma como reajustou a estratégia para a segunda parte. Mas isso não invalida o grande desacerto e desconcentração que marcaram os primeiros 45 minutos. Nada a funcionar pelos flancos, demasiados passes longos falhados, dificuldades em encontrar espaço. Corona desconcentrado e inconsequente, Danilo e Óliver sem entendimento no miolo, Aboubakar e Marega a perderem a maioria das bolas e pouca profundidade nos corredores. Valeu o despertar ao intervalo, para a oitava vitória consecutiva. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Como ele cresceu!

Ainda ninguém sabia o que eram padres, missas e e-mails, mas já se perspetivava um grande futuro a Fábio Veríssimo, o «wonderboy» que, literalmente no espaço de um mês, passou das distritais para o estatuto de árbitro internacional, com apenas um par de jogos de I Liga no currículo e atropelando as diretrizes da FIFA

É caso para dizer: como cresceu o menino! Bruno Paixão, VAR para o Feirense x FC Porto, deve ter ficado orgulhoso com o que testemunhou, recordando os seus célebres desempenhos no Campomaiorense x FC Porto (99/00) ou no Gil Vicente x FC Porto (11/12). Veríssimo honrou a herança de Paixão.

Mas de facto, há que ter a sensibilidade de discutir uma coisa: Fábio Veríssimo fez o que fez por ser um árbitro inqualificado para o cargo?; ou fê-lo por estar condicionado e sob pressão? Tudo bem, à partida, quem está condicionado e sob pressão já não pode ser qualificado para o cargo. Mas estará Fábio Veríssimo refém de que sabem enumerar nomes, moradas, famílias, matrículas e mais detalhes - alguns deles ilícitos - da vida pessoal dos árbitros? É a questão que se impõe, sabendo que o resultado acaba sempre por ser o mesmo: benefício para o Benfica, prejuízo para o FC Porto.

Sérgio Conceição e os jogadores escaparam à rasteira e, de uma jornada de Benfica x Sporting, tiraram o máximo proveito: o regresso à liderança isolada, com os registos que têm acompanhado a equipa - invencibilidade, melhor ataque e melhor defesa. Dizer que foi na raça de pouco vale, porque a raça, por si só, não ganha nada. Mas quando é acompanhada por esta inteligência e qualidade, sim, faz a diferença.

O FC Porto fez, e bem, uma exposição ao Conselho de Arbitragem, mas não pode deixar que esta tenha o mesmo resultado das anteriores. Por exemplo, já poucos se recordarão que o FC Porto fez o mesmo relativamente à arbitragem de Rui Costa na receção ao Arouca, em 2015-16, após erros que envolviam um golo mal anulado e um penálti (com consequente expulsão) perdoados. Mas se calhar a coisa de que muitos mais rapidamente se recordam foi que Maicon escorregou nesse jogo e desistiu de um lance.

Outro exemplo, o FC Porto-Chaves da época passada, que também foi alvo de uma exposição face à arbitragem de Vasco Santos. De que resultou? De nada, pois logo depois houve uma derrota com o Moreirense e empates com Feirense e Paços de Ferreira, e já ninguém quis saber de arbitragem. Aliás, só nessa época, até ao mês de dezembro o FC Porto fez não uma, nem duas, mas sim cinco exposições ao Conselho de Arbitragem. Que efeito tiveram? Zero. Benfica campeão, FC Porto prejudicado, o mesmo filme das últimas épocas. O erro não pode ser repetido. 




Brahimi (+) - Já teve intervenção direta em 16 golos nesta época, o último dos quais o 1x0 nesta visita ao Feirense. Num jogo em que foi difícil para as individualidades «aparecerem», Brahimi voltou a ser denominador comum na criatividade do FC Porto, tendo sido eficaz em todas as tentativas de drible no meio-campo adversário. Teve 65 ações com bola, por exemplo mais do que Aboubakar e Marega juntos, e fez dois dos cinco remates enquadrados do FC Porto.


Aboubakar (+) - O único à frente de Danilo Pereira a conseguir acompanhar o ritmo de Brahimi e a acrescentar coisas à equipa. Abriu o marcador, com o seu 24º golo nesta época, criou mais uma ocasião flagrante de golo e tentou sempre oferecer soluções à equipa, quase sempre longe dos últimos 25 metros. Não esteve tão assertivo no passe como seria desejável, mas acabou por revelar-se novamente decisivo num jogo muito difícil, do qual se destacaram ainda Danilo, Alex Telles e pouco mais - Felipe cometeu vários erros, mas quem acaba por fazer o golo da vitória, no único remate do FC Porto à baliza do Feirense na segunda parte, tem que merecer destaque. 

O regresso de Óliver (+) - Este mês de janeiro vai ser a oportunidade para esclarecer uma coisa: ou Óliver não contava porque o FC Porto já tinha a sua saída alinhavada para este mês, ou porque era uma opção de Sérgio Conceição. Se é opção, é sem dúvida a mais discutível decisão do treinador. Não por Herrera estar mal (pelo contrário), mas por Óliver ser, em qualquer dia da semana, melhor do que André André e Sérgio Oliveira (que, bem vistas as coisas, não conta para o esquema habitual, mas sim para quando é necessário mudar de esquema inicial). Falhou apenas um passe nos últimos 55 metros e deu calma à equipa, sobretudo após o 2x1, além de ter orientado a equipa para o ataque - André André fez apenas cinco passes para a frente no meio-campo adversário. E enquanto Óliver teve 6 ações defensivas, André André teve apenas duas, tendo perdido a maioria das jogadas que disputou. Óliver é melhor. Quem quer ser campeão tem que jogar com os melhores mais vezes. 




Já lá vão 5 dias (-) - Não custa muito lembrar: o mercado está aberto. E podemos continuar com as graçinhas de que não são precisos jogadores se todos estiverem disponíveis, ou que Messi e Ronaldo são muito caros, mas desvalorizar esta questão - coisa que certamente pelo menos Sérgio Conceição não o faz - é abusar da sorte. Para todos os efeitos, apesar das contingências provocadas pelo apito, foi apenas de bola parada que o FC Porto conseguiu rematar à baliza do Feirense na segunda parte. Uma cabeçada de Felipe, um golo. Faltam soluções, e não basta estarem todos disponíveis.

André André, Corona e Marega estavam disponíveis, mas não conseguiram boas exibições. Hernâni estava disponível, mas pouco mais serve do que para fazer número. Layún, que queriam fazer sair, teve que entrar na equipa para ajudar a segurar a vantagem. Soares, que (também prejudicado pela lesão) tem tido dificuldades em fugir à descrição de que é melhor reforço de inverno do que um jogador para médio prazo, é a única alternativa para o ataque neste momento. Não chega. Sérgio Conceição merece melhores condições, merece mais consideração. 

À 11ª jornada o FC Porto tinha 4 pontos de vantagem sobre o Sporting. Passado duas jornadas perdeu a vantagem. Neste momento voltou a isolar-se na liderança, com dois pontos de vantagem. Cabeça. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

Novas armas

Custou, mas o Dragão viu o que não via há três anos: o FC Porto ganhar um jogo na Taça da Liga. E fê-lo porque encarou estes 90 minutos como se não fossem... a Taça da Liga, pelo menos a avaliar pelo historial recente. Mais uma exibição séria, eficaz, sólida defensivamente e com a equipa novamente a mostrar a sua nova face no ataque - uma equipa que deixou de recorrer ao passe longo de 40 metros para tentar meter a bola nos avançados e que aprendeu a descobrir o espaço e as diagonais dos seus avançados. 


O FC Porto melhor imenso nas últimas semanas e está a apenas quatro remates certeiros de chegar aos 100 golos esta época - e 2017 ainda nem terminou, sendo que nos últimos 50 anos só Pedroto e Artur Jorge chegaram tão rápido a esta marca de golos. Sérgio Conceição bateu taticamente um dos treinadores mais interessantes e uma das equipas mais organizadas desta Liga e o FC Porto volta a ter perspetivas de apuramento na Taça da Liga, uma prova que - não há dúvidas - Sérgio Conceição quer vencer. E continua a haver muito de contagiante nessa sede de ganhar.




Estratégia e pragmatismo (+) - O Rio Ave é uma equipa diferente das demais no Campeonato. É, aliás, a equipa com maior percentagem de bola na Liga, à frente de FC Porto e Benfica, e insiste em tentar sair a jogar de forma organizada, sem chutão para a frente. Sérgio Conceição aproveitou isso e usou-o contra o adversário, com uma pressão fortíssima na saída do Rio Ave. Prova disso é que, no lance do 1x0, o FC Porto consegue ter 6 jogadores a atacar o início de construção do Rio Ave, que tinha apenas 4 unidades naquela zona. Ou o Rio Ave recorria ao chutão, algo que não gosta de fazer, ou ia perder a bola naquele momento. Ganhou o FC Porto.

Novamente, o espaço interior (+) - É uma repetição dos elogios nas últimas semanas, mas merece continuar a ser realçado: o fim do pontapé longo para a frente. O FC Porto lê cada vez melhor o espaço interior, como voltou a ser exemplo a assistência de Brahimi para Marega. O argelino tira um adversário do caminho, também após um bom trabalho de pressão da equipa, e rapidamente encontra uma via rápida para Marega entrar nas costas da defesa. Este tipo de movimento tem sido executado cada vez melhor e é mais uma arma a juntar à equipa que mais golos de bola parada faz na Europa neste momento.


Tudo à volta de Herrera (+) - Mais um par de boas exibições de Alex Telles e Ricardo, em constante profundidade no flanco e fiáveis a defender; Danilo sólido na retaguarda; Brahimi a desequilibrar por dentro; Soares e Marega a apareceram várias vezes em zonas de finalização e a libertarem-se dos centrais. Tudo funcionou no FC Porto, apesar do apagão na segunda parte, e isso teve um denominador comum: a organização à volta de Herrera. É preciso uma assistência de calcanhar? Herrera faz. É preciso ir aos flancos tabelar? Herrera vai. É preciso pressionar o portador da bola? Herrera corre. É preciso dar soluções a Danilo na saída de bola? Herrera aparece. É preciso transportar a bola? Herrera leva-a com ele. É preciso um capitão? Herrera diz presente. 




Cabeça. É preciso cabeça (-) - Não é propriamente um Machado, mas antes um lembrete para o que aí vem. O Benfica tem duas meras preocupações até ao final da época: o Campeonato e os e-mails. Em ambos os casos, trata-se de uma luta fora de campo. E não é coincidência que Felipe e Danilo tenham sido visados com acusações de «Vale tudo» nas últimas semanas. E coincidência ou não, primeiro vemos Felipe ser expulso de fora desnecessária na Champions, de cabeça perdida, a coroar uma série de exibições menos conseguidas; e agora Danilo, num jogo que estava completamente controlado e sem motivos para nervos, habilitou-se à expulsão com a chapada na bandeirola de canto. É uma expulsão ridícula, evitável, mas que está prevista nas leis de jogo. Mais do que nunca, é portanto preciso cabeça, muita cabeça.

O Tribunal do Dragão deseja a todos os leitores um Bom Natal a uma feliz época festiva, com renovações do desejo de que o melhor presente só seja desembrulhado em Maio.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Um desajeitado com jeito para o golo

O FC Porto vai terminar 2017 na liderança da I Liga, com o melhor ataque, a melhor defesa, o apuramento para os 1/8 da Champions no bolso e a dois passos do Jamor. Não interessa como começa - ou como vai a meio -, mas sim como acaba, já o diz o treinador. Mas não poderia estar a correr melhor. 


A equipa sofreu uma nova transformação nas últimas semanas e encontrou o equilíbrio entre controlar o jogo com bola enquanto produz volume ofensivo suficiente para marcar um, dois, três golos. E fá-lo com apenas dois médios declarados, algo que parecia impossível de se atingir no início da época, enquanto reabilita jogadores/ativos que vão desde Reyes a Herrera, de Marega a Aboubakar. Um prova de superação de Sérgio Conceição e dos seus jogadores.




Marega (+) - O título desta crónica descreve o maliano: um desajeitado com jeito para o golo. Porque é isso que Marega está a garantir: golos. Não chega para uma dimensão europeia, mas tem sobrado e feito a diferença em contexto nacional. Dois golos de pé esquerdo - até aqui só tinha feito um dessa forma - que dispensaram técnica, colocação e a tentativa de defesa do guarda-redes. Em 14 jornadas, Marega soma intervenção direta em 15 golos, 12 dos quais da sua própria autoria, desta vez com o mérito de saber ler na perfeição a desmarcação de Brahimi - algo que demonstra, inclusive, a melhoria de Marega na leitura de jogo, pois no início da época estava sempre a cair em fora-de-jogo e agora é raro fazê-lo. Continuam a faltar-lhe muitas coisas, coisas que Marega talvez nunca terá, mas não lhe falta o mais importante: golos. Marega e golos na mesma frase. Estranho, mas já não é uma surpresa.


Alex Telles (+) - Chegou às 10 assistências nesta temporada, novamente de bola parada, mas voltou sobretudo a destacar-se na forma como ataca o corredor e municia a grande área. Só falhou um passe em meio-campo adversário, fez 7 passes para finalização, meteu 17 bolas na grande área e permitiu que Brahimi se dedicasse sobretudo à zona interior, pois o corredor era todo do brasileiro. Alex, brasileiro e lateral-esquerdo tem sido um perfil bem satisfatório no FC Porto. 

Brahimi, por dentro (+) - Visão perfeita do espaço e da desmarcação de Marega para os dois golos do avançado, com dois passes a rasgar a defesa do Marítimo. E é também um exemplo de que, para meter os avançados nas costas da defesa, não é preciso meter Marcano ou Felipe a fazerem passes de 50 metros. Brahimi progrediu, leu o espaço e fez o passe com força e colocação suficientes para enquadrar Marega com a baliza. Duas belas assistências e um exemplo de que os atalhos para a baliza não precisam de ser bicadas para o ataque. 

Outros destaques (+) - Estreia de Reyes a marcar com a camisola do FC Porto e a dar boas indicações nas primeiras aparições ao lado de Marcano. Sérgio Conceição aguentou Felipe no 11 tanto quanto possível, mas o brasileiro estava a cometer demasiados erros e as suas exibições já «pediam» banco. Faltava saber se Reyes estava preparado, mas para já não tem destoado. Aposta inteligente de Conceição - quando chegarmos a fevereiro, talvez Reyes não vá jogar contra o Liverpool por Felipe estar castigado, mas sim pelo mexicano já ser o dono do lugar. Por muito questionável que seja ter uma dupla de centrais em final de contrato e a poder assinar por qualquer outro clube dentro de duas semanas. Palavra para Marcano, que ganhou 10 dos 11 lances pelo ar que disputou. 

Ricardo Pereira voltou a dar boas indicações à frente de Maxi Pereira e Héctor Herrera encheu novamente o campo, tendo melhorado particularmente na forma como controla o ritmo do meio-campo - teve um total de 116 ações com bola. E como tem sido hábito, mais um jogo quase irrepreensível de Danilo, impecável no jogo aéreo e na cobertura do meio-campo, ainda que tenha falhado algumas saídas de bola.




Apostar mais pelo meio (-) - O FC Porto criou 15 ocasiões de golo durante a partida. Doze delas surgiram a partir dos flancos. Três em zona interior - e dessas três, duas deram golo. Além dos dois passes de Brahimi para os golos de Marega, só Marcano fez um passe em zona interior para uma zona de finalização. Tendo em conta o quão perigosas foram as poucas incursões do FC Porto pelo meio, a exibição só peca por não ter sido mais bem aproveitada neste capítulo.

Agora resta esperar que o Pai Natal seja generoso com Sérgio Conceição. Isso ou tentar esticar os milagres até maio. Convém não arriscar.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Aboubashow contra ventos e Coentrões

As circunstâncias prometiam dificuldades que os primeiros 25 minutos confirmaram, desde às condições climatéricas aos efeitos (físicos ou mentais) pós-Champions. Mas isto de trocar o chutão para a frente e as bolas em profundidades nos avançados pela circulação, posse e por uma maior elaboração das jogadas é mesmo coisa para dar tranquilidade, soluções e qualidade à equipa. Um jogo que se podia ter tornado um grande problema resultou numa das melhores exibições das últimas semanas e revelou uma equipa que anda de pontaria afinada, com 10 golos em 4 dias, antes de três jogos consecutivos para três competições diferentes no Dragão no espaço de oito dias. Não há margem para vacilar, mas a jogar assim fica mais fácil. 





Aboubakar (+) - O Professor Bambo e o Mestre Guirrasy podem estar descansados: se depender de Fábio Coentrão, ninguém lhes tira o emprego. Um bom golo de cabeça, um penalty batido de forma defensável mas que matou o jogo (o sexto em seis tentativas na carreira - nunca falhou uma grande penalidade) e uma finalização à ponta-de-lança, antes de voltar a fazer uma assistência de grande qualidade. No espaço de quatro dias, Aboubakar marcou cinco golos e assistiu dois.

É altura de uma pequena retrospetiva. Na época passada, André Silva marcou 21 golos e fez oito assistências, em 44 jogos. Aboubakar, em 22 jogos, já marcou por 20 vezes e fez cinco passes para golo. Ou seja, ainda dezembro não vai a meio e Aboubakar já praticamente pulverizou o registo do seu antecessor (ou deveríamos compará-lo a Depoitre?), tendo desde já batido a sua melhor marca de golos na carreira. 

No Bonfim, curiosamente, não foi feliz nas suas tentativas de 1x1 (exceção ao lance do penálti), mas destacou-se a ir buscar jogo atrás, a tabelar e a abrir espaço para os colegas. E quando chegou aos últimos 20 metros, foi para ser letal: tocou oito vezes na bola na grande área - seis delas foram remates e noutra ganhou um penálti. A melhor maneira de se servirem de Aboubakar é... servindo-o. Já agora, é bom dizê-lo: ainda bem que renovou e que a SAD conseguiu a totalidade do passe antes de janeiro. 


Marega (+) - Deixar de despejar bolas no flanco direito, à espera que Marega apanhe alguma, não só favoreceu a equipa como o próprio jogador. Se no primeiro golo teve a sorte que lhe faltou contra o Benfica, no segundo conseguiu uma finalização perfeita, já depois de ter descoberto sozinho o espaço para assistir Aboubakar para o 4x0 (num lance ao seu estilo, em que quase parece enterrar a bota no relvado antes de conseguir fazer o passe). Marega vai sendo isto, capaz do mau e da utilidade, de falhar com a baliza escancarada e depois fazer um chapéu perfeito ao guarda-redes. Após mês e meio sem intervenção direta em golos da equipa, voltou a colaborar em três e já chegou aos 15 (10 golos, 5 assistências) nesta temporada, números que superam o maior dos otimistas.

Adaptação (+) - Maxi no flanco, Ricardo novamente adiantado, Diego Reyes ao lado de Marcano. Três alterações em diferentes setores, mas tudo funcionou na equipa, curiosamente melhor do lado direito do que do lado esquerdo. Apesar dos calafrios provocados pelo Vitória nos primeiros minutos, a equipa rumou a uma exibição que prova que é possível criar várias ocasiões de golo e chegar com facilidade à grande área sem que isso implique procurar atalhos que não existem no relvado - leia-se, usar e abusar do passe longo. A equipa circulou melhor a bola, Herrera e Danilo seguraram o meio-campo e as oportunidades do Vitória foram escassas. Uma noite descansada.




Que eficiência no VAR? (-) - Aboubakar tentou uma roleta na grande área, sofreu falta, Tiago Martins viu - depois de não ter visto Aboubakar ser agarrado no lance do primeiro golo. Penálti, sem margem para dúvidas. De repente, entra a comunicação do VAR e nasce a confusão. Que indicação recebeu Tiago Martins? De que era penálti? Se era, então porque necessitava Tiago Martins de ir confirmar as imagens, já que a sua decisão inicial era validada pelo VAR? Então o que se passou? Terá Tiago Martins recebido indicações do VAR de que o lance... não era esclarecedor? Ou que não era penálti? Se assim foi, será que o VAR, com recursos a imagens televisivas, conseguiu ver menos do que Tiago Martins no relvado? É verdade, se houve dúvidas, o árbitro foi tirá-las a limpo junto das imagens. Mas se assim é, abre-se o precedente de, doravante, os árbitros irem ver as imagens para confirmarem todas as decisões que tomam? Uma vez mais, o VAR, por cada dúvida que tira, lança outra.

Líder, a depender de si próprio, com o melhor ataque e a melhor defesa da Liga - o FC Porto já não marcava tanto nem sofrida tão pouco, à 14ª jornada, desde a época 1995/96. A duas semanas do natal, isto é rendimento que valha duas ou três prendinhas no sapatinho de Sérgio Conceição. Bem merece.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Quinze curiosidades e números a reter

Alguns dados colocam o FC Porto no top europeu, outros têm que ser melhorados no ataque aos oitavos-de-final. O Tribunal do Dragão compilou algumas curiosidades e estatísticas que marcaram o rendimento do FC Porto na fase de grupos da Champions. 




- Danilo Pereira foi o 2º jogador com mais assistências para golo nesta fase de grupos, pertencendo ao grupo de oito jogadores que conseguiram três passes para golo. Só James Milner, do Liverpool, fez mais (5). Marega, Ricardo e Aboubakar fizeram duas assistências cada. 

- Danilo não só foi quem mais assistiu, mas também quem mais correu no FC Porto, com um total de 54,3 quilómetros. Alex Telles (53,04) e Iván Marcano (51,21) ficaram um pouco atrás, tendo sido os únicos totalistas do FC Porto. 

- Alex Telles e Ricardo Pereira são os 2 laterais que mais passes para finalização conseguiram na fase de grupos. O brasileiro, com 13, é o 9º em termos absolutos (e também o melhor defesa), mas os 12 passes para finalização de Ricardo Pereira ganham particular relevância por, ao contrário de Alex Telles, não bater as bolas paradas. 

- Com 58 dribles, Yacine Brahimi foi o 2º jogador que mais situações de 1x1 tentou na Champions, só atrás de Neymar (68). No entanto, o argelino conseguiu ter melhor percentagem de aproveito nestas situações, com 56,9% de eficácia.

- Aboubakar fez um golo a cada 2,8 remates na Champions e teve intervenção direta em 47% dos golos, algo que faz dele um dos 6 jogadores mais influentes em prova.

- O FC Porto é a equipa com mais tackles por jogo: 22 no total. Além disso, é a 3ª equipa qualificada que mais jogadas adversárias interceta (15 por partida). 

- Não raras vezes vimos o FC Porto limitado a bolas em profundidade, à procura de Marega ou Aboubakar. No entanto, os avançados do FC Porto são os que melhor sabem fugir ao fora-de-jogo: foram assinalados apenas seis na fase de grupos, os números mais baixos da Champions. 

- Os guarda-redes do FC Porto estão entre os que menos trabalho tiveram na fase de grupos. Casillas e José Sá, juntos, fizeram 14 defesas, a 3ª marca mais baixa entre as equipas qualificadas (menos só Juventus e Basileia). No entanto, há que ter em conta que o FC Porto sofreu 10 golos, ou seja, as equipas adversárias quase conseguem marcar um golo a cada dois remates ao alvo. 

- Felipe foi o 2º jogador com mais ações defensivas da fase de grupos: 60, apenas menos uma do que Tosic. 

- Um dado atípico: o FC Porto tem o jogador com mais receções falhadas e perdas de bola (Marega), mas ainda assim consegue ser a 3ª equipa que menos receções de bola falha (74), tantas quanto Liverpool e só atrás de Bayern e Real Madrid. 

- Por outro lado, o FC Porto foi a equipa da fase de grupos que mais vezes foi desarmada pelos adversários: 86, mais uma do que o Sporting e duas do que o Mónaco. 

- O FC Porto é a equipa apurada para os 1/8 que mais lances disputa no jogo aéreo: 195, dos quais ganhou 95. Besiktas, Liverpool e Man. United ganharam mais, mas o FC Porto foi a equipa que mais golos marcou no seguimento de lances de bola parada (oito). 

- Nem tudo foi positivo: Marega terminou a fase de grupos da Champions como o jogador de campo com mais perdas de posse (48,1%) e o FC Porto foi a equipa qualificada que menos tempo teve a bola em seu poder (23 minutos de tempo útil) e a 2ª pior percentagem de acerto no passe (77%). Algo a rever para quem quer sonhar nos 1/8. 

- Embora o FC Porto tenha tido uma relação difícil com a bola, isso não impediu a equipa de ser a 2ª mais eficaz da Champions, com eficácia de 25,9% em remates à baliza. Melhor só o PSG, com 28,7%. Como termos de comparação, veja-se a eficácia de clubes como Real Madrid (19,5%), Man. United (17,1%), Barcelona (14,8%), Juventus (11,5)... ou Benfica (1,7%). 

- Na sua época de estreia na Liga dos Campeões, Sérgio Conceição chega aos oitavos-de-final: tantas vezes quanto Jorge Jesus em toda a carreira.