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domingo, 15 de maio de 2016

Aperitivo intragável, almoço satisfatório

Uma manhã que nos fez recuar até 2001. O FC Porto já não ia chegar chegar ao título, pois o Boavista já era campeão, e dentro de uma semana havia final da Taça de Portugal, mas houve um gostinho especial naquela vitória por 4x0. Deco fez um hat-trick nesse jogo, na altura ainda na primeira parte, e deixou água na boca dos adeptos para o futuro. Aqueles quase 50 mil adeptos nas Antas sabiam que estava ali um jogador especial, que iria dar muitas alegrias ao FC Porto.

Ontem, também com um 4x0 ao Boavista em fim de época, vimos o mesmo: a estreia a marcar de André Silva. Resistiu, insistiu, felizmente teve uma aposta firme na equipa A e marcou aquele que se espera ser o primeiro de muitos golos. Ele merecia, e quem acredita nele também. 

No futuro não nos lembraremos desta vitória sobre o Boavista, mas oxalá que recordemos sempre este primeiro golo de André Silva. Que seja o dia em que começou a história de um grande goleador do FC Porto. 


Miguel Layún (+) - De regresso aos grandes jogos. Disponibilidade física e tática para tudo, fez um belo golo, aproveitando a sua capacidade de aparecer em zonas interiores, e ainda criou quatro situações de golo. Defensivamente, esteve quase sempre bem - é certo que Layún não é um lateral que defenda muuuuiito bem, mas quantos jogos é que o FC Porto deixou de ganhar por falhas defensivas de Layún? Em época de estreia num grande clube, esteve diretamente envolvido em 26 dos 88 golos que o FC Porto marcou. Ou seja, teve intervenção direta em 29,5% dos golos do FC Porto esta época. De certeza que já ajudou a resolver muitos mais jogos do que aqueles que complicou. José Mourinho disse um dia que com 11 Azpilicuetas ganhava a Liga dos Campeões. Com 11 Layúns, o FC Porto seria campeão. Mesmo que fosse a ganhar 5-4 em todos os jogos.

Iván Marcano (+) - Regressou a grande nível na semana anterior e voltou a fazer uma grande exibição. Na melhor altura possível, pois necessitaremos de um grande Marcano no Jamor. No total, Marcano teve 16 ações defensivas e foi o principal responsável pelo facto do Boavista não ter marcado. Está também a deixar clara a sua posição na luta pela continuidade no FC Porto. 

Entrada de Brahimi (+) - De uma primeira parte sofrível a uma segunda parte de qualidade, muito graças a Brahimi. Dinamizou por completo o ataque do FC Porto, desequilibrando a defesa do Boavista, marcando e assistindo. Foi o elemento mais perigoso da equipa desde a sua entrada em campo. É caso para dizer: que falta nos fez ter mais vezes este Brahimi. 

André Silva (+) - Continua a destacar-se, acima de tudo, pela capacidade de trabalho e pela forma como desgasta os centrais, sem nunca perder o sentido coletivo - assistiu Layún para o 2x0. E aqui, diga-se, José Peseiro fez bem em não designar André Silva para o bater. Por um motivo simples: André Silva merecia um golo dele, um momento dele, e não uma grande penalidade oferecida por favor. Além de não ser propriamente um exímio marcador de penaltys, André Silva estava a acusar alguma ansiedade para fazer o seu primeiro golo. Se falhasse o penalty, os efeitos negativos seriam maiores do que se os positivos se o marcasse. Felizmente, quase por justiça divina, marcou logo de seguida, num gesto onde revelou sangue frio e inteligência na movimentação. O FC Porto tem uma formação pronta a dar frutos, mas não basta dar 2 ou 3 jogos. André Silva é um exemplo disso. José Peseiro esteve bem no seu caso, ao não desistir do jogador. Oxalá continue a retribuir no Jamor.

Destaque ainda para mais um jogo sólido de Danilo Pereira e Maxi Pereira e para a entrada de Rúben Neves - com ele no meio-campo, a eficácia de passe subiu 4%, ao mesmo tempo em que a fluidez na troca de bola aumentou, e o FC Porto teve mais 8% de posse de bola. 







A primeira parte (-) - Foi sofrível ver a incapacidade do FC Porto em criar lances de perigo. Na primeira parte, apenas um remate na direção da baliza do Boavista, que felizmente deu golo. Corona e Varela passaram quase por completo ao lado do jogo, sem nunca criar grandes lances de perigo, e André André está longe do nível que apresentou na primeira metade da época. Contra o SC Braga, 45 minutos desta envergadura podem custar uma Taça. 

E agora? Agora o FC Porto, nos próximos dois jogos oficiais, pode ganhar dois troféus. Não há muitas equipas que disponham desta conjuntura. Há que aproveitá-la.

domingo, 8 de maio de 2016

Tração dianteira

Um raro jogo onde o FC Porto se soube adequar às circunstâncias, responder às dificuldades e em que efetivamente se viu que o intervalo serviu para mudar alguma coisa. Mais um golo sofrido, mais uma reviravolta e uma vitória que não servirá para mais do que tentar restaurar o moral da equipa para a final da Taça.

Não se pode necessariamente falar em preparação para o Jamor, pois Peseiro mudou sete jogadores de um jogo para o outro, mas foi interessante ver a resposta de alguns jogadores e o regresso de soluções importantes para a final da Taça. 

A primeira parte não foi boa, mas na segunda o FC Porto teve aquilo que muitas vezes faltou esta época: pragmatismo e sentido prático. O FC Porto teve 70% de posse de bola na primeira parte, mas só rematou 5 vezes e só criou uma situação de perigo na grande área do Rio Ave.

Na segunda parte, o FC Porto fez menos 34% de passes do que na primeira e até teve menos posse de bola do que o Rio Ave (49%). Mas rematou mais vezes (10), criou cinco situações de finalização na grande área e foi muito mais rápido nas transições. Aproveitou o balanceamento de um Rio Ave que precisava de ganhar e que, também por ser treinado por um dos melhores treinadores do nosso campeonato (mais cedo ou mais tarde Pedro Martins vai treinar um grande, resta saber se o fará na altura e circunstâncias adequadas), é uma equipa que assume o jogo quando joga em casa. 

Uma vitória que teria sabido bem noutras circunstâncias, mas que neste caso é apenas um risco em mais uma jornada para o final de um campeonato que nunca será de boa memória. 


Sérgio Oliveira (+) - Acompanhou a má primeira parte da equipa, mas na segunda o seu rendimento melhorou. Usa e abusa dos disparos de meia distância (7 tentativas), tanto que lá conseguiu fazer um belo golo. Falha demasiados passes para um médio do FC Porto (eficácia de 78%), mas isso também se justificou por ter tentado alguns passes de ruptura, sobretudo pelo jogo mais direto que o FC Porto fez na segunda parte. Não mantém a intensidade ao longo dos 90 minutos, mas ainda se destacou em algumas ações defensivas, com 4 recuperações de bola. 


Iván Marcano (+) - Bons olhos vejam o seu regresso. Pelo ar é tudo dele, e esteve muito bem antecipação, sem inventar e sempre tentando cortar os lances da forma mais simples e prática possível. É neste momento o melhor central do plantel, ou pelo menos aquele que dá mais garantias quando está em campo. E isso reflete-se na estatística, com Marcano a ter a maior percentagens de duelos aéreos (61,1%) e outras situações defensivas (58,7%) do plantel (Maicon era o central com maior eficácia e números dos três grandes...). Por outro lado, Marcano fica atrás de nomes como André Pinto, Boly, Coates, Lisandro ou Rúben Semedo. Isso já não é uma crítica a Marcano, mas sim ao nível dos centrais do FC Porto. 

Outros destaques (+) - Sem problemas na defesa, Maxi Pereira esteve sempre disponível para o ataque e conseguiu fazer mais uma assistência, a sua 11ª no campeonato (juntos, Danilo e Alex Sandro fizeram 8 na época passada). Varela fez mais um jogo em que se destacou mais nas ações defensivas (8 recuperações!) do que propriamente no ataque, mas acabou por fechar as contas do jogo. André Silva voltou a distinguir-se pela entrega e pela forma como desgasta as defesas adversárias, embora saiba que nenhum ponta-de-lança segura a titularidade sem golos. Se quiser estrear-se a marcar no Jamor não será, de todo, um problema.


Fosse como fosse (-) - Não interessa se seria um pontapé de bicicleta, uma carambola, uma Mano de Dios ou um belo remate como o que Postiga acabou por fazer: a bola tinha que acabar, de alguma forma, na baliza do FC Porto. O remate de Postiga foi muito bom, mas foi apenas mais um jogo em que uma equipa, seja de que forma for, consegue fazer o golo da ordem contra o FC Porto. São já 25 golos sofridos esta época, mais do dobro da época passada, e não se via uma defesa tão permeável desde os tempos de Octávio Machado. Poderíamos dizer que ninguém tem culpa (exceção à perda de bola infantil de Brahimi e um posicionamento algo comprometedor de Helton) que Postiga tenha rematado com tamanha inspiração, mas o problema é que isto não foi um golo raro: foi apenas mais uma prova de que qualquer equipa, seja de forma hoje, lá consegue marcar ao FC Porto. E uma reviravolta numa final da Taça não é a coisa mais fácil de se fazer.

PS: O FC Porto B conseguiu vencer a Segunda Liga, sendo a primeira equipa B a ganhar uma competição em Portugal, e a segunda na Europa, depois do Real Madrid Castilla. Obviamente que o objetivo de uma equipa B não é ganhar o campeonato, mas sim preparar jogadores para a equipa A, por isso só mais à frente veremos os frutos saídos desta conquista. Mas é um prémio justo e meritório para o trabalho desempenhado por todos os profissionais do FC Porto B, que a seu tempo merecerão o seu próprio post, naturalmente. Parabéns, miúdos: ganhar hoje para preparar o FC Porto para as vitórias de amanhã.

domingo, 1 de maio de 2016

Um clássico do passado recente

Começando por uma curta comparação. Notaram algo na defesa do Sporting? Schelotto, Rúben Semedo, Coates, Zeegelaar. Que têm todos eles em comum? Foram reforços de inverno do Sporting, contratados através dos mais diversos métodos (jogador livre, regresso após empréstimo, empréstimo e compra).

O Sporting sentiu a defesa desfalcada e reforçou-a convenientemente, a ponto de ter conseguido ir jogar ao Dragão com uma defesa totalmente nova, mas sólida. Já o FC Porto, que tinha muitos mais problemas defensivos do que o Sporting, o que fez em janeiro? Foi buscar o Marega. Por um preço que sustentaria toda a defesa do Sporting. 

Isto é apenas um exemplo do quão mal preparada e gerida foi toda a época. E no final do jogo, após uma derrota dura, ainda temos que ouvir que o Sporting merece ser campeão. Ainda faltam duas jornadas, mas o FC Porto terminou 2014-15 com mais pontos, mais golos marcados e menos sofridos do que este Sporting de Jorge Jesus (que nem passou à Champions), que ganhou uma boa parte de jogos graças a golos nos últimos minutos. Pena que na altura não se tenha ouvido que o FC Porto foi a melhor equipa de 2014-15 e que merecia ser campeão. 

O detalhe chamado competência
Em certa parte, este jogo fez lembrar o FC Porto x Sporting da Taça de Portugal de 2014-15. O FC Porto não entrou mal, mas o Sporting marcou primeiro. O FC Porto chega ao empate, mas leva o 2-1 em cima do intervalo. Na segunda parte, há um penálti que pode mudar a história - a diferença é que há dois anos Jackson falhou-o, enquanto desta vez foi Artur Soares Dias a falhar. E no final, o Sporting lá mata o jogo com o 3-1, depois de o FC Porto ter desperdiçado algumas oportunidades para empatar, num jogo equilibrado mas no qual o FC Porto nunca revelou ter o estofo necessário para se impor. 

Mais uma derrota no estádio que, há 3 anos, era considerado o mais temido da Europa. Tudo o que se possa dizer sobre José Peseiro já soa a repetição, mas resumindo o mais possível: errar não é o que José Peseiro está a fazer: errar foi tê-lo contratado em janeiro, sem razão absolutamente nenhuma para tal, pois Peseiro não fez nada que justificasse a ida para o FC Porto nos últimos 10 anos. Enquanto adeptos do FC Porto e percebendo o quão difícil é treinar este clube, haverá sempre a tentativa de apoiar/compreender o treinador, sobretudo porque ninguém (entre os treinadores ao alcance do FC Porto na altura) viria fazer melhor do que Lopetegui estava a fazer. Mas a comparação é inevitável, pois se B foi contratado para substituir A a meio da época, sabendo que as trocas de treinador dão quase sempre asneira, então A tinha que ser melhor do que B. Mas neste caso não tinha, pois nunca vimos José Peseiro dar sinais de capacidade para chegar, ver e vencer nestas circunstâncias. Não podia, no FC Porto e nestas circunstâncias, revelar-se melhor do que alguma vez foi. E é preocupante que alguém tenha visto o contrário, mas foi este o caminho que (a maioria d)os adeptos do FC Porto escolheram. 





Héctor Herrera (+) - Um FC Porto de Herrera e mais 10. Mesmo que Herrera, por vezes, só jogue a metade das suas capacidades. É sempre o primeiro a atacar e o último a desistir. Honra a braçadeira de capitão que tem no braço, com uma disponibilidade imensa em campo. Farta-se de fazer piscinas, sempre à procura de esticar o jogo, dar apoio aos corredores, na saída de bola, ir à zona de finalização... Ser Herrera, neste FC Porto, é uma trabalheira. Tivessem todos metade da disponibilidade, dedicação e profissionalismo dele. Uma palavra para a exibição de Danilo Pereira, juntamente com Herrera o único a sair com nota positiva.





A defesa (-) - Um desastre absoluto. Maus defesas + um treinador que sempre teve equipas que defendiam mal dá nisto. No primeiro golo, Ángel fica muito mal na fotografia, ao deixar passar João Mário, mas depois Chidozie acusa uma vez mais toda a sua inexperiência. Não há jogo em que o mau posicionamento de Chidozie não dê problemas. Até na Luz o golo do Benfica acontece após uma falha sua, mas a grande exibição de Casillas quase colocou este jovem defesa num pedestal. Erradamente. Chidozie não tem culpa porque está a cometer os erros próprios de um jogador sem escola, que pouca formação tem como central e no qual não se nota grande de evolução do ponto de vista tático. Slimani conseguiu ganhar-lhe dois metros enquanto João Mário deu um passo. E Peseiro andou a meter Danilo à defesa para depois voltar a lançar Chidozie às feras num clássico? Logo contra um dos pontas-de-lança mais difíceis de marcar em Portugal? O que se diria noutros tempos? Bruno Alves, Jorge Costa ou Ricardo Carvalho não jogavam no FC Porto aos 19 anos por um motivo. O mesmo que está a penalizar Chidozie: inexperiência e falta de devida preparação.  

Martins Indi não ganha uma bola de cabeça. Slimani bate-o com grande facilidade no 2x1, mas antes disso vemos Maxi Pereira a escorregar, deixando passar Bryan Ruiz, e Corona a ficar a olhar, quase a dizer «já não chego, vai lá tu». É só fazer a soma: um ponta-de-lança fortíssimo de cabeça contra uma defesa onde um central está muitas vezes mal posicionado e outro não ganha uma bola de cabeça... Pois. Além disso, Indi ainda conseguiu falhar 11 passes, algo impróprio para um central, e não conseguiu desarmar um único jogador do Sporting em lance de bola corrida. 

No 3º golo do Sporting, quem fica mal é Maxi Pereira (parece estar limitado fisicamente nesta reta final de época - Víctor García serve para quê?). Deixa Bruno César entrar entre ele o central e ainda o deixa ganhar 4 metros antes de bater Casillas, que também voltou a deixar escapar o defensável. Neste momento, estavam 7 jogadores do FC Porto em momento defensivo, contra apenas dois jogadores do Sporting nos últimos 40 metros: um para fazer o passe, outro para entrar entre o lateral e o central e acabar com um clássico. Brincamos? Inadmissível. Tivemos a melhor defesa da Europa de 2014-15, esta época temos uma das piores (não necessariamente em termos de qualidade, mas de rendimento) da história do clube. Mas a culpa era de Maicon. Ou se calhar culpa é do Marega, que ao ser contratado em janeiro, em detrimento de reforçar a defesa, devia marcar 4 ou 5 golos por jogo. Só isso justificaria contratar um avançado para a bancada em vez de reforçar uma defesa com carências no 11 titular.

A exibição (-) - É um pouco contraditório destacar as exibições de Danilo e Herrera e, ao mesmo tempo, criticar o meio-campo. Mas há uma justificação: a inoperância do FC Porto na ocupação dos espaços, na pressão ao portador da bola e na marcação. O Sporting conseguia desmontar o meio-campo do FC Porto com o recurso a três ou quatro passes. Adrien, Ruiz e João Mário chegavam. O Sporting quase não precisava de meter os laterais a dar profundidade (ninguém se lembra de uma jogada perigosa dos laterais do Sporting junto à linha de fundo), pois o seu meio-campo já chegava. Curiosamente, os dois golos do Slimani nascem de cruzamentos pelos flancos, mas nem foi preciso os laterais subirem para cruzar: são golos que nascem por Bryan Ruiz e João Mário, que ao mesmo tempo que garantiam a profundidade pelos flancos asseguravam a ocupação do espaço nos movimentos interiores. 

Além disso, o FC Porto voltou a ser muito pouco objetivo no ataque à baliza adversária. Havia sempre alguma hesitação perto da grande área. Ou mais um toque, ou mais um passe, ou a hesitação para tentar mais uma tabela... E as bolas perdiam-se. É certo que o FC Porto enviou duas bolas aos postes, mas a equipa voltou a revelar-se fraca nos remates enquadrados: apenas 4 em 16. Para se ter noção da insuficiência desta estatística, Slimani fez 6 remates à baliza em 7 tentativas. Ou seja, Slimani obrigou Casillas a mais defesas do que toda a equipa do FC Porto perante Rui Patrício. Ninguém ganha clássicos assim. 

Brahimi ainda desenhou alguns dos melhores lances do FC Porto na primeira parte, mas depois veio o eclipse. Já Corona passou ao lado do jogo por completo, além de ter deixado o Sporting subir pelo corredor a seu bel-prazer. Aboubakar sofre o penalty que podia ter mudado a história do jogo, mas de resto foi quase inexistente, dando ares de que funcionaria melhor num 4x4x2 como segundo avançado do que estando sozinho no 4x3x3 - porque Aboubakar não tem presença na grande área para ser um finalizador no FC Porto; é o avançado que mais golos falha no campeonato. Tem muitas valias técnicas, mas pelo menos este 4x3x3 nunca vai favorecê-lo. Sérgio Oliveira já não se pode queixar de falta de oportunidades: 7 jogos seguidos sempre a titular. Dificilmente voltará a repeti-los, sendo de lamentar a falta de intensidade em alguns momentos do jogo e a forma como não conseguiu perturbar o jogo interior do Sporting (se Herrera é o médio mais adiantado e Danilo Pereira o mais recuado, Sérgio Oliveira tinha que multiplicar-se no meio-campo, pois o Sporting envolvia sempre mais gente no jogo interior; não teve foi culpa de José Peseiro não ter nunca percebido que o meio-campo do FC Porto estava sempre em inferioridade). 

Do banco nada saiu para melhorar a exibição do FC Porto. Nem por parte dos jogadores lançados, nem por parte da cabeça do treinador.

De realçar que uma vez mais Jorge Jesus teve acesso, atempadamente, a informações sobre a equipa e a forma com que o FC Porto ia jogar. Já tinha acontecido no Estádio da Luz, na época 2014-15. Se calhar está desvendado o segredo: Varys trabalha para Jorge Jesus, e os seus little birds sobrevoam o Olival regularmente. Parece mais legítimo do que acreditar que alguém do FC Porto possa fazer chegar as informações a Jorge Jesus: primeiro para arrumar com Lopetegui na Luz, agora para fazer o mesmo com Peseiro e/ou dar condições ao Sporting para vencer o jogo e continuar atrás do Benfica. Fiquemo-nos pelo universo de George R. R. Martin.

Jamor is coming. Oxalá o FC Porto também decida aparecer por lá.

domingo, 24 de abril de 2016

A memória de um golo

Aqui está uma frase provavelmente nunca antes construída: Rúben Neves fez lembrar Pepe. Em 2006, em plena pré-época, o FC Porto defrontou o Manchester United. Provavelmente, poucos se lembrarão desse jogo, de quem jogou, do resultado, mas lembram-se do balázio que Pepe enfiou na baliza inglesa.

Um golo para recordar
O dia de ontem (curiosamente também um jogo de pré-época), daqui a 10 anos, não será muito diferente. Um passe para dentro da baliza, um passe de Rúben Neves para as redes. Que grande golo. Poucos se recordarão da exibição, da equipa, mas lembrarem-se-ão desta obra prima de Rúben Neves, o mais parecido que vimos desde aquele golo de Lucho González em Hamburgo

Pouco mais haverá a reter. O FC Porto garantiu matematicamente o 3º lugar e não há mais a fazer do que conquistar a Taça de Portugal. O clássico deve ser encarado como ponto de honra e é para ganhar, obviamente. A luta pelo título já não diz respeito ao FC Porto, não interessa se quem vai ser campeão é o Benfica ou o Sporting. O que se sabe é que, no dia 30 de Abril, 11 jogadores vão subir ao relvado com o símbolo do FC Porto e que do outro lado vai estar o Sporting. Qualquer sentimento de desvalorização por perder com o Sporting, alegando que assim podem tirar o título ao Benfica, seria o maior atestado de pequenez da história do clube - bem mais vergonhoso do que os que festejaram o golo de Kelvin na casinha

Uma nota antes da análise ao jogo. Subitamente já há críticas a José Peseiro por fazer exatamente o mesmo que fazia Lopetegui: dizer que todos os jogos são difíceis, que todos os adversários são bons. Mas depois dos elogios maioritariamente injustificados ao Nacional, vimos José Peseiro dizer isto sobre a Académica: «Jogámos contra uma equipa que sofre poucos golos». Uma coisa é valorizar o seu trabalho com recurso aos chavões do costume, como por vezes Lopetegui fazia, outra é dizer inverdades destas, pois a Académica tem a 2ª pior defesa da liga e é a equipa que sofre mais golos em casa. José Peseiro é um otimista, mas pede-se um pouco mais de rigor nestas questões, mister. Pelo menos até 22 de maio.






Maxi Pereira (+) - O que define um jogador à Porto não é a ausência de erros, pois todos erram: é a forma como se reage a esse erro. Maxi esteve na origem do golo da Académica, com uma má cobertura defensiva, mas depois tomou-se por um inconformismo que o levou a ser um poço de força no corredor direito. Atacou, tabelou, cruzou, entrou na grande área, procurou o remate e não descansou enquanto não se redimiu do erro. No final do jogo, o merecido descanso.



Danilo Pereira (+) - A Académica foi apenas mais uma equipa que, com apenas dois homens no contra-ataque, consegue logo intimidar a defesa do FC Porto. Mas Danilo chegou para (quase) tudo. Muito bem nas dobras, a impor a capacidade de física e a ser referência não só no início de construção como na grande área adversária. Tudo isto aliado a uma capacidade de liderança que se faz sentir cada vez mais - Corona e Sérgio ficaram com as orelhas a arder durante o jogo.

Outros destaques (+/-) - Finalmente, Rúben Neves a apostar mais na meia distância. É um capítulo que precisa de melhorar no seu jogo - e curiosamente, os seus 2 golos esta época nascem de remates de longe. Imaginem o que seria Pirlo sem a capacidade de rematar. José Ángel continua a ser o jogador que melhor cruza de primeira e de forma tensa - o problema é que os outros aspetos do seu jogo não se aproximam da sua capacidade de cruzar. André Silva esteve incansável na pressão ao início de construção da Académica e movimentou-se sempre bem na grande área, embora vá sendo tempo de materializar o seu empenho num golo, que vai aparecer. Corona precisa de melhorar imenso a recepção de bola, mas está a melhorar bastante no passe - 85% de acerto e fez cinco passes para zonas de finalização (mais do que os 3 médios), além do seu papel defensivo, com sete ações de recuperação/desarme; faltou-lhe mais objetividade na procura do remate e no um para um. 






Condição física (-) - Estamos em abril, pelo que é normal que alguns jogadores já não estejam no seu melhor fisicamente. Mas José Ángel é pouco utilizado, e o próprio André Silva só tinha feito 89 minutos nas últimas duas semanas e meio. Ainda assim, vários jogadores estavam rebentados, inclusive com Ángel e André a sentirem cãibras. Por um lado, é bom: mostra que os jogadores estavam a dar tudo. Por outro, a condição física dos jogadores tem vindo a cair nos últimos dois meses - bem diferente do que aconteceu em 2014-15, em que a equipa estava muito melhor fisicamente. Não querendo associar isso diretamente à troca de preparadores físicos, uma equipa que luta por várias frentes tem que ter a certeza que está o melhor servida possível neste aspeto. Estará?

Descompensação (-) - A Académica não precisou de meter muita gente na frente para criar perigo, o que vem sendo crónico nos adversários do FC Porto. Só marcaram numa bola parada, mas a cobertura defensiva do FC Porto deixou sempre a desejar, sendo também um reflexo da ausência de Danilo do meio-campo - Rúben Neves não tem a capacidade física e defensiva do compatriota, embora dê outra capacidade de circulação à equipa. A linha defensiva do FC Porto nem sempre esteve - passe a redundância - alinhada da melhor forma, tanto que apesar da Académica procurar muitas vezes o espaço nas costas da defesa nenhum dos seus jogadores caiu na armadilha do fora-de-jogo. Depois quando faltam pernas, como faltou a Maxi no lance do livre, pode sair caro.

Subrendimento (-) - Varela apoia sempre bem as subidas dos laterais e procura bem o espaço interior, mas objetivamente não criou nenhum lance de perigo - nem um cruzamento ou um remate na retina. Para um jogador que está a queimar as últimas oportunidades de ir ao Euro 2016, esperava-se mais. Herrera, desta vez, acusou a falta de espaço no meio-campo da Académica e não conseguiu dar tanto nas vistas no ataque - à imagem de Sérgio Oliveira, muitas vezes a ir atrás pegar no jogo, mas sem servir os avançados, abrir espaços ou até tentar a meia distância. André André fez mais em menos tempo, com menos ritmo. Está a ter a sequência de jogos que Lopetegui achava que não merecia, por isso só depende dele próprio.

Uma semana para preparar um clássico em que nada mais interessa do que a honra de vencer. Muita coisa pode ter mudado no FC Porto, mas repugna imaginar que algum portista possa encontrar conforto num empate ou numa derrota num clássico. Primeiro o FC Porto, depois o FC Porto, depois o FC Porto. Só depois dos rivais.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Terapia A4

Goleada, jogo resolvido cedo, baliza inviolável, golos bonitos e quase todos os jogadores a exibirem-se a bom nível. Bons olhos vejam este FC Porto. Já não há muito a fazer no campeonato, mas em 2009-10 também pouco havia, e a equipa então treinada por Jesualdo Ferreira não deixou de acabar a época com oito vitórias consecutivas na Liga, antes de se lançar para a dourada era Vilas-Boas.

Preparar a final da Taça é o objetivo que resta, mas até lá há o moral para restaurar, e alguns jogadores têm que se reabilitar física e psicologicamente. A exibição de ontem cumpriu todos os pressupostos, sem dúvida a melhor desde a troca de treinadores e talvez a primeira em que houve consistência e qualidade do princípio ao final do jogo. 

Há que assumir o compromisso de honra de voltar a fazer do Estádio do Dragão um palco de terror e derrotas iminentes para os adversários, e não uma casa onde Moreirenses, Uniões, Aroucas e Tondelas conseguem discutir o resultado, fazer golos e pontuar. Porque uma coisa é aparecer um caso isolado, como a vitória do Leixões de 2008, outra é aparecer uma sequência tão negativa de jogos, como foi exemplo as últimas semanas. 






Ao ritmo do capitão
Héctor Herrera (+) - Mais uma exibição completíssima daquele que é o melhor jogador do FC Porto na segunda metade da época 2015-16. Com Lopetegui, era mais forte nas ações defensivas (tinha mais desarmes e recuperações de bola); com Peseiro remata mais, faz os passes em zonas mais adiantadas e melhorou imenso nos dribles (com Lopetegui acertava 23% dos dribles, com Peseiro subiu para 62%). Herrera foi a unidade que ligou todos os setores do FC Porto; dava apoio a Sérgio Oliveira, a Corona, a Varela e a André Silva, de forma incansável e em constante movimentação. Fez um golo, esteve perto de bisar, e voltou a estar bem no passe (ainda há quem alimente o mito de que Herrera falha muitos passes, mas Herrera sempre esteve acima da média neste capítulo, com 85% de acerto; melhor só os centrais ou o médio-defensivo).


Varela (+) - O regresso às boas exibições do melhor marcador português da história do Estádio do Dragão. Fazer um grande golo aos 2 minutos torna tudo mais simples. Não voltou a rematar tão bem e chegou a errar num passe atrasado, mas desta vez esteve sempre presente no jogo, com rapidez, profundidade e envolvência total na circulação de bola. Assim, pelo rendimento, o lugar é dele. 

Laterais (+) - Maxi novamente a bom nível (já é o 2º melhor assistente da equipa), José Ángel numa das melhores exibições com a camisola do FC Porto. Os laterais do FC Porto são responsáveis por metade dos passes para golo da equipa, o que diz tudo da sua influência; mas ontem o maior destaque foi a excelente forma como o FC Porto soube solicitar os seus laterais para os cruzamentos. O FC Porto bateu o recorde de cruzamentos em bola corrida esta época (25), e Ángel destacou-se neste aspeto, com uma assinalável precisão na hora de cruzar. 

Outros destaques (+) - Danilo Pereira, numa posição que não é (nem deve ser) sua, não cometeu erros e ainda subiu ao ataque para marcar (excelente jogada de laboratório no 3x0); Corona fez duas assistências, quatro passes para zonas de finalização e ainda tentou o golo em três ocasiões, apesar de ter sido inconsequente em alguns dos seus lances e por vezes lhe ter faltado objetividade; André Silva ainda acusa a ansiedade de marcar o primeiro golo, mas ele vai aparecer - esteve muito bem nas movimentações na grande área e no jogo aéreo; Aboubakar fez um bonito golo e aparentou estar mais confiante (as limitações de Aboubakar não são físicas, nem técnicas, mas sim psicológicas - e isso trabalha-se). 

De destacar ainda a boa exibição coletiva da equipa, que atirou 14 vezes à baliza (em 25 tentativas) e, apesar da velocidade na circulação de bola (muito bem nas triangulações entre lateral, médio de apoio e extremo) e na sucessiva variação de flancos, conseguiu uma eficácia de passe de 90% na primeira parte e acabou o jogo com 87%. Mas obviamente que não é um resto de campeonato a feijões e um único jogo, nomeadamente a final da Taça de Portugal, que pode aferir a continuidade de um treinador - essa decisão já tem que estar tomada, seja com vista à continuidade ou saída de José Peseiro (Jesualdo também acabou 2009-10 com oito vitórias consecutivas no campeonato, uma delas que estragou a festa antecipada do Benfica, e ganhou a Taça, mas a decisão já estava tomada e era irredutível: a sua saída; logo, nada que Peseiro possa fazer neste fim de época deve mudar o que estava previsto há uma semana, seja a sua saída, seja a continuidade). 






Descompensação defensiva (-) - Defeito ou feitio, não raras vezes o FC Porto encontrava-se em preocupante inferioridade numérica nos momentos de contra-ataque do Nacional. Por um lado, isso significa que a equipa envolve mais unidades no processo ofensivo, mas o FC Porto teve que ser mais rápido na transição defensiva no momento da perda. A vantagem madrugadora também contribui para isto, mas o FC Porto a determinada altura deu demasiado espaço ao Nacional para circular, tanto que a equipa madeirense acabou o jogo com 79% de eficácia de passe, bem melhor do que Paços (60%) e Tondela (61%) quando ganharam ao FC Porto. Mas claro, a deixar o adversário ter a bola, que seja quando o FC Porto já está a vencer e a controlar o jogo.

Como importa primeiro ouvir a reação de Pinto da Costa à reeleição, em mais uma entrevista ao Porto Canal, a análise aos resultados eleitorais será feita depois.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

#TodoesculpadeLopetegui

A avaliar pelos comentários dos leitores ao longo dos últimos meses, provavelmente era esta a maior crítica ao Tribunal do Dragão: defender, na opinião de muita gente, excessivamente Lopetegui. É um direito que assiste a qualquer adepto, de achar que um treinador é mais ou menos adequado, desde que haja uma base a sustentá-lo.

Facto: Lopetegui não ganhou nada no FC Porto. Opinião: ninguém, entre os treinadores ao alcance do FC Porto, iria fazer melhor trabalho do que ele nas últimas duas épocas. Realidade: desde a sua saída, Lopetegui já foi alvo de mil e uma culpas, mas a equipa piorou objetivamente em tudo (exceção feita às quatro vitórias de José Peseiro na Grande Lisboa - era penosa a incapacidade do FC Porto, desde 2013, ganhar jogos a sul).

Isto não é um post de defesa a Lopetegui: é comparar o antes e o depois. Quando Lopetegui foi despedido o FC Porto estava a quatro pontos do Sporting e em igualdade com o Benfica; volvidos três meses desde a sua saída, o FC Porto está a 12 pontos do Benfica (não fosse a sofrida vitória na Luz e poderiam ser impensáveis 18) e a 10 do Sporting. 


Não é só a questão dos pontos no campeonato. O FC Porto piorou em tudo. Não marca mais golos, sofre mais do dobro, remata menos, permite que os adversários rematem mais, cria menos ocasiões de golo e falha mais passes. Isto são os factos. Se calhar há quem ache, conforme foi descrito no último R&C da SAD, que a troca de treinadores resultou numa «recuperação exibicional». Estão no seu direito.

Ouviu-se que «um treinador que chega a meio da época não tem objetivos imediatos». Mas estamos a brincar? Mas alguém pode admitir que o FC Porto tenha desistido do campeonato em janeiro, na época em que preparou o seu maior orçamento de sempre, quando o título estava perfeitamente ao seu alcance e ninguém imaginaria outra coisa senão o apuramento direto para a fase de grupos da Champions?

Não tem objetivos imediatos? Se o FC Porto quis trocar de treinador em janeiro, então teria que ser para melhorar a equipa! Mas não foi isso que aconteceu. A equipa não melhorou e encontrou-se um bode expiatório para todo o insucesso dos últimos meses: Lopetegui.

Vejamos. Lopetegui (que para todos os efeitos era um treinador inexperiente, uma aposta de risco e um verdadeiro tiro no escuro - nunca pareceu haver esta compreensão por parte dos adeptos) ganhou 80,39% dos pontos na liga 2014-15. O poderoso Benfica de Jorge Jesus de 2009-10, que só conseguiu ganhar a liga ao SC Braga na última jornada, teve 84,44% de aproveitamento. Em 2013-14 o Benfica fez 82,22%. E na última época o Benfica, naquela que foi possivelmente a época com mais benefícios de arbitragem em torno de uma só equipa de que há memória, ganhou 83,33% dos pontos.

Lopetegui esteve na casa daquilo que têm sido os campeões dos últimos anos: equipas que ganhem acima de 80% dos pontos. O Benfica neste momento lidera com 83,9% dos pontos, por exemplo. Podem alegar que Lopetegui não chegou nunca a tocar nos 82 a 84%, mas é por causa de um aproveitamento de mais de 4% dos pontos que se justifica uma troca de treinadores a meio da época?

Em 2014-15 Lopetegui fez mais do que suficiente para ser campeão. Infelizmente, perpetuou-se o pensamento de que o FC Porto tinha que ganhar 34 jogos em 34 jornadas. E o facto do Benfica ter sido beneficiado em duas dezenas de pontos não era desculpa. É esse o discurso que apreciam na Segunda Circular: legitimar aquilo que foram os últimos tempos e isolar as culpas em Lopetegui. Continuem, que eles gostam.

A análise de Pinto da Costa, jornal O Jogo
Há quem diga que Lopetegui falhou nos momentos decisivos. Admita-se que falhou em alguns, sendo que o maior de todos foi a derrota em casa contra o Dynamo Kyev, já esta época. Não é por perder em Alvalade, onde poucas vezes o FC Porto tem ganho. Não é por não ganhar por dois na Luz, coisa que só Villas-Boas fez. Podem se calhar criticar os pontos deixados pelo FC Porto de Lopetegui na Madeira. Mas esses quase se tornam saudosos quando se perde em casa com Arouca e Tondela. O Tondela!

Podemos culpar Lopetegui por ter trazido fenómenos como Campaña ou Andrés Fernández. Ainda vamos comparar quem sai mais caro, se esses ou Osvaldo ou Marega. Já para não falar que foi numa época com Julen Lopetegui que o FC Porto bateu o seu recorde de mais-valias com vendas de jogadores. Se calhar Alex Sandro, Danilo e Jackson fizeram grandes épocas graças a Fernando Gomes; da mesma forma que o Casemiro evoluiu graças a Alexandre Pinto da Costa; e Rúben Neves foi uma revelação na equipa porque Caldeira avisou Lopetegui atempadamente do talento que ali estava.

Todos têm méritos, menos Lopetegui. E quase ninguém tem culpas, tirando Lopetegui. Há quem diga que o futebol do FC Porto de Lopetegui resguardava-se das suas fraquezas. Mas isso seria uma coisa má? Com uma defesa que não convencia ninguém, o FC Porto teve a melhor defesa das ligas europeias. Ganhou 20 jogos seguidos no Dragão, onde agora o FC Porto perde com Aroucas e Tondelas e borra-se para ganhar a Moreirenses e Uniões de Madeira. Se calhar, Lopetegui não jogava de outra forma por entender que era o melhor que poderia fazer com os jogadores que tinha à disposição. 

Foi para isto que trocámos o futebol enfadonho de Lopetegui, cuja média de golos (2.04) ficava acima da de Mourinho (2.00), Ivic (1.93) ou Jesualdo (1.90), pela recuperação exibicional com José Peseiro, que prometia um futebol mais ofensivo, alegre e vertiginoso?

Lopetegui tinha razão quando se queixou que houve um desinvestimento em termos de qualidade no plantel. Este plantel era, é, mais fraco do que o do ano passado. E nisto o próprio José Peseiro não tem culpa: em janeiro o plantel ficou ainda mais fraco, já para não falar da saída de Maicon em fevereiro.

Na época do maior investimento no plantel, o FC Porto vai buscar Suk, Marega e José Sá em janeiro. Suk é mais agressivo na pressão do que Aboubakar, mas não garante mais golos do que o camaronês (marca menos, até); sobre Marega, quem achou que tinha qualidade para o FC Porto que se explique, sobretudo quando estamos a falar de um jogador de 4M€ e cujas qualidades (ou falta delas) estavam aos olhos e toda a gente; e José Sá, conforme esperado, vem para jogar na equipa B - até porque a baliza tinha, na pré-época, deixado de ser um problema.

José Peseiro não teve um único reforço, no verdadeiro sentido da palavra, para a sua equipa. E disso não tem culpa. Mas se a SAD quis trocar de treinador em janeiro, então era para reforçar a apostar no título; ninguém podia desistir do título e dos objetivos do FC Porto em janeiro. Mas quem contrata José Peseiro em janeiro e não melhora um plantel limitado - pelo contrário, piora-o - desiste dos objetivos do FC Porto, na época de maior investimento de sempre. E de quem é a culpa de tudo isto? De Lopetegui, evidentemente.

A postura de alguns jogadores também dá que falar. Tempos houve, de Vítor Baía a Jorge Costa, de João Pinto a Fernando Couto, em que o FC Porto tinha um balneário que sabia da importância e influência da palavra de Pinto da Costa. Se o presidente descia ao balneário para repreender a equipa, os jogadores borravam-se todos, enchiam a cabeça de vergonha e davam a resposta no campo.

Em Paços de Ferreira não vimos jogadores em quem a última entrevista de Pinto da Costa tenha surtido efeito. O presidente é o mesmo, por isso, das duas uma: ou o discurso de Pinto da Costa perdeu força; ou os jogadores não entendem a mensagem do presidente, nem o que ela significa no historial do FC Porto. 

Podem tentar encontrar os mais diversos méritos e deméritos para Lopetegui ou José Peseiro. Mas o FC Porto trocou de treinadores em janeiro para melhorar a equipa e, desde então, atribui quase todas as responsabilidades e culpas a Lopetegui. Resultado: o FC Porto piorou em tudo desde então.

Deve haver uma justificação, claro: os estragos provocados por Lopetegui foram tão grandes que agora nem Peseiro, nem Mourinho, nem Guardiola conseguiriam reerguer o FC Porto. É a única justificação que resta, claramente. Quem assobiou Lopetegui no dia em que o FC Porto subiu pela última vez à liderança, em dezembro, só tem motivos para estar satisfeito: o espanhol já não cá está. Que bem que tem corrido. O substituto de Lopetegui tinha que ser melhor do que Lopetegui, independentemente de não ter feito uma pré-época, caso contrário não valeria a pena mudar de treinador; e se Lopetegui era um péssimo treinador, então por que é que começou sequer a segunda época ao serviço do FC Porto? E quando dizem que não faz sentido comparar os treinadores, faz sim: a entrada de José Peseiro visa melhorar a equipa e corrigir os erros cometidos com Lopetegui, senão não valeria a pena mudar de treinador.

Lopetegui não é o melhor treinador do mundo, nem sequer é dos melhores que o FC Porto já teve; mas no último ano e meio, nenhum dos treinadores ao alcance do FC Porto teria feito melhor do que ele. Estejam à vontade para desmentir, mas a primeira experiência de substituição de Lopetegui teve resultados... Bem, que os discutam quem achou que trocar Lopetegui por Peseiro, entre todas as mudanças em janeiro, foi uma boa ideia. Só esperemos que no final da próxima época ainda não estejamos a lamentar os estragos todos que Lopetegui fez no FC Porto.

PS: Toda a análise ao jogo de ontem não seria mais do que um Machado gigante. Mas em pré-época não se pode pedir muito, não é?

PS2: A má exibição do FC Porto não invalida que, uma vez mais, o wonderboy Fábio Veríssimo tenha mostrado toda a sua valia para a arbitragem nacional. E a seguir? Será que Tiago Martins já está preparado para arbitrar um clássico?

domingo, 20 de março de 2016

Póquer entre o sofrimento

A grande vitória de José Peseiro é esta: em quatro jogos abaixo do Mondego, quatro vitórias. Todas elas com muita dificuldade à mistura, e com a felicidade que faltou em tantos outros jogos, mas para a história ficam os resultados. Quatro jogos, quatro vitórias. Não é fácil, tendo em conta que o FC Porto, nos últimos 2 anos, chegou a estar 13 jogos sem ganhar a sul do Mondego. Fica o mérito registado.

Mas ganhar no Bonfim não era o maior obstáculo. O FC Porto vence consecutivamente há 19 anos neste estádio, e nos últimos 28 jogos contra o Vitória de Setúbal ganhou todas as partidas. E este recorde de vitórias esteve em sério risco de cair no tempo de compensação.

Mais uma vitória pela margem mínima, com muito sofrimento à mistura, sendo também uma consequência da incapacidade de resolver os jogos mais cedo. Dificilmente será diferente até ao final do campeonato. Restam 7 finais para tentar o (im)possível para chegar diretamente à Liga dos Campeões. Nesta altura, já não vale a pena pedir mais do que tentar ganhar cada jogo, com ou sem sofrimento, pois para ganhar a maioria dos jogos que faltam não deveria ser necessário o melhor futebol da época. 





Asa direita (+) - Um grande jogo de Maxi Pereira e Corona. Na primeira parte o FC Porto fez 14 ataques por este flanco, o dobro dos que fez pelo lado esquerdo, onde normalmente mora a lei da Layúndependência. Maxi meteu quatro bolas na grande área para situação de finalização, inclusive o lance do golo, e ainda ajudou a evitar o 1x1 perto do fim. Corona fez enfim um bom jogo: menos fantasista, mais objetivo, melhor no jogo interior e combinou bem com Maxi. Um par de bons cruzamentos e intervenção no lance do golo.

Danilo Pereira (+) - Comparativamente aos últimos jogos, o FC Porto esteve bem melhor no equilíbrio defensivo, muito graças a Danilo. Poucas vezes ultrapassou a linha da bola, esteve mais posicional, e com isso a equipa teve sempre uma referência na saída de bola e simultaneamente um tampão no momento de transição defensiva.

Héctor Herrera (+) - Novamente um dos melhores em campo. Pressiona, constrói, é referência para a variação de flancos e nunca abdicou de oferecer uma linha de passe. Por vezes é lento a libertar a bola - mas essa lentidão também oferece ao FC Porto a hipótese de pausar e pensar o jogo e (re)organizar a equipa. De há um mês ou mais para cá tem sido o melhor do FC Porto, sendo o mais importante jogador nos dois momentos do jogo.


Outros destaques (+) - Sérgio Oliveira dá ao meio-campo do FC Porto o que muitas vezes falta: capacidade de meia distância. Herrera já fez alguns golos de fora da grande área, mas arrisca pouco. André André, Rúben Neves ou Danilo Pereira não têm uma boa meia distância. Assim surge Sérgio Oliveira, sem pedir licença para rematar. Ainda lhe falta muito para poder ser titular do FC Porto - só jogou face à ausência de outras opções -, mas o que tem acrescentou bastante ao FC Porto ontem. Bom jogo de Martins Indi na defesa, quase sempre certinho; Brahimi não surge num «boné» destacado porque falhou quase sempre no momento de definição: falhou poucos passes,  levou quase sempre a melhor nos dribles e ajudou a descoordenar a defesa do Vitória de Setúbal, mas depois ora dava a bola ao guarda-redes no cruzamento, ora rematava mal. Fez tudo bem até ao que importava: assistir ou marcar.






Pouca agressividade (-) - O de sempre. Num jogo pesado devido à chuva, o FC Porto foi muitas vezes macio a jogar, o que levou a que o Vit. Setúbal ganhasse a maioria das bolas divididas e os lances de jogo aéreo. Apenas 10 faltas num jogo destas circunstâncias não mostra uma equipa que é limpa no desarme, mas sim que peca na ausência de agressividade.

Pouco acerto (-) - O FC Porto teve as suas oportunidades de golo, mas não tantas quanto se possa pensar. O único golo nasce de uma bola perdida na grande área. E em 18 situações de remate criadas pela equipa, apenas cinco se traduziram em remates à baliza, o que é pouco contra uma equipa que jogou sempre em bloco baixo. O FC Porto falhou mais passes do que o habitual (79% de acerto) e poucos cruzamentos saíram bem, sobretudo a Brahimi e Layún. Com isto, mais um jogo em que Aboubakar falhou as (poucas) oportunidades que teve e em que quase não teve presença na grande área. Diríamos que se entenderia melhor num 4x4x2, mas já o vimos render e resolver no 4x3x3. Já agora: Aboubakar tem uma média de golos/jogo melhor do que Lisandro, Derlei ou Domingos. É melhor do que qualquer um destes? Não, de todo. Mas se isto não serve para o jogador ganhar confiança e continuarmos a acreditar no seu valor, nada servirá. 

domingo, 13 de março de 2016

«O estádio mais temido da Europa»

Depois da análise a este grande problema, tudo o que se possa dizer soa a repetição. E é. Um plantel desequilibrado + uma defesa de remendos, escassa em qualidade e quantidade + uma tentativa de troca de estilo de jogo a meio da época + um treinador que não é bom no processo defensivo = uma facilidade inacreditável em fazer golos ao FC Porto. Podemos entrar já nos «Machados».






Todo o processo defensivo (-) - É por demais lógico que tal aconteceria. O FC Porto conseguiu a proeza de enfraquecer as suas opções para a defesa, com a saída de Maicon. E se na apresentação de José Peseiro foi dito que «quem não conhece José Peseiro não conhece o futebol português», só quem não conhece José Peseiro pode estar surpreendido com esta avalanche de golos sofridos.

Não é mera crítica, é a realidade. Nunca uma equipa de José Peseiro defendeu bem. E se o treinador chegou a meio da época, com um setor defensivo debilitado, e tem sido forçado a mexer e remexer na defesa jogo após jogo, então não ia ser agora que o FC Porto ia começar a defender bem. Mas numa época de algumas expetativas defraudadas, esta não é uma delas: isto é tudo aquilo que se poderia esperar face à aposta que foi feita em janeiro. José Peseiro não pode estar a desiludir ninguém, pois está a ser igual a si próprio, em circunstâncias extremamente difíceis para qualquer treinador. É mais vítima e consequência do que réu, pois para ser réu teria que estar a falhar onde já mostrou resultados. Não é o caso. 

Individualidades (-) Maxi Pereira escapou à má noite de uma defesa de papel. Chidozie perde o lance em velocidade no 2x1 e no corpo a corpo com Cádiz no 2x2. Layún não esteve bem, mas não pode ser plenamente criticado: não é central. Reparem que muitas vezes, quando recebia a bola, queria arrancar e tinha sistematicamente que se proibir a si próprio de o fazer. Nos dois golos do União não fez bem as dobras, mas ter Layún no centro da defesa é sacrificar o muito que de bom pode dar à equipa. A exibição de Ángel resume-se por aqui: o União entra duas vezes pelo seu flanco para marcar dois golos. Rúben Neves um pouco macio à frente da defesa, e a Aboubakar e (sobretudo) Corona só valeram os golos marcados - decisivos, mas a exibição foi globalmente fraca.

Algumas curiosidades: com Maicon na defesa, o FC Porto sofreu uma média de 0,92 golos por jogo esta época. Desde a saída de Maicon, a média subiu para 1,5 golos por jogo. 

O FC Porto sofre golos há 7 jornadas consecutivas, coisa que não aconteceu nos últimos 10 anos, e sofreu 23 golos em 26 jornadas (o que não acontecia desde 2001-02). 

Além disso, nos últimos 7 jogos o FC Porto sofreu 12 golos; ou seja, sofreu neste curto espaço de tempo mais de metade dos golos que tinha sofrido nas primeiras 19 jornadas da liga. Isto sem aumentar a sua média de golos marcados, o aproveitamento de pontos, conseguir vitórias tranquilas (só frente ao Estoril o FC Porto venceu por mais de um golo) ou aproximar-se do topo da liga. Curiosidades, apenas.

Esta é a realidade dos números, que são intocáveis. Depois podem culpar o Maicon, o Marcano ou o Ángel. Podem culpar o azar e a falta de sorte. Podem o Lopetegui e o Peseiro. Podem culpar os árbitros. Podem culpar a administração que foi buscar Marega quando a defesa estava coxa e que, perante uma equipa que não dava garantias na defesa, foi buscar um treinador cujas equipas nunca defenderam bem. Também podem certamente culpar O Tribunal do Dragão - afinal de contas, desde que este blogue foi criado o FC Porto nunca mais ganhou títulos, pelo que há que assumir claramente as culpas neste cartório.

Podem culpar quem quiserem, pois nunca falta criatividade na hora de distribuir responsabilidades, mas a realidade é esta e a vítima é só uma: o FC Porto. Faltam oito finais no campeonato. E com a displicência de ontem, essas jornadas não nos levarão a nenhum lugar que agrade.






Héctor Herrera (+) - Um jogão. Encheu o campo e foi a referência em todos os momentos do jogo. Está muito bem no passe - acertou 90% dos passes, e além disso é sempre quem mais estica o jogo do FC Porto e colocou 4 bolas em zona de remate. Fez um bonito golo, poderia ter feito outro e esteve particularmente bem no jogo aéreo (ganhou 4 bolas de cabeça) e nas bolas divididas no meio-campo. Isto sempre com um pulmão muito acima de colegas e adversários. Noutros tempos e com maior consistência nas suas exibições (ou nas exibições da equipa), seria aquilo a que chamamos jogador à Porto.


Chegar à frente (+/-) - Uma melhoria em relação aos últimos jogos em casa: capacidade de ter mais bola (74%) e um acerto de passe ligeiramente melhor (87%). A equipa também rematou acima da média (28 tentativas) e conseguiu colocar mais bolas em zonas de perigo, com 23 passes para zonas de possível remate ou assistência. Esta é a melhoria possível de José Peseiro na equipa. Por outro lado, de pouco vale criar tanto volume de jogo, suficiente para construir um 3x0, se em dois ataques o adversário faz dois golos. Contra o Arouca seria azar. Contra o Moreirense, muito azar. Desta vez já não é azar, é padrão.

Outros destaques (+/-) - Maxi Pereira esteve novamente bem no ataque, com mais uma assistência, muito graças à visão de jogo de Sérgio Oliveira. Ainda assim, Sérgio Oliveira continua sem ter a intensidade necessária para um médio de transição do FC Porto. Sabe passar bem a bola, mas precisa de crescer em muitos aspetos do seu jogo. Além da resistência, a rapidez: tem que decidir mais rápido, e o primeiro golo do União nasce de uma perda sua. 

Segue-se a visita ao Bonfim, naquilo que é uma série de jogos que deveriam embalar o FC Porto para uma sequência de triunfos antes de receber o Sporting. Mas se o União, o Moreirense e o Arouca vão, no espaço de um mês, ao Dragão fazer 6 golos, continuaremos neste mundo ao contrário, onde qualquer equipa acredita que pode marcar e pontuar ao FC Porto.

A reter, as palavras de Norton de Matos no final. Basicamente, as mesmas de Jorge Simão ou Filipe Gouveia: qualquer treinador que vá ao Dragão diz que o FC Porto se enerva com facilidade a jogar em casa, perante os seus adeptos, e que os adversários podem sempre aproveitar. Quem vai ao Dragão já não teme o FC Porto, e os treinadores adversários já nem têm pudor em afirmá-lo. Até há bem pouco tempo era assim...

O Jogo, 08-01-2013


terça-feira, 8 de março de 2016

Um problema para resolver

21 golos sofridos em 25 jornadas. Aquela frase muito conhecida de que «os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos» faz sentido, pois a última vez que o FC Porto conseguiu ser campeão tendo tantos golos sofridos foi no ano do penta, em 1999. Porquê tantos golos sofridos?

Ironia do destino, na pré-época o otimismo era imenso:


Mas a baliza passou a ser um grande problema. Casillas leva 21 golos sofridos em 25 jogos no campeonato, enquanto Fabiano, há um ano, sofreu apenas 11 em 27 jornadas. A culpa é do guarda-redes? Não. A baliza, na verdade, é um problema: não pelo guarda-redes, mas pelos defesas que tem à frente e pelo modelo de jogo do FC Porto.

Em 2014-15, o FC Porto teve a melhor defesa da Europa. Não é mentira que isso se devia, em parte, ao modelo de Lopetegui, de transição lenta e que deixava a equipa menos exposta a riscos. Mas já esta época a equipa tinha piorado defensivamente, ao sofrer 19 golos em 25 jogos com Lopetegui.

Os muitos criticados centrais deste ano são os mesmos da época passada, exceção feita a Chidozie (cuja contratação/renovação será oportunamente analisada num próximo post). Casillas, à partida, é melhor guarda-redes do que Fabiano. Mas desportivamente Casillas não iria dar muito mais do que davam Helton ou Fabiano. A  sua contratação foi a oportunidade de ter uma lenda do futebol mundial nos quadros do FC Porto, e foi compreensivelmente aproveitada. Mas era quase impossível o FC Porto fazer melhor defensivamente do que em 2014-15. Casillas já deu e já custou pontos ao FC Porto no campeonato, como todos os guarda-redes que por cá passaram. Raramente é pelo guarda-redes que o FC Porto é ou deixa de ser campeão.

Foi nas laterais que ocorreram as mudanças mais significativas. Em termos ofensivos, Layún garante muito mais do que Alex Sandro; na comparação entre Maxi e Danilo, Maxi rende tanto ou mais nas assistências, mas tem menos golo. Defensivamente, pode-se admitir alguma perda, pois há uma diferença entre ter dois internacionais brasileiros, um pelo qual o Real Madrid paga 31,5M€ e a Juventus 26M€, e ter um lateral que veio do Watford e outro que só teve uma boa proposta (desportiva e financeiramente) depois de 8 épocas no Benfica. Mas certamente que não é por Maxi ou Layun que o FC Porto passou a sofrer o dobro dos golos.

O que sobra? O papel dos médios e dos avançados no processo defensivo? Ou uma mera série de erros individuais que os jogadores do FC Porto não cometiam na época passada (ou seja, um problema de confiança/concentração)?

O FC Porto sofre golos há seis jornadas consecutivas, algo que não se passava há 10 anos, e sofreu 3 golos em Braga, o que não acontecia desde o assalto à mão armada de Bruno Paixão em Barcelos (há mais de 4 anos). Era sabido que, com a forma de jogar de José Peseiro, a equipa passaria a sofrer mais golos, em detrimento de marcar mais e ter mais ocasiões de golo (algo que não se tem passado, mas isso seria tema para outra conversa). Mas a verdade é que grande parte dos golos que o FC Porto tem sofrido não se devem à exposição do modelo de Peseiro, mas sim a erros individuais. Demasiados erros.

O FC Porto passou de uma equipa de top a nível defensivo (mesmo sem nunca ter sido uma equipa defensiva) para uma equipa à qual qualquer adversário consegue marcar. O que tem faltado? Quiçá isto: voz de comando na defesa. Um guarda-redes e uma linha defensiva que estejam em completa sintonia, que saibam dobrar os erros uns dos outros, na qual se sinta confiança mútua.

O FC Porto não tem, neste momento, uma voz de comando na defesa. E também não tem golos sofridos na Taça de Portugal, onde Helton fez todos os jogos até ao momento. Estejam à vontade para unir os pontos. Julgávamos que a baliza tinha deixado de ser um problema, mas a defesa - ou a forma de defender - passou a ser um problema ainda maior. Seja por falta de qualidade, modelo de jogo ou erros individuais. E nenhuma equipa ganha títulos com problemas desta dimensão.

Pergunta(s): Qual a causa/solução para tantos golos sofridos?

segunda-feira, 7 de março de 2016

Consequências naturais

Aquilo que ia definir se a 25ª jornada seria boa ou má não era o jogo em Alvalade, era o jogo em Braga. Neste caso, foi péssima. O FC Porto perdeu a hipótese de voltar a depender de si próprio para se apurar diretamente para a Liga dos Campeões. E, para muitos, foi desfeita a ilusão de ainda poder lutar pelo título.

É muito difícil explicar a um adepto do FC Porto que não pode ser campeão quando a matemática ainda diz o contrário. Infelizmente, esta é a realidade em que o SC Braga tem uma equipa mais bem preparada do que o FC Porto, o que é um forte aviso para a final da Taça de Portugal.

O Xistrema não facilitou, e todos os lances de dúvida foram assinalados em prejuízo do FC Porto. O Dragões Diário abriu com críticas, mas e depois? Vão ficar por aqui? Que vai fazer a administração que no 13º mandato pouco ou nada fez nada para merecer continuar à frente do FC Porto - se isto fosse uma direção em 1º mandato eram logo corridos por incompetência e por lesar o clube em detrimento de negócios pessoais - e que quase se auto-elegeu para o 14º? O clube é presidido por gente que não luta contra os Xistremas deste campeonato. Isto é uma mera consequência.

O SC Braga tem o que o FC Porto não tem: um plantel equilibrado. Este é o plantel mais caro da história do FC Porto e o pior dos últimos 15 anos. Um plantel que chega ao mês de janeiro debilitado, mas que consegue sair do mercado de inverno ainda mais fraco. Em 42 jogos, o Braga perdeu 5. O FC Porto perdeu ontem o 11º. O Braga faz mais golos do que o FC Porto. 

Não há milagres
O SC Braga está a cumprir os objetivos em todas as competições onde está inserido, enquanto o FC Porto, para já, só está a fazê-lo na Taça de Portugal. O Braga joga um futebol estável e agradável, ao contrário do FC Porto. E tem um treinador melhor, admitindo-se a polémica desta afirmação. Mas infelizmente, continuará a haver portistas a acreditarem que a época 2013-14 foi culpa de Paulo Fonseca; tal como acham que o passado recente foi tudo culpa de Lopetegui (só podem estar satisfeitos com a troca de treinador - a equipa piorou em tudo desde a sua saída, com ou sem relação causa/efeito, ainda que não houvesse tempo ou condições para esperar melhorias); tal como agora vão achar que a culpa é de Peseiro; e tal como provavelmente vão achar que o próximo treinador do FC Porto vai ser o culpado de muita coisa. Assim continuamos até nos tornarmos no maior cemitério de treinadores de Portugal.

Peseiro tem um plantel fraco em mãos e não tem tempo para trabalhar, mas deveriam ter pensado nisso quando despediram Lopetegui, não antes de assumir que mudaram de treinador para ganhar campeonato, Taça e Liga Europa. Nenhum clube é campeão trocando de treinador a meio da época e tendo lacunas em tantas posições. O culpado não é Peseiro: é quem assumiu a mudança e quem tanto a pediu a meio da época. A raíz dos problemas é muito mais profunda.

Faltam 9 jornadas e o apuramento direto para a Liga dos Campeões ainda é possível, mas dependerá da competência da equipa nas próximas semanas. José Peseiro tem tempo para preparar a equipa, ao ritmo de um jogo por semana, e é quase impossível fazer pior do que até aqui. Pelo meio, os sócios vão ser chamados a pronunciar-se sobre a continuidade, para o clube, da administração e gestão que já quase se auto-prolongou para a SAD.

Para já ficamos à espera que Pinto da Costa e restante direção proposta para o próximo quadriénio apresentem o seu programa para o 14º mandato e o balanço do 13º. Uma análise completa em que mostrem por que é que os portistas devem votar em vocês para os próximos quatro anos; uma análise onde mostrem, no seu entender, o que fizeram de bem nos últimos três anos e aquilo que prentendem corrigir para o próximo quadriénio. Não queremos um currículo, queremos um programa. O portista que reeleger uma lista com base no seu passado e não no seu plano para o futuro é o equivalente a atirar um punhado de terra para cima do caixão.






Timidamente, a destacar (+) - A equipa entrou bem. Faz meia hora em que assume o controlo, troca bem a bola, mantém o SC Braga longe da sua grande área. Depois cedeu à pressão e o SC Braga tomou conta do jogo. Maxi Pereira foi sempre a exceção e o inconformismo. Estreou-se a marcar em vão, mas esteve sempre em luta constante pela asa direita. Danilo Pereira, entre uma ou outra má abordagem na saída de bola, voltou a ser dos melhores e tentou sempre dinamizar o meio-campo. Herrera também fez um jogo completo, de constante pressão e intensidade, tendo sido dos melhores a atacar e defender. Pequena nota para Brahimi. Sim, abusa nos lances individuais. Mas sabem que mais? Se não é ele a tentar rasgar, mais ninguém no FC Porto o consegue fazer. Numa equipa quase sem talento individual e que não funciona coletivamente, não dá para censurar o único que pega na bola e tenta desfazer a defesa do adversário. Ainda faz uma assistência e levava sempre com dois homens na marcação.






Sem defesa (-) - Na primeira meia hora, o FC Porto estava a fazer, defensivamente, o melhor jogo desde que Peseiro era treinador. A equipa não deixou nenhuma bola ir às costas da defesa. Tirando uma diagonal de Rafa, o Braga não existiu ofensivamente e a equipa jogava com segurança. Indi parecia uma parede e estava excelente na antecipação e nas dobras. Mas depois tudo se desfez, em particular nos últimos 20 minutos. O último golo sofrido de Casillas é próprio de quem pensa que se lixe isto tudo, e não tem desculpa. Indi estava perto de fazer uma grande exibição, mas depois desconcentra-se e ainda acaba expulso. Marcano foi para esquecer: teve a infelicidade de escorregar, mas oferece um golo a Hassan e não mais se reergueu. Layún não se viu no ataque, nem nas bolas paradas, e teve sempre dificuldades a defender. 

André André não consegue render se não estiver bem fisicamente. O que faz a diferença no seu futebol é a garra, o inconformismo, a forma como se batalha por cada bola dividida e procura logo uma solução mais adiantada para fazer o passe; sem estar bem fisicamente, não está à altura de ser titular no FC Porto.

As três substituições nada acrescentaram ao FC Porto - pelo contrário, a equipa piorou. A maioria das ações de Suk, por mais vontade que mostrasse, acabavam em fora-de-jogo, falta ou perda de bola, mas Aboubakar não trouxe nada ao ataque; Corona não fez um único bom jogo desde a troca de treinadores e é um jogador à parte neste FC Porto; Marega fez o seu 9º jogo consecutivo pelo FC Porto, e ao fim de 500 minutos ao serviço do clube (já jogou quatro vezes mais do que Renteria, não está mau) fez uma boa ação: encostar e marcar frente ao Gil Vicente. Admita-se a curiosidade: será que o seu empresário também ganhará X ao fim de determinado número de jogos? 

Nem tudo foi mau para todos: José Caldeira ganhou mais 100 mil euros com a titularidade de Rúben Neves. E temos que falar de Rúben Neves, em particular pelos comentários que imensos adeptos do FC Porto fizeram na sua página no Facebook. É absolutamente vergonhosa a forma como atacam o rapaz, quase culpando-o por toda a época.

Quando a massa adepta acha que a fatura da derrota em Braga tem que ser apresentada ao menino de 18 anos, culpando-o por erros que vão desde Marcano a Casillas, pela troca de treinadores, pela má gestão do plantel e por tudo aquilo que de mal tem corrido esta época... Então esses adeptos também são parte do problema. Rúben, um conselho, deixa as redes sociais por um momento, pois a internet tem o poder de amplificar grandes doses de estupidez.

Só é pena que toda essa indignação não se dirija aos verdadeiros responsáveis pelo rumo dos últimos três anos: aqueles que de facto tinham o poder e confiança para reerguer o clube que todos amamos e conhecemos, mas cujo silêncio e indiferença só tem contribuído para a sua queda.

domingo, 6 de março de 2016

Xistrema: Peseiro vs. Jesus


Este vídeo mostra Jorge Jesus, durante o Tondela x Sporting, não só a sair confortavelmente da sua área técnica, sem nunca ser repreendido, como também a ir quase até à grande área da equipa adversária. O árbitro era Carlos Xistra.

O mesmo Carlos Xistra decidiu expulsar hoje José Peseiro por este ter saído da sua área técnica. O treinador do FC Porto é expulso por fazer o que Jorge Jesus, nos últimos anos no Benfica e agora no Sporting, faz em quase todos os jogos.

O mesmo árbitro, diferentes treinadores, diferentes critérios. E é oportuno recordar o que disse Marco Ferreira:


Já esta época Lopetegui também foi expulso, frente ao Tondela, por Manuel Mota, por estar a dar indicações a André André. O FC Porto nada fez para defender o seu treinador e se insurgir contra esta injustiça. Que não cometam o mesmo erro com José Peseiro e que esta patente dualidade de critérios de Carlos Xistra seja punida.

PS: Este post foi publicado no intervalo do SC Braga x FC Porto. A análise completa ao jogo será publicada depois.