A FIFA deu razão ao FC Porto no caso Caballero. Foi um advogado do jogador, Fernando Villa, a revelar o desfecho do processo. E fê-lo com uma frase que desperta algumas questões.
«En la mañana de hoy recibimos la notificación de la FIFA. La demanda de Libertad fue rechazada, Maurito Caballero con el Oporto como jugador libre».
Ora segundo o advogado, Caballero chegou ao FC Porto livre de contrato com qualquer outro clube. E é aqui que começam as questões. Se Caballero era um jogador livre, por que é que a SAD pagou 1,53 milhões de euros, na época desportiva 2012/13, à sociedade MHD, S.A.? Curiosamente, esta era praticamente a quantia que o Libertad exigia ao FC Porto pela transferência de Caballero.
Mas outro dos advogados de Caballero disse, há 3 anos, que o FC Porto só teria a pagar 365 mil euros por direitos de formação. Então, porquê estes 1,53M€ pagos a outra daquelas empresas? - o Google ajuda como pode e diz-nos que a MHD é provavelmente um escritório situado em Chardonne, na Suíça.
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| Um jogador «livre» |
Assim sendo, e repetindo, se a FIFA diz que o Caballero era um jogador livre, por que é que se pagou 1,53M€ por ele a uma empresa da qual nada se sabe? Faz lembrar o caso de Kayembé, que tinha acabado contrato com o Standard Liège e cujo custo já vai em 3,165M€. Demagogia, dirão alguns, mas estes 4,7M€ pagos por dois miúdos que estavam livres já davam para comprar um central jeitosito...
Curiosamente, o Football Leaks chegou a divulgar um contrato de acordo entre o FC Porto e Ricardo Rivera, de janeiro de 2013, que trazia informações diversas sobre o negócio. Mas o mesmo não foi analisado, pois faltavam as assinaturas que validariam o documento, que também não estava timbrado.
Entre as diversas cláusulas que estavam previstas: o FC Porto pagaria 30% da mais-valia futura de Caballero acima de 2M€ ao seu agente; o FC Porto inicialmente não ficaria com 100% do passe, mas teria opções de compra progressivas, por valores assustadores: mais 10% por 2M€; se Caballero fizesse 20 jogos pela equipa A, mais 10% por 2M€; por mais 20 jogos, mais 2M€ por 10%. Ou seja, só por 30% do passe, Caballero custaria 6M€. Felizmente, até onde se sabe, não se seguiu por esta via. Das duas, uma: ou o agente era louco por apresentar uma proposta assim ao FC Porto, ou então achava que havia duas pessoas loucas o suficiente para assinar este acordo na SAD do FC Porto.
Mas este documento mostrou também o envolvimento da Northfields Sports BV, uma empresa que se sabe ser ligada a Marcelo Simonian, empresário próximo de Antero Henrique para diversos negócios na América do Sul, desde Lucho González a Víctor García. Empresa essa que está diretamente associada a uma novidade que hoje se conhece.
O R&C do primeiro trimestre mostrou que o FC Porto pagou uma mais-valia sobre Jackson Martínez à Northfields Sports BV, cerca de 2M€, sem se perceber porquê. A SAD sempre declarou ter 100% dos direitos económicos de Jackson Martínez, até que depois de Jackson ter renovado a SAD atribuiu 5% da futura transferência ao felizardo Henrique Pompeo - que depois andou a ameaçar publicamente o FC Porto pelo impasse nas negociações com o Atlético.
Mas o Football Leaks mostrou hoje uma carta enviada por um representante da Northfields Sports à SAD, a 14 de julho de 2015, a notificar o FC Porto para o pagar de 10% da mais-valia acima de 9,57M€ (Jackson Martínez tinha custado, no total, 9,63M€ - 8,887M€ por 100% do passe e 750 mil euros de encargos). E na carta é dito que este acordo foi celebrado a 15 de julho de... 2012. Ou seja, uma semana depois de Jackson Martínez ter sido contratado ao Jaguares. Se o negócio com o Jaguares foi fechado a 7 de julho, porquê a celebração deste acordo para cedência de uma mais-valia de 10% uma semana depois? Os documentos também mostram o que se suspeitava: o Atlético não bateu a cláusula de rescisão de Jackson; pagou, isso sim, os 35M€ numa só tranche. São coisas diferentes, pois se o Atlético tivesse batido a cláusula o FC Porto não teria que pagar mecanismos de solidariedade, nem comissões à Gestifute (aliás, note-se que o FC Porto, aquando da venda de Jackson, pagou comissões a pelo menos 3 entidades diferentes: Pompeo, Gestifute e Northfields Sports. Que trabalheira!).
Entretanto, foi também divulgada a situação da partilha de passes de uma série de atletas do FC Porto na data de encerramento do relatório e contas semestral de 2014-15. Há muitos casos que merecem análise, mas um acima de todos: Rúben Neves. Já tinha sido noticiado, aquando da sua renovação de contrato, que José Caldeira tinha tido intervenção na assinatura do novo acordo. Mas não nos termos que o Football Leaks dá a conhecer - e que o FC Porto está, desde o primeiro dia, à vontade para desmentir.
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| A renovação de Rúben Neves |
Alguém imagina que foi Rúben Neves a sentar-se à mesa na SAD e a fazer a seguinte exigência: «Ora bem eu concordo em renovar contrato, mas quero que o José Caldeira, irmão do administrador da SAD Adelino Caldeira, seja compensado e bem compensado»?. Isto não é uma transferência internacional. Não envolve conversações entre clubes, nem com fundos, nem sequer com partilhas de passes ou múltiplos empresários. Rúben Neves era um atleta da formação do FC Porto, que nem tinha empresário quando assinou o seu primeiro contrato profissional. Então porquê meter José Caldeira no papel de intermediário, se as coisas seriam facilmente resolvidas entre atleta e clube?
5% podem parecer réstias, mas não são. Rúben Neves continua a ser um dos jovens de 18 anos mais promissores do planeta, e não será difícil imaginá-lo a ver ser transferido por 40M€ a médio prazo. Ora 5% de 40M€ são 2 milhões de euros. Dar potenciais 2M€ a um empresário numa renovação de contrato de um jovem de 17 anos é coisa que se calhar nem o Real Madrid ou o Barcelona fazem. É uma renovação, não uma contratação.
Isto já para não falar do eterno possível conflito de interesses. José Caldeira é irmão de Adelino Caldeira, administrador da SAD. Ninguém pode ficar chocado só por este negócio, pois não é um caso isolado. Alexandre Pinto da Costa intermedeia vários negócios do FC Porto, mesmo sem ser o empresário dos jogadores em causa. Afzal, aqui descrito como o ex-cunhado de Antero Henrique, também já fez muitos negócios como intermediário para o FC Porto. E até o genro de Pinto da Costa já foi associado a negociações em nome do FC Porto.
José Peseiro disse hoje que o caso de Maicon vai ser tratado «dentro da família». Ironicamente, parece mesmo que há muitas coisas a ser tratadas em família no FC Porto.























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