sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Relatório e Contas 2018-19 (três anos depois...)

Faz amanhã, 12 de outubro, três anos. Fernando Gomes, responsável financeiro da SAD do FC Porto, assumiu, mediante a apresentação de custos com pessoal de 75,8 milhões de euros, que era altura de «conter e tomar um novo rumo». A folha salarial atingiu custos incomportáveis para qualquer clube português e, sobretudo, para um clube que viria a ser visado pelo incumprimento do fair-play financeiro da UEFA. Por isso, foi altura de traçar um plano:

Jornal O Jogo, 12-10-2016
Fernando Gomes traçou e assumiu o plano e os objetivos. A folha salarial do FC Porto tinha ultrapassado os 75 milhões de euros. Era, por isso, intenção da SAD fazer com que ela fosse reduzida em 20 milhões de euros, passando o FC Porto a ter assim custos com pessoal na ordem dos 55 milhões de euros. «Três anos», foi o prazo traçado por Fernando Gomes e pela SAD. Cumpridos esses três anos, eis os resultados.

Relatório e Contas da FC Porto, SAD, 2018-19
A conclusão é óbvia. Não só a SAD não conseguiu reduzir a folha salarial em 20 milhões de euros como quase a conseguia aumentar nesse valor. Ao invés dos estimados 55 milhões de euros, o FC Porto fechou a época 2018-19 com custos com pessoal de 91,64 milhões de euros, os mais altos da história da SAD.

Fernando Gomes, aqui citado pelo JN, tem uma justificação: «Deveu-se, sobretudo, a três situações. As rescisões de contrato com os jogadores Bueno e o Bazoer, ao ajustamento dos contratos pela conquista do campeonato da época passada e os prémios extraordinários face à passagem da fase de grupos da Liga dos Campeões».

Portanto, rescindir o contrato de dois jogadores, um deles que até estava apenas emprestado, passar a fase de grupos da Liga dos Campeões (e a chegada aos quartos-de-final, certamente também considerada) e a revisão dos contratos pela conquista do Campeonato justificam este abismal aumento? Nada que surpreenda, tenho em conta que já tinha sido esta a linha de orientação de Fernando Gomes na apresentação das contas da época passada: ««Tínhamos previsto reduzir os Custos com Pessoal e eles subiram por uma questão muito simples: como fomos campeões nacionais, tivemos de pagar prémios ao plantel e à equipa técnica. Isso representou um encargo adicional de 6 milhões de euros, mas ainda bem que o tivemos». 

Apresentar as contas da SAD portista aparenta ser uma das tarefas mais fáceis no universo financeiro. Não se cumprem metas ou objetivos? Ou se culpa o insucesso desportivo (a não-qualificação para a Champions terá o devido impacto na apresentação do orçamento 2019-20), ou culpa-se o sucesso desportivo («pagámos mais do que o previsto porque tivemos que pagar prémios»). Não esquecer que o FC Porto, à partida, prepara cada época a pensar em ser campeão nacional e em passar a fase de grupos da Liga dos Campeões. Chegar ao final da temporada e alegar a surpresa de ter que ter pago prémios por rendimento desportivo, quando este já estaria orçamentado, é um tanto ambíguo. 


Aguardamos a publicação do Relatório e Contas completo da época 2018-19 para a devida e mais profunda análise. Ficam, para já, os principais tópicos dos Proveitos e Despesas Operacionais.

No orçamento de 2018-19, a SAD estimava custos de 135 milhões de euros (sem incluir despesas com transações de passes). Os custos atingiram os 150 milhões de euros, essencialmente pelo aumento nas despesas com pessoal e por mais uma subida nos FSE. 

Em relação aos Proveitos Operacionais, estamos perante os maiores da história da SAD, muito graças ao rendimento de Sérgio Conceição e dos jogadores na Liga dos Campeões 2018-19. O FC Porto estimava proveitos de 156 milhões de euros, mas os resultados atingiram os 176 milhões. Só as receitas na UEFA significaram um encaixe de 80 milhões de euros, mas o R&C apresenta uma alínea que não estava prevista no Orçamento: «Outras Prestações de Serviços», que acrescentaram 8,5 milhões de euros às contas. 

Conforme esperado depois da boa campanha da Champions e das excelentes vendas de Felipe e Éder Militão, o FC Porto terminou a época financeira 2018-19 com lucro, que ascendeu a 9,47 milhões de euros (há um ano, a SAD estimava 1,5 milhões de lucro).

O passivo e o ativo sofreram ambos reduções.  O ativo total líquido caiu em 52,75 milhões de euros, um pouco menos do que o passivo (-56 milhões), «que se situa agora nos 408,1 milhões, essencialmente devido à diminuição do valor global dos empréstimos», especifica a SAD. Este saldo significa capitais próprios negativos de 34,8 milhões de euros, o que mantém a SAD numa situação de falência técnica. A análise ao R&C será aprofundada quando o resultado completo for disponibilizado na CMVM.

11 comentários:

  1. Por favor, nunca acabem. O Porto caminha a passos largos para o abismo. As sanguessugas aumentam de número e tamanho e vão cercando o clube a cada ano que passa...
    Vocês são uma peça fundamental para que exista uma viragem neste paradigma. É necessário alertar os sócios. É necessário consciencializar os sócios para, em AG, pormos em causa cada uma destas pessoas. Exigir respostas, demissões, mudanças. Assim, vamos rumo a uma "operação coração" em meia dúzia de anos... ou pior.

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  2. Este Fernando Gomes, por onde passou as coisas nunca correram bem, porque é q agora havia ser diferente... Ainda estou por perceber como foi parar ao FCP.

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  3. A. Em 30/6/15 (o 1º balanço apresentado após a incorporação do estádio na SAD o valor do passivo era de 276 milhões de euros. Em 30/6/19 o passivo aumentou para 408 milhões. Mais 132 milhões. Um aumento de 48%. Em 4 anos.

    B. Em 30/6/14 (ano em que Dr Fernando Gomes assumiu funções na SAD as receitas da SAD (antes de mais valias de jogadores e de receitas de UEFA) eram de 60 milhões de euros e os custos totais da SAD eram 137 milhões, ou seja, para chegar ao final do anos sem prejuízo, a SAD precisava de obter (entre vendas de jogadores e receitas da UEFA) 67 milhões de euros.

    C. Em 30/6/19 as receitas da SAD (antes de mais valias de jogadores e de receitas de UEFA) eram de 92 milhões de euros e os custos totais da SAD eram 210 milhões, ou seja, para chegar ao final do anos sem prejuízo, a SAD precisava de obter (entre vendas de jogadores e receitas da UEFA) 118 milhões de euros.

    D. Resulta de B. e C. que (em resultado do aumento de custos de 73 milhões de euros/53% em 4 anos) houve um aumento de 51 milhões de euros /76% no montante que é preciso obter de receitas “não certas” para não se registar prejuízos.

    E. Nos últimos 5 anos o Porto conseguiu 2 dos 20 títulos nacionais em disputa

    Em resumo descalabro financeiro e desportivo.

    Ninguém assume responsabilidades?

    Dr Fernando Gomes? Sr Pinto da Costa?

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  4. Sinceramente.
    Levar as maos ao ceu e rezar incessantemente, para que haja algu extraordinario e rolem cabecas na SAD.
    Mais 4 anos e podera ser tarde muito tarde.

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  5. Desde que este senhor se encontra no poder que o passivo do clube duplicou senão fosse a ida á Champions tinha sido ainda mais desastroso, não fosse este senhor um dos amigos de Pedro Pinho que está a levar o FCP á ruina!

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  6. https://twitter.com/Joosanchez6/status/1184894222320709634?s=19

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