domingo, 24 de setembro de 2017

A sétima

Sete jogos, sete vitórias e confiança renovada antes de um difícil ciclo de três jogos fora de casa, em que estarão em jogo a liderança do campeonato e, muito possivelmente, o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. 


A Champions representa outro tipo de exigência e Alvalade é o estádio mais difícil para o FC Porto em Portugal, mas todo o percurso da equipa de Sérgio Conceição até ao momento só merece elogios e vai dando provas de superação. Pegar num plantel já sem cultura de campeão, numa lista de dispensas e sem ter direito a um único reforço e, ainda assim, ter um dos 3 melhores arranques da história do clube, o segundo melhor ataque em 60 anos e a segunda melhor defesa em duas décadas dispensa quaisquer tipo de elogios: é uma qualidade de trabalho que fala por si própria. 

Sérgio Conceição reergueu o espírito competitivo do FC Porto em dois meses de campeonato e leva-o a Alvalade invicto e na liderança isolada. Um percurso que não se idealizaria com este plantel e, provavelmente, com nenhum treinador no início da temporada. 

Quando chegou, Sérgio Conceição disse que, para ele, jogar bem era vencer. A equipa joga bem e vence. Que mais se pode pedir?




Yacine Brahimi (+) - Uma noite em cheio. Sorte no primeiro golo, mestria na condução e conclusão no segundo. Uma vez mais, voltou a ser o jogador que mais vezes recuperou a posse de bola, falhou apenas um drible e atirou 4 vezes à baliza, tendo sido bem mais incisivo e prático junto à grande área quando comparado com os últimos jogos. Falhou alguns passes, mas nas ações individuais tudo lhe correu de feição para o seu melhor jogo nesta temporada.


Miolo (+) - Certinhos, dinâmicos, rijos. Herrera e Danilo asseguraram uma eficácia de passe de 95% no meio-campo e, sem a criatividade e amplitude de Óliver na zona central, o mexicano compensou com velocidade, agressividade e um jogo mais direto que favoreceu a equipa. Herrera fartou-se de correr, interceptar e pressionar, e ainda assim ainda foi o jogador que mais ocasiões de golo criou (três). Abusou no número de faltas e não ficou bem no primeiro golo do Portimonense, mas libertou muitas vezes Danilo do trabalho defensivo - praticamente só teve que ganhar lances pelo ar e não falhou um único passe. Ninguém poderá questionar Sérgio se optar por manter este miolo, ainda que continue a ser difícil imaginar que o melhor FC Porto não tenha Óliver no 11.

Eficiência africana (+) - Um golo e uma assistência para Marega, um golo e uma (com a colaboração de Herrera) assistência para Aboubakar. O camaronês, uma vez mais, parece que tem mais facilidade em marcar carambolas ou recargas, enquanto Marega teve uma finalização perfeita após grande jogada de Corona (grande envolvência nos dois golos, mas com a forma intermitente que já lhe é caraterística). Isto atesta influência e eficiência mesmo sem necessariamente fazer grandes jogos no envolvimento coletivo da equipa. O que não continua, de todo, a ser o caso. 

Há a opinião e há os factos. Dizer que é bom ou mau é opinião. Isto são os factos: Marega voltou a ser o jogador que mais vezes perdeu a bola, só passou uma vez por um adversário e foi o que mais passes falhou - fez apenas dois passes para a frente em 90 minutos, de resto sempre a jogar para trás (Aboubakar similar, com apenas quatro jogadas para a frente). Isto não é teima ou desvalorização, é o que aconteceu em campo. O que aconteceu também em campo é que Marega não desperdiçou a oportunidade de matar o jogo e que, apesar de só ter feito dois passes para o ataque, num deles deu o golo a Brahimi. Isto foi o bom. O resto foi mau. E o bom sobrepôs-se ao mau, porque rendeu golos ao FC Porto. 11 golos em 7 jornadas, e seis delas tiveram golos da dupla africana reabilitada por Sérgio Conceição, pelos atletas e, também, pelos adeptos, que souberam puxar por jogadores outrora proscritos. 




Acorda, rapaz (-) - Nenhuma equipa desaprende a defender em três jogos. Mas como é claro, sofrer 6 golos em 3 jogos, em vésperas de 3 difíceis deslocações em que o FC Porto muito possivelmente atacará menos do que os adversários, é motivo de preocupação. E nesse epicentro está Felipe, de há umas semanas para cá uns furos abaixo dos colegas. Tem adornado demasiado na saída de bola, complica o que antes resolvia com um pontapé, está a perder vários lances no corpo a corpo e foi completamente comido no lance do 3x1, com um mau timing de entrada sobre o adversário e corte falhado - no lance do 5x2, reparte culpas com Marcano, pois o defesa do Portimonense finaliza entre os dois centrais. Felipe tem que subir de rendimento para os jogos que aí vêm, até porque vai ter muito mais trabalho do que o que vem tendo nos últimos jogos.

A concluir: o FC Porto regressa à liderança isolada do Campeonato, pela primeira vez desde dezembro de 2015. Na altura, depois da subida ao primeiro lugar, seguiu-se uma derrota em Alvalade, despediu-se o treinador e a equipa mergulhou numa declarada crise de confiança e resultados; serve também isto para lembrar que um percurso de 644 dias pode ser destruído no espaço de duas semanas. Cabe aos adeptos não permitirem que isso se repita, pois Sérgio Conceição e o plantel não merece outra coisa que não total compromisso e apoio.

11 comentários:

  1. Isso é muito bonito, mas mesmo que o clube estivesse longe da falência, isto não é o Real e James, Hulk e Falcao é uma vez na vida. Folha, Tarik, Mariano, Herrera, Marega e muitos outros são o que há e o que é preciso aproveitar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Colocar Folha ao nível de Mariano, Herrera e Marega é ter memória curta. Ao nível desses três só Barroso, Chainho e Paredes. Mas, para mim, o pior de todos é, obviamente, Herrera.

      Eliminar
    2. Memória curta, ou era muito novo, ou nunca liguei assim tanto à bola. Ou os três.
      Mas não é essa a questão, não dá para serem todos craques e às vezes o importante é não deitar abaixo os que estão, correm, e têm sucesso. Porra, até esses 3 que mencionou deram vitórias, pelo que me lembro.

      Eliminar
  2. pois.......uma prova que oliver nao esta no atl madrid so porque e macio e lento apesar de jogar benzinho. Bom jogo, alegria, agora sofremos 2 mas marcamos 4, repito com 3 a 2 medios intensos os 90 minutos dificilmente perderiam os um jogo mesmo la fora. E corona la fez duas assistencias menos mau. E realmente filipe quer mostrar uma coisa que nao e, e parece ficar envergonhado quando deve entrar com intensidade e nao o faz perdendo os lances. A entrada de reys foi um aviso.

    ResponderEliminar
  3. (sic) "Cabe aos adeptos não permitirem que isso se repita, pois Sérgio Conceição e o plantel não merece outra coisa que não total compromisso e apoio."

    Muito bem...apenas e só isto...se o fizermos como devemos também estaremos a contribuir com a nossa parte para aquilo que todos desejamos: o título de CAMPEÃO! E que ninguém se iluda: é tão importante este apoio e carinho como o são as defesas de Iker ou os passes de Oliver ou os golos de Aboubakar...tudo conjugado fará a diferença que se impõe!!

    ResponderEliminar
  4. Boas...

    Parece-me evidente que um meio campo só com dois jogadores, não pode ter Oliver. Mas um meio campo a 3, como em boa parte da segunda parte pode e deve ter Oliver. Como disse há bem pouco tempo, sou adepto do meio campo a 3, pois dessa forma podemos anahr outro tipo de opções no meio e no ataque. Pois assim Corona por exemplo poderia ficar no banco de vez em quando e Marega também.

    Acho que o jogo com o Besiktas fez "abrir" os olhos à equipa relativamente à fragilidade de um meio campo a 2 e espero sincerametne que ainda iremos a tempo de recuperar o desaire da 1ª jornada da champions.

    Nota final para o Brahimi... Que bom é ter de volta o argelino da primeira temporada. Que delícia de jogador, que finta quando deve e solta quando deve também. Está a ficar em ponto de rebuçado para um grande encaixe para a SAD no final da época que agora corre.

    Cmpts

    ResponderEliminar
  5. "Na altura, depois da subida ao primeiro lugar, seguiu-se uma derrota em Alvalade"

    Odeio estas coincidências, só espero que a história seja diferente desta vez.

    ResponderEliminar
  6. A pouca vergonha continua. Esse incompetente de projecto de ser humano que ganha balúrdios para fazer só merda nos relvados portugueses conseguiu descortinar uma expulsão de um jogador para beneficiar o seu clube de coração. O porto não estará de uma vez por todas no tempo de acabar com isto? É que já chega. É como agora o outro que vai para a FIFA é que acordou para dizer que o futebol português tem que entrar num clima de pacificação. Quer dizer enquanto os mouros ganharam não havia crise nenhuma agora que o nosso porto vai em primeiro já é preciso fazer alguma coisa. Hipócrita.

    ResponderEliminar
  7. É espantoso como Herrera, o pior jogador da história do FC Porto, é ciclicamente ressuscitado, como se fosse possível apagar toda a sua mediocridade, como se fosse possível apagar os anteriores miseráveis quatro anos, de mediocridade e vergonha sem paralelo, dos quais, Herrera, foi o seu principal rosto, a sua principal evidência.
    Herrera tem sido um pesadelo, sem fim à vista, sem que alguém tenha a consciência da necessidade imperiosa de o mandar para o raio-que-o-parta: se Herrera não fizesse parte do plantel, acredito, sinceramente, que Lopetegui e o medroso Nuno Espírito Santo, teriam sido campeões; nunca esquecerei os seus cinco minutos de jogo, no Dragão, contra o Benfica, o ano passado, que nos roubou o título; ele foi a “causa” da desmotivação, da destruição, do empréstimo e da venda de jovens talentosos jogadores, muito melhores do que ele; ele foi a “causa” das alterações tácticas, das amarras defensivas e do futebol deplorável a que a equipa foi obrigada.
    Os adeptos do FC Porto não têm massa crítica: basta o azul e branco das camisolas para serem todos bons, para serem todos os melhores. No Benfica, bastou aquela obra de arte de Mário Jardel, na sublime desmarcação e soberba concretização, para que Soares, central do Benfica, nunca mais jogasse de encarnado vestido.
    Herrera pode disfarçar a sua mediocridade em compita com adversários de menor valia, mas nunca o fez, e nunca o conseguirá fazer, em confrontos de levada competição e elevada dificuldade.
    Iremos ter a prova disso, hoje mesmo, no Mónaco.
    Em Alvalade, com Herrera a titular, não ser goleados, já será uma “vitória”.
    Neste tipo de jogos, o jogador Herrera não existe, é um autêntico jogador faz-de-conta: parece que está, mas nunca está; parece que anda, mas nunca anda; parece que pressiona, mas nunca pressiona, parece que tem qualidade de passe, mas só entrega a bola ao adversário, parece desenvolto, mas ao mínimo espirro ou bafo do adversário, é perda da bola pela certa. Enfim, mais parece um “zombie” a correr a trote (camara lenta) no relvado.
    Eu não falo depois dos resultados. Eu não venho para aqui proclamar uma falsa e hipócrita “sabedoria”. Eu assumo a minha opinião antes dos acontecimentos. Há quase cinco anos que eu luto contra semelhante fantasma, que tem destruído a nossa memória e a nossa credibilidade futebolística.
    Há quase cinco anos que esta maldição é vergonhosamente repetitiva.
    Vamos ver o que acontece com Sérgio Conceição, que há um mês atrás nos deliciava com um futebol colectivo e de alto gabarito, com pressão constante e muito alta, com a defesa altamente subida, com os adversários asfixiados na sua defesa e zona de construção, com grande qualidade de passe ao primeiro toque, e com um futebol apoiado, no qual era perfeitamente visível um quadrado flutuante de quatro jogadores, sempre ao lado da bola, em qualquer zona do relvado, que permitia essa qualidade de passe e uma rapidíssima recuperação da bola.
    De repente, a partir do jogo em Tondela, Sérgio Conceição, certamente tomado pelo medo de Braga, de Vila do Conde, da Champions e de Alvalade, começou a, ligeiramente, fazer regredir o futebol da equipa para os parâmetros de Nuno Espírito Santo, com a defesa amarrada à entrada da área, com o isolamento do meio campo num vastíssimo território, com um futebol mais directo (que prejudica a posse e a recuperação) e com um individualismo mais acentuado. Foi este aparente “regresso” à mediocridade que nos derrotou frente ao Besiktas: não a quantidade ou qualidade do plantel.
    Com aquele futebol que, há um mês atrás, nos encantava e nos devolvia a esperança, só as melhores equipas teriam argumentos para nos derrotar.
    Naquele futebol que, há um mês atrás, nos encantava e nos devolvia a esperança, nunca Herrera, Marega e Maxi poderiam ter lugar.
    Há quase cinco anos que, incompreensivelmente, no FC Porto a prioridade principal é arranjar e garantir lugar de Herrera, como titular: acima da conquista de títulos e acima da evolução e confirmação dos muitos, nossos, jovens talentos.

    ResponderEliminar
  8. 5 golos em 7 jogos também são factos, e não opiniões. O Marega nunca será um fora de série, nem sequer teve escola para isso, mas a sua valia nesta equipa não pode ser posta em causa.

    Naturalmente que um dia vai falhar golos "certos", como Abou e Soares também já falharam, e nesse dia vai-lhe cair tudo em cima. Não duvido que há muita gente há espera desse jogo (que até pode já ser o próximo) para vir de peito cheio dizer que tinha razão e que um cepo é sempre um cepo.

    ResponderEliminar

De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

Quem confundir liberdade de expressão com injúria, insulto, mentira ou difamação não passará pelo lápis azul. Todo o spam será apagado. Comentários anónimos são susceptíveis de não serem publicados. Nicknames são permitidos.