quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Pontapé de saída

Quem não se lembra do colinho que até atropelou os regulamentos da FIFA? Tiago Martins e Fábio Veríssimo foram promovidos a árbitros internacionais contra as diretrizes da FIFA, que indicam que os árbitros «devem ter arbitrado regularmente na principal divisão do seu país durante pelo menos dois anos».

Tiago Martins foi promovido quando tinha dois jogos de Primeira Liga, enquanto Fábio Veríssimo, no espaço de um mês, passou de árbitro na distrital a árbitro internacional.

Entretanto, mudou a mosca, mas o resto permaneceu intacto. Saiu Vítor Pereira, entrou José Fontelas Gomes. Mas não sem em novembro último Vítor Pereira pisar, uma última vez, as recomendações da FIFA. João Pinheiro, então com 27 anos e apenas dois jogos de Primeira Liga, foi promovido a internacional, juntamente com Sérgio Piscarreta, que em 2015 passou do C2N3 para a primeira categoria. E que bem correu.


Piscarreta foi despromovido no ano seguinte não só à sua promoção à primeira categoria mas também no seu ano de estreia como árbitro internacional. Isto no ano seguinte à histórica descida de Marco Ferreira, que logo depois abandonou a arbitragem e revelou o que passava nos bastidores. Nunca será de mais lembrar. 


O Conselho de Arbitragem não só promove árbitros contra as diretrizes da FIFA como é capaz de, no ano seguinte, despromover o mesmo árbitro. É histórico para Piscarreta. Nenhum outro campeonato na Europa tem um caso idêntico. 

E agora vemos a ascensão de João Pinheiro, um jovem árbitro, agora de 28 anos, que foi promovido a árbitro internacional em novembro de 2015 - um mês após ter apitado pela primeira vez um jogo grande, no caso um jogo do Benfica na Taça de Portugal. Tirando isso, tal como Tiago Martins, tinha apenas 2 jogos de Primeira Liga na carreira. 

João Pinheiro foi um de 11 árbitros a declarar apoio a José Fontelas Gomes na corrida à presidência do Conselho de Arbitragem, num elenco de luxo que contava com nomes como João Capela, Carlos Xistra, Bruno Paixão, Jorge Ferreira e Manuel Mota. E agora, na primeira época completa que terá Fontelas Gomes como presidente do CA, o jovem árbitro vai estrear-se num jogo grande da Primeira Liga.

Qual? O Tondela - Benfica. Oxalá o jogo corra bem, pois seria tramado um jovem e promissor árbitro, internacional aos 27 anos, ficar desde logo manchado pela histórica dificuldade do Benfica em começar os campeonatos a vencer.


Está dado o pontapé de saída para a carreira de Fontelas Gomes à frente do CA, na mesma jornada em que Fábio Veríssimo, outro internacional precoce, vai arbitrar o FC Porto, enquanto Carlos Xistra vai dirigir o Sporting. Sporting esse que merecerá todo o interesse em ser seguido durante a época 2016-17, em particular a sua equipa de juvenis, que contratou o talentoso Alexandre Gomes. Que só por mera e impertinente coincidência é filho de José Fontelas Gomes. Aquela perguntinha que irrita: o que se diria se fosse o FC Porto?

PS: Já foi dito praticamente tudo sobre o caso Depoitre. Ninguém sabia que o jogador não podia ser inscrito para o playoff da Champions. Mas a quem gere os destinos do FC Porto é sempre exigível muito mais. E nem é exigir assim tanto, basta saber os regulamentos das provas em que o clube está inscrito. O presidente confirmou que o assunto foi tratado com máxima celeridade, enquanto estava a acompanhar a Volta, e Depoitre chegou ao Porto na companhia de D'Onofrio às 2 da manhã. Pinto da Costa diz que foi inscrito com o objetivo de estar disponível para a Champions. Ou seja, não houve nenhuma reserva ou cautela assumida, pois a verdade é que o FC Porto julgava que o jogador podia jogar. Não podia, até porque o regulamento não permite diferentes interpretações. Felizmente o «esclarecimento» publicado pelo FC Porto não é assinado pelo Conselho de Administração, senão a vergonha seria ainda maior. Ou então é maior ainda por não ser diretamente assumido, e por ter que ser Nuno Espírito Santo (já começa!) quem teve que responder às questões sobre esse tema.

Depoitre vs. pré-época
Mas de facto, é confusa a questão de contar com Depoitre já para o playoff da Champions. Conforme foi defendido no post anterior, o FC Porto passou toda a pré-época a treinar e a trabalhar um esquema no qual Depoitre não encaixa (pelo menos nunca tão bem como André Silva). E era com uma semana de trabalho que ia já ser opção contra a Roma? As caraterísticas de Depoitre são mais importantes do que os mais de 50 treinos que Nuno fez com o plantel? É verdade que meter um ponta-de-lança forte na grande área para o chuveirinho não é a tática mais complicada de se trabalhar, mas o FC Porto teve quase 2 meses para preparar uma dinâmica de jogo forte, em que se assuma e possa confiar em André Silva. Se Depoitre iria fazer falta, tinha que ser contratado muito antes, não em cima do fecho das inscrições. A demora tem uma palavra, a mais utilizada nos últimos três dias: amadorismo. Um erro que não víamos em Portugal desde que o Sporting, de Godinho Lopes, tentou inscrever Marius Niculae (com as devidas diferenças, de bem maior gravidade pendente para o FC Porto). Bater no fundo não é perder com o Tondela, é ter um ato de gestão só à altura do Sporting de Godinho Lopes. 

Embora Depoitre tenha sido contratado com o objetivo de estar já disponível contra a Roma, não foi contratado para jogar apenas o playoff. A época será longa e oxalá consiga revelar utilidade em jogos futuros. De preferência antes do final do mês. Porque se acham que já seria útil com uma semana de treinos, então isso só pode deixar água no boca para quando tiver um mês de trabalho.

O FC Porto começa amanhã um campeonato para o qual não é favorito. Não, o FC Porto não é favorito para ser campeão em 2016-17. E o que é isso de ser favorito? Basicamente, aquilo que o Bayern Munique era na final da Taça dos Campeões Europeus de 87, ou aquilo que o Manchester United era nos oitavos de 2004, ou aquilo que a França era no Euro 2016. O padrão está bem claro: o favoritismo cai quando se depara contra uma equipa onde todos remam para o mesmo lado, em prol do bem comum e maior. O problema existe quando acham que isto tem que começar pelos internautas, e não pelos superiores. A Nuno Espírito Santo e ao plantel uma mensagem de força e incentivo. Enquanto lutarem pelo FC Porto, os portistas lutarão com vocês.

PS2: Só para lembrar. O International Board aprovou uma série de alterações nas leis de jogo para esta época, que o FC Porto vai estrear em Vila do Conde. Era só mesmo para lembrar. Não vá alguém esquecer-se dos regulamentos. 

6 comentários:

  1. Quais são essas alterações às leis de jogo?

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  2. "O FC Porto começa amanhã um campeonato para o qual não é favorito. Não, o FC Porto não é favorito para ser campeão em 2016-17. E o que é isso de ser favorito? Basicamente, aquilo que o Bayern Munique era na final da Taça dos Campeões Europeus de 87, ou aquilo que o Manchester United era nos oitavos de 2004, ou aquilo que a França era no Euro 2016. O padrão está bem claro: o favoritismo cai quando se depara contra uma equipa onde todos remam para o mesmo lado, em prol do bem comum e maior. O problema existe quando acham que isto tem que começar pelos internautas, e não pelos superiores. A Nuno Espírito Santo e ao plantel uma mensagem de força e incentivo. Enquanto lutarem pelo FC Porto, os portistas lutarão com vocês."

    "Chapeau" para vocês, este paragrafo, vale pelo post. Façam-me um favor, vamos unir e não desunir. Vamos criticar, mas de forma construtiva sem "rasgar" de forma ostensiva!

    E por favor, não sigam a linha Editorial da Bolha, sobretudo, porque deixam de ser um excelente cartão de visita do Portismo!

    Nota final, não somos favoritos ao Campeonato, mas acredito muito mesmo que uma Equipa supere o favoritismo que tudo e todos já atribuiram a outros... Vamos lutar pelo que é nosso até à Jornada 34, o Nuno e bem tem relevado apenas e só a Equipa, e o ultimo Europeu, é um bom exemplo do que é uma Equipa com maísculas!

    PT

    P.S. João Pinheiro, o benfiquista de Famalicão, uma réplica mais elaborada (o rapaz é doutor das leis) do benfiquista de Fafe ou o "heroi da Mata Real"!

    PT

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  3. Enquanto leitor assíduo do TdD, sempre apreciei o rigor nos post´s que aqui colocavam. Por isso a bem desse rigor venho aqui fazer alguns pequenos reparos:
    1- As orientações para indicação de árbitros à categoria internacional são isso mesmo, orientações. Cabe a cada federação por iniciativa do seu Conselho de Arbitragem, propor os árbitros indicados a essa categoria. E aqui é que se coloca a questão, os árbitros não têm de ter obrigatoriamente de ter 2 anos no principal escalão, mas sim sugere-se essa experiência. Se não a própria UEFA ou FIFA tinham vetado esses dois árbitros.
    2 - Fábio Veríssimo não era árbitro distrital. É árbitro desde 2001 e subiu aos quadros nacionais (antiga 3ª divisão) em 2005. Desde essa data até hoje, sempre esteve nas categorias nacionais.
    O que aconteceu e é normal, alguns árbitros de "topo" vão fazer jogos ao distrito quando o grau de dificuldade é grande.
    3- o Benfica ganhou a primeira jornada do ano passado. Salvo erro ao vencer o Estoril.

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  4. Um caso que ainda nao foi comentado e que considero bastante grave: Indi. Nao sendo um grande central, é na minha opiniao o menos mau dos que herdamos do ano passado, para alem de ter sido um dos capitaes e pelo que sei ter algum peso no balneario. Faz sentido encostar indi e manter chidoze e reyes? Porquê envia-lo para a equipa b?

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  5. O FCP tem que fazer o seu trabalho, isto é, ganhar os jogos contra as equipas pequenas. São estes tipos de partidas em que se ganham ou perdem campeonatos. Devido ao orçamento do plantel nao há desculpas para derrotas do tipo Tondela ou Arauca da época passada. SOMOS PORTO.

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  6. O Joãozinho começou lindamente, ao transformar mais um dos muitos mergulhos do bin laden num livre. Desse livre surgiu o primeiro golo do beneficia que condicionou todo o jogo.

    Tudo igual portanto. Vermelho e mentiroso. Viva o futebolzinho português. Agora já não há petições pela verdade desportiva.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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