sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Retificação, precisa-se

A propósito destas palavras de Julen Lopetegui: «Não me parece correto jogar-se num estádio que não o nosso, a não ser por motivos de força maior. Não se pode eleger onde se joga dependendo do potencial do adversário. Todos têm que jogar com as mesmas condições. Isso parece-me inegociável e ilógico».

Em causa, como sabem, está o facto do Arouca ter jogado em Aveiro contra o Benfica e de agora ir jogar no Estádio Municipal do concelho contra o FC Porto. E há aqui uma aparente falha de comunicação grave entre estrutura e treinador. 

O FC Porto tem que partilhar objetivos entre todos os seus pares, mesmo que isso não signifique partilhar as mesmas convicções e ter uma total comunhão de ideias. Por outro lado, estas queixas de Lopetegui foram um tiro ao lado. Por estas razões:


Estas foram alterações que foram discutidas e votadas em Assembleia-Geral. A partir desta época, cada clube pode escolher um estádio alternativo para cinco jogos. É uma medida interessante para clubes que necessitem de potenciar receitas quando jogam contra os três grandes, por exemplo. Só há um problema: o clube escolhe os jogos que muito bem entender.

Por exemplo, o Tondela já avisou a Liga de que vai defrontar Benfica e FC Porto em Aveiro. O União também indicou o Estádio da Madeira para esse efeito. Já o Arouca preferiu indicar apenas o Benfica. 

Há uma desvantagem competitiva? Há, claramente. Mas é algo que está previsto nos regulamentos. Regulamentos esses que o FC Porto teve a oportunidade de discutir em Assembleia-Geral da Liga. E a nova fornada de regras, que incluía a proibição de os jogadores emprestados jogarem contra o clube-mãe e a reformulação do quadro competitivo, foi aprovada.

Alguém esqueceu-se de avisar Lopetegui de que o FC Porto esteve na Assembleia-Geral que ditou que o Arouca podia, perfeitamente, jogar contra o Benfica em Aveiro e contra o FC Porto no batatal municipal? Há um desentendimento claro nas palavras de Julen Lopetegui.

Esta não deveria ter sido a antevisão onde o FC Porto se queixa por ir jogar a Arouca e o Benfica a Aveiro. Esta deveria ter sido a antevisão em que Lopetegui afirmava, com força, que o FC Porto ganha em qualquer campo, com ou sem facilidades de estádio neutro. Marcar uma posição de força. Não deixar de apelar à massa associativa para deixar o Municipal de Arouca a rebentar pelas costuras. Cativar os adeptos, determinar os jogadores.

Ilógico, para recuperar a expressão de Lopetegui, é lamentar uma situação que está prevista em regulamentos que foram apreciados pelo FC Porto. Foi uma má escolha de palavras, uma falha de comunicação, mas perfeitamente superável: basta ganhar ao Arouca. Uma demonstração de força futebolística e associativa, que ateste que o FC Porto é uma equipa a ser temida em qualquer campo, com mais ou menos adeptos, com mais ou menos espaço para jogar e para a bola rolar. 

A ser abordado um problema, seria este, que é mais um exemplo do padrão que desmente todas as diretrizes do Conselho de Arbitragem. Agora, contestar regulamentos que foram aprovados?

Que o final do jogo seja a oportunidade para Lopetegui dizer o que não disse antes: o FC Porto é sempre a mesma equipa em qualquer campo. Uma equipa que só descansará quando recuperar o título de campeã.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Uma palhaçada sem vergonha nem surpresa antes do FC Porto x Benfica

Surpreendidos? Não. Ninguém pode estar. Nem agora, nem no final da época. A Liga Aliança está aí para durar. E em vésperas do clássico entre FC Porto e Benfica, vemos mais uma vez como a integridade, coerência e competência do CA da FPF estão comprometidos. Ou o particípio passado do verbo vender no plural.

Depois de na primeira jornada termos tido «Um wonderboy apropriado para Maxi Pereira», agora temos não outro que não o Wonder Man João Capela. Reparem: na 1ª jornada, o CA achou por bem nomear o árbitro que mais cartões mostrou em 2014-15. E agora, em vésperas do FC Porto x Benfica, Vítor Pereira nomeia o árbitro que mais cartões mostra em 2015-16.

O recordista de cartões antes do clássico com o Benfica

A época ainda agora começou... e João Capela já mostrou 33 cartões! Expulsou 4 jogadores e mostrou uma média de 7,25 cartões por jogo. Nunca houve uma média tão alta de cartões. A época passada, o pior foi Fábio Veríssimo, com 6.5. 

Não é só isso. Não é segredo para nenhum adepto de futebol que é nos jogos fora de casa que há maiores probabilidades de perder pontos. O CA da FPF sabe disso. E a maior prova é que nos últimos 11 jogos que João Capela apitou do FC Porto, 10 foram disputados fora do Dragão! Agora vamos para o 11º em 12, em Arouca. Ou seja, o CA da FPF prefere nomear João Capela para os jogos onde há mais probabilidades do FC Porto perder pontos. É que convém, imenso, a muita gente, que o FC Porto tropece antes de receber o Benfica, pois não está fácil ir ao Dragão: o FC Porto ganhou TODOS os jogos disputados em sua casa em 2015. E só sofreu dois golos, um deles do poderoso Bayern Munique. De resto, 15 jogos, 15 vitórias.

Continuando no tema Capela. Como devem saber, o Benfica nunca sofreu golos em jogos arbitrados por João Capela. São já 13, 1170 minutos. Para quem não sabe, apenas 10 guarda-redes na história do futebol, um deles Vítor Baía, estiveram tanto tempo sem sofrer golos. João Capela pode nunca vir a ser um bom árbitro, mas por favor, dêem lá um par de luvas ao homem! Troquem lá pelo Paulo Lopes, visto de longe nem se nota diferença! Fica o conselho.

Adiante. Com João Capela, o FC Porto leva 3 derrotas seguidas. Os últimos seis jogos com João Capela foram todos disputados fora do Dragão e o FC Porto só ganhou um, em Setúbal. De resto foram quatro derrotas (incluindo a final da Taça da Liga) e um empate. E para todos os efeitos, o jogo entre Arouca e FC Porto trata-se de um jogo entre líderes do campeonato.

João Capela só «serve» para apitar fora do Dragão. 
Se quiserem continuem a entreter-se com o Baía, com o telefonema, com o presidente do Arouca e com o sítio onde vamos jogar. São essas distrações que convêm a muita gente, pois enquanto dedicam tempo de antena a essas coisas, voltam discreta e descaradamente a atacar o FC Porto pela via que fez do Benfica campeão em 2014-15. Uma palhaçada à Capela, na jornada em que vão tentar reabilitar um amor antigo no Benfica x Belenenses. Ou uma Paixão antiga, depois daquele ar de pânico em Paços de Ferreira, ao perceber que tinha que assinalar um penalty contra o Benfica. Mais, temos um epílogo em potência: Bruno Paixão admite erros no Benfica x Belenenses. Nesse jogo que aqui recordamos, transformou uma falta de Simão num penalty para o Benfica e na sequência disso expulsa dois jogadores do Belenenses. Alguém tem desejos de déjà vu. Não só relativamente a Capela e a Paixão, mas também ao filme de 2014-15.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Análise ao fecho de mercado: as rescisões

O que é feito de Rolando, Quiñones e Djalma? Já todos sabemos que deixaram o FC Porto, mas saíram sem que o FC Porto divulgasse uma única informação oficial nesse sentido. Mesmo sendo jogadores dispensados, estes três elementos foram campeões nacionais, tiveram textos de apresentação no site oficial, representaram o FC Porto dentro e fora de campo e não eram três sacos de batatas dos quais ninguém daria conta. Não há razão nenhuma para o FC Porto não ter avançado com uma informação oficial no seu site sobre as saídas dos jogadores. Já com Opare aconteceu o mesmo.

Sem surpresa, o FC Porto limitou um pouco a dança de empréstimos e avançou para algumas rescisões. É preferível, na maior parte dos casos, assumir a rescisão de contrato e o prejuízo do que andar a arrastar situações que não trazem nada de positivo. É certo que nem sempre é fácil rescindir, pois é raro o ser humano abdicar do seu salário em prol de algo inferior, mas são situações com as quais há que tentar lidar da melhor forma. Se havia lógica desportiva para contratar determinado jogador, é perfeitamente admissível assumir a má contratação. Quando se contratam jogadores que se sabe que vão acabar por sair, como foi feito com Sami, aí sim já é um mau ato de gestão. 

O número de rescisões, como foi antecipado aqui, aumenta exponencialmente a partir do momento em que a FIFA proíbe a partilha de passes e aplica restrições às comissões. Há formas de o contrariar, como é lógico, pois a FIFA nunca fechará uma porta sem deixar duas janelas abertas. Por exemplo, no momento da contratação de um jogador, o clube pode aumentar o prémio de assinatura e o futebolista, posteriormente, acorda o que tiver que acordar com o seu representante. Mas as dispensas e rescisões vão ser cada vez mais habituais. Opare foi dispensado logo à segunda época. E Rolando e Djalma, que já tinham sido cedidos três vezes, já não passaram deste verão. Apenas alguns exemplos. Passando a rever cada um.

2 jogos pelo FCP
Quiñones - Chegou no último dia do mercado de 2012. Vítor Pereira tinha na pré-época Alex Sandro, Emídio Rafael (ainda a recuperar de lesão) e até David Addy, todos superiores a Quiñones, para o lado esquerdo da defesa. A contratação, por si só, já não faria sentido, mas o FC Porto recebeu mais um jogador pela mão de Marcelo Simonian. Quiñones custou 1,98M€ por 80% do passe. Fez um jogo na Taça, outro no campeonato e de repente parecia que já nem contava para o totobola. Vítor Pereira não o pediu, não indicou a sua contratação, logo é natural que não lhe tenha dado grandes oportunidades. Se não contava para o treinador, como se dá logo um contrato de quatro épocas a Quiño? Como se justifica que tenha ficado na equipa B, logo ao segundo ano, a tapar o lugar a Rafa em vez de ser logo cedido a uma equipa de primeira liga? 

Até podemos salvaguardar que não havia interessados. Mas isso só torna este negócio ainda pior, com o FC Porto a avaliar em 2,5M€ um lateral, com um contrato de 4 épocas, que nem às mais modestas equipas da primeira liga interessava. À 3ª época foi para o Penafiel... para jogar a maior parte do tempo a médio-ala esquerdo. Isto diz tudo da indiferença do FC Porto em relação a Quiño, que foi contratado para ser lateral-esquerdo, mas a determinada altura já ninguém se importava que andasse a médio-ala no Penafiel. Um empréstimo deveria obedecer a uma lógica de potenciar as caraterísticas do jogador, não apenas arranjar um clube que se ocupe do atleta durante um ano. Agora Quiñones rescindiu. Tudo foi mau, desde o negócio à gestão. Quem teve a ideia de o trazer e, subitamente, não mais aparentou se preocupar com a evolução do jogador?

20 jogos, 3 golos
Djalma - Foi uma boa contratação. Já tinha 3 épocas de Marítimo na primeira liga, qualidade acima da média e quando foi contratado havia espaço para um extremo das suas caraterísticas no plantel. Mas a partir do 2º ano deixou de contar. E a partir daí, já devia ter sido assumido que Djalma não voltaria a fazer parte dos planos do FC Porto. Ao invés disso, três empréstimos consecutivos para a Turquia, que não resultaram em nada.

Agora falta saber que (ou se) prejuízo deu Djalma, pois o «custo zero» do angolano levanta algumas questões. Recordando o texto «Djalma, à espera de quê?», de julho de 2014:

Djalma chegou ao FC Porto em 2011, proveniente do Marítimo, a «custo zero». O FC Porto ficou com 90% do passe de Djalma e cedeu 10% à Pacheco e Teixeira, com sede em Matosinhos, tal como a Promosport, do empresário António Teixeira, que todos os anos faz negócios com o FC Porto e que é carinhosamente tratado como o «agente das sobras», pois raramente oferece negócios realmente rentáveis ao clube. (...) 
Então, a SAD alienou 25% de Djalma ao recém-criado fundo Soccer Invest Fund. Está registado na CMVM e é uma ramificação da MNF Gestão de Activos. O valor nunca foi oficialmente declarado, embora alguma imprensa tivesse apontado para 500 mil euros. O FC Porto disse-o assim: 
«A alienação dos direitos desportivos e económicos sobre os jogadores Rúben Micael, Djalma (25% dos direitos económicos) e Iturbe (15% dos direitos económicos), que ocorreram igualmente neste período, não geraram resultados significativos.» 
A CMVM é a única entidade que tem acesso à lista de investidores ligados à Soccer Invest Fund. Sabe-se apenas que Lino de Castro, ex-administrador do Sporting, é um dos nomes com ligação ao fundo de investimento. Certo é que o FC Porto avançou para uma série de negócios com esse fundo: 20% de Mikel, por 200 mil euros, 5% de Fucile, por 110 mil, 10% de Edú, por 100 mil, e 11% (depois passaram a 15%, pois havia a opção de comprar mais 4%) de Iturbe, por cerca de um milhão de euros. 
Desconhece-se quantos jogadores continuam ligados ao SIF (não há conhecimento de negócios com os rivais da Segunda Circular), mas Fucile, Edú e Iturbe já não estão ligados ao FC Porto. Sobra Mikel, que se lesionou com gravidade, e Djalma.

Ora, o SIF, que se saiba, não voltou a fazer negócios (exceção feita a João Moutinho, quando ainda estava no Sporting, só negociou jogadores do FC Porto). E como os fundos por norma partilham os lucros, não o risco, resta saber em que medida os 35% (10% ao empresário e 25% ao SIF) que foram cedidos/alienados pelo FC Porto podem agora ter resultado num reembolso aquando da rescisão. A rever no R&C. De Djalma, só se torna incompreensível como é que nunca houve propostas concretas por um jogador que sempre teve um valor de mercado acima de 2M€, inclusive na avaliação do SIF. Ainda não foi desta, Teixeira.

175 jogos, 17 golos
e 11 títulos
Rolando - Terminou a ligação de Rolando ao FC Porto. Como? Não se sabe. Foi capitão do FC Porto, ganhou diversos títulos, sempre foi central com bom mercado, mas sai e não se lê uma palavra sequer do clube. Rescindiu ou foi transferido? A SAD não pareceu interessada em esclarecer. O R&C poderá fazê-lo, mas foi a cereja no topo do bolo que foi a péssima gestão deste caso. Segundo uma das versões, há uma compensação de 1,5M€. Se quiserem fazer gestão à Bruno de Carvalho, ao incluir no lucro do negócio o dinheiro que se poupa em salários, poderemos falar numa verba de cerca de 3,3M€. Houve em tempos propostas superiores (sim, 15 milhões de euros - e tanto aclamaram a alegada preferência por Praet e Tielemens que os dois jovens belgas nem sequer chegaram para ser rumor na silly season), mas tudo neste caso correu mal. Há quem afirme Rolando nunca mais, pois nenhum jogador está acima do clube. Toda a razão. Mas Rolando nunca teve problemas com o FC Porto, «o clube». Sublinhe-se, como «o clube». Discutiu-se a integração há um ano, voltou-se a fazê-lo este ano e agora, por fim, Rolando muda-se para Marselha, apenas porque concordou que fosse a Doyen Sports a tratar de tudo. Há quem diga que há parcialidade quando, aqui, se fala do caso Rolando. Mas é claro que há parcialidade, pois todas as opiniões são parciais. E esta é a que se queimou um capitão, um ativo, um futebolista. Distribuam as culpas por quem quiserem, mas quem perdeu foi o FC Porto.

Melhores felicidades profissionais e desportivas a Quiñones, Djalma e Rolando, campeões pelo FC Porto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Análise ao fecho do mercado: os empréstimos

Nos tempos que correm, ser emprestado pelo FC Porto não tem sido uma boa notícia, na medida em que são muitos raros os casos de jogadores que voltam à equipa principal depois de serem cedidos. Em jogadores acima de idade sub-23, é para esquecer. Mas nos jogadores que estão no 2º ou 3º ano de seniores, faz todo o sentido. 

Para os jogadores que mostram, de facto, potencial e capacidade em chegar à equipa principal, dois anos na equipa B é o máximo admissível. Depois precisam de estímulo competitivo superior, de futebol de primeira liga, com um bom treinador. Muitas vezes, é no momento do empréstimo que a SAD diz ao jogador se no futuro vai contar com ele: procurar um meio onde o jogador possa, de facto, crescer e evoluir, e não apenas um clube no qual possa jogar com regularidade durante um ano e que arque com uma parte do salário. O FC Porto não controla a vontade dos outros clubes, logo entende-se que por vezes não seja possível encontrar a melhor colocação possível. Neste fecho de mercado vimos exemplos de bons e maus empréstimos (felizmente a SAD encontrou colocação para todos, exceção feita a Ángel, o que deve ser realçado). Vamos a eles.

Contrato até 2018
Ricardo Nunes - Há um ano escrevia-se aqui:  «Disse-o no dia em que foi contratado: é um razoável guarda-redes, mas que tinha muito boa imprensa na Académica, pois há sempre simpatia para portugueses que jogam em clubes de menor dimensão e pegar nestes casos de jogadores portugueses dava sempre jeito para embirrar com o Paulo Bento. Contrato de 4 anos, sem qualquer pespectiva de futuro no FC Porto.» Infelizmente foi assim. O nosso grande portista Ricardo nunca teve oportunidades e deitou um ano da sua carreira fora. Dois desfiles de equipamentos, zero jogos. Aos 33 anos, sendo um guarda-redes que nunca vai render dinheiro e que chegou a «custo zero», a decisão lógica seria rescindir e permitir que Ricardo decidisse o seu futuro. Não foi isso que aconteceu. Foi emprestado ao Vitória de Setúbal e daqui a um será um caso excedentário para resolver.

Contrato até 2017
Mikel Agu - Tem contrato mais dois anos e passou uma época lesionado, época essa que deveria ser a primeira de futebol de primeira liga. Está há seis anos ligado ao clube, muitas vezes a treinar na equipa principal, mas a qualidade técnico-tática nunca acompanhou a atitude que diziam ter nos treinos. Com Lopetegui não teria oportunidades, nem com qualquer outro treinador no FC Porto, pois é facto que ainda não está, de todo, preparado para este nível (não seria uma exibição frente ao Benfica B a dizer o contrário). Infelizmente será uma surpresa se for utilizado com grande regularidade no Club Brugge, que tem um plantel com profundidade e bem composto (acabaram de dar 7-1 ao Standard), com muita concorrência a meio campo, apesar de os melhores jogos que fez pela equipa B (e não foram assim tantos) tenham sido a defesa central. Ano decisivo para ele, pois não se justifica nenhuma renovação no fim da época se não fizer uma boa temporada, até porque já teve o que nunca nenhum jovem do FC Porto conseguiu: renovar duas vezes na mesma época sem antes ter chegado à equipa A. Ah, e esqueçam a história de que Rúben Neves só foi chamado porque Mikel se lesionou: Lopetegui chamou os dois para o primeiro treino da pré-época, antes de Mikel se ter lesionado.

Contrato até 2019
Adrián López - Entre as possibilidades antecipadas aqui, saiu o empréstimo, ao Villarreal. Boa equipa, bom campeonato, bom treinador. Mas a maior preocupação com Adrián já não é desportiva, mas sim financeira. Pouco custou no primeiro ano de contrato, mas em 2015-16 está previsto que o FC Porto abata grande parte dos 11M€. Sendo impensável liquidar esse valor, ou se reestrutura a forma de pagamento com o Atlético/Jorge Mendes (esperando que Adrián se reabilite e seja transferido em 2016), ou replica-se um BE Plan/Roberto/Saragoça. Se Adrián não for capaz de se reerguer no seu país, não o fará em lado nenhum.

Contrato até 2017
Quintero - Bom empréstimo. Foi cedido a uma equipa que o queria para ser titular, que vai lutar pelos lugares cimeiros da liga francesa, e que fica bem debaixo de olho de alguns endinheirados do futebol internacional. A cláusula de 20M€ é bem colocada: na pior das hipóteses, dobra-se o investimento num jogador que, ao fim de 2 anos, ainda era uma incógnita que pouco evoluiu no FC Porto. Além disso, e como é importante ter em conta o treinador na hora de emprestar um jogador, Quintero é cedido a Montanier - o treinador estrangeiro que Pinto da Costa considerou para suceder a Vítor Pereira, antes de optar por Paulo Fonseca, e que já trabalhou diversos jogadores para as seleções de Espanha e França. Bom empréstimo e boa oportunidade para Quintero.

Contrato até 2019
Hernâni - Sem surpresa, o empréstimo de Hernâni ao Olympiacos diz que o FC Porto desportivamente já não conta com ele. A contratação de Hernâni, por si só, foi precipitar-se por fogo de vista. Pouquíssimas provas dadas na primeira liga e apenas numa equipa que se limitava a aproveitar aquilo em que Hernâni é bom: jogar em contra-ataque e em profundidade. Então que faz o FC Porto? Cede-o a Marco Silva. O mesmo Marco Silva que em 2012-13 fez de Licá um dos melhores jogadores do campeonato, precisamente porque era um jogador talhado para o seu modelo de transições rápidas. Marco Silva ainda não é treinador para equipa grande. Não sabe jogar num modelo dominador, de posse, e demonstrou-o no Sporting, onde passou um ano inteiro a resumir o seu futebol a isto: «A bola está nos flancos? Cruza! A bola ainda não está nos flancos? Então mete-a nos flancos e depois cruza!» Pode ter o melhor perfil e capacidade de liderança no balneário, mas do ponto de vista técnico-tático Marco Silva ainda não é um treinador de equipa grande. Há quem ache que sim, mas devem ser os mesmos que queriam Rui Vitória no FC Porto. Ora, e agora perguntam, então se Hernâni encaixa bem no modelo de Marco Silva o empréstimo não é bom? Depende da perspetiva. Não é bom desportivamente, pois assim Hernâni não vai evoluir no sentido de encaixar no FC Porto, de ser formatado para jogar numa equipa grande. Por outro lado, é bom porque estará num futebol adaptado às suas características, no qual poderá valorizar-se para que o FC Porto recupere o investimento em 2016. Regressar ao FC Porto será uma grande surpresa.

Contrato até 2019
Ricardo Pereira - Podemos especular que se a SAD tivesse encontrado colocação para Ángel Ricardo ficaria no FC Porto. Mas ficaria para quê? Por mais provável que Maxi Pereira antes da 10ª jornada já seja suspenso por acumulação de cartões, Ricardo Pereira ia passar a terceira época consecutiva no FC Porto a ser um tapa buracos, na sombra do habitual titular. Ricardo merece mais que isso. É a sua 4ª época de senior e é tempo de ganhar alguma definição na sua carreira: vai ser lateral ou extremo? No Nice há perspetivas de jogar com regularidade... novamente com outro treinador bem apreciado por Pinto da Costa (Claude Puel, que rejeitou um convite para suceder a Del Neri e, depois, foi sondado para suceder a Jesualdo), experiente e que já trabalhou com imensa matéria prima como Ricardo. Em 2016 o seu regresso pode ser ponderado (apesar do empréstimo ser de dois anos), e a única critica aqui é ao amadorismo que foi a SAD não ter notificado o Nice face à proposta por Carlos Eduardo (que ainda veremos, no R&C, quão boa - ou não - terá sido e o porquê de tanta pressa em vendê-lo para as Arábias). A história de Ricardo Pereira no FC Porto, esperemos, ainda está longe de conhecer o seus melhores tempos. Há esperança no miúdo, que tem tudo para fazer uma grande época em França. 

Pergunta(s): Que perspetivas para os jogadores emprestados no fecho de mercado? Quem tem maiores e menores hipóteses de regressar ao FC Porto?

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Análise ao fecho de mercado: entradas mexicanas

Lopetegui queria que os últimos dias de mercado servissem para fortalecer a equipa. Objetivo cumprido. Não saiu nenhum jogador essencial e, em contrapartida, chegaram mais dois jogadores para preencher lacunas no plantel. Layún e Corona, ambos mexicanos. Um bom desafio para o FC Porto, tendo em conta que tem sido muito discutido o porquê de haver poucos jogadores mexicanos verdadeiramente consagrados na Europa. Basta dizer que entre as equipas de Liga dos Campeões, o melhor mexicano a jogar na Europa talvez seja mesmo o nosso Héctor Herrera, como o defende esta revista mexicana. A título de curiosidade, mais dois textos sobre o tema, aqui e aqui. 

Adiante. A manobra para o fecho de mercado era, como se sabia, reduzida. E dentro das limitações existentes, quem lidou melhor com elas foi o FC Porto, pois nenhum dos rivais se conseguiu reforçar como desejava no fecho do mercado. Já se sabia que não haveria grandes aventuras perto do soar do gongo, pois não havia margem para investir mais. Basta lembrar que se falou num central (Rudiger) e num médio criativo (Lucas Lima), duas soluções da Doyen Sports, e como não se chegou a nenhum deles acabou por não vir nem central nem médio.

Sugiram então dois nomes que chegam pela mão de Marcelo Simonian, o empresário sul-americano que mais jogadores colocou no FC Porto desde 2005. Grande parte deles flops e jogadores que, se não fossem agenciados por ele, dificilmente poderiam sonhar em jogar num clube desta dimensão. Mas dizem os otimistas que um Otamendi ou um Falcao compensa os Quiñones, os Predigers e os Benítez. Estão no seu direito, mas um Otamendi e um Falcao, fosse quem fosse o seu empresário, teria sempre qualidade para singrar no FC Porto. Já um Prediger ou um Benítez...

Corona, 22 anos
Falemos de Corona. Para já, o que importa saber é se é O extremo. Se foi contratado, tem que ser. Há cerca de dois anos já tinha estado perto de ser reforço, precisamente pelas mãos de Simonian (numa altura em que traz/ajuda a trazer Reyes, Herrera, Victor Garcia, Caballero ou Quinõnes), mas é agora que chega ao FC Porto. 

O negócio é um exemplo de como contornar a partilha de passes proibida pela FIFA. O grupo de empresários de que Simonian fazia parte tinha 70% do passe, o Twente apenas 30%. Antes disso, o Twente já tinha anunciado a Doyen Sports como investidora do clube e o referido fundo tinha ficado com uma percentagem de receita sobre Corona. Na Holanda há quem diga que os 70% estão, agora, nas mãos da Doyen Sports, o que se desconhece como sendo correto. Certo é que o Twente tinha direito a 30% desta transferência... e o FC Porto comprometeu-se a dar-lhe 30% da próxima. O Twente entende-se com Simonian, Simonian entende-se com o FC Porto, Corona é reforço e só o R&C poderá fornecer um pouco mais de informação oficial, como por exemplo quanto é que o FC Porto avançou, para já, na contratação de Corona. Noutros tempos, nomeadamente antes da proibição da partilha de passes, Corona não teria custado já 10,5M€, tal como Imbula não custaria 20M€. Novos tempos. Por Corona, dificilmente sairão mais do que 5M€ dos cofres até o início do exercício 2016-17. Que faça valer esse dinheiro e muito mais até lá. Podemos ter aqui, em Tecatito, uma grande surpresa - ou antes confirmação.

Seguiu-se Miguel Layún. a contratação mais surpreendente e também conseguida através de um contexto de possibilidades (inclusive apresentado junto a Carlos Gonçalves, que nem sequer tem Layún na carteira da Proeleven). O que mais se tem destacado sobre ele é a polivalência. É bom um jogador saber fazer várias posições, mas nunca podemos justificar uma contratação com base na polivalência: temos que idealizar o jogador para uma determinada posição. Neste caso, é para o lado esquerdo da defesa.

Layún, 27 anos
As melhores referências sobre Layún são o seu papel no 3x5x2 do México de Miguel Herrera. Faz bem todo o corredor, dá profundidade ao ataque e cruza bem. Mas terá que aprender a combinar melhor com o extremo no seu corredor (o que é diferente de ter um corredor só para ele) e terá que melhorar defensivamente, pois já não há um terceiro central, mais desviado para o lado esquerdo, para o cobrir (já conviveu com essa realidade a nível de clubes). E é bom que comece a dar-lhe no ginásio, pois para jogar a lateral no FC Porto e na Champions vai precisar de mais força e cabedal, mesmo já tendo 27 anos. 

Chega por empréstimo e vai jogar numa equipa europeia dominadora, e que luta por títulos, pela primeira vez. Antes disso, teve uma passagem falhada pela Atalanta, de Itália, e fez a ligação Granada-Watford através da família Pozzo. Chega emprestado pelo Watford, onde estava a ser titular, o que diz uma de duas coisas: ou o Watford não o considerava imprescindível, ou o Watford não tinha grande margem para se pronunciar sobre o futuro do jogador. Um pouco à imagem do caso Corona-Twente.

Agora, Corona e Layún são dragões e servem o mesmo propósito que os demais colegas: ajudar o FC Porto a regressar aos títulos... e a mostrar por que somos um dos clubes mais populares e apreciados no México. Já outros manifestam sensações como a que é descrita abaixo, e até fazem com que um ex-jogador do clube diga coisas como esta: «Senti que algo de corrupto se passava na Luz», Kikin Fonseca dixit.


E Corona pode fazer a vontade a muita gente: fazer com que na lista de campeões 2015-16 esteja lá Jesus. Bem vindos, Corona e Layún.

PS: A análise ao fecho de mercado, desde empréstimos a rescisões, continuará nos próximos dias. 

domingo, 30 de agosto de 2015

Triunfo de pré-época

Soou a pré-época. Não só por Maicon ter marcado um golo de livre, mas por o FC Porto ter-se apresentado em campo, durante grande parte do jogo, sem entrosamento, sem saber muito bem qual é o seu modelo e como jogar, com Lopetegui a testar novas soluções e jogadores que não pareciam aguentar 30 minutos de intensidade. No meio disto tudo, saíram três pontos, mais um jogo sem sofrer golos no Dragão e o regresso às vitórias.

Da teoria à prática
Se Cissokho foi contratado com vista à dispensa de José Ángel e para ser alternativa a Alex Sandro, não faria sentido nenhum Ángel entrar como titular. A ideia da titularidade de Martins Indi no lado esquerdo podia ser interessante: forma de aproveitar um ativo caro que está tapado pela boa dupla Maicon-Marcano e tentar disfarçar as grandes dificuldades que Indi tem no jogo aéreo.

Por outro lado, o FC Porto de Lopetegui sempre dependeu da projeção ofensiva dos laterais. Com Indi, isso perdeu-se. Mas Lopetegui terá pensado que tendo três criativos nas costas de Aboubakar, além de dois «todo-o-terreno» a guardar o meio-campo, talvez se conseguisse ultrapassar essa necessidade de profundidade no lado esquerdo. Infelizmente não foi assim, mas foi corrigido.

Da mesma forma que Lopetegui, não tendo alternativa a Lucas Lima (ou será à Doyen?), decidiu testar Brahimi na zona central, até porque está em vias de ter mais um extremo (Corona). Não foi por Brahimi que isso correu mal: foi pelo pior jogo em muito tempo de Varela e Tello, pela desarticulação absoluta entre as linhas do meio-campo e do ataque, pela falta de rotinas neste esquema. O meio-campo nunca entendeu muito bem o seu papel e os extremos não deram uma para a caixa. Assim era difícil o 4x2x3x1 singrar. Lopetegui, felizmente, reagiu a tempo.

Resta saber se foram 40 minutos a mostrar que este 4x2x3x1 precisa de ser MUITO melhor trabalhado ou que simplesmente não serve. Dentro de duas semanas já não será tempo para experiências.





Maxi Pereira (+) - Há dois meses escrevia: «Curiosamente, as maiores preocupações que se leem nem é do investimento: é do simples facto de Maxi Pereira vestir a camisola do FC Porto. Porque é um «caceteiro», basicamente. Não sejamos hipócritas: se Maxi Pereira estivesse no FC Porto há uns anos, diriam todos que é um jogador à Porto. Porque tem raça, garra, dá tudo em campo, tudo aquilo que caracteriza um jogador à Porto. Mas como é natural, se um jogador tem essas caraterísticas mas está num rival, é normal que não gostemos dele.» Maxi Pereira só precisou de três jogos para que muitos se esquecessem do que ele defendeu durante oito anos. Com atitude, disponibilidade e rendimento assim, não há como não gostar. Certinho a defender, aguerrido a atacar, mesmo num jogo em que o FC Porto não parecia ter flancos a funcionar.

Brahimi (+) - Ele já disse que prefere jogar em zonas mais interiores. Mas para Brahimi ter a tal liberdade para ser 10, é preciso um entendimento e rotinas que o FC Porto não revelou de todo ontem. Ainda assim, foi da sua capacidade de desequilibrar que o FC Porto chegou ao 1x0 bem cedo. Tendo em conta que o outro golo foi de livre direto, só mesmo aquele lance de inspiração de Brahimi permitiu ao FC Porto marcar um golo de bola corrida. E já na Madeira foi ele a descobrir o caminho para o único golo...

Corrigir os erros (+) - Lopetegui poderia ter ficado à espera que o 4x2x3x1 funcionasse, mas não foi teimoso. Não hesitou em mudar tudo ainda na primeira parte. O esquema falhou, sobretudo por falta de preparação, e não havia por que arriscar a perder a vantagem frente ao Estoril. O treinador tem quota-parte por a mudança não ter funcionado e é bom que a tenha assumido, não limitando tudo ao subrendimento de alguns jogadores. André André e Herrera entraram muito bem. Nota para a boa exibição da dupla Marcano-Maicon, mais uma, e para a segurança de Casillas. E Aboubakar: um remate à baliza, um golo. Se lhe dessem mais situações de finalização, marcaria mais.






Má resposta ao mercado (-) - Neste caso, Varela e Tello não fizeram um dos piores jogos em muito tempo por culpa do esquema tático, mas sim por diversas falhas técnicas em quase todas as suas abordagens aos lances. Varela começou por se envolver no lance do 1x0, mas depois esteve completamente ao lado do jogo: desatento, mal posicionado, incapaz de fazer um bom centro, uma boa abertura ou de aparecer em zona de finalização. Já Tello pareceu tecnicamente raso e incapaz de ultrapassar uma única vez Mano ou Anderson Luis, insistindo em atirar-se contra o defesa e deixar a bola nas pernas do adversário. Se queriam dar um «alerta» à iminente contratação de Corona na luta pela titularidade, correu muito mal.

Sem saber o que fazer (-) - Jogar em duplo pivô não é fácil e requer tempo. Sobretudo porque os dois jogadores que atuam nessa posição têm que se conhecer muito bem e complementar-se mutuamente. Não foi isso que aconteceu com Danilo e Imbula. Houve um constante afastamento entre linhas e desentendimento entre quem subia e quem ficava. Danilo Pereira aparentou estar algo nervoso e o FC Porto parecia estar a tentar descobrir como iria começar a construir. Por outro lado, Imbula tem revelado muitas dificuldades em jogar em toque curto, de primeira, «embrulha-se» demasiado à bola e parece sentir que é obrigatório que cada ação sua tenha que ser um transporte de bola. É natural, trata-se de um jovem de 22 anos, ainda com muito para aprender e evoluir, e também consequência de se contratar um jogador pelo preço que pode vir a valer, não pelo que vale no momento.

Se Lopetegui testa uma nova dinâmica de meio-campo à terceira jornada, é normal que a equipa acuse falta de rotinas. Mas convém definir qual será exatamente o modelo do FC Porto. Podemos ter um plano B, mas convém que tanto esse como o A funcionem.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A confiança não pode enganar ninguém

Aly Cissokho não foi convocado por Lopetegui para defrontar o Estoril. Não há problemas físicos, foi opção técnica. Uma surpresa? Não, não pode ser. Porque a verdade é apenas uma: Cissokho não está, neste momento, pronto para se apresentar ao nível de Alex Sandro.

Tempo: Cissokho ainda
não o teve
Há uma diferença entre um jogador que custa 26 milhões de euros à Juventus e outro que é dispensado pelo Aston Villa. Por termos visto a belíssima meia época de Cissokho em 2008-09, muitos adeptos chegaram ao ponto de dizer que Cissokho era igual ou melhor do que Alex Sandro. Neste momento, é impossível sequer compará-los.

Desde fevereiro de 2015, Cissokho só fez dois jogos oficiais. Dois. O último pelo Aston Villa, em abril, e o jogo na Madeira. Tendo os laterais uma enorme importância no FC Porto de Lopetegui, não se pode pedir a um jogador que fez dois jogos em meio ano que chegue e faça com que não se sinta a saída do dono do lado esquerdo da defesa dos últimos três anos. Alex Sandro é o terceiro lateral esquerdo mais caro de sempre. Não será fácil substituí-lo.

Muitos acharam que Cissokho quase não precisaria de período de adaptação por já ter jogado no FC Porto. Completamente errado. Cissokho não conhece nada deste FC Porto. Temos uma concorrência que não tínhamos em 2008-09, novos colegas, novo treinador, novos processo de jogo. É tudo novo para Cissokho, que nem sequer estava a jogar no Aston Villa. Além disso, chegou já com a pré-época perto do fim e ainda teve o azar de se lesionar. Na Madeira, aos 5 minutos cometeu um erro grave e ficou marcado para todo o jogo. Tudo estava contra Cissokho, que além disso jogou com Brahimi (que pouco ajuda os laterais, mesmo nas combinações ofensivas) no seu flanco pela primeira vez.

Por ninguém do FC Porto ter dito o contrário, nasceu a teoria de que o FC Porto já sabia que ia perder Alex Sandro e que Cissokho foi contratado para precaver essa saída. Não é, nem pode ser assim. Por todos os motivos acima referidos, não podíamos pensar em Cissokho como um jogador com totais condições para chegar e assumir logo a titularidade.

Perdemos mais do que
um mero titular
Como alternativa a Alex Sandro, entendia-se e subscrevia-se, pois até permitiria a Ángel jogar uma época com regularidade. Pinto da Costa deu vários sinais ao mercado - e a Lopetegui - de que Alex Sandro seria para ficar. Quando saiu, depositou-se todas as fichas em Cissokho e congelou-se Ángel. Depois da exibição de Cissokho nos Barreiros, de repente «já não serve».

Nos Barreiros quase toda a equipa esteve mal, não foi apenas Cissokho. E não são estes 90 minutos a dizer que Cissokho não pode chegar, ver e vencer: é tudo o que foi descrito acima. Cissokho precisa de treinar, inteirar-se ainda melhor sobre a nova realidade do FC Porto, ganhar confiança e rotinas de jogo.

Cissokho não ser convocado é normal. Anormal foi ter lançado Cissokho já contra o Marítimo, até porque quando começou a semana tudo apontava para a titularidade de Alex Sandro. E agora, à 3ª jornada, o FC Porto vai usar o terceiro jogador diferente nessa posição. Passamos de uma dupla de laterais que custou 22,6 milhões de euros e foi transferida por 57,2 milhões de euros para outra contratada a custo zero. Maxi Pereira começou muito bem, mas é mais do que natural que haja uma quebra de qualidade no conjunto das laterais.

Percebe-se que Lopetegui tenha pedido uma solução mais experiente e de provas dadas para o lado esquerdo da defesa. Mas por outro lado, se Lopetegui já tinha aprovado as contratações de Ángel e Cissokho, a margem para pedir um terceiro jogador fica curta (tudo tem um limite para as exigências do treinador). É muito difícil encontrar um bom lateral-esquerdo, mas a terceira tentativa não pode ser uma mera aposta, tem que ser uma certeza.

Os adeptos podem manter total confiança em Cissokho. Mas essa confiança não pode encobrir a realidade do presente: a saída de Alex Sandro deixou um buraco que vai levar tempo para cobrir. Tempo esse de que Cissokho ainda não dispôs o suficiente. E tal como 90 minutos não podem condenar Cissokho ao insucesso, não vão ser os 90 minutos de quem ocupar o seu lugar contra o Estoril que darão à SAD a mensagem de que podem passar o domingo descansados sem pensar em inscrições na segunda-feira.

PS: Caro Simonian, queremos Otamendis e Falcaos, não queremos Predigers ou Quiñones (rescindir contrato com um jogador que custou 2M€ sem nem sequer divulgar uma informação oficial nesse sentido!?). E depois da insistência dos últimos anos em aproveitar o último dia do fecho do mercado para inscrever, com alguma pressão e discrição, ditas promessas (Quiño em 2012, Kayembé em 2013, Otávio em 2014), fica o desejo para o último dia do mercado: não precisamos de promessas, precisamos de certezas.

PS2: Pinto da Costa vai ser operado no sábado (não esta sexta-feira), uma cirurgia simples. sem riscos e sem relação com os problemas de 2012. O presidente voltará depressa e a 100%.