terça-feira, 3 de novembro de 2015

Olha a palhaçada fresquinha!

Para os que não estarão recordados, esta foi a reação do presidente da APAF, Fontelas Gomes, quando veio a público a história das ofertas do Benfica. «Não posso quantificar quanto custa cada jantar, mas posso garantir que os árbitros respeitam integralmente o código ético da UEFA. O código de ética da UEFA estabelece que o valor máximo das lembranças não pode ultrapassar os 200 francos suíços, o que dá qualquer coisa como 183 euros.» 

Diferença de tratamento
Ora o presidente da APAF veio logo a público fundamentar uma defesa para a prática do Benfica. Com falácia e mentiras, pois todos sabem que as diretrizes da UEFA, nomeadamente no artigo dos tais 200 francos, dizem apenas referência às competições europeias, não ao campeonato português. De qualquer forma, notou-se bem cedo o pânico da APAF em tentar fundamentar uma defesa do Benfica, que não existe nem nunca existiu, motivo pelo qual o Benfica permanece desde o primeiro instante calado.

Como não pode desmentir as acusações de que é alvo, é hora de desviar as atenções para outro lado, sobretudo após a derrota com o Sporting. O Benfica precisa mais do que nunca de Vítor Pereira e de passar entre os pingos da chuva, motivo pelo qual usa hoje o CM para atacar por duas vias: primeiro, os roupões que o FC Porto colocou à disposição de Soares Dias. Os clubes colocam toalhas e material de banho à disposição dos árbitros no balneário (se calhar o Benfica deixa-os passearem-se nus no balneário, não sabemos), não há espanto absolutamente nenhum - se personalizam o roupão, é normal, pois todas as camisolas e peças de vestuário do FC Porto são personalizadas; o FC Porto personaliza material para utilizar nas instalações do clube, no dia de jogo, não distribui cupões para irem jantar fora quando quiserem ou cede presentes que não têm referência absolutamente nenhuma ao jogo que o árbitro apitou. Mas se o CM descobre que o FC Porto cede água quente aos árbitros, aí sim o escândalo rebenta. Depois, uma bicada a Pedro Proença, candidato à liga apoiado por FC Porto e Sporting. O Benfica queria Luís Duque.

Então, agora reparem bem na reação de Fontelas Gomes, da APAF, à notícia sobre o FC Porto. «Nem sei se isso é um brinde, se o árbitro o tem, mas espero que se faça tudo de forma clara, que a Liga e a federação digam o que é ou não permitido, que se faça tudo de forma clara para não se andar neste clima». Eis a diferença: quando se soube das práticas ilícitas do Benfica, Fontelas Gomes deu-se ao trabalho de fundamentar uma desculpa, recorrendo a informações falsas; agora, em relação ao FC Porto, onde se desconhece toda e qualquer ilegalidade, desafia a Liga e a Federação a investigarem o tema. Uma diferença de tratamento que devia voltar a envergonhar uma das instâncias do futebol português, neste caso a APAF e quem a preside.

Continuando. Depois do apelo aqui feito, as palavras de Jorge Jesus no Sporting x Estoril já estão, pelo menos, na ordem do dia. E que grande eficiência a do Conselho de Arbitragem, que foi extremamente rápido a reagir. Quando comparado com o tratamento a toda a Liga Aliança que fez do Benfica bicampeão, é para rir. E para rir foi também a suposta reação do Sporting citada pelo CM.

A impunidade acabou
«Todos nós sabemos coisas do passado, mas este vídeo só está a ser valorizado para esconder o escândalo dos órgãos jurisdicionais da Federação Portuguesa de Futebol e do Ministério Público não terem feito o que quer que seja para esclarecer os 112 jantares dos ‘vouchers’ que o Benfica ofereceu aos árbitros. É preciso também não esquecer as acusações feitas pelo ex-árbitro Marco Ferreira sobre os telefonemas de Vítor Pereira [presidente do Conselho de Arbitragem da FPF] antes dos jogos do Benfica. Estas situações é que são graves». Não sabemos de que boca, se antes ou depois de almoço, saiu esta reação. Mas é de facto hilariante. Então estão a querer «esconder o escândalo» com algo que, pelo contrário, até contribui para o próprio escândalo!? Francamente, Sporting (?).

Estas declarações de Jorge Jesus não desviam atenções das suspeitas sobre o Benfica. Pelo contrário, aumentam! Depois de tudo aquilo que já se sabe, agora Jorge Jesus diz que «sabe de coisas do ano passado». O Sporting apressou-se a demarcar-se disso porque sabe que agora o seu treinador também incorre em risco de suspensão. Afinal Jorge Jesus está a incorrer na violação do artigo 66º do Regulamento Disciplinar, ao pressionar um árbitro com coisas que ele sabe. Se aconteceram ou não no Benfica, neste caso é irrelevante, pois Jorge Jesus está a usá-las para pressionar um árbitro na condição de treinador do Sporting.

Ainda assim o mais grave é a suspeita que se verifica sobre o passado recente do Benfica, que tocou tanto na ferida que numa tentativa desesperada lá se atiraram aos roupões, a Soares Dias e a Pedro Proença. Mas Jorge Jesus - que tem que ser chamado a dar explicações nas instâncias oficiais - voltou a tocar na ferida, mostrando que não tem problemas tocar nos podres dos últimos 6 anos para ajudá-lo a ganhar este ano. Mesmo sabendo que quanto mais falar, mais desvaloriza o seu trabalho, a sua competência e magoa o seu ego, ele que acredita que foi mesmo sobretudo graças a si que o Benfica ganhou 3 campeonatos em 6 anos - Jesualdo Ferreira fez 3 em 3 no FC Porto, indo sempre aos 1/8 da Champions. No big deal. 

Mas como estamos a falar de Jorge Ferreira, vamos recordar o que se escreveu aqui desse árbitro em fevereiro, depois do Moreirense x Benfica.
Jorge Ferreira merece atenção, o cidadão que expulsou Maicon no Dragão. Que tenha um critério disciplinar apertadíssimo, tudo bem, está no seu direito. Desde que o siga e aplique a todos os clubes, nenhum problema. Na verdade é o árbitro que mais jogadores expulsa em Portugal: são já 20. Mas no meio desses cartões todos, o único que expulsou na primeira parte por uma falta a meio-campo foi Maicon e o único por protestos foi André Simões. O Benfica é denominador comum quanto ao benefício.
E agora vamos a uma coincidência maravilhosa: em jogos arbitrados por Jorge Ferreira, o Benfica ganhou sempre. E nos últimos 3 jogos, acabou todos a jogar contra 10 e ganha com erros graves em todos. 
Na época passada, num Belenenses x Benfica, Fredy é expulso e o Belenenses perdeu 1x0. Aconteceu isto:

E já esta época, Marinho foi expulso contra a Académica já com o jogo decidido, mas antes acontece isto em Coimbra:
Como não se pode atribuir o (de)mérito todo a Jorge Ferreira, os auxiliares Inácio Pereira e Jorge Oliveira em caso de duvida não tiveram dúvidas: beneficiar a equipa que ataca o Benfica. Mas para a história fica que o Benfica venceu 100% dos jogos arbitrados por Jorge Ferreira, enquanto o FC Porto só venceu metade deles. Cada jogo é um jogo, mas no que toca ao rival cada jogo tem tido muito em comum.
Agora o FC Porto está em Israel para lutar por mais 3 pontos e abrir a porta dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Que Lopetegui e os jogadores consigam superar-se, pois uma vez mais não vemos o FC Porto, a nível diretivo, muito interessado em pressionar as instâncias do futebol português a reagir a todas estas suspeitas, exigindo justiça pela forma como nos afastaram do título em 2014-15. Mas vá, culpam-se os pontos que o FC Porto perdeu na Madeira e nos clássicos em vez da quinzena de pontos que o rival ganhou de forma ilícita. A Liga Aliança agradece esse pensamento. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Que sabes tu, Jesus?

Quando terminou o último Benfica x FC Porto, todos os caminhos foram dar à boca de Lopetegui. Todos queriam saber o que ele disse a Jorge Jesus, tanto que o MaisFutebol e a TVI até chegaram ao ponto de recorrer a um especialista em leitura labial e à Associação Portuguesa de Surdos. Lá se chegou à conclusão da história do puñetazo. 

Já que inauguraram a possibilidade de utilizar leitura dos lábios no futebol português, então façam o jeitinho e tentem lá descobrir o que disse Jorge Jesus a Daniel Cardoso durante o Sporting x Estoril. O vídeo partilhado pelo +FC Porto no Facebook sugere as seguintes palavras: «Eu conheço-o. Eu sei muita coisa, atenção. Eu sei muita coisa do ano passado. Beemmmm».


Ora, como aqui não há nenhum especialista em leitura labial, sugerimos que quem quis perceber o que disse Lopetegui tenha agora todo o interesse em confirmar o que disse Jorge Jesus. É que se se confirmarem as palavras acima, bem podem ser interpretadas como pressão à equipa de arbitragem, não se sabe se ao árbitro Jorge Ferreira ou aos seus assistentes - um deles cometeu a proeza e não assinalar um penalty e de assinalar outro que não o devia ser.

E o Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional é muito claro no que toca ao artigo 66º, de pressão ou coação sobre equipas de arbitragem.


Que sabes tu, Jorge Jesus? Que sabes tu que há um ano era silêncio e esta época serve como arma de pressão? Deixem falar Jorge Jesus. E já agora, será que a equipa de arbitragem mencionou as palavras do treinador do Sporting no seu relatório de jogo? Vítor Pereira, faça lá um telefonema. Não espere pelas vésperas do Benfica x Boavista.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

As despesas com contratações em 2015-16

A rúbrica fornecedores do R&C de 2014-15 permite perceber qual a situação do FC Porto no que toca a dívidas a outros clubes e, em muitos casos, a empresários/empresas. Ao longo da época 2015-16, está previsto que o FC Porto pague pelo menos 36,855M€ por jogadores que já estão nos quadros do clube (isto sem contar com as contratações efetuadas no primeiro trimestre, como Imbula ou Corona, que serão contabilizadas depois).

Em contrapartida, está prevista a entrada de um valor até 60M€ (sem contar com Alex Sandro) de outros clubes por jogadores já transferidos, além dos cerca de 50M€ (já a contar com Alex Sandro) de mais-valias que vão ter que ser geradas. Importa sempre ter estes valores em conta antes de começar já a idealizar se vamos comprar A, B e C por X, Y e Z milhões de euros para a próxima época. Vamos então analisar o que há a pagar ao longo deste ano.

Além dos referidos 36,855M€, há 6M€ em dívida que só vão ser liquidados em 2016-17: 500 mil euros ao Chiva Corazón, pela contratação de Gudiño, e 5,5M€ ao Granada, por Brahimi. Neste último, houve uma renegociação dos termos do pagamento, pois o R&C do primeiro semestre de 2014-15 indicava uma dívida corrente de 2,5M€ e uma não corrente de 3,5M€. Nos novos termos, o FC Porto só vai pagar 500 mil euros por Brahimi em 2015-16. De notar que, em contrapartida, o FC Porto tem à espera 5M€ da Doyen Sports (precisamente o mesmo valor pelo qual alienou 80% do passe de Brahimi) para entrar. Operação interligada. Brahimi quase ainda não movimentou dinheiro desde que foi contratado, um pouco à imagem do que se espera ver com Imbula até à próxima época.

Em relação a Raúl Gudiño, está previsto o pagamento de 1,5M€ esta época. Ou seja, o seu custo, salvo algum valor que tenha sido pago antes de 30 de junho de 2015, é de 2M€, o que já faz dele o guarda-redes mais caro da história do clube.

Passemos então a rever a situação de cada clube na lista de fornecedores e os valores que têm a receber do FC Porto ao longo do próximo ano.

Atlético de Madrid: 11M€ pela contratação de Adrián. Estavam já em dívida corrente em dezembro, logo ou terá lugar a renegociação ou o FC Porto poderá ter que liquidar ou abater este valor até dezembro. Tendo em conta o factor Mendes, a tentativa de reabilitação no Villarreal e a particularidade na sua contratação por parte do FC Porto (único jogador contratado em 2014 que não envolveu nem comissão nem prémio de assinatura, o que é uma raridade), não é descartada a hipótese de renegociação. 

Feyenoord: 3,72M€ por Martins Indi. Uma redução de apenas 20 mil euros face ao valor que estava em dívida em dezembro.

Danubio Finanzierungsleistungen und Marketing GMBH: 2,676M€ por Kayembe. Esta é a misteriosa e nada transparente empresa que foi envolvida na contratação de Kayembe, que supostamente teria deixado o Standard em final de contrato. Provavelmente um dos aspetos mais graves e negativos deste R&C. O FC Porto tinha comunicado a contratação de 85% do passe por 2,615M€. Desse valor, o FC Porto terá liquidado 550 mil euros no imediato. Ou seja, em junho de 2014 a dívida era de 2,065M€. Em dezembro aumentou para 2,25M€. E agora, em junho de 2015,  a dívida aumentou para 2,676M€ - é ainda maior do que o custo inicial de Kayembe. A dívida por Kayembe não só não foi abatida como aumentou 23% num ano. Haverá explicação porquê? Houve cláusulas que fizeram o preço aumentar ou o FC Porto está em incumprimento? Seja qual for o caso, é absurdo: um jogador que o FC Porto não utiliza está a ficar mais caro; caso haja incumprimento, é extremamente grave e só revela o disparate que foi contratar Kayembe naqueles moldes, naquela altura, àquele preço. O tipo de negócio que levantaria muitas questões numa auditoria. O seu custo, que não é culpa do jogador, já vai em 3,165M€. E vai parar por aqui?

Coimbra Esporte Clube: 2,5M€ por Otávio. O CEC é o clube do BMG, destinado a ponte como transação para outros clubes. É utilizado para inscrever e posteriormente passar jogadores para vários clubes do Brasileirão, entre eles o Internacional, onde jogou Otávio. Desde que Otávio, que estará entre a dúzia de jogadores mais bem pagos dos quadros do FC Porto, assinou não foi abatido um único cêntimo desta dívida, que permanece na sua íntegra em valor corrente. O FC Porto comprou 33% do passe e cedeu 0,5%, sem ter comunicado a quem.

Vitória de Guimarães: 2,3M€ por Hernâni e André André. Não se sabe quanto custou, de facto, André André, pois o seu custo não foi discriminado e foi incluído nos 4,492M€ pagos a outros clubes por jogadores que não são especificados. 

Onsoccer International, S.A.: 2M€ pela venda de Fernando para o Manchester City, como parte pelo acordo de renovação de contrato.

Defino Pescara: 2,25M€ por 25% do passe de Quintero, depois de já terem sido abatidos mais 2,25M€ por outros 25% do passe no primeiro semestre. O FC Porto ficou com 100% do passe por 9,5M€.

Santos FC: 1,718.5M€ pela venda de Danilo ao Real Madrid, pelos 10% a que o clube tinha direito.

Pencilhill: 1,618.233 pela transferência de Iturbe para Itália, a outra daquelas empresas criadas com o único propósito de movimentar dinheiro em transferências de jogadores. No espaço de 6 meses, o FC Porto abateu mais de 3M€ de dívida a esta sociedade.

Universidade do Chile: 924 mil euros por Lichnovsky. Cerca de metade do custo inicial já foi abatido, mas a SAD já só ficou com 55% do passe, desconhecendo-se a quem ou por quanto cedeu a percentagem alienada.

Gol Football Luxembourg: 800 mil euros... e não se sabe porquê. Em junho de 2014, o FC Porto devia 2M€ a esta sociedade, que se sabe ter sido envolvida nos negócios de James (implicado no valor inicial) ou Reyes. Em dezembro, o FC Porto já só devia 300 mil euros. Agora, a junho de 2015, a dívida já tinha aumentado para 800 mil euros, sem que o R&C explique porquê. Dos nomes dos jogadores mencionados pela SAD, em relação ao último semestre só entram Djim e Hernâni. Por que aumentou a dívida em meio milhão de euros, não é revelado.

Estoril - SAD: 705 mil euros pela contratação de Evandro, não descartando a hipótese de uma pequena parte ainda estar relacionada com Licá.

Gestifute: 600,15 mil euros para Jorge Mendes, não sendo especificado em relação a que negócio (possivelmente Mangala).

Promotora del Club Pachuca SA de CV: 150 mil euros por Héctor Herrera. A SAD abateu 1,85M€ no último semestre. Haveria possibilidade do FC Porto resgatar os restantes 20% do passe de Herrera, mas aparentemente a SAD ainda não mostrou interesse em fazê-lo. E neste momento, face à não utilização do jogador e a poucas perspetivas de uma grande transferência, não se justificaria.

Estas são as entidades a quem o FC Porto terá algo a pagar nos próximos meses. Serão acrescentados os restantes nomes quando o R&C do primeiro semestre sair (é pouco provável que a SAD revele os restantes números no primeiro relatório trimestral). Entretanto, a SAD liquidou a totalidade das dívidas que mantinha com sete entidades no R&C de 2013-14. A saber:

Moreirense: 1,675M€ pagos por Ghilas;

MHD, S.A.: 1,098M€ pagos por Caballero;

River Lane Youyh Club: 375 mil euros pagos por Chidera Ezeh;

MS Entertainmnet Law-Melanie Schärrer: 586 mil euros pagos a outra daquelas empresas, desconhecendo-se de que jogadores se tratará, de Djim ou outro qualquer.

Soccer Invest Fund: 550 mil euros pagos ao fundo que tinha direitos de Mikel, Edu e Djalma, depois de também ter estado ligado a nomes como Ukra, Castro, Moutinho ou Fucile.

DNN Lda: 500 mil euros pagos por Quaresma.

Cluj: 380 mil euros pagos por Álvaro Pereira.

Uma nota em jeito de balanço: dos referidos 36,855M€, mais de 20M€ estão relacionados com jogadores que o FC Porto tem emprestados a outros clubes. Além disso, desta quantia mais de 5M€ devem-se a jogadores já transferidos. E de todas estas contratações, só Brahimi (que só terá um impacto de 500 mil euros) e Martins Indi estão a ser titulares, e Indi só entrou para o 11 devido à lesão de Maicon. Ou seja, uma série de contratações caras que não estão a ter proveito na equipa principal - e grande parte nunca vai ter. Regressaremos então a este tópico quando as operações do primeiro trimestre forem divulgadas pela SAD.

Relatório e Contas da SAD, 2014-15, rúbrica Fornecedores
PS: «Vieira responde a Bruno de Carvalho», lemos pela imprensa desportiva. Não, não respondeu. Continua sem responder, continua sem desmentir. A história do «descer ao mesmo nível» é a desculpa mais primária e fácil da história da humanidade para situações como esta. Luís Filipe Vieira não responde porque não tem como responder. E como João Gabriel ou Domingos Soares Oliveira não conseguiram ainda escrever-lhe uma desculpa decente, o silêncio de Luís Filipe Vieira denuncia que o Benfica não tem capacidade para desmentir uma única acusação. Tentaram a bomba de fumo que foi o processo a JJ, mas correu mal. O Benfica não desmente porque não o pode fazer. Caberia à justiça e às instâncias do futebol português fazer o resto. E já agora, ao FC Porto.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Amor de Vítor Pereira

Se Shakespeare existisse hoje não escreveria sobre Beatrice e Benedick, Romeu e Julieta ou Hermina e Lysander. Escreveria sobre Vítor Pereira e o Benfica. É uma bonita história de amor, que resiste a todas as adversidades e consegue florescer mesmo (ou sobretudo) em campos ilícitos. 

Um amor que resiste a tudo
Comecemos por saudar João Gabriel, que está bem de saúde. Chegámos a temer o pior. Da história dos vouchers, das prendas e de uma prática que não tem defesa nem na FPF, nem na UEFA, não ouvimos nem uma única palavra. João Gabriel nada disse para defender o seu Benfica nesta história. Não que tivesse defesa possível, que não tem - daí o previsível silêncio, na esperança de que tudo fique esquecido -, mas todos estranhámos a ausência de uma reação celestial.

Mas quando alguém ousou tocar na honra de Vítor Pereira, João Gabriel saiu em defesa do mais fiel escudeiro do Benfica. Disse ele que a entrevista de Marco Ferreira ao As foi um frete a Lopetegui. Claro que foi. Da mesma forma que o L'Équipe a citou para fazer um frete ao Imbula, o Récord mexicano fez um frete ao Herrera, o Buteur fez um frete ao Brahimi e a generalidade da imprensa nacional que citou a entrevista fez um frete ao André André. Faz todo o sentido, mas quando isto vem da mente que tão bem conhece a Rua Luciana Stegagno Picchio e a Travessa Queimada, falar em fretes é só mesmo uma prova da falência de caráter e vergonha no sujeito.

Voltando a Vítor Pereira. O mais hilariante, incompetente e surreal dirigente que o futebol português já teve disse que não sabia das ofertas ao Benfica. Vítor Pereira decidiu desmentir esta notícia... 12 depois depois de ter feito manchete no jornal O Jogo. 12 dias, foi o tempo de que precisou para decidir abrir a boca. E foi também o tempo de que necessitou para se enterrar ainda mais.

Ao dizer que desconhecia as ofertas do Benfica, Vítor Pereira esteve a sujeitar-se a uma de duas coisas: ou é mentiroso, ou é incompetente. Na verdade é as duas, mas reparem no surreal que é o responsável máximo da arbitragem nem sequer ler os relatórios. Sim, porque os árbitros têm que declarar todos os itens que são oferecidos pelos clubes à FPF. Isso consta do mesmo comunicado em que a FPF esclarece que os árbitros só podem aceitar «emblemas, galhardetes, miniaturas de camisolas, medalhas comemorativas ou lembranças regionais». A FPF nunca falou em 200 francos nenhuns para as provas nacionais, esse valor é destinado apenas às competições europeias e apenas está nas diretrizes da UEFA. O desespero de encontrar defesa é tanto que se insiste em mentiras.

Se Vítor Pereira diz que não sabia das ofertas, então diz que é incompetente, por não acompanhar sequer a atividade dos seus árbitros. Mas como, segundo Marco Ferreira, só se preocupava em ligar aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não surpreende. Como todos sabem que Vítor Pereira, tão familiarizado com pequenos-almoços no Seixal (terá direito a voucher?), sabia perfeitamente das prendas, não diz apenas que é incompetente. 

O Dragões Diário de hoje escreve de forma tão subtil como pertinente que foi Vítor Pereira, e não o Conselho de Arbitragem, a nomear Bruno Paixão (o «joker» que só servia para apitar o Benfica) para o União da Madeira x FC Porto. É a primeira vez, em quase 4 anos, que Bruno Paixão é chamado para arbitrar o FC Porto, logo na psicologicamente difícil deslocação à Madeira, depois do escândalo que foi a arbitragem no jogo da única derrota de Vítor Pereira no Campeonato, em Barcelos. Pior só quando Bruno Paixão, nos seus promissores 25 anos, deixou Jardel bater o recorde de penaltys sofridos por assinalar contra o Campomaiorense.

Já era uma promessa da arbitragem, sem dúvida. E por falar em promessas, eis o wonderboy Fábio Veríssimo chamado para arbitrar o Benfica pela primeira vez. Como os tempos mudam: tempos houve em que um árbitro só chegava a internacional se agradasse nos jogos do Benfica. Hoje em dia, chegam primeiro a internacionais para depois ver se agradam. É esta a herança que nos deixa Vítor Pereira. 

O Benfica não é a maior ameaça na luta pelo título, mas Vítor Pereira continua a ser uma das maiores ameaças ao FC Porto (e ao Sporting) e um dos maiores aliados do Benfica.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Não houve plano B(raga)

Depois de 20 vitórias consecutivas, podemos sempre contar com duas coisas: esta sequência de vitórias, mais tarde ou mais cedo, tinha que acabar; e quando acabasse a amargura iria ser muita. Assim o foi. Dez meses sempre a ganhar no Dragão foi um feito assinalável, quase ímpar, e não sabemos quando nos daremos ao luxo de voltar a ver o FC Porto (ou outra equipa) ganhar 20 jogos consecutivos em casa. Há que dar todo o mérito a Lopetegui e aos jogadores por este percurso, que será muito difícil de repetir.

Nessas 20 vitórias, o FC Porto não se limitou apenas a ganhar: fê-lo sendo sempre, sempre melhor do que o adversário. Ao 21º jogo não foi diferente: o FC Porto foi melhor do que o Braga. Mas não fez o suficiente. Não o fez. Aceitamos o deslize, até porque é extremamente raro haver um 0x0 no Dragão e o Braga é um dos três melhores adversários da liga, e como Lopetegui disse o FC Porto, a jogar como ontem, ganha 90% dos jogos. Mas o jogo de ontem fazia parte dos tais 10% em que é necessário fazer um pouco mais.





Layún (+) - À esquerda ou à direita, já nos habituámos à forma aguerrida como sobe no corredor, corta para dentro e procura sempre tabelas. Defensivamente está longe de ser o mais fiável, mas no Dragão os laterais têm sobretudo que jogar no meio-campo adversário. Layún fê-lo bem, cruzando sempre com perigo e procurando movimentos de ruptura. Tem apenas que melhorar a meia distância, pois arrisca muitas vezes o remate, mas quase sempre sem perigo.

André André (+) - Não é, nem nunca será, o médio a quem possamos delegar a responsabilidade de fazer o último passe ou de romper sozinho entre linhas. Lopetegui já o deverá saber, por mais que tenha que tentar conjugá-lo com Imbula no meio-campo. Mas foi sempre o elemento mais esclarecido do FC Porto, a transportar jogo, a pressionar, a arrastar marcações. Apareceu sempre muito bem nas zonas descaídas para o lado direito e esteve impecável no trabalho defensivo. Continua num excelente momento de forma. Nota positiva para Danilo Pereira e para a dupla Indi-Marcano, que na verdade nem teve assim muito que fazer, mas nos últimos 5 jogos o FC Porto só consentiu um golo - do Chelsea, livre de Willian. E, claro, para Aboubakar, que está constantemente a ter que fazer pela equipa o que a equipa não faz por ele.





Modelo sem alternativa (-) - É bom que Lopetegui tenha uma ideia clara de jogo, que faz sempre do FC Porto uma equipa autoritária, sempre mais atacante, que remata mais, tem mais bola e mais oportunidades para marcar. Esse mérito é permanente. Mas já todos perceberam que, num contexto de futebol português, às vezes temos que procurar atalhos e saber contar com um adversário que não quer jogar futebol, não quer atacar e que vai defender com 11 até ao final. O FC Porto não lidou com isso.

Não houve um único fora-de-jogo assinalado ao FC Porto em todo o jogo. Porquê? Porque o Braga jogou sempre, sempre com bloco baixo (grande exibição do nosso Ricardo Ferreira, portista de formação e coração, e de Boly, uma revelação que merece atenção). Isso anulou quase por completo Tello, que nunca teve espaço para atacar, e Brahimi, que levou sempre com marcação apertada. O FC Porto nunca subiu as suas linhas: continuou sempre à procura dos espaços. Lopetegui confiou demasiado de que o Braga iria eventualmente subir, mas isso não aconteceu. O FC Porto tinha que estar preparado para jogar sempre em 40 metros, sobretudo na segunda parte.

Além disso, o FC Porto nem sequer teve assim tantas oportunidades de golo. Foram 16 remates, tudo bem, mas tirando o remate de Tello, aos 40 minutos, Kritciuk nem teve que fazer nenhuma defesa de encher o olho. Não houve nenhum tiro que deixasse o bruaá na bancada, nem que Kritciuk não conseguisse segurar à primeira. Além disso, o FC Porto só fez 5 remates na grande área em todo o jogo. 11 foram de fora da grande área. Isso diz tudo das dificuldades da equipa em entrar na grande área. 

Sacrificar Aboubakar (-) - Aboubakar continua a trabalhar mais para o FC Porto do que o FC Porto para ele. Em 90 minutos, a equipa não lhe deu uma única boa bola para ele finalizar na grande área. Nada. O FC Porto usa e abusa das descidas de Aboubakar. Ele faz isso muito bem, mas depois não sobra ninguém na grande área. Aboubakar baixa, distribui e arranca para a grande área, mas quando lá chega já o Braga tem a defesa completamente composta. Foram 14 cruzamentos, mas não apareceu nenhum cabeceamento de verdadeiro perigo, nem sequer um desvio em lance de bola corrida. O FC Porto tem que dar mais jogo a Aboubakar em vez de pedir-lhe sempre o contrário. Sobretudo estando o Braga completamente recuado. Em vez de tentar aproximar um médio de Aboubakar, Lopetegui deveria ou fixar Aboubakar, ou então lançar Osvaldo e permitir, aí sim, que Aboubakar pudesse jogar mais recuado. Assim, vai faltar sempre presença na grande área por parte do FC Porto.

Muito pouco (-) - Cissokho foi inexistente em todo o jogo. Não atacou, não deu apoio a Brahimi, não cruzou. Lento, nervoso e sem nunca parecer integrado na equipa. Não tem muito ritmo, é certo (o FC Porto não contratou um lateral de 15M€ - contratou um lateral que não calçava no Aston Villa), mas não é a jogar assim que vai ter mais oportunidades. Imbula foi sempre lento, pouco esclarecido e sem justificar a titularidade. Se Lopetegui foi capaz de sentar Herrera, Imbula tem que perceber que não pode jogar só pelos termos em que foi contratado. Tem que se soltar, tem que ser mais rápido e esclarecido, mas a ideia de Lopetegui em aproximá-lo de Aboubakar correu muito mal. Tello, exceção a dois ou três lances, pouco conseguiu fazer. Corona continua a ser um corpo estranho e a pensar que tem sempre que tentar fintar 2 ou 3 quando recebe a bola.

Dois pontos perdidos, nada irrecuperável. Se fizermos a nossa parte, poderemos recuperar a liderança em breve. Entretanto, há que matar o apuramento para os 1/8 da Champions e cumprir a obrigação na Taça de Portugal. Jogaremos sempre para ganhar, mas não vamos ganhar sempre se jogarmos sempre da mesma forma. À atenção de Lopetegui e do plantel.



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Patrocinador e empréstimos: novidades

A questão do patrocinador nas camisolas do FC Porto já foi muito debatida, mas eis uma novidade que ainda não foi devidamente realçada: a previsão da receita com patrocínios para 2015-16. O que o orçamento prevê é que, na primeira época já sem o patrocínio da PT, as receitas com patrocínios vão... aumentar.

Não há patrocinador, mas há aumento
Para o FC Porto, o valor normal na rúbrica de patrocínios está situado entre 13 a 14 milhões de euros. Desde 2007 que a SAD está sempre situada nestes valores. Com a saída da PT, que garantia um encaixe anual a rondar os 3,7 milhões de euros, temia-se que o FC Porto deixasse as receitas com patrocínios caírem para o valor mais baixo desde 2007, mas afinal as perspetivas são de um aumento.

O orçamento para 2015-16 aponta para 13,626 milhões de euros com receitas com publicidade, valor ligeiramente acima do das duas últimas épocas (13,56M€ em 2014-15 e 13,59M€ em 2013-14). Aliás, este é mesmo o terceiro valor mais alto registado pela SAD, só superado pelas épocas 2009-10 e 2010-11, as únicas em que a barreira dos 14M€ foi superada.

Face ao fenómeno Casillas, claro que havia expetativas de que a SAD atingisse, pela primeira vez, os 15 milhões de euros. Basta dizer que se ainda houvesse PT, provavelmente essa barreira teria sido agora transposta. Mas o importante era que as receitas com patrocínios não caíssem. Só não se percebe como é que Fernando Gomes, na sua quase surreal apresentação do R&C de 2014-15, não achou relevante mencionar este aspeto, tendo em conta a sua importância. Não sabemos como é que o valor da PT vai ser compensado, tendo em conta que não houve entrada de 3º main sponsor, mas como o orçamento não pode ser construído com wishful thinkings só podemos esperar que os valores propostos sejam atingidos e ficar tranquilos quanto ao tema dos patrocínios.

Em relação à última tranche da PT, o valor foi para o Internationales Bankhaus Bodensee AG, com quem o FC Porto mantinha uma dívida de 2,244M€. De realçar que o FC Porto também tinha uma dívida de 5,5M€ por um empréstimo aberto em novembro de 2014 com a mesma entidade, mas que já foi abatida: a SAD apresentou como garantia o dinheiro do apuramento para os oitavos-de-final da Champions e das receitas de market pool da UEFA de 2014-15.

Novos «parceiros» da SAD
Na gestão do FC Porto, e na generalidade do futebol português, o dinheiro dos patrocínios raramente chega a entrar nos cofres dos clubes, uma vez que estas receitas normalmente são utilizadas como garantias e pagamento a diversas entidades. Na SAD, o dinheiro da Unicer vai para o BIC, a quem o FC Porto terá que pagar 3M€ em fevereiro de 2016. E o dinheiro da Warrior, a substituta da Nike, vai precisamente para o Internationales Bankhaus Bodensee AG: 1,5M€ esta época e pouco mais de 400 mil euros na próxima.

Os portistas bem podem habituar-se a ver o Internationales Bankhaus Bodensee AG ser constantemente referido. Afinal, é neste momento a entidade a quem o FC Porto mais recorre para garantir liquidez financeira. O R&C de 2014-15 dá novidades nesse sentido. Além de todas as operações já referidas, o FC Porto abriu dois empréstimos de 12 milhões de euros cada com este banco: um em abril, outro em maio.

O primeiro, a uma taxa de 5%, vence em julho de 2016. E a garantia é, na íntegra, os 12 milhões de euros que o Real Madrid tem a pagar da 3.ª tranche de Danilo. Por outras palavras, face à necessidade da SAD de receber já o valor, encontrou uma alternativa, arranjando forma de receber já os 12M€... mas com recurso a uma taxa de juro que não se pagaria se houvesse capacidade de aguardar pela tranche do Real Madrid.

O outro empréstimo de 12M€ vence precisamente este mês, a uma taxa de 4%. Neste caso, foi mais uma operação da SAD para contrariar problemas de liquidez imediata, pois a garantia apresentada foi a receita do apuramento da fase de grupos da Champions, que também é de 12 milhões de euros. O Internationales Bankhaus Bodensee AG substituiu o Novo Banco como entidade a quem o FC Porto mais vezes recorre para financiar as suas atividades correntes. 

Por fim, e de volta ao tema inicial. Uma das afirmação de Fernando Gomes, na apresentação do R&C, foi esta: «O merchandising do FC Porto tem aumentado bastante, nomeadamente a procura de camisolas do Iker Casillas. Esgotámos em poucas semanas o stock que tínhamos previsto para um ano. Em novembro chegará uma nova encomenda. Foi uma loucura o que aconteceu com a procura. Esperávamos um aumento de vendas de 3 por cento e o número disparou.»

Ora, em 2014-15 o FC Porto fechou a época com 3,828 milhões de euros de receita de Merchandising/Vendas. Para 2015-16, na qual Fernando Gomes diz haver um grande aumento, o FC Porto apresentou à CMVM uma previsão de receita de... 3,828 milhões de euros. Exatamente o mesmo valor de 2014-15.  Tendo em conta Fernando Gomes fez a referida afirmação a 9 de outubro e a proposta de orçamento foi enviada a 22 de outubro, ficamos à espera que as vendas de merchandising «aumentem bastante».  

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Eis o orçamento para 2015-16

O FC Porto já deu a conhecer à CMVM a proposta de orçamento que será apresentada (e aprovada) na AG de 12 de novembro. O Tribunal do Dragão, tal como já fez há um ano, volta a resumir os principais destaques da proposta, um trabalho inexistente a nível de comunicação social - daí que tantos tenham ficado surpreendidos com os gastos salariais em 2014-15, quando na verdade a SAD até acabou por gastar ligeiramente menos do que estava orçamentado desde outubro.

Para começar, importa referir que o resultado positivo individual de 2014-15 (17,92M€) vai, como é lógico, transitar para 2015-16. Posto isto, o plano para a época já em curso é este:


Em relação ao que estava orçamentado para 2014-15, o FC Porto prevê menos 3,77M€ de receita, menos 6,432M€ de custos operacionais e o prejuízo operacional baixa 2,652M€, de 24,975M€ para 22,323M€. O grande destaque vai para o aumento da necessidade de resultados com passes de jogadores, que sobe 8,2%, para 72,591M€, os números mais altos da história da SAD.

Feita a comparação com o que estava orçamentado, vamos comparar a proposta para 2015-16 com os valores finais de 2014-15.

As receitas operacionais baixam de 93,589M€ para 85,443M€. Basicamente esta descida deve-se à quebra nas receitas da UEFA, pois a SAD orçamentou como objetivo ir aos oitavos-de-final da Champions, que é e deve continuar a ser a meta realista para as contas, e agora só entra um prémio de participação. Para já a SAD perspetiva descidas na bilheteira e nas receitas televisivas, enquanto a publicidade, mesmo sem main sponsor para as camisolas, aponta para admissíveis e normais 13,626M€. Podem recordar em baixo as receitas de 2014-15:


Em relação aos custos, a SAD orçamenta menos 1M€ de salários esta época e os FSE mantêm-se praticamente intactos. Só estas duas rúbricas custam à SAD mais de 100 milhões, o que significa mais um orçamento de elevado risco, sem grande intenção manifestada de reduzir os custos e de encurtar a dependência da venda de jogadores. Foram estas as despesas: 

Chegamos ao maior destaque da proposta de orçamento para 2015-16: o resultado de 72,591M€ previsto com vendas de jogadores. As amortizações e perdas de imparidade com passes não sofrem grandes alterações (mais de meio milhão do que os valores de 2014-15), mas a necessidade de mais-valias disparou. É certo que a SAD projeta menos do que o que foi conseguido na última época (82,5M€), mas inicialmente o que estava orçamentado era 66,529M€. Além disso, em 2014-15 entraram enormes negócios com Mangala, Danilo ou Jackson Martínez. Quantos jogadores terá o FC Porto, neste momento, para negociar com uma base de 30M€ pela percentagem do passe na posse da SAD...?

Podíamos referir que a venda de Alex Sandro já entra para abater parte dos necessários 72,591M€, mas quando a SAD fez o orçamento para 2014-15 também já contava com a mais-valia de Mangala para abater um terço dos 66,529M€ necessários. Agora fica a questão: como é que a SAD, que neste caso delega a Lopetegui a responsabilidade de fazer evoluir os jogadores (quais jogadores?), tenciona obter este dinheiro em vendas?

Tendo em conta que não faz muito sentido falar em negociar jogadores contratados este ano nem jogadores trintões, quem sobra? De Brahimi a SAD tem 50%, de Aboubakar 30%. Herrera (80%) está longe do pico de valorização, Maicon é o capitão e nunca teve grande mercado e Indi, embora esteja agora a ser titular, ainda não atingiu o nível de grande central que o valor pago por ele prometia. Quem sobra para vender? Pois... Apresentar uma necessidade de 72,591M€ com resultados de transações de passes no mesmo dia em que Pinto da Costa diz querer manter Rúben Neves durante muitos anos dá que pensar. Por fim, entre o que está orçamentado, os custos financeiros sobem pouco menos de 200 mil euros e os proveitos baixam mais de meio milhão.

Posto isto, fica à consideração dos leitores e dos sócios do FC Porto o ponto 5 da ordem de trabalhos: