quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Porto de Champions

Sexta vitória consecutiva, terceira na Champions e um ponto a separar o FC Porto do objetivo. Ganhar os dois jogos, com sete golos marcados, à equipa do Pote 1 do grupo não só é inédito como significa um passo de gigante para os dragões na competição, com a capacidade de saber encontrar a eficácia nos momentos-chave mesmo entre períodos em que a qualidade não se consegue revelar tanto quanto gostaríamos - ou não estivéssemos nós a falar da Liga dos Campeões.

Certo é que os últimos jogos revelaram um salto qualitativo na equipa, que encontrou novas soluções para chegar ao golo nos palcos europeus e já não depende tanto das bolas paradas para fazer a sua escalada na Champions. Como Sérgio Conceição relembrou (e bem), o FC Porto perdeu Aboubakar, que na época passada fez cinco golos na Champions. O próprio Brahimi, porventura o mais virtuoso jogador do plantel para as noites europeias, resume até à data a sua participação na Champions a uma modesta assistência. Mas tal não impede o FC Porto de ter tantos golos marcados como Lokomotiv, Schalke e Galatasaray até ao momento. 


Num grupo que se podia revelar muito perigoso e traiçoeiro, o FC Porto tem-se distinguido com todo o mérito e está muito perto de atingir todas as metas desportivas e financeiras nesta competição. Mérito total para Sérgio Conceição e o seu grupo de trabalho, naquela que tem sido uma ótima Champions: pontuar fora de casa, ganhar em casa, marcar em todos os jogos. Melhor e mais não se pode pedir. 




Héctor Herrera (+) - Voltou à titularidade, marcou e deu a marcar e já é o 4º médio com mais golos na história do FC Porto na Champions (só atrás de uns tais de Deco, Lucho e Zahovic). O FC Porto evoluiu imenso na sua capacidade de ter bola na Champions, mas o perfil box-to-box de Herrera continua a ser importantíssimo nos grandes jogos, quer na recuperação e pressão sobre os adversários, quer na ocupação de espaços.

Marega (+) - Um momento importantíssimo para o maliano, que se estreou a marcar em jogos grandes à margem de bolas paradas. Não que marcar de grande penalidade (sobretudo tendo em conta o historial recente do FC Porto na marca dos 11 metros) ou na sequência de um canto seja menos importante, mas era uma barreira que separava Marega da eficiência nos grandes jogos. Ainda assim, o melhor momento de Marega na partida nasceu logo ao minuto 2, com uma leitura perfeita na jogada do 1x0 (bem também Maxi), ao criar o espaço entre 3 jogadores do Lokomotiv antes de servir de Herrera. É também um lance que marca o distanciamento do papel dominante de Marega na época passada: desta vez é o maliano a trabalhar para a equipa, em vez de ser a equipa a despejar bolas no avançado. Evolução, de parte a parte.

Fortes nas alturas (+) - Pode parecer um destaque atípico tendo em conta a forma como o Lokomotiv fez o seu golo (já lá vamos), mas Felipe, Militão, Danilo e companhia já merecem este destaque: o FC Porto é a equipa da Champions que mais duelos aéreos vence por jogo, com uma média de 21 por partida, tantos quanto a Roma. Tendo em conta que clubes como o Man. United, o Real Madrid, o PSG ou o Barcelona não chegam aos 13 duelos ganhos por jogo (o que pode não deixar de indiciar mais bolinha pelo chão e menos pelo ar...), é bom ver o FC Porto impor-se nas alturas e ganhar mais bolas do que qualquer adversário.

Soluções (+) - Tanto Corona como Otávio são aquele tipo de jogadores que sabemos que têm muito talento, que podem resolver um jogo numa jogada, mas que também muitas vezes adormecem e alheiam-se do jogo e do seu melhor potencial. Mas o mexicano e o brasileiro voltaram a ter interferência direta no marcador e cada um já teve intervenção direta em sete golos esta época. Mesmo que o melhor 11 não contemple, para já, nenhum deles, ter armas prontas a entrar na equipa que têm golo é algo que faltava na época passada e que não foi adicionado ao plantel numa ida ao mercado. A única esperança era, por isso, que Corona e Otávio acordassem, e os sinais têm sido finalmente animadores.




Modernices (-) - É uma crítica antiga neste espaço, que transcende o FC Porto ou Sérgio Conceição. No futebol moderno, os treinadores desistiram de colocar jogadores a cobrir os postes nos pontapés de canto, em detrimento de poderem povoar mais a grande área, dividindo-se entre marcação à zona e marcação homem a homem. Mas neste caso, o povoamento da grande área não impediu um jogador de 1,78m de cabecear sem grande oposição para o golo. Nem ninguém para evitar o cabeceamento, nem ninguém a cobrir o poste. Para refletir.

6 comentários:

  1. Concordo com a análise mas acho que carece de uma palavra para Óliver, que fez um grande jogo e está cada vez melhor. Na minha opinião, o melhor em campo.

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  2. Fogo, que saudades que tenho dos arautos da desgraça... Parecia que à 3ª jornada da liga, o FCP era o pior, o SConceição não percebia nada disto e benfica ia ser campeão mundial. Só que não, e os tais arautos da desgraça lá vão engolindo em seco e, muito provavelmente, agora dizem "eu sempre acreditei!". Pena, dá pena!

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  3. Então o Óliver, o Brahimi, o Aboubakar, e mesmo o Herrera não passam jogos a fio adormecidos, alternando jogos soberbos com outros em que até nos esquecemos que estão em campo? Para mim é inegável que o Otávio está a atravessar um excelente momento de forma, exibido regularmente em todos os jogos que tem disputado, e com consequências directas no resultado. O mister melhor saberá como o rentabilizar, mas sem dúvida que já fez mais do que suficiente para ser o titular que vinha sendo.

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  4. concordo, ganhamos. Realmente com oliver, brahimi e corona intensos a equipa fica muuito versatil e perigosa para o adversario. Marega esta a subir , esta a ficar cheio de força, Maxi deve se sentar e telles ainda nao esta na forma normal, os dois desiquilibram os momentos defensivos. Otavio e uma mais valia muito boa mas nao tem cabedal para aguentar 90 minutos pode ser um jogadore chave a jogar meia parte. Agora Bazoer deve começar a jogar, joao pedro idem, mbemba idem.
    Um aparte Oliver e uma espinha encravada na garganta de SC , oliver e tudo aquilo que SC nao gosta , adorado pelo publico , tecnicamente bom, faz mexer a equipa evitando o marega mais 10, a reaçao de SC a uma jogada falhada de oliver quando este nao rematou a entrada da area e tentou mais uma voltinha para encontrar um colega em melhor posiçao ( a jogada perdeu se ) foi sintomatica.

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  5. ah as modernices sao modernices, sao evoluçoes no jogo , realmente dava jeito estar um tipo no canto mas nao podia porque poe os adversarios em jogo e tem de sair, logo estar ou nao um jogador nos paus e quase irrelevante, pode ser bom por um acaso mas a maioria das vezes e mau porque permite ao adversario meter a bola mais em cima dos postes, ali a falha foi da organizaçao defensiva no seu conjunto.

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