sábado, 2 de junho de 2018

Análise 2017-18: os guarda-redes

Iker Casillas - Muito simples. Se Iker não tivesse regressado à baliza, o FC Porto muito provavelmente não teria chegado ao título. Porque ter Iker entre os postes não era apenas ter o melhor guarda-redes do FC Porto em campo: era ter estofo, experiência, voz de comando e saber dar confiança à sua defesa. 

Contrato até 2019
Já todos sabem que os guarda-redes do FC Porto são muito menos expostos a remates dos adversários do que os demais da Liga - por isso não importa saber quantas defesas fazem, mas sim a sua percentagem de aproveitamento. E nesse caso, Iker foi o guardião com mais percentagem de remates travados na Liga - 78,3%, ligeiramente acima de Rui Patrício (77,8%). E Iker Casillas melhorou, pois na época passada tinha defendido 75% dos remates e na primeira apenas 70%.

Já com contrato renovado por mais uma época, e com uma redução salarial bastante significativa (embora o FC Porto não pudesse dizer nunca que o espanhol era um jogador caro, pois não foi essa a posição assumida pela SAD no dia da sua chegada), Iker Casillas dá garantias de mais uma temporada na baliza, a nível interno e europeu. E bem, sendo que agora já sabem que têm 12 meses para preparar a sua sucessão - algo para a qual o FC Porto não teria capacidade de resposta interna caso Iker, conforme chegou a estar previsto, deixasse o clube. 

Contrato até 2020
José Sá - Não estava, não está, minimamente preparado para assumir a titularidade na baliza do FC Porto. Sérgio Conceição teve a oportunidade de deixar claro que a sua opção refletia o rendimento nos treinos - e nós, adeptos, não sabemos o que se passa no Olival, logo há sempre essa ressalva. Mas José Sá nunca mostrou ser um fora de série, nem sequer ao longo do seu percurso de formação. Foi dispensado de um Benfica que tinha Bruno Varela como projeto para a baliza, nunca chegou a ser titular indiscutível no Marítimo e tinha apenas um jogo de I Liga pelo FC Porto (derrota contra o Moreirense em 2017) antes de se tornar aposta de Sérgio Conceição.

Não funcionou. José Sá tem 25 anos e, em toda a sua carreira, acumula apenas 31 jogos de I Liga. Pouca experiência, poucas provas dadas. Sempre se revelou um guarda-redes algo permeável (consentiu 41% dos remates que enfrentou no Campeonato), e na Liga dos Campeões foi o segundo pior guarda-redes em prova, com uma percentagem de defesas de apenas 50%. O vendaval de Liverpool acontece uma vez na vida, mas se Munique foi cidade madrasta para Fabiano, Liverpool não poderia ser diferente para José Sá e foi o pretexto para voltar atrás numa aposta falhada.

Como ponto positivo ficam duas boas defesas frente ao SC Braga, no Dragão, e pouco mais. Tem mais dois anos de contrato e não vai evoluir estando no banco, e estando em campo arrisca comprometer. A sua continuidade na próxima época não faz sentido, pois de Beto a Bracalli, foram vários os guarda-redes de qualidade superior e dispensados nas últimas épocas.

Contrato até 2021
Vaná - Na perspetiva de 2017-18, foi uma contratação desnecessária, e o desenrolar da época comprovou-o. O FC Porto não tinha muito dinheiro para gastar, mas o pouco que havia gastou num guarda-redes que passou a maior parte da época na bancada. Estamos a falar de um guarda-redes que nem sequer rodou nas Taças. Jogou apenas no jogo da consagração do título e revelou-se uma pessoa muito divertida ao longo dos festejos, mas ter apenas uma época de Feirense e de I Liga no currículo, aos 27 anos, não oferece grandes perspetivas de futuro. A sombra de Casillas e um papel secundário são o máximo que lhe pode esperar na próxima época - a diferença é que Vaná não chegou a ter a sua oportunidade, enquanto José Sá teve-a e desperdiçou-a. 

Contrato até 2019
Fabiano - O seu papel ao longo de 2017-18 já foi um pouco descrito nos «Bonés» da última jornada da I Liga. O melhor Fabiano é melhor do que o melhor Josá Sá e o melhor Vaná. Mas aos 30 anos, e depois de superar graves problemas físicos, Fabiano está a uma época do final de contrato e é raro ter um guarda-redes que, depois de perder a titularidade, fique no clube para um papel de suplente. É sabido que Sérgio Conceição aprecia as qualidades de Fabiano, algo que pode favorecer o brasileiro na decisão. Para todos os efeitos, estando em forma, é o segundo melhor guarda-redes do plantel principal. Chegará para fazer sombra a Casillas? Ou fará mais sentido que a sombra de Casillas em 2018-19 seja alguém capaz de pegar no seu lugar em 2019-20? Integrar Diogo Costa definitivamente nos trabalhos da equipa A, jogando com regularidade na B e ganhando o seu espaço nas Taças nacionais, é algo a ter em conta, sobretudo porque já renovou até 2022.

2 comentários:

  1. Qual a opinião relativamente à declaração do nosso presidente em que refere que não contratamos jogadores do SCP. É o mais correto a fazer? E se for o Benfica a ir busca los?

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  2. há que ver o que fazer, san iker não dura para sempre e não há uma alternativa óbvia

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