terça-feira, 30 de outubro de 2018

Óliver: era isto que faltava?

A exibição - melhor, os números da exibição - de Óliver frente ao Feirense tem feito correr muita tinta. E bem, essencialmente pelo desempenho a nível defensivo. O que levanta a questão: é isto que separava o médio espanhol de um papel mais regular nas escolhas de Sérgio Conceição?

Os 11 desarmes de Óliver frente ao Feirense são números que surpreendem, sobretudo quando temos em conta que nenhum outro jogador portista conseguiu mais de dois. Mas não basta olhar para a soma: é preciso ter em conta as zonas em que Óliver interveio. E esse aspecto é ainda mais relevante:


Dos 11 desarmes de Óliver, nove foram conseguidos no meio-campo do FC Porto. Ou seja, não é como se isto fosse resultado de uma linha de pressão muito alta e de erros forçados sobre a saída de bola do Feirense (equipa que ainda vai tirar pontos aos grandes esta época): foi o médio em momentos de recuperação, a ter que recuar, a ter que ir atrás da redondinha. Passou por uma missão sempre idealizada para os médios do FC Porto: fazerem o maior trabalho possível para dispensarem os centrais da missão defensiva.

E repare-se que, em apenas 90 minutos, Óliver fez mais desarmes (11) do que aqueles que Felipe leva em oito jornadas completas (10), quase tantos como Alex Telles (12) e tantos, por exemplo, como Militão e Danilo juntos até ao momento. Foi um jogo atípico, Óliver não vai fazer 11 desarmes todos os jogos (Ricardo e Sérgio Oliveira foram os melhores da época passada, com 3,9 desarmes/90 minutos), mas foi também um ótimo indicador sobre quiçá a única coisa que poderia faltar aos olhos de Sérgio Conceição: mais agressividade, mais trabalho de recuperação, mais jogo sem bola. 

O raio de ação de Óliver também foi particularmente amplo, tendo vencido 17 dos 21 duelos que disputou (momentos de desarme, de drible, de disputa de bola), completado 83% dos passes que tentou e acertado 4 de 6 passes longos. E ainda se enquadrou duas vezes para o remate à entrada da grande área, numa exibição completa.


Mas agora vem uma dor de cabeça. Sérgio Conceição dificilmente prescindirá de manter dois avançados na frente. A ausência de um verdadeiro homem-golo no plantel, um ponta-de-lança capaz de jogar sozinho e ser simultâneamente apoio e referência no ataque, contribuindo para todos os momentos no jogo, faz com que não abdique de manter dois homens na frente. E é também interessante observar todas as zonas de intervenção de Soares e Marega (ver gráfico abaixo), de grande amplitude em todo o meio-campo adversário. Ora, com um único avançado, não há hipótese de preencher todo este espaço.

Zonas de intervenção e de remate de Marega e Soares
Portanto, a permanência de Óliver Torres no 11 titular poderia ter que significar a manutenção de Herrera no banco de suplentes, algo que dificilmente acontecerá, sobretudo nos jogos de maior exigência. A metamorfose para o 4x3x3 com Marega a jogar pela direita será sempre uma opção a ter em conta (quiçá já para o curto prazo), mas doravante desfaz-se, pelo menos, um mito: que ninguém volte a justificar a ausência de Óliver no 11 por falta de agressividade. 

9 comentários:

  1. Julgo que a influencia de Oliver no jogo diminuiu assim que Herrera entrou e ele foi obrigado a recuar.
    Ele e um 10, nao e um 8, acho que trocar as posicoes com o Herrera, com o Herrera mais recuado, era a solucao mais logica.

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  2. O problema do Oliver actual e a falta de golo e o dar se menos bem quando agressividade sobe.

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  3. o problema de oliver nao era a falta de agressividade, era a rapidez no passe e claro o remate. So vamos tirar as duvidas quando oliver for pressionado o que com o feirense nao foi porque eles nao estavam a contar com ele, alias com oliver, brahimi e corona intensos estas equipas que defendem tem poucas hipoteses, agora corona e oliver em especial sempre intensos? vamos ver. Mas a equipa nao sao so onze, quantom a avançados andre pereira e o nosso melhor e mais completo avançado agora se SC nao aposta nele..... ja gonçalo era o nosso melhor avançado tecnicamente falando mas para SC os avançados tem de ser toscos e trapalhoes como marega e soares. Maxi esta a mais na equipa mais uma teimosia de SC , deu o golo aos lamopioes na luz e desequilibra a equipa constantemente, outra teimosia e convocar de forma sistematica hernani pelo menos que o meta a def direito. OLIVER E TUDO AQUILO QUE SC NAO QUER, vamos ver.

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  4. Tribunal,
    Mais um excelente artigo. Acredito que o 11 do Porto, em grande parte dos próximos tempos, passará pela parte final do texto. 4×3×3 com Marega a descair para a direita, e Oliver e Herrera simultaneamente no 11. Não será muito diferente do 11 habitual com Otávio, mas a mudança entre Otávio e Oliver exige umas reformulações, que acredito para melhor.
    Esta opção facilitaria também a passagem e preparação para os próximos jogos da Champions, em que, sem Soares e Abouba, o 4x3x3 é praticamente certo.

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  5. Resta saber se foi um jogo ocasional ou se será para manter. Jogos excelentes todos podem ter, mas para ser jogador do FCP e titular tem de manter um nível alto em muitos jogos, o que não aconteceu até agora com Oliver, Corona e outros.

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  6. Os momentos de intervenção de 1 PL e um 3º médio em vez dos de 2 avançados muito provavelmente até seriam superiores.

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  7. Um comentário sobre Oliver retive entre os muitos que foram feitios; foi o de Maniche.
    Na sua opinião, Oliver fez lembrar Deco.
    Sei que não é fácil, pelo menos por enquanto, compará-lo ao NOSSO MÁGICO, mas fica sempre uma ideia a reter: o Oliver é um jogador fabuloso.

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  8. ...ou seja SC é dos consegue fazer dos bons, melhores e destes óptimos. Quem diria hein? ...

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  9. Oliver é já o jogador mais talentoso do Nosso Clube.
    Há que dar-lhe oportunidades e aguardar que as parecenças observadas pelo Maniche se concretizem: Um futuro Deco, não com tanta magia, acrescento eu.

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