segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O canto de Herrera e a defesa de Casillas

Três coisas diferenciam os dois clássicos que o FC Porto disputou esta época no Estádio do Dragão. Primeira: o FC Porto jogou muito, muito melhor contra o Benfica; Segunda: o erro de Herrera, contra o Benfica, fez notar defeitos nos quais poucos reparariam se o jogo tivesse acabado antes daquele pontapé de canto, enquanto desta vez Casillas evitou uma enxurrada de críticas que provavelmente se seguiriam devido à postura do FC Porto depois do 2x0; por fim, o FC Porto, não jogando bem, consegue um bom resultado contra o Sporting, ao contrário do que aconteceu frente ao Benfica, jogo em que mostrou até determinada altura o melhor futebol da época.

Não é tempo de vitórias morais: o FC Porto precisava de vencer, e venceu. Se era jogo em que se podia jogar mal, desde que se vencesse, era este. Este resultado permite tratar a luta pelo título como um assunto praticamente a 2 até ao final da época, ao mesmo tempo em que deixa o apuramento para a Liga dos Campeões muitíssimo bem encaminhado.


O mérito repete-se: o FC Porto tem mais pontos do que aqueles que tinha em qualquer uma das últimas três épocas, mas tem menos pontos do que o campeão em qualquer uma das últimas sete temporadas. No entanto, há que saudar que em 11 jornadas no Dragão o FC Porto só perdeu 2 pontos, precisamente frente ao Benfica. 

O Sporting é uma equipa extremamente limitada fora de casa. Basta dizer que só ganhou 3 jogos fora de portas no Campeonato, sempre por 1x0, e sempre por um detalhe quase sempre chamado Bas Dost, com dois golos em cima do apito do árbitro. Além de que tem uma diferença de golos negativa fora de casa. O FC Porto não podia falhar. E não falhou. 

Segue-se a primeira de 6 jornadas em que o FC Porto sabe o que tem que fazer para não estar com ouvidos ou esperanças noutros estádios: 18 pontos antes da visita ao Benfica. Aproxima-se o último terço do campeonato e o FC Porto tem, à data de hoje, as melhores condições que já teve esta época para lutar pelo título. Teve, contra o Sporting, a ponta de felicidade que faltou noutras alturas, ainda que seja importante perceber que não hão-de ser muitas as vezes em que se consegue tão bom resultado jogando tão pouco, sobretudo na segunda parte. 





Soares (+) - «Não será de estranhar se NES o utilizar já contra o Sporting, para tentar ganhar o jogador. Se Soares tiver a felicidade de contribuir ativamente para uma vitória no clássico, ganha desde logo um crédito enorme sobre a sua contratação», escrevia O Tribunal do Dragão no post do balanço do mercado. Assim foi, NES lançou logo Soares e foi uma aposta ganha para o clássico, com 2 golos na estreia. De notar que o FC Porto fez apenas 3 remates à baliza em todo o jogo, e desses 2 foram os golos de Soares.

Mas o que mais se fez notar foi a quantidade de vezes que o FC Porto solicitou Soares durante o jogo. Para se ter noção, Soares foi a 38 bolas durante o jogo (André Silva e Diogo Jota, juntos, não costumam ir a tantas num só jogo). É certo que perdeu a maioria dos lances que disputou (24 vezes), mas era difícil pedir mais: arrancou 8 faltas, fez 2 dos 6 passes do FC Porto para situação de finalização e conseguiu 2 golos nos 2 primeiros remates ao serviço do FC Porto. Um estreia de sonho e a confirmação: o clássico serviu para ganhar o jogador, tanto que NES até fez algo que nunca tinha feito esta época - substituir André Silva antes dos 65 minutos.


Casillas (+) - Tremeu num cabeceamento de Bryan Ruiz, não teve punhos de ferro para o remate de Alan Ruiz, e acabou definitivamente com um fantasma chamado... Manuel Neuer. A partir de agora, quando nos lembrarmos de uma exibição sobrenatural de um guarda-redes no Dragão, não nos recordaremos do festival de Neuer pelo Schalke 04. Acabou. Agora pensaremos na exibição de Casillas. Foi apenas uma defesa? Pois foi. Mas foi uma defesa que valeu um clássico, clássico esse que pode valer muito mais nas próximas semanas. No momento em que tudo, literalmente tudo ia cair, Casillas manteve o FC Porto de pé. Que mais se pode pedir a um guarda-redes?

Outra vez, a entrada (+/-) - Dois extremos criativos, dois avançados. Uma ideia clara de começar a pressionar logo no início de construção do Sporting. Abdicar de uma construção mais lenta logo no início para empurrar cedo o Sporting para o seu meio-campo. O FC Porto apresenta-se com unidades e plano de ataque, marca cedo, não deixa o Sporting fazer nada nos primeiros 20 minutos. Tal como contra o Benfica, NES não teve receio de preparar um FC Porto declaradamente ofensivo para o clássico, sem receio do adversário na entrada em campo. Mas uma vez mais, foi uma intenção que se esfumou por completo na segunda parte. A diferença é que desta vez houve Casillas.





Demasiados Rebelos (-) - O Estrela da Amadora tinha, na década de 90, um central chamado Rebelo. Um daqueles dinossauros rijos como já não há no futebol português, guiado pela máxima «ou passa a bola, ou passa o jogador». Rebelo não facilitava: estava lá para chutar a bola para longe. E jogo após jogo, ouvia-se na Reboleira: «Alivia, Rebelo!» E assim era, minuto após minuto: o Rebelo fazia questão de devolver a bola para o meio-campo adversário. Fez bem o seu trabalho.

Houve um fenómeno similar no Dragão: parecia não haver meio-campo, tamanha a insistência em que as bolas era diretamente chutadas em profundidade para as costas das laterais do Sporting. Pode ser uma boa jogada para surpreender o adversário, mas quando o FC Porto não faz outra coisa o jogo todo, é óbvio que há motivos para preocupação.

Danilo, Marcano e Felipe têm uma eficácia de passe acima dos 82% na Liga. São por norma certinhos na saída de bola. Contra o Sporting, Danilo teve 54,2%, Marcano 61,1%, Felipe 78,6%. Mais, Maxi teve 53,3%, Alex Telles 50% e Casillas 39,1%. Isto tem uma justificação: o FC Porto só procurava bater bola na frente para o flanco. Poucas vezes construiu jogadas pelo meio, tanto que Óliver Torres fez apenas 29 passes em todo o jogo e Danilo 24. Em média, Danilo costuma fazer 57 e Óliver 48.

Cada bola longa do FC Porto nas costas das laterais era uma bola entregue ao Sporting. O FC Porto bateu mínimos de posse de bola no campeonato no Dragão, com 34%, mas mais preocupante ainda, errou 37% dos passes que fez. É certo que o 1x0 nasceu, inicialmente, da intenção de uma bola longa, mas houve dois fatores que diferenciaram o lance: primeiro, André Silva ganhou a primeira bola de cabeça, coisa que poucas vezes os avançados do FC Porto conseguiram fazer; depois, Corona soube esperar pelo momento exato para meter a bola no sítio certo na grande área. Foi uma das poucas vezes em que houve cabeça no ataque do FC Porto, em que houve uma jogada desenhada que não fosse um balão para a frente.

O lance do 2x0 ajudou, e muito, a disfarçar uma exibição que estava a ser limitada: o passe de Danilo é soberbo, mas foi a diagonal de Soares a torná-lo ainda melhor. Se é certo que o FC Porto, apesar de tudo, quase não permitiu que o Sporting existisse na primeira parte, na segunda o FC Porto desiste por completo de ter a bola. Apareceram demasiados Rebelos em campo: o que importava era que a bola estivesse longe do meio-campo do FC Porto e que o relógio passasse. O Sporting entra 43 vezes na grande área, faz 18 cruzamentos, e apesar de não ter tido propriamente muitos remates perigosos viu o FC Porto dar-lhe por completo a iniciativa de jogo.

Ganhámos? Sim, que foi o que interessa. Mas bastava Casillas não ter chegado àquela bola, ou Rui Patrício ter chegado a uma das de Soares, que isto e muito mais cairia em cima da exibição da equipa e das opções do treinador. O ideal é que isto tenha sido um meio para um fim: o FC Porto usou armas diferentes para ganhar ao Sporting, mas não tenciona acabar a época a jogar resumido ao chutão para a frente. Se é verdade que no final funcionou, bastava a luva de Casillas ter escorregado e tudo seria diferente. Ganhámos quando importava, mas não vamos ganhar muitas vezes assim. Nem vale a pena tentar.


PS: Um à parte. Se dúvidas existiam para alguns, um exemplo perfeito de como Jorge Jesus nunca, nunca poderá vir a treinar o FC Porto. Nunca. Logo após um clássico, cair em cima de um miúdo que fez a sua estreia pela equipa principal num grande clássico revela um nível de asquerosidade do qual nem Jorge Jesus parecia ser capaz. É certo que o problema maior não é Palhinha: Jorge Jesus estava a deixar uma crítica maior a Bruno de Carvalho do que ao próprio Palhinha. Na prática, o que Jesus estava a afirmar é que não teve os reforços que queria, estava a deixar um recado interno. Por isso, «paga-se um bocadinho caro» ter uma equipa com uma grande base da formação. Acontece que Jorge Jesus estava habituado, no Benfica, a ter todos os jogadores caros que queria. E sem ter compras de luxo, não consegue ir além de um nível mediano que, no final, roça a mediocridade. Um treinador que culpa um jogador de não levar o guião correcto, quando o treinador é que é o responsável por passar o guião aos jogadores, diz tudo sobre o seu nível. Jorge Jesus, no Dragão, nunca. Ou então sim, desde que seja sempre como treinador visitante... e derrotado. 

18 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. análise soberba ao jogo.

    ainda assim, o Tribunal ainda não relevou, nas últimas crónicas, as fracas prestações do maxi pereira, com relevo dado para este jogo onde um lance mal abordado poderia causar a tentação do apito...

    de resto, e não é novidade dadas as chamadas de atenção do Tribunal, que NES não é (o) treinador para o FCP. é inconcebível que em nossa casa nos deixemos subjugar como o fizemos durante toda a segunda parte. e não se trata de ceder a iniciativa de jogo. trata-se de saber dispor os jogadores de acordo com os momentos do jogo. porque nem as equipas italianas, com o seu conhecido cinismo, abdicam de discutir o jogo no seu meio campo.

    outra questão que me parece relevante: será o diogo jota melhor que o otávio, a tal ponto que tarda a reentrada do otávio no onze ou nas substituições?

    Pedro Ferreira

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  3. Sou um grande fa do Casillas, mas claramente o tribunal do dragão precisa de rever este vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=HY-0xuJ0edM

    Não há comparação entre as duas exibições, a do Casillas é muito boa, a do Neuer está no ramo do near impossible. Não exatamente a mesma coisa.

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  4. A última frase do texto tem um erro: deveria estar escrito: "Como treinador visitante... é derrotado", pois como está escrito, estão não só a indicar que o querem a treinar o Porto como que perca todos os jogos no Dragão enquanto nosso treinador.
    De resto, boa análise. Pensei exatamente isto durante o jogo. Aquando do canto que culmina na extraordinária defesa de Casillas pensei "Parece que me estou a lembrar do golo do Benfica", pelas razões que apresentaram.
    Quando terminou o jogo, já sabia que o Tribunal do Dragão iria fazer assim este post, e bem. É a verdade, e a verdade existe independentemente de qualquer resultado

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  5. Sem dúvida daqueles jogos em que o resultado é bem melhor que a exibição.
    Confesso que vim do Dragão aliviado pela vitória mas com um sabor amargo pela falta de qualidade de futebol apresentado.

    Gostava de destacar também um boné, ou pelo menos menção honrosa para Brahimi e Corona, os criativos que foram incansáveis no trabalho defensivo e na luta a meio campo.
    O mexicano esteve muito bem pelo corredor direito, fez gato sapato da defesa do sporting e o argelino foi dos poucos com capacidade de manter a posse de bola, quando aparecia em zonas interiores, mais junto de Oliver.
    Este esquema (e esta forma de jogar) obriga-os a trabalhar muito sem bola em prol da equipa mas ainda tiveram algum discernimento para dar alguma clarividência à organização ofensiva da equipa.

    Grande exibição do Soares, que provou que vem acrescentar qualidade ao ataque e San Iker em grande, mostrou a fibra de que é feito.

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  6. Longe de mim querer defender o JJ mas pareceu-me que a frase do guião era mais uma auto-critica do que culpabilizar o jogador.

    E claro, como foi dito aqui, que o que ele disse sobre se pagar caro por se apostar na formação e o "dar um passo atrás para dar dois à frente" é um recado ao presidente e para se desculpabilizar.

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  7. se...se....se...se....se.... sao demasiados ses neste texto. Conclusao do jogo, GANHAMOS!!! o mais importante, jogamos pouco , o costume, no entanto apesar disso o esporting so criou perigo atraves de um def central e por ser alto. A NOSSA EQUIPA E BAIXA E FISICAMENTE FRAGIL PARTICULARMENTE O MEIO CAMPO, com jogadores assim ou sao todos craques no passe ( e nao sao ) ou teremos sempre grandes dificuladedes em jogos rasgadinhos. FALTAM NOS CLARAMENTE DOIS MEDIOS A SERIO sem isso em jogos a serio a bola vai passar a maioria das vezes por cima deles. Assis, pelo menos, deveria ter vindo foi mais um erro da sad e das negociatas onde entra o braga. Com a equipa que deu cinco aos lampioes este esporting tinha levado 6 ou 7, as equipas de JJ sao desiquilibradas e faceis de anular so ganhou nos lampioes devido a compra de arbitros e com. social com a passividade de PC e da sad. Ja agora oliver vai acabar no granada sem espinhas, nao vale 20M imbula faria quase o mesmo. Ah e finalmente temos um ponta de lança que sabe procurar espaços, sabe atacar a bola e tem a baliza na cabeça, a silva tem os mesmos defeitos de aboubakar, na area ou a bola vai ter com ele ou nada feito, a dupla soares / rui pedro funcionaria muito melhor.

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    1. Com este comentário chego à conclusão que não gostas de futebol... Pq quem gosta de futebol e o sabe apreciar verdadeiramente não pode dizer isso de um jogador com a classe e categoria do Oliver

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  8. Comentei um dia destes que não dava mais para o peditório anti-NES. Mantenho. Sabem porquê? Porque sou como o Padre Américo que dizia não haver rapazes maus, apenas mal encaminhados, assim, acredito que Nuno não é mau treinador e vai encontrar o caminho do equilibrio na sua equipa. Ámen.
    JJ é só um xico-esperto que pensa saber tudo de futebol, mas não, falta-lhe o essencial: saber ser Homem.

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  9. Por outro lado, sempre que atacava na segunda parte o fiscal de linha lá via uma falta. Algumas eram, outras fiquei muito longe de perceber. Contra Hugos Miguéis, bola prá frente.

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  10. As razões para JJ nunca poder ser nosso treinador são inúmeras, sendo esta apenas mais uma. Espero é que a direção, nomeadamente o presidente, vejam as coisas da mesma forma que nós.

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  11. Uma análise, clara que subscrevo na sua maior parte.
    O futebol faz-se de detalhes e por vezes, os detalhes são fortuna ou competência. Neste caso, acho que foram mais competência do que fortuna. A opinião alheia e invejosa refere-se às magníficas defesas de Casillas como sendo fortuna. Discordo profundamente, pois da mesma forma que todos reconhecemos a "arte" e o valor de um ponta de lança quando marca um golo (como por exemplo Soares no 2.º golo), porque haveremos de desconsiderar a competência de um guarda redes quando faz o seu equivalente. Casillas limitou-se a fazer o que lhe compete, defender. E tendo em conta o seu currículo e salário, a defender bem, aliás, muito bem. Para mim foi só isso que aconteceu. Não vejo grande fortuna nisso.
    Quanto ao resto, se o FCP foi lá 3 vezes, foi porque foram as necessárias e suficientes. Com certeza que se o jogo tivesse tomado outro caminho (por exemplo se o SCP tivesse chegado ao empate) o FCP seria capaz de lá chegar outras tantas. Não vejo nisso demérito ou falta de capacidade. São as circunstâncias de um jogo. De todos os jogos, de todas as equipas. Aliás, basta recordar a final da Champions que o Milão perdeu para o Liverpool depois de estar a ganhar 3-0. São comportamentos quase inevitáveis no desenrolar de um jogo com estas características (em que há mais ou menos o mesmo valor de parte a parte).
    O Corolário é muito bem resumido no início da crónica. O Porto não ganhou mal mas o SCP não perdeu bem (como já não tinha perdido bem com o SLB). São coisas. O FCP "merecia" bem mais ter ganho no Dragão ao SLB mas empatou. São coisas. Com certeza que para todos (menos para o SLB) teria sido melhor que a "justiça" tivesse ocorrido, pois se o FCP tivesse ganho ao SLB (como "merecia") e tivesse empatado com o SCP (como teria sido "justo") as contas do campeonato seriam outras. Nós estaríamos à frente do SLB e o SCP um pouco menos longe. São coisas...
    Quanto ao P.S. - Não gosto muito da palavra "nunca"... faz-me lembrar o "jamais". :)
    Não é uma posição muito inteligente, nem segura, no futebol, usarmos este termo…
    Jorge Jesus (JJ) tem as suas limitações (amplamente explicitadas pelos seus comportamentos) nomeadamente ao nível da formação de base (chamada educação). Mas gosto de avaliar as pessoas com serenidade e tendo muito respeito pelas circunstâncias da sua vida.
    Quem nasceu em ambientes favorecidos e teve a FORTUNA de crescer em contextos socioeconómicos privilegiados, naturalmente, teve a oportunidade de adquirir comportamentos e estratégias de interação social mais diferenciadas.
    Nesse sentido, acho que tendemos a cair na crítica fácil e leviana, ao “crucificarmos” alguém que não teve a mesma FORTUNA e, por isso, ser mal educado/escabroso/etc...

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    1. O problema não é Jesus ter dificuldades com o Português; é ser mal-educado, arrogante e vaidoso. Mourinho é igual e por isso também já ninguém o atura.

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  12. (Continuação) Percebo o mal-estar provocado nas pessoas, pelos comportamentos socialmente desadequados, mas custa-me ver as fragilidades das pessoas serem escarnecidas por quem fala do alto da sua afortunada e confortável sorte.
    JJ é um homem mal educado? É. Com poucas competências sociais? Sim. Domina mal o idioma? Domina. Sabe controlar as suas frustrações e disfarçá-las com elegância? Não.
    MAS...
    Pensa bem o futebol? Pensa. Desenha bem o futebol? Desenha. Se tiver meios à disposição, sabe aproveitá-los e potenciá-los? Sabe (como poucos).
    Sempre pensei que o que falta a JJ é passar pelas mãos do Pinto da Costa. Tal como aconteceu antes com Mourinho, com Jesualdo, com Fernando Santos... (todos nascidos em “berço de ouro”).
    Acredito que aprenderia a ganhar, a assumir a capacidade que tem e a esconder as suas fragilidades.
    Acho que Pinto da Costa é o Presidente perfeito para JJ e a estrutura do FCP, ajudá-lo-á a crescer enquanto homem do futebol.
    Não sou nenhum Zandinga, mas tenho o feeling/convicção de que com JJ, ganharemos a 3.ª Champions.
    E note-se! Não sou fã do homem Jorge Jesus. Mas privilegio o trabalho e a competência acima de tudo. E JJ, transpira futebol por todos os poros, trinca as "chiclas" para não trincar os jogadores, os árbitros, a relva, a bola… Gosto disso.

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  13. Mas bastava Casillas não ter chegado àquela bola, ou Rui Patrício ter chegado a uma das de Soares, que isto e muito mais cairia em cima da exibição da equipa e das opções do treinador.

    Esta frase diz tudo. Espero que o NES seja campeão, mas por favor não cometam o erro de manter este treinador fraco mais um ano à frente dos nossos destinos. Ou pelo menos arranjem alguém que faça a parte táctica e ele que se fique pelos discursos motivacionais.
    Quanto ao Jesus é hype dos idiotas. Como o VP diz "os adeptos gostam do futebol de vertigem" e é à custa disso que o jj se foi mantendo, porque para mim, eu prefiro resultados e controlo.

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  14. Felizmente o Tribunal do Dragão vê o futebol para além do resultado.
    Excelente análise e subscrevo por inteiro

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  15. Ia o jogo a começar a segunda da segunda parte e eu só esperava não sofrer o golo nos descontos, especialmente no minuto 92: grande Casillas, tu voas-te! Quanto ao Jesus, não concordo, acho mesmo que JJ com a derrota do SCP chegou a conclusão (já tinha chegado com o seu presidente antes do jogo) que estariam afastados pelo título, então JJ está já a preparar a próxima época (claro que não vão dizer assim tão explicitamente, pois eles também não querem ficar de repente sem as receitas das bilheteiras.....). Por último, pareceu-me ver o Oliver nestes últimos jogos abaixo do que costuma fazer, não será melhor no próximo jogo descansar? Apesar de ser um jogo de "Mata-Mata", temos boas alternativas no banco.....

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  16. Como portista, estou feliz pela vitória, pelo empenho dos jogadores e a união que mostram em campo (a forma de celebrar os golos...Danilo no 2º a correr sozinho de braços abertos por exemplo). Contudo, aquela 2ª parte devia ser proibida em qualquer campo, e condenada no Dragão.

    De uma forma muito fria, podemos ver o jogo da seguinte maneira: FCP a jogar como equipa pequena, entrega o meio campo ao adversário e aposta da sua forte estrutura defensiva e saídas rápidas. Faz 2 golos na primeira parte, fruto de boas jogadas. Na 2ª parte, defende como pode. Qual a diferença entre o FCP e uma equipa pequena a ganhar em casa ao Sporting? Foi um "Deus nos acuda" para garantir os 3 pontos, que eram extremamente importantes.

    Adorei a exibição até ao corte do Herrera contra o SLB, mas detestei o resultado. Não gostei da exibição do FCP contra o Sporting, mas adorei o resultado. E só somos campeões com bons resultados...mas no FCP gostamos de cilindrar os adversários com grandes resultados e exibições "sem espinhas".

    Veremos o futuro. NES tem de melhorar muito no timing das substituições. Casillas é TOP, mas algum dia pode não correr tão bem.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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