segunda-feira, 20 de março de 2017

E nada mudou

Antes do Paços x Benfica, o FC Porto estava a um ponto da liderança. Quando acabou o jogo em Paços, passámos a estar a dois. Nada de positivo estava garantido com o empate do Benfica em Paços de Ferreira - pelo contrário, tinham aumentado a vantagem. A euforia precoce paga-se muitas vezes caro. Ou fazíamos o nosso trabalho diante do V. Setúbal, ou nem valia a pena pensar no resultado do Benfica. Não fizemos o nosso trabalho e, assim, fica tudo igual.


Antes desta jornada, o FC Porto sabia que tinha que ir ganhar à Luz para subir à liderança a sete jornadas do final do campeonato. Depois do empate frente ao V. Setúbal, mantém-se tudo igual: temos que ir ganhar à Luz. 

Até à época 2016-17, o FC Porto levava 27 vitórias consecutivas sobre o Vitória de Setúbal. 27. Esta época não ganhou nenhum dos dois jogos. E não é um acaso: este é o mesmo V. Setúbal, com o mesmo anti-jogo e o mesmo Bruno Varela, que ganhou ao Benfica no Bonfim e que foi empatar à Luz. Um jogo é acidente, dois talvez, quatro já formam um padrão: este V. Setúbal é uma equipa talhada para tirar pontos aos candidatos ao título. 

Os adeptos deram tudo à equipa esta semana, desde o apoio no aeroporto até à enchente no Estádio do Dragão. A oportunidade foi desperdiçada e assim se vê o que pode acontecer no espaço de 24 horas, tamanha que foi a inversão de motivação e disposição entre portistas e benfiquistas. Agora, o FC Porto vai ter 90 minutos para tentar mudar o campeonato. Uma oportunidade que pode ser a última e no jogo mais difícil da época, que pode muito bem acabar por ser o rosto da mesma. 




Alex Telles (+) - Subiu, subiu, subiu, cruzou, cruzou, cruzou, lutou, lutou, lutou. Se é certo que tentou invariavelmente o mesmo movimento, não pareceu haver indicações para tentar o contrário. Meteu 18 vezes a bola na grande área, não cometeu erros defensivamente, recuperou oito vezes a posse de bola e foi o jogador mais solicitado em todo o jogo (108 toques na bola, um recorde esta época). Não foi por ele que o FC Porto fez apenas um golo em 180 minutos frente ao V. Setúbal.

Óliver (+/-) - Após uma série de jogos em que o regresso a um esquema com três médios revelou o melhor Óliver da época, o FC Porto regressou ao 4x2x4 e ao limbo que deixa Óliver engolido no meio-campo. Foi demasiadas vezes forçado a recuar para pegar no jogo, faltaram-lhe soluções para a saída curta e, com isso, o FC Porto voltou à insistência em jogar com bola direta. Foi vítima de um esquema que não o favoreceu nem a ele, nem a equipa. Ainda assim, foi dos seus pés que saiu o cruzamento para o golo de Corona e, enquanto resistiu fisicamente, era o único a ter cabeçinha para não se deixar levar pela ansiedade causada pelo empate. 

Iván Marcano (+) - Ninguém gosta de perder no FC Porto, mas Marcano é, provavelmente, o jogador que pior lida com maus resultados neste plantel. É visível a sua expressão de frustração/raiva sempre que a equipa sofre um golo, sempre que uma bola não entra, sempre que a equipa de arbitragem não toma uma decisão justa ou que agrade. Isso, é à Porto. Marcano é o rosto da revolta desta equipa, não só face às circunstâncias que não podemos controlar, como ao que podemos fazer. Quanto ao jogo, Marcano teve um total de 28 ações defensivas em todo o jogo, tendo sido o jogador que recuperou mais vezes a posse de bola (11). E isso quer dizer uma coisa: os médios, desta vez, não foram tão eficazes no momento de recuperação, nem os avançados na pressão à saída do V. Setúbal. Valeu Marcano.




Porquê mudar? (+/-) - Dizer que este empate se deve à mudança de esquema tático de NES é injusto e não faz sentido. Se o FC Porto estivesse em 4x3x3, as bolas de Marcano e André Silva tinham entrado em vez de ir ao poste? João Pinheiro teria assinalado as grandes penalidades sobre André Silva? Felipe não teria escorregado no momento do golo do V. Setúbal? Não, não foi por isso que o FC Porto não ganhou.

Hoje não fez nem jogou menos do que em muitas outras vitórias esta época. A questão é: porquê mudar agora? O FC Porto tinha encontrado um momento de estabilidade, não só tática como emocional, no regresso a um esquema com três médios. As coisas funcionavam. NES poderá ter antecipado um V. Setúbal muito defensivo no Dragão, mas jogar com mais avançados não significa atacar mais nem melhor. 

Se na primeira parte o FC Porto esteve bem, na segunda Bruno Varela, contas feitas, só teve que fazer duas defesas. Apenas duas, num jogo em casa e que valia a subida ao primeiro lugar. O FC Porto não deixou de ter as suas ocasiões: rematou 23 vezes, criou 17 situações de finalização e foi 58 vezes à grande área adversária. Está dentro da média das últimas jornadas em casa. A questão é: porquê mudar agora, quando tudo estava a funcionar? Porquê agora?

Soares à esquerda (-) - O FC Porto tem um problema típico: só podem jogar 11. Mas a tentativa de fazer coexistir Óliver, Corona, Brahimi, André Silva e Soares na mesma equipa tem levado Soares a ser exposto a um trabalho ingrato nos últimos jogos, que não só prejudica o jogador como não beneficia a equipa. Soares tem feito a diferença na grande área, mas hoje esteve constantemente refém do flanco esquerdo, onde invariavelmente ou perdia a bola, ou falhava o passe, não tendo conseguido completar um único drible. Não é culpa do jogador, pois não está a jogar num lugar que favoreça as suas caraterísticas. Nem o FC Porto está a ser favorecido com esta insistência. Soares tem que estar na grande área pronto para receber, não recuado para ajudar a bola a chegar à grande área.

Pânico (-) - Aconteceu o que não podia ter acontecido: o FC Porto perdeu a calma, perdeu a paciência, deixou-se vencer pela ansiedade de ver os minutos passarem e o 1x1 resistir. Isso levou a que, na segunda parte, a equipa tenha jogado muito menos do que na primeira. Menos objetividade, menos critério, e uma ideia clara que o FC Porto não estava preparado para reagir à adversidade de ver o tempo passar.

O exemplo da utilização de Diogo Jota é sugestivo. Jota entrou para o lugar de Corona, para jogar na zona interior do lado direito, dar velocidade e objetividade ao ataque. Mas passados 14 minutos, foi mandado jogar a lateral-direito. E de repente, Depoitre, que não era opção desde 3 de janeiro, é lançado em desespero para tentar apanhar uma bola na grande área. Foram momentos em que o FC Porto perdeu a calma, perdeu a objetividade, perdeu a identidade e deixou-se levar pelo desespero de meter a bola na grande área e esperar que alguém lá chegasse. 

Uma jornada que não mudou o que estava previsto há uma semana atrás: é preciso tentar ir ganhar à Luz. Se deixou ou não marcas na equipa, o clássico será uma boa oportunidade para responder a isso.

15 comentários:

  1. Eu já não acredito.

    A equipa claudicou na hora decisiva, tal como na altura do Lopetegui. Alguém acredita mesmo que esta equipa de Benjamins vai conseguir ser campeã? Nunca esteve na liderança neste campeonato e na única oportunidade de lá chegar falhou.

    Os jogadores do Benfica neste momento sentem que merecem o título pelas jornadas que passaram na liderança, e isso conta muito, vão ter mais vontade e querer.

    Já me preparei e mentalizei para mais um ano a zero.

    ResponderEliminar
  2. De facto, nada mudou. NES continua a destruir o que estava a ser (muito bem) construído. Aquele meio campo...enfim.
    Temos de vencer na Luz, mas sob pressão NES treme e faz a equipa tremer.
    Outro assunto muito importante. Parece-me que o FCP tem de ser campeão com pelo menos 7 pontos de avanço. O presidente das gaivotas disse em entrevista que tem vários guarda redes jovens na equipa, onde inclui Bruno Varela. Ora...mas este reumático afinal pertence a que clube? É que ele jogou contra as gaivotas. Lembram-se do Farense? Tudo pareceu normal e as gaivotas tiveram 3 pontos extra. Não me admira nada que volte a acontecer...até porque o presidente do Setúbal tem muito orgulho em afirmar que as gaivotas são o sustento de alguns clubes.
    Isto não são suposições, tudo dito pelos artistas em questão!

    ResponderEliminar
  3. O tribunal do Dragão viu agora a falta do criticado André André?
    Muito triste... estou mesmo muito triste... Já fomos!

    ResponderEliminar
  4. Infelizmente, meu caro, é demasiado óbvio que a insistência asinina do Nuno no 4x4x2 com meio campo em linha deu o resultado que costuma dar: uma equipa com demasiados espaços entre linhas e com o meio campo neutralizado - nem consegue pressionar e muito menos consegue construir.
    De facto, não só a equipa não constrói (é vergonhoso ver o jogo do Porto começar sistematicamente com uma bola longa da defesa para o ataque, qual equipazita medíocre inglesa dos anos 70) como é incapaz de pressionar rápido a perda de bola do adversário, permitindo trocas de bolas do adversário entre linhas.
    Parecia - parecia! - que o Nuno finalmente tinha percebido o que estava mal, passando a apostar em 2 médios interiores à frente de um Danilo que chega e sobra para o resto. As últimas exibições do Porto foram consideravelmente melhores e, sobretudo, muito mais consistentes e autoritárias.
    Não estava André André? Não, não estava. Mas havia Rúben Neves, Herrera e até Octávio pode, se o treinador assim o quiser, jogar mais por dentro.
    Neste jogo voltámos ao passado recente de má memória.
    Pior do que isso: ouve-se o Nuno falar e logo se infere que o homem não percebe patavina disto. Nada. Zero.

    ResponderEliminar
  5. Não há desculpa para o estrondoso falhanço de ontem. Nenhuma. Nenhuma! É simplesmente imperdoável. Emocionalmente, para mim, o campeonato acaba aqui. Não me desiludem mais. Porque, aconteça o que acontecer, este será sempre o campeonato do menos mau, daquele que tremeu menos nos momentos decisivos. Que saudades do tempo em que o Porto se assumia sem medo, do primeiro ao último jogo, e não dava hipóteses à concorrência, quanto mais perdoar baldas destas, contra o Setúbal, em casa! Demasiado deprimente.

    ResponderEliminar
  6. o jogo so demonstrou uma coisa, FALTA DE ESTOFO DO TREINADOR E DOS JOGADORES. Entramos a dormir mas marcamos na hora aga, popis entramos na segunda parte ainda mais a dormir, lentos, pouco agressivos sem estofo. Agora senao ganham em casa cheia ao setubal ganham em bragam , na madeira e na luz??? nao me parece nem o treinador tem estofo para isso nem muitos jogadores tem estofo para isso. O QUE SE PASSOU NAO E ADMISSIVEL TENHAM PACIENCIA, tou farto das caretas de asilva, da descontraçao de layun, das fintinhas de brahimi, estou farto de um treinador que nao percebe do assunto, que nao sabe o que esta a fazer. PROCURAMOS A TODO O CUSTO O AZAR E ENCONTRAMO LO, IMPRESSIONANTE , ate filipe escorregou se calhar pensa que vai para o madrid.

    ResponderEliminar
  7. Para mim mudou tudo. Ontem quando o árbitro apitou aos 97 minutos acabou-se o sonho de sermos campeões esta época. Psicologicamente o empate de ontem vai destruir esta equipa (e na mesma medida, este empate este empate deu o boos psicologico que os mouros precisavam para chegarem a mais um título). Em casa, com o estádio lotado, sabendo que os mouros tinham empatado e que uma vitória nossa nos davam uma a liderança e o empurrão decisivo para sermos campeões e não ganham?!?!?!?! Não me admiro nada que sejamos goleados (4-0 ou 5-0) na luz. Este empate fez lembrar os (maus) tempos de Lopetegui com aquele célebre empate com o Nacional quando sabiamos que os mouros tinham perddido pontos. Enfim, o novo Porto no seu esplendor...

    ResponderEliminar
  8. "Uma jornada que não mudou o que estava previsto há uma semana atrás"

    Pontualmente, sim nada mudou, mas tudo o resto sim e muito, não a nosso favor.

    ResponderEliminar
  9. Em 4-2-4 o FC Porto perde o meio-campo e perde Óliver que se vê com mais responsabilidades defensivas e mais recuado o que prejudica o seu jogo. Óliver é um craque e nós precisamos mais dele, precisamos que ele jogue mais à frente. Em 4-3-3 isso é possível porque a adição de André André dá mais consistência ao miolo. Quem diz André André diz outro jogador, eu gostava de ver Rubén Neves também.
    Óliver ontem das poucas vezes que se aproximou da área fez a assistência para o golo. No outro jogo marcou e se mais tempo lá estivesse, muito mais faria. NES não pode ter medo de deixar André Silva no banco.

    ResponderEliminar
  10. A minha opinião para o jogo de ontem é que o NES quis ganhar o jogo a todo o custo, adulterando dessa maneira a forma como a equipa vinha jogando nos últimos jogos (alguns com bom futebol). Ao jogar num esquema de 4-2-4 deixamos de ter dois médios para iniciar a fase de construção de jogo e que tão bons resultados vinha dando. Mas em todo o caso, marcamos um golo... e nada melhor do que um ao acabar a primeira parte... daria mais serenidade à equipa...
    Estando eu no estádio, ao intervalo referi que iria ser um jogo para sofrer até ao fim... E tive a confirmação no início da segunda parte... a equipa entrou sem a intensidade necessária e mais uma vez fomos castigados por essa falta de intensidade e de concentração. Depois do golo, foi mais coração do que cabeça e quando a última cartada se chama Depoitre... está tudo dito...

    Outra situação que não se entende é a forma como a gestão dos jogadores é feita... porquê forçar os cartões amarelos no jogo anterior quando o seguinte era em casa, contra o Setúbal...

    Agora temos de fazer o que já antes teríamos de fazer... ganhar na Luz e voltar a apagar aquele estádio e a partir daí comermos ainda mais relva para no final da época estarmos todos nos Aliados, a festejar o título...

    ResponderEliminar
  11. Sinceramente faz-me um pouco de confusão de constatar que a maioria dos nossos adeptos não tenham há muito percebido que sejamos ou não campeões esta é irremediavelmente mais uma época perdida a juntar ás últimas três.

    Para os mais distraídos ou esquecidos, eu explico o porquê desta minha afirmação.

    Como se sabe esta direcção com o Presidente á cabeça, há muito que passou do prazo e durante o último mandato e o início deste não fez mais que hipotecar o presente e futuro do FC Porto; basta ler os últimos R&C da FC Porto SAD e relembrar os últimos planteis e treinadores que tem defendido, ou melhor, não defendido as nossas cores, história e tradição.

    Por isso é que na minha opinião, as péssimas prestações que a equipa vinha realizando eram extremamente negativas no presente em termos desportivos, mas muito positivas para o futuro próximo, pois finalmente os sócios do FC Porto começaram finalmente a perceber que o tempo de quem nos dirige, já passou e está na altura de preparar o penoso futuro que nos espera.

    O Presidente como nunca foi burro, há muito que percebeu que a única forma de se perpetuar a si, como as suas regalias, seria com a receita de sempre; trocando por miúdos, voltar a ser campeão. Dai ter nestes dois últimos anos gasto o que se tem e o que não se tem... mas como a realidade demonstrou em vez de se investir, lançou-se dinheiro para rua, ou melhor para os bolsos dos de sempre.

    Infelizmente nestas últimas semanas há "pala" das vitórias e da recuperação impensável desta triste e fraca equipa, pois na realidade pouco ou nada melhorou, os sócios ficaram novamente anestesiados em relação há dura realidade que nos espera e assim continuará se voltarmos já esta época a ser campeões. O que quer dizer na prática, por cada vez que festejarmos hoje, vamos chorar umas dez vezes amanhã.

    João Santos

    ResponderEliminar
  12. Nada mudou? Mudou tudo! É diferente ir com um ponto de avanço do que com um de atraso. Mudou principalmente o estado psicológico. Por isso mudou tudo. Não haja ilusões com este treinador não temos hipóteses de ganhar no salão de festas. É medroso gosta de inventar quando não deve e não sabe ler o jogo. Outro aspecto negativo é colocar os jogadores fora da sua posição. No final da época adeusinho.

    ResponderEliminar
  13. Infelizmente o mais surpreendente neste empate em casa com o Vitória depois de nove vitórias consecutivas são as nove vitórias consecutivas.

    ResponderEliminar
  14. Há as comissões dos lesados do BES, BPP, BCP, CGD. Nós portista deveríamos criar a comissão dos lesados do NES.

    ResponderEliminar
  15. Viva,

    Creio que é a primeira vez na minha vida que vejo dar quase um quarto de hora de desconto num jogo de futebol. Se se justifica ou não, não sei...

    Em contrapartida, sei que e' a primeira vez na minha vida, apo's mais de meio século de existência, que não sou gozado apo's uma derrota do Porto - contra a Juventus. Tiveram do' de mim? Fico a pensar... tanto mais que o diario Italiano consagrou um espaço raquitico à qualificação da Juventus. E' que a Juventus jogou a passo de caracol...

    Não sou dirigente, não sou empresario, nem represente nem etc e tal, so' não compreendo porque se põe um avançado centro de raiz a jogar a extremo, longe da pequena area. Ainda assim, este ofereceu um golo bandeja, sim de bandeja, a André Silva para este falhar como lhe parece ser frequente...

    O Porto ainda pode ser campeão, continua a depender so' de si, o que não é bom: E' Muito Bom !

    Mas é decepcionante este empate e desculpas ou queixas não mais fazem que alimentar a decepção...

    E Viva o Porto !

    Nuno PortoMaravilha

    ResponderEliminar

De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

Quem confundir liberdade de expressão com injúria, insulto, mentira ou difamação não passará pelo lápis azul. Todo o spam será apagado. Comentários anónimos são susceptíveis de não serem publicados. Nicknames são permitidos.