sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O mesmo filme x3

Terceiro clássico da época. Terceira vez em que o FC Porto é muito superior ao rival. Terceira vez que não sofre golos. Terceira vez em que também não os marca. As grandes penalidades castigaram uma equipa que tem sabido ser melhor, que tem sabido manter a baliza trancada, mas à qual tem faltado muita clarividência nos grandes jogos para acertar na baliza.

Não se trata apenas dos clássicos, pois já tínhamos notado esse fenómeno na Liga dos Campeões. Antes da goleada ao AS Mónaco, em 10 golos, sete foram de bola parada, e os restantes divididos entre um contra-ataque, uma bola em profundidade e uma jogada de insistência com vários ressaltos. 

Falta golo ao FC Porto nos grandes jogos. 270 minutos sem golos em clássicos - ainda que Aboubakar tenha marcado um golo limpo ao Benfica e que o golo anulado a Soares ao Sporting deixe muitas dúvidas; dúvidas essas que recomendariam que se deixasse o lance seguir - é algo para merecer a nossa preocupação, sobretudo sabendo que vêm aí mais quatro clássicos, que podem valer o Jamor ou até mesmo a liderança isolada/reforçada da I Liga. 

Exibicionalmente o FC Porto não se diminui. É mais forte, ataca mais, chega mais vezes ao último terço e tem sabido reduzir os rivais a escassíssimas oportunidades. Mas lá está: o FC Porto tem jogado sempre averso ao 0x0 inicial, é a equipa que mais luta para se desfazer dele, mas não tem sido feliz nesse aspecto. 

No que toca à Taça da Liga, houve diversas adversidades, desde o efeito psicológico de quebra por celebrar quase durante um minuto um golo que não valeu, a lesão de Danilo Pereira, a necessidade de remodelar um meio-campo que nunca tinha sido utilizado e a dureza imprópria neste jogo - FC Porto e Sporting têm uma média de 14 a 16 faltas cometidas e sofridas na I Liga, mas neste clássico cometeram 28 cada. 

E se já não bastava a maldita Taça da Liga, sobraram os malditos penáltis, onde o FC Porto tem sido imensamente infeliz. Benfica, Chaves, Braga, agora Sporting, não esquecendo os antecessores que vão desde o Fátima ao Schalke 04, o FC Porto tem perdido a esmagadora maioria de desempates por grandes penalidades nos últimos anos. Rui Patrício é forte nas grandes penalidades, mas acabou por defender tantos remates como Iker Casillas. Curiosamente, no último desempate com o Sporting o FC Porto tinha vencido, numa ronda em que só João Moutinho falhou. Desta vez saiu ao contrário. 

Aboubakar e Héctor Herrera (que até já tinha marcado desta forma a Rui Patrício num FC Porto x Sporting) nunca falharam uma grande penalidade em tempo regulamentar, mas desta vez erraram. O mesmo para Brahimi, que só tinha falhado 2 penaltys em toda a carreira e tinha uma eficácia de 80% na marca dos 11 metros, mas desta vez acertou no ferro. Correu quase tudo o que podia correr mal, enquanto o Sporting, inofensivo durante 90 minutos (a bola mais perigosa - a única - na direção de Iker Casillas foi-lhe endereçada pelo poste), teve a sorte grande nos penaltys. As meias-finais da Taça de Portugal já eram importantes, agora muito mais. 





Ricardo Pereira (+) - O melhor do lado do FC Porto, mesmo num jogo de dimensão física muito acima daquilo a que o lateral está habituado. Coentrão, Acuña ou Rúben Ribeiro não fizeram nada pelo seu corredor e Ricardo não se inibiu de ir ao ataque, com destaque para a grande jogada em diagonal que terminou com um remate para defesa de Rui Patrício. Fez quilómetros pelo corredor, deu sempre a zona central a Marega (poucos efeitos práticos, mas fartou-se de lutar) e mostrou uma condição física impressionante.


Alex Telles (+) - Certinho a defender, rápido a sair para o ataque. Não pôde chegar tantas vezes ao último terço como é habitual, mas tal como Ricardo fez um jogo irrepreensível na antecipação e na cobertura aos flancos. O Sporting não pôde utilizar os flancos para servir Bas Dost e isso deveu-se à boa exibição dos laterais do FC Porto, também sempre a saírem por cima nos lances de 1x1.

Reação à perda de Danilo (+) - Não há alternativa a Danilo no plantel do FC Porto. Isso já é um problema. Então perder Danilo nos primeiros minutos de um clássico, ainda pior. O FC Porto teve que reorganizar por completo a sua estratégia, com novas funções para Herrera e Sérgio Oliveira, Óliver a entrar a frio e o risco de ter a retaguarda mais exposta. Resultado? A partir dos 15 minutos, o FC Porto foi sempre superior ao rival e, na dimensão defensiva, não se sentiu a falta de Danilo. Ese também houve mais faltas do que o habitual, foi também porque foi necessário ser mais «rijo» perante a falta de Danilo. Grande resposta coletiva da equipa.





A definição (-) - Espaço para rematar? Mais um passe. Espaço para avançar? Vai remate daqui. Um colega ao segundo poste? Vai bola para o lado oposto. É um problema: o FC Porto chega sempre bem ao último terço, mas tem falhado bastante no momento de definição. Invariavelmente vimos Herrera, Sérgio Oliveira ou Marega chegarem com perigo à grande área, mas depois longe de tomarem a melhor decisão. Tendo em conta que o Sporting, em 180 minutos de clássico frente ao FC Porto, fez 2 remates à baliza, bastava aproveitar uma ou duas oportunidades das muitas criadas para ser feliz. 

Será a melhor fórmula? (-) - No Mónaco, Sérgio Conceição surpreendeu com a aposta em Sérgio Oliveira, num meio-campo reforçado. O FC Porto ganhou. Desde então, voltou a repetir isso mesmo em mais cinco jogos considerados «grandes». O FC Porto não ganhou nenhum deles. Talvez seja hora de repensar se esta estratégia funciona assim tão bem nos jogos de maior exigência. Sim, o FC Porto foi sempre melhor do que Benfica e Sporting, mas poderá Sérgio Oliveira ser o tal fator diferencial que vai aproximar o FC Porto da vitória? Não tem sido.

Além disso, há que colocar a questão: quantos clubes, em todo o Mundo, têm um jogador que só utilizam nos grandes jogos? Que tipo de jogador especial será Sérgio Oliveira que só jogou 26 minutos esta época em jogos de menor exigência, mas depois aparece 3 vezes como titular na Champions e 3 vezes em clássicos? Questionável, sobretudo quando há quase um espaçamento de dois meses desde a última aparição a titular. Uma vitória em seis jogos não é o melhor saldo para atestar a eficiência de uma fórmula para os grandes jogos. 

Os clássicos e o desenrolar da época mostram uma coisa: o FC Porto é melhor do que Benfica e Sporting. Mas aqui ninguém quer vitórias ou satisfações morais, mas sim resultados. A bola vai ter que entrar na próxima oportunidade. Para já o Moreirense. 

8 comentários:

  1. Há várias coisas para explicar a incapacidade de marcar nos classicos. A mudança para o 4-3-3 numa equipa que está habituada a jogar em ataques rápidos no 4-4-2, a presença de Sérgio Oliveira no 11 que acaba por ser menos um e também o factor Marega, que é um jogador que falha muito quando a pressão aumenta (contra o Benfica foram dois golos certos).
    A equipa não consegue fazer uma gestão eficaz da posse de bola e tem muitas dificuldades quando o adversário se fecha muito, como foi o caso do último jogo frente ao Sporting, mesmo com óliver em campo, um jogador que poderia fazer a diferença nesse aspecto mas que, por uma razão desconhecida, não está a jogar aquilo que pode e sabe.
    Espero que o reforço Paulinho sirva para inverter esta situação, ele que é bom de bola (como Óliver mas chegando agora não está constrangido como o espanhol). Também faz muita falta um extremo que consiga desequilibrar as defesas contrárias além de Brahimi. Hoje jogamos sempre por Brahimi, Corona anda a jogar muito mal e Ricardo tem mais o estilo de lateral do que de extremo, não é um jogador de fintar, é mais de correr e passar. É preciso outro abre-latas, um jogador com técnica, que saiba fintar mas também soltar a bola, decidir bem, seja passe ou cruzamento, porque só com Brahimi acabamos por ser previsíveis e um jogador como Marega só é bom para o contra-ataque. Continuo a achar que Corona podia ser esse jogador mas as suas exibições mostram o contrário, não está a praticar bom futebol.

    ResponderEliminar
  2. Check!
    Um reparo.
    Sendo você um estatístico, logo nada dado à fortuna, custa-me a entender a evocação ao "azar" nos penalties.
    Pessoalmente até acho que existe, tal como a sorte - aliás os Filosofos detestam-nas, mas na falta de melhores explicações tiveram de arranjar um vocábulo mais académico, o acaso - embora também não deixe de pensar que F.Gomes, Jardel, Falcão ou Jackson, em fases normais, não falhariam a segunda vez.

    ResponderEliminar
  3. pois SC e um bacano mas teimodo e convencido, se as coisas começarem a correr mal la vai a roda. Ele tenrta demonstrar que percebe muito de futebol, de tatica, desdobra se em explicaçoes so que nao tira rendimento ods jogadores de que dispoe por teimosia, que esta a fazer hernani e layun no plantel? andre2 esta a descansar,ele adora fabiano va se la saber porque, deve ser um gajo porreiro. Temos na B ou tinhamos mais , jogadores interessantes , que faz SC no alto da sua sabedoria emocional? nao aposta neles. A SC faz lhe imopressao a uqlidade tecnica , ele preveligia a corrida com potencia ora em jogos decisivos e com equipas equiparadas isso nao chega para fazer a diferença. Sera que soares tem razao?? lembro me que o inicio da epoca SC estoirou soares ate ele ter uma lesao muscular, tera sido propositado? agora foi danilo, marega o seu abono de familia ja esteve no estaleiro, otavio ainda esta, o amigo Sa começou a dar frangos, como ja li algures se ele tivesse deco nao o punha a jogar ou mesmo messi, SC gosta pouco da qualidade tecnica e vamos ver se paulinho joga com ele. UMA JA ERA , SAO JOGOS DIVIDIDOS TUDO PODE ACONTECER, vamos ver

    ResponderEliminar
  4. Concordo com o que escreveu. Contudo continuo a defender aquilo que já disse. Porque é que o porto este ano se anda a desgastar com competições como a taça de Portugal e a taça dos correios? O principalmente é único objectivo deveria ser apenas e só o campeonato que nos foge há 4 anos. O porto não tem plantel para estar em todas as frentes. Comecei por criticar a opção Sérgio Conceição para treinador. A cerra altura dei lhe o benefício da dúvida. Mas agora tenho a certeza que não é. Até poderá fazer um brilharete. E Deus queira que sim. Mas tem muitas falhas. Agora vamos ficar sem o Danilo durante um mês. E porquê? Por má gestão do plantel já de si curto. Por jogadores essenciais a jogar nesta competição que não tem valor nenhum é incompreensível. Depois a questão das substituições. Troca directa. Avançado por avançado. Não faz sentido. Neste jogo em concreto onde não há pontos a defender nem a conquistar e se realmente quer chegar à final tem que pôr a carne toda no assador. O que tem a perder? O que estava lá a fazer o Sérgio Oliveira? Só espero que desta vez tenha tirado ilações. Porque já não é a primeira vez que poderia ter tirado as mesmas. Contudo continua a cometer os mesmos erros.

    ResponderEliminar
  5. Não é falta de sorte, é falta de competencia (técnica é psicológica). O Sporting entrou para os penáltis claramente favorito e, como era expectável, ganhou. Espero que em momento algum passe pela cabeça de SC fazer o mesmo (deixar o jogo ir para os penáltis) na eliminatória da Taça e esperar resultados diferentes...

    ResponderEliminar
  6. Pensei que tinhamos marcado um golo legal e bem legal pelo Soares!!!

    ResponderEliminar
  7. Os pênaltis não são lotaria ao contrário do que dizem. A marcação de um pênalti define um jogador pois é preciso frieza e técnica. Não entendo o bloqueio mental dos jogadores do porto nesse momento. Perdemos com o Braga uma taça, fomos eliminados em chaves e agora pelos viscondes falidos. Os jogadores não os treinam? Não são preparados mentalmente? Não se compreende esta situação. Tem de ser feito um trabalho profundo nesta vertente para não termos mais desilusões. A taça vem aí e os pênaltis podem ser outra vez à solução do jogo. Se tal acontecer não podemos falhar.

    ResponderEliminar
  8. Boas...

    Parece que agora o Conceição já não vale nada porque os jogadores do FCP não souberam aproveitar as poucas oportunidades que tiveram, porque o Danilo se lesionou e porque o SCP é melhor nos penaltis. Só me posso rir...

    Eu sou daqueles que acho também que a Taça da Cerveja deveria ser para as segundas linhas. Mas o SC e o FCP sempre foram claros este ano que esta taça era para ganhar, a equipa agiu como tal e só não chegamos à final porque não calhou.

    Quanto ao SC e à equipa. Caso as pessoas não se tenham dado conta, o FCP ficou aos 9 minutos sem aquele que é considerado por muitos, um dos melhores jogadores do FCP desta época. E o que é que aconteceu? Nada de especial... O SC mudou o esquema e a equipa em momento algum foi inferior ao SCP do mestre da táctica. Se calhar é por isso que o Conceição não vale nada.

    Que a equipa é "curta" já todos percebemos, mas estou em crer que com a lesão do Danilo, os jogadores escondidos (Oliver, Andre 2, etc) vão ter de aparecer e vão dar conta do recado durante o mês de Fevereiro, que será um mês muito exigente. Se o FCP conseguir entrar em Março em primeiro lugar, acredito plenamente que seremos campeões.

    PS1: Esta equipa do SC, na primeira volta terminou com apenas 3 empates, sendo que 2 deles o FCP foi "roubado". Pela lógica e verdade desportiva o FCP deveria ter acabado a 1ª volta com 49 dos 51 em disputa.

    PS2: Parece que o caso do Estoril Bancada está meio morto... Será porque agora o FCP não irá poder utilizar o Danilo?

    Cmpts

    ResponderEliminar

De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

Quem confundir liberdade de expressão com injúria, insulto, mentira ou difamação não passará pelo lápis azul. Todo o spam será apagado. Comentários anónimos são susceptíveis de não serem publicados. Nicknames são permitidos.