domingo, 10 de agosto de 2014

Raúl Jiménez, um erro a não repetir

Que nem um relâmpago, o Atlético de Madrid apresentou nas últimas horas uma proposta superior à do FC Porto por Raúl Jiménez. A transferência para Madrid já é dada como certa. O pai do jogador afirmou que a oferta do Atlético superou as expectativas do America e que amanhã, segunda-feira, a transferência deve ficar fechada.

Uma novela que mostra que o Atlético de Madrid aprendeu com os melhores e que as declarações de Pinto da Costa a um jornal mexicano, a confirmar o interesse em Jiménez, foram das coisas mais inexplicáveis que o presidente fez nos últimos tempos.

Atlético antecipou-se
Vamos por partes. Em 2011 o Atlético perdeu Aguero, a sua grande estrela. Solução? Falcao, o matador do FC Porto. Foi a contratação mais cara da história do clube e valeu cada cêntimo. Entretanto, o FC Porto esqueceu Falcao com Jackson Martínez. O Atlético já não tem Falcao, despediu-se de Diego Costa e Villa. Há Mandzukic, mas falta um ponta-de-lança.

Que fez o Atlético? Avançou por Jackson Martínez, com uma proposta de 25 milhões e variáveis para inglês ver. Afinal, quem melhor do que o ponta-de-lança que fez esquecer Falcao no FC Porto? Mas Pinto da Costa rejeitou de pronto a oferta.

O Atlético, esperto, teve uma excelente ideia: «Já que não podemos ir buscar o Jackson, vamos buscar o tipo que o FC Porto quer para suceder ao Jackson daqui a uns tempos». Bravo, Atlético. Podem oferecer mais ao America e ao jogador, por isso é sem surpresa que superam o FC Porto nesta corrida. E é bom que não passe pela cabeça da SAD tentar chegar aos oito dígitos que o Atlético apresentou, pois o FC Porto não pode pagar pelo suplente de Jackson mais do que pagou pelo próprio Jackson. Se três jogadores chegaram por empréstimo e Brahimi veio com a maior alienação desde Luís Fabiano, não é por se respirar saúde financeira. E, é bom lembrar, já temos dois dos mais promissores pontas-de-lança europeus com idade sénior.

Jimenéz está perdido, mas o FC Porto só se pode queixar de si próprio. O que terá levado Pinto da Costa a assumir publicamente o interesse do jogador? Erro que nem parece próprio do presidente que, com uma declaração do género, começou assim a operação para trazer João Moutinho, na altura capitão do Sporting, para o FC Porto.

Que pretendia Pinto da Costa com aquela declaração? Jiménez já estava mais do que convencido em vir para o FC Porto. Reyes e Herrera já se tinham encarregado disso. Faltava era convencer o America. Era com um interesse publicamente assumido que o America iria ceder? Claro que não. Pelo contrário, aquilo que Pinto da Costa fez foi dar um sinal a todo o mercado.


Os clubes europeus já sabem: «Se o FC Porto o quer, então é porque é bom». O Atlético de Madrid aproveitou, e bem, e agora o FC Porto tem que procurar alternativa. Não é grave, pois no próprio México há tão bom ou melhor e até bem mais barato. Resta saber se Pinto da Costa pode voltar a surpreender e se este erro não terá sido, afinal, algo pensado num plano maior, a envolver o próprio Atlético. A conferir no futuro.

Ghilas foi dispensado, Adrián López não rende a 9 (e até ver nem na ala), Sami deve ser dispensado. Há Gonçalo Paciência e André Silva, mas a ideia passa por atacar o mercado. Gonçalo já se mostrou a Lopetegui, André ainda não, mas consta que o treinador gostou do que viu no Europeu. Mas é bom que o contrato de André Silva seja renovado antes de pensarem nele para a equipa A, pois a partir de janeiro pode assinar por outro clube. Há vontade de todas as partes para renovar, mas nada como tratar dos assuntos atempadamente, até porque com Raúl Jiménez surge mais um caso de que esperar, por vezes, corre mal.

PS1: Luís Castro assumiu, no Porto Canal, que André Silva e Gonçalo Paciência podem jogar juntos no 4-3-3. Gonçalo é ponta-de-lança dos pés à cabeça, André Silva tem todas as características para ser um matador de eleição. Mas na verdade, quando André Silva chegou ao FC Porto era médio-ofensivo, e nos sub-19 chegou a jogar pela ala, com o bem menos talentoso Jonathan no meio. Podem coexistir no 4-3-3? Ou será preferível a que um deles fique no banco?

sábado, 9 de agosto de 2014

A vitória em Inglaterra e o outro triunfo de Lopetegui

Pormenor: o FC Porto nunca ganhou nenhum jogo oficial em Inglaterra. Por isso, a vitória de hoje contra o WBA (3x1) não deixa de ser assinalável, sobretudo num estádio onde Arsenal, Everton, Liverpool, Chelsea e Tottenham não conseguiram ganhar no último ano. Mas o destaque de hoje é outro e vai ao encontro da manchete do jornal O Jogo: Andrés Fernández jogou hoje, mas o titular vai ser Fabiano.

Um recado para todo
o balneário
Uma surpresa. Antes sequer de dar o primeiro treino no FC Porto, Lopetegui convenceu a SAD que era preciso um novo guarda-redes, mesmo tendo sob contrato Bolat, Helton, Fabiano e Kadú. Só faria sentido investir se o nome encontrado fosse melhor do que os que cá estavam. Navas era melhor, mas não se concretizou. Andrés Fernández foi sempre o plano B, resta saber se é melhor do que Fabiano. De qualquer forma, foi uma contratação para ser titular... quando o justificar.

Depois de ter sido aqui comentado o «atestado de incompetência» que foi passado a Fabiano e aos restantes guarda-redes (repare-se que de Ricardo, que foi uma contratação sem intervenção do treinador, ainda não vimos um único minuto), confirmado-se o que diz O Jogo Lopetegui dá uma resposta cabal: não há contratações para o 11 titular, apenas para o plantel.

O erro de Fabiano contra o Everton podia ser facilmente aproveitado como a «desculpa» ideal para lançar já Andrés Fernández, mas Lopetegui valorizou, e bem, quem está há mais de um mês a trabalhar para tentar ser titular. Se Andrés Fernández chegasse e jogasse, Lopetegui daria a pior mensagem possível ao balneário: a de que há titulares predefinidos e que o estatuto pesa nas suas escolhas. Assim, dá outra: querem ser titulares, trabalhem para isso e provem que são melhores do que os que estão a jogar.

É nestes pequenos pormenores que se distinguem os grandes treinadores dos demais. Lopetegui passou em mais um teste.

Bónes:

Pressão alta (+) - Está a ser o ponto alto da pré-temporada. Na saída de bola, o FC Porto consegue colocar cinco homens em pressão nos primeiros 30 metros, o que obriga o adversário a pontapé para frente, caso contrário a posse de bola é recuperada. Hoje, mesmo sem Indi, a defesa já esteve melhor com a linha subida. Casemiro ainda não está adaptado para ser o 6 que tem que estar sempre atento à retaguarda, mas notam-se claras melhorias e fica uma garantia: quando o adversário tiver a bola, não o vamos deixar respirar.

Vimos o melhor RQ7
Quaresma (+) - Não é segredo nenhum que Quaresma nunca conseguiu conviver com o banco de suplentes. Por isso, muitos defendem que um dos grandes desafios para Lopetegui surgirá quando «tiver que sentar o Quaresma no banco». Pois bem, a jogar como hoje, não se senta no banco de certeza. Totalmente integrado na manobra colectiva da equipa, vimo-lo pressionar, fechar o corredor e assistir Jackson com conta, peso e medida. Desta vez não se agarrou à bola, mas sim à titularidade.

À capitão (+) - Jackson, novo capitão do FC Porto, resolveu em quatro minutos um jogo onde o FC Porto até estava a revelar dificuldades para criar perigo. Em três oportunidades fez dois golos e mostra estar em excelente forma (física e moral) antes do início da época. A importância de Jackson é facilmente resumida pelo arrepio na espinha que todos tiveram quando o vimos deitado no relvado, com queixas. É essencial e não tem concorrente à altura no plantel, pelo menos para já.

Outros destaques (+) - Rúben Neves joga como gente grande e já não é um menino tímido, à procura sobretudo de não errar. Joga desinibido, confiante e parece que ele próprio já se esqueceu que tem 17 anos. É uma solução para o plantel principal, ponto. O Alex Sandro da segunda parte é de selecção brasileira, Brahimi é fortíssimo nos movimentos interiores e provou que também pode jogar na ala, embora não dê profundidade no flanco e precise muito do apoio do lateral. Excelente na progressão, tal como Herrera, mas com a vantagem de ser melhor no drible e de poder desequilibrar sozinho.

Machados:

Muita parra, pouca uva (-) - Jackson resolveu o problema em quatro minutos, mas o FC Porto está a ter muito volume de jogo e pouco proveito. A circulação de bola é óptima (sendo que na primeira parte houve muitos erros nas variações de flancos), mas é necessário ser mais incisivo no ataque, colocar mais bolas (e mais gente) na grande área e tentar mais vezes o remate. Sobretudo porque haverá dias em que não poderemos contar com a eficácia de Jackson e outros terão que fazer a diferença.
Ainda não se viu Adrián

Ainda sem render (-) - No mesmo jogo, Adrián passou pela ala e pelo centro do ataque. Em qualquer um dos lugares, não mostrou nada que justifique a titularidade neste momento. Foi a contratação mais cara da época, por isso também é facilmente a desilusão da pré-temporada. Falta-lhe um golo que lhe dê confiança... e aos adeptos também.

PS1: Josué foi emprestado ao Bursaspor, 8º classificado do último campeonato turco. Tendo em conta que o FC Porto estava disposto a transferi-lo a título definitivo (não o fez pela ausência de propostas), não surpreende que tenha permitido um destino para onde os emprestados vão quase sempre sem bilhete de volta. Tem contrato até 2017, qualidade para mostrar numa equipa onde será protagonista e uma oportunidade de abrir outras portas. Seja noutro lado, seja a de regresso. Boa sorte, Josué.

PS2: O Atlético de Madrid apresentou uma proposta superior à do FC Porto por Raúl Jiménez, com quem havia acordo com o jogador mas não com o America. Se a proposta chega aos oito dígitos, é bom que o FC Porto desista do jogador, pois apesar da grande qualidade que apresenta não estamos em condições de investir 10 ou mais milhões de euros por um jogador que não vai ser contratado para ser já titular. O FC Porto deixou o relógio correr e assumiu publicamente o interesse pela voz do seu presidente. O Atlético já aprendeu a lição: «Se o FC Porto o quer, então é porque é bom». Não é tempo para lamentar, mas sim para procurar alternativas, a não ser que haja um golpe de teatro nas próximas horas.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Rúben Neves, uma certeza para presente e futuro

No primeiro dia da pré-época 2014-15, O Tribunal do Dragão escrevia, a propósito da lesão sofrida por Mikel, o seguinte:

Dos juvenis para a
titularidade na equipa A
«(...) Oportunidade para se mostrar uma das maiores promessas não só do FC Porto como do futebol europeu: Rúben Neves. Com apenas 17 anos, foi chamado por Lopetegui, ele que tem uma carreira pautada por treinar/jogar sempre em escalões acima da sua idade. Neste caso, faz a pré-época com a equipa principal, passará a treinar com a equipa B e jogará pelos sub-19. É irrealista pensar em Rúben Neves como uma solução para o plantel principal, mas assinala-se que o FC Porto tem neste jogador um diamante em bruto, que tem tudo para ser dos melhores do mundo da sua posição. A falta de aposta na formação tem limites e esse limite surge quando estamos perante um jogador com tão grande potencial, a que se somam outros nomes».

Na altura, Rúben Neves era um ilustre desconhecido para muitos portistas. Hoje, superou as expectativas inclusive daqueles que já o conheciam. O plano de fazer a pré-época com a equipa A, treinar com a B e jogar pelos sub-19 está rasgado. Agora, é Casemiro quem vai ter que suar para o sentar, pois o lugar na equipa A neste momento é dele. E a cada dia que passa, Rúben Neves vai dando cada vez mais razões à SAD para não abrir os cordões à bolsa para a posição 6 (ou pelo menos não esvaziar a bolsa toda), apesar de ser bom lembrar que ainda não foi testado a nível oficial.

A aposta em Rúben Neves não foi apenas circunstancial, teve também muito daquilo que Lopetegui viu no Europeu de sub-17. Este treinador foi uma notícia para a formação melhor do que qualquer projecto 611: a garantia de que não vai olhar a datas de nascimento, estatuto, nomes ou preço para definir as suas escolhas. Rúben Neves é o primeiro exemplo disso (e a cláusula de rescisão de 20 milhões de euros começa a ficar curta), lembrando que na formação não basta pedir uma oportunidade: é preciso agarrá-la quando aparece, sobretudo porque a primeira pode ser a última.

Entretanto, surge o Lille como adversário do playoff da Champions, uma equipa que no último campeonato francês só foi batida pela lei dos milhões de Mónaco e PSG. Merece máximos cuidados e responsabilidade, até porque tem uma enorme vantagem face ao FC Porto: está num projecto de continuidade, não de mudança/revolução.

A única venda de relevo que fizeram, Origi, até ficou no clube por empréstimo do Liverpool. Mantêm toda a equipa base do último ano e contam com várias unidades internacionais e qualidade indiscutível. O jogo é de entrada na Champions, mas não duvidem que será já um verdadeiro jogo de Champions.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Cinco possíveis adversários e um quinto da época em jogo

Athletic Bilbao, Besiktas, Standard, Copenhaga ou Lille: um deles é o que nos separa da Liga dos Campeões. Não há nenhum adversário que deseje evitar nem nenhum que prefira defrontar. Numa perspectiva de conhecimento do adversário, apesar do Bilbao aparentar ser o mais forte, certamente que Lopetegui preferia encontrar os bascos, mas não vale a pena debater-nos sobre cada um, até porque o sorteio está marcado já para sexta-feira.

Champions, objetivo
a não falhar
Uma coisa é certa: de certeza que nenhum deles prefere encontrar o FC Porto. Afinal, é a 19º participação na Liga dos Campeões que está em causa, um recorde partilhado com Barcelona, Real Madrid e Manchester United (que este ano não vai à Europa).

Lopetegui só vai ter mais 2 jogos para afinar a máquina até ao desafio da primeira mão: dia 9 contra o WBA, o último amigável da pré-época, e no dia 15 contra o Marítimo, na primeira jornada do campeonato. Já não sobra muito tempo, por isso para sábado sobra a questão: dar uma última oportunidade a jogadores ainda em risco de ser dispensados (sendo que vários nem jogaram contra o Everton) ou testar já o 11 base? Pela importância do play-off, opto pela segunda.

Angelino Ferreira assumiu, antes de deixar a SAD, que a participação europeia de 2013-14 deixou um buraco de 8 milhões de euros no orçamento. Em termos de market pool, o que o FC Porto projecta para esta época não irá diferir muito dos 20 milhões de euros, que representam perto de um quinto do orçamento. Com ou sem play-off, os oitavos-de-final são sempre a meta mínima a atingir.

Desta vez, o play-off até traz uma vantagem inédita: a possibilidade de encaixar mais 2,1 milhões de euros, por disputar esta eliminatória. Nenhum dos investimentos feitos até aqui depende do apuramento para a Champions (em termos contabilísticos o investimento para já ronda os 25 milhões de euros, menos do que na última época, mas isso não implica que afecte a tesouraria a curto prazo, pois o investimento imediato será reduzido - a conferir detalhadamente  no R&C trimestral). Mas ainda há quem julgue que o FC Porto está a investir sem paralelo no futebol português.

De qualquer forma, o FC Porto ainda espreita duas investidas caras no mercado, por Clasie e Raúl Jiménez (Iván Marcano será anunciado quando Mangala o for). Não será surpresa se um destes nomes ficar em banho-maria até jogarmos o play-off, até porque está em causa não só um quinto da projecção orçamental para 2014-15, como sobretudo a grande montra onde a máquina de Lopetegui pode brilhar. Mais do que um objetivo, uma necessidade para a próxima época.

Luís Filipe Vieira, a crise da banca e do Benfica e os malandros do BES

«A culpa é do BES». Já temos resposta para a hegemonia nacional que o Benfica conseguiu perder durante a pré-época. Se não fossem esses malandros, o Benfica não teria vendido Garay, Oblak e Markovic, não precisava de vender Enzo Pérez e Gaitán e ainda dava para chegar a Ricardo, Casemiro, Brahimi e Clasie antes do FC Porto. É isto que nos estão a querer «vender». Será que é mesmo assim?

Vamos fazer essa coisa extremamente complicada, que pelos vistos não está ao alcance de muitos cronistas e opinion makers: abrir o último relatório e contas. Se não fosse o BES, o maior parceiro bancário dos 3 grandes, o Benfica nem sequer teria chegado a Garays e Rodrigos, até porque é accionista do Benfica Stars Fund (que comprou 20% de Cardozo por 4 milhões e agora recebeu... 1 milhão!), de onde a SAD já tirou mais de 50 milhões de euros. Mas, sabe-se lá porquê, a culpa disto tudo é do BES.

Gestão segundo
Luís Filipe Vieira
Qual não é o nosso espanto quando abrimos o último relatório e contas... e o Benfica não tem mais nenhum compromisso com o BES até ao final de 2014. Calma, há algo de errado! Então não foi por causa da crise do BES que o Benfica teve que vender Oblak, Markovic, Garay e Cardozo? Ups!

Até ao final de 2014, o Benfica mantinha um único compromisso com o BES: em abril tinha maturidade o empréstimo de 64,3 milhões de euros. Então Luís Filipe Vieira passou à acção: empréstimo obrigacionista de 50 milhões lançado em dezembro e vendas de Matic, Rodrigo e André Gomes por 58 milhões (antes de comissões e impostos). Já dava para cumprir o empréstimo e liquidar o único compromisso financeiro com o BES até ao fim do ano. Então, porquê a debandada depois de abril?

Logicamente, nenhuma SAD reduz de uma só vez o passivo de forma tão grande. Há renegociação, troca de garantias, renovação, diversas formas de empurrar com a barriga. Então o BES, esses sacanas, lembraram-se de dizer: não, agora vocês têm que nos pagar parte do que nos devem. Como se atrevem, BES!?!? Como será possível não revalidarem o crédito a um clube cujo passivo consolidado, incluindo todas as sociedades participadas pela SAD, supera os 600 milhões de euros!?!? Então não vêem que eles têm um grande activo, um grande património!?!? O Benfica, através da Benfica Estádio, só deve ao BES/Milennium bcp 76,153 milhões de euros! Isso são peanurs, BES!

A exposição do Benfica ao BES é pequenina, são só 113 milhões de euros! O FC Porto, esse clube falido que perdeu a hegemonia no último ano, é que está de rastos, imagine-se que a exposição deles no início da época era de uns pornográficos 34 milhões de euros, um terço do Benfica! O FC Porto tem uma exposição ao BES de 15% do total dos três grandes, enquanto o Benfica tem apenas mais de metade! Sacanas, BES!

Oh Salgado, então
travaste a hegemonia?
Pois é, o BES fechou a torneira. Seguiu o exemplo de BPI e do BCP antes da crise da dívida soberana, ele que era o único banco a dar a mão aos 3 grandes. O Sporting apertou o cinto, fez uma boa reestruturação financeira, mesmo recorrendo a capital angolano e com uma participação d'aquele-cujo-nome-não-deve-ser-pronunciado em Alvalade (quem? perguntem ao presidente da transparência). O FC Porto sempre teve a SAD com menor exposição à banca e com menos empréstimos bancários a saldar, logo é a SAD com melhores condições para responder ao novo desafio do futebol português: gestão sem crédito bancário. Alternativas? Empréstimos bancários com garantias extraordinárias (o FC Porto fê-lo com o BES com Mangala e/ou Jackson, dois jogadores de calibre internacional), recurso a banca estrangeira (caraças, onde andam os russos do Bruno?), fundos de investimento (que têm os dias contados) ou... empréstimos obrigacionistas.

É isso! É a salvação do Benfica, empréstimos obrigacionistas. Vamos apelar ao clube com mais sócios do mundo! Subscrevam um novo emprést... Ahm... Ups. Não, não é possível, ninguém nos tinha avisado! O Benfica tem a liquidar em outubro 35 milhões de euros e em dezembro 50 milhões por empréstimos obrigacionistas!?!? E o total em empréstimos obrigacionistas ascende a 130 milhões de euros!? Mas espera lá, isto não é... hum... Maior do que a dívida do Benfica ao BES?

Eureka! Eish, está aqui o problema: o Benfica deve 85 milhões de euros em empréstimos obrigacionistas até ao final de 2014, e o dinheiro de Matic, Rodrigo e André Gomes já não entra aqui. Ora, vamos lá à moda do Guterres: fazer as contas. Oblak, Garay, Markovic, Cardozo... Hmmm, chega aos 85 milhões? Não!? Ena, vamos ter que vender o Enzo Pérez e o Gaitán!? Caraças, se ao menos soubéssemos que isto ia acontecer...

Pobres benfiquistas. Como poderiam eles saber que, enquanto festejavam o triplete dos pobres no Marquês, estes números estavam todos chapados nos relatórios e contas da SAD à qual pagam quotas? A culpa é dos sacanas do BES! Mas há quem culpe Luís Filipe Vieira, o presidente cuja primeira década no Benfica coincidiu com a melhor década da história do FC Porto. Oxalá chegasses à segunda, Vieira, mas enquanto a banca não vai deixar cair o Benfica (embora vá levar uns belos furos no cinto), parece que não terás a mesma sorte. Ou esperem...

Terá Luís Filipe Vieira tido o seu momento Ferreira Leite? Terá Luís Filipe Vieira antecipado toda a crise no Benfica (bem, qualquer pessoa que olhasse para os relatórios e contas antecipava facilmente a razia, mas adiante)?

Vieira, o sucessor de
Manuel Ferreira Leite
20 de março de 2014. A SAD do Benfica vive o seu momento alto na bolsa em toda a época, com as acções a atingirem uma cotação de 3.02. O Benfica torna-se uma sensação na bolsa... e Vieira aproveita! Na mesma semana, vende 73.906 acções, a valor unitário mínimo de 2.30, e encaixa uns modestos 190 mil euros. Para um presidente que se orgulha por não ser remunerado, embora adore negociar com clubes que têm projectos de construção de infraestruturadas, já é uma bela reforma, Luís Filipe!

Mas calma, a premonição não ficou por aqui. O momento Ferreira Leite de Vieira voltou a sentir-se entre os festejos do triplete e vendeu mais 22.479 acções, por 58 mil euros. E ainda dá para manter 3,28% do capital da SAD. 

Luís Filipe, um visionário: no início de junho, as cotações da SAD do Benfica, face ao dia 20 de março, sofriam uma «ligeira»... desvalorização. As cotações baixaram para 1.1 e à data de hoje estão nos 1.02. Mas Luís Filipe Vieira, como brilhante gestor que é, soube que ali, no dia 20 de março, era o dia ideal para vender. Mas os pobres dos investidores comuns só agora estão a ser aconselhados pelos gestores bancários a venderem as acções da SAD do Benfica, que à boa maneira moodyana são consideradas lixo neste momento. O burro não é ele. 



E agora, como tapar estes 85 milhões de euros de empréstimo obrigacionista até ao fim do ano? Dá para emitir um quarto empréstimo obrigacionista? Não, não, muito difícil, as subscrições são cada vez mais curtas. O FC Porto, por exemplo, quis emitir um de 15 milhões de euros, mas aquilo está tão falido que a procura superou a oferta em 13 vezes! O FC Porto pediu 15 milhões de euros, os investidores quiseram emprestar-lhes 195 milhões!

Como podemos nós competir com tamanha e tão competente gestão!? Entreguemos as faixas, ninguém pára o Benfica. Ah, só mesmo os sacanas do BES...

domingo, 3 de agosto de 2014

Everton - FC Porto (1-1), a deixar água na boca

Que têm em comum Chelsea, Tottenham, Liverpool, Arsenal e Manchester United? Nenhum deles conseguiu ganhar em Goodison Park na última época. O Everton é um osso muito duro de roer em Inglaterra, por isso o empate 1-1 foi um excelente teste para o FC Porto, com uma primeira parte pouco conseguida e uma segunda que já deixou água na boca. Falta apenas mais um teste (WBA, dia 9) para terminar a pré-época, mas a amostra já é bastante promissora.

Bonés:

Brahimi já brilha
Reforços (+) - No verdadeiro sentido da palavra. Brahimi, quando ganhar capacidade de reação à perda de bola e assimilar o processo defensivo, vai ser um nome de excelência para o meio-campo (uma maravilha com bola no pé); Tello tem uma capacidade de explosão e drible que fazem a diferença; Jorge Andrade, se fosse canhoto, chamava-se Martins Indi - não tem muita velocidade e tem que controlar a impetuosidade, mas sabe ler o jogo, impor a capacidade física e é forte no início de construção; Óliver, hoje numa nova função, é um prodígio técnico mas tem que ser um pouco mais incisivo em termos ofensivos.

A referência (+) - Jackson Martínez é mesmo o melhor reforço para a época. Com um carrossel com tanta qualidade do meio-campo para a frente, Lopetegui não pode prescindir de um 9, um matador, uma referência na grande área adversária. Jackson é a única solução no plantel neste momento e tem que ser titular. Um bom golo, bem servido por Herrera.

Novo fôlego (+) - Maicon assume-se como o patrão da defesa nesta pré-época, mesmo quando muitos insistem que ainda pode sair. Quintero encaixou bem a jogar a partir da direita, mas para isso irá precisar que Danilo (profundidade pelas costas) e Herrera (versatilidade naquela zona) acelerem o jogo pelo lado direito, pois Quintero é bom em espaço curto, não em progressão. Herrera também fez mais um bom teste e está mais pressionante na transição defensiva (o papel que tem que adoptar, em vez de recuar logo para a linha de Rúben Neves - a agarrar o lugar no plantel principal - ou de Casemiro). Alex Sandro esteve muito bem na recepção durante as várias variações de flanco, mas o Everton criou vários lances de perigo por esse lado, sobretudo após a entrada de José Ángel. E sem um trinco torna-se mais complicado assegurar o equilíbrio.

Machados:

A ironia (-) - Foi uma exibição à Fabiano. Consegue barrar todo e qualquer tipo de remate, mas quando é pressionado quando tem a bola nos pés treme por todos os lados. O lance que deu o golo ao Everton foi uma infelicidade, mas uma boa «desculpa» caso Lopetegui queira passar já o testemunho a Andrés Fernández - Ricardo parece nem sequer contar, pois nos últimos 3 jogos não saiu do banco. O próprio Fabiano, nota-se, tem tentado jogar mais com os pés, talvez tentando «mostrar-se» a Lopetegui, e foi por essa exposição que acabou por falhar.
Pré-época sem golos

Sem baliza (-) - Na primeira parte, o FC Porto esteve bem na circulação de bola, na ocupação de espaços e na variação de flancos, mas jogou como se não houvesse uma baliza onde era preciso meter a bola. Adoptar esta postura quando é preciso controlar um jogo será útil, mas antes é preciso marcar. 

Ainda perdido (-) - Adrián López continua sem encaixar neste FC Porto. Não pode jogar no eixo do ataque em 4-3-3 (a não ser num contexto de Champions, contra um adversário mais forte, solto na frente de um 4-1-4-1) e Lopetegui já terá percebido isso. Nos flancos a concorrência é forte, por isso o reforço mais caro da época vê a luta pela titularidade complicada. A jogar na posição 9, não só não criou como não ajudou a criar perigo. Seria bom vê-lo, contra o WBA, na ala simultaneamente com Jackson no meio, pois se não se mostrar arrisca começar a época no banco.

Lugar em risco (-) - Evandro e Carlos Eduardo podem ter o lugar em risco no meio-campo, mas o segundo já se mostrou a espaços na pré-época, ao contrário de Evandro. O mais recente ex-Estoril é um médio completo e de qualidade, mas esteve muito apagado e a camisola pareceu ser pesada para ele. O futebol desinibido que mostrava no Estoril tornou-se tímido no FC Porto. Já José Ángel esteve mal na sua estreia, até pareceu ter «falta de vontade», mas foram apenas os seus primeiros 15 minutos com novos colegas, num novo contexto e com uma nova camisola.

Finalmente, um Jackson renovado. E quando 20 horas de trabalho por dia não chega

A notícia mais ansiada finalmente foi concretizada. Jackson Martínez renovou até 2017, e apesar da cláusula de rescisão ter baixado de 40 para 35 milhões de euros (válida a partir de 2015), para este defeso deixa de existir qualquer cláusula de rescisão. Portanto, se Valência e companhia se quiserem chegar à frente, já sabem que neste momento Jackson tornou-se um jogador ainda mais caro: a SAD só venderá se quiser, e além disso o Cha Cha Cha passa a ser o mais bem pago do plantel, por isso já não será tão fácil seduzi-lo com um contrato milionário.

Motivos para sorrir
O prémio de assinatura deverá ter sido bem chorudo (a confirmar no R&C do primeiro trimestre da nova época), mas acima de tudo merecido. A SAD deu um sinal afirmativo de que quer contar com Jackson e fazer dele referência goleadora para a nova época. Outros clubes poderiam oferecer-lhe mais dinheiro, mas dificilmente Jackson encontrará outra equipa que se esforce mais por ele. Pedimos que continue a responder com golos, sobretudo agora que está rodeado de bandejas de qualidade prontas a alimentá-lo.

Entretanto, a veracidade da entrevista de Pinto da Costa ao Récord, a assumir a intenção de contratar Raúl Jiménez, foi confirmada e a mesma foi concedida antes de oficializada a saída de Ghilas. Lopetegui tem por isso uma excelente oportunidade para, no estágio em Inglaterra que começa este fim-de-semana, testar Jackson a 9 e Adrián na ala, pois Raúl Jiménez está encaminhado para ser substituto de Ghilas e não de Jackson, promovido a capitão, como já tinha sido adiantado. Resta saber se há margem para confirmar Iván Marcano, trazer um último médio e conseguir já Jiménez sem vendas que suportem estes investimentos.

Os jogos com Everton e WBA vão definir as últimas dispensas e há expectativa para ver se Lopetegui já irá testar o seu 11 base, que há muito não era tão complicado de imaginar. A qualidade abunda e as expectativas também, mas já estamos em mês de playoff da Champions. Um objectivo que não podemos falhar, caso contrário os últimos dias do mercado podem ameaçar a constelação de estrelas que Lopetegui, Pinto da Costa e SAD conseguiram formar no plantel.

Entretanto, com a renovação de Jackson e tendo em conta que Abdoulaye (ainda por confirmar no Rayo e com outros clubes a pedi-lo), Defour e Varela estão no mercado e Mangala à espera de luz verde no City, sobram 5 jogadores cujo contrato acaba em 2016: Fabiano, cuja continuidade na baliza é uma incógnita, Quaresma, que por já ser trintão não vai renovar para já, Kelvin, à espera da sentença de Lopetegui para decidir se a renovação avança ou não, e Alex Sandro e Danilo - os 2 casos a resolver a médio prazo.

Ele diz que não é «banana», mas acha que os outros são

Bruno de Carvalho, o presidente do clube que se autointitula «a maior potência do desporto português» (uma maneira suave de reconhecer que não são o maior clube nacional), apresentou-se no futebol nacional como um exemplo de «transparência, rigor e procura de verdade desportiva». E prometeu oferecer sempre «a verdade aos sócios», entre as muitas acusações e ataques ao FC Porto, sobretudo pelo nome do presidente Pinto da Costa. Ora vejamos.

Eric Dier, para insatisfação em Alvalade representado pelo pai, saiu para o Tottenham por 5 milhões de euros. Uma verba modesta para o miúdo que há um ano era comparado a Beckenbauer, mas que até rende o dobro de Garay e permite um encaixe superior ao que Marcos Rojo algum dia poderá oferecer. Mas não é esse o destaque.

Num comunicado, o Sporting queixou-se que foi apanhado de surpresa por uma cláusula de rescisão no contrato de Dier, de 5 milhões de euros, que o Tottenham accionou. A culpa é da «administração anterior», dizia, que celebrou contrato sem que o presidente que diz que trabalha 20 horas por dia alguma vez tivesse sabido.

Ora, há um ano o DN escrevia isto (recorte tirado do blogue «Palavras ao Poste»):


O presidente da transparência, que não esconde nada dos seus fiéis sócios, que trabalha 20 horas por dia, sabe menos sobre os contratos do clube do que um jornalista generalista? É Godinho Lopes que não deixa de «assombrar» os sportinguistas ou é Bruno de Carvalho que faz questão que esse fantasma continue por perto? É que um bode expiatório dá sempre jeito, como foi este o caso.