quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Saia uma fatura para Leicester

Na despedida do Dragão na época 2014-15, os Colectivo mostraram uma tarja que falava por si: «Vão de férias? Parecia que já estavam!». Há uma grande diferença entre jogar mal e jogar sem esforço, sem empenho, sem compromisso. Quem representa o FC Porto pode jogar mal - acontece a todos -, mas nunca pode deixar de jogar sem comer a relva e dar tudo em campo. Ora este FC Porto nunca veria aquela tarja. Esta equipa esforça-se, luta, quer ganhar. Mas não joga suficientemente bem. 

Não há nada a apontar ao compromisso dos jogadores com a tentativa de vencer. Uma defesa de patinhos feitos que dá segurança. Um meio-campo de pesos-leves que se esfola a pressionar e a correr. Avançados jovens que se desgastam a si próprios e ao adversário ao máximo. Estes jogadores empenham-se, quiseram ganhar em Copenhaga, quiseram garantir já o apuramento.


Por isso, quando vemos que os jogadores se empenham, lutam, transpiram espírito coletivo, e que ainda assim a equipa não consegue ganhar e/ou jogar suficientemente bem, então há algo que está a faltar. Quiçá alguém dentro das quatro linhas, ou alguém fora delas. 

O apuramento para os 1/8 continua perfeitamente ao alcance do FC Porto, desde que meta na cabeça que o Leicester é uma equipa inferior e não é nenhum bicho papão. Alguém se lembra de temer um supremo Boavista em 2001-02? Não, porque sabiam que aquele título tinha sido episódico, coisa de uma vez na vida. Mas há que ter em atenção que esforço, luta e empenho não estão a chegar.






Felipe e Marcano (+) - Quando as vitórias não apareceram, há coisas boas que ficam ofuscadas. Esta não pode ser uma delas: estamos com uma senhora dupla de centrais. Para os mais esquecidos, nos últimos 570 minutos (6 jogos), o FC Porto só sofreu um golo, e todos se recordarão de qual - e como - foi. E nos últimos 9 jogos, o FC Porto sofreu apenas mais um golo, em Brugge. Os centrais têm que ser destacados por esta eficácia defensiva.

Marcano e Felipe não são uma das melhores duplas de centrais da história do FC Porto, e provavelmente nunca serão mencionados para um top 10. Mas são eficazes. Não inventam, jogam simples, mostram sintonia, controlam muito bem a profundidade, poucas vezes perdem lances pelo ar e têm sido impecáveis na marcação. Também cometem erros (Felipe falhou ontem 16 passes, uma quantidade anormal de falhas na saída de bola), mas naquilo que é a sua função principal - defender e não sofrer golos -, era difícil pedir mais. Claramente que o facto de a equipa não sofrer golos tem que ser destacado por todos os protagonistas da defesa, desde Casillas até Danilo, mas Felipe e Marcano merecem este destaque. 

Outros destaques (+) - Não foi capaz de manter a consistência, mas objetivamente foi dos mais perigosos e trabalhadores em campo. Otávio criou, sozinho, mais situações de finalização do que todos os colegas e voltou a estar em evidência nas ações defensivas, ao recuperar 5 bolas e fazer 6 desarmes. Além disso, para um jogador da sua baixa estatura, ganhar 3 lances de cabeça é sempre assinalável.

Óliver não esteve tão bem no passe, mas não se cansa de procurar soluções à sua volta, procurando manter sempre a equipa a rodar e a circular a bola. Procura sempre dar largura à equipa e impor critério na distribuição de bola, embora não esteja a ser influente no último terço (um golo e nenhuma assistência em 14 jogos).


Por fim, Corona em bom nível na segunda parte: procurou o desequilíbrio, fez dois pares de bons cruzamentos, procurou movimentos de ruptura e só lhe faltou ter capacidade de remate (apenas uma tentativa). Tem que ter mais golo. 






Uma parte de avanço (-) - Chega o intervalo e o FC Porto não fez um único remate à baliza. Nem um. Isto diz tudo sobre a qualidade da exibição na primeira parte. Antes do jogo em Belém, talvez fosse boa ideia Nuno Espírito Santo dizer duas coisas aos jogadores: antes do jogo, o que disse antes do jogo com o Benfica; ao intervalo, o que disse antes desta segunda parte em Copenhaga. A equipa revelou caras diferentes, melhorou na segunda parte, mas quem faz 45 minutos deploráveis como estes não pode dizer que entrou em campo com o objetivo de marcar cedo e sufocar o Copenhaga. Ou então não passou do plano à prática. 

Zero no ataque (-) - A improdutividade do FC Porto no ataque começa fora de campo. Nos últimos 5 jogos, apenas 2 golos. Mau, muito mau. Para começar, o principal criativo do FC Porto (não na perspetiva da equipa, mas do lance individual), Brahimi, não conta. Depois, Depoitre, um disparate de contratação (na medida em que pouco joga - pior do que vermos um jogador caro a jogar mal, é nem sequer vê-lo jogar) quando o FC Porto necessitava, aos olhos de todos, de uma alternativa/complemento a André Silva, não conta para um jogo onde o FC Porto conseguiu fazer 28 cruzamentos. E atenção, pois as contas trimestrais vão ser apresentadas antes do final do mês e então poderá ser possível confirmar se o 2º ponta-de-lança mais caro da história do FC Porto só serve para jogar uns minutos contra Gafanha e Chaves. 

Brahimi, que devia ser um match-winner, nem ao banco vai. E Depoitre, que tinha que ser o ponta-de-lança que resolveria os jogos quando faltasse André Silva, não saiu do banco em 9 dos últimos 11 jogos. Quem decide que Brahimi não joga neste FC Porto e que Depoitre era o ponta-de-lança ideal para ser contratado esta época deve ter muito em que pensar. 

Dentro de campo, por maior que fosse o esforço de André Silva e Diogo Jota, faltou novamente o killer instinct . Faltou presença na grande área, numa noite de muita desinspiração. André Silva foi o mais rematador (5 vezes), mas sempre sem eficácia. Diogo Jota terá feito a sua pior exibição no FC Porto: perdeu 11 lances e foram poucas as vezes em que criou perigo. Carregar tudo sobre os ombros de uma dupla de avançados sub-21, sobretudo num nível de exigência de Champions, é demasiado. Um abre-latas e um ponta-de-lança mais forte fisicamente poderiam ter dado outros argumentos para resolver o jogo na segunda parte. Pois...

Nota negativa para a exibição de Maxi Pereira, longe da melhor forma depois da lesão. Se em boas condições já seria difícil justificar a titularidade em detrimento de Layún (que, apesar de ser mais forte à esquerda, mostrou qualidade também à direita), assim muito menos. 

Ah. E desta vez, não ficou a sensação de que ficámos a perder alguma coisa por culpa do árbitro. Não senhor, nem foi por causa da qualidade do Copenhaga, que na segunda parte não fez um único remate à baliza. Não ganhámos por culpa própria. O Leicester vai ao Dragão relaxado, já com o primeiro lugar garantido, quiçá até com suplentes (defronta o City 3 dias depois), enquanto o FC Porto precisa de vencer para se apurar (livrem-se de meter um ouvido que seja em Brugge). Não há desculpas. Fazer 2 pontos em 6 contra o Copenhaga já foi mau o suficiente. Têm mais uma oportunidade. E será a última.

13 comentários:

  1. Como sempre, mais uma excelente análise. Em relação ao "killer instinct" que referem do André Silva e do Diogo Jota, não acham que o facto de terem de jogar em quase 50 metros de campo os prejudica claramente nesse aspeto? Ontem, mais uma vez se viu ambos por diversas vezes a vir buscar a bola ao meio campo ou até antes e levar o jogo para a frente. Diria que tirando Messi, qualquer jogador no mundo se iria ressentir de tanta correria. Ou seja, no momento da finalização, esse cansaço prejudica claramente o discernimento. Até o Ronaldo, para se tornar no matador que é, participa cada vez menos nos restantes momentos do jogo. Falando de casos mais "mundanos", Jackson, que eu considerava um ótimo pl a jogar fora da área, vinha para aí a meio caminho do que se vê atualmente nos avançados do porto

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  2. Nos bonés não aparece o treinador. O tdd costuma ir até ao limite no que diz respeito aos treinadores. Foi assim com lopetegui. É assim com Nuno. Estou convicto que vamos para o quarto ano sem ganhar nada. Vitória contra o Leicester? Não acredito minimamente. E maior vai ser a vergonha uma vez que o Porto encontra se num grupo de liga Europa. E não me venham com a conversa que é o único grupo com 3 campeões dos seus respectivos países. O Porto não joga. Não tem jogadores dignos desse nome. À exceção de um ou outro. Não tem avançado. É uma realidade. Andam com ele ao colo quando é um facto que é fraquinho. E não tem treinador. Pura e simplesmente não presta. Dêem lhe trabalho no gabinete de relações públicas.

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  3. Oliver 1 golo e zero assistencias em 14 jogos explica mta coisa do que vai mal no ataque do Porto. Lembro que ele nao joga a medio defensivo, mas sim a 8. Jogador bom e util na fase defensiva e transicao ataque defesa. Nao chega para um numero 8. Manifestamente insuficiente.
    Outro grande problema ja identificado por muitos, mas assumido por muito poucos: nao temos avancados de qualidade! Nao me venham com a historia de que o Andre S corre demasiado e por isso na hora de finalizar esta cansado. Tirando o esforco e sacrificio o que faz ele? Bruto e trapalhao, comete inumeros erros nao forcados. Nao tem instinto de pta lanca. Ao menos o Pena conseguiu ser o melhor marcador do campeonato uma vez na vida, coisa que Andre S temo que nunca venha a conseguir. Atencao que eu, tal como todos os portistas, desejava mesmo ver um jovem tuga das camadas jovens do porto a ser um craque, mas ainda nao e desta...
    Concordo que nao se pode exigir mais dos jogadores. Eles dao tudo, mas falta realmente qualidade individual (assim como falta qualidade ao NES)

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  4. Incompreensível a não utilização obcessiva do argelino e do belga.

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  5. Escrevi aqui um comentário após o jogo com o Copenhaga, no Dragão. Reitero o que então disse, este FC Porto tem um défice de qualidade assustador e como o treinador está na mesma bitola da equipa, vamos para o quarto ano sem ganhar nada. É pena, é triste, mas é a nossa realidade.

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  6. Os últimos jogos da equipa revelam pouca eficácia embora rematem bastante. Pouco interessa dominar se não se marca mais que o adversário. Os remates não têm qualidade, muitas vezes são fracos, outras vezes sem a direção adequada; Na minha opinião estas situações resolvem-se com muito trabalho, treino especifico direcionado para melhorar a qualidade do remate e a eficácia do mesmo. Estando atentos aos jugos dos vermelhos é evidente a forma fácil como rematam, a forma fácil com que criam espaços para o remate ou que procuram estar no lugar certo para rematar, e não há duvida que são mais eficazes que qualquer equipa da nossa Liga mesmo sem jogaram mais que os adversários, muitas vezes fazem-no de primeira, sem estar a tentar rodriguinhos, às vezes até parece sorte, mas aquilo também tem muito trabalho e tem boa escolha de jogadores apropriados e aproveitamento das suas qualidades. Talvez precisemos de alguns jogadores com melhores aptidões para rematar, mas também se nota que há pouco trabalho para aperfeiçoar a eficácia, ou se o há os alunos tem poucas aptidões para a aprendizagem.

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  7. Layun é quem cruza com mais qualidade. Maxi é quem cruza em maior quantidade. Escolha difícil, até porque o André se o deixarem (apitadores tugas) só precisa que a volta chegue à área, que ele faz o resto, se tão acontecer que jogue o Maxi, se virmos que vamos ser roubados e em vez de marcarem faltas da defesa sobre o André Silva marcarem faltas dele.... Neste último caso que jogue o Layun. Ou seja, a estratégia tem de ser em função do apitador lol

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  8. Boas...

    Em primeiro lugar parece-me evidente que o FCP tem todas as condições para seguir para os oitavos de final da Champions. Não creio que o Leicester seja uma equipa impossível de bater em CASA.

    Devo dizer que alguns comentários de adeptos/sócios me fazem alguma confusão. No início da época o FCP era (e bem) considerado o outsider deste ano, isto é, não era o principal candidato ao título nacional e havia muitas dúvidas se estaria sequer na Champions. Essa análise derivava principalmente do facto de o plantel do FCP não ser claramente o melhor (mesmo sem saber se o NES era ou não competente). Passados estes meses todos a situação mantém-se e não vale a pena continuar a "chover no molhado" porque isso não muda nada. O Porto tem um plantel mais fraco que o normal e o clube não tem dinheiro para mudar isso.

    Quanto ao jogo, o FCP teve hipóteses suficientes de o ganhar, mas falta ainda muito "calo" a esta equipa e sobretudo a André Silva. O miúdo dá tudo em campo mas falta-lhe ainda um bocadinho para ser aquilo que todos ambicionamos para ele. Está na idade de errar (e muito) e enquanto em anos transactos, ele estaria possivelmente a passar esta fase noutro clube por empréstimo, este ano tem de errar como titular do FCP. Esperemos que valha a pena.

    Brahimi, por muito bom que ele seja, acho que deve ter tido um comportamento péssimo fora de campo e portanto, se assim foi, deve ir embora. O mesmo se deve passar com Herrera, não por culpa do jogador mas por culpa dos adeptos que não sabem dar-lhe o devido valor e compreensão.

    Acho que seria interessante olhar para o Luiz Adriano, que o Milan está a despachar a preço de saldo (metade do preço do Depoitre).

    Bem hajam

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  9. seguir em frente na champions para ser humilhado a seguir, venha o diabo e escolha.

    plantel sem qualidade, pior treinador. já esgotou o crédito.

    não tarda nada andamos a fazer uma "operação coração" estilo benfica de damásio nos anos 90.

    de chorar de alegria com a conquista de viena e de tóquio bem de madrugada, a chorar de desespero com a actualidade do nosso clube.

    o povinho contenta-se com umas parolices despropositadas politiquices regionais do nosso já fora de validade presidente, com umas tangas de propostas milionárias a jogadores que foram recusadas de administradores de uma sad corrupta, incompetente, irresponsável e falida, e umas queixinhas do árbitro no facebook e newsletters de merda.

    em resumo, estamos na merda, da grande e vai durar bastante, infelizmente.
    só há um caminho, revolução.

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  10. Relativamente à equipa, pouco temos a dizer. Nota-se que existe esforço, mas é incompreensível como existem jogadores que "não podem jogar" (Brahimi), outros que mesmo sendo pedido expresso do NES também não se tem tornado solução (Depoitre) e outros que apenas foram opção para a pré-época (João Teixeira). São questões demasiados óbvias de que a gestão do FCP tem implicação direta na equipa. Repito: incompreensível.

    Ouvir o treinador do FCP falar de "equipa em construção" em Novembro é pura e simplesmente sinal de incompetência, mesmo com a gestão o FCP a ter implicações graves na equipa. A pré-época foi o que foi, com invenções (Varela) e opções (João Teixeira) que nada serviram para "construir a equipa". No caso do Varela...felizmente!! Para mim, este aspecto deveria ser razão para despedimento por justa causa: construção da equipa em Novembro? Não pode!

    Tínhamos um grupo na Champions para fazer muito dinheiro e passar tranquilamente aos oitavos. O jogo em Leicester deveria ser a única dificuldade, visto Inglaterra ser terra maldita para o FCP. O que temos? NES a gabar-se de que o FCP depende de si próprio e vai jogar em casa. É o último jogo NES...o último!! Em Copenhaga foi 0-0...se o empate era mau, este era o pior! E o treinador do Copenhaga sabe disso.

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  11. o porto so precisa de um medio mesmo bom de bola e forte fisicamente e um acançado mesmo a serio, a equipa e muito baixa e fisicamente debil, esforça se , os jogadores desgastam se e depois nao tem descernimento para rematar a baliza. Nuno vamos ver , esta a formar a equipa ao seu jeito com os jogadores que lhe dao garantia mas tem de fazer mais.

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  12. Façam-se sócios do Barcelona...
    O treinador não presta, a equipa não presta...

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  13. Se analisarem como eu tenho feito o que faz AS num jogo facilmente chegarão à conclusão que ele é (para já ) um grande flop e um produto de marketing. Quem imaginou na Sad que podíamos ser campeões com ele vive no mundo da lua. Se somarmos a isto a falta de um treinador competente encontramos a causa de irmos ter mais um ano a zero. O culpado tem um nome:Pinto da Costa!

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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