terça-feira, 22 de novembro de 2016

Chaves e Champions

A culpa não foi do Layún, nem do Depoitre, nem do André Silva. O FC Porto podia ter falhado os 5 penaltys: a explicação para uma derrota em Chaves nunca pode passar pelo desempate por grandes penalidades. Nunca. O FC Porto poderia e deveria ter garantido o apuramento muito antes. 

O FC Porto só tinha perdido uma vez na sua história em Chaves, e já lá iam quase 30 anos. Os flavienses conseguiram construir uma boa equipa, desde o Euromilhões até às ideias de um Jorge Simão promissor, mas em condições normais o FC Porto teria que ter vencido tranquilamente aquele jogo. Mas lá está: não houve condições normais.

Depois de ter mostrado o seu melhor futebol da época contra o Benfica, o FC Porto regressou ao nível habitual demonstrado desde o início da época. Uma equipa que não explora, de todo, todas as suas capacidades; limitada na procura da baliza adversária; que não recebe sinais esclarecedores a partir do banco; que demonstra falta de ambição na procura da vitória. Tudo isto não impediu que o FC Porto tivesse oportunidades para marcar e vencer o jogo. Depois, João Capela decidiu brilhar.

Nuno Espírito Santo diz que foi um penalty. O Dragões Diário e o Facebook do clube dizem que foram três. O Tribunal d'O Jogo diz que foram dois. Não é conclusivo, mas há um facto: em todos os lances de dúvida, João Capela arbitrou sempre em desfavor do FC Porto (com exceção de um penalty por marcar para o Chaves). São demasiados erros.

Há adeptos que defendem que o FC Porto tem que ganhar apesar dos erros de arbitragem, dizendo que isso faz parte do ADN do clube: vencer contra os erros de arbitragem. Entendendo o porquê dessa afirmação, não: não é normal errar tantas vezes, e sempre em desfavor do FC Porto. Foram contabilizados 12 penaltys desde o início da época. Provavelmente nem todos os lances são referentes a grande penalidade, mas lá está: em caso de dúvida, foi sempre, sempre contra o FC Porto

Recordando a época 2014-15. O Benfica não jogava bem, mas enquanto a equipa tremia, não havia um erro de arbitragem a deitá-la abaixo. Neste caso, o FC Porto também não joga bem. Mas contrariamente ao que sucedeu ao Benfica, o FC Porto não tem aquele erro de arbitragem a puxá-lo para cima nos momentos difíceis. Nenhum clube o deve ter, diga-se. Mas os critérios deveriam ser iguais para todos, e não têm sido.

Foi bom ver a reação do FC Porto à derrota em Chaves. Pinto da Costa decidiu falar (algo que se tornou uma raridade após maus resultados), e bem, mas foi de lamentar a falta de sintonia entre Nuno Espírito Santo e a comunicação do FC Porto. O treinador queixa-se de um penalty, para depois o FC Porto reclamar que são três? Se não há sintonia dentro do próprio clube nas críticas à arbitragem, nada feito. 


As críticas têm sido relativamente vorazes, mas é preciso que os seus destinatários tenham consequências. Repare-se que o Conselho de Arbitragem nem ousou abrir a boca. Ao contrário do que já fez em situações anteriores, nem sequer se deu ao trabalho de tentar defender publicamente João Capela. Por isso, das duas uma: ou ignora por completo a posição do FC Porto - que, diga-se, nunca pareceu muito incomodado quando o Benfica era beneficiado pela arbitragem, algo que indiretamente prejudicava o FC Porto -, ou quem cala consente

Tendo em conta que já é dia de Champions e que uma crónica ao jogo de Chaves já viria fora de horas, apenas algumas considerações sobre o afastamento da Taça de Portugal. Foi o adeus à competição que o FC Porto, teoricamente, mais hipóteses teria de ganhar esta época, pois era a maios curta - ainda que também seja aquela que permite menor margem de erro, mas também é a que reúne adversários mais acessíveis. Foi-se um dos objetivos.

Disseram os protagonistas, no final do jogo, que o FC Porto foi a única equipa a querer assumir o jogo e a querer resolver a questão antes dos penaltys. Meus caros, mas seria de esperar o quê? Que fosse o Chaves a mandar no jogo? Não brinquem. Em qualquer campo em Portugal, com duas ou três exceções, o FC Porto vai ser sempre a equipa a querer mandar no jogo, a querer dominar, a querer marcar. Isso não é uma valia: é uma obrigação.

Criticar Nuno Espírito Santo é algo que vai soando a repetição, pois infelizmente quase sempre que mexe na equipa durante os jogos a tendência é para piorar, mas a gestão da partida não foi bem conseguida. Aos 78 minutos, sai Otávio, o único criativo do meio-campo, e entra Depoitre, que nos últimos 2 meses só tinha jogado uma vez e que arrisca ser um dos maiores flops da história do FC Porto, sem que ninguém possa ficar surpreendido. A batata quente foi bem cedo chutada para as mãos de Nuno, mas há uma grande diferença entre não conhecer Campaña e contratá-lo meramente por empréstimo, sem comichões, e contratar Depoitre, um avançado limitadíssimo que se tornou, sem que o seu percurso ou valia desportiva o justificasse, um dos mais caros da história do FC Porto. De qualquer forma, O Tribunal do Dragão manifestou, aquando da sua contratação, o otimismo de que Depoitre talvez conseguisse fazer mais golos do que Tiago Caeiro. Para já está ela por ela: 1 golo para cada um. Confiança, vai conseguir!

Para o prolongamento, Nuno fez dupla alteração. Entrou Evandro, que não jogava há 3 meses e só tinha feito 6 minutos em Roma. E entrou Layún, para o meio-campo. Três medidas tomadas por Nuno que fogem a qualquer tipo de padrão que fosse sendo trabalhado desde o início da época. Soa a desespero. E muitas vezes, Nuno transpira insegurança a partir do banco. Olha para o banco, olha para os suplentes que estão a aquecer, conversa com o adjunto, passa as mãos na cabeça, olha para o banco e repete o ciclo. Nuno já mostrou saber preparar jogos, como o fez muito bem contra o Benfica; mas na hora de mexer no jogo e de reagir, tem sido limitadíssimo e, pior ainda, prejudica a equipa. 

Por fim, o FC Porto descobriu, mais de 2 anos depois, que Brahimi é muito mau profissional. Deve ser terrível enquanto elemento de balneário, treina muito mal e o FC Porto, por estar num excelente momento de forma, até se dá ao luxo de o levar a Chaves, só para o ter 30 minutos a aquecer e mandá-lo para o duche. Para Copenhaga é que já nem valeu a pena gastar dinheiro no bilhete de avião. Mas brincamos? Brahimi, o mais virtuoso jogador do FC Porto, não conta? Algo de muito mau devo ter feito Brahimi, só pode. Há quem diga que seria curioso cruzar uma espécie de Mendes vs. Doyen desde o início da época. Certo é que quem perde é o FC Porto. Tirem Gelson ao Sporting e Pizzi ao Benfica, e vejam o resultado. 

Agora, se Nuno não usa Brahimi porque não pode, estão a prejudicar as suas condições de trabalho. Se Nuno não usa porque não quer, está a prejudicar o seu próprio trabalho e o rendimento do plantel. Se Brahimi fez algo de errado, à partida então nem deveria ser convocado ou colocado a aquecer. As razões desconhecem-se, mas só perde o FC Porto.


Hoje, em Copenhaga, o apuramento para os 1/8 da Champions pode ficar resolvido. Na UEFA, o FC Porto poucas queixas tem tido da arbitragem. Por isso, mostrem que em Chaves o que mais pesou na balança não foi o treinador, o plantel ou a exibição, mas sim a arbitragem. Falhar na Dinamarca seria dar razão a quem acha que as arbitragens são uma desculpa para uma equipa sem estofo. Não desperdicem esta oportunidade. 

8 comentários:

  1. Nem sempre foi assim, isto é, fora de casa sim. Mas quando se jogava no Estádio das Antas, os árbitros costumavam dar menos nas vistas.

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  2. Concordo com tudo mas permita-me só um reparo:
    Nao podemos ao mesmo tempo, apelar á direção e ao corpo tecnico para nos darem uma equipa com mistica, ou se preferirem, uma equipa à porto, e por outro lado pedir que jogue o brahimi.

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  3. Falta maturidade no ataque do Porto. Um clube grande não pode ter a responsabilidade de marcar toda nas costas de um grupo de jogadores jovens.

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  4. Eis o pós-Copenhaga: 250 minutos (+ descontos) sem marcar 1 golo.
    Para o Natal, devíamos todos oferecer um par de tomates ao Nuno.


    AA

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  5. Porra! não há puta de forma de ganhar a merda de um jogo? E depois, quem sabe, uma sequência de jogos?
    Manuel

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  6. Exmo Sr Presidente da SAD do FCP,

    Os mais respeitosos cumprimentos.

    Agradecia, em nome de 90% dos mais de 115.000 sócios e dos mais de 2.823.400 adeptos e simpatizantes só em Portugal, o favor nos pudesse explicar, clarificar, justificar o seguinte:

    "Porque será que a FCP SAD dsó escobriu, mais de 2 anos depois, que Brahimi é muito mau profissional. Deve ser terrível enquanto elemento de balneário, treina muito mal e o FC Porto, por estar num excelente momento de forma, até se dá ao luxo de o levar a Chaves, só para o ter 30 minutos a aquecer e mandá-lo para o duche. Para Copenhaga é que já nem valeu a pena gastar dinheiro no bilhete de avião. Mas brincamos? Brahimi, o mais virtuoso jogador do FC Porto, não conta? Algo de muito mau devo ter feito Brahimi, só pode. Há quem diga que seria curioso cruzar uma espécie de Mendes vs. Doyen desde o início da época. Certo é que quem perde é o FC Porto.

    Agora, se Nuno não usa Brahimi porque não pode, estão a prejudicar as suas condições de trabalho. Se Nuno não usa porque não quer, está a prejudicar o seu próprio trabalho e o rendimento do plantel. Se Brahimi fez algo de errado, à partida então nem deveria ser convocado ou colocado a aquecer. As razões desconhecem-se, mas só perde o FC Porto."

    Antecipadamente gratos,

    Em nome de mais dos 90% de sócios, adeptos, simpatizantes (só no Facebook são quase 4 milhões)...

    MPP

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  7. Nao percebo a defesa feroz e incondicional a Andre Silva. A verdade e que se tivessemos um Jackson ou um Falcao na frente provavelmente ganhariamos com meias oportunidades.
    Estamos a acusar em demasia a juventude da equipa, isso e culpa dos jogadores? Nao, claro que nao, simplesmente nao sabem jogar com inteligencia, correm correm correm, desgastam-se – nisso o Andre Silva e craque – mas quando chega a hora da verdade, principalmente o Andre Silva, remata com a forca de um Teletubbie, porque ja gastou o deposito em correrias sem sentido.
    Por isso e que PL, dos bons, so se fazem ja com uma idade relativamente avancada, simplesmente o Andre Silva nao sabe quando tem de ficar quieto ou quando correr. So sabe correr.
    Tambem e certo que nao temos melhor, mas isso nao quer dizer que o Andre Silva seja inatingivel, ninguem o e, nem me parece culpa do treinador termos como alternativas Depoitre e Adrian.
    A unica culpa que coloco no treinador em termos de atacantes e o facto do Bueno ter sido dispensado… por esta altura ainda estou para perceber porque.

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    Respostas
    1. Calma. Se mo permite, concordo com quase tudo. Excepto com uma omissão.
      O André Silva corre isso tudo porque quer? Porque gosta? Ou será que é por não termos um futebol de posse sustentada e apoiada (ainda que mitigado com futebol directo, nos momentos certos), em que do Danilo para a frente é uma anarquia total na qual os jogadores estão a mais de 20 m uns dos outros. Talvez nem seja culpa do modelo mas o jogo sem bola no momento atacante é pavoroso.
      O rapaz tem é vontade de pegar no jogo e resolvê-lo (não sozinho como o Brahimi) sem capacidade de o fazer ainda. Como o Otávio a tem.

      Manuel

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