quinta-feira, 11 de setembro de 2014

E o Dragão paga a factura

«(...) Tecnicamente, a UEFA só admite prejuízos até 5 milhões de euros por exercício em análise. O resultado negativo pode esticar-se até 45 milhões de euros, mas neste caso o valor negativo acima dos 5 milhões tem que ser suportado pelos proprietários do clube, ou através do lançamento de novas acções que sejam subscritas na íntegra pelos accionistas»

«Há uma forte (diria mesmo inevitável) possibilidade do FC Porto ultrapassar os 45 milhões de euros de prejuízo nos últimos 3 anos. Para já, sabemos que as duas primeiras épocas deram um prejuízo de 15,4 milhões. Significa que para o limite não ser excedido, a época 2013-14 não poderia fechar com um prejuízo superior a 29,6 milhões de euros. Algo que é quase inevitável que vá acontecer»


O aviso tinha sido feito: o FC Porto estava em risco de falhar o fair-play financeiro da UEFA (não é por outros também estarem a falhar que há motivos para relaxar). A SAD teria que encontrar uma alternativa, sim, sobretudo tendo em conta que os custos operacionais não vão ser reduzidos em 2014-15, os capitais próprios vão continuar negativos no curto prazo e resistiu-se à venda de Jackson Martínez. Tudo isto teria um custo, mas os portistas não imaginariam que a SAD ponderaria, algum dia, recorrer ao trunfo Euroantas. Era a carta no baralho que nunca, nunca iriamos usar. Era um orgulho próprio, o Estádio do Dragão, do clube, dos sócios, a 100%, com uma disciplina notável no pagamento.
Metade do que é «nosso»
sacrificado

A partir de 2018, o Estádio do Dragão seria do FC Porto (clube, não SAD) a 100%. A Euroantas foi sempre exemplar no cumprimento do pagamento à banca. Neste momento, o Dragão está a custar, em média, 3,5 milhões de euros por ano e dentro de quatro anos estaria pago. Um estádio nosso, sem reestruturação. Limpinho, limpinho.

Havia o eterno receio de que um dia a SAD pudesse recorrer a este trunfo, mas nem eu, e imagino que nem a generalidade dos portistas, pensaria que algum dia isto seria realmente ponderado. Éramos, somos, o clube português mais honrado no cumprimento das suas obrigações. Tanto Benfica como Sporting já tinham sacrificado os seus estádios: o Benfica já fez duas reestruturações, tem um plano de pagamento até 2024 e certamente ainda vai renegociá-lo para mais 6-8 anos e com naming à vista; o Sporting também o fez, entrou em decadência e está há anos em falência técnica e vai continuar assim nos próximos semestres, mesmo que comece a recuperar aos poucos com a reestruturação que fez.

Passo a explicar o que está em causa. A SAD vai ter, no final de 2013-14, o maior prejuízo da sua história, que não será uma surpresa indo além dos 40 milhões de euros. A «desculpa fácil» será que o dinheiro da venda de Mangala ainda não entra neste exercício. Isso é uma explicação que se dispensa e que não é coerente.

Exemplifico: em 2011-12, a SAD teve o maior prejuízo da sua história, 35,7 milhões de euros. A tal «desculpa fácil» é que as transferências de Álvaro Pereira e Hulk ainda não tinham sido contabilizadas. Tudo bem. Foram contabilizadas em 2012-13, tal como Moutinho e James Rodríguez (70 milhões de euros brutos), e a SAD teve um lucro de... apenas 20,3 milhões de euros. Isto estando contabilizado, no mesmo exercício anual, as vendas de Hulk (40 milhões brutos), Álvaro Pereira (10), James (45) e Moutinho (25).

6 meses de Fernando
Gomes...
O problema é o de sempre: as receitas operacionais não cobrem os custos operacionais, e o FC Porto é extremamente dependente de mais-valias para cumprir com as obrigações. É um sistema de risco, já o sabemos, e tem dado resultados e sido um sucesso (faz bem ao ego ler inúmeros jornais estrangeiros a dizerem que somos uma máquina de transferências, mas esses focam-se em quanto vendemos os jogadores, não nos números finais de cada época). Mas nos últimos 3 anos começou a tremer. O fair-play da UEFA, goste-se ou não de Platini, foi das melhores iniciativas tomadas nos últimos anos: vai disciplinar os clubes e obrigá-los a tentar depender das receitas operacionais e, para leigos, a não gastarem mais do que têm. Mas a SAD decidiu contornar o fair-play financeiro sacrificando 50% do Estádio do Dragão, ou se preferir da Euroantas.

Todos ficámos contentes que o plantel que a SAD formou para 2014-15. Mas isto vai muito além da justificação «este é o preço de um grande plantel!» Esta não pode ser a justificação! Presidente, e demais: se este era o plano desde o início, usar 50% da Euroantas, então os sócios deveriam ter sido alertados desde o início, antes do ataque e da resistência ao mercado, não agora que se está praticamente entre a espada e a parede! Nenhum portista vai ficar satisfeito com esta operação, ninguém, a não ser os que ignoram a gestão da SAD e se focam no que se passa dentro das quatro linhas. Se em maio estiverem em festa, fica tudo bem. Mas eu não me preocupo apenas com o maio de 2015. Preocupo-me também com o de 2016, o de 2017, o de 2018, ano em que o Dragão já seria nosso...

Para que se perceba melhor o que está em causa: a SAD vai avançar para um aumento de capital, em 37,5 milhões de euros. É uma forma de assegurar o fair-play financeiro até 2015 (onde vamos fazer vendas milionárias, forçosamente, para equilibrar a balança - desta vez 2 titulares dificilmente chegará), de responder aos capitais próprios negativos e ao prejuízo enorme que se vai verificar no final de 2013-14.

O problema aqui, é que o clube, principal accionista da SAD, não consegue acompanhar esse aumento de capital, como é natural. Então a SAD vai adquirir 50% da sociedade Euroantas (a entidade proprietária do Dragão). A SAD, teoricamente, «injecta» dinheiro no clube, para por sua vez o clube «retribuir» à SAD. É uma operação que responde às dificuldades no curto prazo, legítima, e que tanto Benfica como Sporting já tiveram que fazer (e não tiveram grande sucesso com isso). Mas não pode ser considerado um acto de gestão normal e, muito menos, competente.

É uma das piores acções da gestão da FC Porto, SAD na última década. Se se pespectivava esta operação, isto deveria ter sido parte de um plano (plano esse previamente assumido) e não de uma solução de recurso. Talvez os sócios compreendessem a necessidade. Assim, largar esta granada já com o mercado fechado e época em curso, é reunir com total naturalidade o descontentamento dos sócios que percebem o que está em causa. Este é o dia em que a administração do FC Porto prefere os accionistas aos sócios.

Presidente e demais SAD, aguardamos justificações a 2 de Outubro. E sobretudo do doutor Fernando Gomes, cuja gestão ao fim de um semestre já obriga àquilo pelo qual Angelino Ferreira tanto lutou para evitar nos últimos 4 anos. 

PS: À hora que acabo de escrever este texto, confirma-se o que já tinha sido adiantado ontem pelo Tribunal do Dragão: Portugal ainda pode ir ao Euro 2016, mas Paulo Bento não irá. Haja uma boa notícia neste dia.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A selecção de Jorge Mendes e o futuro dos jogadores portugueses

Não pretendia falar sobre a selecção nacional no blogue, mas aproveito a ordem do dia como ponto de partida para o que o FC Porto pode oferecer à selecção nacional no curto e médio prazos. Passemos à frente do Mundial e da derrota com a Albânia e vamos ao encontro do mito que todos alimentam e que ninguém justifica: «Quem manda é o Jorge Mendes».

Parte da solução, não
do problema
Para começar, concordo que Jorge Mendes é o melhor empresário português. De longe. E quanto digo isto não é pelas transferências inflacionadas que consegue fazer (óbvio que também ajuda), mas sobretudo por duas competências que teimam em ignorar: 1) é extremamente raro ouvirem algum jogador queixar-se de Jorge Mendes, seja publicamente ou na esfera privada (um dos raros casos será referido mais abaixo), porque é de facto um representante que promete e cumpre; 2) percebe mais de futebol do que muitos treinadores, dirigentes e olheiros. É por isso que chega, muitas vezes, primeiro a jovens promessas do que os clubes. É acima de tudo um empresário completo.

Numa altura em que se discute a saída de Paulo Bento e o desempenho da FPF quanto aos resultados da selecção nacional (ignorando os pipoqueiros, expressão carinhosa, que escangalhavam-se a rir enquanto acenavam os lenços brancos - curiosamente os mesmos que ficaram escandalizados com o sorriso de Pepe após o golo albanês), surgem os iluminados, com vastos conhecimentos privilegiadíssimos e sapientes de bastidores, que deixam o alerta: «Mudar para quê? Quem manda é o Jorge Mendes!» Como O Tribunal do Dragão (desta vez numa espécie de Tribunal da Seleção) tanto aprecia, vamos aos números.

Rui Patrício, Coentrão, Pepe, William Carvalho, Adrien, Miguel Veloso, Moutinho, André Gomes e Ivan Cavaleiro: 9 dos 24 convocados por Paulo Bento para o último jogo são representados por Jorge Mendes. O que significa que a carteira de Jorge Mendes teve um peso de 37,5% nas escolhas de Paulo Bento pós-Mundial, não esquecendo que faltou Cristiano Ronaldo. Ora, dizer que isto é uma convocatória influenciada pelos representados de Jorge Mendes é puro facciosismo. 

Há 9 jogadores representados por Jorge Mendes na convocatória. Quase podem ser reduzidos a 8, pois Adrien mantém um conflito com Paulo Bento (o tal que não fecha as portas a ninguém, mesmo esborrachando-as no nariz de vários jogadores ano após ano) desde os tempos de ambos no Sporting, por isso não joga na selecção.

Rui Patrício, opinião, é o melhor guarda-redes português, Coentrão o melhor lateral-esquerdo, Pepe o melhor central e João Moutinho o melhor médio. Fosse qual fosse o empresário, são jogadores que tinham que estar na selecção. Alguma dúvida quanto a isso? Não estão, nem chegaram à selecção por serem agenciados por Jorge Mendes, mas sim por serem os melhores.

A selecção não deve
ser uma incubadora
No início da época, William Carvalho era o melhor médio-defensivo disponível. Entretanto surgiu Rúben Neves. O menino de 17 anos joga como gente grande, a ponto de muitos adeptos, jornalistas e comentadores terem reclamado que devia ter ido já à selecção. Sinceramente, não me chocou que não tivesse ido. Quando a FPF entregou as pré-convocatórias aos clubes, Rúben Neves tinha três jogos de carreira profissional. Três. Não houve nenhum jogador que tivesse chegado à selecção com apenas 3 jogos de carreira profissional, excepção feita a.... Bruno Vale, o suplente do suplente de Vítor Baía na altura de Scolari (a sua convocatória dispensa comentários).Vai chegar à selecção a seu tempo, de certeza que irá ao Euro 2016 (?), mas ninguém pode ficar chocado por ter falhado esta primeira convocatória (na próxima já será difícil justificar a sua ausência) Fosse como fosse, William Carvalho tinha lugar na convocatória, fosse ou não representado por Mendes.

Sobram Miguel Veloso, André Gomes e Ivan Cavaleiro. Miguel Veloso não está a competir na Ucrânia, portanto o estatuto do jogador pesou. André Gomes, sim, é um produto de Jorge Mendes, sem dúvida. Tem potencial, mas há um punhado de médios que oferecem mais garantias a curto prazo. Jorge Mendes, em parceria com Peter Lim, fez dele um médio de 15 milhões de euros. Aliás, fez dele e Rodrigo uma dupla de 45 milhões de euros, que após descontar as terceiras partes passou a ser de 33,3 milhões, mas que segundo o último relatório e contas do Benfica rendeu, até ao final da época 2013-14, apenas cerca de 4 milhões de euros. Manter quase 30 milhões na rubrica de clientes dava jeito para depois, sei lá, indemnizar (ou «investir», é mais requintado) o fundo do clube. Adiante.

A influência de Jorge Mendes existe, sim, mas sobretudo a nível de clubes. Damos o exemplo de um dos poucos jogadores que rompeu com Mendes: Nani. Nani, quando renovou com o Man. United até 2018, teve a infeliz ideia de deixar Jorge Mendes, reclamando que este só dava atenção a Ronaldo. E a verdade é que desde que renovou... deixou de ser titular no Manchester. Não é suposto que um jogador que renova um contrato de 20 e tal milhões de euros passe a jogar frenquentemente? Um ano depois de ter deixado Mendes, não só foi encostado em Manchester como foi obrigado a fazer o que não queria: voltar a Portugal, ou ficava mais uma época no banco, ainda por cima sem Champions.

No que toca ao FC Porto, Jorge Mendes é um aliado forte na venda de jogadores, como foi o caso de João Moutinho, James Rodríguez ou Mangala. Mas em termos representativos, Adrián López (cujos 11 milhões de euros que custou são tão concretos como os que o Benfica já recebeu por André Gomes) e Quaresma são os únicos atletas por ele agenciados. Além disso, apresentou Lopetegui a Pinto da Costa, uma iniciativa que felizmente correu, ou está a correr, muito bem.

Parte do problema e
o maior problema
Falámos de Miguel Veloso, falámos de Andrés Gomes, sobra Ivan Cavaleiro. Não mostrou mais no Benfica do que Carlos Mané no Sporting, por exemplo, ou até do que Ricardo no FC Porto. O factor Mendes, aqui, pode ser entendido como decisivo, apesar de ser um miúdo com potencial. Mas numa selecção nacional não se deve convocar potencial, mas sim qualidade para o curto prazo. 

Contas feitas, no máximo, para quem se quiser apoiar no mito alimentado de que «quem manda é o Mendes», podem afirmar que Miguel Veloso, Ivan Cavaleiro e André Gomes foram à selecção pelo factor Mendes. São os únicos 3 casos passíveis dessa afirmação. Assim sendo, o factor Mendes parece estar a fracassar... Ora vejamos.

Adrien foi convocado, mas ficou no banco, como já tinha acontecido anteriormente, por causa de um conflito antigo com Bento. Danny? Fora dos convocados por um conflito com Bento. Quaresma? Fora dos convocados por um conflito com Bento. Ricardo Carvalho? Fora dos convocados por um conflito com Bento. 

Nomes como André Martins, Nélson Oliveira ou Rúben Micael, que já foram convocados noutros tempos, também são representados por Mendes, mas de nada valeu: quando Paulo Bento risca, está riscado. Paulo Bento não obedece a Jorge Mendes, obedece à sua própria teimosia e incompetência. Quem acompanhou a sua estadia no Sporting pode enumerar mais de uma dúzia de casos de jogadores que tiveram conflitos pessoais com Paulo Bento: Vukcevic, Beto, Carlos Martins, Nani, Liedson, Stojkovic, Sá Pinto, Miguel Veloso, e certamente outros que a memória já não traz. Quem teve culpa, não sei. Mas que Paulo Bento é denominador comum em todos, é facto.

Agora, uma reflexão: o que é pior? Ter uma selecção com Miguel Veloso, André Gomes e Ivan Cavaleiro, ou não ter uma selecção com Ricardo Carvalho, Adrien, Quaresma e Danny? Meus caros, o que está a dominar a selecção nacional não é a carteira de jogadores de Jorge Mendes, é a incompetência de Paulo Bento, que está a tirar mais jogadores à selecção nacional do que aqueles que Jorge Mendes está a oferecer. É só fazer as contas.

O que pode dar o FC Porto à selecção nacional

Não é segredo que há cada vez menos jogadores portugueses a actuarem no FC Porto. O que não é uma coincidência: há cada vez menos jogadores portugueses com qualidade suficiente para jogar no FC Porto. Do 11 que jogou contra a Albânia, quantos tinham lugar no FC Porto de Lopetegui?

Em termos de plantel principal, não sobram muitas opções. Licá, Josué e Varela foram à selecção há um ano, mas entretanto foram todos emprestados. Agora há Ricardo (terceiro guarda-redes no FC Porto e dificilmente a poder sonhar com a estreia na selecção), Ricardito (um jogador à Porto, miúdo cheio de raça e potencial, mas que este ano dificilmente terá mais do que a ingrata missão de «tapa-buracos» - oxalá tenha algum espaço para crescer no médio prazo), Rúben Neves (Paulo Bento não irá ao Euro 2016, mas Portugal ainda pode ir - e se for, Rúben Neves certamente fará parte do elenco) e Quaresma (um dos ódios de estimação de Paulo Bento - curiosamente, houve mais portistas a revoltar-se contra o facto de Quaresma estar no banco do FC Porto do que na bancada da seleção nacional. Haja coerência).

Quem falhou?
Felizmente, há uma nova geração que pode ser aproveitada por FC Porto e Portugal. Dos sub-19 à equipa B, não esquecendo uma geração de juvenis, de Moreto a Rui Pedro, que pode ser riquíssima, o FC Porto tem mais de 20 jogadores que podem marcar presença nos próximos Europeus de sub-19, sub-21 e no Mundial de sub-20. Há soluções para todos os sectores, e para não tornar o texto demasiado extenso não vamos enumerá-las uma a uma. Vários jovens da equipa B e da formação já foram destacados neste espaço, inclusive até Rúben Neves, no primeiro dia de Lopetegui no Olival, quando o seu nome ainda era desconhecido para muitos.

E no que toca ao aproveitamento dos jovens, há um factor importantíssimo. Exemplo: há quem diga que nos últimos 10 anos o FC Porto nada aproveitou em termos de formação, porque nada havia para aproveitar. Uma meia verdade.

Nem é preciso falar de Paim. Falemos de Márcio Sousa, campeão europeu de sub-17 (João Moutinho era o seu suplente), e que podia ter sido o Rúben Neves de Mourinho, pois foi o mais jovem jogador que Mourinho chamou para estágio quando por cá passou. Com 17 anos, Márcio Sousa, ou «Maradona», era um fora de série, um jogador cobiçado por clubes estrangeiros e que era apontado como uma enorme promessa a nível europeu. Dez anos depois, está no Tondela.

O facto de estar no Tondela quer dizer que o jogador não tinha o potencial que se anunciava... ou que esse potencial não foi aproveitado? Não é uma questão retórica, é a segunda hipótese.

O talento tem que
ser trabalhado na raiz
No que toca a um trabalho da formação, não se pode olhar para Vieirinha, Hélder Barbosa ou Rui Pedro apenas por aquilo que são hoje. Porque muitas vezes, os jogadores não chegam mais alto não por falta de qualidades, mas sim por elas não serem potenciadas e trabalhadas no devido tempo.

Este processo pode falhar por diversos factores: problemas físicos, falta de empenho dos jogadores, opções erradas para as suas carreiras, maus treinadores, má orientação, um misto de tudo, etc. Vieirinha, Hélder Barbosa ou Rui Pedro, só para dar estes 3 exemplos, ou Márcio Sousa, podiam ser hoje jogadores muito melhores do que o são. O potencial estava todo lá, mas por algum factor lá falhou. Não foi por falta de qualidade e potencial, certamente.

Portanto, para saber o que valem os jovens talentos do FC Porto, de Rafa a Podstawski, de Rui Pedro a Gonçalo Paciência, a análise não pode ser feita daqui a 5 ou 6 anos. Isso não importa. O que importa é o potencial que existe hoje e que pode ser trabalhado no imediato. Claro que não haverá espaço para todos, mas todos merecem lutar pelo seu espaço. Em causa não está apenas o bem da selecção nacional, mas sobretudo o do FC Porto e de toda a sua mística e história.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O polvo que anda de patins e o princípio de Licá

Edo Bosh merecia ser severamente punido. Quanto a isso, não há discussão. Não só a nível federativo como interno. A agressão a um jogador do Benfica na final da Taça de Portugal de hóquei em patins foi bárbara e não foi a primeira vez que Bosh esteve associado a um episódio do género. O castigo é incontestável. O problema, como sempre, está nos dois pesos e duas medidas.

Castigado, sim, mas
com que medida?
Um castigo desportivo de 15 jogos é algo sem paralelo na FPP. Onde pelos vistos a memória também é curta. Isto remontando ao caso em que Mariano Velazquez, antigo capitão benfiquista (e conhecido por ser um «santo»), agrediu Tiago Barbosa, antes de um Benfica-Juventude de Viana, levando a que o adversário tivesse que receber tratamento hospitalar. Neste caso, como as instâncias federativas nada tinham reportado, o jogador teve que recorrer à justiça civil. Só após o CD ter conhecimento da queixa-crime decidiu avançar, levando o jogador a manter-se apenas na expectativa de uma punição na justiça desportiva. Resultado: 5 jogos de suspensão.

O CD da FPP, para quem não sabe, é liderado por Feliciano Pereira Martins. E para quem não conhece o indivíduo, trata-se de um ex-candidato à Mesa da AG do Benfica, o clube do coração.

Situação comum à da LPFP, onde Carlos Deus Pereira, o fiel escudeiro vermelho de Mário Figueiredo e ex-jogador do Benfica, violou todo e qualquer princípio democrático pelo qual se devia trabalhar numa Mesa da AG. Situação já abordada com profundidade aqui.

Ladra, não morde,
mas não larga o osso
Isto a propósito da mais recente entrevista de Mário Figueiredo, à RTP. Em fogo-cruzado, agarrou-se ao mais básico populismo para tentar ganhar um balão de oxigénio: atacou a Olivedesportos, a FPF, elogiou Bruno de Carvalho, puxou a «teia de influências» de que todos falam mas que ninguém identifica (pois, não convém esmiuçar as mesas da AG), atacou a estrutura do FC Porto e aconselhou o Benfica a não seguir o mesmo caminho (sabe-se lá que caminho esse, pois Figueiredo parece ter frequentado a escola Bruno de Carvalho - fala, fala, fala, mas acaba por não dizer nada além de um populismo insosso, que agrada às massas).

Mário Figueiredo tenta manter-se na LFPF da mesma forma que lá chegou: na crista da onda, sendo o presidente da conveniência. Chegou à liga prometendo o apetecível alargamento para os clubes pequenos e a centralização dos direitos televisivos. Conseguiu derrubar o candidato que tanto o FC Porto como Benfica e Sporting apoiavam, António Laranjo. Qual Hércules, Mário Figueiredo rompeu a teia de influências de que ele próprio se queixava - afinal parece que os 3 grandes nem sempre conseguem mandar assim tanto.

A sua gestão da liga é caótica, viola todos os princípios democráticos, condena clubes em praça pública quando os estatutos dizem que é seu papel defendê-los, e mesmo sendo vice-presidente da FPF deu-lhe para bater no organismo liderado por Fernando Gomes. Porque está na moda atacar Paulo Bento e Fernando Gomes, claro está. E porque sabe que Paulo Bento não vai durar muito e que Fernando Gomes já tem porta aberta para entrar na UEFA. E sabe também que, se o barco da LPFP se afundar (e vai afundar), terá que saltar para outro lado. Depois do «Apanha-me se puderes», eis o «Agarra-te ao que puderes».

De Licá a Luís Castro

Sempre gostei de Licá. Um profissional dedicado, portista, trabalhador, humilde e com uma postura correctíssima. Só havia um problema: não tinha/tem qualidade futebolística para jogar no FC Porto. E daqui partimos para Luís Castro.

Segundo alguma imprensa, Lopetegui não está satisfeito com o trabalho de Luís Castro na formação. Pelos vistos, só precisou de um par de meses para ver aquilo que muitos portistas continuam a não ver (ou a não querer que vejam) ao fim de 8 anos: Luís Castro não tem competência técnico-táctica que o recomende para as funções que desempenha no FC Porto.

É preciso mais
Regressamos ao «princípio de Licá»: os que condenam Licá por ser jogador do FC Porto não podem apoiar Luís Castro (aliás, não podem subscrever a sua continuidade, pois apoio todos os profissionais do FC Porto devem ter nos momentos em que representem o clube), por uma questão de coerência. Luís Castro é portista e quando foi chamado para a ingrata tarefa de substituir Paulo Fonseca soube representar o clube com cordialidade. Os resultados foram um desastre, mas era difícil fazer melhor. Teve resultados na equipa B do último ano, mas muito graças aos jogadores que vinham da equipa A. Este ano, ao que consta, Lopetegui não vai mandar jogadores para a equipa B. E se já é difícil com uma equipa basicamente de sub-20 competir na segunda liga, pior ficará sob um técnico que não tem a mínima vocação para a formação.

O fiasco do projecto Visão 611 já aqui foi abordado. Luís Castro foi/é o homem de Antero Henrique para a formação, mas foi Pinto da Costa quem decidiu premiá-lo no fim da última época com um contrato de 3 anos. Mas tal como Lopetegui achou que não devia trabalhar com Licá na equipa principal, tem o direito de entender que não deve ter Luís Castro como braço direito para a formação. Mas Lopetegui não pode chegar e contrariar uma decisão presidencial tomada a três anos, por isso este é assunto que tem que passar pela mais alta patente.

A competência não tem clube. Ou se é competente, ou não se é. Luís Castro validou dispensas de vários jogadores que são hoje titulares nas selecções jovens, alguns já com destaque na Champions de sub-19 e no rival, e tem validado outras tantas contratações de valor duvidoso. O problema não é esse, pois até Teles Roxo e Pinto da Costa já trouxeram carradas de jogadores estrangeiros de qualidade indiscutível - indiscutível quanto à sua inexistência. O problema é continuar-se, ao fim de 8 anos, na formação do FC Porto, num cargo privelígiadíssimo, sem nunca ter feito nada substancial por ela. Luís Castro não é mais do que Licá... e o FC Porto precisa de mais.

PS: A Porto Editora já foi avisada quanto à mais recente alteração na língua portuguesa: «indemnizar» é substituído por «investir». Seja que clube for, seja que fundo for, a realidade acaba sempre por ser a mesma: a partilha de risco não existe e os fundos nunca, nunca têm prejuízos.  Hoje estendem-te a mão, amanhã puxam-te o braço. Por vezes é necessário aceitar a mão estendida, mas não ignorem que o puxão acaba sempre por aparecer.

sábado, 6 de setembro de 2014

O negócio José Campaña

Numa altura em que os jogos oficiais estão parados por causa das selecções, a questão do momento no universo portista prende-se com a situação contratual de José Campaña. Afinal, há ou não há cláusula de compra? Começamos por recordar o comunicado da Sampdoria no dia da transferência.

Notícia do Record
«José Ángel Gómez Campaña está de malas feitas, destino FC Porto. O jovem médio sevilhano - no qual a Sampdoria investiu e em que acredita fortemente - transfere-se sob a forma de empréstimo para Portugal, para explorar todo o seu talento numa sociedade de nível internacional e concluir - na companhia de Julen Lopetegui, ex-selecionador dos sub espanhóis e seu grande admirador - o seu percurso de crescimento técnico-táctico. A José sinceros votos de boa sorte e um até já a Génova».

Não há qualquer referência a cláusula de compra e a Sampdoria leva a crer, neste comunicado, que Campaña saiu com um "V" de Volta. 

Entretanto, a imprensa desportiva contraria o que tinha sido noticiado a 1 de Setembro, dizendo que Campaña tem opção de compra. Chegou a ser dito que foi confirmada pela Sampdoria, mas tanto nos jornais italianos como no site do clube não há nenhuma afirmação oficial de que exista cláusula.

Entretanto, o jornal Record avança com a informação de que há uma cláusula de compra de 3 milhões de euros. O jornal Record contactou o director desportivo da Sampdoria (ler recorte ao lado)... que não confirmou a veracidade da informação, limitando-se a dizer que acredita muito no jogador e que no final da época logo se verá o que acontece.

Do lado da Sampdoria, não há confirmação oficial. Do lado do FC Porto... também não. Tudo leva a crer que não existe nenhuma opção de compra, na verdade.

Vejamos os exemplos anteriores. Quando o FC Porto anunciou Tello, disse que havia cláusula de compra (ler aqui). Quando anunciou Casemiro, disse que havia opção de compra (ler aqui). Quando anunciou Óliver... nada disse. E o mesmo se passou com Campaña, onde não há qualquer referência a uma cláusula de compra. 

Campaña: preocupação é render
A cláusula de compra, salvo uma confirmação oficial que diga o contrário, não existe. O que não quer dizer que não haja já um acordo alinhavado para uma compra a título definitivo no final da época. Recordamos que o FC Porto estava limitado nos investimentos para esta época, por causa das regras do fair-play financeiro (ler aqui), por isso alguns investimentos foram «adiados» (não só os empréstimos, mas também as alienações de Brahimi e Aboubakar), e daí que alguns clubes europeus tenham contratado jogadores por empréstimo e não a título definitivo (caso de Falcao em Manchester).

Lopetegui já deu sinais de que quer ver Rúben Neves mais adiantado no meio-campo e Casemiro, para já, é a opção mais natural para a posição 6. Mas o Real Madrid, em janeiro, pode fazer regressar o jogador, ainda que para isso tenha que indemnizar o FC Porto e essa situação só seja possível caso algum dos seus médios se lesione com gravidade. Então, Campaña pode vir a assumir um papel importante no FC Porto, desde que abdique da ideia de uma carreira de globetrotter e perceba o mais rapidamente possível o que é representar uma instituição com esta dimensão e nível de exigência. Festas, nesta casa, só em maio, compreendes muchacho?

A Sampdoria não é um clube que venda propriamente muito caro (quase todas as grandes vendas do clube foram feitas na década de 90) e as relações institucionais entre os 2 clubes são boas (foram o adversário convidado para o jogo de apresentação da época que rendeu o inédito póker em Portugal ao FC Porto de Villas-Boas). Portanto, com ou sem cláusula, a preocupação imediata é que Campaña comece a render. O resto será fácil de resolver.

PS: A propósito do tema, excelente reconhecimento por parte de Campaña nestas declarações feitas ao jornal Marca. «É uma loucura ter estado em tantos países em tão pouco tempo. Como já disse uma vez, não devemos culpar sempre os treinadores. Quando isto sucede, como me tem sucedido, devemos olhar para nós próprios e deixar de pensar que a culpa é sempre dos outros. Pode ser que não esteja a trabalhar como deveria (...) Há que ser realista e não culpar sempre os outros. Se isto tem sucedido com tantos treinadores terá certamente uma explicação. Mas, também sou jovem e posso dar a volta às coisas». A postura é esta, rapaz!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A lista para a Champions

Qualquer que fosse a lista seria difícil de agradar a todos e de garantir consenso. Lopetegui fê-lo dentro dos possíveis. A lista de inscritos para a Champions não inclui Helton, Reyes, Opare, Ángel, Campaña e Otávio, pois como ontem aqui tinha sido referido dos 23 estrangeiros só podiam ir 17.

Os três Ricardos, Nunes, Pereira e Quaresma, tinham que ser inscritos. Tiago Rodrigues podia ficar com a quarta vaga (era o único candidato), mas a possibilidade de sair continua em aberto até ao final da semana, apesar da equipa B já ter reservada a camisola 90 para ele. Rúben Neves acabou por ser inscrito como jogador de lista A, o que não era necessário, e David Bruno mantém-se na lista que já tinha ido ao play-off. Vamos à análise, sector por sector.

Guarda-redes:
5 jogos, 0 golos sofridos

Ricardo tinha que ser inscrito de qualquer maneira, o que podia implicar que Fabiano ou Andrés fossem excluídos. Era uma das decisões mais complicadas para Lopetegui. Andrés foi contratado pois o treinador entendia que não havia qualidade suficiente para a baliza, mas manteve a confiança em Fabiano. Ao fim de 5 jogos, nenhum golo sofrido. Não é o protótipo de guarda-redes que faça a equipa respirar confiança, mas tem cumprido bem. Riscá-lo já da Champions seria perigoso, pois acabaria com a confiança que aos poucos está a construir. 

Além disso, a política de rotação de guarda-redes, um para a Champions e outro para UEFA, seria um erro colossal, pois isso diria que tanto um como outro, independentemente do trabalho desenvolvido ao longo da semana, já saberiam se iam ou não jogar. Felizmente Lopetegui decidiu bem. Fabiano é o dono do lugar e Andrés tem que lutar por ele. Seja para que competição for.

Além dos 3 guarda-redes do plantel principal, o FC Porto inscreveu mais 3: Andorinha, Kadu e André Caio. Naturalmente, só para prevenir uma onda de lesões na baliza.

Defesas:

Ainda sem espaço
Escolhas difíceis. Reyes, Opare e Ángel foram sacrificados neste sector. O caso de Reyes é o mais delicado. Isto confirma que é o 4º central da hierarquia, o que na sua condição será complicado, pois precisa de jogar com regularidade para evoluir.

Perto do fecho do mercado colocou-se a hipótese de ser emprestado, mas isso era contra-natura: assim o FC Porto tinha que contratar outro central, o que não faria sentido - emprestar o central de 7 milhões para ir buscar mais um? Reyes ficou no plantel e será difícil ter oportunidades, mas foi a solução tomada e terá que trabalhar para evoluir neste contexto.

Opare não é surpresa. Chegou como candidato a ser o substituto de Danilo e Alex Sandro, mas confirmam-se as suspeitas já trazidas do Standard: é muito susceptível a lesões. Quanto ao lado direito da defesa, Ricardo é uma boa alternativa. Do lado esquerdo, tanto Indi como Marcano podem fazer a posição. Depois claro que surge o problema: se um deles for desviado para a lateral, não sobra nenhum central suplente... Ou será que sim?

Diogo Verdasca será o quarto central para as competições europeias. Júnior de segundo ano, internacional sub-18, é uma das promessas da formação do FC Porto. O contexto de equipa B será benéfico para preparar o jogador para a eventualidade de ter que ser chamado.

Além das alternativas já referidas para os flancos há David Bruno, inscrito por ser o único formado no clube, e para a esquerda temos Rafa e Tomás Mota. Rui Silva pode fazer o lado direito, mas qualquer destes jogadores só será ponderado se as restantes alternativas a Danilo e Alex Sandro (Ricardo, Indi, Márcano) não estiverem disponíveis.

Médios:

Ser inscrito antes de
treinar? Não.
Lopetegui disse que precisava de reforços para o meio-campo e Óliver Torres pode falhar os primeiros jogos contra BATE e Shakhtar. Isto podia significar a oportunidade para Campaña ser já inscrito (sobre Otávio já ontem tinha sido referido que dificilmente será aposta a curto prazo), mas Lopetegui obedeceu ao bom senso.

Que sentido faria inscrever Campaña (e quem diz Campaña diz Otávio) sem que antes tivesse feito um único treino pelo FC Porto? Lopetegui premiou, e bem, quem já levava semanas de trabalho a tentar chegar à Champions.

Casemiro e Rúben Neves são as soluções para a posição mais recuada, mas Lopetegui também já os utilizou mais adiantados. É difícil rotular os jogadores do meio-campo do FC Porto como sendo 6, 8 ou 10, pois Lopetegui usa-os com muita versatilidade. Assim, para o miolo há 6 soluções, contando com Brahimi, Evandro, Herrera e Óliver, podendo Quintero ser a 7ª.

Na lista B, temos uma série de soluções para o caso de haver uma vaga de lesões no meio-campo: Mikel, Chico, João Graça, Tomás, Rui Moreira, Belinha, Cléver e Leandro Silva

Avançados:

Mesmo sem contar com Ricardo, Quintero, Óliver e Brahimi, o FC Porto tem variadas e boas soluções para o ataque. Quaresma, Tello e Adrián para as alas, Aboubakar e Jackson para a posição 9. Há ainda Kelvin, da lista B. Não havia grandes dúvidas em relação a este sector.

Na lista B temos também Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência e André Silva, além de Macedo, Fred, Mata, Sérgio Ribeiro e Bruno Costa.

Uma lista que não dá garantias de nada (nenhuma dá), mas que oferece todas as condições para lutar por qualquer objectivo. O primeiro está marcado para 17 de Setembro: vencer o BATE.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Os 28 protagonistas que seguem para as trincheiras

Melhor só se também
viesse este...
Parabéns! Para começar, parabéns à Futebol Clube do Porto SAD e ao treinador Julen Lopetegui, que foram capazes de formar um plantel de excelência. O mercado de inscrições fechou e são 28 os jogadores com que contamos para atacar título, Taças e Champions. Nenhum adepto tem o direito de se sentir defraudado. Há duas boas soluções por posição e uma equipa construída com consciência das limitações financeiras no curto prazo.

O último dia de mercado trouxe uma aposta da SAD para o futuro (Otávio) e uma de Lopetegui para o presente (Campaña). Muitos sonhavam com Clasie, mas tal como era aqui escrito a 16-07-2014 esse era um sonho quase impossível. Os portadores de boas novas que sabem mais do que a imprensa e do que a própria SAD descreveram viagens, exames médicos, sabe-se lá mais o quê, e fecham com a cereja no topo do bolo que deve ser mesmo holandês, daqueles confeccionados em Amesterdão: o jogador faltou à palavra. Como é que Clasie faltaria à palavra se o FC Porto nunca esteve sequer perto de ter acordo com o Feyenoord? Como pode ser o jogador culpado se nunca houve acordo com os clubes?

Leite derramado. Em suma, apesar do mercado ser vasto (nomes que viraram novela na imprensa que nunca interessaram, outros que nunca chegaram à imprensa e estiveram bem encaminhados), é possível identificar 4 jogadores mais falados que não chegaram ao FC Porto. Além do já referido Clasie, que falhou pelas razões que já se escreviam a 16-07-2014, não houve essencialmente acordo para Navas, Suso e Raúl Jiménez, todos por motivos diferentes.

Sobre Navas, o Levante soube jogar com o Mundial 2014. Versões contraditórias. Uma que apontava para as altas exigências do Levante, outra que dizia que o jogador é que ignorou o FC Porto quando apareceu o Bayern, e depois ignorou o Bayern quando surgiu o Real Madrid. Lopetegui trouxe Andrés Fernández, mais barato, e renovou a confiança em Fabiano. Não há Navas, mas já há um recorde de baliza inviolada, com 450 minutos sem sofrer golos. Não perdemos nada.

De Suso não se pode falar em jogador perdido. Foi um dos primeiros alvos de Lopetegui, mas numa altura em que Brahimi e Tello não estavam no radar. Não há-de haver nenhum adepto do FC Porto que prefira Suso a qualquer um destes dois. Sobre Raúl Jiménez, já aqui tinha sido analisada a sua situação. Entretanto chegou Aboubakar e, entre um e outro, estou mais do que satisfeito com a preferência.
O sonho impossível
era... impossível

Está construído o grande plantel. A SAD soube trazer grandes e caros jogadores sem que tenham grandes consequências na tesouraria a curto prazo, algo que só será decifrável para a generalidade aquando do R&C do primeiro trimestre. O FC Porto gastou praticamente o mesmo do que há um ano. Claro que não podemos ignorar que há um «adiar» do investimento: os emprestados, quando saírem, terão que ser substituídos, e ao longo da próxima época vai haver percentagens de passes para recuperar; resta saber que implicações isto poderá ter no mercado de inverno ou no final da temporada (a regra de vender apenas 2 titulares que Pinto da Costa, contra muitas expectativas, conseguiu cumprir com Jackson), mas até lá há títulos para conquistar, com os nossos 28 protagonistas.

Além disso, registou-se um pormenor curioso: um pouco por toda a Europa, com Falcao à cabeça, alguns clubes fizeram transferências por empréstimo por causa das regras do fair-play financeiro. E pergunto: alguém pensou no fair-play financeiro enquanto o FC Porto estava no mercado? Não, ninguém pensou... a não ser a administração, que sabia o que estava a fazer. Daí chegadas por empréstimos e alienações para reduzir o investimento em 2014-15. Tal como foi escrito aqui a 7 de julho, o FC Porto estava em risco de falhar as regras do fair-play financeiro. Assim, consegue manter-se em controlo, ao minimizar o investimento para o exercício 2014-15. Fez-se luz em algumas cabeças?

Um olhar a quem entrou e quem saiu

Campaña, o reforço
surpresa
Jose Campaña - Pode ser solução de recurso, mas é um jogador à medida de Lopetegui: um médio-defensivo completo, que funciona como primeiro construtor, e não um trinco, que Lopetegui nunca quis (se fará falta ou não, veremos). Claro que gostaríamos que tivesse opção de compra, mas negociar no último dia tem as suas implicações. A Sampdoria não deve ser indiferente ao grande potencial de Campaña, que era o «guarda-costas» de Oliver na selecção de sub-19 campeã europeia. No fim da época, veremos se haverá capacidade para negociar o jogador. Para já, é mais uma solução pedida e correspondia por Lopetegui.

Otávio - Vamos lá colocar o dedo na ferida. Fui alertado que um dirigente do Benfica, num programa da SIC, estava exaltadíssimo: parece que o Otávio tinha assinado pelo FC Porto há um mês, mas a imprensa lançou o nome do Benfica para tentar desculpar o investimento que o FC Porto ia fazer. Este deve estar mais ou menos inserido na categoria dos visionários que sabem mais não só do que a imprensa como do que a própria SAD.

A história de desviar jogadores de rivais não me seduz. Muitas vezes é utilizada porque é uma boa história de imprensa; muitas vezes é utilizada para valorizar mercadoria e desculpar investimentos inflaccionados (o Marselha conseguiu sacar 3 jogadores todos apontados ao FC Porto e nenhum a interessar, sabe-se lá com que sentido); e muitas vezes é utilizada como promoção pelos próprios representantes, no clássico leilão em que na verdade há só uma parte a subir as licitações. Só se seduz por isso quem quer.

Mas a ligação de Otávio ao Benfica tem um dado curiosíssimo, de seu nome Guiliano Bertolucci. Um nome que diz pouco aos portistas, por não ser um empresário com ligação ao FC Porto (mas sabe-se lá porquê, alguns visionários que se dizem portistas apressaram-se a afirmar que é uma contratação para fazer «um favor a um empresário» - estou à procura de uma ironia refinada, mas não consigo: é mesmo estupidez e ignorância em casamento perfeito). Mas é um nome que diz muito ao Benfica: foi um dos mais influentes empresários na última década, que ajudou o rival a fazer algumas das suas maiores transferências e foi braço-direito de Vieira no mercado. E usamos o passado porque, diz-se, parece que as comadres se zangaram. Daí que o tempo em antena televisiva seja desde já usado para criar distanciamento da mercadoria de Bertolucci. Valeu o esforço.
Otávio, talento para o futuro

Sobre Otávio. Houve logo preocupação com os números falados no Brasil, 7 milhões. Nada como esperar, uma vez mais: o FC Porto não fica com a totalidade do passe e reduz o investimento a curto prazo. Acham mesmo que o FC Porto ia pagar logo 7 milhões por um miúdo de 19 anos neste contexto? Impossível. Gosto de Otávio, reconheço-lhe grande potencial. Consta que foi uma aposta da SAD e, desta vez, não um nome que partiu de Lopetegui. Com a lesão de Óliver, pode tentar conquistar algum espaço no próximo mês, mas é provável que como Anderson tenha na equipa B a primeira passagem.

Sobre o investimento, importa esclarecer algo relacionado com a CMVM: não há um único valor mínimo para um jogador ser declarado. Isso é um mito criado e alimentado. Não são 2, nem 5 nem 10 milhões de euros. O FC Porto só comunica à CMVM os negócios que podem influenciar a posição dos stakeholders, que podem ter impacto imediato na valorização ou desvalorização das acções e que possam interferir, negativa ou positivamente, nas posições dos accionistas. Contratar um avançado a um clube pequeno português, por 3,8 milhões por 50% do passe, não interessa ao mercado. Mas contratar, imagine-se, um titular da selecção argentina, alemã ou brasileira a custo zero, tem que ser declarado à entidade reguladora.

Sobre Otávio, que chegou a pensar em jogar na Champions, recomendo-lhe calma. Anderson também não foi inscrito no primeiro ano e teve que começar na equipa B. Depois tornou-se um ídolo para os adeptos e 7 anos depois ainda há quem suspire por ele. Vai crescer com calma, e mesmo que não entre nas opções de Lopetegui a curto prazo, tem valor para se revelar.

Os emprestados, Kelvin e Rolando

Sami - Pouco a acrescentar ao que tinha sido dito aqui há dois meses. Teve bons momentos na pré-época, parece ser bom profissional e mostrou vontade de singrar no FC Porto, mas o plano desde o início passava por emprestá-lo. Confirma-se, no Braga. Boa sorte.

Kléber - Fui defensor do seu investimento quando chegou do Marítimo, logo, só com hipocrisia posso afirmar que Kléber foi uma má aposta da SAD. Não foi. Infelizmente, não foi feliz no FC Porto. Revelou até uma surpreendente humildade em tentar relançar-se na equipa B, mas não foi bem sucedido. Vai regressar ao futebol de primeira liga e oxalá reencontre a felicidade e os golos. Boa sorte.

Carlos Eduardo - Teve bons momentos na época passada, e chegou até a conseguir reorganizar o caos que era o meio-campo de Paulo Fonseca, mas faltou-lhe intensidade e estofo para se manter a este nível. O empréstimo será bom para ele. Foi uma contratação de baixo custo e confio que se valorizará no Nice. Também revelou boa postura e profissionalismo enquanto cá esteve. Boa sorte.

Quiñones - Para quem não se recorda, Quiñones foi contratado à pressa no último dia do mercado de verão de 2012. Custou 2 milhões de euros. Os portistas pensaram, claro, que estávamos perante mais um colombiano pronto a ser estrela no FC Porto. E a verdade é que até hoje não sei se Quiñones poderia ser essa estrela, visto que foi quase sempre tratado e encarado como um jogador que, por um acaso qualquer, olha, por cá andava. Má gestão deste caso. Foi um lateral caro e tinha que ser aposta. Se não foi em 2012-13, tinha que ser já emprestado na última época. É finalmente cedido, ao Penafiel, e pode ganhar rodagem de primeira liga. Boa sorte ao jogador, que é o último culpado pela forma como a sua situação foi gerida.
Ghilas pode evoluir
em Espanha

Júnior Pius - Alguma surpresa no seu empréstimo, mas face ao potencial que mostrou nos sub-19 será bom começar já a jogar com regularidade, no Aves. Para o seu lugar na equipa B chegou Diego Carlos, que tinha sido contratado pelo Estoril em julho, mas não era primeira opção para Couceiro. Foi uma contrapartida pela contratação de Kléber e vou evitar fazer juízos precipitados ao seu valor, pois ainda não o vi.

Ghilas - Foi um jogador mal aproveitado na época passada, essencialmente por culpa da sua gestão no plantel. Não ganhou minutos e não ia ser esta época que o ia fazer. O empréstimo era o melhor. O Córdoba é uma solução surpreendente, mas vai poder ser referência numa equipa de primeira liga espanhola, o que pode ser excelente para ele. O jogador não tem culpa do preço e dos moldes da sua transferência. Todos os portistas sabem que tem potencial e valor. Oxalá o mostre para que um dia possa regressar. Boa sorte.

Kelvin - Esteve perto de sair, mas para já fica no FC Porto. Pode ser importante para a Champions, após a saída de Sami, porque o FC Porto só vai ter 20 jogadores na lista A (21 com David Bruno), sendo que 3 deles podem ser guarda-redes, a não ser que Andrés ou Fabiano sejam excluídos da Champions. Lopetegui tem um grande problema para resolver amanhã. Infelizmente, para Kelvin o melhor era sair e jogar com regularidade. O contexto de equipa B pouco tem para lhe oferecer. A Roménia é alternativa remota mas possível.

Ninguém fica a ganhar!
Rolando - Salvo alguma alteração que desconheça, e assim for apresentarei de imediato a correcção, é falso que Rolando esteja de regresso ao plantel. Foi inscrito porque tinha que ser inscrito, caso contrário rescendia por justa causa. Assim foi inscrito... como jogador do FC Porto B. Vai fazer o mesmo que aconteceu a Fucile em 2011-12, ficar a treinar com a equipa B. O FC Porto rejeitou propostas de Roma e Besiktas, Rolando rejeitou do Trabzonspor. Nada a fazer. A não ser que tenha havido algum volte-face, vai cumprir o contrato e sair a custo zero.

Não me querendo alongar, claro que tem que ter havido razões muito fortes para Pinto da Costa punir um jogador que ia ser titular e capitão. Mas existe sempre uma parte chamada versão do jogador, que num clube democrático nunca pode ser ignorada. Rolando, se um dia quiser, que explique as suas razões, em vez das múltiplas versões andarem a ser constantemente vomitadas por diferentes agentes junto do CM. A verdade é que o FC Porto, num contexto de aperto financeiro, vai andar a pagar um elevado vencimento a um jogador que não vai utilizar. «Servir de exemplo», mas para quem? Como serviu Fucile? Cada caso é um caso e um jogador não se revê no outro. Oxalá tenha havido o volte-face que não acredito, mas é a situação mais lamentável deste último dia. 

As inscrições para a Champions

O FC Porto tem que preparar hoje a lista definitiva de inscritos a entregar na UEFA. Há um grande problema, claro. É preciso escolher 4 jogadores formados no clube, 4 formados no país e 17 formados fora da FPF. Vou deixar que sejam os leitores a fazê-lo, e não há-de ser fácil.

4 formados no Clube: David Bruno (é o único).

4 formado no País: Ricardo Nunes, Ricardo Pereira e Quaresma (só temos estes 3, e mais ninguém pode ser inscrito nesta categoria, a não ser Tiago Rodrigues, que ficou na equipa B).

17 formados fora de Portugal: Helton, Fabiano, Andrés, Danilo, Indi, Maicon, Marcano, Reyes, Ángel, Alex Sandro, Opare, Casemiro, Brahimi, Quintero, Evandro, Herrera, Otávio, Campaña, Óliver, Jackson, Tello, Adrián e Aboubakar (têm que excluir 6 destes).

Lista B: Rúben Neves, Kelvin e basicamente todos os jogadores dos sub-19 e da equipa B que tenham pelo menos 2 anos de FC Porto vão ser inscritos aqui.

Portanto, o desafio é excluir 6 jogadores da lista acima referida. Helton, já se sabe, está fora. O resto vai ser uma boa dor de cabeça e a oportunidade de Lopetegui mostrar como se gere egos e superegos. Uma vez mais.

PS: Perdoem-me as gralhas no texto, mas faz-se tarde.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sorrisos e suspiros de alívio

Jackson: 5 jogos, 5 golos
Doce ironia: a mais dilatada vitória da época até agora foi também a mais difícil de alcançar. A maneira como Óliver Torres festejou o primeiro golo da vitória sobre o Moreirense (3x0), já com pouco mais de 20 minutos para jogar, dirigindo-se apenas aos adeptos, disse tudo: foi mais um momento de alívio, de "ALELUIA!", do que propriamente de festa. O jogo acabou animado e com cor, mas não significa que tudo foi bom. Felizmente, o objectivo essencial está cumprido, cinco jogos, cinco vitórias, 9 golos marcados e zero sofridos. Lopetegui já é um treinador de recordes e, mesmo que prefira ganhar por 5x4, é na defesa que o FC Porto se recomenda. E entre 1x0 e 5x4, fico mais satisfeito com o 3x0.

Não se pode ignorar um grande pormenor: o Moreirense de Miguel Leal. Bela equipa. Organizada, coesa, disciplinada. Não vi ninguém com autocarro. Vi uma equipa que entrava a matar quando o FC Porto tentava sair do seu meio-campo, enquanto teve pilhas para isso, e que conseguiu limitar-nos a uma primeira parte francamente negativa. Depois, ocupou sempre bem o espaço no seu meio-campo, claro que cada vez mais à procura do ponto. Ofensivamente pouco ou nada fez, é certo, mas perder o jogador mais influente da frente logo no minuto 1 tem o seu impacto. Gostei deste Moreirense, bem treinado, e candidato a fazer uma época tranquila. Vamos aos destaques.





Danilo e Maicon (+) - Não há jogo em que não tenha elogiado Maicon. E não há jogo em que ele não tenha merecido os elogios. Que bem está! Afirmou-se como líder da defesa, novamente impecável na antecipação e abordagem defensiva, sai cada vez melhor em progressão, embora ainda tenha falhas no lançamento longo (que tentou menos vezes). Ainda assim, hoje ninguém dúvida que o líder da defesa está aqui, ainda que não se possa falar num central sem falar em dupla - Indi continua a encaixar bem. Sobre Danilo, foi o melhor da primeira parte. Se a equipa tivesse estado ao seu nível, teria ido para o intervalo em vantagem. Fecha melhor o flanco, consegue dar profundidade na linha e na zona interior, e não dorme por o seu concorrente directo parecer ser um crónico candidato ao boletim clínico. Está numa das melhores fases no FC Porto.

A diferença que o miúdo faz (+) - Quem diria? Rúben Neves, o miúdo de 17 anos, voltou a ser decisivo. Foi ele quem orientou um meio-campo perdido em grande parte da partida, e só precisou de um par de minutos para o fazer. A forma como descobre Quaresma, que depois soltou Brahimi (dou razão: é mesmo melhor utilizá-lo sem as amarras do meio-campo) entre-linhas e saiu o cruzamento para Óliver, foi brilhante. E finalmente, embora numa fase já quase de tudo-por-tudo, o FC Porto conseguiu meter gente em zona de finalização: estavam 7 (!) jogadores do FC Porto na área no momento do 1-0. O resultado? Lá apareceu alguém para empurrar. Rúben Neves foi a bussola que orientou o FC Porto para a vitória.

Cha Cha Cha (+) - Houve caso Quaresma, ponto. Não com os contornos dramáticos que alguns quiseram antecipar ou provocar, mas está mais do que resolvido: faz parte do plantel, joga quando o treinador entender e perdeu a braçadeira de capitão, agora para Jackson. Gosto de ver a braçadeira em Jackson, embora não esconda que preferisse Maicon. Mas há dois tipos de capitães: o líder por natureza e o capitão-estrela. Jackson, apesar do perfil discreto e tranquilo que o recomenda, está mais próximo do segundo. Transmite uma enorme confiança aos seus colegas, que sabem que ele marca à primeira oportunidade. Os seus 2 golos são verdadeiras obras de arte: o primeiro ao cabecear entre dois centrais, lendo como ninguém o posicionamento e a trajectória da bola; e o segundo revela toda a  sua inteligência: ao invés de correr para a grande área, como viu que tinha 2 colegas na marca de penálti resolveu ocupar outro espaço e rematou com classe. Está pronto para a sua melhor época no FC Porto.





O meio-campo (-) - Quem acompanha este espaço sabe que aqui existe grande apoio e consideração para com Lopetegui. Mas há uma regra de ouro nas grandes equipas: quem não tem meio-campo estável, a funcionar como um relógio, um núcleo, não vence grandes competições. O FC Porto, de um jogo para o outro, transformou os alas em médios (Brahimi e Óliver). É já sabido que Lopetegui é um técnico que joga em função do adversário e que uma das imagens de marca deste FC Porto é a versatilidade e a polivalência. Mas trocas assim podem adiar a estabilização do meio-campo. Depois do mercado fechar Lopetegui pode finalmente fixar o seu núcleo, e oxalá que sim, caso contrário esta dança no miolo poderá tornar-se um problema. Casemiro não esteve bem, Óliver e Brahimi não sabiam o que fazer na primeira parte.

Melhorar na saída (-) - O mesmo problema, que vai ao encontro do ponto anterior: a saída de bola. O FC Porto está a ter 65% a 72% de posse de bola e faz mais de 500 passes por jogo. Mas curiosamente, uma parte muito significativa do tempo com posse é passada dentro do meio-campo do FC Porto. Hoje, a equipa simplesmente não soube sair a jogar pelo meio até à entrada de Rùben Neves (esperava até que Evandro fosse solução de início). Com Ángel trapalhão na primeira parte (esteve bem na segunda), o FC Porto dependeu muito das investidas de Danilo pela direita para desequilibrar. Lopetegui gosta de movimentos interiores, mas o FC Porto fez a diferença precisamente quando Rúben Neves descobriu Quaresma encostado à linha. O FC Porto precisa de largura nos dois flancos, mesmo que o núcleo do seu jogo passe pelo meio. Coisas que vão certamente melhorar.

Reinaldo Teles (-) Sim, o Tio Reinaldo surge em foco negativo. Foi absolutamente inaceitável a sua postura hoje. Estando a ver o jogo mesmo ao lado de João Moutinho, o que tinha a fazer era trancá-lo na tribuna, enfiar-lhe o equipamento pela cabeça abaixo e mandá-lo já aquecer. Francamente, Tio! Ah, e a Lopetegui: mesmo que tenha sido totalmente espontâneo (e foi), a reacção à lesão de Óliver não é o melhor voto de confiança a Evandro e Quintero, sobretudo quando estes já sabem que ainda vai chegar gente para o meio-campo. Não terá sido nada demais, apenas uma reacção normal à lesão de um dos nossos, mas como Lopetegui disse, no FC Porto temos não um 11, mas um plantel de titulares. E o treinador tem que ser o primeiro a acreditar nisso.





- Quero acreditar que vi mal. Muito mal. A transmissão televisiva também não é clara, mas a partir dos 84:30 pareceu ver-se Quintero, muito determinado, tirar as bolas das mãos de Brahimi, com insistência para bater o penalty. Jackson estava lá e Lopetegui é um treinador que deixa que os jogadores decidam quem bate os penaltys, mas o teor da conversa entre os 3 só eles saberão. Felizmente o FC Porto marcou logo de seguida e Quintero redimiu-se... Mas não pode haver indecisão no momento dos penaltys. Jackson, como capitão, tem que definir.

- Os laterais-esquerdos que chegam ao FC Porto, normalmente, tropeçam sempre ao primeiro jogo. Ángel não foi diferente. Na primeira parte não esteve bem, sobretudo ofensivamente, mas na segunda parte ganhou confiança e até assistiu Jackson para um golo. De Adrián López já se viu alguma coisa. As suas características ainda não estão bem enquadrados no plano colectivo, mas já revelou algum entrosamento, como na assistência para Jackson. Precisa de mais tempo de jogo, o golo vai chegar. 

- O mercado fecha hoje à meia-noite. Uma hora mais cedo noutros países. De Otávio ao médio que Lopetegui ainda espera, passando pelos dispensados e por uma ou outra colocação de última hora, dependendo também de quem passar pela porta de entrada, haverá mais de 10 casos para resolver no dia de hoje, ainda com algumas indefinições. A equipa B e os sub-19 também têm porta aberta. Será um dia de especulação, de atirar barro à parede, de nascerem e morrerem possibilidades no espaço de uma hora. Após o fecho será feita uma análise aprofundada sobre quem entrou, quem saiu e quem ficou por entrar. Até lá, divirtam-se a especular. Depois só a partir a Dezembro. Ou Novembro, que isto já é como o Natal: é quando o Homem dizer.