Desviar jogadores de outros clubes não me dá prazer nenhum. Isso só são boas notícias se as contratações acabarem por render no FC Porto, e se em sentido inverso as alternativas encontradas pelo clube que foi ultrapassado não se revelarem melhores (o Sporting falhou Ghilas, em 2013, e foi buscar Slimani por um décimo do preço). O facto de Marega e José Sá terem sido cobiçados pelo Sporting não lhes retira nem acrescenta qualidade. O importante é o que o FC Porto ganha, não é o que o Sporting perde. Jorge Jesus também prometia fazer de Derley, contratado ao Marítimo em 2014, um grande matador no Benfica. Ser alvo de JJ não é sinónimo de qualidade.
Dito isto, a reação às contratações de José Sá e Marega para o FC Porto. São contratações que, neste momento, não deixam o FC Porto mais perto do título 2015-16, e que levantam dúvidas sobre se terão sequer espaço no plantel da próxima época.
O FC Porto ainda não revelou detalhes sobre o negócio, sobre o qual se levantam várias questões. O Marítimo pediu 5M€ pelos dois ao Sporting - o FC Porto aceitou pagar esses 5M€, ou será que foi ainda mais além? À imagem de Danilo Pereira, algum deles também foi dar primeiro um giro a Portimão? É isso que implica que Maurício, que estava emprestado pelo Portimonense ao FC Porto B (e que não revelou qualidades para ficar no FC Porto, diga-se), possa seguir para o Marítimo?
Começando por José Sá. É um guarda-redes que faz lembrar... Mika. Como assim? José Sá começou a ganhar popularidade por causa das suas exibições no Europeu de sub-21. Um pouco à imagem de Mika, que apareceu no futebol português pelo seu Mundial de sub-20.
José Sá é o habitual suplente de Salin no Marítimo. Na última época jogou quase sempre na equipa B. Tem 23 anos e ainda não fez nenhuma época completa como titular numa equipa de primeira liga. É inexperiente e, apesar de os guarda-redes evoluírem sempre mais tarde, até ao momento não mostrou nenhum potencial acima da média na carreira - também porque ainda não foi aposta em nenhum lado com continuidade. Faz lembrar quando o FC Porto foi buscar Paulo Ribeiro a Setúbal.
O que pode José Sá dar, neste momento, que Gudiño não pode? É bom não esquecer que Gudiño é o guarda-redes mais caro da história do FC Porto, e também ele um jovem de tremendo potencial. Além disso, na equipa B o FC Porto tem Andorinha, que joga regularmente na seleção desde os sub-16 (José Sá só começou nos sub-20) e não joga mais por estar tapado por Gudiño. E é bom lembrar a afirmação de Diogo Costa, que é juvenil mas já é guarda-redes titularíssimo dos juniores.
Poderão lembrar, e bem, a idade de Helton e Casillas. Mas quem diz que com José Sá e Gudiño o FC Porto assegura o futuro esquece-se de um pormenor: o presente. José Sá não poderá nunca fazer parte do plantel do FC Porto, como opção válida para a titularidade, antes de fazer uma época completa como guarda-redes de primeira liga. O mesmo vale para Gudiño, mas Gudiño é quatro anos mais novo. Um deles estará muito provavelmente emprestado a outro clube em 2016-17, se não mesmo ambos. E já agora, o FC Porto tem emprestados Ricardo Nunes, Kadú, Andrés Fernández, Bolat e Fabiano a outros clubes - foi-se contratar mais um guarda-redes sem antes saber o que fazer ao excesso de guarda-redes nos quadros do clube.
Outra grande questão é perceber que tipo de evolução podem ter os nossos guarda-redes trabalhando com Daniel Correia. Não é Peseiro, nem sequer outro treinador principal quem vai ajudá-los a evoluir: o trabalho do treinador de guarda-redes é muito mais importante. Daniel Correia praticamente só trabalhou na equipa B do FC Porto, e nunca foi profissional. Levantam-se questões sobre se esta será a melhor solução para trabalhar os nossos jovens. Por outro lado, estando Helton perto do fim de carreira, por que não abordá-lo nesse sentido? É certo que Helton sente-se capaz de continuar a ser titular numa grande equipa, mas teria todas as valias profissionais, técnicas e pessoais para continuar ligado ao FC Porto.
Nem será de descartar a hipótese de José Sá ser já emprestado a outro clube, caso contrário vai estar ou meio ano sem jogar, ou a aparecer apenas esporadicamente na equipa B, onde já temos quatro guarda-redes (além de Gudiño, que é quem mais joga, há Andorinha, Caio e Filipe Ferreira). O melhor seria José Sá ser já cedido.
Nem será de descartar a hipótese de José Sá ser já emprestado a outro clube, caso contrário vai estar ou meio ano sem jogar, ou a aparecer apenas esporadicamente na equipa B, onde já temos quatro guarda-redes (além de Gudiño, que é quem mais joga, há Andorinha, Caio e Filipe Ferreira). O melhor seria José Sá ser já cedido.
Quanto a Marega... Há coisas que não se percebem. É forte fisicamente, é rápido. E está descrito Marega. Trata-se de um jogador sem escola, que há dois anos estava na terceira divisão francesa. Não é raro vermos jogadores que se afirmam um pouco mais tarde no futebol profissional (vejam o exemplo de Vardy em Inglaterra), mas a contratação de Marega parece estar muito longe daquilo que o FC Porto necessita.
Marega é um jogador muito limitado tecnicamente, o tipo de ponta-de-lança que funciona como referência para a bola longa, para as costas da defesa, e para o jogo aéreo. O FC Porto não costuma ser bem sucedido tendo pontas-de-lança deste perfil. Sem espaço, tal como Suk, tem muitas dificuldades. É certo que Marega pode jogar a partir de uma ala, mas também não tem a qualidade técnica que se possa pedir a um extremo do FC Porto. O FC Porto já contratou 3 jogadores no mercado de inverno e nenhum deles capacitado para pegar de estaca na equipa.
De facto, José Peseiro quer apostar num modelo de transição mais rápida, que é mais adequado a Marega do que o seria, por exemplo, o modelo de posse de Lopetegui. Por esse prisma, faz sentido. Por outro lado, Suk já é uma contratação dentro do mesmo perfil: bom a jogar em profundidade e com 40 metros à frente. Mas Suk ainda teve escola, ao contrário de Marega. Marega tem a valia física, é forte no jogo aéreo, o que poderia ser interessante se o FC Porto procurasse muitas vezes o ponta-de-lança na grande área. Mas custa a acreditar que possa ser essa a estratégia para o que resta da época. Uma coisa é transição rápida, outra é chuveirinho para o ponta-de-lança.
Se custasse um milhão de euros, o risco aceitava-se - mesmo sem o subscrever. Se Marega custa o triplo ou o quádruplo disto, parece ser um mau investimento, inoportuno e que levanta dúvidas sobre se conseguirá ter retorno desportivo a esse nível - ou sequer recuperar o dinheiro numa futura transferência. Dias felizes para Carlos Pereira, que faz o melhor negócio da história do Marítimo e que já deve ter estado mais longe de receber um Dragão de Ouro. Em menos de um ano já leva cerca de 8M€ de negócios com o FC Porto. Mais um bocado e têm o estádio pago.
A partir do momento em que começarem a treinar/jogar, estão sujeitos ao mesmo que qualquer outro futebolista do FC Porto: têm a obrigação de trabalhar ao máximo para evoluir, ter espaço nas opções de José Peseiro e ajudarem o clube a cumprir os seus objetivos. Falando especificamente de Marega, temos vários jogadores muito mais talentosos nos quadros do clube, mas a falta de humildade, de empenho e de disponibilidade para aprender impedem que sejam titulares no FC Porto. Se Marega vier com a atitude correta, já terá algo com que combater e colmatar as suas debilidades técnicas.
As expetativas sobre os jogadores, confesso, estão longe de ser as maiores, ou sequer positivas na relação qualidade/investimento. São contratações caras. Esperemos que cheguem a ser reforços. Que daí saiam boas surpresas. Até porque só podem surpreender pela positiva.
Boa sorte, Sá e Marega.
As expetativas sobre os jogadores, confesso, estão longe de ser as maiores, ou sequer positivas na relação qualidade/investimento. São contratações caras. Esperemos que cheguem a ser reforços. Que daí saiam boas surpresas. Até porque só podem surpreender pela positiva.
Boa sorte, Sá e Marega.


















