Oh, se é! O FC Porto não se pode queixar de falta de sorte nesta edição da Liga dos Campeões. 4 expulsões desde o playoff, mais um penalty, mais um adversário francamente banal pela frente (ainda que jogar na Bélgica não seja historicamente fácil - quem não se lembra do terror que foi em tempos visitar o Anderlecht?) e, uma vez mais, se o FC Porto não conquistasse pontos seria por manifesta aselhice própria. Um penalty caído do céu salvou a noite, mas infelizmente mostrou que a grande exibição realizada frente ao Nacional já está em pergaminhos passados: não foi ponto de viragem, foi até ver a exceção.
Não é que uma vitória tirada a ferros, em cima do apito final, não saiba bem. Sabe. Mas já tivemos amostras suficientes disso esta época. Como não vai dar para contar sempre com um penalty nos descontos, há muito mais para melhorar - essencialmente, o mesmo desde o início da época - do que para celebrar.
Layún (+) - Mal defensivamente na primeira parte, absolutamente decisivo do meio-campo para a frente desde então. Galvanizou a equipa para a reviravolta, não só pelo bom golo que marcou, mas também pela forma como empurrou a equipa para a grande área adversária, onde entrou 9 vezes, além de ter recuperado 11 bolas. Foi também o jogador com maior acerto de remate (3/4). Tendo em conta que a nossa dupla de avançados rematou pela primeira vez nos últimos 15 minutos, isso diz tudo do papel que Layún desempenhou em terrenos mais adiantados.
Iván Marcano (+) - Impecável. Em 3 jogos de Champions, fez apenas duas faltas. Isso não faz dele um central macio, mas sim que sabe jogar limpo, é prático, joga simples e evitou por várias vezes males maiores para a baliza do FC Porto. Está a ser dos melhores do FC Porto desde o início da época, e não é por um défice de qualidade em seu redor: tem mesmo sido eficiente. Não bate com a mão no peito, não dá entrevistas, não escreve #somosporto todos os dias: Marcano limita-se a ser um bom profissional, empenhado e responsável. Que ousadia, Iván!
Danilo Pereira (+) - Ser o médio-defensivo do FC Porto é uma trabalheira. A Danilo Pereira, não lhe bastou as muitas bolas que recuperou (9) e os lances de corpo-a-corpo que disputou contra os mais corpulentos belgas (14). Com Óliver a correr muito (está no top10 com mais quilómetros na Champions), mas sem grande orientação, e Héctor Herrera a regressar ao 8 (não a posição, mas o seu limbo de exibições entre o 8 e o 800), foi Danilo a empurrar a equipa para a frente, procurando correr para terrenos que não deviam ser seus. Quase sempre bem no passe (89%), uma garantia de equilíbrio.
Outros destaques (+) - As entradas de Brahimi e Corona foram absolutamente decisivas. Agitaram um jogo no qual Herrera e Diogo Jota não estiveram bem. O FC Porto ganhou velocidade, verticalidade, capacidade de rasgo nas e a partir das alas. Se jogassem sempre com a postura e empenho demonstrado ontem, Nuno dificilmente pensaria em abdicar do 4x3x3. Otávio voltou a estar em alguns dos principais lances de perigo do FC Porto (muito bem na desmarcação para Layún) e foi dos poucos a desequilibrar na primeira parte. Um par de boas intervenções de Casillas e nervos de aço de André Silva num momento de enormíssima pressão. Os penaltys não eram uma especialidade sua na formação, mas quem não treme num momento como aquele revela estofo para assumir essa responsabilidade. Claro que a conversa seria outra se o guarda-redes se tivesse lançado para a esquerda, mas um bom penalty é aquele que é rematado para o lado... de dentro.
Outra vez, pequenos (-) - Não vale a pena repetir críticas a Nuno Espírito Santo. Tentou dar continuidade às coisas boas que o FC Porto fez na Choupana, mas nada foi igual. Vimos, essencialmente nos primeiros 60 minutos, uma equipa de posse de bola estéril, quase inofensiva no último terço, novamente com mentalidade de equipa pequena. O meio-campo foi um poço sem ideias. O FC Porto teve a felicidade de marcar um golo em contra-ataque e um de penalty, mas são circunstâncias e resultados que só podem maquilhar o resto.
O FC Porto dificilmente sairá deste limbo: quando a equipa ganhar, os adeptos, portistas de coração e com boa vontade face ao presente e futuro do FC Porto, vão tentar enaltecer as coisas boas, mesmo que elas não existam; vão repetir «assim sim!», que a equipa está a crescer, que afinal há qualidade e que há raça e crer na equipa; quando o mau resultado voltar a aparecer, recuperam as críticas antigas, tendo sempre Nuno Espírito Santo como alvo principal, por, pasme-se, estar a jogar exatamente da mesma forma que sempre jogou na sua carreira de treinador. Ninguém pode dar mais do que tem, mas confirma-se que é muito mais fácil revelar ambição como guarda-redes suplente do que como treinador principal.
Agora o Arouca, equipa mandada para fora da Taça pelo Real Massamá, que ganhou apenas um jogo esta época e joga à imagem do seu treinador: equipa atrás da linha da bola, borradinha, com esperanças de que o placar não chegue a mexer. Por outras palavras, tem tudo para nos moer o juízo.























