domingo, 7 de dezembro de 2014

Marcar cedo e cedo resolver dá 3 pontos e faz crescer

Jackson. Letal.
Simples, eficaz, satisfatório. Ganhar era essencial, ganhar com qualidade era importante. Não é coincidência que nos últimos 3 jogos tenhamos visto menos Brahimi e que nesses 3 jogos o FC Porto tenha conseguido um score de 11-0. A equipa, colectiva e tacticamente, está mais forte. Já não depende da inspiração de A ou B, porque o ABC já está organizado. As ideias de Lopetegui estão assimiladas e readaptadas. Há uma base, há uma dinâmica definida, há uma equipa no verdadeiro sentido do termo. Há uma equipa preparada para perder Brahimi durante 2 meses.

Começar por elogiar a titularidade de Indi. Não se admitiria outra coisa. Colocar Indi no banco com o pretexto do cartão amarelo seria o mesmo que dizer que a cabeça já estava no jogo com o Benfica. Não há pior do que passar essa mensagem aos jogadores. E apesar da questão da rotatividade e dos jogadores terem que estar preparados para jogar a qualquer altura, sentar hoje Indi seria o mesmo que dizer a Maicon e a Marcano que é melhor proteger o Indi do que correr o risco de jogar com eles contra o Benfica. Boa gestão de Lopetegui, havendo apenas a surpresa pelo regresso da dupla Indi-Maicon.

Total confiança em treinador e jogadores para regressar à liderança. Vamos acabar o ano na frente.





Ruben Neves e o meio-campo (+) - Não foi coincidência nenhuma que tenhamos sufocado a Académica durante toda a primeira parte. Tudo começou na acção deste menino. O posicionamento e simplicidade de processos é do melhor que temos no nosso campeonato. Eu vi o Fernando no primeiro golo do FC Porto. Consegue matar uma jogada e transformá-la de imediato numa ocasião de golo. É de classe. E falar em classe é falar em Oliver, que como Deco não corre, desliza. O Tsubasa demorava 12 episódios para correr de uma baliza à outra. Já o «nosso» (infelizmente com aspas) Oliver tem pezinhos omnipresentes e consegue estar em todo o lado, à hora certa, no momento exacto. E como não há 2 sem 3, outra vez Herrera. Essencial no equilíbrio, excelente a chegar à frente, mais um golo e uma assistência. Que mais se pode pedir?

Ruben graúdo, Tello
a crescer

Alex Sandro (+) - O melhor elogio que lhe posso fazer: parecia um Danilo canhoto. Não tem a qualidade nas diagonais do colega, mas esteve incansável no apoio ao ataque, certo a defender, desta vez foi mais rápido a reagir e a executar e só falta um pouco mais de acerto nos cruzamentos. Está a subir de rendimento. 

Jackson Martínez (+) - Dois excelentes golos. O primeiro com recepção orientada e remate colocado, o segundo a dar razão a um treinador a quem muito deve, Vítor Pereira. Dois golos que mataram a Académica bem cedo e que permitiram ter uma noite descansada, até mesmo para o próprio Jackson na segunda parte. É bom que comece a rematar mais vezes de fora da grande área, porque um jogador com esta capacidade de baixar e segurar a bola tem que aproveitar essa valia. Uma palavra para Tello, que pelo 3º jogo consecutivo é decisivo no ataque.





Dois reparos (-) - Quando o colectivo não funciona, é mais fácil um jogador sobressair com uma grande jogada individual. Quando a equipa está bem colectivamente, jogadores que fazem das jogadas individuais a sua arma podem tender a apagar-se mais. Foi isso que aconteceu a Brahimi. Tem que aprender, vai aprender, a jogar mais simples, a jogar bem sem jogar à... Brahimi. E atenção à tentação de sair a jogar apoiado dentro de uma cabine telefónica. Viu-se o FC Porto arriscar demasiado a tentar sair em apoio quando a linha de pressão já estava quase na linha de fundo. Uma equipa grande, de classe, não joga com bicada para a frente, mas tem que haver um equilíbrio. Um Magique ou um Rui Pedro não são grande ameaça. Mas se um Gaitán ou um Jonas apanha a bola naquela zona, pode haver problemas. Como já houve esta época e já custou caro.





- Paulo Sérgio, definitivamente, não percebes nada disto. Então não viste que o Rui Pedro e o Ivanildo são ex-jogadores do FC Porto!? Porque é que os meteste em campo? Como o Lito Vidigal explicou, esses 2 jogadores, mesmo não tendo contrato nenhum com o FC Porto (que lucra em caso de futuras transferências), iam sentir-se pressionados e condicionados! Aliás, o Carlo Ancelloti até já decidiu que quando defrontar o Manchester United não vai utilizar o Ronaldo, porque tem medo que ele se sinta condicionado por jogar contra o ex-clube. E a FIFA até vai aprovar uma norma para os jogadores nunca defrontarem o clube onde forem formados, por causa dos 5% que têm direito em cada transferência. Os rapazes sentem-se demasiado condicionados.

Dragão de Ouro ou
Águia de Prata?
Reafirma-se o que foi dito aqui. Isto já não é uma questão de discutir se o jogador estava ou não adiantado, se houve ou não mão na bola, se o defesa tocou ou não no avançado. Quanto às arbitragens, são já muitos anos para compreender que todos acabam por ser prejudicados e beneficiados, uns mais do que outros, mas não tenciono andar com uma balança atrás. O clubismo não deixa ninguém ter uma análise imparcial neste tema. Metam um sportinguista, um benfiquista e um portista em fila e se calhar todos eles, no fim da época, são capazes de vender a mãe para provar que o seu clube é o mais prejudicado. Não tenho paciência para os maníacos que fazem zoom e slow motion em cada lance, gosto demasiado de futebol para isso. Mas para isto já não é preciso zoom nem régua e esquadro. Está patente, aos olhos de todos, um desvirtuar da competição, uma renúncia de ética no Benfica-Belenenses. Rui Pedro Soares diz que fez do filho sócio do FC Porto desde que nasceu. Um conselho: há coisas mais importantes do que associar imediatamente um filho a um clube, como ensiná-lo a crescer com integridade e sem subserviência. Porque esta decisão de Rui Pedro Soares não serviu apenas os interesses do Belenenses (2 bons jogadores a baixo custo), serviu também os do Benfica num âmbito de concorrência desleal.

- Lopetegui afirmou, e muito bem, que vai rodar jogadores contra o Shakhtar Donetsk. É pena que Opare, Reyes, Ángel e outros não estejam inscritos na UEFA, mas mesmo que não saia uma mudança tão extremista como a que se sugere abaixo, é uma excelente oportunidade para dar um jogo de Champions aos menos utilizados. E com jeitinho arranja-se ali um espaço para alguém da lista B na convocatória...


PS: Quando referi aqui o caso Maciel, quando o Jesus treinava o Leiria, um pormenor importantíssimo passou ao lado: foi o próprio Benfica a fazer a denúncia para a abertura do inquérito na liga (ler aqui). Diria aos dirigentes do FC Porto, olho por olho, dente por dente. Mas como é a primeira vez que dois jogadores são impedidos de jogar contra um clube com o qual não têm nenhum contrato, nem dá para aplicar essa velha máxima.


5 comentários:

  1. Concordo com o TD mas não devia ignorar o que tem sido as arbitragens este ano. Fomos beneficiados contra o Rio Ave mas isso foi um jogo, o colo-colo tem sido em todos e se não formos nós a dizer os erros quem o fará?

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    1. Compreendo, mas daí que a blogosfera portista seja tão vasta e que haja vários bons blogues que fazem esse trabalho (alguns exemplos na lista ali ao lado). Não há nada que possa acrescentar.

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  2. Registei com "agrado" que muitos adeptos do Benfica têm mentalidade de clube pequeno. Os clubes grandes gostam que os seus adversários apresentem o melhor 11 e dêem tudo em campo, as vitórias têm outro sabor quando assim é. Já os clubes pequenos é que saltam de alegria quando o adversário não pode utilizar os seus melhores jogadores.

    Que a direção do Benfica tinha mentalidade de clube pequeno, já se sabia, que os seus adeptos também a tenham, foi uma surpresa. O Benfica, instituição, é maior do que isso (acho).

    Mas vamos ao que interessa, o nosso Porto. Esta equipa dá prazer ver jogar francamente, o Jackson faz maravilhas e quero aproveitar cada minuto em que podemos ver ao mesmo tempo craques como Óliver, Brahimi, Quintero, Tello. Infelizmente como o mercado funciona nunca sabemos quem vamos conseguir manter para o próximo ano, por isso há que aproveitar todos os momentos.

    E porque cada um de nós tem sempre um jogador preferido: de todos os craques que temos, aquele de quem gosto mais, infelizmente, é o que está mais longe de ser nosso. O Óliver. Convido-vos a rever um jogo do Porto centrando apenas as atenções neste miúdo, como joga, como se movimenta, é fantástico. Só se fala na magia do Brahimi, mas este Óliver não lhe fica a dever nada (minha opinião). Ele tem de ser nosso, custe o que custar.

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  3. Esqueci-me de referir no comentário anterior: o jogo com o Shakhtar é o ideal para recuperar definitivamente o Adrián Lopez (partindo do pressuposto que será titular). Portanto espero que as claques e demais adeptos portistas não o comecem a assobiá-lo ao primeiro "disparate" que ele fizer.

    Um Adrián confiante e a demonstrar todo o seu potencial será uma mais valia para a equipa, um Adrián desmotivado é apenas um peso nas finanças do clube. Pensem nisso por favor :)

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  4. TD, já na época passada isto aconteceu. São 6 pontos limpinhos, limpinhos,...

    Pedro

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