quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os invictos da Invicta

8 jogos de Champions, 6 vitórias e 2 empates, contra este mesmo Shakhtar Donetsk, com um elenco brasileiro de luxo, com jogadores que o FC Porto queria para substituir Fernando e Hulk no banco (Fernando e Taison) e ainda sem o seu goleador, que em tempos o FC Porto também quis (Luiz Adriano). Uma equipa de grande qualidade, liderada por um treinador também muito apreciado pelos lados da Invicta (Lucescu), e que não conseguiu acabar com a invencibilidade do FC Porto.

À bomba(car)!
FC Porto é a única equipa da Europa que não perdeu no seu Campeonato (mesmo que não se possa comparar a Liga Portuguesa a Inglaterra, Espanha ou Alemanha) e na Liga dos Campeões. O apuramento para os 1/8 foi alcançado com grande categoria e o FC Porto continua a ser o representante por excelência de Portugal na elite europeia (14 pontos em 6 jogos, enquanto os rivais Benfica e Sporting fizeram 12 em 12).

Ser vencedor de um grupo sem derrotas
na Champions está ao alcance de poucos. Poder dar-se ao luxo de mudar praticamente toda a equipa (se Campaña e Ángel estivessem inscritos na UEFA provavelmente também iam a jogo) mostra bem o mérito que o FC Porto teve em chegar até aqui. 

O 11 foi exactamente o projectado aqui, sem surpresas. Muitas caras novas e como é claro uma equipa sem as rotinas dos habituais titulares. Não se podia esperar uma equipa a dar baile a um Shakhtar de qualidade, isso a nível de Champions não existe, sobretudo tratando-se de um 11 completamente renovado. Mas houve boas notícias, sobretudo Ricardo e Evandro, e a notícia que tornou a noite amarga, a lesão de Ruben Neves (ainda sem conhecer a gravidade, mas temendo-se uma paragem superior a 2 meses)

Uma nota: a falta que Herrera faz. Sem ele, o FC Porto não conseguia levar o jogo ao último terço (Quintero estava sempre a baixar e depois Aboubakar ficava sozinho, a lutar contra o mundo). Faltava profundidade, porque Quaresma estava sempre a vir para dentro e Ádrian estava quase sempre «fora» (e com Aboubakar na CAN, provavelmente vai passar a ser alternativa à posição 9 e vai continuar a saltar de posição em posição, o que não beneficia um jogador a precisar de afirmar-se). Lacunas naturais para um 11 sem entrosamento. Mas houve tempo para um bonito golo de Aboubakar. Um aperitivo para Domingo, esperemos todos.





Ricardo Pereira (+) - Ricardo, um projecto de sucessão na forja, foi o título deste post há três meses. O miúdo gosta de jogar a extremo, mas o Danilo também gostava de jogar no meio-campo. Já é uma alternativa de grande valor, pode tornar-se num sucessor de valor seguro. Falar-se em «Maykes» num contexto de aperto financeiro e tendo Ricardo no plantel não faz sentido e nem merece ir para a mesa de discussão. É o protótipo de lateral moderno, que ataca e desequilibra (mais pela linha do que pela zona interior, que Danilo faz como ninguém), e está melhor defensivamente. Hoje mal se viu o Bernard pelo qual muitos portistas suspiravam há uns tempos. Culpa de Ricardo.

Evandro merece
mais espaço
Evandro (+) - Uma exibição que não é uma surpresa. Podia perfeitamente ser titular na posição 8, mas Herrera é também um excelente médio de transporte, que assegura a verticalidade que hoje tanta falta fez durante grande parte do jogo. Podem jogar juntos? Talvez. E salta quem? Essa é a questão. Evandro é uma alternativa de luxo no plantel, capaz de estar 2 meses sem jogar e depois mandar no meio-campo na Champions. Foi isso que fez hoje.

Aboubakar (+) - Um golo a cada 80 minutos. Uma média bem jeitosa para um jogador que sabe que para já só lhe resta tentar aproveitar os períodos de descanso de um dos melhores pontas-de-lança do mundo, Jackson. É complicado vir de uma equipa de contra-ataque, onde só tem que rodar e correr, para uma equipa grande, onde tem que baixar, aguentar, observar, organizar, passar, combinar e só depois pensar na baliza. Ou então fazer o que fez hoje: virar-se e vai buscá-la. Grande golo e uma exibição de grande trabalho de um jogador que para já mostra que é alternativa segura a Jackson. Com tempo, poderá também ser sucessor.







Ádrian e a marcação (-) Há muitos treinadores que defendem que a marcação H-H vai voltar a ser a preferida no futebol. Tenho as minhas dúvidas. No golo do Shakhtar, o FC Porto tem 4 torres na grande área (Marcano, Maicon, Indi e Aboubakar) e todos eles estão fora do lance. Há 4 especialistas no jogo aéreo na grande área e o jogador que teve que tentar ganhar a bola nas alturas foi Ádrian, que não é forte no jogo aéreo. Depois claro que toda a gente culpa o jogador que foi batido nas alturas. Não concordo. Ádrian foi vítima da marcação H-H em detrimento de uma marcação à zona.

Sem Aboubakar, Ádrian
vai ter que se afirmar
Dito isto, é verdade que no decorrer do jogo Ádrian não agarrou a oportunidade. Tenta sempre partir no 1 para 1 quando recebe a bola, mas depois acaba por não sair nada. Teve um remate que ia dando golo, mas pouco mais e saiu, o que mostrou que Lopetegui estava mais preocupado naquela fase com o rendimento da equipa do que com o rendimento do Ádrian (a meu ver, correctamente).

Mas claro que Ádrian tem que continuar a jogar, porque é um jogador muito bem pago e que precisa de manter um certo nível de valorização (ou neste caso de chegar a um nível mínimo de rendimento). Já foi falso 9 no 4-4-2, jogou a ala interior no 4-3-3 e agora vai passar a ser alternativa a 9 com Aboubakar na CAN. Por um lado, tem que justificar as oportunidades que tem e não jogar por decreto; por outro, é óbvio que não há como encostar um jogador que foi contratado com uma avaliação de 11M€ por 60% do passe. A SAD precisa que Ádrian renda e  Lopetegui dava jeito que Ádrian rendesse. Todos estão sob pressão e todos necessitam do mesmo.

Dependência dos miúdos (-) - Gostei do jogo de Evandro, mas entre a saída de Rúben Neves e a entrada de Óliver Torres o meio-campo do FC Porto desapareceu. Como não havia Herrera para dar a verticalidade, Quintero baixava e desaparecia do espaço entre-linhas; Quaresma ia para a zona interior e perdia-se a profundidade (não havia Danilo, apesar do bom jogo de Ricardo). Kelvin não tem entrosamento nenhum com os colegas. Tudo isto é normal e consequência da grande rotação para este jogo, o que se compreende, mas depender primeiro de Ruben Neves, um menino de 17 anos, e depois da entrada de Óliver, que há uns meses era suplente do Villarreal, mostra que nas segundas linhas ainda há  muito trabalho a fazer, não só pelos jogadores como por Lopetegui.

Marcano a 6 não (-) - Ruben Neves estava a ser um dos melhores até se ter lesionado. Com a lesão, percebe-se que Lopetegui tenha optado por Marcano (a alternativa era meter Herrera a 6, mas precisamos dele fresco para Domingo). Mas apenas por limitação nas opções. Marcano não dá intensidade naquela zona e joga sempre num raio de acção muito curto. A jogar fora já tenho dúvidas da sua eficiência (útil para defender). A jogar em casa, não. Enquanto Ruben estiver a recuperar da lesão há Casemiro e Campaña. Tem que ser suficiente.





- Estádio da Luz num jogo para cumprir calendário: 17.500 adeptos. Dragão num jogo para cumprir calendário: 28.000 adeptos. Bom ver a massa adepta a apoiar em força. Domingo o estádio vai estar cheio para um jogo importantíssimo e de máximo grau de dificuldade.

- Rio Ave (fora), União da Madeira (casa), Braga (fora) e Académica (casa). Reinaldo Teles diz que o FC Porto tem a ambição de ganhar a Taça da Liga e que o plantel vai lutar por isso. Eu cá reafirmo: deixe jogar os B e os suplentes, mister. A Taça da Liga deve ser usada como em Inglaterra, um espaço competitivo para os mais jovens e não uma taça que faça comichão (e que ainda por cima só dá despesa esta época - porque aceitaram os clubes renunciar aos prémios desta época? Questão com resposta a breve prazo).

- «Erro da defesa ucraniana num alívio, Aboubakar recebe, roda e atira fortíssimo. Pyatov e a trave (que minutos antes roubara o empate a Indi) ainda tocam, mas o destino estava traçado: golaço e momento da noite. Um lance de génio que muitos dos espectadores que foram ao Dragão perderam. Muita gente a sair do estádio ainda a cinco minutos dos 90. É caso para dizer: nem com Kelvin em campo…»  Pormenor delicioso do jornalista João Tiago Figueiredo no MaisFutebol.

12 comentários:

  1. O Adrián teve aquela infelicidade no golo deles, mas penso que deveria ter continuado em campo. Pela primeira vez desenhou sozinho um lance que quase deu golo e também pela primeira vez recebeu os aplausos de todo o Dragão. Bem precisava. Mas não teve efeitos práticos quando nem aos 60' chegou.

    A exibição do Ricardo e do Evandro foi fantástica. A lesão do Rúben uma má notícia, espero que não afecte o seu crescimento. Campaña chamado a serviço.

    Uma curiosidade, alguém mais reparou na boa disposição do nosso mister? Passou o jogo a rir-se, o que não é sua imagem de marca. É bem :)

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  2. Gostei muito do Ricardo. A Taça da Liga não pode ser levada a sério quando todos os anos alteram os regulamentos e este ano o pseudo sorteio roçou o ridículo. As equipas que vão fazer mais jogos, ainda ganham como prémio uma meia final jogada fora

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  3. Eu penso que a equipa até estava melhor com o Adrián em campo do que com o Kelvin, o miúdo não acertou uma jogada, mas como diz, compreende-se, afinal foi uma estreia na Champions.
    Mas o que gostei mesmo foi do público no Dragão em relação ao Adrián. Estava à espera de assobios e criticas, mas não, o público tentou ajudar e até aplaudiu na saída. Assim é que deve ser.

    Estamos todos preocupados com Rúben Neves, mas vá lá, também queremos todos ver o que pode render Campaña.

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  4. É verdade.... irrita-me!!!! Ver uma mola humana a levantar-se cronométricamente aos 80 minutos para irem apanhar o metro, fugir do trânsito, ir lavar a louça, passear o cão ou o raio que os parta!!!! Será que quando vão ao cinema também saem 5/10 minutos antes do filme acabar? É por isso que digo que contra o Rio Ave o resultado foi justissimo, pois para muito bacano, o FC PORTO só ganhou por... 1-0!!!!

    P.S. Força Rúben!!!!

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  5. Excelente teste para os menos utilizados, este Shakhtar tem muita qualidade, principalmente do meio para a frente e não veio treinar ao Dragão.
    A boa disposição do Sr lopetegui deve prender se com a boa resposta do plantel, muitas soluções de qualidade...

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  6. Em cabeceamentos daqueles, normalmente o jogador que vem de trás tem vantagem devido à impulsão. Não responsabilizo de maneira nenhuma o Adrián pelo golo. É pena o resto do jogo, (mais) uma oportunidade desperdiçada pelo espanhol. Deixo-lhe aqui a questão: Porquê que jogadores como Ricardo, Evandro ou Reyes podem jogar na B, mas Adrián recebe todas as oportunidades na A em vez de ir ganhar confiança com os putos? Não aceito como respostas: "O jogador não quer" ou "Estatuto". O clube está acima do jogador.
    Ultimamente nem temos usado todas as vagas para jogadores acima dos 23. Seria assim tão mau convocar o Ivo para o jogo frente ao Vitória na jornada seguinte, e deixar Adrián jogar na B um jogo inteiro?


    O jogo fica marcado pela lesão infeliz do Rúben e pelas exibições conseguidas de Ricardo e Evandro. Aboubakar pareceu-me perdido durante grande parte do jogo, mas não tanto como Marcano, a quem a bola ardia. Maicon também irreconhecível. A quantidade de abébias que Maicon tem dado nos últimos jogos é digno de Pepe v.04/05.

    Fiz-lhe referência à questão dos laterais após o jogo contra o Rio Ave. Ironia das ironias (ou azar dos azares, como preferir), Danilo sai com queixas em Coimbra e, sem laterais no banco, tivemos de apostar em Herrera à direita. Hoje - sem qualquer alternativa registada - Alex jogou novamente 90 minutos. Será até rebentar outra vez? Ou estamos à espera que Opare vá para a CAN para dar descanso aos brasileiros?


    AA

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    1. Não sei se estará relacionado, mas lembro-me que na época passada clubes da segunda liga fartaram-se de protestar por o Porto B utilizar o Reyes e o Herrera (8M cada) contra uns e não contra outros e que isso influenciava a classificação final.

      Portanto não sei se aparecer com um jogador de 11M numa liga onde planteis inteiros custam menos de 2M seja boa ideia...

      Além disso, não me parece que o Adrián tenha tiques de vedeta. A cara dele dá é pena parece sempre deprimido.

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  7. vídeo interessante aqui

    a Verdade é como o azeite, car@go! e como a Vingança, também: tarda, não falha e serve-se fria.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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    1. Obrigado pela partilha, Miguel! E desvaneia-se a presunção da inocência. Ou do Inocêncio.

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  8. Exelente post como sempre, mas apenas uma corrercçao o Bayern tambem ainda nao perdeu no seu campeonato.Continuem com o otimo trabalho!

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