terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Últimas notas de 2014

«Se perguntarem a qualquer treinador que tenha passado pelo FC Porto qual é a pior fase da época, todos vão dizer o mesmo: «Antes do Natal». Todos os anos é o mesmo. Os jogadores têm sempre pressa em ir ver as famílias, sobretudo os Sul-americanos, há sempre grande insistência para marcar as férias atempadamente e nesta época a concentração e condição física (depois das festas) baixa sempre. E cá estaremos para ver a disposição com que vão jogar na Taça da Liga na véspera do Réveillon

Só Quaresma repetiu a titularidade em relação ao último jogo. A disposição para uma competição que o próprio presidente do FC Porto desvaloriza nunca seria a maior, muito menos numa época festiva. O resultado: uma vitória justa e importante na perspectiva de apuramento. Em nada brilhante, mas justa.

O que mais se destaca: é uma competição onde em 2014-15 os 3 pontos são mais importantes do que lançar uma promessa da equipa B. Lopetegui não era obrigado a lançar nenhum jogador da equipa B. É a posição que defendo para esta competição, mas a aposta na formação deve ser uma política primeiro da SAD e só depois do treinador. O treinador já fez muito por ela, a ponto de hoje os adeptos do FC Porto poderem acreditar, sem qualquer dúvida, que ter um menino de 17 anos a titular é uma ideia melhor do que um tipo do Real Madrid.

O FC Porto tem um plantel com enorme profundidade. Tem dois jogadores por posição, muitos deles que mesmo sendo suplentes implicaram um grande investimento. Há o 11 base, a segunda linha e só depois a equipa B. A equipa B não é a segunda linha do FC Porto, e não há treinador que faça com que a equipa B ultrapasse a segunda linha da equipa A.

Um exemplo, mesmo sabendo que as palavras deste indivíduo são pobres em substância, veracidade e importância. O Sporting ameaçou aqui, palavra por palavra, que ia passar a jogar com jogadores «oriundos dos seus escalões juniores e juvenis» caso não reentrasse na Taça da Liga no Caso do Atraso. De Bruno de Carvalho já se sabe que está disposto a tudo para ganhar fora de campo, até mesmo em mentir em nome da instituição Sporting Clube de Portugal. Mas não deixa de ser curioso que o Sporting tenha entrado em campo na estreia na Taça da Liga com 8/9 jogadores do plantel principal, mesmo tendo garantido que ia jogar com juniores e juvenis. Não há romantismo que leve um jogador da equipa B ou dos Sub-19 a passar à frente de um suplente da equipa A. São raros os casos.

É normal que Lopetegui faça uso da segunda linha e que sejam poucos os da equipa B com espaço competitivo, mesmo na Taça da Liga. Haverá sempre oportunidade para lançar um ou outro jogador nos jogos em casa, mas não peçam ao treinador que assuma aquilo que a SAD nunca assumiu. Não concordo com a visão dada a esta competição, mas se Lopetegui e a SAD entendem que a competição, mesmo não sendo uma prioridade, é para ganhar, e que 3 pontos são mais importantes do que lançar 3 jovens, assim seja. Suba a exigência para com os resultados.





Ricardo (+) - Quando Danilo sair, todos ficaremos tristes. Mas ninguém terá motivos para ficar preocupado. Não é preciso estourar 8 ou 10 milhões num substituto. Ricardo tem tudo: contratação a baixo custo, português (importante nas inscrições), identificado com Clube e País, qualidade (o mais importante), margem de progressão, atitude e comportamento digno de um profissional do FC Porto. Podia ser mais um jovem de 21 anos a pensar em enfrascar-se amanhã, mas resolveu ser o melhor em campo e mostrar uma vez mais o animal de competição que é.

Aboubakar (+) - Gif da vírgula+cruzamento de letra? Além de todo o potencial que tem, tem algo que não se aprende: faro de golo. Meia oportunidade, um golo. Ainda deve em quase tudo em relação a Jackson (excepto no um-para-um), mas é o protótipo perfeito de avançado completo, que vai perfeitamente poder assumir o papel de sucessor. Para já, que (não) se conforme com o papel de alternativa. Boa sorte para a CAN, e volta rápido.

Outras notas (+) - Bom jogo de Ángel. Equilibrado, cruza muito bem e aproveitou bem os movimentos interiores de Ádrian. Reyes: estás proibido de ser refém do preço da tua contratação ou de qualquer tipo de anorexia. A partir de hoje, tu fazes parte da galeria de capitães do FC Porto. Uma honra ao alcance de poucos. E não tenho dúvidas que com o tempo mostrarás que a mereces. Ádrian: um dos melhores jogos pelo FC Porto. E isto não é um elogio, porque o nível exibido tem sido manifestamente baixo. Só um comentário: quando a bola bate no poste, nesta casa não se fica a abanar a cabeça; abanar a cabeça só em resposta aos que nos dizem que não somos capazes. Tu és capaz, e a bola há-de entrar. 





Miro (-) - Não temos visto Casemiro. Temos visto apenas o Miro. Meio jogador, uma metade que tem deixado muito a desejar. Passes absurdos, mau posicionamento, lento a executar e fraco em todas as acções no meio-campo. Nem os vassalos da Marca ou do As conseguiam ver algo de bom nesta exibição. Acorda, Casemiro, porque o Miro não chega.

Meio-campo (-) - A mesma crítica. Casemiro não foi a causa do mau funcionamento do meio-campo, foi parte dela. Evandro e Quintero não aproveitaram a oportunidade. O FC Porto continua fraco no jogo interior e desta vez nem Quintero, normalmente o jogador mais forte entre-linhas, conseguiu resolver esse problema. Sobretudo porque baixava demasiado no início de construção, e insisto que o FC Porto perde criatividade e virtude se o jogador mais tecnicista é obrigado a baixar para a primeira linha de construção. Assim não funciona e continuaremos a depender em demasia das subidas dos laterais. Não há memória de uma equipa grande bem sucedida sem ser forte no jogo interior. E mister, treinar os cantos: apenas 3 golos desta forma até ao momento. Temos sido piores a defender do que a atacar nos cantos. Atípico e preocupante.

PS: Um bom ano para a família portista da bluegosfera e não abusem do champanhe. Sabe melhor em Maio.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Goleada, mas a virtude não esteve no meio

Se perguntarem a qualquer treinador que tenha passado pelo FC Porto qual é a pior fase da época, todos vão dizer o mesmo: «Antes do Natal». Todos os anos é o mesmo. Os jogadores têm sempre pressa em ir ver as famílias, sobretudo os Sul-americanos, há sempre grande insistência para marcar as férias atempadamente e nesta época a concentração e condição física (depois das festas) baixa sempre. E cá estaremos para ver a disposição com que vão jogar na Taça da Liga na véspera do Réveillon (daí que seja essencial dar a Taça da Liga a quem verdadeiramente pode tirar proveitos dela).

Notou-se isso hoje. Desculpa, Domingos, mas o teu Setúbal é mau. Muito mau. Tão mau que este 4x0 diz mais das fragilidades do Setúbal do que da exibição do FC Porto, que esteve longe de ser brilhante. Se todos os jogos fossem assim, óptimo. Se a jogar pouco ganhamos 4x0, maravilha. Mas todos sabem que para haver hipóteses de recuperar terreno para o Benfica e ser competitivo na Champions vai ser preciso muito mais.

10 bons minutos na primeira parte, uma ponta final forte ao ritmo de Quintero. O Setúbal nunca arranhou, o Fabiano não deve ter tocado na bola uma única vez, mas os índices anímicos reforçam-se com garra, velocidade, intensidade, com maior vontade em marcar o 2º golo do que o 1º. O FC Porto goleou sem nunca precisar disso, mas acreditem, em 2015 não serão felizes sem estas coisas. O Setúbal, se marcasse um golo, acabávamos o jogo a sofrer. E isso dá uma mensagem a todas as outras equipas do campeonato: «Mesmo a perder 2-0 no Dragão, ainda é possível lutar por um ponto».





Óliver (+) - Qual foi a ideia de desviar da posição o jogador que estava a ser o melhor em campo, mister? Não se percebeu. A dinâmica do meio-campo não foi boa (não faz sentido ter que ser o jogador mais criativo a ter que baixar para junto dos centrais para pegar na bola), mas Óliver esteve mais uma vez impecável. Elegante, sempre de cabeça levantada, com a bolinha colada ao pé e a distribuir pouco como todos. Merecia o golo.

Campaña e Quintero (+) - O Setúbal não foi teste para ninguém (até o Mikel, lesionado, podia ter jogado hoje), mas Campaña cumpriu na estreia e mostrou que pode lutar pelo lugar no 11... e no plantel. De destacar a entrada de Quintero, voltou a ser a solução para a dificuldade que o FC Porto tem no jogo interior. A titularidade será sempre um problema difícil de resolver, mas merecia mais tempo de jogo, pois sabe posicionar entre-linhas e é excelente no último passe. Palavra para o quarteto defensivo, que esteve bem (não se admitia outra coisa contra este adversário).





Não há virtude no meio (-) - Vítor Pereira era fortíssimo no jogo interior. E fartava-se de ouvir críticas por não explorar os corredores. Queriam que fizesse o quê, exactamente? Em 2011-12, teve que jogar com o melhor extremo a 9 (Hulk). E em 2012-13, o melhor extremo do FC Porto era mais forte em zona interior (James). Vítor Pereira foi excelente a lidar com as limitações nos dois plantéis. Agora, no FC Porto de Lopetegui, não se vê jogo interior. E não há desculpas para isso. O penalty veio resolver aquilo que foram 20 minutos a bater contra a parede. Uma equipa grande, que assume o jogo, tem que ter soluções em zona central. Se Quintero não joga porque Herrera e Óliver são homens essenciais nas respectivas funções, então há um problema para resolver, porque um deles tem que ir buscar a bola em zona interior e não esperar que a solução saia sempre do corredor. Um pouco de alergia à linha não fazia mal nenhum.

Tudo a pensar nas rabanadas (-) - Ou seja lá o que for os doces típicos em casa de cada um. 10 bons minutos na primeira parte, uma ponta final forte. O FC Porto, sem exagero, dava hoje 8 secos ao Setúbal. Bastava querer. Todos viram Lopetegui a berrar, a pedir intensidade, velocidade na circulação. E os jogadores mesmo assim passaram quase toda a segunda parte a passo. Não percebem a mensagem ou não a querem perceber? Felizmente, Campaña esteve bem e a defesa não cometeu nenhum erro, senão a atitude naquela segunda parte podia ter custado caro. E não há margem para um único lapso.

Um Bom Natal a todos. Em 2015 há 20 finais para disputar e 60 pontos para ganhar. E provar que o apuramento para os oitavos da Champions não foi nenhum acidente, mas um atestado de qualidade e potencial da equipa.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Pagar a cláusula de rescisão de Óliver. E eis Quintero a 100%.

«Não precisamos do Óliver emprestado, temos o Quintero». Provavelmente ouviram ou leram algures esta frase durante a pré-época. A fechar 2014, é tempo de a recuperar e concordar: Quintero continua a ter um potencial tremendo, mas Óliver é neste momento mais jogador.

Óliver. Nem com meia
cláusula
Quintero aparece quando tem bola. Óliver aparece onde a bola estiver. Quintero faz a diferença com a redondinha nos pés. Óliver faz a diferença com ou sem ela. Esta é a grande diferença. Mas num clube que depende excessivamente de mais-valias com transferências, o mais natural seria apostar no jogador que a SAD tem definitivamente e não temporariamente. O futebol de Óliver não obedece a essa lógica, apesar de Quintero também já ter tido espaço na equipa principal.

Hoje confirma-se o que já tinha sido adiantado aqui: a SAD investiu 4,5M€ para ficar com a outra metade do passe de Quintero, que passa agora a ser uma das poucas trutas que o FC Porto tem a 100%. Um passo natural tendo em conta a fé da SAD no potencial do jogador (foi contratado sem indicação de Paulo Fonseca na altura), mas também o ter que se preparar para na próxima época jogar sem Óliver Torres.

É uma esperança já manifestada por muitos portistas, a de ficar com Óliver Torres. É como é natural nestas alturas já se fazem contas de merceeiro para comprar Óliver ao Atlético, pelos 24M€ da cláusula de rescisão. Como é lógico, é absolutamente impossível bater a cláusula de rescisão, e não é por Quintero ser mais barato, é mesmo pela forma como as cláusulas de rescisão funcionam e que muitos desconhecem.

Um exemplo. O comunicado à CMVM pela saída de Villas-Boas
«A FC Porto -- Futebol, SAD vem informar que foi hoje notificada da intenção do seu treinador, André Villas-Boas, de resolver, sem justa causa, o contrato de trabalho desportivo em vigor com esta sociedade, accionando a respectiva cláusula de rescisão, de imediato».

Reparem na diferença entre este e qualquer outro comunicado à CMVM. Não é referido uma única vez o nome do Chelsea. Porque não foi (nem podia ser) o Chelsea a bater a cláusula de rescisão. Para a cláusula de rescisão ser accionada, o pedido tem que ser feito por uma das partes que a celebrou. Neste caso, Villas-Boas. Foi Villas-Boas a pedir para sair pela cláusula de rescisão e fez o depósito de 15M€ na SAD do FC Porto (como é claro, com dinheiro que lhe tinha sido endereçado pelo Chelsea com esse propósito).

Quintero vai ter que
explodir
Isto para dizer que o FC Porto não pode bater a cláusula do Óliver. Nem o Valência bate a cláusula do Enzo Pérez, nem o Arsenal a do William Carvalho e nem o PSG a do Brahimi. Porque para isso acontecer têm que ser o Óliver, ou o Enzo, ou o William, ou o Brahimi a pedirem para accionar as respectivas cláusulas de rescisão.

E como é claro, isso não chega. Para uma cláusula de rescisão ser accionada, o dinheiro tem que cair todo de uma só vez. Um pagamento limpo e a pronto. No caso do FC Porto, isso implicaria pagar 24M€ por Óliver a pronto. Uma barbaridade, claro. Nem por 12M€ seria possível.

O FC Porto nunca conseguiria ter 24M€ em caixa para esse propósito. Nem para outro propósito qualquer. De recordar que até Junho estão previstos mais 40M€ em mais-valias com transferências. Vender Jackson e um dos laterais não deve chegar para cobrir este valor, porque estamos a falar de 40M€ limpos de comissões, prémios e etc.

As duas maiores contratações do FC Porto até há bem pouco tempo, Danilo e João Moutinho, foram pagos em tranches anuais (Hulk não é a contratação mais cara, é o jogador mais caro, coisas diferentes, porque para ser contratado só custou 5,5M€; o resto do investimento veio quando já estava contratado e já era jogador do FC Porto). O caso de Ádrian não foi aprofundado, mas como é lógico também envolve um investimento reduzido a curto prazo. Não há outra forma de clubes portugueses negociarem jogadores caros, tem que envolver prestações (quase todos os jogadores são contratados assim) e/ou terceiros.

Por isso, para ficar com Óliver só havia dois cenários possíveis: a) prolongar o empréstimo; b) negociar com o Atlético, com Jorge Mendes (tem parte do passe mas não é empresário dele) e com o jogador. Mas agora que há Quintero a 100% e é imperativo colocar o jogador a render dentro e fora de campo, nada justifica que na próxima época haja novo emprestado a tapar Quintero, logo um dos poucos jogadores que temos a 100% (embora possam esporadicamente jogar juntos, mas isto apenas para dizer que nem vale a pena falar mais sobre a cláusula de Óliver).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O clássico e a Champions

O sarcasmo e a ironia fazem parte da maneira como encaro a rivalidade com o Benfica. O insulto e a desvalorização não. Avisei, desde o início, que tinham e têm plantel para lutar pelo título até ao fim. E a verdade é que são já seis pontos de desvantagem, sete se tivermos em conta que vai ser difícil ganhar pelo confronto directo.

Em Portugal, o Benfica tem um plantel melhor do que 16 dos seus adversários. A campanha na Champions não diz nada sobre a sua qualidade (já fomos eliminados duas vezes em fases de grupos pelo Zenit, o Bayer Leverkusen não tem nome mas na Alemanha ganhava ao FC Porto que jogou ontem e Leonardo Jardim é neste momento o melhor treinador português depois de Mourinho - desculpa, André). O Benfica é uma equipa dificílima, com jogadores de grande qualidade. E a verdade é que nada disso serviu como desculpa para ontem.

O Benfica não jogou porra nenhuma. E ganhou ao FC Porto. E isto é aquilo que verdadeiramente preocupa: o Benfica não teve que jogar porra nenhuma para ganhar ao FC Porto por 2-0. Tal como o Sporting não teve que jogar porra nenhuma para ganhar na Taça por 3-1. O que é preocupante é isto. De justiça e injustiça é o futebol feito. Mas o mais frustrante é ter visto 2 duas equipas que não são melhores em nada ganhar com tamanha facilidade ao FC Porto. Por isso, revejo mais demérito na nossa equipa do que mérito no adversário.

Lopetegui colocou em campo o melhor 11 e fez a melhor convocatória (até Ádrian foi para a bancada). Ruben Neves é melhor que Casemiro, mas está lesionado. Estrear um jogador num clássico era um risco (a propósito de Campaña). Entre Marcano e Maicon e Tello e Quaresma, as opiniões vão sempre divergir. O melhor 11 entrou em campo e fez 30 minutos de grande qualidade. Faltou eficácia. E sem eficácia nada se consegue.

O primeiro golo sim, consequência da crítica que já tinha sido feita contra o Shakhtar: marcação H-H é um risco. Falha um, falham todos. Falharam mesmo todos. E reclamar com os pezinhos do Maxi é o cúmulo da hipocrisia, pois já vi o Fucile ajudar a resolver um clássico assim. O erro foi de marcação, ponto.

Depois disto, espaço para o Talisca rematar, Fabiano mal e segundo golo para o Benfica. Fizeram tão pouco e conseguiram tanto. Benfica e Sporting foram provavelmente as equipas que menos precisaram de fazer nos últimos 5 anos para marcar 2 golos no Dragão. E isso é que é preocupante. 

Duas bolas na trave, muito coração e pouca cabeça. Via-se Lopetegui sempre a pedir calma, para manter o plano de jogo e jogar como nos primeiros 30 minutos. E os jogadores não fizeram nada disso. Bola longa, bola longa, muitos passes falhados devido a desconcentrações. Não deu para mais. Ou os jogadores não perceberam o que pedia Lopetegui, ou não o conseguiram. Má noite para treinador e jogadores, que não duvido que fizeram tudo para ganhar. Os clássicos são os jogos mais prováveis para perder pontos, por muito mal habituados (no bom sentido) que estejamos, mas claro que o campeonato ficou muito difícil e isso custa. A todos. 

É futebol, a bola rola para os dois lados. Ontem ganhou mais quem fez menos, mas também por culpa própria. Porque no futebol não basta só vencer o adversário, é também preciso ganhar no jogo entre a sorte e o azar. E acima de tudo perceber que num clássico muitas vezes não é a táctica e a técnica a ganhar, mas sim o perceber a mística e a emoção que rodeiam estes jogos. 

8 dos titulares do Benfica foram os que viram o golo do Kelvin. 8. Do FC Porto, só Danilo, Alex Sandro e Jackson. Não creio que os jogadores, e o próprio treinador, tenham entendido o que pesa uma rivalidade entre FC Porto e Benfica. O Benfica fez 3 ataques com perigo e 2 golos. O FC Porto fez o triplo dos remates, o dobro dos ataques, e nada. Mas não podemos isolar isto na sorte-azar ou justiça-injustiça. Houve pragmatismo. Os melhores 30 minutos do FC Porto nasceram pela facilidade com que contornávamos a pressão que o Benfica fazia na saída de bola. Foi excelente. Mas após o Benfica ter feito aquele golo fortuito, passou a ser pragmático. Funcionou, mas sobretudo por uma coisa: não soubemos intimidar o Benfica. Tempos houve em que o Benfica borrava-se por entrar nas Antas, em tempos até no Dragão. Nos últimos 4/5 anos, isso desapareceu.

Isto já não é um passeio para o título. O Benfica tornou-se uma equipa competitiva que só o melhor FC Porto consegue vencer. Demos 5-0? Sim. E na mesma época perdemos 2-0 no Dragão, com uma exibição muito parecida com a de ontem, e aí sim tínhamos a melhor equipa do pós-Mourinho (Fernando, Moutinho, Hulk, Falcao....). Os clássicos desde aí foram quase todos resolvidos por detalhes. Como a cabeçada do Maicon. Como o golo do Kelvin. Como uma paragem cerebral num lançamento. Como uma defesa incompleta. Circunstâncias, mas não desculpas.





Meia hora à Porto (+/-) - Dizer que Jorge Jesus ganhou o duelo táctico com Lopetegui faz tanto sentido como dizer que o Petit fez o mesmo quando empatou no Dragão. Mas quais fragilidades é que o Jesus explorou? A não ser que o Jesus tenha previsto a paragem cerebral no lançamento do Maxi e o frango do Fabiano. Que muitos tenham posteres da Padeira de Aljubarrota no quarto, tudo bem, mas ver mérito onde houve acaso serve um propósito que todos sabem o que é (a  vontade de despedir um treinador à primeira ou segunda derrota, como se desconhecessem o modus operandi de Pinto da Costa - ou se calhar a vontade não é só mandar o treinador embora).  O Benfica fez aquilo que se esperava que fizesse: pressionar os centrais e Casemiro e tentar barrar as subidas dos laterais. E o FC Porto conseguiu contrariar isso nos primeiros 30 minutos. Herrera, Tello, Óliver e Jackson atacaram com perigo e viu-se um FC Porto perfeitamente capaz de ganhar o jogo. Faltou estofo mental para recuperar esta atitude depois de sofrer o 1-0.

Quaresma e alguma irreverência (+/-) - Ninguém pode acusar os jogadores de não terem tentado ganhar. Mas ser apressados infelizmente não é o mesmo que fazer as coisas bem. Os jogadores correram, meteram o pé, tentaram (nem sempre bem) chegar às bolas divididas primeiro e Quaresma foi quem mais mostrou isso. Alex Sandro secou Salvio e tentou sempre atacar, Herrera durante os primeiros 30 minutos foi excelente na ocupação de espaços. Oliver Torres parece que nasceu num berço azul, tamanho o empenho nos 90 minutos, incansável e sempre a tentar reorganizar o caos. Faltou um golo para moralizar a equipa, que com as duas bolas do Jackson à trave percebeu: podemos ficar aqui o dia todo que a bola não entra. Esses dias não existem, meus caros. O que existe é eficácia ou ineficácia. Competência ou incompetência. Infelizmente, todos sabemos para que lado pendeu ontem.





Sem cabeça (-) - Claro que foi preciso muita ginástica mental e controlo emocional para atribuir bonés a este jogo. Machados é mais fácil. E começamos por aqui: controlo emocional. Não houve. A equipa não sabia o que fazer quando estava a perder 2-0. Via-se Lopetegui a pedir para circular a bola, com calma, e os jogadores a não ligar puto, ou simplesmente a não conseguir fazê-lo. Falha dos jogadores e do treinador, que tem que trabalhar a equipa para estas situações. Com cabeça e calma, o FC Porto fazia um golo e ia à procura de outro.

Inconsequentes (-) - Casemiro já fez bons jogos pelo FC Porto. Mas ainda não fez nenhum jogo melhor do que Ruben Neves na posição 6. A defender, cumpriu. No início de construção, quando pressionado, não dá. Quando vi Tello passar pelo André Almeida lembrei-me do Hulk-David Luz. Puro engano. Não deu mais nada desce esse lance e nas bolas paradas é para esquecer (quem teve esta ideia?). Brahimi. Um ou dois rasgos, de resto muitas peladas e pouco efeito. Vai para a CAN, mas é pelas recentes exibições que merecia perder a titularidade. Três jogadores que podiam e deviam ter dado mais. Quando o equilibrador (6) e os desequilibradores (os extremos) falham, pouco há a fazer. E Danilo, Marcano, Herrera (desde os 30 minutos) e Quintero podiam mostrar mais.





- Basileia. O nome é o mais agradável que podia sair. Mas há 2 anos também era o Málaga. Se fosse o Liverpool, assustava mais. Mas o Basileia eliminou este mesmo Liverpool. Nada está garantido. Paulo Sousa é um nome já anteriormente cogitado para treinar o FC Porto, tem um plantel de qualidade e Champions é Champions. Dito isto, temos que assumir o objectivo de ir aos quartos-de-final. Claramente e sem rodeios. Um plantel de 140 milhões de euros tem que lutar para esse objectivo. Tal como tem que lutar para ser campeão nacional...

São 7 pontos de atraso, porque não imagino vencer na Luz por 2 ou 3 golos com facilidade. Faltam 21 jornadas. Até Fevereiro o Benfica há-de perder pontos no campeonato, sobretudo porque agora que têm uma boa vantagem sobre o FC Porto estão em melhores condições de passar pelo mercado de Inverno. Mas nada disto vai servir se o FC Porto não fizer a sua parte. Não dá para escorregar mais, caso contrário o título torna-se uma miragem. O FC Porto não está obrigado a ser campeão, ninguém pode estar obrigado a nada no futebol. Mas está obrigado a dar tudo para o ser. E contra Benfica ou Sporting, não foi dado tudo. E independentemente de ter os 1/4 da Champions à porta deixar todos a esfregar as mãos quanto aos milhões, o objectivo do FC Porto ainda é, ou devia ser, os resultados desportivos.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Danilo, uma excepção de sucesso, não uma regra

No espaço de uma semana, foram apontados dois laterais brasileiros ao FC Porto, Mayke e Marcos Rocha. Coincidência ou não, os dois melhores laterais que jogam no Brasil. E ambos foram apontados ao FC Porto justificando uma possível saída do Danilo.

Negociação para renovar
É verdade que o contrato de Danilo acaba em 2016, mas vai renovar pelo FC Porto. As negociações avançam, resta saber para que sentido: manter um lateral que é de top mundial ou fortalecer a posição negocial do FC Porto para uma eventual saída no fim da época?  O orçamento prevê que tenhamos que fazer mais 40 milhões de euros em transferências e Danilo é um dos mais valiosos jogadores e activos que a SAD tem (e a 100%). 

Por menos de 30 milhões de euros, Danilo seria mal vendido. Tem 23 anos, é de Seleção Brasileira, tem estofo de líder no balneário, é um profissional exemplar e tem muita, muita qualidade. Custou 13 milhões de euros, apesar de ser provavelmente o único jogador em Portugal que quando é para referir o preço alguns resolvem incluir tudo, prémio de assinatura e intermediação inclusive. É responsabilidade de cada portista desmistificar isso.

Independentemente da renovação avançar, o FC Porto um dia terá que substituir Danilo. E como vimos no último jogo com o Shakhtar, Ricardo é um projecto de sucessão de excelente qualidade. Opare ainda não pôde mostrar nada, mas o mês de Janeiro será uma oportunidade para isso. Na equipa B, David Bruno não tem estofo para jogar na equipa principal e a situação contratual de Victor Garcia é desconhecida, um pouco à imagem de Kayembé há um ano. Nos sub-19, um nome que merece atenção: Fernando Fonseca.

O FC Porto já tem nos seus quadros laterais de grande qualidade e que podem ser alternativas e sucessores de Danilo a médio prazo. Mas de rajada são apontados Mayke e Marcos Rocha, dois laterais caros, que jogam em clubes associados ao Banco BMG. O mesmo BMG também esteve associado ao negócio Danilo.

E daqui chegamos ao título do post: o negócio Danilo deve ser uma excepção, não uma regra. Mayke e Marcos Rocha são laterais cujo preço pode chegar aos dois dígitos. E o FC Porto não se pode dar ao luxo de voltar a investir com essa dimensão.

Felizmente, muitos adeptos defenderam Danilo nos últimos três anos e agora confirma-se que os 13 milhões de euros valeram cada cêntimo. E isso pode perfeitamente dar moral para contratar outro lateral por esse preço. «Mayke/Marcos Rocha/Seja quem for custa 10 milhões? E então, o Danilo também custou 13 e foi um craque!» Danilo não pode ser usado como um exemplo de um grande investimento que deu certo, porque o FC Porto não tem capacidade, neste momento, para fazer investimento igual, Não o deve fazer, sobretudo tendo já alternativas no plantel.

Desde 2011-12, época em que chegou Danilo (e Alex Sandro, Defour e Mangala, negócios que o FC Porto fez com um euro no bolso), o FC Porto apresentou prejuízo líquido de 56 milhões de euros e o passivo aumentou 46 milhões. E perguntam: não podem Alex Sandro, Mangala e Danilo cobrir esse prejuízo? É um facto que sim. Mas as mais-valias devem sustentar a actividade corrente e anual do FC Porto, não os buracos que vão sendo acumulados.

O FC Porto pode e deve continuar a procurar Danilos, mas em qualidade, não em preço. E sobretudo, tentar aproveitar os Danilos que já há no plantel.

PS: Tentaste, Bruno. Tentaste.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Tentaste, Bruno. Tentaste.


A 9 de Novembro de 2014, o FC Porto empatou 2-2 no Estoril. Como todos se recordam, foi um jogador emprestado pelo FC Porto, no caso Tozé, o principal responsável pela perda de dois pontos. O Benfica, como rival na luta pelo título que é, aproveitou e ganhou na Choupana. Já o Sporting, que tinha aqui uma grande oportunidade para se aproximar do FC Porto, empatou 1-1 com o Paços de Ferreira. E daqui um saltinho à gestão à moda de Carvalho: tentar ganhar na secretaria o que não se alcança dentro de campo.

Sabemos através do Record que o Sporting pediu a abertura de um inquérito pela ausência de Kléber do Estoril-FC Porto. Não há o mínimo pressuposto para a abertura do inquérito, mas como Luís Duque disse hoje, os clubes podem sempre protestar, . E se já vimos deste clube um pedido à UEFA para ser indemnizado ou repetir um jogo onde foi prejudicado, e até mesmo queixas por se cumprirem regulamentos, de Bruno de Carvalho pode-se esperar tudo. Sobretudo o ridículo.

A 6 de Novembro, o Estoril jogou em Moscovo. Aos 73 minutos, Kléber pediu substituição, numa altura em que já mal conseguia correr. Couceiro acedeu ao pedido. Três dias depois havia jogo com o FC Porto e já havia Mano, Balboa e Bruno Miguel lesionados. Não havia por que arriscar. 

O Estoril regressou a Portugal e Kléber não treinou. A 8 de Novembro, Couceiro explicou a situação. Quanto às alterações, o treinador apenas garantiu a utilização de Tozé, médio emprestado pelos portistas, precisamente: «Vai recuperar e vai jogar sem qualquer tipo de problema, em relação ao Kléber não tenho essa certeza, como não tenho em certeza em relação ao Diogo Amado, ao Kuca, ao Matías Cabrera. Depois temos o Mano, o Balboa e o Bruno Miguel de fora.»

Cabrera não recuperou e não foi convocado. Kléber foi convocado, mas à condição. No dia de jogo, não foi sequer para o banco, por não ter recuperado a tempo. No jogo seguinte, que foi disputado apenas a 28 de Novembro (três semanas para recuperar), Kléber já foi a jogo.

Já se sabe que Bruno de Carvalho até dos médicos do próprio clube duvida. Por isso acusa o boletim clínico do Estoril de mentir quando este deu Kléber como indisponível. E também acusa José Couceiro de mentir, quiçá pela guerra recente pela presidência. E até o presidente da SAD do Estoril já atacou. Parece haver mais ressentimento para com o Estoril do que para com o FC Porto, que não teceu um único comentário sobre Kléber e não houve uma única notícia a apontar para um impedimento (e se tivesse havido, como houve com Miguel Rosa e Deyverson, de certeza que os jornais não deixavam escapar o furo, sobretudo os títulos da Cofina). Mágoas por não ter chegado a Esiti e Sebá, quem sabe. Ele sabe.

O Record dá como exemplo numa exposição de um clube à comissão de inquéritos o caso Maciel, de 2005/06, que curiosamente começou a ser muito falado depois de retratado aqui. Pois é, nesse caso Jorge Jesus, o catedrático que desconhece os regulamentos, deu com a língua nos dentes e disse que havia um acordo de cavalheiros para Maciel não jogar. O Benfica fez a exposição à liga com uma base mínima para o processo: os acordos de cavalheiros eram proibidos e tinha sido o treinador do Leiria a revelá-lo. Mas o inquérito foi arquivado.

Com uma declaração de um interveniente a denunciar que houve acordo de cavalheiros, o processo não avançou. Então Bruno de Carvalho, no seu espírito revolucionário, quer avançar para um inquérito quando a base para isso é zero. O que se sabe? Que Kléber saiu magoado frente ao Dínamo Moscovo, que foi dado como inapto pelo Estoril e que falhou um jogo onde foi um jogador emprestado pelo FC Porto a tirar pontos ao próprio FC Porto.

Oh senhor presidente, isto não é coisa para a comissão de instrução, para isto é melhor chamar a PJ e meter o Kléber à frente do Carlos Alexandre

À margem do ridículo a que o Sporting se volta a expor (ou melhor, do ridículo a que Bruno de Carvalho volta a expor o Sporting, porque o clube não tem culpa), concordemos que é tempo para esclarecer de vez os estatutos dos empréstimos. Limitar ou extinguir os empréstimos seria óptimo para o FC Porto (já há equipa B e assim poupa-se a dança de jogadores que só dão despesa), mas para os clubes pequenos pode ser um rombo. A solução alternativa? Deixar que os clubes negoceiem e exponham os termos de cada empréstimo, sem restrições.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os invictos da Invicta

8 jogos de Champions, 6 vitórias e 2 empates, contra este mesmo Shakhtar Donetsk, com um elenco brasileiro de luxo, com jogadores que o FC Porto queria para substituir Fernando e Hulk no banco (Fernando e Taison) e ainda sem o seu goleador, que em tempos o FC Porto também quis (Luiz Adriano). Uma equipa de grande qualidade, liderada por um treinador também muito apreciado pelos lados da Invicta (Lucescu), e que não conseguiu acabar com a invencibilidade do FC Porto.

À bomba(car)!
FC Porto é a única equipa da Europa que não perdeu no seu Campeonato (mesmo que não se possa comparar a Liga Portuguesa a Inglaterra, Espanha ou Alemanha) e na Liga dos Campeões. O apuramento para os 1/8 foi alcançado com grande categoria e o FC Porto continua a ser o representante por excelência de Portugal na elite europeia (14 pontos em 6 jogos, enquanto os rivais Benfica e Sporting fizeram 12 em 12).

Ser vencedor de um grupo sem derrotas
na Champions está ao alcance de poucos. Poder dar-se ao luxo de mudar praticamente toda a equipa (se Campaña e Ángel estivessem inscritos na UEFA provavelmente também iam a jogo) mostra bem o mérito que o FC Porto teve em chegar até aqui. 

O 11 foi exactamente o projectado aqui, sem surpresas. Muitas caras novas e como é claro uma equipa sem as rotinas dos habituais titulares. Não se podia esperar uma equipa a dar baile a um Shakhtar de qualidade, isso a nível de Champions não existe, sobretudo tratando-se de um 11 completamente renovado. Mas houve boas notícias, sobretudo Ricardo e Evandro, e a notícia que tornou a noite amarga, a lesão de Ruben Neves (ainda sem conhecer a gravidade, mas temendo-se uma paragem superior a 2 meses)

Uma nota: a falta que Herrera faz. Sem ele, o FC Porto não conseguia levar o jogo ao último terço (Quintero estava sempre a baixar e depois Aboubakar ficava sozinho, a lutar contra o mundo). Faltava profundidade, porque Quaresma estava sempre a vir para dentro e Ádrian estava quase sempre «fora» (e com Aboubakar na CAN, provavelmente vai passar a ser alternativa à posição 9 e vai continuar a saltar de posição em posição, o que não beneficia um jogador a precisar de afirmar-se). Lacunas naturais para um 11 sem entrosamento. Mas houve tempo para um bonito golo de Aboubakar. Um aperitivo para Domingo, esperemos todos.





Ricardo Pereira (+) - Ricardo, um projecto de sucessão na forja, foi o título deste post há três meses. O miúdo gosta de jogar a extremo, mas o Danilo também gostava de jogar no meio-campo. Já é uma alternativa de grande valor, pode tornar-se num sucessor de valor seguro. Falar-se em «Maykes» num contexto de aperto financeiro e tendo Ricardo no plantel não faz sentido e nem merece ir para a mesa de discussão. É o protótipo de lateral moderno, que ataca e desequilibra (mais pela linha do que pela zona interior, que Danilo faz como ninguém), e está melhor defensivamente. Hoje mal se viu o Bernard pelo qual muitos portistas suspiravam há uns tempos. Culpa de Ricardo.

Evandro merece
mais espaço
Evandro (+) - Uma exibição que não é uma surpresa. Podia perfeitamente ser titular na posição 8, mas Herrera é também um excelente médio de transporte, que assegura a verticalidade que hoje tanta falta fez durante grande parte do jogo. Podem jogar juntos? Talvez. E salta quem? Essa é a questão. Evandro é uma alternativa de luxo no plantel, capaz de estar 2 meses sem jogar e depois mandar no meio-campo na Champions. Foi isso que fez hoje.

Aboubakar (+) - Um golo a cada 80 minutos. Uma média bem jeitosa para um jogador que sabe que para já só lhe resta tentar aproveitar os períodos de descanso de um dos melhores pontas-de-lança do mundo, Jackson. É complicado vir de uma equipa de contra-ataque, onde só tem que rodar e correr, para uma equipa grande, onde tem que baixar, aguentar, observar, organizar, passar, combinar e só depois pensar na baliza. Ou então fazer o que fez hoje: virar-se e vai buscá-la. Grande golo e uma exibição de grande trabalho de um jogador que para já mostra que é alternativa segura a Jackson. Com tempo, poderá também ser sucessor.







Ádrian e a marcação (-) Há muitos treinadores que defendem que a marcação H-H vai voltar a ser a preferida no futebol. Tenho as minhas dúvidas. No golo do Shakhtar, o FC Porto tem 4 torres na grande área (Marcano, Maicon, Indi e Aboubakar) e todos eles estão fora do lance. Há 4 especialistas no jogo aéreo na grande área e o jogador que teve que tentar ganhar a bola nas alturas foi Ádrian, que não é forte no jogo aéreo. Depois claro que toda a gente culpa o jogador que foi batido nas alturas. Não concordo. Ádrian foi vítima da marcação H-H em detrimento de uma marcação à zona.

Sem Aboubakar, Ádrian
vai ter que se afirmar
Dito isto, é verdade que no decorrer do jogo Ádrian não agarrou a oportunidade. Tenta sempre partir no 1 para 1 quando recebe a bola, mas depois acaba por não sair nada. Teve um remate que ia dando golo, mas pouco mais e saiu, o que mostrou que Lopetegui estava mais preocupado naquela fase com o rendimento da equipa do que com o rendimento do Ádrian (a meu ver, correctamente).

Mas claro que Ádrian tem que continuar a jogar, porque é um jogador muito bem pago e que precisa de manter um certo nível de valorização (ou neste caso de chegar a um nível mínimo de rendimento). Já foi falso 9 no 4-4-2, jogou a ala interior no 4-3-3 e agora vai passar a ser alternativa a 9 com Aboubakar na CAN. Por um lado, tem que justificar as oportunidades que tem e não jogar por decreto; por outro, é óbvio que não há como encostar um jogador que foi contratado com uma avaliação de 11M€ por 60% do passe. A SAD precisa que Ádrian renda e  Lopetegui dava jeito que Ádrian rendesse. Todos estão sob pressão e todos necessitam do mesmo.

Dependência dos miúdos (-) - Gostei do jogo de Evandro, mas entre a saída de Rúben Neves e a entrada de Óliver Torres o meio-campo do FC Porto desapareceu. Como não havia Herrera para dar a verticalidade, Quintero baixava e desaparecia do espaço entre-linhas; Quaresma ia para a zona interior e perdia-se a profundidade (não havia Danilo, apesar do bom jogo de Ricardo). Kelvin não tem entrosamento nenhum com os colegas. Tudo isto é normal e consequência da grande rotação para este jogo, o que se compreende, mas depender primeiro de Ruben Neves, um menino de 17 anos, e depois da entrada de Óliver, que há uns meses era suplente do Villarreal, mostra que nas segundas linhas ainda há  muito trabalho a fazer, não só pelos jogadores como por Lopetegui.

Marcano a 6 não (-) - Ruben Neves estava a ser um dos melhores até se ter lesionado. Com a lesão, percebe-se que Lopetegui tenha optado por Marcano (a alternativa era meter Herrera a 6, mas precisamos dele fresco para Domingo). Mas apenas por limitação nas opções. Marcano não dá intensidade naquela zona e joga sempre num raio de acção muito curto. A jogar fora já tenho dúvidas da sua eficiência (útil para defender). A jogar em casa, não. Enquanto Ruben estiver a recuperar da lesão há Casemiro e Campaña. Tem que ser suficiente.





- Estádio da Luz num jogo para cumprir calendário: 17.500 adeptos. Dragão num jogo para cumprir calendário: 28.000 adeptos. Bom ver a massa adepta a apoiar em força. Domingo o estádio vai estar cheio para um jogo importantíssimo e de máximo grau de dificuldade.

- Rio Ave (fora), União da Madeira (casa), Braga (fora) e Académica (casa). Reinaldo Teles diz que o FC Porto tem a ambição de ganhar a Taça da Liga e que o plantel vai lutar por isso. Eu cá reafirmo: deixe jogar os B e os suplentes, mister. A Taça da Liga deve ser usada como em Inglaterra, um espaço competitivo para os mais jovens e não uma taça que faça comichão (e que ainda por cima só dá despesa esta época - porque aceitaram os clubes renunciar aos prémios desta época? Questão com resposta a breve prazo).

- «Erro da defesa ucraniana num alívio, Aboubakar recebe, roda e atira fortíssimo. Pyatov e a trave (que minutos antes roubara o empate a Indi) ainda tocam, mas o destino estava traçado: golaço e momento da noite. Um lance de génio que muitos dos espectadores que foram ao Dragão perderam. Muita gente a sair do estádio ainda a cinco minutos dos 90. É caso para dizer: nem com Kelvin em campo…»  Pormenor delicioso do jornalista João Tiago Figueiredo no MaisFutebol.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Marcar cedo e cedo resolver dá 3 pontos e faz crescer

Jackson. Letal.
Simples, eficaz, satisfatório. Ganhar era essencial, ganhar com qualidade era importante. Não é coincidência que nos últimos 3 jogos tenhamos visto menos Brahimi e que nesses 3 jogos o FC Porto tenha conseguido um score de 11-0. A equipa, colectiva e tacticamente, está mais forte. Já não depende da inspiração de A ou B, porque o ABC já está organizado. As ideias de Lopetegui estão assimiladas e readaptadas. Há uma base, há uma dinâmica definida, há uma equipa no verdadeiro sentido do termo. Há uma equipa preparada para perder Brahimi durante 2 meses.

Começar por elogiar a titularidade de Indi. Não se admitiria outra coisa. Colocar Indi no banco com o pretexto do cartão amarelo seria o mesmo que dizer que a cabeça já estava no jogo com o Benfica. Não há pior do que passar essa mensagem aos jogadores. E apesar da questão da rotatividade e dos jogadores terem que estar preparados para jogar a qualquer altura, sentar hoje Indi seria o mesmo que dizer a Maicon e a Marcano que é melhor proteger o Indi do que correr o risco de jogar com eles contra o Benfica. Boa gestão de Lopetegui, havendo apenas a surpresa pelo regresso da dupla Indi-Maicon.

Total confiança em treinador e jogadores para regressar à liderança. Vamos acabar o ano na frente.





Ruben Neves e o meio-campo (+) - Não foi coincidência nenhuma que tenhamos sufocado a Académica durante toda a primeira parte. Tudo começou na acção deste menino. O posicionamento e simplicidade de processos é do melhor que temos no nosso campeonato. Eu vi o Fernando no primeiro golo do FC Porto. Consegue matar uma jogada e transformá-la de imediato numa ocasião de golo. É de classe. E falar em classe é falar em Oliver, que como Deco não corre, desliza. O Tsubasa demorava 12 episódios para correr de uma baliza à outra. Já o «nosso» (infelizmente com aspas) Oliver tem pezinhos omnipresentes e consegue estar em todo o lado, à hora certa, no momento exacto. E como não há 2 sem 3, outra vez Herrera. Essencial no equilíbrio, excelente a chegar à frente, mais um golo e uma assistência. Que mais se pode pedir?

Ruben graúdo, Tello
a crescer

Alex Sandro (+) - O melhor elogio que lhe posso fazer: parecia um Danilo canhoto. Não tem a qualidade nas diagonais do colega, mas esteve incansável no apoio ao ataque, certo a defender, desta vez foi mais rápido a reagir e a executar e só falta um pouco mais de acerto nos cruzamentos. Está a subir de rendimento. 

Jackson Martínez (+) - Dois excelentes golos. O primeiro com recepção orientada e remate colocado, o segundo a dar razão a um treinador a quem muito deve, Vítor Pereira. Dois golos que mataram a Académica bem cedo e que permitiram ter uma noite descansada, até mesmo para o próprio Jackson na segunda parte. É bom que comece a rematar mais vezes de fora da grande área, porque um jogador com esta capacidade de baixar e segurar a bola tem que aproveitar essa valia. Uma palavra para Tello, que pelo 3º jogo consecutivo é decisivo no ataque.





Dois reparos (-) - Quando o colectivo não funciona, é mais fácil um jogador sobressair com uma grande jogada individual. Quando a equipa está bem colectivamente, jogadores que fazem das jogadas individuais a sua arma podem tender a apagar-se mais. Foi isso que aconteceu a Brahimi. Tem que aprender, vai aprender, a jogar mais simples, a jogar bem sem jogar à... Brahimi. E atenção à tentação de sair a jogar apoiado dentro de uma cabine telefónica. Viu-se o FC Porto arriscar demasiado a tentar sair em apoio quando a linha de pressão já estava quase na linha de fundo. Uma equipa grande, de classe, não joga com bicada para a frente, mas tem que haver um equilíbrio. Um Magique ou um Rui Pedro não são grande ameaça. Mas se um Gaitán ou um Jonas apanha a bola naquela zona, pode haver problemas. Como já houve esta época e já custou caro.





- Paulo Sérgio, definitivamente, não percebes nada disto. Então não viste que o Rui Pedro e o Ivanildo são ex-jogadores do FC Porto!? Porque é que os meteste em campo? Como o Lito Vidigal explicou, esses 2 jogadores, mesmo não tendo contrato nenhum com o FC Porto (que lucra em caso de futuras transferências), iam sentir-se pressionados e condicionados! Aliás, o Carlo Ancelloti até já decidiu que quando defrontar o Manchester United não vai utilizar o Ronaldo, porque tem medo que ele se sinta condicionado por jogar contra o ex-clube. E a FIFA até vai aprovar uma norma para os jogadores nunca defrontarem o clube onde forem formados, por causa dos 5% que têm direito em cada transferência. Os rapazes sentem-se demasiado condicionados.

Dragão de Ouro ou
Águia de Prata?
Reafirma-se o que foi dito aqui. Isto já não é uma questão de discutir se o jogador estava ou não adiantado, se houve ou não mão na bola, se o defesa tocou ou não no avançado. Quanto às arbitragens, são já muitos anos para compreender que todos acabam por ser prejudicados e beneficiados, uns mais do que outros, mas não tenciono andar com uma balança atrás. O clubismo não deixa ninguém ter uma análise imparcial neste tema. Metam um sportinguista, um benfiquista e um portista em fila e se calhar todos eles, no fim da época, são capazes de vender a mãe para provar que o seu clube é o mais prejudicado. Não tenho paciência para os maníacos que fazem zoom e slow motion em cada lance, gosto demasiado de futebol para isso. Mas para isto já não é preciso zoom nem régua e esquadro. Está patente, aos olhos de todos, um desvirtuar da competição, uma renúncia de ética no Benfica-Belenenses. Rui Pedro Soares diz que fez do filho sócio do FC Porto desde que nasceu. Um conselho: há coisas mais importantes do que associar imediatamente um filho a um clube, como ensiná-lo a crescer com integridade e sem subserviência. Porque esta decisão de Rui Pedro Soares não serviu apenas os interesses do Belenenses (2 bons jogadores a baixo custo), serviu também os do Benfica num âmbito de concorrência desleal.

- Lopetegui afirmou, e muito bem, que vai rodar jogadores contra o Shakhtar Donetsk. É pena que Opare, Reyes, Ángel e outros não estejam inscritos na UEFA, mas mesmo que não saia uma mudança tão extremista como a que se sugere abaixo, é uma excelente oportunidade para dar um jogo de Champions aos menos utilizados. E com jeitinho arranja-se ali um espaço para alguém da lista B na convocatória...


PS: Quando referi aqui o caso Maciel, quando o Jesus treinava o Leiria, um pormenor importantíssimo passou ao lado: foi o próprio Benfica a fazer a denúncia para a abertura do inquérito na liga (ler aqui). Diria aos dirigentes do FC Porto, olho por olho, dente por dente. Mas como é a primeira vez que dois jogadores são impedidos de jogar contra um clube com o qual não têm nenhum contrato, nem dá para aplicar essa velha máxima.


sábado, 6 de dezembro de 2014

A legislação do catedrático e a palhaçada camuflada

À hora em que escrevo, não sei se o mais importante aconteceu (o FC Porto ganhar em Coimbra), nem sei se a questão do momento teve resposta: Deyverson e Miguel Rosa jogam contra o Benfica? É certo que estão os 2 convocados, mas também é certo que pela primeira vez Lito Vidigal decidiu convocar 20 jogadores, não vá haver dores de barriga de última hora. Mas os comentários que antecederam o jogo do rival Benfica já merecem uma palavrinha. Comecemos pelo que disse hoje Jorge Jesus.

Memória curta ou
seletiva?
«Não sei qual é a legislação e quais são os acordos. Sei por exemplo que na Inglaterra e na Alemanha, quando emprestas jogadores a outras equipas, eles não podem jogar contra ti. Contratualmente está decidido assim

Jorge Jesus, o catedrático, não conhece a legislação portuguesa. Curiosamente até conhece a da Alemanha e da Inglaterra, mas Portugal, onde sempre viveu e trabalhou, é que nada. E agora convido todos os portistas (e os rivais curiosos) a viajarem até 2005-06.

U. Leiria-FC Porto, 14ª jornada. Maciel está emprestado pelo FC Porto ao Leiria. Com acordo entre os dois clubes, Maciel não joga. E então Jesus, o tal que não conhece as regras, não escondeu a sua revolta na flash-interview, dizendo que os melhores jogadores deviam sempre jogar e queixando-se que Maciel só não jogou por causa de um acordo de cavalheiros. 

O que aconteceu? A Comissão Disciplinar da Liga instaurou um processo ao Leiria e ao FC Porto por causa do caso Maciel. Um jogador que estava emprestado pelo FC Porto, que era pago pelo FC Porto, e que não jogou por acordo entre Pinto da Costa e João Bartolomeu. O caso acabou por ser arquivado, mas a pergunta impõe-se: o que aconteceu a Benfica e Belenenses, na época passada, quando Marco Paulo assumiu que não pôde utilizar o Miguel Rosa? Nada, zero. Nem processo, nem inquérito, pelas mesmas razões que levaram a que o FC Porto fosse alvo de um processo em 2005-06. Ah, aconteceu uma coisa: Marco Paulo, que teve a dignidade e frontalidade de expor a situação e remetê-la à Administração, foi mais tarde despedido.

Maciel deu processo ao
FC Porto. E Miguel Rosa?
Constata-se que Benfica e Belenenses têm uma relação privilegiada. Mas então, o Maciel não foi impedido de jogar contra o Leiria estando emprestado pelo FC Porto? Sim, é verdade. É uma prática com muitos anos no futebol português. Benfica e FC Porto já o fizeram diversas vezes. «Ah, então qual é a moral do FC Porto para falar? Então o Abdoulaye? E o Kléber? E o Sami?». Pois é, meus caros, todos esses jogadores estavam emprestados pelo FC Porto. Mas nem Miguel Rosa nem Deyverson estão emprestados pelo Benfica.

O que Jorge Jesus faz é tentar aliar na manipulação que estão a fazer do tema. O acordo de cavalheiros para que emprestados não joguem é antigo, e o FC Porto já o praticou várias vezes. Agora, acordo para que jogadores que são pagos pelo Belenenses, que têm contrato com o Belenenses e que estão registados na FPF exclusivamente como jogadores do Belenenses não joguem? Isso sim, é inédito, é o Benfica na vanguarda do futebol português.

Podem até jogar, não sei. Mas a forma como Jorge Jesus se refere a este tema, querendo fazer parecer que Miguel Rosa e Deyverson se tratam de jogadores emprestados, é o alimentar de toda uma manipulação que tem sido aplicada ao assunto. Até entre ilustres comentadores e colunistas se referem ao acordo de cavalheiros que há com jogadores emprestados. Isto não é empréstimo, é o Benfica a interferir na autonomia de um clube adversário.
Miguel Rosa não tem
contrato com o Benfica

Miguel Rosa e Deyverson não jogarem é a mesma coisa que o Benfica defrontar o Manchester amanhã e ser impedido de usar o Bebé, com a diferença que os 2 jogadores do Belém valem mais para a sua equipa do que o Bebé para o Benfica. Miguel Rosa e Deyverson estão exactamente na mesma situação que grande parte do plantel do Benfica: têm o seu passe repartido por 2 ou mais identidades.

Todo o alimentar deste tema antes do jogo é verdadeiramente vergonhoso e merece ser debatido sobre o real problema aqui: é a primeira vez no futebol português em que se discute a possibilidade do clube A impedir o clube B de utilizar jogadores que não são pagos nem têm contrato com o clube A. 

Pode até ter havido acordo entre Luís Filipe Vieira e o menino de ouro da PT, e com certeza que houve, tendo em conta que Miguel Rosa e Deyverson já não jogaram há um ano (e ninguém piou). Então que quer isto dizer? Com Deyverson e Miguel Rosa o Belenenses é mais forte. Assim temos um Belenenses mais forte contra 16 das equipas da primeira liga (Deyverson até marcou no 1-1 em Alvalade) e um Belenenses menos forte apenas contra o Benfica. 

Em suma, o Belenenses não sabe se pode utilizar jogadores que têm contrato com o Belenenses e que são pagos pelo Belenenses. Podem até jogar amanhã. Mas não esqueçam o essencial: o FC Porto já foi alvo de um processo por ter impedido a utilização de um jogador que era emprestado por si. E ao Benfica parece que no pasa nada por há um ano ter impedido a utilização de 2 jogadores com os quais não tem contrato nem vínculo nenhum e de, aparentemente, poder fazê-lo novamente este ano. Onde está a tão apregoada verdade desportiva, perguntamos todos?

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Publicidade, Sponsorização e Warrior: um ponto de situação

Como ponto de partida de uma questão de um leitor d'O Tribunal do Dragão, um olhar às receitas com publicidade e sponsors e à transição da Nike para a Warrior. Os números oficiais nunca foram referidos publicamente, até porque estes contratos são sempre definidos por objectivos e patamares (ser campeão vale mais do que ser 3º classificado, por exemplo). Logo não é possível conferir ao certo se a Warrior já está a render mais ou menos do que a Nike, mas era sabido que o crescimento, a existir, não seria muito significativo.

Na época passada a Publicidade e Sponsorização tiveram um peso de 19% nas receitas da SAD, 13,594M€ (essencialmente através dos 3 sponsors principais, PT, Nike e Unicer). Um crescimento de pouco mais de 400 mil euros face a 2012-13, época melhor em tudo em termos desportivos. A juntar a isto há o merchandising, com um peso de 5% e 3,72M€.

Ou seja, em 2013-14 a Publicidade, Sponsorização e Merchandising tiveram um peso de 24% nas receitas operacionais da SAD. Em 2014-15 está previsto que a Publicidade e demais tenha um peso de apenas 14,4%. (no orçamento resumem tudo a esta rubrica). Em ano de estreia da Warrior, a SAD vai receber menos em publicidade e patrocínios.

Relatório e Contas da SAD do primeiro trimestre de 2014-15

Isso já se reflecte no R&C do 1º trimestre. Nos primeiros 3 meses da época, a SAD recebeu 3,087M€, quase meio milhão a menos do que em 2013-14. Há um ponto positivo: o Merchandising cresceu 180 mil euros, para 1,618M€, e segundo o R&C isso deve-se à parceria com a Warrior. As camisolas cor-de-rosa são responsáveis em grande parte por esse aumento.

Warrior sem
grande impacto
Foi uma aposta aqui elogiada enquanto se desmistificava aquela história de que o Benfica é um clube muito mais poderoso em termos de patrocínios e sponsors. É um daqueles mitos que se repetem e alimentam até ao dia em que alguém se lembra de o questionar. FC Porto e Benfica têm tido registos equilibrados quanto às receitas com publicidades, patrocínios e merchandising. Há trimestres em que ganha mais o FC Porto, outros o Benfica. 

No 1º trimestre, o FC Porto, no conjunto da rubricas, ganhou 4,705 milhões de euros. O Benfica ganhou 85 mil euros a mais. São estes 85 mil euros que ditam um fosso de grandeza? (Bastava o Benfica não ter o naming no Seixal para receber menos). Fosso de grandeza, a existir, não é entre FC Porto e Benfica, é em relação ao Sporting, que nos primeiros 3 meses ganhou apenas 1,536M€ em publicidade e patrocínios. Uma diferença natural face àquilo que é a dimensão dos 3 clubes.

O FC Porto, num contexto de futebol português, está no topo daquilo que os patrocinadores nacionais podem oferecer. É irrealista imaginar mais do que 5 milhões de euros entre merchandising, publicidade e patrocínios em 3 meses. A alternativa seria apostar num Naming de estádio a uma escala internacional, uma opção que devemos considerar seriamente a curto prazo (o Estádio Jorge Nuno Pinto da Costa não vai existir pela vontade do próprio presidente). 
Unicer. A resistente
também já lá vai

Recuando à questão da diminuição das receitas publicitárias. Como é sabido a PT vai deixar de ser patrocinadora e já aqui avaliámos o impacto do fim dessa ligação. Quase que já podemos encarar a PT como uma ex-patrocinadora, na medida em que o dinheiro a receber em 2014-15 vai para o Internationales Bankhaus Bodensee AG, um banco alemão, para liquidar as prestações de um crédito de 2,244M€. Já agora, referir que o dinheiro a receber pela fase de grupo da Champions também vai todo para aqui: 8 milhões de euros por um crédito que venceu em Outubro.

Em termos de patrocínios, já se foi a Nike, acaba-se a PT e sobra a Unicer, com quem renovámos até 2016. Mas o dinheiro da Unicer também já serve como colateral para dois créditos com o BIC, de 3 milhões de euros, que vencem em Fevereiro de 2016.

Conclusão: o problema não é o FC Porto estar a receber menos em patrocínios. O problema é que todos os patrocínios a receber já têm destino para pagar à banca ou liquidar créditos.