sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Agora, o clube é verdadeiramente dos sócios

Quando o presidente disse, na entrevista ao Porto Canal, que o FC Porto «jamais será comprado», foi uma declaração que parecia não merecer grande importância. Afinal, a participação na SAD era de 40%. O que significa que qualquer magnata poderia comprar o FC Porto, a partir do momento em que reunisse uma maioria na restante participação da SAD. Tendo em conta a ligação aos irmãos Oliveira, que em conjunto detêm 21,02% (António mais 1% do que Joaquim) da participação da SAD, naturalmente que não era credível que haveria verdadeiramente esse risco.  Mas afinal já havia uma cartada na manga.

O único grande português
a ter a maioria da sua SAD
O Futebol Clube do Porto passa a ter a maioria da Sociedade Desportiva, uma notícia que registo com total agrado. Ao longo dos próximos dias, serão discutidos e analisados os vários pontos da AG (e o R&C de 2013-14 vai sair este mês), mas desde já há que assinalar a importância da compra da participação da Somague (empresa que, entre outros, detém os centros comerciais Dolce Vitta).

O receio aqui abordado com a opção Euroantas foi devidamente exposto e depois aprofundado. O clube preparava-se para «pagar» à SAD (cuja facturação era/é imensamente superior) 37,5 milhões de euros a troco de... nada. Uma sociedade cumpridora ia tapar um buraco aberto por demasiados riscos de gestão nos últimos 3 anos. Com isso, o clube perdia metade do seu principal património sem ter direito a acções que lhe conferissem direito de voto,

O clube ficava exposto, fragilizado. E se é verdade que na era Pinto da Costa poucos riscos haveria face a possíveis compradores estrangeiros, no pós-Pinto da Costa esse era o mais forte cenário, ou pelo menos o mais tentador para muita gente, quisessem ou não admiti-lo. Até hoje. Hoje, a SAD recolocou o clube nas mãos dos sócios.

O clube detinha 40% da SAD, além de 1,65% do presidente e 0,07% de Reinaldo Teles. Agora, ao adquirir as acções da Somague (que, ao contrário da absorção da Euroantas, já conferem voto participativo), o FC Porto, o clube, passa a controlar 60,52%. E com isto, directa e indirectamente, a posição sobre a Euroantas sai mais reforçada do que seria previsto (cuja alienação nunca chega a ser uma boa notícia, mas aproxima-se de um cenário idealmente mais equilibrado), mas é tema para abordar nos próximos dias. Para já, o importante é que o clube é hoje dos sócios.

Perdemos o «orgulho» de afirmar que éramos o único clube português que não sacrificou o estádio para tapar buracos na SAD (sendo que a operação Euroantas implicava 50%, enquanto os rivais tiveram que usar a totalidade dos seus estádios). Mas surge agora o orgulho de podermos afirmar que somos os únicos a ter no clube a maioria da SAD. Praticamente tanto como Benfica (40%) e Sporting (25,28%) juntos directamente.

Em relação à OPA, era uma obrigatoriedade (e dificilmente será mais do que uma formalidade). O FC Porto não irá subscrever a oferta pública, uma vez que já detém larga maioria (os 60,52% estendem-se a 3/4, basicamente). Resta conhecer a posição dos irmãos Oliveira... Mas esta excelente notícia, com devido mérito aos intervenientes, já ninguém nos tira. Mais informações no regulador de mercado.

12 comentários:

  1. No comunicado enviado à CMVM ontem à tarde: «Aprovação da proposta apresentada pelo Conselho de Administração da Sociedade, ao abrigo
    do ponto 6 da ordem do dia, referente à alteração dos estatutos da Sociedade no sentido da
    adopção de uma percentagem máxima de direitos de voto a exercer por cada accionista caso
    as acções preferenciais sem voto venham a adquirir esse direito no futuro.»

    Quer isto dizer que, futuramente, é provável que o controlo do clube seja ainda maior que os actuais 60%?

    Confirma-se que a SAD detém agora 47% do Estádio e não os 50% inicialmente falados? Se sim, o que podem significar estes 3% de diferença?

    Desde já obrigado pela resposta.

    http://portistasanonimos.blogspot.pt/

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    1. É possível mas neste momento desconheço o que pretendem os irmãos Oliveira, logo não é possível responder a isso com exactidão. Após a OPA logo se verá.

      A questão do estádio será abordada depois, mas muito resumidamente, o clube fica com uma posição directa de 53% da Euroantas e indirectamente pouco mais de um terço, através da subida da participação na SAD. Fica directa e indirectamente com 85% do estádio.

      Depois isto será mais aprofundado.

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    2. Aguardarei então, mas agora muito mais descansado. Obrigado pelo esclarecimento.

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  2. Uma nota: o Clube deterá cerca de 75% da SAD quando adquirir as acções por efeito do aumento do capital social da SAD.

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    1. Certo, daí que tenha indicado no fim do post que os 60,52% vão estender-se a três quartos.

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  3. Em Portugal não existia a lei dos 50% mais um? Ou seja, que os clubes estariam obrigados por lei a deter no mínimo 50% das acções da SAD mais uma?

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    1. Pelo contrário, existia era uma restrição até 40%. Lei entretanto revogada.

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  4. TdD estas movimentações, aliada às declarações de Pinto da Costa de pretender viver mais 20 anos sem estar na presidência, poderá significar que nas próximas eleições não se conte com PdC como candidato à presidência do FCP??

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  5. a única dúvida é se todo o capital terá direitos de voto

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  6. Acabou por ser melhor do que se previa. Assim ficamos todos mais contentes. Mas há duas coisas que não foram bem feitas:

    1º Por que foi a AG da SAD antes da do clube, quando esta última é que tinha de autorizar o aumento da participação do clube na SAD?

    2º A compra da parte da Somague foi uma bela ideia - e se foi barata, isso deve-se à actualmente baixíssima cotação das acções da SAD, as quais, de um valor de emissão de 5 euros, estão agora a uns meros € 0,70 (pelo que, a SAD, a preços de mercado, não vale actualmente nada de especial: é só multiplicar 0,7 por 15 milhões, que é o total de acções, o que dá- repare-se bem - apenas uns míseros € 10.500.000. Por isso, repito, é que a compra das acções da Somague foi tão barata.)

    Mas, ia eu a dizer, essa compra das acções da Somague não fazia parte da ordem de trabalhos, pelo que foi cometida uma ilegalidade. Os sócios deveriam ter sido informados atempadamente dessa intenção, e isso deveria ter constado da agenda da assembleia. É isso que dizem os estatutos do clube. Se têm dúvidas, consultem-nos. Penso que se trata do artigo 115 ou 116. Claro que ninguém se vai chatear com isso - e eu muito menos - mas não custa nada fazer as coisas direitinho. Isto leva-me a pensar que essa decisão foi de última hora, tal como a passagem das novas acções do clube de preferenciais sem direito de voto a ordinárias (com direito de voto), até porque, na AG da SAD à tarde, isso nem foi abordado,e os accionistas presentes aprovaram apenas a emissão dessas acções como preferenciais sem direito de voto, e o Fernando Gomes, solicitado para tal, explicou que a emissão dessas acções não tinha sido de acções ordinárias "por falta de tempo", isto é, da tarde para a noite passou a haver tempo. Na AG da SAD houve 100 votos contra (cada acção representa um voto) a generalidade dos pontos em discussão, com excepção da aprovação da nomeação do Fernando Gomes, que colheu a unanimidade.

    A AG do clube decorreu em muito melhor ambiente do que de costume, mas continuou a haver bocas e pressões dos intolerantes de sempre, que não respeitam o direito dos que pensam de modo diferente deles a expressarem livremente as suas opiniões. Mas isso é próprio do "civismo" português, e não característica específica do FCP.


    Finalmente, se aquilo que o Fernando Gomes diz acerca da necessidade de maior rigor na gestão fosse dito por um gajo qualquer na bluegosfera, caíam-lhe logo em cima.

    Abraços portistas a todos.

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  7. Ò PCRistovão outra vez ?!...

    O importante é a substancia das coisas.

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