quinta-feira, 6 de novembro de 2014

90 minutos à Porto. À Porto de Lopetegui.


A nossa vitória de hoje e o apuramento para os oitavos-de-final (o FC Porto tem mais presenças nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões que todos os outros clubes portugueses juntos) começou logo nessa imagem aí acima. Sempre defendi Lopetegui e as suas ideias. Mas isto atinge um novo patamar de brilhantismo. Qual génio de mind games, a rotatividade de Lopetegui é tão boa que até meteu o jornal Marca às avessas.

Época de estreia na
UEFA: está nos oitavos
Rodamos tanto que até acreditaram que íamos entrar com um duplo pivô com Alex Sandro e Brahimi, que o Marcano ia ser lateral, que Indi ia jogar pela direita e Maicon pela esquerda, que Herrera ia jogar a número 10, que Oliver ia ser extremo direito e que na frente não ia jogar nem Jackson, nem Aboubakar, mas sim «Aboukabar». Isto é um génio táctico sem paralelo, com mind games num nível muito superior!

Mais a sério, é uma daquelas vitórias que sabem bem. Não só pela forma como a equipa jogou, não só pela forma como Lopetegui preparou, geriu e conquistou o jogo, mas sobretudo por aquele doce sabor de vermos vingar aqueles de quem nunca duvidámos e que tantos quiseram meter em causa. Os que queriam Lopetegui na rua há bem pouco tempo são os hoje têm a barriguinha cheia com os oitavos. Eles não desapareceram, mister. Ao primeiro deslize, eles voltam. Mas se antes as vozes de burro não chegavam ao céu, agora nem da terra descolam. Este apuramento e exibição comprovam todo o potencial não só da equipa como de Lopetegui.

Mesmo que tenha defendido sempre Lopetegui, desde o início, há que reconhecer que o treinador não só evoluiu como também mudou. Encontrou um 11 base, e isso é inegável. Não só um 11 base, como uma equipa base. O FC Porto faz agora aquilo que o treinador prometia: encontra soluções para todos os problemas. Não é uma equipa limitada a um modelo. Quando é preciso haver passe longo, há. Quando é preciso circular a bola, circula-se. Quando é preciso mais velocidade, ela aparece. É uma equipa em evolução, jogadores e treinador. Impecável, mas é preciso repetir a dose no Domingo.





Indi, Maicon e a segurança defensiva (+) - O Bilbao não tem propriamente um Llorente na frente. Mas Indi e Maicon foram quase sempre impecáveis, pelo chão e pelo ar. Tirando uma bola ao poste, que ninguém percebeu bem como é que ela ia entrando, o Bilbao quase não entrou na grande área nem criou perigo. O FC Porto jogou quase sempre com a linha defensiva subida, e mesmo assim Maicon e Indi nunca foram apanhados nas costas. Mais do que um bom jogo de Indi e Maicon, foi um excelente jogo da dupla Maicon-Indi. Palavra para Danilo, com a competência habitual a defender e também forte a atacar, a cruzar e nos movimentos interiores.

Casemiro (+) - Ia destacar o meio-campo em conjunto, mas o jogo de Casemiro merece um espaço para si só. Não vimos nenhum basco conseguir desequilibrar à entrada da grande área. Zero. Casemiro varreu quase tudo. Ocupou sempre bem o espaço, fez poucas faltas, esteve quase sempre limpo no desarme e não perdeu uma única bola no nosso meio-campo. E aqui há que destacar Herrera. 12 quilómetros a correr. Mas mais do que isso, soube dar consistência ao meio-campo e ofereceu sempre linha de passe em zonas interiores. Um pouco mais de atrevimento a aparecer em zona de finalização e a rematar e teria sido uma exibição em cheio.

Óliver Torres (+) - Há uma grande diferença entre Óliver e Quintero. Quintero aparece sobretudo quanto tem bola. Já Óliver aparece em todo o lado com ou sem bola. Óliver tem a capacidade de jogo sem bola que lhe permite povoar o meio-campo ao mesmo tempo em parece um vagabundo a aparecer em todo o lado, uma carraça a pressionar. Consegue levar ou meter a bola de A para B com mestria. 86% de eficácia de passe e mais de 11 quilómetros percorridos em 80 minutos mostram que o menino está crescido e recomenda-se. Que bela dor de cabeça, entre Óliver, Quintero... ou os dois?

Brahimi (+) - Um jornal argelino escreveu que recomprar os 80% do passe custa 8 milhões de euros. Tenho algumas dúvidas que assim seja, mas Brahimi continua a superar-se jogo após jogo. Disse no verão que era impensável pagarmos 10 milhões por um jogador do Granada, sobretudo quando emprestaram o seu melhor jogador de 2012-13 ao Benfica de mão beijada. Agora não há portista que imagine ver Brahimi sair por menos de 30 milhões em caixa. Está na hora de celebrizar a expressão rotação à Brahimi. Não vejo nenhum outro jogador a rodar assim. Tão previsível e tão impossível de parar ao mesmo tempo. É craque, e é nosso, custe o que custar - e custe o que custar, Brahimi parece destinado a valorizar-se à Hulk. Fazendo o caro parecer barato, por mais caro que seja.

Jackson Martínez (+) - Vamos saltar a parte do penalty. Que jogão, Jackson! Que jogão! Fartou-se de levar porrada a aguentar a bola, a baixar para o meio-campo, a ir sempre receber a bola nos lançamentos, a encarar os defesas desinibido, a meter o pé como se o jogo dependesse disso. Um pouco mais de pontaria na primeira parte e teria sido perfeito, mas de qualquer forma Jackson fez uma exibição enorme. Reconhecendo a influência do clubismo nesta visão, não sei se o trocaria por nenhum outro ponta-de-lança no mundo.





O penalty, claro (-) - Já quando Jackson marcou o penalty em Donetsk, disse que não o devia ter feito. Nos penaltys a regra é sempre a mesma: se entram tudo bem, se falham tudo mal. Mas no caso de Jackson já ultrapassou os limites. Quando o FC Porto ganha um penalty, já não se sente alegria, nem entusiasmo. Só se sente pressão. Não existe confiança. Jackson é um excelente ponta-de-lança e um péssimo marcador de penaltys. Jackson posiciona mal o corpo, denuncia os remates e coloca mal a bola. Não é um bom batedor. Os efeitos de Jackson marcar penaltys só podem ser negativos. Por um lado, se falha retira confiança ao jogador. E se a equipa vê que o seu capitão e goleador não é capaz de marcar um penalty, isso afecta seriamente a moral dos colegas. Danilo já falhou, Brahimi já falhou, Quintero já falhou... Mas temos que encontrar outra solução. Lopetegui deixa que sejam os jogadores a escolher quem bate, mas como disse o mister no início da época, há que encontrar soluções para todos os problemas. Os penaltys são um problema, mister.

Vocês são melhores que isso (-) - Tello é o melhor assistente da equipa. É o que dizem os números, e contrariar os números é uma chatice. Mas chega a ser frustrante ver um jogador com uma velocidade e capacidade de aceleração tão grande e com um poder de decisão tão fraco. O corpo de Tello faz tudo bem. E depois pergunta ao cérebro: e agora? E o cérebro demora a responder. E perde-se a bola. Com espaço, Tello é um perigo, e é aí que pode mostrar o seu melhor futebol. Mas Lopetegui tem que prepará-lo para jogar sem espaço. Vai melhorar a todos os níveis quando o souber. E Alex Sandro. Com ou sem rotatividade, Ángel devia saltar para a titularidade no Estoril. Um leitor disse no outro dia, e bem, que Alex Sandro apagou-se um pouco porque Brahimi combina pouco com o lateral. Mas não é desculpa para tudo. Impreciso a cruzar, lento a executar e a reagir. Estás quase a entrar em final de contrato, Alex. A jogar assim, nem um grande contrato, nem uma grande transferência.

Missão cumprida na Champions. Vamos decidir o 1º lugar com o Shakhtar no último jogo, a não ser que o Bilbao dê uma ajuda já na próxima jornada e ganhemos ao BATE. Lopetegui vai poder rodar a equipa nos dois últimos jogos da Champions (espero sinceramente que o faça, pode rodar à vontade!), porque no campeonato não há margem de erro. E o jogo com o Shakhtar vai ser 4 dias antes de defrontar o Benfica, algo sempre útil na gestão de esforço, pois o FC Porto já não terá que lidar com a pressão do apuramento. Agora, Estoril. O Estoril que no ano passado nos roubou 5 pontos.

19 comentários:

  1. Perfeitamente desnecessário esse ataque repetido aos portistas mais críticos. Só faltou dizer que eles, os outros, ficaram tristes pela vitória, como eu já vi por aí. Estou à vontade para dizer isto porque eu não pedi a cabeça de ninguém. Gosto deste blog, acho que o autor é uma pessoa lúcida e inteligente, mas neste caso julgo que há algo a falar mais alto do que a razão. Provavelmente o mesmo que leva a algumas críticas exageradas e a posições mais radicais (e igualmente arrogantes). Gostamos todos do mesmo. Às vezes demais.

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  2. As criticas são as mesmas. Seria bom dizer porque é que o FCP deixou de rodar tanto a quipa, usar 2 trincos de repente, começou a jogar com pelo menos 1 extremo puro, deixou de sair a jogar tão a trás e cortou imenso na quantidade de passes sem objetividade.. Curiosamente foi depois de uma derrota contundente contra o SCP. O que mudou? A mentalidade do Lopetegui ou puxar-lhe, e com legitimidade, as orelhas? Hoje sim, o FCP tem um futebol mais pragmatico e mais á semelhança das suas origens. Quanto a esse quadro de equipa do FCP.. Isso só demonstra a incompetencia do jornal e da falta de conhecimento, pois já era expectavel qual o 11 do FCP. Aliás, tem-se visto a falta de conhecimento das outras equipa relativamente ao FCP quando dizem que o FCP é um clube que tem um contra ataque muito forte, quando até hoje raramente o faziamos.

    Grande jogo do FCP de qualquer das formas, é para continuar assim! Com Lopetegui ou sem o FCP é sempre para ganhar.

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  3. Um off-topic : André Silva voltou ontem a jogar pela equipa B. Será que está ultrapassado o problema da renovação? Esperemos que sim. Do pouco tempo que o vi em campo, é visível que é de outro campeonato e como já foi dito aqui, é um dos nossos.

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  4. Caro TdD,

    Que grandiosa exibição! Confesso que me da um gostando especial ver "bonés" para Indi, Herrera, Casemiro e ... Danilo (outrora tão injustamente criticado). Deixo só uma pequena nota: aquilo que Oliver da a equipa, confere-nos muito maior capacidade defensiva e poder de circulação, mas retira-nos corredor central (penso ser por isso que Jackson aparece tanto em jogo, para oferecer alternativas a jogar "por dentro"). Com Quintero ganhamos mais jogo interior (maior qualidade na definição das jogadas), e Brahimi ou Tello acabam por beneficiar muito mais, mas... perdemos consistência defensiva (quintero precisa de crescer muito nesse aspecto).

    Cumprimentos portistas,

    Z

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  5. Continuo a dizer, que embora o jogo de ontem, o Ruben Neves merece o lugar de Casemiro.

    Depois de ler o teu post hoje e passar uma vista de olhos pela imprensa, o que achas da possibilidade do Indi ir para o united em Janeiro?

    Porque é que toda a gente diz que vamos perder jogadores em Janeiro e de onde vem tanto medo?

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    1. Nem vale a pena comentar isso do Indi. Nem nada que saia de jornais ingleses, basicamente.

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  6. Grande jogo grande vitoria! O unico senao foi o penalti...o jackson nao podia bater o penalti tinha que ser outro nem que fosse o presidente!!

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  7. Não esquecer que dos 4 golos marcados ao Bilbao, 3 deles foram frangos enormes. O golo do Quaresma foi um frango do GR que deixou passar a bola por debaixo do corpo. Nem nos juniores! E ontem os gois golos foram 2 ofertas do GR com o 2º um frango monumental que nem nos juniores se vê!!

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    1. Ok. E? Que conclusão se retira disso? E as 0 oportunidades de golo concedidas durante 90 minutos dum jogo fora de casa, na Champions? E as 5,6 ocasiões claras de golo, mais outras 5 ou 6 bastante perigosas? E o banho táctico deste jogo e de uma boa parte do anterior? Porque erraram os bascos? Não terá isso resultado da nossa pressão? Não terá sido uma exibição convincente? E quando éramos nós a chorar no fim por erros que cometíamos exactamente iguais?

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    2. e...?!

      não percebo a lógica deste comentário... por esse prisma, o golo do talisca resultou de uma terrível falha de marcaçãod a defesa monegasca...

      enfim... se não é do cu, é das calças...

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    3. O atltico de madrid foi a final da champions a aproveitar erros atras de erros dos adversários! Faz parte das boas raposas

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    4. Sou o primeiro anónimo. Ok. Certo. A lógica é que não é normal, que foi sorte a mais ou o que lhe queiram chamar. Não foi fruto de qualquer pressão, foram erros primários do GR que não se costumam ver, nem nos iniciados. Não me lembro de ter visto 3 erros primários em 4 lances? Honestamente não me lembro. O Talisca não joga no FCP.

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  8. Eu tambem penso que de Inglaterra nao vale a pena comentar nada apenas constatar a noite das facas longas do shity contra o cska numa jogada de mestre da betclic...assim como foi a jogada de mestre do dortmund- hannover 96 ( equipa do crl )...e assim vai o mundo limpinho limpinho...

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    1. ?! Está a dizer que o city se deixou influênciar por uma casa de apostas? E o Dortmund tambem?

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    2. Jogada de mestre da BetClic?

      TdD, parece que há boas notícias: André Silva vai renovar até 2019.

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  9. Quem falhou o penalti contra o Shaktar foi o nosso grande mágico. Não foi o Jackson.

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    1. Ninguém disse o contrário. «Já quando Jackson marcou o penalty em Donetsk, disse que não o devia ter feito.»

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  10. Em relação ao jogo nada a acrescentar, uma fantástica exibição e uma crónica condizente como tem sido habitual.

    Contudo gostaria de aproveitar para tecer algumas considerações/preocupações sobre o Adrián Lopez. Como é evidente não podemos julgar ou sequer avaliar a exibição de um jogador que entra a poucos minutos do fim. Mas tendo em conta o pouco (ou quase nada) que mostrou desde a sua aquisição, não pude deixar de reparar que nos únicos dois lances em que esteve envolvido neste jogo, falhou. Lances irrelevantes, com o jogo já decidido, mas não acertou em nenhum.

    O primeiro é um passe falhado por "falta de força" e o segundo é uma tentativa de receber o que, se não me falha a memória, é um lançamento lateral do Alex Sandro. Em que o Adrían sem oposição salta fora do tempo e, quando a bola lhe chega, já ele está em queda e portanto não chega a conseguir tocar na mesma.

    Sou o único a achar um pouco estranho estas falhas? Eu vi vários jogos do Adrián no Atl. Madrid e, sem sonhar que ele vestiria a nossa camisola, agradava-me bastante. Não era um goleador mas era um jogador técnicamente evoluído, com classe, com sentido colectivo. Ele no Atlético nunca me pareceu uma carta fora do baralho, como parece no Porto.

    Longe de mim estar a especular sobre a saúde de um jogador, mas não consigo deixar de pensar que existe aqui algum problema psicológico - ou alguma coisa de ordem física que não conhecemos. Um jogador de 26 anos não desaprende. Falta motivação? Não tem a cabeça limpa? Enfim, intriga-me um pouco este "mistério" porque eu REALMENTE gosto do jogador...

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