domingo, 2 de novembro de 2014

Um Dragão de Ouro e Brahimi como Madjer em 1987

Começando por uma viagem ao passado. Nem todos se recordam, tantas que são as boas lembranças de 1987, mas na época de glória em Viena o FC Porto não foi campeão nacional. O Benfica de Mortimore conseguiu ser campeão, mesmo com 7 trambolhões pelo meio, mas durante toda época teve sempre o FC Porto a pressioná-lo. Cada jogo para o FC Porto era uma batalha sem margem de erro. A equipa tinha o potencial que se confirmou com a conquista da Champions, mas vários jogos acabavam com triunfos sofridos.

Um predestinado
Memórias de um deles, o FC Porto-Académica, nas Antas. Parecia dia de soneca no relvado. Pouca garra, a Académica a desperdiçar ocasiões para marcar e o FC Porto sem objectividade. Até que já quase no final, apareceu... Madjer. Pegou na bola e meteu-a onde quis. Um golo, uma vitória que ameaçava escapar.

Hoje não houve Madjer, mas houve Brahimi. Já se ouvia há alguns minutos o clássico «passa a bola!». Num passado recente Quaresma ouviu-o, Hulk ouviu-o. Mas os génios são assim. Se Brahimi obedecesse a esse grito, não tinha feito o que fez quando o jogo estava difícil. Não esperem que Brahimi falhe um lance individual e depois comece a passar a bola. Os génios, de Madjer a Brahimi, não são assim. Se falham a primeira, tentam a segunda. Se a segunda corre mal, vai à terceira. E se a terceira dá perda de bola, aí vai a quarta. Hoje foi assim com Brahimi, e vai ser muitas mais vezes ao longo da época, o que não invalida que aprenda cada vez mais a colocar o seu talento individual em sintonia com os companheiros,

Antes do jogo com o Braga disse-o: não havia margem para facilitar até defrontar o Benfica. 6 jogos, 18 pontos. 9 desses pontos já estão. Falta ir ao Estoril, onde há um ano o FC Porto começou a derrocada que foi a última época. Depois ganhar ao Rio Ave. E depois ir a Coimbra, uma visita que há um ano rendeu uma derrota e uma recepção à antiga na Invicta. Pelo meio há um apuramento na Champions para confirmar. E hoje, como Lopetegui lembrou e bem, derrotámos um Nacional que há um ano nos tirou 5 pontos. Meio caminho de um longo percurso está cumprido.





2 Dragões de Ouro?
Venha é a renovação!
Danilo (+) - O presidente diz que merecia dois Dragões de Ouro. Quando há um elogio destes, pouco há a acrescentar. Continua com uma disponibilidade acima da média, grande fulgor físico, é sempre forte quando corta para dentro no meio-campo contrário e hoje até fez um golo. Quantos laterais direitos de 23 anos encontram com esta qualidade no futebol europeu? Pinto da Costa diz que merece dois Dragões de Ouro. Já eu digo: merece é um novo contrato.

Fabiano (+) - Já merecia o reconhecimento. Pode não ter tido muito trabalho hoje, mas quando foi chamado a intervir foi competente e hoje em dia são poucas as críticas ao seu jogo de pés (melhorou muito com Lopetegui, ou terá sido com Juan Carlos Arevalo?). Transmite segurança à defesa, algo que é essencial num guarda-redes.

Outros destaques (+) - O elogio a Brahimi já foi feito acima. Maicon regressou ao 11 em bom plano, mas sabe que tem que manter a consistência exibicional. Oliver foi um dos principais responsáveis pelos primeiros bons 20 minutos, hoje numa nova função, e soltou-se novamente após a entrada de Herrera. De destacar também a entrada de Tello: a sua velocidade consegue sacudir sempre o jogo.





Entre o equilíbrio e o desequilíbrio (-) - Quaresma, Brahimi, Oliver e Quintero de uma só vez no 11, com Casemiro a segurar as pontas. De uma coisa não se pode acusar Lopetegui: preparou uma equipa para atacar, atacar, atacar. Começou por correr bem, com Oliver e Quintero a aparecerem alternadamente entrelinhas, mas quando o Nacional começou a juntar as linhas tornou-se mais complicado. Por vezes tanto Oliver como Quintero baixavam juntos simultaneamente e já não havia o apoio entrelinhas. A transição defensiva ressentiu-se um pouco, mas algo normal para uma equipa que jogou com um meio-campo novo. Se fosse para descansar Herrera teria lançado Evandro, mas nisto há sempre discórdias e opiniões diversas. Se este trio de meio-campo for para ser aposta, precisa de afinações.

Acorda, Alex (-) - Tendo em conta que Angel não pode jogar na Champions, podia ter dia para trocar com Alex Sandro. Lopetegui preferiu o brasileiro... e Alex Sandro não deu a melhor resposta. Lento a reagir, por vezes a segurar demasiado tempo a bola quando sobe pelo flanco, sem tirar bons cruzamentos. Espera-se um pouco mais para quem voltou à Selecção Brasileira. Casemiro hoje não tinha tarefa fácil, pois era o único médio de características defensivas e Gomaa é difícil de controlar, mas para jogar em Bilbao é preciso mais. Não só de Casemiro, mas de todos.



7 comentários:

  1. Brahimi tem magia nos pés. Contratação mais acertada ate agora nao ha. De acordo com a opinião de que deveria ter jogado angel ja que nao joga quarta. Tello sempre que entra põe qualquer defesa em sobresalto mas acho que deveria entrar de inicio em bilbao. Casimiro esta a levar amarelos muito cedo, ontem o adversario nao era um colosso mas com outro (como os lagartos) é perigoso. Esperemos que em bilbau nao aconteça.
    Ab. Continuação e bom trabalho neste belo blog

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  2. Infelizmente, se Danilo continua a subir em flecha, Alex não acompanha essa tendência. Tem tido uma época de altos e baixos, muito abaixo do que fez quando cá chegou na primeira época de titular. Com Ángel à espreita e Rafa na B, com a convocatória à canarinha, perfila-se um candidato a balançar as contas no final da época.

    Depois de Arouca, confirmou-se ontem a tendência: Lopetegui aprendeu, e a transição é agora mais rápida, mais vertical em zonas recuadas e a posse feita em linhas mais avançadas. Casemiro ainda encontrou tempo para um mau passe perigoso, mas o nível de sobressaltos defensivos foi drasticamente reduzido por este pequeno pormaior.

    Nota também para Quaresma: menos refilão, menos efusivo, jogou com a equipa e, muitas vezes, para a equipa. Burro velho aprende línguas afinal.


    AA

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  3. Um jogo de gestão clara, onde se deu ao público a Magia que se pedia, sem prejuízo do resultado, com uma exibição temperada para quarta feira.

    A única preocupação : Alex Sandro, o jogador pendular.

    Parabéns pelo blogue.

    Jorge Vassalo | Porto Universal

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  4. O ALEX é prejudicado pelo facto de Braimi jogar muito pouco (eu diria nada) com o seu lateral.

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  5. Este meio/campo que apresentamos contra o nacional foi dando para o Nacional e outras equipas assim, em jogos em casa.

    Em jogos mais competitivos, jogar com dois "levezinhos" no meio/campo e um deles não defende nada e dura 30m (apesar do talento) não dá.

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  6. Bem observado:
    http://www.reflexaoportista.pt/2014/11/in-dubio-pro-benfica.html

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  7. O Paulo Bizarro merece três dragões de ouro.
    https://www.youtube.com/watch?v=on-YKRocEnQ&index=32&list=PLUj9I77GkKWJ5Mob_boKg56rUkAFhqoSs

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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