quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Parece fácil. Não é

4 jogos, 10 pontos. Aos 12 milhões de euros pela presença na fase de grupos, já se acrescentam 5M€ pela prestação da equipa. Falta um ponto para chegar aos oitavos-de-final, arrecadar mais 5,5M€ e fazer o market pool disparar para valores na ordem dos 4M€. Os objetivos ficarão assim cumpridos para a edição 2015-16 da Champions. Para já, importa bater o Dynamo Kiev. Vencer, pois o FC Porto não sabe jogar para o pontinho. Nem devia.

A um ponto dos 1/8
O FC Porto cumpriu a difícil obrigação. Três vitórias consecutivas na fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que era na dupla-jornada com o Maccabi e na receção ao Dynamo que tudo ficaria decidido. Não ficamos em euforia por ter 9 pontos, sentimo-nos com dever cumprido por ter 10. Há que ganhar ao Dynamo para sentenciar este objetivo da época. Se pudermos ir a Londres discutir o primeiro lugar já com a qualificação assegurada, melhor, até porque todos conhecemos o historial altamente negativo do FC Porto em Inglaterra.

A vitória contra o Maccabi não foi brilhante, mas foi boa, segura, tranquila. Ganhar um jogo fora de casa na Champions merece sempre nota positiva. É sempre difícil, seja em Barcelona ou Borisov, Haifa ou Munique. Que o diga por exemplo Jorge Jesus, que em toda a sua carreira só ganhou 3 jogos fora de casa na Champions, aos colossais Otelul, Anderlecht e Basel. Lopetegui já vai em 4, com uma ida aos 1/4 da Champions pelo meio e mais uma aos 1/8 à distância de um ponto. A carreira do treinador que diz que se for para o estrangeiro vai a uma final da Champions resume-se a uma única passagem de fase de grupos. É caso para dizer: se Lopetegui, sendo mau, já faz mais do que Jesus, que é bom, na Champions, então imaginem se Lopetegui fosse bom. Irony alert, convém apontar.



Danilo Pereira (+) - O jogo em que melhor se entendeu com Rúben Neves. Nem uma falta em todo o jogo, ocupou sempre bem o espaço, mesmo estando muitas vezes desapoiado no momento defensivo. Foi o médio com melhor eficácia de passe (91%), mas não se limitou a jogar simples, como foi exemplo dois excelentes passes a rasgar para Tello e Aboubakar. Exibição completa.

Layún já marca
Laterais (+) - Dos pés de Maxi Pereira e Layún já saíram sete passes para golos esta época. Por esta altura, há um ano, Danilo e Alex Sandro tinham fabricado apenas três golos. Ofensivamente a equipa não perdeu nada. Excelente assistência de Maxi Pereira para André André, antes de um belo golo de Layún, a fazer uso da parte positiva de ter um destro a jogar à esquerda. A grande diferença é que Layún tem rasgo para ser extremo e procurar a baliza - nunca veríamos Fucile, que tantas vezes jogou à esquerda, fazer um golo daqueles, por exemplo. Maxi Pereira não tem culpa do penalty, por ter sido um lance inventado pela equipa de arbitragem, logo defensivamente também estiveram ambos competentes.

André André (+) - O movimento e o cabeceamento no 2x0 é de goleador. Fez a abertura para Tello inaugurar o marcador. Apareceu bem entre linhas, deu espaço para Maxi subir no corredor, ajudou a dar apoio em zona interior, arrancou faltas, pressionou. Mais uma exibição completa de André André. Isto já não é apenas um excelente momento de forma. E ontem até recebemos a boa notícia de que, daqui a uns aninhos, a linhagem dos Andrés poderá ter mais um membro. O FC Porto agradece.

Cristian Tello (+) - Mesmo no seu pior momento de forma, Tello tem um dom: saber onde posicionar-se. Consegue sempre encontrar o espaço vazio onde sabe que pode criar perigo. Quando a bola entra no seu espaço, já se sabe que vai chegar a zona de perigo, mesmo que ele nem sempre tome a melhor decisão. Excelente na desmarcação e finalização do 1x0, muito bem na assistência para Layún. Combinou muito bem com o lateral e respondeu a tudo: à ausência de Brahimi, à presença de Corona no banco e à entrada de Varela. Assim o lugar é dele.



Joga quem rende (+) - Herrera (8M€), Imbula (20M€) e Corona (10,5M€). O FC Porto tinha jogadores mais caros no banco do que o 11 titular. E mesmo que estes três jogadores sejam nomes que o FC Porto tem que valorizar, Lopetegui não obedece a preços ou estatutos. Não estavam bem, deu oportunidades a outros. E quem entrou correspondeu da melhor forma. Assim se obriga o plantel a estar sempre a 100% e em máxima concentração competitiva. Além disso, é de destacar a importância de uma vitória numa equipa - nunca é de mais lembrar - renovada. Tello, contratado em 2014, era o jogador em campo com mais jogos pelo FC Porto, e está longe de ser um veterano.


Ausência de pressão (-/+) - Quando jogamos fora, na Liga dos Campeões, não podem esperar ópera rock (inserir estilo de música favorito). Vencer já é bom. Vencer de forma folgada, melhor ainda. E vencer com absoluta tranquilidade, como o FC Porto o fez, melhor ainda. Ainda assim, há muito a rever, sobretudo a forma como o FC Porto (não) pressionou o Maccabi. O FC Porto deixou uma equipa limitada tecnicamente ter 48% de posse de bola. Podemos assumir que se tratava de uma estratégia, uma vez que Lopetegui saberia que o Maccabi, sendo tecnicamente limitado, podia ter bola mas não criaria perigo. 

Em parte, é verdade. O Maccabi corria pelo corredor central, mas quando chegava à grande área o FC Porto quase sempre resolvia - apesar de Casillas ainda ter sido forçado a algum trabalho. O FC Porto nunca aplicou no seu jogo uma pressão constante, ainda que possa ter entendido que não precisava de o fazer. O FC Porto não teve menos posse de bola do que o habitual (52%) por ter feito transições mais rápidas, mas sim por não ter pressionado tanto o adversário e não ter recuperado tantas bolas.

Ainda assim, de destacar negativamente o distanciamento entre linhas do FC Porto, o que expõe a equipa a riscos que, contra o Dynamo ou Chelsea, terão consequências, e a ineficácia em alguns lances de finalização. Nada impediu a vitória tranquila em Haifa, mas fica a garantia de que contra o Dynamo ou o Chelsea esta estratégia/erros/displicência terá outras consequências. Tempo de pensar no Vit. Setúbal, cuja única derrota esta época foi em casa do Marítimo.


PS: Mariana Cabral apresenta-se assim no Expresso: «Quando disse em casa que queria ser jornalista, o pai, também ele jornalista, levou as mãos à cabeça e proibiu-a.» A avaliar pela sua crónica da vitória do FC Porto em Israel, o paizinho tinha muita razão. O ramo ficava a ganhar. Já agora, menina (visto não poder utilizar o termo jornalista), recordemos lá a matemática da última vez em que o Benfica saiu de Israel. 

Na verdade, a menina tem razão: equipa portuguesa + viagem a Israel = a 3. É matemática. 

7 comentários:

  1. http://expresso.sapo.pt/desporto/2015-11-04-O-professor-Lopetegui-diz-que-e-tudo-muito-dificil-mas-aqui-ninguem-chumba

    Impressionante, que fumas Mariana?

    FCP777

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  2. jogamos bem, podiam ter sido 5 ou 6 , abou e util mas tem que aprender a posicionar se na area tem falhas naif, ficou provado que herrera é um corpo estranho na equipa, em dada altura complicamos muito por culpa das substituiçoes. Boa vitoria, agora com os setubais, os morteirenses e outros tem que jogar nos limites e ganhar e o treinador nao deve inventar.

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  3. 2 Jogos, 2 Pedradas. Missão Cumprida.

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  4. Parece que nao tem nada a ver com o jogo mas ate tem. depois de ver o braga em marselha ficou ainda mais claro que aqueles dois pontos foram tao mal perdidos contra uma equipa arrumadinha mas lenta e quase ineficaz, ficou tambem provado que paulo fonseca nao é realmente um treinador para grandes equipas.

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    1. Bem mas isso cada um tem de falar por si :) A mim Paulo Fonseca prova ser um dos bons treinadores portugueses e que simplesmente chegou ao Porto cedo demais (para ele) e no momento errado (para nós, com um plantel limitado).

      Quanto aos pontos perdidos pelo Braga em Marselha, o jogo nem se devia ter realizado. Lembro que o Porto adiou o jogo com a União "apenas" porque não chegou ao destino na véspera (e com razão). O Braga teve os equipamentos roubados do balneário no próprio dia de jogo e foi obrigado a jogar.

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    2. regulamentos sao regulamentos, nao entendo a justificaçao pro braga.

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  5. concordo por completo com a análise ao jogo. os erros que o Porto cometeu na defesa deixam-me preocupado, já não era altura de se ver tal coisa.

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