sexta-feira, 3 de junho de 2016

As contas do 3º trimestre 2015-16

- A SAD teve proveitos de 57,367M€ até ao momento (leia-se, até 31 de março). Como não houve receitas da UEFA no terceiro trimestre, esta rúbrica aumentou apenas 14,613M€ nos últimos três meses. Destaque para as receitas de publicidade e sponsorização, que quase dobraram no espaço de três meses, para 10,721M€. A barreira dos 13M€ parece estar ao alcance, o que permitirá à SAD tentar bater o recorde de receitas de publicidade em 2015-16.


- No segundo trimestre, o ponto «Outras Prestações de Serviços» tinha rendido 3,903M€. Agora, no 3º trimestre, a SAD indica que rendeu 3,873M€. Tendo em conta que todas as alíneas da rúbrica de proveitos incluem, por norma, os últimos nove meses, e não apenas os últimos três, anote-se a diferença. 

- Os custos com pessoal são praticamente idênticos aos do 3º trimestre de 2014-15, na linha do que estava previsto. A redução de 700 mil euros dever-se-á essencialmente às saídas de Imbula, Tello ou Osvaldo, jogadores que eram dos mais bem pagos no FC Porto, caso contrário a massa salarial seria maior. Quando se mantém a elevada estrutura de custos, perdem-se (ou não se chegam a ganhar) receitas da UEFA e ainda não se gerou as mais-valias necessárias com jogadores, só pode resultar em prejuízos enormes.

- No primeiro trimestre, o FC Porto gastou 17,22M€ em salários. No segundo, 19,578M€. No terceiro, 16,732M€. Para cumprir com os valores que estavam orçamentados, no último trimestre não pode gastar mais do que 15,362M€. 

- Prejuízo de 37,904M€ ao fim do terceiro trimestre. Para cumprir o orçamento, a SAD necessita de apresentar lucro de 1,793M€ no final de junho. Além de haver quase 40M€ para recuperar até 30 de junho, a não sustentabilidade da SAD, que tem mais despesas do que receitas operacionais, implica que será necessário ainda mais para recuperar.


- De lembrar que para cumprir o orçamento a SAD tem que apresentar um resultado líquido de 1,793M€. Já para cumprir o fairplay financeiro, não pode apresentar prejuízos superiores a 8,6M€.

- Tudo depende, como se sabe, da venda de jogadores. O resultado com a venda de transações de passes foi, até ao momento, de 29,989M€. A SAD tinha previsto um resultado de 72,591M€, pelo que a SAD terá que fazer mais 42,6M€ até 30 de junho para chegar a estes valores. Não esquecendo que estavam previstos 27,347M€ de receitas da UEFA, agora situadas nos 11,698M€ (por não ter ido aos 1/8, nem conseguido o apuramento direto para 2016-17). Ou seja, também será necessário cobrir o défice da UEFA.

- Os capitais próprios desceram 37,066M€ desde o início da época, estando agora nos 46,037M€. O ativo está situado nos 336,894M€ (menos 12,786M€) e o passivo nos 290,857M€ (aumento de 14,725M€). Apesar da queda abrupta, a situação de falência técnica está afastada da SAD, essencialmente graças aos efeitos que ainda prevalecem da operação Euroantas. É a única SAD dos três grandes a ter capitais próprios positivos, mas também é a única a ter que lidar com um prejuízo de 40,7M€ em 2013-14 nas contas para o fairplay financeiro.

- A SAD comprou mais 2,5% do passe de Aboubakar por 300 mil euros, tendo agora, à partida, 40% do seu passe. Suk custou 1,5M€, por 70%, e Marega 3,8M€, por 100%. A SAD não discrimina o preço de José Sá e as comissões envolvidas nos reforços de inverno.

-  Os encargos relacionados com aquisições de passes de jogadores aumentaram 1,912M€ comparativamente a janeiro, pelo que aqui poderão estar incluídas as comissões pagas por Suk, Marega e José Sá (neste caso também o preço do guarda-redes).

- O valor total de aquisições para o plantel ascende a 56,045M€, para um total de 13,171M€ de encargos (23,5% de impacto). O segundo maior impacto da SAD, só ultrapassado por 2013-14 (ler mais aqui), curiosamente duas épocas em que o FC Porto acaba no 3º lugar do campeonato. Sempre se pagaram comissões, mas nunca se pagou tanto por tão pouco retorno desportivo.

- No 1º trimestre, a SAD informou que pagou serviços de intermediação a 14 agentes/empresas. No 2º trimestre, manteve 14 entidades, mas com duas alterações: Ricardo Rivera e Pedro Regufe deixaram de estar na lista, e por sua vez entraram a C.B.Nafricatalentssport a Gopro Sport Management. Agora entram: «Vela Management Limited RAMP - Management Group International[,] Jorge António Berlanga Amaya, Team Management, Ricardo Calleri, Onsidefoot Malta Limited». A lista da FPF não ajuda a perceber estas intervenções. Na lista da FPF não há nenhuma operação a envolver Ricardo Calleri ou a Onsidefoot (há apenas menção de intermediação de Fabián Cuero, para o Braga B); da RAMP sabe-se ter estado envolvida em Chidozie, com a novidade de estar associada a uma empresa do universo Doyen; sobra Berlanga Amaya, que negociou Layún e Gudiño, no início da época. Curiosamente, na lista da FPF aparecem intermediários de Marega (Ben Aissa Abdelaziz) e Suk (Paulo Filipe Duarte Dias) que não são mencionados neste R&C da SAD.

- Imbula, conforme previsto, gerou uma mais-valia de 3,867M€. A intermediação foi feita pela Kick International Agency B.V., sociedade próxima de Luciano D'Onofrio. 

- O FC Porto teve proveitos de 2,315M€ com jogadores emprestados, mas contrariamente teve custos de 2,835M€. 

- O FC Porto comprou mais 10% do passe de Hernâni, enquanto esteve emprestado ao Olympiacos. O FC Porto comprou mais 0,5% do passe de Diego Reyes enquanto esteve cedido à Real Sociedad (curiosa a questão dos 0,5% - já tinha sido cedido uma idêntica percentagem aquando da contratação de Otávio). Embora a SAD tenha anunciado a compra de mais 10% de Aboubakar, na lista dos ativos do plantel o avançado continua com 37,5% do passe. 

- O FC Porto informa que deixou de ter qualquer percentagem do passe de Caballero, avançado «alienado a outro Clube ou Sociedade Anónima Desportiva durante a época desportiva 2014/15». Há um ano tinha 70% (quando foi contratado era a 100%, desconhecendo-se a quem e por quanto foram cedidos 30%) e no R&C do primeiro semestre o seu nome não apareceu. Recordemos que Caballero fez capas n'O JOGO como potencial sucessor de Jackson (teve direito a manchetes antes de André Silva) e, há três anos, segundo o seu advogado custaria 365 mil euros por direitos de formação; o caso envolveu um litígio e a FIFA posteriormente deu razão ao FC Porto e declarou que Caballero chegaria «como jogador livre»; mas a SAD pagou 1,53 milhões de euros à sociedade MHD, S.A. Agora, aparentemente, Caballero já não pertence ao FC Porto. E ninguém deu por isso.

- A dívida de 2,125M€ de Fluminense por Walter, que estava intocável há já vários trimestres, já não se encontra na lista de clientes da SAD (entretanto apareceu uma dívida de 0,5 do Atlético Paranaense). O Marselha também deixou a lista de clubes devedores. O FC Porto tem a receber 47,793M€ de outros clubes no prazo de um ano; e mais 9,623M€ em prazo não corrente, por Alex Sandro e Imbula. Apareceu uma dívida de 300 mil euros da Real Sociedad, possivelmente por Diego Reyes. A dívida do São Paulo é a mesma que no final de dezembro, o que indicia que Maicon terá sido emprestado sem encargos. A rúbrica de Fornecedores não aparece no R&C (em dezembro a SAD devia 41,846M€ a outros clubes).


- No final de março, esta era a situação da SAD no dinheiro em caixa:

- Nos empréstimos bancários, a dívida total reduziu de 170M€ para 158,48M€. A dívida corrente baixou mais de 11M€, enquanto a não corrente manteve quase inalterável.  A taxa média anual aumentou de 5,79% para 6,07%.

- A SAD já começou a recorrer às receitas de patrocínios da MEO/PT, tendo já hipotecado as da época 2015-16 e 2016-17. Isto devido a um empréstimo de 7,45M€ feito no mês de março com o Banco BIC, que vence em julho de 2017 e será amortizado mensalmente a partir de 1 de agosto. 

- A dívida de 10,5M€ ao Banco Carregosa, que tinha sido aberta em outubro de 2015 e tinha data de vencimento em outubro de 2017, já foi toda paga, pois o passe de Imbula estava penhorado. Como Imbula já foi vendido, a dívida já foi paga. A redução da dívida bancária do FC Porto deve-se então essencialmente à saída de Imbula. 

- Já não há Letras Descontadas na SAD, após terem sido pagos 5M€ ao Montepio, pelos direitos televisivos a receber da PPTV. Faltam 10,1M€ para acabar de pagar o Estádio do Dragão, o que está previsto para 2018.

O R&C final da época 2015-16 será conhecido em outubro.

14 comentários:

  1. Como sempre, excelente o esclarecimento do RC, pena a SAD não ter a mesma transparência.

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    1. O TD pega nas contas publicadas pela SAD, limita-se a resumi-las e organiza-las e é mais transparente que a SAD?

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  2. É minha impressão ou o nosso estado financeiro nem com as receitas da MEO se vai equilibrar?

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  3. Porque razão Casillas não tem qualquer referencia nos passes detidos do Fc Porto?

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  4. Com que jogadores se vai fazer mais de 50 milhões líquidos, em 26 dias?

    Parece-me uma missão impossível, pois o plantel inteiro desvalorizado e a maioria dos passes não são detidos a 100%. E mesmo que ultrapassem os 50 milhões isso vai inevitavelmente criar um enorme buraco num plantel já muito limitado.

    Os próximos 26 dias vão colocar à prova a destreza negocial da SAD...

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    1. Por Herrera já ofereceram 20M, o FC Porto pede 25. Brahimi facilmente vendem por 30M. Só aí estão os 50M. O problema é que é preciso mais do que isso.
      Só espero que Danilo e Rúben Neves continuem pelo menos mais uma época

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    2. O problema é que o FCP só tem 80% do Herrera e 50% do Brahimi. Mas nem 50M líquidos chegam.

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  5. Caro Tribunal,

    O valor do RLC não é uma surpresa. Mas, claro, não deixa de ser preocupante.

    Evidentemente que há rumores suficientes nas publicações dos jornais para cobrir este valor. Mas também é verdade que há números que irritam de forma consecutiva. Estou algo surpreendido pelo "controlo" dos custos com pessoal, mas gastar quase 2M€ em encargos com as aquisições de inverno é um abuso!

    De toda a forma, é um enorme buraco que limitará os movimentos da SAD e afectará sempre as probabilidades de sucesso na próxima temporada. Primeiro, pelo que temos de vender já. Depois, por aquilo que não podemos comprar já.

    Por isso, deixo aqui duas questões, para as quais não tenho resposta. Se bem entendi, a SAD detem 50% da EuroAntas. Mas detem o controlo? E, se não tem, existe alguma limite nos estatutos que não permita nova transacção?

    Questão extra: o José Sá custou 800 mil€?

    Um abraço,

    Porta 26, em blogporta26.blogspot.pt

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  6. O José Sá deve ter custado uma ninharia e, curiosamente, o Marega uma fortuna. Só um deles passou pela formação do Benfica (2010/11), que teria a receber pelos direitos de formação. Não me parece que os valores tenham sido escolhidos à sorte...

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  7. "as comissões pagas por Suk, Marega e José Sá"

    não é o clube vendedor que paga as comissões? logo não é o FCP. O Porto pode ter pago prémios além do valor da transferência.

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    1. Tempos houve em que só o clube vendedor pagava comissões, de facto. Tempos houve.

      Já não é o caso. Basta consultar os documentos acima citados.

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  8. Então, 42 mais os 16 que faltam de receitas Uefa...Temos que fazer 58M em mais valias até 30 de Juho, certo?

    Assim vai ser difícil manter o Danilo..(ou o RN).

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  9. Fazer sensivelmente 58M em vendas até ao fim do mês quando se detém 40, 50 e 60% dos passes parece missão impossível!!!

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  10. Amigos: desculpem mas a observação que fazem sobre o Capital Próprio está errada. Embora seja um valor positivo, não atinge os 50% do Capital Social. Assim, embora seja um conceito meramente contabilístico, a Sad está na situação de Falência Técnica.
    Eu também não reparei logo porque nas notas resumidas que saíram não se referiram a isso. Só nas Contas Consolidadas, dei por ela.
    Gosto muito do Tribunal do Dragão. Gostava que no próximo dia 11 houvesse espaço para abordar estes temas... mas duvido.
    Abraço

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