segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Do projecto Visão 611 a Pablo Sanz Iniesta

Como se avalia o sucesso de um projecto? Perguntando aos protagonistas que benefícios dele tiraram. Não os que criaram o projecto, mas aqueles para os quais o projecto foi destinado. Uma pergunta: quantos miúdos da formação do FC Porto gabaram o projecto Visão 611? Alguma vez se ouviu algum elogio ou reconhecimento de intervenientes? Quantos disseram «o projecto Visão 611 foi muito bom para mim»?

Do projecto Visão 611 muito se falou e pouco se soube concretamente. Acima de tudo, era um projecto de formação. E pensar que nesse período não houve um único jogador da formação a afirmar-se na equipa principal (Castro foi quem mais perto esteve disso) é automaticamente condenar o projecto ao insucesso. Mas houve mais além disso.
Falta qualidade ou
não há aproveitamento?

O projecto Visão 611 trouxe treinadores estrangeiros, da escola holandesa, e assumiu que tinha como objectivo a especialização nos processos de treino. Não treinar apenas um plantel, mas treinar defesas, treinar médios, treinar avançados, potenciando individualmente as características de cada um. Aos poucos, os holandeses foram-se evaporando. Pepijn Ljnders foi o último a sair.

«Rendimento, desenvolvimento e recrutamento» foram as 3 palavras-chave. Rendimento e desenvolvimento é praticamente o mesmo, pois só rende quem desenvolve. Quanto ao recrutamento, com o projecto Visão 611 o FC Porto abriu portas a um maior número de jovens estrangeiros para os quadros da formação. Abdoulaye e Atsu talvez tenham sido os mais bem sucedidos - e se não o foram, é mesmo uma prova de que não houve sucesso adjacente a esta aposta.

Em 2009, as equipas de sub-13 e sub-14 eram apresentadas como a primeira grande aposta no Vitalis Park. Da equipa de sub-13, não resta nenhum jogador nos quadros do FC Porto. Da restante, resistem Andorinha, Verdasca (que ainda passou pelo Boavista), Rui Moreira, Cléver e Macedo. Se os alicerces já começaram a falhar, o projecto dificilmente resistiria. Qual o problema? Qualidade insuficiente ou qualidade que não foi aproveitada no tempo devido?

Em termos de logística, o projecto Visão 611 trouxe algumas melhorias. Foram melhoradas infraestruturas, a ponte escola-FC Porto foi facilitada (na última época, cinco jogadores da equipa B entraram no ensino superior). Não há muito mais a destacar. Luís Castro, sem qualquer currículo ou ligação ao FC Porto que o recomendasse para a função, foi o escolhido para liderar o projecto, que foi um fracasso não assumido por ninguém. 

Que trouxe Luís
Castro ao FC Porto?
Antero Henrique idealizou o projecto: correu tão bem que depois até admitiu que não poderíamos abdicar de ter a melhor equipa para ter a melhor formação, quando a única coisa que se pedia era um equilíbrio. O FC Porto perspectivava que, em 2011, teria 6 jogadores formados no clube na equipa principal. Hoje não temos nenhum, apenas o menino Rúben Neves, que só está na equipa principal porque Lopetegui viu o que quem coordena a formação nunca conseguiu ver (já lá vamos).

Podem dizer, e com certa razão, que não é com o Hugo Ventura, o Ukra, o Vieirinha, o André Pinto, o Rui Pedro ou o Hélder Barbosa que o FC Porto ia ter uma equipa digna de Champions. Tudo bem, mas a crítica não é essa. A critica passa pelo investimento que foi feito em punhados de estrangeiros, desde a criação do projecto Visão 611, que não eram em parte nenhuma melhor do que estes nomes referidos. Não há crítica nenhuma à contratação de estrangeiros, mas há que seguir um princípio: se vem de fora, tem que ser melhor do que os que já cá estão. Esta lei tem sido ignorada no FC Porto, que não olha para o que tem dentro de casa antes de ir buscar lá fora.

Não há um antes e um depois no FC Porto com o projecto Visão 611, e esta é a maior prova de que foram cinco anos de muita teoria e expectativa mas de pouco proveito.

Desde 2011, silêncio total. O projecto Visão 611 tornou-se um tabu. Foi apresentado com pompa e circunstância, abriu portas até a reportagens de imprensa estrangeira, mas na hora do balanço nada foi apresentado. Nos últimos 3 anos, nada se ouviu. Até que um tipo espanhol, de 47 anos, sem qualquer ligação ao FC Porto até há dois pares de meses, decidiu aparecer e dizer: vamos mudar a formação do FC Porto. Vamos reestruturá-la e aproveitá-la.

O clube com a melhor formação

Qual é o clube português com a melhor formação? Esta pergunta tende a ser respondida com influência clubística, mas por norma o Sporting é a resposta mais dominante. E pergunto: porque é que é o Sporting a ter a melhor formação?

A qualidade de uma formação pode ser distinguida com dois princípios: ou uma equipa jovem a ganhar sucessivamente nos respectivos escalões, ou a lançar jogadores para a equipa principal, ajudando-a a conseguir os seus objectivos.

Um bom exemplo
No que toca aos resultados desportivos, o FC Porto é o clube português com mais títulos na formação, entre juniores A, B e C, os 3 principais escalões. O FC Porto tem 54 títulos, o Benfica 47 e o Sporting 38. Então vamos ao outro lado da balança: lançar jogadores da formação na equipa A.

Diz-se que a Academia de Alcochete é uma das melhores do mundo. Um tanto ousado, tendo em conta que desde que foi inaugurada o Sporting não foi uma única vez campeão e até deu para estar 6 anos fora da Liga dos Campeões. Nenhum clube tem uma formação de sucesso se essa formação não ajuda a equipa A a chegar a títulos. Nani foi o único jogador a ser vendido acima de 20 milhões de euros, e era um extremo. O FC Porto fez mais com 2 centrais (Bruno Alves e Ricardo Carvalho).

O Sporting é quem mais jogadores lança na equipa A, mas não ganha mais títulos do que o FC Porto nos escalões jovens; não vende os jogadores da Academia a preços mais altos do que o FC Porto; e não ganha títulos recorrendo aos miúdos da formação.

Portanto, se o FC Porto não é reconhecido como o clube com a melhor formação em Portugal, não é por o Sporting ser superior em parte alguma. É sim porque a matéria prima não está a ser espremida, aproveitada, potenciada. No último fim-de-semana vimos Kayembé, um extremo, jogar a lateral-esquerdo, deixando no banco o melhor lateral do Europeu de sub-19 (Rafa). Se temos um dos melhores laterais jovens europeus, que sentido faz jogar com um extremo adaptado? É preciso nortear a formação, e em boa hora Lopetegui apareceu.

A escolha de Lopetegui

Não há clube nenhum na Europa que tenha como responsável/coordenador da formação o mesmo treinador de uma equipa secundária. O FC Porto, com Luís Castro, era o único. Felizmente, surgiu a boa notícia de que o FC Porto vai passar a ter um responsável por coordenar toda a formação, dos benjamins aos sub-17. De Pablo Sanz Iniesta sabe-se o essencial: é um homem de confiança de Lopetegui.

Lopetegui não chegou ao FC Porto apenas com um plano para ser campeão em 2014-15, chegou sobretudo com um projecto para as próximas três épocas. Lopetegui fez vários pedidos de ataque ao mercado, mas dá provas de que também é um treinador para apostar na formação: não só ao lançar Rúben Neves como ao reprovar que não houvesse um profissional 100% dedicado a coordenar a formação.

Pablo Sanz Iniesta
tenta inverter o rumo
Luís Castro não é, nunca foi e dificilmente virá a ser um homem da formação. Pinto da Costa decidiu dar-lhe um contrato válido por três épocas, onde ia acumular a equipa B com a coordenação dos escalões jovens. Três meses depois, Pinto da Costa passa a pasta da coordenação da formação a um desconhecido. O efeito Lopetegui explica esta grande mudança e alerta Luís Castro: está sujeito exclusivamente ao seu trabalho na B, como esteve Rui Gomes.

No ano passado conseguiu estar na luta pelo título na segunda liga, mas contava com o importante apoio de jogadores da equipa A. Este ano, a equipa B vai ser praticamente uma formação de sub-20. Isto implica que é preciso algum tempo e paciência, mas quem vê Rafa no banco em detrimento de Kayembé tem toda a legitimidade para encolher os ombros e estender os braços.

E com isto chegamos a Rúben Neves: não foi nos últimos 2 meses que aprendeu a jogar futebol. Nos sub-17 já se destacava e comprovava estar num nível superior. Então, como justificar que Rúben Neves não tenha tido uma única oportunidade para jogar nos juniores ou na equipa B no último ano?

Há quem defenda que «os jogadores têm que ir queimado etapas, com calma». Mas qual queimar etapas!? Não há maior estímulo competitivo do que ser testado num nível superior! O que valeu de mais a Rúben Neves? O jogo contra o Marítimo ou 10 jogos nos sub-19 a jogar contra carradas de miúdos que nunca chegarão a profissionais? Os jogadores não evoluem num meio onde já são os melhores, mas sim rodeados de adversários com mais estatuto e rodagem do que eles. Os sub-17 têm que jogar, sem medo, nos sub-19; e os sub-19, mesmo de primeiro ano, podem e devem jogar na B, sobretudo tendo em conta que este ano vão cumprir mais de 50 jogos; e a equipa principal pode e deve, sobretudo na Taça da Liga, lançar os outros Rúbens Neves que tem no plantel.

Sim, porque há mais na formação do FC Porto. Pena é que para cada Rúben Neves da formação não tenha havido um Lopetegui antes. O futuro, felizmente, parece querer mudar para mejor.

Gracias, Lopetegui.

27 comentários:

  1. Lopetegui parece ser muito mais do que um treinador.

    Não sei se manager será o termo correto, mas já o tínhamos visto a tratar pessoalmente dos dossiers das contratações, até a entregar o treino ao adjunto para ficar no gabinete a tratar desses assuntos. Sabe-se que foi ele quem contactou diretamente com todos os reforços por ele escolhidos e até com alguns que não puderam vir (como Illarramendi). E agora é ele que escolhe quem coordena os miúdos de uma formação que ele já viu poder ter diamantes escondidos, diamantes do tipo Rúben Neves.

    Este papel e influência nas contratações e em todo o planeamento não tínhamos visto antes com os anteriores treinadores. Fosse por imposição da direção, fosse por incapacidade dos treinadores, não era assim que funcionava (pelo menos que transparecesse) com Paulo Fonseca, Vítor Pereira, AVB, Jesualdo, etc etc.

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  2. Estou cada vez mais feliz com este Porto! Contra a ideia da "armada espanhola", percebe-se agora que se está a re-estruturar o Porto para o devolver aos Portistas - aqueles que jogam pelo emblema! E isso só podem ser boas notícias!

    Já tinha um bom feeling de Lopetegui, mas agora estou super feliz! E atenção! Não sou resultadista! Isto tem a haver com um projecto, não se somos ou não Campeões este ano!

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  3. Mas também é preciso entender que o nível competitivo do nosso clube subiu muito nos últimos anos, tal como os orçamentos. É mais difícil ter lugar no nosso plantel e sinceramente não vejo um único dispensado da formação com custo de oportunidade inferior aos jogadores que foram integrando o nosso plantel...

    Não é ao nível sénior que está o problema...

    Nunca soubemos sistematizar a formação, salvo nos centrais que era uma coisa quase instintiva, quase uma testemunho que se ia passando. Nos avançados também ainda vamos sacando uns coelhos da cartola...

    (Usei como indicador de sucesso de formação em Portugal os lugares de centrais e avançados, a presença na selecção nacional...)

    De resto, o tema é para mim muito simples: nunca ouvi de Pinto da Costa ou Pedroto uma ideia sobre a formação... Mesmo Vitor Frade...

    De resto, só mesmo Mourinho, Ilidio Vale e Adriianse foram os que mais pensaram sobre o assunto, mas tudo muito passageiro.

    Excelente o que Lopetegui está a fazer, um verdadeira revolução, de cima a baixo...

    Mas se calha de ter sucesso, vai embora e voltamos ao mesmo... Aqui é está o cerne do problema...

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    1. No tempo do Pedroto não era preciso ter "ideias" sobre a formação: ela existia e era aproveitada. Nos nove anos em que ele foi treinador do FCP, o plantel principal utilizou numerosíssimos jogadores vindos dos juniores, entre os quais Pavão, Rolando, Nóbrega, Rui, Gabriel, Gomes, Oliveira, Jaime Magalhães, Rodolfo, João Pinto. Só citei os melhores, porque esses, mesmo hoje, teriam lugar no plantel, acompanhamdo, portanto, a subida do nível competitivo. Quanto ao custo de oportunidade, mesmo considerando que os Paulos Machados, Vieirinhas, Castros, Ucras, Josués e Hélder Barbosas não eram craques de primeiro plano, acho que serviam tão bem para integrar o plantel - mesmo não sendo titulares - como os Predigers, Tomás Costas, Ezequias, Linos, Léo Limas, Mareques, Benitez, Renterias, Souzas e Balotellis deste mundo. Não é preciso comparar os jogadores da formação com os Luchos, Lisandros e James.

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  4. No meio destas boas noticias, so nao percebo como Luis Castro ainda se pode manter em funcoes. Ele e claramente um treinador fraco, de pouco conhecimento tactico, especialmente sobre futebol moderno.
    Precisamos que a equipa B jogue pelos mesmos principios que a A, da mesma maneira que no Barcelona ou Ajax em que toda a formacao esta feita a pensar nos modelos de jogo da equipa principal. E isso nao se vai fazer com um treinador como Luis Castro.
    Vao buscar um Fernando Valente (Aves) ou um jovem licenciado na area do desporto que realmente tenha estudado o que significa o futebol hoje em dia e perceba o que LOpetegui quer implementar. E no futuro, teremos formacao em vez dos emprestimos... Simples...

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    1. O problema de adoptar na equipa B os mesmos princípios que na A é que em Portugal não é Inglaterra, e os treinadores mudam frequentemente, o que implicaria uma mudança constante desses princípios - ou então só se contratava treinadores com os mesmos princípios, o que não é nada fácil.

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    2. Isso e verdade, mas tb e verdade que ha escolas de pensamento em termos de estilos de jogo e que ha muitos treinadores que seguem um tipo de escola (principios), por isso desde que se identifique quais os principios que o nosso clube se quer identificar com em termos futebolisticos, havera uma grande lista de treinadores que podem entrar e sair sem problemas...
      Por exemplo, no Barcelona, enquanto que o argentino que esteve la no ano passado (Tata?) nao seguia os mesmos principios, tanto Guardiola, Vilanova e Luis Enrique se regem pelas mesmas ideias

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    3. a selecção da Bélgica não está como está por acaso. Os escalões mais jovens da selecção passaram por este processo (mesma táctica) e nos principais clubes também houve um esforço por passar a incluir médios mais criativos nas tácticas. Isto fez com que "de repente", aparecessem vários jogadores mais tecnicistas, em função da táctica obrigar a desenvolver essas aptidões.

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  5. Excelente crónica. Tudo bem explicado.

    Venham mais.

    É bom saber que se tenta devolver o FC Porto aos seus e aos portugueses, com qualidade.

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  6. mas que grande prosa!
    excelente! é que não faltou nenhum dado para ser analisado, de forma objectiva, concisa e numa perspectiva optimista e de crítica positiva.

    abr@ço
    Miguel | Tomo II

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  7. Subscrevo tudo o que escrito. Apenas pergunto se Lopetegui tiver muito sucesso e for embora como é que fica a formação? "Esquecida" novamente?

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  8. Atirar com as culpas todas (como muitos fazem) para cima de Luis Castro também não me parece correcto. Alguém tem que ser responsabilizado pelos talentos (ou prováveis talentos) que saíram do clube porque simplesmente ninguém os achava merecedores de contrato, para depois se descobrir que afinal não era bem assim...

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  9. Muito bom TdD e é uma das coisa que mais me confundia.. como é que um projecto como o 611 com tanto mediatismo, não tem uma apresentação bi-anual ou tri-anual de resultados baseada em linhas traçadas?

    Fez-se um projecto, investiu-se capital e na hora de analisar resultados, tirar ilações e responsabilizar sucessos/falhanços nada? nickles? batatoídes?

    Eu já tinha dito noutro post.. não se pode pedir a um treinador novo que aposte na formação, pois ele nem está familiarizado com os jogadores dos escalões mais baixos (a nível de treino, qualidade, processos, etc...) e quando tem de pensar em vencer , entrar numa Liga dos Campeões e ser competitivo.

    Agora se Lopetegui cá estiver para o ano e assim o desejo e o espero, acredito que as coisas já estarão mais cimentadas para isso acontecer e esta notícia é o topo na cereja do bolo.

    Vamos ver como tudo isto se vai desenrolar

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  10. A crónica é tendenciosa, usa alguns argumentos falsos e deturpa outros para provar as suas convicções. Apenas um exemplo: Rúben Neves é da tal geração Sub-13 da qual "não resta nenhum jogador nos quadros do FC Porto", assim como Mata, Bruno Costa, Zé Pedro, Jorge, Sandro, Fernando e Tiago Couto também o eram. De Sub-14 há ainda Sérgio Ribeiro, Rui Silva e Tomás Mota (que chegou em 2009). Mas era mais conveniente para provar um ponto dizer que "os alicerces já começaram a falhar", quando esses alicerces são ainda a base da nossa equipa Sub-19. Ou como supostamente foi o LC a decidir meter o Kayembe a defesa-esquerdo: quando sabemos que foi o Lopetegui que apostou nele nessa posição e o Luis Castro treinou o Kayembe toda a época anterior colocando-o a extremo - e o Rafa a lateral.

    Haveria mais a dizer, mas com quem cobardemente usa o anonimato para proferir falsidades e avançar os seus próprios interesses pessoais é dificil haver debate. Mas fica a nota que há imensos erros de facto nesta crónica.

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    1. Parabéns por não ter contrariado a regra.

      Sim, quando o que há a apontar à mensagem, e que resumidamente é, o Visão611 foi um fiasco que alguns tentam varrer discretamente para debaixo do tapete, é pouco ou quase nada, ataca-se de forma torpe e vil o mensageiro.

      Pelo menos, teve o condão de certificar o acerto e a bondade das críticas, caso contrário, não teria ripostado com tão fátuo fogo.
      Bem-haja

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  11. Já muitas vezes tive essa discussão sobre a "melhor formação" com calimeros. São os melhores porquê? Porque jogam com miúdos que só ganham campeonatos noutros lados (Moutinho, só no dragão serás campeão...)? Que saem por tuta e meia? Ou para dizer "a seleção joga com X ou Y da nossa formação", e depois os resultados serem uma desgraça (voltem baía, jorge costa, ricardo carvalho, deco, rui costa, pauleta, paulo sousa, etc etc)
    A melhor formação tem de conjugar o lançamento de miudos na equipa A com resultados desportivos e financeiros. Senão, não é a melhor formação, é apenas e só uma forma de dizer "jogamos com miudos porque não temos dinheiro para melhor" e depois utiliza-se essa mesma desculpa como forma de legitimar as sucessivas derrotas (discurso à Paulo Bento).
    A confiança na formação é tanta que depois de um ano de relativo sucesso (para eles o segundo lugar equivale a um título, aparentemente), começaram a importar contentores de estrangeiros de qualidade duvidosa: tanaka, rabia, gauld.

    Passando ao que interessa, obviamente que existem épocas em que as oportunidades para os miúdos são maiores ou menores, depende muito do rendimento dos jogadores do plantel principal; não percebo é muitas vezes a ânsia de contratar só por contratar. Em meu entender, faz falta sim um substituto para o Jackson (é um posição específica, está sobre os holofotes, a pressão pesa e não podemos lá meter o André Silva ou o Gonçalo a carregar com todo esse peso); mas para outras posições, menos "estrelares", médio centro, médio defensivo, lateral, em que o erro ou a falta de golos não se faça notar de forma tão evidente, obviamente não é necessário ter três internacionais AA por posição. Lateral direito? Danilo e Opare. ok, mas porque não o David Bruno, indo ao mercado quando e se o Danilo sair? Na esquerda, a mesma lógica com o Alex Sandro e o Rafa. Porque não o Ivo a 4 extremo?

    Luis Castro:
    Se tem culpa, será resultado das suas próprias limitações, e a elas devemos circunscrever as nossa críticas. Devemos apontar sim para quem o mantém no lugar e/ou em funções para as quais não demonstra competência.
    Até porque, que treinador nosso, nos últimos 15/20 anos, apostou consistentemente na prata da casa? Desde Bobby Robson e depois o Oliveira, que lançou alguns jovens (Hilário, Romeu, Costa...), com diferentes graus de sucesso, o último treinador a apostar com sucesso num jovem foi ... Octávio, com o Postiga, Ricardo Carvalho e provavelmente mais um ou outro que não me recordo.
    De resto apenas esporadicamente, o Couceiro por exemplo ia lançando jovens, mas numa época desastrada. O Mourinho jogou com muitos portugueses sim, muitos já consagrados, outros já lançados, mas não apostou na formação.

    Tem sido mais importante desenvolver e apostar noutros activos, rentabilizar, para assegurar um retorno: James, Falcao, Lisando, Lucho, Pepe, etc...

    E isto, para dizer uma coisa, o mais importanto, apesar de gostar muito de ver miudos da formação a jogar na A, é ganhar desportivamente para assegurar retorno financeiro e voltar a vencer. Com miudos, seja com senegaleses, espanhóis ou indianos. E nós temos tido resultados...

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  12. Caro Tribunal Dragão, espero que tenha razão! Mas temo que ao primeiro desaire, comecem os profetas da desgraça...
    Pequeno aparte, ainda mantém que haverá ida para o Valencia lá em baixo? Parece-me que emperrou...
    Com estes dias loucos, Jackson é para ficar? Pelo menos este ano...
    Quanto ao jogador Clasie, se querem 12 M, parece-me loucura e prioridade devia ser um suplente a Jackson! Nenhum rumor nesse sentido?
    Varela o fcp só aceita 10m? Ou algo mais....
    Obrigado pelo esforço em informar os adeptos do Fcp! Recorrer aos jornais, é tempo perdido....

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  13. Mais uma vez, muito bom artigo, como nos tem habituado.

    Só gostaria de fazer um reparo, o primeiro a lançar o Kayembé como lateral esquerdo, foi o Lopetegui durante a pré-época. Eu defendo que nenhum jogador tem uma posição específica, o que um jogador tem são características que podem fazer dele um bom ponta de lança, um bom defesa central, etc... Ele ter jogado nessa posição não poderá significar que o Lopetegui viu nele boas caracteristicas para ele fazer a posição de defesa esquerdo e terá dado ordens para que ele fosse jogando nessa posição?

    Saudações Dragonianas!

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    1. Um pormenor. O Kayembe jogou 30 minutos a lateral contra o Venlo por não haver outra opção para essa posição. Lopetegui não tinha, sei lá, o melhor lateral-esquerdo sub-19 para lançar como alternativa ao Alex Sandro.

      Além de que as circunstâncias em que o Kayembe fez essa posição foram específicas, pois trava-se de um jogo em que o FC Porto jogava balanceado para o ataque, instalado no meio-campo adversário. Não havia qualquer preocupação defensiva. Aliás, segundo os relatos de quem esteve na Holanda e também de quem viu o jogo contra o Valadares, o FC Porto acaba com 3 defesas.

      Foi uma adaptação de recurso, não uma redefinição do jogador.

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    2. E eu pergunto... supondo que Rafa estaria em subcarga de jogos e que por isso foi poupado (vamos lá supor), será que nos Sub-19 não estará um defesa esquerdo para ser testado na B?

      Ou ainda.. será que o Braima Candé, não poderia ter jogado adaptado a DE? Ou o David Bruno na esquerda o Candé na direita?

      Enfim...

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  14. Um bom educador de infância tem de gostar de crianças...
    Um bom treinador da formação tem de ser um bom... educador de infância. Luís Castro não é, nunca foi e jamais será!
    Quierem exemplos? Jesualdfo Ferreira, Carlos Queirós, Agostinho Oliveira...
    Mas infelizmente hoje em dia é tudo formado pelo ISEF..

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  15. Excelente mesmo...grande reflexão e muitas verdades, as conclusões quando não são aquelas que queriamos ficam sempre na gevetinha. So quero salientar duas coisas " so se deve ir ao estrangeiro buscar um jovem para a formação se ele for melhor que os nossos...."
    Em portugal não existe a "Tal Ponte entre o futebol de formação e as escola (estudos)....." .A formação nao è so da responsabilidade dos clubes grandes, para aparecer jovems de qualidade temos de organisar formação de base em Portugal . Temos de organisar a "PONTE entre os estudos e o futebol " . A tanto a fazer ......
    A formação não è so ganhar TITULOS nas camadas jovems ......mas sim formar jogadores para serem utilisados no futebol de Competição....

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  16. Boa reflexão, apenas acrescento alguns dados: FC Paços de Ferreira assinou contrato profissional com: GR Marco, Extremo Barnes, Médio Ofensivo Andrézinho, e ainda junior integrado no plantel profissional Diogo Jota! (todos ex. juniores, que se saiba e que é publico), Académica também assinou com alguns assim como Guimarães e Braga! Secalhar deviam olhar mais para a qualidade no próprio país, de jogadores e de treinadores, tal como coordenadores, pois os resultados estão à vista... Também podemos ter em conta a qualidade nas seleções mais jovens!
    Cumprimentos
    Zico

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  17. Sérgio Bessa Avelar21 de agosto de 2014 às 15:58

    Boa tarde,

    Sou, de há uns anos a esta parte, leitor assíduo da BLUEgosfera (sigo cerca de 9...) e de mais 3 blogues sobre futebol. Não conhecia otribunaldodragao mas hoje, graças ao possedebola, vim cá parar e tive uma belíssima surpresa. Grande texto, Parabéns! Irei aparecer mais vezes por aqui.

    Cumprimentos,

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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