domingo, 19 de abril de 2015

À espera que o risco compense

Hernâni decisivo
Vamos à faca de dois legumes do Pacheco. Colocar em campo um 11 declaradamente constituído por suplentes (neste caso que não jogarão na terça-feira) tem sempre um duplo efeito. Como vantagem, a oportunidade de quem joga aproveitar para mostrar serviço e dizer presente aos titulares, mostrando ao treinador que podem contar com ele. Por outro lado, joga um 11 com poucas rotinas, entrosamento, neste caso com uma nova dinâmica, em que os jogadores nem sempre conseguem mostrar o seu melhor nestas circunstâncias.

Mas os adeptos, mesmo que não o saibam, não têm nem nunca tiveram nada contra a rotatividade. O problema não é a rotatividade, são os possíveis maus resultados. E é verdade que uma equipa com menor estabilidade é mais susceptível a falhar em momentos cruciais.

Lopetegui disse claramente «estamos a pensar no Bayern e no Benfica». Foi essa a mensagem ao plantel, aos adeptos, aos adversários. Foi um risco de Lopetegui, embora o 11 em campo tivesse mais do que obrigação que ganhar um jogo em casa à Académica. E esse objectivo foi conseguido e era possível ter obtido um resultado mais volumoso, embora a equipa tivesse tremido como poucas vezes acontece no Dragão: deixámos a Académica atacar 16 vezes, rematar 8, ter 2 grandes ocasiões de golo. Mas o teste no final foi superado, é a 12ª vitória consecutiva no Dragão, com apenas 3 golos sofridos, e o plantel está preparado para a difícil semana que aí vem. A antevisão aos 2 jogos será feita a seu tempo.





Hernâni (+) - Muitas vezes a sua cabeça imagina coisas que os pés não conseguem fazer, o que o leva a perder lances que precisa de aprender a encarar com objectividade e simplicidade, e tem que aprender a jogar em zonas mais interiores. Mas a sua velocidade, capacidade de jogar em profundidade e a forma como disputa as bolas divididas (dois lances em que vai ao chão, levanta-se, ganha ao defesa e faz a assistência) são mais-valias. Num daqueles dias em que o guarda-redes, por mais limitado que seja, parece decidido em brilhar contra um grande (até Hernâni só marcou na recarga), foi decisivo.

Rúben e Evandro (+) - Elegância, precisão, dinâmica. Em dose de dupla. Nenhum deles tem a dimensão física de Casemiro, a verticalidade de Herrera e o virtuosismo de Óliver, o que explica que este trio seja o preferido de Lopetegui. Mas nenhum deves fica a dever muito quando é chamado. Nem melhor nem pior, diferentes. Rúben Neves tem a mais invulgar precisão e variação de passe que podemos conhecer num rapaz de 18 anos. E Evandro, inteligentíssimo, segura a bola como poucos, distribui com critério e dá sempre a dinâmica certa à equipa. Estiveram ontem no Dragão, podiam estar terça-feira em Munique.





Quintero (-) - O FC Porto ainda não sabe o que fazer ao seu talento. Mas o pior que tudo, Quintero também não. Surge a jogar a partir da linha, onde não tem a capacidade de explosão para criar desequilíbrios e mais facilmente se esconde do jogo. Quando a bola chega aos seus pés, é capaz do melhor passe. Mas o problema é a incapacidade de Quintero em descobrir a bola. A jogar nesta função, dificilmente se afirmará. Mas o problema é que ao fim de 30 minutos já está ofegante e não tem a capacidade física, a todos os níveis, para ser o terceiro médio de um 4x3x3. Não há nenhum adepto que não conheça o seu talento. Mas também já não deve haver nenhum que não tema por ver tanto potencial em corda bamba. Urge resolver no fim da época o que fazer a/com Quintero.

Desacerto a rever (-) - Aboubakar em novas funções. Foi sempre o apoio para um ataque que não tinha referência (faria mais sentido num 4x4x2), com interessantes movimentações fora da grande área e a abertura que deu o 1x0. Mas na hora de finalizar, foi demasiado perdulário. Neste caso não era preciso ser Jackson, era preciso ser eficaz (algo que nem Jackson o foi). Ricardo e Reyes, num jogo em que não devia ser necessário fazer muito defensivamente, cometeram lapsos que diante de um Bayern custarão caro. Porque uma coisa é apanhar Rafael Lopes e o grande portista Ivanildo, outra é levar com Lewandowski ou Müller em cima. E a equipa, colectivamente, apesar de ter criado cerca de 10 situações de finalização, deixou a Académica ameaçar muito com pouco. Um risco inerente ao risco de Lopetegui assumiu.

12 comentários:

  1. Achas possível ir a Munique com um Rúben Neves a defesa direito?
    Ou achas que será mesmo o Ricardo a cumprir essa função?

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    1. O melhor é recuar o Herrera para o lado direito ficando o Maicon a fazer a dobra pondo à frente dos centrais o Ruben Neves juntamente com o Casimiro. Martins indi do lado esquerdo.

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    2. Opare foi emprestado numa demonstração de confiança em Ricardo para ser a primeira alternativa ao lugar e é sempre ele que tem sido chamado quando Danilo não está. Mudar isso a dois dias do jogo mais importante e difícil de toda a época já era inventar demasiado na minha opinião.

      Além disso Ricardo tem experiência em jogos europeus: fez um belo jogo como lateral esquerdo frente ao Nápoles.

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  2. O habitual espasmo cerebral de A.Sandro e um ressalto de bola na nossa pequena área, foram as grandes ocasiões academistas, cujo futebol foi de agrado do seu treinador, enquanto para mim foi absolutamente confrangedor. Lopetegui mereceu ser feliz pela coragem tida ao revolucionar o onze, mostrando a ambiçao do grupo para o que resta da época, assim como uma confiança cega nos seus jogadores confirmando, ao mesmo tempo, um excelente ambiente no balneário. Foram óbvios os riscos corridos, mas Julen Lopetegui mereceu chegar a este momento da época com possibilidades de ser o nosso herói.

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  3. Várias vezes se manifestou muito cético (e até contra) a contratação de Hernani. Os ultimos jogos fizeram-no mudar de opinião, ou ainda se mantem reticente?

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    1. Hernâni mostrou exactamente as mesmas virtudes e defeitos demonstradas em Guimarães até ao momento. É um jogador a dar os primeiros passos no FC Porto.

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  4. tudo dito

    agora é ter todos os jogadores pra semana

    FORCA PORTO

    acrecito num empate ou vitoria terça e podemos meter os mesmos 3 do sporting ao benfica

    EU ACREDITO

    M.Pinto

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  5. gostei do comentario, foi exatamente isso e gostei da alfinetada ao parteta do pacheco ( mas ele tem de aparecer e se nao disser asneiras ninguem lhe liga como manuel jose ).

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  6. Será que a publicidade a um modelo de telemovel naquele grande placard junto ao museu, visivel da VCI, é uma pista quanto ao novo patrocinador da proxima época ?

    Parecia-me bem...

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  7. Algumas notas a reter deste jogo. Hernâni demonstrou aquilo que eu penso desde que foi contratado, dado o preço relativamente barato que custou, penso que foi uma contratação acertada, na medida que tem características inatas que vem acrescentar mais qualidade ao ataque do Porto em determinadas situações de jogo e contra determinados adversários. Tem alguns aspectos a limar, especialmente a nível da definição, mas por outro tem uma grande velocidade de ponta, excelente agressividade e um bom remate.
    Por outro lado Quintero é um caso perdido, e já não é de agora. Um jogador com o perfil competitivo dele, embora a superior qualidade técnica, muito dificilmente terá sucesso no futebol actual, onde é necessário uma grande intensidade e dinâmica de jogo. Portanto no final da época se surgir uma proposta que cubra o valor que custou, o que duvido, o melhor é vende-lo antes que desvaloriza ainda mais. Eu gostava de me enganar em relação ao Quintero, mas infelizmente acho que isso não vai acontecer.

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  8. ate ja vejo em certos blogs a compararem hernani a hulk :o

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  9. Penso que é exagerado destacar pela negativa o Reyes. Não foi exuberante mas cumpriu o seu papel. Não fez nem mais nem menos do que tem feito o Maicon.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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