quarta-feira, 8 de abril de 2015

Em 2015-16 não pode haver versão BETA

Entre os jogadores dos 4 maiores campeonatos europeus, o único que o FC Porto tem possibilidades de contratar e que já tenha atingido a barreira dos 15 golos chama-se Alberto Bueno. Por si só, isto já é relevante. Mas tratando-se de um jogador que tem escola, já é um conhecido do treinador do FC Porto e que pode chegar a «custo zero», então tudo se conjuga para uma rara e boa possibilidade de negócio.

O que fazer com Bueno?
Sobra a questão: para que precisa o FC Porto de Bueno? Para que precisa o FC Porto de um segundo avançado num 4x4x2, se a tentativa de encaixar Ádrian López nesse esquema não funcionou e se os melhores resultados com Lopetegui saíram do 4x3x3?

Bueno, ele próprio o reconhece, rende como segundo avançado. Tem um excelente toque de bola, é ágil, remata muito bem dentro e fora da grande área, razoavelmente rápido, bom no drible curto, que sabe ir buscar jogo atrás e aos flancos. Se o FC Porto pode ir buscar tudo isto a «custo zero», num jogador já formado, trata-se de facto de uma boa oportunidade de negócio, pois o risco da contratação falhar é reduzido. Mas existe, claro.

Imaginando um contrato de 4 anos e que contará sempre com a inflação de outros clubes interessados (dois milhões brutos/ano já seria mais do que bueno, pois daria 100 mil euros líquidos mensais - os jogadores em Portugal por norma ganham a 10 meses/ano -, salário que só quem é titular de valia do FC Porto devia ter), restando ainda saber como fica a questão das novas normas da FIFA para as transferências (3% do contrato?), Bueno teria que chegar e render, pois no final da segunda época já terá 28 anos. O FC Porto não está obrigado a ter só jogadores para valorizar e vender, conforme já aqui foi explicado, até porque raramente tem mais que 5/6 no plantel para esse efeito. Mas os que não são para valorizar e vender têm que ser para render na equipa. Bueno, em segundo ano de contrato, nunca poderia ser um suplente à procura de afirmação. Não temos espaço para isso nessas circunstâncias.

Não ganharia nunca mais do que Ádrian e não há o peso de 11M€ nas costas. Logo, como sucessor de Ádrian, seria uma boa contratação. A questão é que o FC Porto não precisa de sucessores para jogadores que não são titulares. Antes de pensar em Bueno, o FC Porto teria que pensar no que fazer com Ádrian. A não ser que o carro seja para devolver ao stand... ou que Lopetegui tenha outros planos para a próxima época.

No 4x3x3 de Lopetegui, Jackson é um jogador nuclear. Não há muitos outros pontas-de-lança que consigam fazer o que Jackson faz em termos tácticos - se há, se calhar o FC Porto não os pode pagar. Bueno até tem algumas características que Jackson usa, mas não tem a capacidade de aguentar a bola e a dimensão física de Jackson.

Ninguém faz o que faz
Jackson Martínez
Por outro lado, há Aboubakar, que tem sido moldado para ser o 9 da próxima época, e Gonçalo Paciência, cujas características se aproximam mais de Jackson do que Aboubakar. Ghilas é vítima de si próprio (se calhar, por isto já se percebe porque é que foi dispensado por Lopetegui e pouco jogava com Paulo Fonseca - mas é sempre mais fácil bater no treinador), Kléber tem características físicas e técnicas interessantes mas está muito desgastado na sua ligação ao FC Porto (a um ano do fim de contrato, ou sai ou fica no plantel - renovar para emprestar seria questionável), Walter é um fardo pesado e Caballero precisa de futebol de primeira liga antes de sonhar sequer em ser opção no FC Porto. Leonardo terá a sua primeira época na B e a André Silva faria bem rodar noutro lado, pois não vão ter espaço na equipa A. E sobra, claro, Ádrian López, que deve ser o primeiro caso a resolver e esclarecer.

Sabendo-se que Bueno não pode jogar sozinho num 4x3x3 (se pode, não é por já ter mostrado serviço nessa posição, logo seria apenas uma ideia de Lopetegui - e isso aumenta os riscos da aposta) e que já há Aboubakar e Gonçalo Paciência, que estão a trabalhar nesses moldes desde o início da época, irá Lopetegui pensar no 4x4x2 para a próxima época? Ter um plano B é útil. Mas na próxima época não há margem absolutamente nenhuma para Lopetegui testar ou inventar a meio da época.

A ideia de manter Lopetegui para 2015-16, independentemente de ganhar ou não títulos esta época, pressupõe que assim seja dada continuidade e estabilidade ao plantel. Se mudássemos de táctica, essa continuidade já estaria comprometida. Ter plano B tudo bem, ir para a segunda época ainda a pensar em experiências seria um risco demasiado grande. 

Tudo isto para defender que a contratação de Alberto Bueno tem que obedecer a uma ideia clara, que é o plano jogo de Lopetegui para 2015-16. Plano esse que desta vez não poderá estar em fase experimental, e não se deve cometer o erro cometido com Ádrian López - criar uma táctica para encaixar um jogador. Bueno é um bom jogador que tem tudo para ser uma boa contratação. Mas tem que vir para ocupar um lugar, não para que se crie um lugar para ele.

21 comentários:

  1. "Walter é um fardo pesado"

    hehe

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  2. PdC já deixou claro qual é o ADN da equipa qd contratou o treinador: 4-3-3. De qq modo, mais que as posições, é a transição entre as fases de jogo que conta cada vez mais. Quanto a Bueno, ontem no Twitter ele disse identificar-se mais como um médio ofensivo, veremos se não irá jogar mesmo na posição,,

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    1. Concordo. Podera jogar como medio que troca de posicao com o avancado (para criar desiquilibrios) e que TEM Mais hipoteses de remate em zonas frontais. Ou seja, para substituir Herrera. E ficariamos a ganhar muito com um jogador que tem boa tecnica e nao perde bolas por mas recepcoes.

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    2. Herrera é um box-to-box moderno, e não um MO.

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    3. RFerreira, para ser um box-to-box (nao ha antigos e modernas, so ha um tipo) era preciso que o Herrera recuasse ate a nossa grande area!!! Ele raramente desce atras do circulo central e quando o faz, fa-lo a passo.
      O que ele faz constantemente e subir a box contrario, mas isso nao faz dele um box-to-box

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  3. É verdade, ele identificou-se como um médio ofensivo. Quem sabe, até poderá jogar no lugar do Oliver na próxima época, sendo um jogador ainda mais virado para o ataque. Nesta época, em alguns momentos, já se notou alguma falta de apoio ao ponta de lança. Sendo assim, ter um jogador mais objectivo, como uma "flecha" apontada à baliza atrás do PL até poderia ajudar bastante, isto se o jogador for também capaz de vir buscar jogo, pressionar,etc...
    Concordo que se deva manter o 4-3-3 , mas podendo usar um jogador que seja realmente um médio ofensivo e não um 8 que ataca só mais um bocadinho que o outro 8.
    PS: Já se viu que muito dificilmente poderá ser o Quintero.

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    1. Acompanho quase semanalmente os jogos do Rayo e Bueno é de longe o melhor jogador da equipa. Mesmo não sendo ponta de lança, tem mais golos que os seus colegas de ataque juntos (Kakuta + manucho e leo batistao). Bueno tem jogado num misto de 2º avancado + extremo, mas aparece muito bem na área para finalisar, coisa que no Porto não existe (Herrera? Oliver?). Nunca poderá fazer o papel de Oliver, pois não tem cultura de equilibrio de equipa. Contudo, a custo 0 é muito bem vindo.

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  4. Tendo em conta a descrição das qualidades do jogador parecia que estava a descrever o jackson. falta-lhe o físico portanto.

    assim sendo, parece que será mais um erro de casting, a não ser que realmente no próximo ano seja para jogar em 442, o que, pensando bem, poderá não ser mal visto.

    vejamos, gonçalo é claramente o mais próximo de jackson, é o que tem mais capacidade para se envolver na construção de jogo. uma época a titular numa equipa da primeira liga seria o melhor. ou então ser titular no FCP, mas isso poderia correr mal, como correu com kleber por exemplo.

    aboubakar em um avançado que procura mais a profundidade e que poderia beneficiar de um apoio directo para facilitar a construção, bueno e adrian por exemplo. ou no limite quintero, apesar de eu estar sem paciência para ele(não lhe dava mais nenhuma oportunidade este ano)

    isto juntando-se o facto de oliver e casemiro poderem regressar a atletico e real, pode significar uma mudança no sistema de jogo.

    no entanto, o modelo de jogo seria semelhante, tendo como é obvio algumas alterações.

    por aqui, até ficava descansado e não seria uma invenção muito descabida.

    o problema é que teriam que entrar várias caras novas no onze. aí já não haveria a tal continuidade que se pretende com o lopetegui. danilo jackson oliver e casemiro para a entrada de ricardo aboubakar bueno/adrian e ruben neves. o decréscimo de qualidade parece-me evidente. mas isso é algo que vejo como inevitável mais ano menos ano.

    portanto visto de fora, parece-me um pouco dificil perspectivar o que será o FCP nos próximos anos, porque defendo que se deve reduzir os custos e com isso a qualidade baixará claramente. mas na minha opinião seria dar um passo atrás para depois dar 2 à frente. um desinvestimento em 2 épocas em que se daria oportunidade a algumas promessas para crescerem e depois ter um novo ciclo com vários craques para transaccionar. Mas será preciso sempre algum tempo para colher o que se plantou...

    João Reis

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  5. Bom, não sabemos o que Lopetegui pretende para Bueno, mas a confirmar-se a transferência, é o segundo jogador que o treinador contrata para essa "tal" posição. E se o segundo pode vir a custo zero, o primeiro custou 11M.

    Será descabido pensar que Lopetegui quer um 4-4-2 desde o início, mas não estava a contar com um desempenho tão básico e amorfo de Adrián? Lembro-me bem no início da época, aquando do anúncio da contratação de Adrián, muitos adeptos (eu incluído) pensaram de imediato numa dupla atacante Jackson-Adrián, ou seja, 2 jogadores e não 3. E essa dupla em teoria ia partir tudo.

    Terá a direção aceite pagar 11M por um jogador que o treinador não sabia onde colocar? Que estava destinado a ser um plano B e para ir jogando nas taças? Não compro essa...

    Por fim quanto à questão do ponta de lança, eu penso que contratar um substituto direto para Jackson é uma medida mais populista do que efetiva. Noutros tempos (há dois ou três anos atrás) Aboubakar só viria depois de Jackson sair. Da mesma forma que Jackson só veio muito depois de Falcão sair e este depois de Lisandro sair. A diferença é que esta época tivemos 2 GRANDES pontas de lança em simultâneo: um que está a fazer o seu último ano e outro a fazer o seu primeiro em preparação para o segundo.

    O substituto de Jackson é Aboubakar e tudo o que venha a mais será para sossegar adeptos e não para ser efetivo (e para tirar espaço ao Gonçalo, já agora).

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  6. Pelos indícios, na minha opinião o FCP sem Jackson, vai jogar em 4x4x2. É o sistema preferido do Lopetegui que só não é usado este ano porque temos um Super Ponta de Lança para o 4x3x3. Quanto ao Adrián, até pode render mais em 4x4x2 mas bonito bonito era devolvê-lo à procedência!

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  7. Creio que o ADN do FC PORTO mé o 4-4-3... e depois de ouvir Bueno dizer que se sente mais á vontade como médio ofensivo, creio que tudo isto tem a ver com a saida inevitavel de Oliver...
    Quanto ao Adrian, ainda vamos ouvir falar dele... o problema foi a sua não adaptação a Portugal e mais concretamente á cidade do Porto.

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  8. Saudações a todos os Portistas, e parabéns ao Tribunal do Dragão pelo excelente trabalho desenvolvido, continuem assim.
    Quanto ao tema em questão tenho uma opinião bem diferente. O ADN do Porto não tem nada a ver com qualquer táctica, mas sim com princípios e modelo de jogo. Lembro que na nossa melhor época dos últimos 20 anos, com o também melhor treinador dos últimos 20 anos, o Porto na segunda época de Mourinho (se não contarmos os meses depois de substituir Octávio Machado) mudou de um 4-3-3 para um 4-4-2. E para o ano faz todo o sentido que mudemos também de táctica, o que é muito diferente de mudar de princípios ou modelo de jogo.
    Este ano os nossos melhores resultados e exibições na nossa táctica natural tiveram sempre um denominador comum: a grande ou grandes exibições de pelo menos 1 dos nossos três jogadores fulcrais para fazer este 4-3-3 funcionar, Jackson, Óliver ou Casemiro. E para o ano corremos o risco de não termos nenhum deles! Ora se o grande erro do Paulo Fonseca foi tentar formatar, e insistir nisso, a equipa para jogar num esquema que não era o melhor para a mão de obra capaz de ser figura na época em questão, sería agora também um erro tentar fazer uma omolete de 1a na mesma frigideira, sem ter outros ovos de primeira! Ou compraríamos ovos de primeira, o que no momento actual é impossível, ou então deixamos de lado os ovos e a frigideira, e fazemos antes umas tripas à moda do Porto.
    Sem Jackson, Óliver, Danilo e talvez Casemiro e Tello teremos que analizar a mão de obra à disposição e ver qual o melhor uso que lhe poderemos dar.
    Aboubakar tem tudo para ser um jogador de topo, mas nunca a desempenhar as funções de Jackson. Quintero tem tudo para ser um jogador de topo, mas nunca a desempenhar as funções de Óliver. Ádrian tem tudo para ser um jogador de topo, mas apenas se jogar onde mais rende, a 2° avançado.
    O nosso único extremo puro capaz de ser figura no presente corre o risco de não estar cá para o ano, Tello. Quaresma cada vez mais passará a jogar por dentro, seja a partir das alas ou até mesmo a assumir funções desde início no meio-campo, como Jesualdo Ferreira lhe prespectiva para o futuro, e até já foi experimentado nessa posição por Lopetegui.
    Rubén Neves ainda não tem nem a estaleca competitíva nem a capacidade física e mental para ser o nosso único trinco. Se nos lembrarmos dos nossos últimos grandes trincos todos tinham dois denominadores em comum: capacidade física e experiência competitiva - Costinha, Paulo Assunção, Fernando e agora Casemiro. A posição de trinco num esquema de 4-3-3 com um meio campo em triângulo invertido é de todas a mais exigente, seja em termos tácticos seja em termos de robustez física e "pulmão". Ruben Neves AINDA não possui nem uma nem outra coisa. (Excedi-me nas palavras e tenho que dividir isto em 2, já coloco a 2a parte. Lol)
    António Guedes

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    1. O Mourinho só jogava em 4-4-2 na Champions para fortalecer o meio campo.

      O Ruben Neves para mim será um excelente 8 no futuro. Acho que com as qualidades de distribuição e visão de jogo, seria um desperdício jogar a trinco (TRINCO, que o Porto com um meio campo a 3 deve jogar sempre com um para estabilizar a equipa e dar liberdade aos outros 2 médios). Só teria lógica (a meu ver) o Ruben jogar a médio defensivo se o Porto jogasse com dois médios mais recuados.

      Não sei quem estará para o ano, mas para as alas, dois ou três extremos (Quaresma, Tello e Hernani) e dois ou três "falsos" extremos (Brahimi, Ádrian e Bueno) parece-me mais que suficiente. A avançado penso que não haverá grandes dúvidas quanto ao que será titular (Aboubakar), ficando o Gonçalo como reserva.

      Com a saída do Óliver, teremos Evandro, Carlos Eduardo (veremos poderá ser uma solução) e Sérgio Oliveira (embora diferentes do espanhol, não me parece que fiquemos muito pior...

      Para 8, para além do Ruben, está também o Herrera e possivelmente o André André.

      Preocupação será com o trinco (substituto do Casemiro) e com o que acontecerá nas laterais (Danilo e talvez o Alex Sandro).

      Não vejo assim tamanho dramatismo, mesmo com as saídas confirmadas e algumas outras que poderão acontecer o plantel não ficará fraco como o pintas...

      Vitor

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    2. Vitor se leres bem e com atenção em nenhuma parte digo que o plantel irá ficar fraco, na 2a parte do meu comentário até digo que o Porto para o ano tem tudo para continuar a ser protagonista tanto cá dentro como lá fora. O que digo sim, é que os 3 jogadores fulcrais para fazer este 4-3-3 funcionar em pleno, provavelmente não estarão cá para o ano!
      Em relação à saída do Óliver nenhum dos jogadores que referiste tem a capacidade de elevar a equipa para outro patamar como ele tem, nem nunca terá. Com qualquer um deles a desempenhar as funções que Óli actualmente desempenha ficaríamos muito pior sem dúvidas, e isso notou-se na visita ao Nacional.
      Gosto muito do Evandro e até do Carlos Eduardo, mas nenhum deles tem ou terá a capacidade que o Óli tem de ligar os sectores e continuar a aparecer, e ser decisivo e determinante, nos momentos definidores. O futuro do Sérgio Oliveira será no meio-campo defensivo e não ofensivo, o que não quer dizer que deixe de ser um construtor de jogo.
      Não é verdade que o Mourinho só jogasse em 4-4-2 para a Champions, ele mudou mesmo a tática para a 2a temporada e até fala disso em algumas entrevistas que deu.
      Nessa época jogámos quase sempre apenas com 2 avançados ao invés de 3, Derlei e McCarthy/Jankauskas (e depois Carlos Alberto). O meio-campo era composto quase sempre por 4 elementos, normalmente Costinha-Maniche-Deco-Pedro Mendes/Alenichev. Mas é claro que esta tática se desdobrava para outras nuances, aparecendo um elemento do meio campo no ataque. E mudar de tática não quer dizer que os jogadores fiquem rígidos nesse papel, toda a tática eficaz tem uma costela de camaleão. A tática só se aplica no papel, são as diretrizes de como a equipa se apresenta: como defende, como ataca, e de onde os jogadores partem até onde aparecem nos momentos definidores. Mas dentro de campo tudo isto muda rapidamente e o que realmente importa é a organização assente nos princípios e modelo de jogo.
      No tempo do Vitor Pereira no papel jogávamos sempre em 4-3-3, mas nos momentos definidores acabávamos quase sempre em 4-4-2 losango, com Hulk/Varela a entrar na área e James a aparecer no meio no momento da decisão.
      O meu ponto é que para o ano sem contratações, se perdermos Casemiro não temos mais nenhum 6 que cumpra como ele cumpre, que tenha presença física, alcançe longo e pulmão como ele tem.
      Se Óliver saír não temos mais nenhum que faça simultaneamente o palpel de nr° 8 e 10, ou médio de transição e construtor/definidor de jogo se preferires, tudo com qualidade. Não é por acaso que Óliver está sempre no topo de quem mais Km percorreu.
      Se Jackson sair não teremos mais ninguém cumpra como 9, reboque da equipa e placa giratória como ele cumpre.
      Todas estas características em que Casemiro, Óliver e Jackson se evidenciam são essenciais para fazer funcionar este 4-3-3, e sem elas das duas uma: ou vamos ao mercado buscar jogadores com estas características ou adaptamos a equipa para jogar de forma diferente, o que em nada quer dizer que fique mais fraca!
      António Guedes

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  9. Eu não conheço Bueno, só pelo visionamento de alguns vídeos. Eu sei que os vídeos valem o que valem, isto é escondem algumas limitações, mas nos vídeos é perceptivel algumas das qualidades que o TD enumerou no artigo publicado em cima, aliás pelos vídeos parece-me um jogador algo semelhante ao Jonas do Benfica.
    Dito isto, a confirma-se a sua vinda penso que poderá ser um jogador muito útil, porque na minha opinião poderá permitir ao FC Porto jogar muitas vezes com dois avançados, especialmente com equipas que jogam contra o FC Porto muito fechadas. Comparando com Adrian este jogador parece-me com mais fibra e com mais dinâmica.
    Mesmo sendo um jogador mais de 4x4x2, parece-me pelas qualidades que tem que pode ter sucesso também em 4x3x3, precisa para isso que o FC Porto para o ano tenha um médio ofensivo que se aproxime mais do Ponta de Lança, para aproveitar os espaços que este possa criar.

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  10. Lopetegui cometeu muitos erros na construção da equipa no início da época, verdade. Quer seja em experiências táctica ou na procura das melhores peças (a dita rotatividade precoce e excessiva, que na verdade foi a forma encontrada de manter todos alerta e empenhados até encontrar o onze que lhe dava mais garantias), foram cometidos erros. Mas erros compreensíveis, de um treinador que assumiu pela 1a vez o comando de uma grande equipa numa realidade diferente. Isto na teoría é tudo perfeito, mas é preciso pôr a teoría à prova, apenas achei descabido os momentos em que o fez, revelando aqui um total desconhecimento em relação à nossa realidade, tendo talvez a estrutura também culpas no cartório.
    Alterar o esquema táctico de uma equipa num segundo ano de mesmo treinador é completamente diferente de o fazer logo na primeira época do treinador. Paulo Fonseca tentou, falhou, e insistiu. Lopetegui tentou, falhou, e corrigiu. Essa é a grande diferença entre os grandes treinadores e os medianos: admitir erros a saber corrigi-los o mais rápido possível, e Lopetegui já provou que tem essa valência.
    Mudar a táctica para o ano, se Lopetegui assim o entender, irá ser muito mais fácil e pacífico. Os fudamentos, princípios e modelo de jogo de Lopetegui já estão todos lá. Os jogadores já se conhecem e já temos uma equipa base, e teremos toda a pré-época para trabalhar a nova táctica, desta vez sem pré-eliminatória da Champions a atrapalhar.
    Se os princípios e modelo de jogo estiverem bem enrraizados, não é um bicho de sete cabeças alterar a táctica. Temos como exemplo o Bayern deste ano, que é capaz de já ter jogado em todas as tácticas possíveis e imaginárias, sempre em bom plano.
    Na modesta opinião de um indivíduo que gosta de estudar e analizar estas coisas de princípios, estruturas e modelos de jogo nos desportos colectivos, temos tudo a ganhar e pouco a perder em mudar a táctica de jogo para o ano, mediante a mão de obra que provavelmente iremos ter.
    Para o ano um Porto a jogar num 4-1-3-2 ou 4-2-3-1, tem tudo para ser protagonista tanto cá dentro como lá fora.
    Se fosse eu a estar na cadeira de sonho, e Casemiro ficando, optaria por um 4-1-3-2, não tendo Casemiro pelo 4-2-3-1 com Rúben Neves (ou Sérgio Oliveira) e Herrera como duplo pivot. Quintero, Ádrian, Bueno, Brahimi e Quaresma (e Tello se ficar) a rodar entre e por eles no apoio ao Aboubakar/Gonçalo tem tudo para dar certo. Mas isto tudo na teoría, podendo eu estar tão errado como o JJ quando disse que faría do Djaló um grande jogador! Lol
    Mas o melhor mesmo é dar tudo por tudo no que falta da época e esperar pelo desfecho desta. Depois sim, o sucesso ou insucesso irá ditar as regras do mercado e a construção da equipa para a próxima época.
    Abraço azul a todos, e econtramo-nos por aqui na mesma, para a próxima. :)
    António Guedes

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  11. Bem vamos ver TdD...

    Existe um problema para a próxima época que é essencialmente as saídas...

    Estamos muito dependentes dos Ses de Casemiro e Óliver.

    Caso Casemiro volte ao Real, que seria um erro tremendo da carreira do jogador pois para jogar no Real terá mesmo de sair e ser novamente comprado por 30M€ para ter estatuto e mesmo com esse estatuto arriscava-se a passar uma época inteira sem calçar, quanto mais quando fez meia-duzia de bons jogos numa equipa portuguesa... e se o Real comprar mesmo o Pobga nem no banco tem lugar... Mas se ele voltar ao Real temos um grande problema entre mãos.

    Se Oliver voltar é outro problema contudo menor.

    Saídas de Danilo e Jackson são garantidas.

    Só assim de fininho estamos a falar de 4 titulares a irem-se à vida e ainda corremos o risco de perdemos mais alguém (Herrera, Brahimi, Indi).

    Ainda temos que pensar no investimento Tello.

    É muita coisa para uma época nova...

    Tendo em conta que temos mais ou menos certo já 4 reforços para 15-16 (André André, Sérgio Oliveira, Bueno, Hernâni) ainda temos muita coisa para resolver do restante desta época com Adrian e Quintero à cabeça.

    Agora e em relação a Bueno, pode ser bom jogador mas não faz muito sentido, analisando de fora.

    Mesmo assumindo que Adrian via ser devolvido, ficamos com Tello, Quaresma, Hernani e Brahimi nas alas...

    No meio e para médio mais ofensivo e já sem Oliver, temos um Herrera insubstituivel (talvez com Andre Andre tenha concorrência no médio Box-to-Box), Evandro, Sergio Oliveira e Quintero (que espero que saia) e aqui não sei como bueno se iria conseguia adaptar a defender e a atacar.

    Sozinho na frente não me parece mesmo...

    A não ser que se esteja a contar tranformar Bueno no médio-ofensivo ou coisa do género ou se esteja a contar com a saída de Brahimi, não faz muito sentido...

    P.S.: se Brahimi sair passam a ser 5 titulares de saída... será que teremos uma equipa que se possa considerar que está a continuar o trabalho desta época?

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  12. Pelo pouco que vi, por alguns dos jogadores com quem se identifica, Reus e Hazard, e também pela descrição que aqui li, "vi-o" no lugar do Brahimi. Não vejo porque não possa jogar à esquerda do nosso 4-3-3 com rotinas semelhantes às de Brahimi...

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  13. Não concordo quando se referem a erros de "casting", ou necessidade de alterar a táctica, mesmo quando se está a falar do Adrian.

    Desde a saída do Jardel do Porto que se deixou de jogar com dois extremos puros e com muito bons resultados (deixou de fazer sentido a partir do momento que deixamos de ter um ponta de lança com as características únicas que o Jardel tinha), passando-se a privilegiar a utilização de um extremo puro de um lado e de um avançado do outro.

    Foi assim com o Derlei, depois com o Lisandro, depois o Hulk e até o James (que sem ser avançado, não era extremo e funcionava na equipa como um médio ofensivo/segundo avançado para o último passe ou apoio directo ao avançado), e a equipa sempre correspondeu muito bem, ganhando com isso mais presença na área e libertando uma das alas para a subida em apoio de um lateral.

    Assim, sem nunca ter jogado com um jogador na posição 10 (talvez o Deco que era um 10, mas teve que recuar no terreno e aprender a defender/equilibrar no meio campo a 3 do Porto,tendo sido no entanto um dos ou talvez o melhor médio e o mais criativo que eu me lembro de ver jogar Porto), era sempre um jogador que partia de uma ala que fornecia o apoio directo ao avançado.

    Assim, vendo o plantel deste ano do Porto, pareceu-me que seria para continuar a mesma senda, Quaresma e Tello como extremos e Brahimi e Ádrian para funcionar como "falsos" extremos, ambos para funcionar mais no apoio interior ao Jackson.

    O Ádrian, pode ter custado muito dinheiro, pode ter demorado a "enquadrar-se" na equipa e neste modelo de jogo, mas qualidade ele tem, e teve também muitíssimo azar no momento em que se lesionou (quando estava finalmente a integrar-se na equipa). Pode até mesmo acontecer que não fique para o ano no Porto, mas se ficar tenho uma certa impressão que ainda vai "calar" muita gente...

    Relativamente a este Bueno, eu simplesmente não conheço, mas já "ouvi" falar muito bem dele. Se tiver realmente as características que aqui se lhe apontam (ofensivo a poder jogar como falso extremo, boa técnica, rápido, bom remate de longe), e ainda por cima a custo zero, para mim parece-me uma boa aquisição. Estes quero eu ver no Porto a custo zero e não Samis ou Djalmas.

    E, como disse atrás, não me parece nada descabido que com esta táctica do Lopetegui, em 4-3-3 mas com os laterais constantemente a subir pelos corredores a apoiarem o ataque, a utilização de um avançado a partir de uma ala para, no momento atacante, fornecer mais uma opção no centro no apoio directo ao (possivelmente) Aboubakar.

    Vamos ver quem sai e quem fica para o ano, mas não me parece nada que o Porto tenha que passar a jogar em 4-4-2 para poder jogar com jogadores como o Ádrian ou o Bueno, como também não o fez quando jogou com o Derlei ou com o Lisandro.

    Vitor

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  14. Não costumas ser tão rígido de ideias TdD.

    O 4x4x2 é um sistema muito utilizado actualmente, e com bons resultados, por equipas com iniciativa de jogo e cujos adversários costumam exigir um cardápio de soluções variadas. "Respostas adequadas" a diferente problemas que vão sendo enunciados durante uma época longa e competições diferentes.

    É verdade que o 4x4x2 não resultou este na maioria dos jogos deste ano. Contra o Barisov no Dragão foi uma boa exeção, por exemplo. Mas não será necessária muita imaginação para elaborar a ideia que, na cabeça do treinador, as coisas talvez não resultaram por questões estruturais da estratégia 4x4x2, mas sim porque o Adrian não deu a resposta necessária. Nesse sentido parece imediato que o Bueno é uma solução híbrida - e em conta! - entre a sucessão direta do ex-Atleti e uma reserva mínima a Aboubakar e Gonçalo.

    Robson, Mourinho e o actual treinador do Zenit são exemplos de treinadores do nosso clube com adaptabilidade táctica, mormente no 4x4x2...

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  15. Muito sinceramente preocupa me bastante o rumo que este Porto está a levar. Esta política de contratações bem como os empréstimos, principalmente os empréstimos, terão num futuro o retorno devido? A mim faz me lembrar o caminho levado pela dita associação recreativa e cultural do Alto dos Moinhos há uns anos atrás aquando da presidência do único dirigente detido e condenado por corrupção e fraude no futebol português. Qual foi o resultado com a armada de ingleses emprestados que dançavam no palco? Anos e anos sem ganhar nada. Será que o Porto segue pelo mesmo caminho com a quantidade de espanhóis, alguns de qualidade muito duvidosa? Veremos.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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