sábado, 11 de abril de 2015

Se o FC Porto quer, é porque merece atenção

Domingos, Sá Pinto, Jesualdo, Vercauteren, Oceano, Leonardo Jardim e Marco Silva. Sete treinadores em 4 anos não é benéfico para nenhum jogador, muito menos para um jovem como André Carrillo, com muito potencial mas pouca consistência, que desse conjunto de treinadores pouco tempo teve para aproveitar os dois melhores (Jesualdo e Jardim). Num clube habituado a conviver nos últimos anos com crises directivas e internas, mais difícil se pode tornar.

Oportunidade só em Janeiro
Mas genericamente todos concordam que há ali um projecto de jogador interessante, com tudo para explodir. Esta é a época em que está a jogar mais pelo Sporting, mas não é Marco Silva quem fará dele jogador de equipa grande, que jogue (salte a redundância) à jogador de equipa grande. Tudo isto para lançar a questão: é jogador para o FC Porto?

É muito simples. O jogador interessaria ao FC Porto a partir do momento em que chegasse a 1 de Janeiro de 2016, podendo assinar a custo zero (nestes casos, há sempre prémios de assinatura/fidelidade e intermediações chorudas - há ainda dúvidas sobre como se processam as novas regras de intermediação FIFA para transferências em free agent). Vai chegar até estas condições? O mais provável é que não.

Tal como houve interesse em Bruma, é normal que haja interesse em Carrillo. Mas há um dado que muda tudo: já foi noticiado que o FC Porto quer o jogador, tal como até já foi noticiado que o FC Porto poderia apresentar uma proposta efectiva por Carrillo no próximo verão (Bruno de Carvalho provavelmente preferiria ajoelhar-se perante Bettencourt, ex-presidente do Sporting e chefe de gabinete de Stock da Cunha no Novo Banco, do que aceitar uma proposta do FC Porto para evitar uma saída a custo zero).

O que é que isto muda? Carrillo acaba de ver abrirem-se portas de mercado que noutras circunstâncias talvez estivessem fechados. Porque se há algo que a Europa do futebol sabe, é que se o FC Porto quer, então muito provavelmente é bom e corre elevados riscos de se tornar um grande jogador. Sobretudo quando o FC Porto acabou de fazer mais uma grande operação, com a venda de Danilo ao Real Madrid, e mais uma vez os jornais estrangeiros falaram das centenas de milhões que entraram em transferências nos cofres da SAD nos últimos anos (a pergunta da praxe nestes casos: para onde foi o dinheiro? Abram os R&C que lá não faltam respostas).

Esta é uma lição já aprendida por outros clubes, mas nem sempre bem sucedida. Porque leva tempo, porque requer know-how. Um exemplo, Raúl Jiménez. O Atlético não chegou a Jackson, então quis o sucessor que o FC Porto queria para Jackson. Não cumpriu as expectativas do Atlético, que agora não se importaria nada que Jimenez fosse de facto o sucessor de Jackson no FC Porto, a evoluir e rodar por cá em 2015-16.

Zahavi trouxe Moutinho
Voltando à questão. Então se havia dificuldades em encontrar clubes que quisessem pagar significativamente por Carrillo, agora os potenciais interessados já sabem que o jogador vale a pena, porque o FC Porto está interessado. Noutros tempos, isto até poderia significar um aumento da proposta de renovação (como foi o caso do jackpot que saiu a Adrien Silva em 2012). Neste caso, significa mais mercado para o jogador no verão de 2015, última tentativa do Sporting o vender. 

Uma consequência de querer romper com fundos e mundos, pois isso motiva que se afastem influentes empresários, como Zahavi, que por acaso tem 50% de Carrillo e foi determinante para João Moutinho vir para o FC Porto em 2010. Esperar que Carrillo (e neste caso o Sporting) não tivesse propostas no verão seria muita sorte, e até poderia implicar um ano parado e a impossibilidade de dar um passeio em Lisboa.

O FC Porto deve estar atento às boas possibilidades de negócio, como esta poderia ser, a custo zero. Não são muitos os casos de jogadores contratados a custo zero que vingaram no FC Porto, mas a tendência será cada vez maior para deixar jogadores em situação free agent. Porque com as restrições da FIFA face às intermediações nas transferências, um negócio a custo zero com prémios bem chorudos interessará muito mais. Felizmente, o FC Porto já tem bons extremos nos seus quadros, e neste momento não corre riscos de perder nenhum no próximo verão. Não será a posição que gerará mais preocupações, ao contrário do que aconteceu na última pré-época.

Um parênteses para o mercado antes da determinante visita ao Rio Ave, onde só um FC Porto de Champions, sem pensar na Champions, passará hoje com distinção.

5 comentários:

  1. Sem me deter muito na parte politica/burocratica da crónica, dizendo unicamente que provavelmente o interesse é dar um " tiro no porta-aviões", seja pela agitação do mercado, seja pela efectiva contratação, o eventual interesse em Carrillo tem a ver com o facto de poder cair nas mãos de Julen e, com a sua ajuda, poder tornar-se, alem de um jogador consistente, um fora-de-serie, pois tem um potencial desiquilibrador tremendo.

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  2. Jogador muito inconsistente, tem dias que parte a loiça toda e deslumbra-se para no dia a seguir não jogar nada. E o ano em que se valorizou mais foi este com Marco Silva (que eu considero um grande treinador - quantos fariam melhor com os recursos que ele tem à sua disposição?).
    E esperar quase 8 meses para puder contar com o jogador daqui a 14 meses? Não concordo muito a menos que se seja um desejo expresso do treinador.

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    Respostas
    1. O Leonardo Jardim fez mais com ainda menos...

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    2. Será que fez? Jardim só tinha jogos de Domingo a Domingo. Não foi à final da Taça de Portugal eliminando o FC Porto no Dragão. Não foi eliminado da Champions por uma arbitragem vergonhosa. E tinha uma defesa bem melhor do que a que Marco Silva tem. Mas isso são outras discussões.

      Sobre o Carrillo, acho que tem potencial, mas não tem consistência. Vejamos o que vem daí. A mim parece-me jogadas de bastidores empresário para aumentar o salário do seu jogador.

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    3. O Jardim fez mais? Não, o Porto é não fez nada.

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De e para portistas, O Tribunal do Dragão é um espaço de opinião, defesa, crítica e análise ao FC Porto, que aborda a atualidade desportiva e financeira de clube e SAD, bem como do futebol português.

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